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Tribunal Superior do Trabalho RR-37200-28.2008.5.15.0128 A C Ó R D Ã O RECURSO DE REVISTA. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. RESCISÃO CONTRATUAL. RECUSA DE RECEBIMENTO DE VERBAS RESCISÓRIAS. EXTINÇÃO DA UNIDADE INDUSTRIAL. GRUPO ECONÔMICO. O Tribunal Regional entendeu ser lícita a recusa da parte de rescindir o contrato de trabalho. Registra a tese de que o gozo de aposentadoria por invalidez suspende o contrato, que não pode ser rescindido por iniciativa unilateral do empregador, e de que o encerramento da unidade industrial onde o reclamante trabalhava não justifica a rescisão, uma vez que a empresa continua existindo. Incólumes os dispositivos da Constituição Federal tidos por violados e inservíveis ou inespecíficos os arestos apresentados. Precedentes. Recurso de revista de que não se conhece. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista n TST-RR-37200-28.2008.5.15.0128, em que é Recorrente ARREPAR PARTICIPAÇÕES S.A. e Recorrido J.O.. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, mediante acórdão a fls. 129/130, complementado a fls. 153/155, negou provimento ao recurso ordinário interposto pela reclamada para manter a decisão que declarou improcedente a ação de consignação em pagamento das verbas rescisórias. A reclamada interpôs recurso de revista, às fls. 173/195, com fulcro no art. 896, a e c, da CLT. Despacho de admissibilidade a fls. 209. Contrarrazões às fls. 212/221. Os autos não foram remetidos ao Ministério Público do Trabalho para emissão de parecer, por força do art. 83, 2º, II, do Regimento Interno do TST. É o relatório. V O T O 1. CONHECIMENTO

APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. RESCISÃO CONTRATUAL. RECUSA DE RECEBIMENTO DE VERBAS RESCISÓRIAS. EXTINÇÃO DA UNIDADE INDUSTRIAL. GRUPO ECONÔMICO O Tribunal Regional decidiu: -O recorrente interpôs a presente ação de consignação em pagamento a fim de efetuar o pagamento de verbas rescisórias, entregar guias CD e formalizar o TRCT, ante a recusa do consignado e do sindicato em homologar a rescisão. Porém, observa-se que o obreiro está afastado em razão de aposentadoria por invalidez. O seu contrato, portanto, está suspenso e não pode ser rescindido por iniciativa unilateral do empregador. Conclui-se que a presente ação na verdade busca rescindir o contrato havido entre as partes, contando com a eventual chancela judicial. Não merece guarida a pretensão patronal. Enquanto não convertida a aposentadoria por invalidez em definitiva ou seja cancelada não poderá a ré proceder a rescisão do contrato de trabalho, não havendo que se falar em prazo de cinco anos para se autorizar a ruptura. Observa-se que o grupo econômico continua existindo, embora as atividades produtivas tenham cessado em Limeira, e será responsável pelo destino que o contrato de trabalho vier a ter. Portanto, é justa a recursa do consignado em receber as verbas rescisórias, já que a tentativa de resilição não pode prosperar.- (fls. 130) Ao julgar os embargos de declaração, o Regional consignou o seguinte: -Para que haja o pagamento, e possibilidade de consignação em Juízo, necessário o ato anterior de rescisão contratual. Como este não ocorreu, e nem poderia, já que a empresa continua existindo, inobstante o fechamento de sua unidade em Limeira, não há que se falar em pagamento ou recusa injustificada da credora. Tudo de acordo com o artigo 475 da CLT, legislação previdenciária em vigor e entendimento sumulado do C. TST, harmonizando-se com o disposto no inc. II do art. 5º da CF-. (fl. 158). Em suas razões de recurso, a fls. 174/195, a empresa insiste na tese de que houve o encerramento da unidade industrial para a qual o reclamante foi contratado e, portanto, não há em suspensão do contrato de trabalho, ainda que haja filial em outros locais. Invoca os arts. 475 da CLT e 47, I, da Lei nº 8.213/91 e as Súmulas nºs 160, 339 e 369 do TST e 217 do STF, dizendo que o empregado tinha o prazo de 5 anos para retornar à sua função e, no caso, já transcorreram mais

de 6 anos, o que dá direito à recorrente de rescindir o contrato de trabalho. Alega violação dos arts. 5º, II e LV, da Constituição Federal e 475 da CLT e diz que foram contrariadas as Súmulas n os. 160, 339 e 369 do TST e 217 do STF. Transcreve arestos para cotejo de teses. À análise. O Tribunal Regional entendeu ser lícita a recusa da parte de rescindir o contrato de trabalho, sob os seguintes fundamentos: a) o gozo de aposentadoria por invalidez suspende o contrato, que não pode ser rescindido por iniciativa unilateral do empregador; b) o encerramento da unidade industrial onde o reclamante trabalhava não justifica a rescisão, uma vez que a empresa continua existindo. O art. 475 da CLT dispõe: -O empregado que for aposentado por invalidez terá suspenso o seu contrato de trabalho durante o prazo fixado pelas leis de previdência social para a efetivação do benefício.- O art. 47, I, da Lei nº 8.213/91, por sua vez, trata das formas de cessação do benefício da aposentadoria por invalidez, nos seguintes termos: -Verificada a recuperação da capacidade de trabalho do aposentado por invalidez, será observado o seguinte procedimento: I - quando a recuperação ocorrer dentro de 5 (cinco) anos, contados da data do início da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a antecedeu sem interrupção, o benefício cessará: a) de imediato, para o segurado empregado que tiver direito a retornar à função que desempenhava na empresa quando se aposentou, na forma da legislação trabalhista, valendo como documento, para tal fim, o certificado de capacidade fornecido pela Previdência Social; ou b) após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxílio-doença ou da aposentadoria por invalidez, para os demais segurados.- Constata-se, portanto, que o entendimento do Regional não viola os artigos 475 da CLT e 47, I, da Lei nº 8.213/91, que não tratam de todas as particularidades do tema, pois não disciplinam a possibilidade de rescisão do contrato de empregado aposentado por invalidez, no caso de extinção da unidade de trabalho do empregado.

Nesse contexto, não há ofensa ao inciso II do art. 5º da Constituição Federal. Também ileso o inciso LV do referido dispositivo, porque não foi retirado o direito da reclamada de interpor todos os recursos disponíveis no ordenamento jurídico. As Súmulas n os. 160 (efeitos do cancelamento da aposentadoria), 339 (estabilidade provisória do cipeiro) e 369 (estabilidade provisória de dirigente sindical) do TST, também não abordam todas as particularidades da matéria em debate. Por fim, não há previsão legal de cabimento de recurso de revista por contrariedade a súmula de jurisprudência do STF. No caso, vale citar os seguintes precedentes: -RECURSO DE REVISTA. EXTINÇÃO DO ESTABELECIMENTO. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. DEMISSÃO IMOTIVADA. O Regional registrou que a tese do encerramento das atividades empresariais como justificativa para a rescisão do contrato de trabalho, suspenso em decorrência de aposentadoria por invalidez, sucumbe em face da existência de grupo econômico, sendo possível realocar a consignada em outra empresa do grupo, até que sua situação perante o órgão previdenciário seja definitivamente solucionada. Diante de tais assertivas, estão incólumes os artigos 475 da CLT e 42 e 47, I, da Lei 8213/91, os quais não tratam especificamente da hipótese em discussão. A Súmula 160 do TST não está contrariada em sua literalidade, pois a hipótese não é de cancelamento de aposentadoria por invalidez. Arestos inservíveis ao confronto, nos termos das Súmulas n os 296 e 337, itens I e IV do TST. Recurso de revista não conhecido- (RR-37700-94.2008.5.15.0128 Data de Julgamento: 22/06/2011, Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 27/06/2011) -APOSENTADORIA POR INVALIDEZ - SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO - RESCISÃO INVÁLIDA - ART. 475 DA CLT E SÚMULA 160 DO TST. 1. Conforme o que se depreende do conteúdo da Súmula 160 do TST e do disposto no art. 475 da CLT, a aposentadoria por invalidez enseja a suspensão do contrato de trabalho e pode ser cancelada em razão da recuperação do trabalhador, tendo este o direito de retornar ao emprego, oportunidade em que se faculta ao empregador a rescisão do referido contrato. 2. Na hipótese vertente, o Empregado aposentou-se por invalidez e a Reclamada efetivou a rescisão do seu contrato de trabalho enquanto perdurava a aposentadoria, situação que não poderia ter ocorrido, pois tal contrato encontrava-se suspenso e somente poderia ser rescindido após o cancelamento da aposentadoria, em razão da eventual recuperação do empregado. Não altera essa conclusão o fechamento do estabelecimento em que laborava o Reclamante, tendo em vista que a empresa continua a existir, não tendo desaparecido, pois, um dos polos da relação jurídico-laboral, circunstância que poderia autorizar a rescisão. 3. Assim sendo, ao reputar possível a rescisão do contrato de trabalho nessas circunstâncias, o Tribunal -a quo- negou vigência ao art. 475 da CLT. Recurso de revista

conhecido e provido-. (RR-136300-53.2008.5.15.0128 Data de Julgamento: 15/12/2010, Relatora Juíza Convocada: Maria Doralice Novaes, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 17/12/2010). A divergência de teses também não enseja o conhecimento do recurso. Com efeito, os arestos de fls. 179/181 e 190/194 indicam apenas que foram extraídos do site do TRT da 2ª e da 3ª Região, sem especificar o endereço URL, não atendendo à exigência da Súmula nº 337, I, a, do TST; o aresto de fls. 185/187 não indica a fonte de publicação. Em relação ao aresto de fls. 187/188, é oriundo do mesmo Tribunal Regional prolator da decisão recorrida (OJ nº 111 da SBDI-1). Os de fls. 196/202, do TRT da 2ª Região e o de fls. 205/207, do TRT da 3ª Região, não abordam as mesmas premissas fáticas fixadas no julgado, pois ou não abordam a tese de extinção da unidade de trabalho ou decidem acerca da extinção do estabelecimento, porém, sem analisar a continuidade da empresa, em vista de grupo econômico. Incidem as Súmulas nº 23 e 296 do TST. Pelo exposto, não conheço do recurso. ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, não conhecer do recurso de revista. Brasília, 23 de Maio de 2012. KÁTIA MAGALHÃES ARRUDA Ministra Relatora