Um percurso formativo Fátima Fonseca (*)
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- Edite Cabreira de Santarém
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1 1 Um percurso formativo Fátima Fonseca (*) Este trabalho prende-se com o estudo que fizemos na formação na área das Competências Interpessoais, sendo que o grande objectivo é o de sermos capazes, nas nossas carreiras, enquanto docentes, neste caso nas Actividades de Enriquecimento Curricular, de prevenir e de actuar perante situações problemáticas que nos surgem no nosso quotidiano, principalmente através da reflexão feita sobre os instrumentos que nos foram fornecidos. No meu caso, este dia-adia prende-se com a realidade circundante da escola onde lecciono, sendo que esta, apesar da proximidade à cidade de Matosinhos, apresenta muitos aspectos rurais. Os alunos são provenientes de famílias com algumas dificuldades económicas, com situações laborais que não são consideradas as mais comuns, e os agregados familiares, em muitos casos, não são os típicos agregados. Contudo, não há grandes situações de indisciplina, nomeadamente nas turmas em que lecciono (talvez por serem as turmas de idades mais tenras na escola 1º, 2º e apenas um 3º ano), sendo que o local onde por vezes estas situações acontecem é o recreio, em que estes alunos se juntam aos mais velhos. Deste modo, não vou focar o tema do trabalho numa situação específica, uma vez que não tenho nenhuma dessas situações de indisciplina para relatar, mas sim na generalidade da minha actividade docente e em toda a comunidade que dela faz parte. Quanto às relações interpessoais com a restante comunidade educativa, estas variam bastante. Quando falamos, por exemplo, de auxiliares de acção educativa, não sinto qualquer conflito na relação estabelecida com estes. No que diz respeito aos professores titulares, senti uma grande evolução na minha experiência de quatro anos como docente de Inglês no 1º CEB. Se no primeiro ano havia professoras que se recusavam a marcar reuniões e sequer a falar connosco (não em Matosinhos), hoje em dia a situação evoluiu exponencialmente, de acordo com a minha experiência. Os professores titulares aceitam-nos cada vez melhor e de um modo mais pleno, colaborando connosco no que é necessário e produtivo para os nossos alunos. O mesmo acontece com os professores das várias Actividades, havendo cada vez mais colaboração e,
2 2 consequentemente, maior articulação. Não posso, no entanto, dizer que sinto que na escola sejamos todos um grupo coeso de docentes, especialmente, julgo eu, pela diferença de tempo que uns e outros passam na escola: os professores titulares passam, em geral, o dia inteiro na escola, enquanto nós passamos apenas o início da manhã e o fim da tarde. Assim sendo, não se pode esperar que as relações interpessoais sejam do mesmo nível de coesão. Por fim, e relativamente aos encarregados de educação e pais, e apesar de nem sempre saberem para que servem todas as Actividades ou de não concordarem com um ou outro aspecto (às vezes mais), também considero que a postura que têm adoptado tem vindo a evoluir positivamente. Têm vindo a aceitar melhor estas aulas das actividades, embora, por vezes, aconteçam situações em que estes não nos vejam exactamente como docentes, mas apenas como animadores ou babysitters. Ao longo deste curso de formação, foram-nos fornecidos nstrumentos que nos poderão auxiliar na resolução de situações críticas que acontecem ou que poderão acontecer futuramente na nossa prática lectiva. O primeiro prende-se com a inteligência emocional, sendo que este deveria ser um conceito tão presente no quotidiano de qualquer docente como a inteligência intelectual: é só através do conhecimento das suas próprias emoções e sentimentos que se caminhará para a maturação (através de um longo percurso feito nas cinco aptidões emocionais auto-consciência, autoregulação, auto-motivação, empatia e eficácia das relações interpessoais) e, deste modo, poder-seão gerir as emoções de cada um de uma forma adequada na socialização com todos os que nos rodeiam na comunidade educativa. Deste ponto de partida, poderemos então implementar técnicas de escuta activa, para uma comunicação eficaz e efectiva entre todos os participantes na realidade escolar. Obviamente que cada um terá o seu próprio estilo de comunicação (que, como vimos nas nossas sessões, poderão variar entre agressivo, passivo, manipulador e assertivo, ou numa miscelânea destes), mas também este poderá ser moldado, modificado e rectificado após reflexões profundas sobre as nossas atitudes para com os outros, uma vez que estes estilos coexistem no dia-a-dia de uma escola. No entanto, e apesar de termos que lutar constantemente por um bom funcionamento da nossa comunidade educativa através de um entendimento comum, os docentes nunca se deverão esquecer que é estritamente necessário implementar a assertividade dentro da sala de aula. É sem dúvida necessário escutar os alunos, dar-lhes voz, compreendê-los, mas é também imprescindível
3 3 fazer com que percebam, desde novos, que há regras, direitos e deveres na escola e na sociedade em geral. E é a partir deste ponto que começaremos a lutar contra a indisciplina no aspecto que julgo ser o mais fulcral: o da prevenção. Se tivermos alunos interessados e que, simultaneamente, conheçam e estejam habituados ao que deve ser o bom funcionamento da sala de aula, com regras bem definidas e claras, com metodologias e estratégias adequadas e variadas, que vão ao encontro das necessidades de cada indivíduo e, consequentemente, que ajudará na auto-estima e no crescimento de cada um, estaremos verdadeiramente a trabalhar a prevenção e a impedir cada vez mais que a indisciplina aconteça. Tal como nos dizem Ana Carita e Graça Fernandes em Indisciplina na sala de aula como prevenir, como remediar?, se queremos melhorar para sermos professores verdadeiramente eficazes, há aspectos que nunca podemos descurar a autonomia e o controle interno dos alunos, a simpatia e respeito, a definição de regras claras, precisas e pela positiva, o valorizar a tarefa escolar, a confiança no sucesso de cada um dos nossos aprendentes e sua valorização apenas deste modo conseguiremos esta eficácia. No que diz respeito às regras e sua implementação, temos um documento oficial emanado pelo Ministério da Educação, o estatuto do aluno, que nos fornece uma estrutura formal como base para elaboração destas regras, nomeadamente na elaboração do regulamento interno e depois, a nível mais particular, na definição de regras de sala de aula. É também através deste que nos podemos guiar para delimitar o que é indisciplina e quais as respectivas sanções aplicáveis quando estes limites são ultrapassados. No entanto, neste curso de formação vimos também várias estratégias de intervenção, muitas que não estão contempladas neste estatuto, e que terão certamente um maior resultado em efeitos práticos a longo prazo nos nossos aprendentes do que meras sanções punitórias. Os instrumentos que nos foram fornecidos serão, certamente, de extrema utilidade na minha prática docente, alguns por me terem feito repensar algumas posturas, outros por relembrarem o que estudámos em Psicologia aquando do estudo das cadeiras do Ramo Educacional do nosso curso académico. No que diz respeito à inteligência emocional, julgo que seria importante este curso de formação estender-se aos professores titulares, a coordenadores, a auxiliares e (se bem que idílico) a encarregados de educação, pois acredito que seria de grande utilidade para todos, em especial para os alunos. No entanto, e como sabemos que tal não é possível, teremos que ter nós (os que
4 4 fizemos este curso) um papel activo na transmissão de conhecimentos e no dar o exemplo do que é conhecermo-nos a nós próprios, indo da auto-consciência à eficácia das relações interpessoais, passando por aspectos essenciais como o da empatia. Deste modo, para além de um autoconhecimento, caminharemos para uma maturação que nos levará a um conhecimento também do outro, sendo capazes de passar a uma escuta activa e eficaz das necessidades do próximo, sejam estes docentes ou não. É então através desta partilha com os restantes membros da nossa comunidade educativa que poderemos todos compreender cada vez melhor os nossos alunos, perceber a individualidade de cada um para que, juntamente com uma assertividade bem definida dentro da sala de aula, possamos virar a nossa atenção para o que é, no meu modo de ver, o aspecto mais crucial no combate à indisciplina: a prevenção. Um outro aspecto que considero importante operacionalizar na sala de aula é o do estabelecimento de regras. Este é um aspecto certamente a melhorar, no que diz respeito ao estabelecimento de regras mais definidas e claras, sempre pela positiva e nunca esquecendo as consequências também precisas do que acontecerá com o não cumprimento destas. Uma boa base é o estatuto do aluno, o qual também fiquei a conhecer melhor e, apesar de, em grande parte, o respeitar sem o conhecer em profundidade, é de extrema relevância que principalmente os docentes tenham um bom conhecimento da base legal na qual se devem fundamentar. Será seguramente uma fonte de trabalho na minha actividade enquanto docente no futuro. Gostaria ainda de referir, no que diz respeito às estratégias de intervenção, que, infelizmente, a mais posta em prática é o castigo/punição. Após as sessões relativas a este item, não só os meus horizontes se alargaram para todo um leque de estratégias e respectivas situações em que podem e devem ser utilizadas, mas, uma vez mais, poderei ajudar as pessoas com quem trabalho a alargar também os seus horizontes, tendo sempre em vista um processo de ensinoaprendizagem mais produtivo e eficaz na perspectiva do aprendente. Pode, então, concluir-se que, ao longo deste curso de formação, nos foram fornecidos e aprofundados ao longo das sessões vários instrumentos a adoptar e a utilizar nas várias situações críticas ou mesmo, ao conhecer estes instrumentos e ao adoptá-los previamente, recorreremos à prevenção. Na minha opinião, é este, realmente, o aspecto mais eficaz e produtivo ao qual podemos recorrer na nossa prática docente. Para tal, é necessário um conhecimento aprofundado dos alunos e das suas realidades, quer seja do meio onde vivem, dos pais e mesmo das suas
5 5 vivências; é também necessária uma compreensão da comunidade escolar, com maior incidência nos professores titulares com quem trabalhamos, assim como nos professores das restantes Actividades. Como é possível verificar, este é um trabalho exigente, complexo e difícil. No entanto, e apesar dos obstáculos, se for conseguido, haverá resultados produtivos e muito frutíferos, não apenas para todos os professores, mas especialmente para os nossos alunos, rentabilizando, deste modo, o processo ensino-aprendizagem. Acredito, então, que a prevenção de situações problemáticas nos permitirá enriquecer este processo, melhorando alguns aspectos educativos nas comunidades escolares em que estamos inseridos. (*) Professora AEC. Formanda das acções C303. Competências Interpessoais - Prevenir e Resolver Situações Problemáticas e C316. Diferenciar para aprender, aprender a diferenciar, promovidas e financiadas pela CMM Câmara Municipal de Matosinhos e organizadas pelo CFAE_Matosinhos.
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