Senhor Chefe do Demap, Brasília, 31 de março de 2014. TOMADA DE PREÇOS DEMAP Nº 156/2013. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSULTORIA E ELABORAÇÃO DE PROJETOS BÁSICOS CONTEMPLANDO OS SISTEMAS DE SEGURANÇA DOS PRÉDIOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL EM CONSTRUÇÃO NAS CIDADES DO RIO DE JANEIRO, SALVADOR E PORTO ALEGRE E DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA À FISCALIZAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DA IMPLANTAÇÃO DAS SOLUÇÕES ESPECIFICADAS. EXAME DE RECURSO EM FASE DE HABILITAÇÃO. Trata-se de recurso interposto pela licitante Metroquattro Arquitetura Tecnologia Ltda (fls. 293/302), contra a decisão desta Comissão Permanente de Licitações, consignada na Ata Demap nº 92/2014, de 13 de março de 2014 (fl. 288), publicada na página 83 da Seção 3 do Diário Oficial da União do dia 14 de março de 2014 (fl. 289), que inabilitou a referida recorrente, única licitante a participar do certame. DAS RAZÕES RECURSAIS 2. Em sua peça recursal, a Metroquattro Arquitetura Tecnologia Ltda manifesta o seu inconformismo em relação à decisão da CPL que, adotando os fundamentos expostos no parecer da assessoria técnica sobre a capacidade técnica (fl. 287), peça integrante da decisão, inabilitou a recorrente por não ter atendido ao disposto no item 6.2 do Anexo 2 do Edital. 3. A recorrente argumenta que, para atender os requisitos de comprovação de qualificação técnica exigidos pelo item 6.2 do Anexo 2 do Edital, apresentou dois atestados, sendo um do BANCOOB (fls. 240/268) e outro da Presidência da República (fls. 269/278). Alega em relação ao atestado do BANCOOB que o requisito referente aos sítios remotos não restaria claro no edital, mas que todos os demais itens foram plenamente atendidos pela documentação apresentada. 4. Alega que o atestado da Presidência da República, por sua vez, caso tivesse sido apresentado em sua forma completa, atenderia plenamente a todos os requisitos, mas que a recorrente teve que aguardar a finalização da última fase da execução do referido contrato para obter o atestado em toda a sua completude. Termina a sua argumentação alegando que se viu pressi-
onada pela data da abertura da licitação, mas que o atestado em sua forma completa já estaria em seu poder, e que este poderia ser apresentado, caso assim fosse desejado. 5. A recorrente, aludindo especialmente ao disposto no art. 48, 3º, da Lei nº 8.666, de 1993, argumenta que mesmo no caso de estar correta a decisão pela inabilitação, caberia a concessão do prazo de até 8 (oito) dias úteis para apresentação de nova documentação escoimada das falhas verificadas. 6. A Metroquattro Arquitetura Tecnologia Ltda conclui requerendo a reforma da decisão que a declarou inabilitada ou a concessão do prazo de 8 (oito) dias úteis, referido no art. 48, 3º, da Lei nº 8.666, de 1993, para a apresentação de nova documentação. PRELIMINARMENTE 7. O recurso preenche os requisitos legais de admissibilidade, vez que enquanto a decisão pela inabilitação foi publicada em 14.3.2014, a peça recursal foi protocolada em 21.3.2014, observando, portanto, o prazo de 5 (cinco) dias úteis, previsto na legislação de regência e no item 7.1 do Edital (fl. 167, vol. 2). DO MÉRITO 8. Inicialmente, impende transcrever o item 6.2 do Anexo 2 do Edital de Tomada de Preços Demap nº 156/2013 (fl. 183), dispositivo que serviu como fundamento a decisão desta CPL pela inabilitação da recorrente: QUALIFICAÇÃO TÉCNICA 6.2 Comprovação de capacidade técnica, mediante apresentação de, pelo menos, 1 (um) atestado firmado por entidade da Administração Pública Federal, Estadual, Distrital ou Municipal, direta ou indireta, ou por empresa privada, que comprove a execução, de forma satisfatória, pela licitante, de prestação de serviços de consultoria/especificação de soluções integradas de segurança com complexidade tecnológica e operacional equivalente ou superior à exigida para a execução do objeto da licitação, considerando simultaneamente os seguintes requisitos: a) sítios remotos, que necessitem de integração a sítio central que já possua tecnologia própria, possibilitando controle local e remoto dos sistemas de forma simultânea, con-
templando sistemas de monitoramento de imagens, sistemas de alarme de intrusão e sistemas de controle de acesso; b) instituição que realize guarda de numerário; c) edificação com, no mínimo, 15.000m² (quinze mil metros quadrados) de área construída. 6.2.4 A seu critério, o Banco Central do Brasil poderá efetuar diligência para aferir a veracidade e efetividade do fornecimento e da instalação declarados junto à(s) empresa(s) ou órgão(s) público(s) emitente(s) do(s) atestado(s). 9. Ao analisar a documentação apresentada pela recorrente para comprovar o atendimento aos requisitos de capacidade técnica, a assessoria técnica concluiu que a documentação apresentada pela empresa não comprova a capacidade técnica exigida no Edital para a execução dos serviços, conforme previsto no item 6.2. 10. Analisando a própria argumentação da peça recursal, verifica-se que, na verdade, a própria recorrente reconhece que a documentação apresentada não atendeu aos requisitos estabelecidos pelo edital. Em relação ao atestado do BANCOOB, limita-se a alegar, sem realizar qualquer esforço para demonstrar ou muito menos comprovar, que o requisito referente aos sítios remotos não restaria claro no edital. Neste ponto, vale lembrar que tal requisito, expressamente previsto no edital, não foi sequer objeto de impugnação ou mesmo de pedido de esclarecimento, por parte da recorrente em momento prévio à sessão de abertura do certame, na forma admitida no item 14 do edital e na legislação. 11. A recorrente termina por reconhecer, por sua vez, que o atestado da Presidência da República apresentado também não atenderia ao exigido pelo edital, ao admitir que apenas após a sessão de abertura teria logrado a obtenção do atestado em sua forma completa, tendo apresentado a esta Comissão, portanto, um atestado incompleto, em razão de ter estado pressionada pela data da abertura da licitação. Diante tais fatos, consideramos incabível a reforma da decisão que a declarou a recorrente inabilitada. 12. No tocante ao pedido de concessão do prazo de 8 (oito) dias úteis previsto no art. 48, 3º, da Lei nº 8.666, de 1993, transcrito abaixo, para a apresentação de nova documentação, vale ressaltar, inicialmente, que tal procedimento não corresponde a um direito do licitante, mas a uma faculdade da Administração. Art. 48, 3º Quando todos os licitantes forem inabilitados ou todas as propostas forem desclassificadas, a administração poderá fixar aos licitantes o prazo de oito dias úteis para a apresentação de nova documentação ou de outras propostas escoimadas das cau-
sas referidas neste artigo, facultada, no caso de convite, a redução deste prazo para três dias úteis. 13. Por se tratar de uma faculdade da Administração, o manejo de tal concessão deve buscar atender fundamentalmente ao interesse público. Neste sentido vale transcrever a lição de Marçal Justen Filho 1 : O 3º refere-se à faculdade de apresentação de novos documentos ou de novas propostas, caso a decisão seja de inabilitação de todos os licitantes ou de desclassificação de todas as propostas. 9.2) Aplicação facultativa do dispositivo De qualquer modo, a escolha da Administração deve ser cuidadosa e bem-fundada. Trata-se de faculdade outorgada à Administração, que deve avaliar, no caso concreto, a conveniência de sua utilização. 14. Ora, analisando o caso concreto, em que apena uma licitante compareceu ao certame, e que mesmo esta, ouvida a assessoria técnica, terminou por ser inabilitada pela CPL, o que podemos concluir, diante de tal indício de ausência de competitividade, é que não se mostra nem de longe recomendável a renovação do prazo para apresentar a documentação e o consequente prosseguimento do certame. Entendemos a decisão que melhor se coaduna com o interesse público, neste momento, seria pela investigação criteriosa em relação aos requisitos de habilitação estabelecidos pelo edital, de modo a verificar o motivo pelo qual outras empresas atuantes no mercado não demonstraram interesse em disputar a contratação objeto do certame. CONCLUSÃO 15. Considerando que, conforme relatado acima, o julgamento da documentação se deu em consonância com as normas de regência e com as regras do edital, conhecemos do recurso analisado acima e concluímos que: a) não há nada a reconsiderar em relação à decisão desta Comissão Permanente de Licitações, consignada na Ata Demap nº 92/2014, de 13 de março de 2014 (fl. 288), publicada na página 83 da Seção 3 do Diário Oficial da União do dia 14 de março de 2014 (fl. 289), que inabilitou a licitante Metroquattro Arquitetura Tecnologia Ltda; e 1 JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 11 ed. São Paulo: Dialética, 2005, p. 460.
b) examinado o presente caso concreto, não se mostra recomendável que a Administração se utilize da faculdade que lhe concede o art. 48, 3º, da Lei nº 8.666, de 1993, para fixar prazo para a recorrente, única licitante a participar do certame, realizar a apresentação de nova documentação para fins de habilitação. 16. Em consequência, submetemos o recurso à consideração de V.Sa., para decisão no prazo de 5 (cinco) dias úteis a contar do recebimento, conforme prescreve o item 7.1 do Edital e o art. 109, inciso I, alínea a e 4º, da Lei nº 8.666, de 1993. 5.081.450-8 Joel Leal do Rosário Jr. 1.559.284-7 Barbara Wanderley Scrignoli 8.502.513-5 Regina Maria S. das Neves Comissão Permanente de Licitações Comissão Permanente de Licitações Comissão Permanente de Licitações Presidente Secretária Vogal alterna Com fundamento nas informações prestadas, decido negar provimento ao recurso interposto pela licitante Metroquattro Arquitetura Tecnologia Ltda (fls. 293/302), e manter a decisão proferida pela Comissão Permanente de Licitações quanto ao julgamento da documentação da Tomada de Preços Demap nº 156/2013. 2. Ao ensejo, decido também, com base nos motivos propostos pela Comissão Permanente de Licitações, não conceder o prazo para a apresentação de nova documentação para fins de habilitação de que trata o art. 48, 3º, da Lei nº 8.666, de 1993. 3. À Comissão Permanente de Licitações para comunicação à licitante acerca das decisões acima e demais providências subsequentes. Em 01.4.2014. Antonio Carlos Mendes Oliveira Chefe do Demap