Aspectos Filosóficos da Educação
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- Sabrina Arruda Caminha
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1 Professor Leonardo Malgeri Aspectos Filosóficos da Educação Bibliografia GADOTTTI, Moacir. História das Ideias Pedagógicas. São Paulo: Ática, GADOTTTI, Moacir. Pensamento Pedagógico Brasileiro. São Paulo: Ática, LUCKESI, Cipriano. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez,
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3 Capítulo 6- O Nascimento do Pensamento Pedagógico Moderno O pensamento pedagógico moderno caracteriza-se pelo realismo. A educação e a ciência eram consideradas um fim em si mesmo. 3
4 Pedagogia Realista O mundo exterior sobre o mundo interior, paixão sobre razão (Descartes) e o estudo da natureza (Bacon) A educação deixa de ser humanista, tornando-se científica O conhecimento só possuía valor quando preparava para a vida e para a ação. 4
5 João Amos Comênio é considerado o grande educador e pedagogo moderno. Ele foi o primeiro a propor um sistema articulado de ensino, reconhecendo o igual direito de todos os homens ao saber. 5
6 Capítulo7- O Pensamento Pedagógico Iluminista Jean Jacques Rousseau ( ) resgata a relação entre a educação e a política. Centraliza, pela primeira vez, o tema da infância na educação. A partir dele, a criança não seria mais considerada um adulto em miniatura: ela vive em um mundo próprio que é preciso compreender. A criança nasce boa, o adulto, com sua falsa concepção da vida, é que perverte a criança. 6
7 Rousseau é o precursor da escola nova Suas doutrinas tiveram muita influência sobre educadores da época, como Pestalozzi, e Herbart. Divide a educação em três momentos: o da infância, o da adolescência e o da maturidade 7
8 John Locke vê a razão como condutora do homem. Segundo ele, ao nascer a criança era uma tábula rasa. 8
9 Os teóricos iluministas pregavam uma educação cívica e patriótica inspirada nos princípios da democracia, uma educação laica, gratuitamente oferecida pelo Estado para todos. A Educação burguesa era elitista e fazia distinção entre a classe dirigente- que recebia instrução para governar e a classe trabalhadora - que recebia educação para o trabalho. 9
10 Froebel ( ) foi o idealizador dos jardins de infância. Considerava que o desenvolvimento da criança dependia de uma atividade espontânea (o jogo), uma atividade construtiva (o trabalho manual) e um estudo da natureza. Para ele a autoatividade representava a base e o método de toda a instrução. 10
11 Emanuel Kant ( ) supera a contradição entre Descartes e Locke. Descartes sustentava que todo conhecimento era inato e Locke que todo saber era adquirido pela experiência. Kant mostrou que algumas coisas eram inatas, mas que o conhecimento do mundo exterior provém da experiência sensível das coisas. 11
12 Kant acreditava que o homem é o que a educação faz dele Ele sustentava que o homem não pode ser considerado inteiramente bom, mas é capaz de elevar-se mediante esforço intelectual contínuo e respeito às leis morais. 12
13 Pestalozzi ( ) queria a reforma da sociedade através da educação das classes populares. O objetivo se constituía menos na aquisição de conhecimento e mais no desenvolvimento psíquico da criança. Não obteve os resultados esperados, mas suas ideias são debatidas até hoje e algumas foram incorporadas à pedagogia contemporânea. 13
14 Herbart ( ) é considerado um dos pioneiros da psicologia científica. Os objetos deviam ser apresentados mediante os interesses dos alunos e segundo suas diferenças individuais, por isso seriam múltiplos e variados. 14
15 Capítulo 8- O Pensamento Pedagógico Positivista Para Auguste Comte, fundador do positivismo, uma verdadeira ciência positiva precisava ser neutra. O positivismo representava a doutrina que consolidaria a ordem pública, desenvolvendo nas pessoas uma sábia resignação ao status quo. 15
16 Herbert Spencer ( ) valorizou o princípio da formação científica na educação. Os conhecimentos adquiridos na escola necessitavam, antes de mais nada, possibilitar uma vida melhor, com relação à saúde, ao trabalho, à família, para a sociedade em geral. 16
17 Émile Durkheim ( ) considerava a educação como imagem e reflexo da sociedade. A educação é um fato social e a pedagogia, uma teoria da prática social. 17
18 Rousseau x Durkheim Enquanto Rousseau afirmava que o homem nasce bom e a sociedade o perverte, Durkheim declarava que o homem nasce egoísta e só a sociedade, através da educação, pode torná-lo solidário. Para Durkheim, a educação seria a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontravam ainda preparadas para a vida social. 18
19 Capítulo 9- O Pensamento Pedagógico Socialista Formou-se no seio do movimento popular pela democratização do ensino. A concepção socialista da educação se opõe à concepção burguesa. Ela propõe uma educação igual para todos. 19
20 Concepção burguesa da educação Propõe educação para todos (com diferentes tipos) Concepção socialista da educação Propõe educação igual para todos 20
21 Para Karl Marx a educação do futuro deveria nascer do sistema fabril, associando-se o trabalho produtivo com a escolaridade e a ginástica. Essa educação se constituiria no método para produzir seres humanos integralmente desenvolvidos. 21
22 Para Marx, a transformação educativa deveria ocorrer paralelamente à revolução social. Para o desenvolvimento total do homem e a mudança das relações sociais, a educação deveria acompanhar e acelerar esse movimento, mas não encarregar-se exclusivamente de desencadeá-la, nem de fazê-la triunfar. 22
23 Lênin atribuiu grande importância à educação no processo de transformação social. Como primeiro revolucionário a assumir o controle de um governo, conseguiu implantar ideias socializadas na educação. Mesmo a educação burguesa que tanto criticava era melhor que a ignorância. A educação pública deveria ser eminentemente política 23
24 Makarenko criou a talvez mais elaborada e completa proposta educacional comprometida com a construção da sociedade socialista, dentre todas as produzidas pela tradição revolucionária. Comandou uma colônia correcional para inúmeros delinquentes, condenados e menores abandonados legados pela Primeira Guerra Mundial. 24
25 Antônio Gramsci prezou a capacidade de as pessoas trabalharem intelectual e manualmente numa organização educacional única ligada diretamente às instituições produtivas e culturais. A escola deveria ser única, estabelecendo-se como objetivo a formação de uma cultura geral que humanizasse o trabalho intelectual e manual. 25
26 Na fase seguinte, prevaleceria a participação do adolescente, fomentando-se a criatividade, a autodisciplina e a autonomia. Depois viria a fase de especialização. Nesse processo, tornava-se fundamental o papel do professor que deveria prepara-se para ser dirigente e intelectual. 26
27 Capítulo 10 O pensamento pedagógico da Escola Nova Fundamenta o ato pedagógico na ação, na atividade da criança Defende uma educação essencialmente pragmática e instrumentalista Tinha o aluno como centro e necessitava de métodos ativos e criativos também centrados no aluno. 27
28 JOHN DEWEY ( ) Crítica à obediência e submissão até então cultivadas nas escolas. Pretendia liberar as potencialidades do indivíduo buscando o aperfeiçoamento da ordem social. Traduzia para o campo da educação o liberalismo político-econômico dos Estados Unidos. 28
29 Maria Montessori ( ) Transpôs para crianças normais seu método de recuperação de crianças deficientes. Construiu uma enorme quantidade de jogos e materiais pedagógicos que, com algumas variações, são ainda hoje utilizados. 29
30 ÉDOUARD CLAPARÈDE ( ) Deu à escola ativa outro nome: educação funcional. Considerava que a atividade educativa era só aquela que correspondia a uma função vital do homem. A pedagogia devia basear-se no estudo da criança 30
31 JEAN PIAGET ( ) Investigou, sobretudo, a natureza do desenvolvimento da inteligência da criança PAULO FREIRE ( ) Observou que a escola podia servir tanto para educação como prática da dominação quanto para a educação como prática da liberdade. O papel do educador é intervir, posicionar-se, mostrar um caminho. 31
32 Capítulo 11 O pensamento fenomenológico-existencialista Pedagogia da Essência Pedagogia da Existência propõe um programa para levar a criança a conhecer sistematicamente as etapas do desenvolvimento propõe a organização e a satisfação das necessidades atuais da criança através do conhecimento e da ação 32
33 A tarefa da educação, para a filosofia existencial, consiste em afirmar a existência concreta da criança, aqui e agora. Com isso, muitas necessidades novas foram incorporadas à pedagogia contemporânea: desafio, decisão, compromisso, diálogo, dúvida, próprias do chamado humanismo moderno. 33
34 A fenomenologia contribuiu muito para recolocar na educação a preocupação antropológica O método fenomenológico procura descrever e interpretar os fenômenos, os processos e as coisas pelo que eles são, sem preconceitos. 34
35 Capítulo 12- O Pensamento Pedagógico Antiautoritário Um de seus inspiradores: Sigmund Freud A Educação, segundo Freud, é o agente transmissor do princípio da realidade frente ao princípio do prazer. A psicanálise sugere uma prática educativa não repressiva e respeitadora da criança. 35
36 Summerhill, na Inglaterra Uma experiência de escola livre: Levada à frente por Alexander S. Neill. 36
37 Foi o pai da não diretividade Carl Rogers O clima psicológico de liberdade favorecia o pleno desenvolvimento do indivíduo. Valorizava a empatia, a autenticidade Todo processo educativo deveria então centrar-se na criança, não no professor, nem no conteúdo programático. 37
38 Valorização do trabalho manual Célestin Freinet Centrava a educação no trabalho, na expressão livre, na pesquisa Algumas das técnicas que empregava: O estudo do meio, o texto livre, a imprensa na escola, a correspondência interescolar, o fichário escolar cooperativo e a biblioteca de trabalho. 38
39 Henri Wallon Afirmava que o meio vital e primordial da criança é, o meio social. Considerava a criança como um ser social e com a personalidade em desenvolvimento. 39
40 Capítulo 13- O Pensamento Pedagógico Crítico A partir da segunda metade do século XX a crítica à educação e à escola se acentuou. Essa crítica demonstrou o quanto a educação reproduz a sociedade e por isso foi chamada de crítico-reprodutivista. 40
41 Louis Althusser A dupla escola-família substituiu o binômio igreja-família como aparelho ideológico dominante. Bourdieu e Passeron Toda ação pedagógica é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição, por um poder arbitrário. 41
42 Baudelot e Establet Escola Dualista: a secundária superior (SS), praticamente reservada aos 25% de filhos da classe dominante, e a primária-profissional (PP), para os 75% que constituem as classes dominadas. Henry Giroux Analisa a escola como um local de dominação e reprodução, mas que ao mesmo tempo permite às classes oprimidas um espaço de resistência. 42
43 Capítulo 15- O Pensamento Pedagógico Brasileiro O pensamento pedagógico brasileiro começa a ter autonomia apenas com o desenvolvimento das teorias da Escola Nova. Em 1924 foi criada a ABE (Associação Brasileira de Educação), fruto de um projeto liberal da educação que tinha entre outros componentes, um grande otimismo pedagógico: reconstruir a sociedade através da educação. 43
44 O pensamento libertário teve como principal difusora a educadora Maria Lacerda de Moura ( ), combatendo principalmente o analfabetismo. Ela propôs uma educação que incluísse educação física, educação dos sentidos e o estudo do crescimento físico, estimulando associações e despertando a vida interior da criança para que houvesse autoeducação. 44
45 Em 1930, a burguesia urbano-industrial chega ao poder e apresenta um novo projeto educacional, dando espaço para educação pública. O Manifesto dos pioneiros da educação nova, assinado por 27 educadores em 1932, foi o primeiro grande resultado da ABE 45
46 Em 1948, foi enviado ao Congresso um projeto de lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Depois de muitas disputas e alterações, em 1961 o projeto foi sancionado e deu origem à primeira lei geral da educação brasileira ( 4.024/61) 46
47 Após o golpe de 1964 surgem dois movimentos um voltado para a educação popular(informal) outro voltado para a educação pública (formal) 47
48 Na defesa da escola pública destacam-se os sociólogos Florestan Fernandes (1920) e Luiz Pereira, entre outros. Florestan, histórico defensor da escola pública, bateu-se na década de 50 e início da década de 60 contra os conservadores que queriam imprimir à LDB um cunho privatista. 48
49 Rubem Alves, também exerce grande influência sobre educadores brasileiros, refletindo sobre a alegria, sobre a necessidade do educador se descobrir como um ser amoroso, vivo, criativo. Darcy Ribeiro- Criou a Universidade de Brasília em 1961 tendo desenvolvido entre 82 e 86 o projeto dos CIEPs (Centro Integrado de Educação Pública) no estado do Rio de Janeiro. 49
50 No início da década de 90, o pensamento pedagógico brasileiro foi definido por duas tendências gerais: a liberal (educadores defendem a liberdade de ensino, de pensamento e de pesquisa,devendo o Estado intervir o mínimo possível na vida de cada cidadão particular) e a progressista (educadores e teóricos defendem o envolvimento da escola na formação de um cidadão crítico e participante da mudança social). 50
51 Lourenço Filho Fernando de Azevedo Anísio Teixeira Representantes do Pensamento Pedagógico Brasileiro Liberal 51
52 Pensamento Pedagógico Brasileiro Progressista Paschoal Lemme Paulo Freire 52
53 O Pensamento Pedagógico Brasileiro 53
54 Capítulo 1- Introdução: a teoria da educação brasileira Síntese cronológica de algumas teorias da educação brasileira: 54
55 Pedro Benjamin Garcia a) Teoria da modernização, que procura demonstrar como a educação contribui para a modernização da sociedade, criando quadros técnicos, possibilitando a mobilidade social e redistribuindo a renda; b) Teoria da dependência, segundo a qual a educação reforça as demandas simbólicas das classes dominantes reproduzindo uma estrutura social determinada. *Essas duas teorias tiveram grande influência na educação das décadas de 1960 e
56 Dermeval Saviani Esboça quatro grandes tendências (concepções): a) Humanismo tradicional, marcado por visão essencialista do homem; b) Humanismo moderno, com uma visão de homem centrada na existência; c) Concepção analítica, de início positivista e mais tarde tecnicista; d) Concepção dialética, marcada por uma visão concreta (histórica) do homem. 56
57 Libâneo Tendências Pedagógicas Liberais Tradicional Escolanovista Não-diretiva Tecnicista Tendências Pedagógicas Progressistas Libertária Libertadora Crítico-social dos conteúdos 57
58 Benno Sander a) Pedagogia do consenso, fundamentada no positivismo e cujos temas principais são: ordem, equilíbrio, harmonia, controle e progresso; b) Pedagogia do conflito, cujas raízes marxistas empreendem a crítica ao pensamento liberal e defendem a possibilidade de repensar a educação em termos dialéticos. 58
59 Nicanor Palhares Sá a) A concepção reprodutivista, que foi capaz de avançar na crítica dos vínculos sociais da educação; b) A alternativa crítica, que valoriza o papel da escola na mudança social c) A pesquisa participante, que teve o mérito de denunciar o desconhecimento sistemático que a prática científica anterior provocava sobre as classes populares. d) A educação revolucionária, que visa romper com os limites que a ordem institucional estabelece à escola. 59
60 Capítulo 2- A educação como ato político: a pedagogia do oprimido Paulo Freire: consciência transitiva crítica consciência articulada com a práxis, desafiadora e transformadora. O ponto de partida: universo vocabular e as palavras geradoras extraídas da experiência vivida Caracteriza duas concepções opostas de educação: a bancária e a problematizadora. 60
61 Capítulo 3- Educação da classe, educação popular, educação do sistema Carlos Rodrigues Brandão Entende a educação como um processo de humanização que se dá ao longo de toda a vida, ocorrendo em casa, na rua, no trabalho e de muitos modos diferentes. Como processo, ela é anterior ao aparecimento da escola. 61
62 Brandão diferencia duas concepções de educação popular: A do profissional da educação A que se dá através da luta política Que trabalha na extensão dos serviços da escola a diferentes categorias de sujeitos dos setores populares E que abre a perspectiva de transformar toda a educação escolar em educação popular. 62
63 Brandão distingue três tipos de educação: a) A educação da classe, entendida como os processos não formais de reprodução dos diferentes modos de saber das classes populares; b) A educação popular, um processo sistemático de participação dos movimentos populares no apoio à passagem do saber popular ao saber de classe na comunidade; c) A educação do sistema dominante, que conduz à reprodução do poder dominante. 63
64 Capítulo 4- O (des)prazer de ensinar e aprender Distingue professor de educador: Rubem Alves O professor é facilmente substituível, descompromissado; O educador tem amor e paixão pelo que faz, levando em conta as características de cada aluno. 64
65 Capítulo 5- A paixão de conhecer o mundo Defende que é possível o diálogo desde a primeira educação entre conhecer e viver. Madalena Freire A partir do vivido da criança, o educador pode planejar e organizar as atividades escolares sem perder a direção pedagógica e o seu papel organizativo 65
66 Vencendo o autoritarismo e o discurso competente Maurício Tragtenberg A escola é o espaço onde o poder disciplinar produz saber. A escola é um espaço contraditório: nela o professor se insere como reprodutor e pressiona como questionador do sistema quando reivindica. Essa é a ambiguidade da função professoral. 66
67 A auto-organização interdisciplinar do conhecimento Ivani Fazenda encontra na ideia de interdisciplinaridade, defendida por Hilton Japiassú e Georges Gusdorf, a possibilidade de realização do diálogo na prática do ensino. 67
68 Capítulo 6- Crítica à escola capitalista e democratização do ensino Wagner Gonçalves Rossi Critica o pedagogismo dos que pretendem resolver os problemas sociais através da escola ( messianismo pedagógico ) Educação capitalista como inculcadora da ideologia 68
69 Para Rossi: Quando o capitalista amplia as oportunidades escolares, o que ele tem em mente são os excedentes, dos quais se apropriará. Propõe a retomada da história das ideias pedagógicas socialistas 69
70 Maria de Lourdes Deiró Nosella A educação acaba tendo função disciplinar na sociedade capitalista: Formar para a obediência e o respeito à autoridade, além de desenvolver o individualismo através da concorrência. 70
71 Educação e desenvolvimento social Luiz Antônio Cunha: Evidenciou a educação como reprodutora das classes sociais. Para Cunha, John Dewey, a quem chamou de elitista ingênuo, é o principal teórico da linha liberal, difundido no Brasil por Anísio Teixeira. 71
72 A defesa do ensino público Guiomar Namo de Mello: A escola pública é uma conquista da burguesia na sua luta pela abolição dos privilégios da nobreza A função possível da escola pública é democratizar o conhecimento Essa tese é negada por Eliane Marta Teixeira Lopes, sustentando que a burguesia só cedeu ao princípio da universalidade do ensino, sob a pressão das massas populares. 72
73 Na década de 1960, Darcy Ribeiro associa à escola pública a ideia de autonomia. Propõe escolas de tempo integral (dois turnos) e a construção imediata de grandes complexos educacionais equipados, mesmo nas favelas. 73
74 Capítulo 7- A preocupação com a especificidade da educação: a pedagogia dos conteúdos José Carlos Libâneo Para ele, a emancipação das camadas populares requer o domínio dos conhecimentos escolares como requisito essencial para a compreensão da prática social. 74
75 Capítulo 8- Educação e poder: a pedagogia do conflito Gadotti afirma que a Pedagogia do Conflito é a sua prática de educação, pois é capaz de evidenciar as contradições, em vez de camuflá-las. Como a escola é um organismo vivo, as contradições internas não podem ser totalmente absorvidas. 75
76 Capítulo 9- Advertência final- pensamento pedagógico brasileiro: unidade e diversidade Gadotti afirma que o pensamento pedagógico brasileiro encontra-se dividido entre duas concepções pedagógicas: Socialização do saber Segundo a qual a educação serviria de instrumento de ascensão social Teoria dialética do Conhecimento Seu papel é compreender a prática, recriá-la em função da crítica, redirecioná-la, reordená-la e reorientá-la. 76
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78 1ª Parte: Da Filosofia da Educação à Pedagogia A filosofia se manifesta ao ser humano como uma forma de entendimento que tanto propicia a compreensão da sua existência, em termos de significado, como lhe oferece um direcionamento para a sua ação. Se nós não escolhermos qual é a nossa filosofia, qual é o sentido que vamos dar à nossa existência, a sociedade na qual vivemos nos dará, nos imporá a sua filosofia. 78
79 Educação e sociedade: redenção, reprodução e transformação Tendência redentora- Afirma que a educação é responsável pela direção da sociedade, na medida em que ela é capaz de direcionar a vida social, salvando-a da situação em que se encontra. Ex:Comênio 79
80 Tendência reprodutora- Afirma que a educação faz, integralmente, parte da sociedade e a reproduz. Aborda a educação como uma instância dentro da sociedade e exclusivamente a seu serviço; não a redime de suas mazelas, mas a reproduz no seu modelo vigente, perpetuando-a, se possível. Ex: Althusser Essa tendência, que Saviani chama de críticoreprodutivista, não se traduz numa pedagogia, não estabelece um modo de agir para a educação. 80
81 Tendência transformadora- Seus teóricos não negam que a educação tem papel ativo na sociedade nem recusam reconhecer os seus condicionamentos histórico-sociais. Ao contrário, consideram a possibilidade de agir a partir dos próprios condicionantes históricos. Ex: Paulo Freire. Esta tendência não cede ao ilusório otimismo, buscando interpretar a educação dimensionada dentro dos determinantes sociais, com possibilidade de agir estrategicamente. 81
82 As Tendências Pedagógicas
83 Tendências Pedagógicas não-críticas (liberais) Tendências Pedagógicas críticas
84 Tendência Pedagógica Tradicional: Existente desde o século XVII, quando Comênio ( )- considerado pai da didáticaescreveu a Didática Magna. Essa tendência foi característica da educação dos jesuítas
85 * Características : - valorização do conteúdo; - o centro do processo de ensinoaprendizagem é o professor, detentor de todo o saber, com postura autoritária; - valorização de exposição oral sobre qualquer outro procedimento de ensino; - avaliação quantitativa, visa medir a quantidade de conhecimento decorado, absorvido pelo aluno (uso de excessiva memorização) - aluno passivo, considerado mero receptor do conhecimento.
86 Tendência Renovada Progressivista (Escola Nova): * Características dessa tendência: - o aluno é o centro do processo de ensinoaprendizagem; - métodos ativos na educação; - os conteúdos devem ser os meios para que os alunos desenvolvam habilidades; - os sentimentos não podem ser excluídos do processo relacional de ensino-aprendizagem; - surge a avaliação qualitativa; - valoriza a auto-avaliação.
87 A Escola Nova nasceu com as ideias de John Dewey ( ), nos EUA E teve repercussões no Brasil com Anísio Teixeira Lourenço Filho Fernando de Azevedo
88 Influenciados por esse teórico, teóricos brasileiros propuseram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em Esse Manifesto reivindicava, por exemplo, escola pública, gratuita, obrigatória, laica e mista, dentre outras coisas.
89 Essa tendência trouxe importantes reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem e a relação professoraluno. Entretanto, o método ativo criado pelos representantes da Escola Nova era muito caro, dependendo de recursos didáticos ainda muito distantes da realidade brasileira
90 Tendência Renovada Não-diretiva: * Características dessa tendência: - grande influência da psicologia na Educação; - defende a liberdade do aluno para aprender; - também centrada no aluno, mas o professor acaba tendo seu trabalho pedagógico relegado a um segundo plano, pois passa a dar ênfase ao aspecto afetivo em primeiro plano. Carl Rogers
91 Tendência Tecnicista: * Características dessa tendência: - sofisticados métodos de ensino; - ênfase nos meios para garantir os resultados de aprendizagem; - separação entre o pensar e o fazer; - atividades do professor eram planejadas por supervisores escolares e orientadores educacionais; - valorização de conteúdos científicos, necessários à capacitação profissional. Skinner
92 Tendências Pedagógicas não-críticas (liberais) * Tradicional * Renovada Progressivista (escolanovista) * Renovada Não diretiva * Tendência Tecnicista Tendências Pedagógicas críticas
93 Tendência Pedagógica Progressista Libertária: * Características dessa tendência: -autogestão; -educação pelo trabalho. -produção de textos livres e o compartilhamento destes; - a aula-passeio, a correspondência interescolar, a imprensa escolar, o livro da vida ; -compromisso com uma escola democrática e popular; Célestin Freinet
94 Tendência Pedagógica Progressista Libertadora: * Características dessa tendência: - atribui à educação o papel de denunciar as condições alienantes do povo; - valorização do cotidiano do aluno; - estímulo ao desenvolvimento de uma consciência crítica, capaz de tornar o aluno o sujeito de sua própria história; -diálogo próximo e afetuoso entre professor (mediador) e aluno; - o ensino dos conteúdos deve desvelar a realidade; - concepção política do ato de educar Paulo Freire
95 Tendência Pedagógica Progressista Histórico-Crítica ou Crítico-social dos conteúdos: * Características dessa tendência: - Promover a incorporação de conteúdos culturais universais à luz da realidade dos alunos; -Professor como mediador entre o saber e o aluno. -Atribui grande importância à didática como meio de confrontar os conhecimentos sistematizados às experiências socioculturais de vida concreta dos alunos -A seleção de conteúdos pelo professor deve considerar sua aplicabilidade e seu caráter científico. Defendida por Saviani, Libâneo, Luckesi e Gadotti
96 Tendências Pedagógicas não-críticas (liberais) * Tradicional * Renovada Progressivista (escolanovista) * Renovada Não diretiva * Tendência Tecnicista Tendências Pedagógicas críticas * Libertária * Libertadora * Crítico-social dos conteúdos
97 2ª Parte - Do senso comum pedagógico à postura crítica na prática docente escolar Senso comum são conceitos, significados e valores que adquirimos no ambiente em que vivemos Senso comum pedagógico : para ser professor basta tomar um certo conteúdo, preparar-se para apresentá-lo ou dirigir o seu estudo; ir para uma sala de aula, tomar conta de uma turma e efetivar o ritual da docência: apresentação de conteúdos, controle dos alunos, etc. 97
98 Outro senso comum pedagógico é o que acredita que o aluno seja passivo Uma terceira forma do senso comum pedagógico é a de considerar que o educando é um ser incapaz de criar 98
99 O conhecimento e seu processo O conhecimento é uma forma de entendimento da realidade; é a compreensão inteligível daquilo que se passa na realidade O processo de conhecimento é ativo, bem como ativo é o ato de memorizar. Memorização não significa pura e simplesmente reter alguma coisa, mas encontrar ativamente os mecanismos pelos quais se pode guardar na memória alguma coisa. 99
100 O livro didático tem sido assumido como uma Bíblia Tais livros podem e devem ser utilizados, desde que com criticidade, ultrapassando os elementos do senso comum e os próprios limites desses livros 100
101 Os sujeitos da práxis pedagógica O educador é aquele que, tendo adquirido o nível de cultura necessário para o desempenho de sua atividade, dá direção ao ensino e à aprendizagem. O professor fará a mediação entre o coletivo da sociedade (os resultados da cultura) e o individual do aluno. 101
102 Para isso, o educador precisa : ter comprometimento político com o que faz conhecer bem o campo científico com o qual trabalha ter habilidades e recursos técnicos para possibilitar aos alunos a sua elevação cultural. 102
103 Arte de ensinar Desejo permanente de trabalhar, das mais variadas e adequadas formas, para a elevação cultural dos educandos O educando detém uma cultura que adquiriu espontaneamente no seu dia a dia O papel do educador está em criar condições para que o educando aprenda e se desenvolva, de forma ativa, inteligível e sistemática. 103
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