PROJETO AGENTE DA PAZ Substituir a cultura da violência que, infelizmente, permeia a nossa sociedade nos dias que correm por uma cultura de paz. É o que pretende a Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) com o desenvolvimento do projeto Agente da Paz, elaborado pela Comissão Pró-Infância e Juventude da AMC, presidida pela Juíza Sônia Maria Mazzetto Moroso, em parceria com o Poder Judiciário Estadual, Poder Legislativo Estadual, Poder Executivo Estadual através de suas Secretarias Estaduais de Educação, Ciência e Tecnologia, de Saúde e da Segurança Pública e Defesa do Cidadão, Ministério Público Estadual, Universidade Estadual de Santa Catarina UDESC -, Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente - e Fundação Maurício Sirotski - RBS. O projeto é um dos desdobramentos das campanhas em prol da paz que vêm sendo realizadas nos últimos anos em todo o mundo. Porém, mais do que impulsionar a continuidade dessas campanhas, o Agente da Paz pretende propor e desenvolver ações conjuntas interinstitucionais e multi-profissionais de enfrentamento da violência, nas suas diferentes manifestações. O objetivo principal do projeto é promover espaços de articulação, reflexão, formação e implementação de ações voltadas para a temática da cultura da paz. E isso em todo o estado de Santa Catarina: na ótica dos idealizadores do Agente da Paz, a educação para a paz implica num amplo processo participativo que busque mudar o nosso jeito de pensar, mudar nossos hábitos e promover o aprendizado da paz, da ética e da justiça. Deste modo, a escola tem um papel primordial no projeto, pois deve-se procurar construir uma cidadania ativa, aí incluídos o ensino de e sobre direitos humanos, resposta não-violenta aos conflitos, justiça social e econômica, igualdade entre os gêneros, sustentabilidade ambiental e segurança humana. O público alvo, portanto, são crianças e adolescentes integrantes ou não da rede de ensino pública e privada, além dos pais, familiares, professores, autoridades e comunidade em geral. O Agente da Paz inclui ações pedagógicas nas escolas e a instituição de leis, estaduais e municipais, que estabeleçam a Semana da Paz, no período de 05 a 12 de outubro de cada ano. A idéia é promover, nessa semana, diversas atividades voltadas para a temática da cultura da paz, sem prejuízo das ações desenvolvidas ao longo do ano. Na verdade, a eleição da Semana da Paz, significa o coroamento das atividades, o momento no qual há exteriorização das ações. Neste caso, as crianças e adolescentes que praticarem ações em prol da paz (entrega de armas de brinquedos, redações, poesias, peças teatrais, música, ações de solidariedade para com instituições sociais, etc...) se credenciarão ao título de Agente da Paz, conferido pelo Poder Judiciário em parceria com a Associação dos Magistrados Catarinenses. O Agente da Paz irá buscar apoio em representações ecumênicas, clubes de serviço, associações de municípios, de moradores, imprensa, conselhos tutelares e outras que objetivam a defesa, promoção e fiscalização dos direitos inerentes ao público infantojuvenil, bem como a direitos humanos que porventura vierem a se engajar no processo.
É importante lembrar que toda esta realidade de violências presente no cotidiano dos brasileiros vem merecendo destaque e preocupação por parte de nossas autoridades, sejam elas do poder executivo, legislativo ou judiciário. Nisso, pode-se destacar O Pacto pela Paz, instituído pela ONU, do qual o Brasil é signatário. A Declaração e Plano de Ação para uma Cultura de Paz, aprovada por unanimidade pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 13 de setembro de 1999, elegeu a década 2001-2010 para dedicação integral a uma Cultura de Paz e Não-Violência às crianças do mundo, sendo obrigação dos países signatários o resgate de valores, atitudes, tradições e estilos de vida voltados para a Paz com sua incorporação a nossa conduta diária. Por fim, o processo da Educação para a paz encoraja a reflexão, o pensamento crítico e se baseia em valores como dignidade, igualdade, respeito e tolerância para com o outro. Pela nobreza e importância da causa, o projeto Agente da Paz merece, indubitavelmente, o pronto engajamento de toda a sociedade catarinense. O projeto de lei já foi protocolado junto à Assembléia Legislativa e prevê a criação da Bandeira da Paz (sugerida na Assembléia Geral das Nações Unidas- 1999), a formação de uma comissão estadual para normatizar as questões específicas e a Semana da Paz (5 a 12 de outubro) com respectiva homenagem às pessoas que trabalharam em prol de uma nova cultura de paz. Abaixo, seguem dados alarmantes da Unesco sobre a violência no Brasil, assim como os objetivos, organização e propostas do projeto Agente da Paz. ESTUDOS DA UNESCO: Estudos recentes divulgados pela UNESCO nos informam que a taxa da mortalidade no Brasil caiu de 633 em 100 mil habitantes, em 1980, para 573 em 100 mil habitantes no ano de 2002. Isso poderia ser considerado perfeitamente um fator de avanço no que se refere à instituição de uma cultura da paz. Entretanto, a taxa referente aos jovens cresceu, passando de 128 para 137 em 100 mil, no mesmo período. Sendo que as principais causas da mortalidade juvenil são os homicídios e os acidentes de trânsito. Ainda segundo estudos da UNESCO, a cada 13 minutos um brasileiro é assassinado; a cada 7 horas uma pessoa é vítima de acidente com arma de fogo no Brasil; um cidadão armado tem 57% mais chances de ser assassinado do que os que andam desarmados; as armas de fogo provocam um custo ao SUS de mais de 200 milhões de reais por ano; no Brasil, por ano, morrem cerca de 25 mil pessoas vítimas do trânsito e 45 mil morrem de armas de fogo. Vale a pena ressaltar que tal situação no Brasil merece destaque mundial. Neste sentido, os números da violência em nosso país são alarmantes e exigem a mobilização imediata da sociedade. De acordo com a Organização das Nações Unidas, nós somos a nação que mais mata com arma de fogo no mundo. Nos últimos vinte anos, o número de brasileiros assassinados aumentou 237%. Entre 1991 e 2000, o crescimento foi de 50,2%. Todos os anos, uma média de 50 mil pessoas é assassinada no país; cerca de 45 mil são vítimas de arma de fogo. Destacamos a dimensão das tragédias provocadas pela banalização do uso de armas de fogo porque cerca de 65% dos assassinatos por armas de fogo no Brasil são cometidos por cidadãos sem antecedentes criminais e 70% ocorrem por motivos fúteis.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS DO PROJETO AGENTE DA PAZ 1. incentivar os poderes legislativos Estadual e municipais a elaborar leis definindo o período de 05 a 12 de outubro como a Semana da Paz ; 2. estimular as entidades públicas e privadas, a partir do espaço escolar, a concentrarem o desenvolvimento de atividades inerentes a estabelecer uma nova cultura pela paz, durante a Semana da Paz, como modelo político pedagógico permanente, sem prejuízo das atividades desenvolvidas ao logo do ano; 3. incentivar as crianças e adolescentes à materialização de atos praticados em prol da construção da cultura da paz, com o conseqüente credenciamento ao título de Agente da Paz ; 4. credenciar a entidade participante, que atingir as metas estipuladas, à titulação de Agência da Paz, em momento oficial e solene, previamente programado; 5. efetivar parcerias com os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário para a realização de audiências públicas, seminários, fóruns de debates e de políticas públicas, conferências, entre outros. 6. impulsionar espaços de formação profissional com vista à sensibilização no que se refere à relevância atual da cultura da paz; 7. promover e incentivar ações de diagnóstico das violências em suas mais variadas formas de apresentação; 8. estimular e fortalecer o protagonismo juvenil e a mobilização social em torno da cultura da paz, da não-violência e dos direitos humanos; 9. promover ações com vistas à democratização dos órgãos responsáveis pela defesa da justiça na sociedade catarinense, por meio do esclarecimento dos cidadãos acerca dos seus direitos a garantias básicas e dos meios de exercê-los; 10. incentivar os juízes estaduais a dar continuidade ao projeto da Associação dos Magistrados Brasileiros Cidadania e justiça também se aprendem na escola, por meio de uma Cartilha da Justiça, a exemplo de outros Estados; 11. incentivar a fiscalização de legislações específicas que vedam a fabricação e comercialização de armas de brinquedos, a teor do art. 26 da Lei n 10.826, de 22 de dezembro de 2003. 12. Divulgar técnicas de solução de conflito, mediante conciliação ou mediação, para aplicação no próprio ambiente escolar, com vistas a vivência mais pacífica entre seus membros e aprendizado para a vida adulta; 13. Firmar protocolo de intenções com as entidades parceiras, através do Pacto Catarinense pela Paz ;
14. buscar junto aos meios de comunicação, a divulgação deste Projeto, procurando alcançar o maior número possível de participantes; ORGANIZAÇÃO: Associação dos Magistrados Catarinenses (Comissão Estadual Pró Infância e Juventude Coordenação); ENTIDADES PARCEIRAS NO ESTADO DE SANTA CATARINA Poder Judiciário Assembléia Legislativa Ministério Público Estadual Secretaria de Estado da Saúde Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa do Cidadão Secretaria de Estado de Educação, Ciência e Tecnologia Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente Fundação Maurício Sirotski Sobrinho (RBS) Universidade Estadual de Santa Catarina - UDESC ALGUMAS PROPOSTAS DO PROJETO AGENTE DA PAZ : Incentivo ao protagonismo juvenil: A partir do estabelecimento de campanhas publicitárias de sensibilização para a necessidade do estabelecimento de movimentos sociais de defesa da cultura da paz. Esta modalidade pressupõe o incentivo à participação dos jovens e adolescentes em seminários, audiências públicas, conferências e eventos afins. Sugere-se ainda a relevância de constar na grade curricular, nos aspectos pertinentes a transversalidade, conteúdos pedagógicos destacando a urgência de movimentos na sociedade no sentido da redefinição dos elementos mediadores, aqui se inclui a cultura, dos processos de interação humana. Cabe ressaltar que essa modalidade, o protagonismo juvenil, apresenta-se como sendo uma das formas mais eficazes de prevenção contra a violência, uso de substancias psicoativas, entre outros fatores, uma vez que institui um projeto de sociedade, favorecendo o surgimento de vínculos de solidariedade. Carteirinha Agente da Paz : Instrumento destinado ao incentivo de ações efetivas em prol da paz, como por exemplo a entrega de brinquedos e/ou artefatos cujo seu significado simbólico remeta ao estabelecimento de vínculos ancorados na violência, a construção de redações, poesias, teatros, passeios, enfim, não havendo limites para esta ação. A proposta da carteirinha se situa na intenção de estimular iniciativas em torno da necessidade do desarmar-se. Neste sentido, sua concepção, seu significado e seu simbolismo caminham na direção do estabelecimento de estímulos à constituição de subjetividades predispostas ao exercício da ética da solidariedade, da justiça e da cidadania. Nossa proposta é que a primeira semana de outubro, semana da paz, seja o marco para a exteriorização das ações planejadas pela instituição.
Projeto Cidadania e justiça também se aprende na escola : Ação implementada pela Associação dos Magistrados Brasileiros com a finalidade de tornar mais acessível à sociedade noções básicas a cerca da organização do sistema judiciário brasileiro; conhecimentos essenciais a respeito do sistema de proteção social e garantia de direitos; pressupostos básicos sobre as doutrinas jurídicas que respaldam os conceitos de cidadania, justiça e ética. Para esta ação, estão previstos a elaboração de material didático/pedagógico e distribuição nas instituições de ensino regular. Agência da Paz A entidade/escola que mais se destacar na implementação do projeto Agente da Paz, atingindo de 90 a 100% de seus alunos/público infanto-juvenil, efetivar ações de formação com os profissionais multiplicadores e conseguir exteriorizar ao público externo o seu trabalho, envolvendo pais/responsáveis, entre outras metas, receberá o título de Agência da Paz. Projeto nos municípios O Município poderá formar um Conselho Municipal responsável pela organização das atividades locais, devendo ser composto paritariamente entre representantes governamentais e não governamentais. A sugestão do Conselho Estadual, apenas exemplificativa, é de que haja representantes dos Conselhos Municipais da Saúde, da Infância, da Educação, Anti Drogas, de ONGs, do Comércio e Indústria, das escolas municipais, estaduais e particulares, do Ministério Público e da OAB. Tudo por lei municipal, com disciplinamento próprio das atividades. As atribuições da Comissão Local são de articulação do projeto, definição da proposta pedagógica local, divulgação, organização das atividades além da seleção dos trabalhos representativos que serão encaminhados à Comissão Estadual e indicação das entidades ao credenciamento de Agência da Paz. Para oficializar a participação de cada entidade no projeto, o Pacto Catarinense pela PAZ deverá ser preenchido e assinado por cada responsável e entregue na Assessoria do Juiz responsável pela articulação local. Cada entidade/escola, posteriormente, deverá encaminhar um relatório das atividades, descrevendo-as, anexando fotografias, número de participantes do público infantojuvenil para composição do histórico da proposta. Contatos com a coordenação estadual: agentedapaz@amc.org.br (Dra. Sônia Moroso) Contatos com a AMC eventos@amc.org.br Contatos com a coordenação pedagógica : Dra. Sandra DAgostini (47) 3363-3577 (Fórum da Comarca de Balneário Camboriú Vara da Família, Infância e Juventude)
PROJETO AGENTE DA PAZ COMPILADO COORDENAÇÃO ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS CATARINENSE DEPARTAMENTO DA FAMÍLIA, IDOSO, INFÂNCIA E JUVENTUDE COMISSÃO ESTADUAL PRÓ INFÂNCIA E JUVENTUDE