OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E SUA INFLUÊNCIA NA REPRESENTAÇÃO DE AMBIENTE EM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Lucia de Fatima Estevinho Guido



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Transcrição:

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E SUA INFLUÊNCIA NA REPRESENTAÇÃO DE AMBIENTE EM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Lucia de Fatima Estevinho Guido Universidade Federal de Uberlândia Este trabalho apresenta resultados preliminares de pesquisa que está sendo realizada em nível de doutoramento na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas cujo tema envolve a representação da natureza por meio de imagens. Buscamos com essa pesquisa subsidiar trabalhos na área de Educação Ambiental, que têm usado os meios de comunicação social nas suas atividades. RELAÇÃO HOMEM-NATUREZA E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL A educação Ambiental no Brasil ainda é restrita aos problemas relacionados apenas ao ambiente natural, tais como a poluição das águas, do ar e do solo; extinção de espécies animais e vegetais; perda da biodiversidade dos organismos; dentre outros. Quando se comenta a respeito de problemas ambientais, eles estão sempre relacionados às ciências da natureza, não considerando como problema ambiental, a pobreza, a segregação racial, a desigualdade social, dentre outros. Os problemas ambientais não são problemas isolados, eles estão inseridos na rede complexa da pós-modernidade, cuja melhor definição ainda é a crise, ou, o esgotamento do modelos modernos de ciência e de sociedade. A degradação ambiental está diretamente ligada à degradação das condições de vida do homem contemporâneo. Este diagnóstico torna evidente que o problema ambiental não deve ser tratado isoladamente; a criação de projetos ambientais não pode esquecer que o homem é parte do ambiente, e toda iniciativa preservacionista tem que envolver o homem, tanto como o agente, como o próprio ambiente. Ao longo da história da humanidade pode-se perceber distintos momentos da relação do homem com a natureza. Um deles é a submissão do homem à natureza, o homem com medo da natureza, ela é ameaçadora, cheia de mistérios. Em outros momentos a dominação se faz do homem sobre a natureza. Assim a natureza é concebida como um simples instrumento do homem, para se tornar um objeto de uma total exploração. O antagonismo desses dois momentos conduzem à uma subjugação da natureza, tanto interior como exterior ao homem, assim a natureza não é de fato reificada ou humanizada, mas

2 simplesmente reprimida: A resistência e a revolta que emergem dessa repressão da natureza têm acossado a civilização desde os seus começos, tanto na forma de rebelião sociais - como nas insurreições espontâneas de camponeses no século XVI ou nos habilmente organizados conflitos sociais dos nossos dias - como na forma de crime organizado e transtorno mental (Horkheimer,1976, p.105). Desta maneira, percebemos que o homem ao não se sentir como parte da natureza sofre tanto na sua submissão à ela como ao explorá-la. A partir deste contexto podemos afirmar que o homem não tem consciência da sua participação na natureza. O conceito de ambiente surge desse antagonismo e o mesmo não é apenas um sinônimo da natureza, ele abrange os problemas sociais, culturais, pretendendo assim, desfazer a imagem que o homem têm de dominador da natureza ou de submisso à ela. O problema pode ser assim equacionado: Atualmente a concepção de ambiente ultrapassa o domínio físico ou natural; para além desses elementos naturais, espaciais e físicos se acrescenta elementos de natureza social, econômica, cultural, moral, a par das atividades exercidas pelos indivíduos, pelos grupos e pelas comunidades (Vidart apud Máximo-Esteves,1998) A UNESCO 1 estruturou o conceito de ambiente sobre um alicerce triaxial: a Natureza (ecossistemas naturais), Sociedade (ecossistemas humanos) e a Cultura (dimensão temporal). Nesta perspectiva a concepção de Natureza é entendida com o Homem fazendo parte dela e não apenas como a Natureza estando ao redor do Homem. O ambiente é um todo uno e, portanto, não divisível em partes isoladas, ou seja: É, portanto, sobre este conceito sistêmico de ambiente que se organizam os grandes princípios fundamentados sobre os quais se assentam as práticas escolares de Educação Ambiental (Máximo- Esteves,1998). Diante dos diversos significados de ambiente torna-se importante saber que representações de ambiente tem professores e alunos. Segundo Máximo-Esteves (1998) muitas investigações tem se preocupado com essas questões. Particularmente dois estudos 1 A UNESCO é uma estrutura orgânica internacional, criada em 1947 pela ONU e dirigida para o campo da Educação, da Ciência e da Cultura. Desde cedo (1949) vem se preocupando com os temas do ambiente e sua integração nas práticas educativas; mas foi nos finais dos anos 60 que estas preocupações se intensificaram e deram lugar à promoção continuada de múltiplos encontros internacionais e programas de educação ambiental, e mais recentemente, também a programas de investigação em educação ambiental.

3 realizados com alunos e professores 2, mostraram que a concepção de ambiente está relacionada apenas à visão das ciências da natureza, faltando uma visão mais ligada aos problemas sociais. A poluição é o problema que alunos professores identificaram como o mais preocupante, quer no nível nacional, quer no nível mundial. Além do problema mencionado, uma porcentagem pequena se refere a problemas de natureza social, tais como a pobreza, aumento da população, ou problemas de saúde pública. O fato de que o grande referente imagético de problemas ambientais esteja na poluição pode estar associado as relações unilineares de causa-efeito pela qual se pautou muito anos os trabalhos referentes ao ambiente. Não era considerado como agir sobre as causas, questão que hoje é fundamental nos trabalhos de Educação Ambiental. Esses dois estudos também revelaram que tanto os alunos como os professores são unânimes ao referirem os meios de comunicação social como principal fonte de informação sobre temas ligados a problemas ambientais. Em face do exposto, nosso objetivo é analisar as concepções de ambiente de alunos do ensino fundamental e a interferência dos meios de comunicação social na formação destes conceitos. O QUE PENSA NOSSOS ALUNOS É relevante para a nossa investigação saber o que os alunos pensam sobre o ambiente, problemas ambientais e quais as fontes de informação utilizadas para adquirir conhecimento sobre o ambiente, o que nos levou a elaborar e aplicar um questionário com alunos do ensino fundamental (5ª e 6ª séries) da Escola Estadual Segismundo Pereira no município de Uberlândia. O questionário foi elaborado com base na pesquisa similar à nossa realizada por Máximo-Esteves (1998). Nosso propósito foi verificar quais as palavras e as expressões mais utilizadas para descrever o ambiente, problemas ambientais enfrentados no bairro onde moram e fontes de informação acerca do ambiente. O questionário foi respondido por 74 alunos, dos quais 41 alunos são da 5ª série, e 33 alunos de uma 6ª série. As respostas foram analisadas e categorizadas. 2 O 1º estudo realizado com alunos, precisamente 21 090 alunos de 13 países da Comunidade Européia em 1994, com o objetivo de identificar as atitude que esses jovens têm sobre o ambiente, problemas ambientais globais mais significativos, problemas ambientais nacionais mais significativos e fontes de informação ambiental. O 2º estudo, realizado com professores e educadores de infância em novembro de 1993, onde 100 professores de Portugal responderam as mesmas perguntas realizadas no estudo 1.

4 A figura 1 e a figura 2 mostram como os alunos deram ênfase ao ambiente natural no seu entendimento sobre ambiente. Aspectos ligados ao homem, as relações sociais, culturais aparecem numa porcentagem pequena. O que surpreende é que nas duas séries há relação do ambiente com beleza, alegria, lazer, aspectos estes considerados de extrema importância em atividades de Educação Ambiental. 3% 9% 11% n.sabem espaço em que vivemos ar puro 32% 7% 9% 29% seres humanos preocupação em preservar lazer beleza FIGURA 1 - Palavras e expressões utilizadas para descrever o ambiente - alunos do ensino fundamental (5ª série). coisa importante coisa de Deus lugar a se preservar 13% 2% 9% 2% 20% onde a gente mora mundo natureza 35% 11% necessário à nossa sobrevivência alegre-bom n. sabem FIGURA 2 - Palavras e expressões utilizadas para descrever o ambiente - alunos do ensino fundamental (6ª série).

5 Estes resultados vão de encontro com os resultados da pesquisa realizada com alunos de 13 países da comunidade européia, cuja a ênfase também é dada ao ambiente natural, sendo que a percepção de ambiente construído ou ambiente social tem representação muito baixa. Com relação aos problemas ambientais do bairro, é interessante observar que a maioria dos alunos da 5ª série (fig. 3) revelam não ter conhecimento a respeito desses problemas, isto denota que atividades de Educação Ambiental são extremamente necessárias junto à essas comunidades. poluição lixo desmatamento 13% 2% 10% 5% esgoto animais mortos queimadas 5% 2% 2% 5% 56% não existem vandalos buracos nas ruas FIGURA 3 - Problemas ambientais do bairro - alunos do ensino fundamental (5ª série). desrespeito com os animais não existem esgoto poluição 20% queimadas lixo 6% 50% pouca arborizaçãp água parada desmatamento

6 FIGURA 4 - Problemas ambientais do bairro - alunos do ensino fundamental (6ª série). A grande maioria dos problemas ambientais levantados pelas duas séries (fig 3 e 4) está relacionado com lixo, poluição, queimadas, desmatamento. Problemas sociais como o vandalismo tem uma representação muito baixa entre os alunos, isto vem reforçar a idéia de que ambiente e problema ambiental estão muito ligados às ciências naturais. Para Máximo- Esteves (1998) a poluição além de ter sido incorporada nos programas curriculares, é também muito divulgada pelos meios de comunicação social por intermédio de imagens que denunciam as diversas formas de poluição. Com relação às fontes de informação sobre temas ambientais, verificamos que o professor aparece em primeiro lugar, mas temos uma forte influência dos meios de comunicação social, destacamos aqui a influência de filmes (fig.5 e 6). 11% 9% 1% 31% professores filmes livros didáticos família 18% 15% 15% jornais TV revistas FIGURA 5 - Fonte de informações sobre o ambiente -alunos do ensino fundamental (5ª 10% 15% 30% professores filmes livros didáticos família 19% 6% 1% 19% jornais TV revistas série).

7 FIGURA 6 - Fonte de informações sobre o ambiente -alunos do ensino fundamental (6ª série). O cinema, uma arte inserida entre os meios de comunicação de massa, tem exercido significativa influência cultural no mundo contemporâneo, especialmente quando a televisão começa veicular filmes produzidos originalmente para o cinema. Assim, a televisão e as fitas de videocassete tem penetrado nos lares e famílias, bem como nas escolas, sendo que as últimas vem usando o cinema como um poderoso recurso didático em sala de aula (Rocha, 1993). Os diferentes gêneros de filmes estão sendo usados na escola, sendo que os professores de ciências tem uma preferência pelos documentários. Bruzzo (1995, p.94) levanta a dificuldade do documentário refletir a realidade a qual se propõe. Mesmo quem realiza filmes documentários com seriedade, visando a divulgação científica, muitas vezes vê-se na contingência de simular situações cuja filmagem é impossível por limitações do equipamento. ALGUMAS CONCLUSÕES INDAGAÇÕES Esses resultados revelam a importância de analisarmos como os meios de comunicação social influenciam a representação de ambiente de alunos e professores. Acreditamos que por meio dessa análise é possível conseguir compreender o que os meios de comunicação social representam para alunos, e como incluí-los na metodologia de trabalho em educação ambiental. Bruzzo (1995) acredita que se os meios de comunicação social, sobretudo a TV e o rádio possuem poder e ajudam a disseminar clichês, comportamentos e modas, como também a línguas nacionais e vocabulários. Assim torna-se importante usá-los como um autêntico recurso educativo. No congresso de Moscovo 3 ficaram expressas as preocupações gerais, quanto à influência que os meios de comunicação social exercem, junto da população, em matéria de educação ambiental. No relatório do congresso existem algumas recomendações dirigidas aos meios de comunicação social para se implantarem estratégias educativas nessa direção. Foram propostos uma série de conteúdos temáticos que deveriam constar das emissões dos 3 Conferência internacional em formação e educação ambiental ocorrida em 1987.

8 meios de comunicação social, ficando bem explícito que se deveria dar atenção aos problemas de natureza sociológica, tecnológica e cultural, para uma compreensão global dos problemas ambientais (Máximo-Esteves, 1998). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRUZZO, Cristina. O cinema na escola: o professor, um espectador. Campinas, 1995. 189 p. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Unicamp.. O cinema em sala de aula: um recurso para os professores de ciências. In: IV ESCOLA DE VERÃO PARA PROFESSORES DE PRÁTICA DE ENSINO DE BIOLOGIA, FÍSICA, QUÍMICA E ÁREAS AFINS, 1998, Uberlândia, Anais...Uberlândia: Impressa Universitária da, UFU, 1999. p. 85-87. HORKHEIMER, Max. A revolta da natureza. In:. Eclipse da Razão.Trad. por Sebastião Uchoa Leite. Rio de Janeiro: Editorial Labor do Brasil S.A., 1976. p.103-138. MÁXIMO-ESTEVES, L. Da teoria à Prática: Educação Ambiental com crianças pequenas, ou o fio da história. Portugal: Porto Ed., 1998. ROCHA, A. P. O filme um recurso didático no ensino da história? In: FALCÃO, Antonio Rebouças, BRUZZO, Cristina. Coletânea Lições com Cinema. São Paulo: FDE, 1993, v.1, p.69-86.

9 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E SUA INFLUÊNCIA NA REPRESENTAÇÃO DE AMBIENTE EM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL Lucia de F. Estevinho Guido Relação Homem-Natureza e a Educação Ambiental O que pensa nossos alunos Palavras e expressões utilizadas para descrever o ambiente- alunos do ensino fundamental Problemas ambientais do bairro - alunos do ensino fundamental Fonte de informação sobre o ambiente - alunos do ensino fundamental Algumas Conclusões e Indagações Referências Bibliográficas