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Transcrição:

Mecânica Quântica: 2016-2017 5 a Série 1. Considere o movimento de uma partícula, no caso unidimensional, em que esta é sujeita a um potencial que é nulo na região x a e innito em x > a. Num determinado instante, a sua função de onda é dada por ψ = (5a) 1/2 cos(πx/2a) + 2(5a) 1/2 sin(πx/a). (1) (vide Rae, Exs. 4.24.4, pág. 92) 1.1. Quais são os resultados possíveis de uma medição da energia deste sistema, e quais são as suas probablidades relativas? (Recorde que a energia deste sistema é dada por E n = 2 π 2 n 2 /8ma 2 ). 1.2. Quais são as possíveis formas das funções de onda imediatamente após uma determinada medição? 1.3. Considere que a energia da partícula é medida e que se obtém um valor correspondente ao valor próprio da energia mais baixa. Demonstre que a probabilidade de uma subsequente medição do momento do electrão fornece um resultado entre k e (k + dk) dado por P (k) dk, em que P (k) = π 2a 3 cos 2 (ka) (π 2 /4a 2 k 2 ) 2. (2) 1.4. Demonstre que, se a partícula se encontra num estado próprio de energia bastante elevado, com um valor próprio de E, é muito provável que a medição do momento resulte num valor de ±(2mE) 1/2. Compare este resultado com as previsões da mecância clássica. 2. Calcule o valor médio (expectável) das seguintes quantidades para um electrão que se encontra no estado fundamental de um átomo de hidrogénio, antes de se efectuarem as respectivas medições: (i) A distância r a que um electrão se encontra do núcleo; (ii) r 2 ; (iii) A energia potencial; (iv) A energia cinética. Demonstre que a adição de (iii) e (iv) iguala a energia total. [Dados: A função de onda associada ao estado fundamental do átomo de hidrogénio é u 100 = 1/(πa 3 0) 1/2 exp( r/a 0 ); os níveis de energia discretos são dados por E n = mee4 2(4πε 0 ) 2 2 n 2 ; e a constante a 0 é denida por a 0 = 4πε 0 2 /(m e e 2 )]. (vide Rae, Ex. 4.7, pág. 92) 1

3. Considere raios X, com um comprimento de onda de 1.00 10 10 m, incidentes num alvo que contém electrões livres. Verica-se que um fotão de raio X sujeito à dispersão de Compton, de comprimento de onda 1.02 10 10 m, é detectado a um ângulo de 90 o relativamente à direcção de incidência. Obtenha a máxima informação possível acerca do momento do electrão de dispersão, antes e após ao processo de dispersão. (vide Rae, Ex. 4.11, pág. 93) 4. Considere um potencial unidimensional, que contém uma componente com uma função step, dado por V (x) = V 0 Θ(x) com V 0 > 0. (3) Calcule os coecientes de reexão e de transmissão para partículas incidentes, pela esquerda, com energia: (i) E > V ; (ii) E < V. (vide CT, complemento B III.1, 2, págs. 280-281) 5. Representações de Schrödinger e de Heisenberg. Uma das vantagens da representação de Heisenberg é que esta fornece expressões que são formalmente análogas às da Mecânica Clássica. Neste contexto, demonstre as seguintes relações, na representação de Heisenberg: d dt X H(t) = 1 m P H(t), (4) d dt P H(t) = V X (X H, t). (5) (vide CT, complemento G III, pág. 314) 6. Teorema Virial. (vide CT, complemento L III, ex. 10, pág. 344) 6.1. No contexto de um problema unidimensional, considere uma partícula com o seguinte Hamiltoniano: H = P 2 + V (X), (6) 2m em que V (X) = λx n. Calcule o comutador [H, XP ]. Se existe um ou vários estados estacionários ϕ no potencial V, demonstre que os valores médios T e V das energias cinética e potencial nestes estados satisfazem a seguinte relação: 2 T = n V. 2

6.2. Considere agora, o caso tri-dimensional, em que o Hamiltoniano é dado por: H = P2 + V (R). (7) 2m Calcule o comutador [H, R P]. Seja V (R) uma função homogénea de n-ésima ordem das variáveis X, Y e Z. Qual a relação que existe entre o valor médio da energia cinética e o valor médio da energia potencial da partícula, num estado estacionário? Recorde que uma função homogénea V de n-ésima ordem das variáveis x, y e z, por denição, satisfaz a seguinte relação: V (αx, αy, αz) = α n V (x, y, z) bem como a identidade de Euler: x V x + y V y + z V z = nv (x, y, z). (8) 7. Poço potencial unidimensional e innito. Considere uma partícula de massa m sujeita ao seguinte potencial: V (x) = 0, se 0 x a, V (x) = +, se x < 0 e x > a. Considere que ϕ n são os estados próprios do Hamiltoniano do sistema, e que os seus valores próprios são E n = n 2 π 2 2 /(2ma 2 ). O estado da partícula no instante t = 0 é dado por: ψ(0) = a 1 ϕ 1 + a 2 ϕ 2 + a 3 ϕ 3 + a 4 ϕ 4. (9) (vide CT, complemento L III, ex. 12, pág. 345) 7.1. Ao medir a energia da partícula no estado ψ(0), qual a probabilidade de encontrar um valor inferior a 3π 2 2 /(ma 2 )? 7.2. Qual o desvio do valor quadrático médio (root-mean-square deviation) da energia da partícula no estado ψ(0)? 7.3. Calcule o vector de estado ψ(t) num instante t. Será que os resultados encontrados nas alíneas 7.1 e 7.2 no instante t = 0, se mantêm válidos para um instante arbitrário? 7.4. Ao efectuar uma medição da energia, encontra-se o valor 8π 2 2 /(ma 2 ). Após a medição, qual o estado do sistema? Qual o valor da energia, após uma nova medição? 3

8. Prove as seguintes relações: [a, a + ] = 1; [N, a] = a; [N, a + ] = a +. (vide CT, Cap.V.B, págs. 489-490) 9. Lemas. (vide CT, Cap.V.B, págs. 491-492) 9.1. Lema 1 (Propriedades dos valores próprios de N ). Demonstre que os valores próprios, ν, do operador N, são positivos ou nulos. 9.2. Lema 2 (Propriedades do vetor a ϕ i ν ). Seja ϕ i ν um vetor próprio (não nulo) de N, com um valor próprio ν. Prove que: se ν = 0, logo o ket a ϕ i ν=0 é nulo; se ν > 0, logo o ket a ϕ i ν é um vector próprio não-nulo de N, com um valor próprio ν 1. 9.3. Lema 3 (Propriedades do vetor a + ϕ i ν ). Seja ϕ i ν um vetor próprio (não nulo) de N, com um valor próprio ν. Prove que: a + ϕ i ν é sempre não nulo; a + ϕ i ν é um vetor próprio de N, com um valor próprio ν + 1. 10. Demonstre que o estado fundamental E 0 = ω/2 do oscilador harmónico simples é não-degenerado (Sugestão: Note que os estados próprios do Hamiltoniano H associados ao valor próprio E 0 = ω/2, i.e., os estados próprios de N associados ao valor próprio n = 0, satisfazem a equação a ϕ i 0 = 0). (vide CT, Cap.V.B.3.a, págs. 494-495) 11. Estados próprios do Hamiltoniano. (vide CT, Cap.V.C.1, págs. 496-499) 11.1. Demonstre que um estado próprio arbitrário ϕ n pode ser obtido em função do estado fundamental, pela seguinte relação ϕ n = 1 n! (a + ) n ϕ 0. 4

11.2. Demonstre as seguintes relações: a + ϕ n = n + 1 ϕ n+1, (10) a ϕ n = n ϕ n 1. (11) 11.3. Prove as seguintes relações: [ n X ϕ n = + 1 ϕn+1 + n ϕ n 1 ], (12) 2mω m ω [ n P ϕ n = i + 1 ϕn+1 n ϕ n 1 ]. (13) 2 11.4. Encontre as expressões para os elementos de matriz de ϕ n ˆQ ϕn, para os seguintes operadores ˆQ: (i) a; (ii) a + ; (iii) X; e (iv) P. 12. Funções de onda associadas aos estados estacionários. (vide CT, Cap.V.C.2, págs. 500-501) Considere a representação { x }, em que as funções ϕ n (x) = x ϕ n representam os estados próprios do Hamiltoniano. Prove que ϕ n (x) é dada pela seguinte relação: ϕ n (x) = [ ( ) n ] 1/2 1 ( mω ) [ 1/4 mω 2 n n! mω π x d dx ] n e 1 mω 2 x2. (14) Determine as expressões para as duas primeiras funções de ϕ n (x), i.e, ϕ 1 (x) e ϕ 2 (x). 5