Psicologia Social 2350
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1 Psicologia Social 2350 Apontamentos de: Leontina Agostinho Data: 2006/2007 Livro: Psicologia Social - Volume I Autor: Félix Neto Este documento é um texto de apoio gentilmente disponibilizado pelo seu autor, para que possa auxiliar ao estudo dos colegas. O autor não pode de forma alguma ser responsabilizado por eventuais erros ou lacunas existentes. Este documento não pretende substituir o estudo dos manuais adoptados para a disciplina em questão. A Universidade Aberta não tem quaisquer responsabilidades no conteúdo, criação e distribuição deste documento, não sendo possível imputar-lhe quaisquer responsabilidades. Copyright: O conteúdo deste documento é propriedade do seu autor, não podendo ser publicado e distribuído fora do site da Associação Académica da Universidade Aberta sem o seu consentimento prévio, expresso por escrito.
2 O Homem é por natureza um animal social; um indivíduo que é associal naturalmente e não de modo acidental, ou está abaixo da nossa consideração ou é mais que um ser humano A sociedade é algo por natureza que precede o indivíduo. Alguém que não possa ter a vida comum ou que seja tão auto-suficiente que não necessite de tal, e por isso não participe na sociedade, ou é uma besta ou é um deus. I. DOMÍNIO DA PSICOLOGIA SOCIAL Aristóteles 1. Introdução Nós os ser humanos somos animais sociais. Vivemos em grupos, sociedades e culturas. Organizamos as nossas vidas em relação com outros seres humanos e somos influenciados pela história, pelas instituições e pelas actividades. O estudo humano é também encarado por outras disciplinas como sejam a sociologia, a antropologia, a história, a economia, as ciências sociais e a biologia. A focalização dos problemas e as metodologias utilizadas diferenciam as diversas ciências do comportamento. 2. O que é a Psicologia Social? Há várias formas de responder a esta questão. Uma delas é avançar uma definição formal do campo; outra é fazer uma lista pormenorizada de tópicos investigados pelos psicólogos sociais; outra é comparar e contrastar a psicologia social com campos conexos, ainda uma outra é situar os seus níveis de análise. 2.1 Tentativa de Definição: Definir formalmente a grande maioria dos domínios científicos é uma tarefa complexa. No caso da Psicologia Social, as dificuldades ampliam-se devido a duas ordens de factores: a) A diversidade do domínio; b) A sua rápida taxa de mudança. Allport, afirma que a Psicologia Social tenta compreender e explicar como os pensamentos, sentimentos e comportamentos dos indivíduos são influenciados pela presença actual, imaginada ou implicada de outros. Pode-se efectivamente conceber a psicologia social em termos entradas para o indivíduo e de saídas do indivíduo. Entradas, são as presenças actuais imaginadas ou implicadas de outras pessoas; Saídas, são os pensamentos, sentimentos e comportamentos do indivíduo. Se a presença de outras pessoas influencia pensamentos, sentimentos e comportamentos, na definição de Allport transparece também que as outras pessoas podem influenciar-nos mesmo sem estarem fisicamente presentes. A presença imaginada ou implicada de outras pessoas afecta o comportamento. Nos últimos 100 anos ocorreram duas mudanças importantes. 2
3 Em primeiro lugar, há cerca de 100 anos os cientistas começaram a aplicar o método científico à compreensão do comportamento social humano. Um segundo desenvolvimento trouxe a psicologia para a cena: as modernas viagens e as comunicações de massa multiplicaram as relações sociais e as potencialidades para a interacção social. As várias tentativas para nos influenciarem quotidianamente através da televisão, rádio, cinema, revistas, jornais, etc. tornaram a psicologia social fundamental. 2.2 Tópicos da Psicologia Social: Uma outra forma de responder á questão O que é a Psicologia? é descrever os tópicos que ocupam os psicólogos sociais. A Psicologia Social cobre um vasto domínio existindo muitos tópicos que são abarcados por ela. Alguns exemplos de tópicos: Agressão Ajuda Assuntos de Disciplina Atitudes e mudanças de atitude Atracção e Afiliação Atribuição Auto - Apresentação Autoconsciência Comparação Social Comunicação não-verbal Conformidade e Condescendência Desenvolvimento Social e da Personalidade Dissonância Distância interpessoal e superpovoamento Equidade, Justiça distributiva e troca social Negociação e formação de alianças Influência Social Interacção Social Investigação intercultural Investigação em lei e crime Investigação em leis de personalidade Locus de controlo Papéis sexuais e diferenças sexuais percepção da pessoa Personalidade e diferenças individuais Processos cognitivos Psicologia populacional e ambiental Questões étnicas e raciais Questões metodológicas Realização Satisfação vital Stress, emoção e activação Vítimas Os psicólogos sociais abordam uma ampla gama de comportamentos humanos, essa lista tem vindo a aumentar cada vez mais. Apesar dos psicológicos sociais reconhecerem a existência de uma perspectiva ampla na sua disciplina os seus focos de interesse na investigação limitam-se a pontos restritos As áreas de comportamento humano podem ser divididas em três grupos: fisiológico, cognitivo-atitudial, e de realização. Num grupo submetido a uma determinada situação podem-se medir as mudanças fisiológicas ocorridas nos seus elementos (pressão arterial, temperatura, adrenalina, etc.). Os psicólogos sociais têm utilizado estas medidas no estudo de contextos sociais. Por exemplo, para se mostrar que o sobrepovoamento é activante, têm-se comparado as mudanças psicológicas que ocorrem em grupos muito grandes com grupos mais pequenos. Os psicólogos sociais têm-se ocupado tradicionalmente das atitudes das pessoas, das opiniões, das crenças, dos valores, os sentimentos, das representações sociais. Este domínio inclui, entre outros, estudos sobre as intenções de voto nas eleições, os 3
4 estereótipos atribuídos a outros grupos, o impacto dos valores parentais nos filhos, a conformidade no sexo masculino ou feminino. Um outro domínio de medida é constituído pela habilidade das pessoas em realizar tarefas. Exp. estudos que avaliam a realização após uma experiência agradável ou desagradável, os efeitos da pressão grupal sobre a produtividade do individuo, resolução de problemas em grupo sobre diferentes estilos de liderança. Os estudos clássicos sobre os efeitos da presença das outras pessoas recorrem muitas vezes a medidas de realização. 2.3 Relações com outros campos: A Psicologia Social mantém uma relação próxima com vários campos, em especial com a Sociologia e a Psicologia. Para Moscovici (1984) a Psicologia Social distingue-se quer da Sociologia, quer da Psicologia pela mesma característica. As últimas duas põem em relação um sujeito (individual ou colectivo, segundo o caso) e um objecto (meio, estimulo). Na Psicologia Social a relação dual (sujeito-objecto) é substituída por uma relação ternária: sujeito individual (ego), sujeito social (alter) e objecto (físico, social, imaginário ou real). Há assim uma mediação constante entre o sujeito e o objecto que se traduz em modificações do pensamento e do comportamento de cada um. A Psicologia é o estudo científico do indivíduo e do comportamento individual. Habitualmente os psicólogos abordam o indivíduo fora do contexto social ocupando-se de vários processos internos (percepção, aprendizagem, memória, inteligência, motivação e emoção). A Sociologia é o estudo científico da sociedade humana. Os Sociólogos analisam o comportamento humano num contexto mais amplo. Abordam tópicos tais como instituições sociais (família, religião, politica), estratificação dentro da sociedade (classes sociais, raça e etnicidade, papeis sexuais), e a estrutura de unidades sociais (grupos, redes, organizações formais, burocracias). Dão maior importância às normas que guiam o comportamento, resultado de pressões externas. A Psicologia Social estabelece a ponte entre a psicologia e a sociologia. Psicólogos e Sociólogos contribuem para o comportamento psicossocial. Os psicólogos sociais para explicar o comportamento recorrem a factores individuais e sociológicos. Os processos intrapsíquicos desempenham um papel determinante no comportamento de uma pessoa, o contexto social desse comportamento fornece-lhe os estímulos sociais, motivos e objectivos. São vários os factores que influenciam as actividades de um indivíduo em relação a outros, pois o comportamento social resulta de diferentes causas: 1) O comportamento e as características das outras pessoas; 2) A cognição social (pensamento, atitudes, recordações acerca das pessoas que nos rodeiam); 3) Variáveis ecológicas (influências directas ou indirectas do meio físico); 4) Contexto sócio-cultural em que ocorre o comportamento social; 5) Aspectos da nossa natureza biológica relevante para o comportamento social. 4
5 (Geogoudi e Rosnow, 1985) 2.4 Níveis de Análise: Existem várias psicologias sociais diferentes e múltiplas explicações para as experiências humanas e as acções. Encontram-se duas variantes principais em psicologia social, a Psicologia Social Sociológica (PSS) e a Psicologia Social Psicológica (PSP). Ambas têm áreas em comum mas também diferem na focalização central e nos métodos de investigação. Diferenças entre: Psicologia Social Psicológica: A focalização central é no indivíduo; Os investigadores tentam compreender o comportamento social mediante a análise de estímulos imediatos, estados psicológicos e traços de personalidade; O objectivo principal da investigação é a predição do comportamento; A experimentação é o principal método de investigação. Psicologia Social Sociológica: A focalização central é no grupo ou na sociedade; Os investigadores tentam compreender o comportamento social mediante a análise de variáveis societais, tais como estatuto social, papéis sociais e normas sociais; O objectivo principal da investigação é a descrição do comportamento; Inquéritos e observação participante são os principais métodos de investigação. São várias as razões para se proceder ao estudo das duas psicologia sociais. A primeira é que ambas as abordagens fornecem informação complementar acerca dos mesmos problemas. Cada uma destas abordagens tem os seus pontos fortes e fracos. A sua combinação contrabalança algumas das fraquezas de cada perspectiva com as forças da outra. Por exemplo, a limitação dos métodos experimentais dos psicólogos em situações sociais controladas é compensada pela focalização dos sociólogos nos meios sociais naturais. As abordagens combinadas propiciam uma compreensão mais fecunda de um assunto que qualquer abordagem só por si. Em segundo lugar, as duas abordagens convergem. Todas as teorias da psicologia social tentam compreender os indivíduos no seu contexto social. Todas reconhecem a influência recíproca do indivíduo e da sociedade na construção social da realidade, havendo cada vez uma maior interacção dos assuntos e dos métodos das duas psicologias sociais. Técnicas de investigação utilizadas em: 5
6 Psicologia Social Psicológica: Experiências de laboratório; Investigação por inquérito; Estudos de campo; Experiências de campo; Experiências naturais; Investigação bibliotecária; Investigação de arquivo; Outras 6
7 Psicologia Social Sociológica: Investigação por inquérito; Investigação bibliotecária; Estudos de campo; Experiências de laboratório; Experiências de campo; Experiências naturais; Outras Em terceiro lugar, a atenção ao mundo subjectivo do indivíduo é a única contribuição da psicologia social que é partilhada pela psicologia social sociológica e pela psicologia social psicológica. Ambas as perspectivas acentuam o meio percepcionado pelo indivíduo e não tanto o meio actual. Ambas as psicologias sociais se focalizam nas interpretações cognitivas da realidade e nos comportamentos subsequentes com base nestas interpretações. Sendo o comportamento variado e as suas causas diversas, não é de admirar que em psicologia social se recorra a diferentes níveis de análise Doise (1982) sintetizou essas explicações distinguindo quatro níveis: No primeiro é abordado o estudos dos processos psicológicos ou intradividuais que deveriam dar conta do modo como o indivíduo organiza a sua experiência do mundo social, (aqui o psicólogo pelos processos que permitem a um individuo ter uma opinião global sobre alguém, a partir da integração de diferentes traços de personalidade que lhe são apresentados). Um segundo nível tem em conta a dinâmica de processos inter-individuais e intra-situacionais que ocorrem entre indivíduos (estudo da atribuição de intenções a outrem). Terceiro nível, faz intervir diferenças de posições ou de estatutos sociais para dar conta de modulações de interacções situacionais (quando uma argumentação convence mais facilmente um individuo porque quem a apresenta tem um estatuto social mais elevado). O quarto nível mostra como determinadas crenças ideológicas universalistas induzem representações e condutas diferenciadoras, ou até mesmo discriminatórias. (Segundo Lerner (1980) as pessoas têm uma profunda convicção de que o mundo é justo e o que acontece às pessoas é merecido). Numa mesma situação pode haver diferentes níveis de análise o que revela vários processos psicológicos nesta situação social. 3. Esboço Histórico da Psicologia Social: Este documento é um texto de apoio gentilmente disponibilizado pelo seu autor, para que possa auxiliar ao estudo dos colegas. O autor não pode de forma alguma ser responsabilizado por eventuais erros ou lacunas existentes. Este documento não pretende substituir o estudo dos manuais adoptados para a disciplina em questão. A Universidade Aberta não tem quaisquer responsabilidades no conteúdo, criação e distribuição deste documento, não sendo possível imputar-lhe quaisquer responsabilidades. Copyright: O conteúdo deste documento é propriedade do seu autor, não podendo ser publicado e distribuído fora do site da Associação Académica da Universidade Aberta sem o seu consentimento prévio, expresso por escrito.
8 Ebbinghaus (1908) escreveu que a Psicologia tem um longo passado mas só tem uma breve história. A Psicologia Social é um dos campos mais novos da psicologia, sendo ela própria uma disciplina jovem. Atribui-se frequentemente como data de nascimento da psicologia científica o ano 1879, ano em que o primeiro laboratório de psicologia foi fundado em Leipzig na Alemanha, por Wilhelm Wundt. Se bem que as raízes da psicologia social estejam historicamente distantes, tais como as da psicologia em geral, o seu reconhecimento como domínio separado só aconteceu algumas décadas mais tarde. 3.1 O longo passado do pensamento sócio-psicológico: A Psicologia Social começou a esboçar-se enquanto centro de interesse científico em finais do séc. XIX e nos alvores do séc. XX, mas já antes encontramos autores que se referiam às relações entre o psiquismo e a vida colectiva. G. Allport (1985) afirma que a história da filosofia não pode ser esquecida na medida em que até há um século todos os psicólogos sociais eram filósofos e muitos os filósofos eram psicólogos sociais. Os filósofos gregos foram provavelmente os primeiros teóricos em psicologia social. Platão e Aristóteles focalizaram a atenção do homem ocidental na sua natureza social. De Platão até ao séc. passado todas as teorias sobre a natureza social do homem diziam respeito à teoria do Estado. Por essa razão, G. Allport considerava que até então a psicologia social era em grande parte um ramo da filosofia política. Graumann (1996), sintetiza cinco questões centrais desse pensamento social: 1. Se as pessoas são concebidas como indivíduos, cada uma sendo única ou fundamentalmente semelhante às outras; 2. Se a pessoa é vista como uma função da sociedade ou pelo, pelo contrário, a sociedade é vista como um produto e função dos indivíduos que a compõe; 3. Se a relação entre indivíduo e sociedade é uma questão com sentido ou é uma expressão de uma ideologia escondida; 4. Se a natureza do seres humanos é fundamentalmente egoísta e necessita de técnicas e processos de educação para possibilitar as vidas das pessoas em grupos ou estados, ou se os seres humanos são sociais por natureza, sendo as boas ou más influências que os tornam sociais ou anti- sociais; 5. Se os homens e mulheres são agentes livres e responsáveis ou são determinados por forças naturais e sociais. As respostas avançadas ainda são controversas no pensamento contemporâneo e tornaram-se suposições para as abordagens sócio-psicológicas. Platão ( a.c.) expõe na república que os Estados se formam porque o indivíduo não é auto-suficiente e necessita de ajuda de muitos outros. Se os homens formam grupos sociais é porque precisam deles. Platão raciocinava que a partir do momento que as pessoas se juntam para satisfazer as suas necessidades, a especialização das tarefas poderia ajudar. O equilíbrio de para 8
9 uma sociedade depende do lugar que ela saiba dar a três actividades: artesanal, guerreira e à da magistratura. Platão, considera que o espírito humano tem três componentes: comportamental, afectivo, e cognitivo que se localizam no abdómen, no tórax e na cabeça. Apesar de estas ideias de Platão tenham sido banidas, muitos psicólogos sociais ainda encontram útil esta tricotomia dos fenómenos. Aristóteles, ( a.c.) vê as pessoas como animais políticos, gregários por instinto. Ele pensa que a interacção social é necessária para o desenvolvimento normal dos seres humanos. É este seu instinto gregário que leva o homem a afiliar-se com os outros. Quer Aristóteles quer Platão acreditam que os indivíduos diferem nas suas habilidades. Uns têm disposições inatas para a liderança e outros para serem seguidores. Hobbes ( ) escreveu uma ficção intelectual sobre a origem de um estado hipotético, o Leviatã. Para Hobbes os homens não têm tendência a amar-se, mas o seu estado natural é a guerra contra todos. Hobbes desenvolveu uma análise dos processos interpsicológicos que levam o homem à socialização: paixão de ambição, paixão de dominação, sentimento de insegurança. Este pensador procura nas bases do comportamento, as bases da sociedade. Para Rousseau ( ) as condições sociais transformam verdadeiramente o homem. Foi o primeiro autor que não se contentou em afirmar, mas que procurou analisar a influência das instituições sobre a psicologia dos indivíduos. No Discurso sobre as ciências e as artes (1750), defendia que as ciências e as artes corromperam o homem como toda a civilização. A natureza não destinava o homem à vida em sociedade tendo vivido o homem durante milénios só e independente. Bentham ( ) defendeu que todo o comportamento humano é motivado pela procura de prazer, princípio conhecido como hedonismo. Todo o comportamento social é hedonista. As pessoas, nas suas interacções, procuram maximalizar os seus benefícios e minimizar os seus custos. Para Graumann (1996) muitas das teorias modernas de condicionamento e de motivação têm como ideias subjacentes a satisfação individual (reforço, recompensa, redução de tensão, de dissonância, de incerteza ), são variações do princípio de prazer ou utilidade. Para Fourier ( ), socialista utópico, a sociedade ideal, o falanstério assentava nas paixões humanas. Essa sociedade ideal constrói-se a partir de uma boa utilização das paixões humanas e não da sua correcção ou repressão. Segundo, Karl Marx ( ) o comportamento social é determinado pelas condições económicas. Por exp, uma economia feudal suscitaria um determinado padrão de pensamentos, sentimentos e de acções entre os cidadãos, ao passo que uma estrutura comunista levaria a um padrão muito diferente. Segundo esta perspectiva, para mudar o modo das pessoas pensarem, sentirem e agirem é fundamental mudar antes as instituições económicas. Segundo a psicologia social moderna, indivíduos e instituições económicas influenciam-se mutuamente. 9
10 Moritz Lazarus ( ) e Heyman Steinthal ( ) autores alemães fundadores de uma revista de Psicologia dos Povos. Para eles, o povo era uma realidade espiritual, mas colectiva, cujo espírito não é um mero produto, pensando descobrir os processos mentais dos chamados povos primitivos através do estudo dos mitos, línguas, religiões e artes. Wundt ( ) fundador da psicologia experimental, deu uma maior autonomia à consciência individual. 3.2 As Origens da Psicologia Social: O húmus propício à eclosão de uma abordagem específica da psicologia social, encontramo-la na confluência de duas correntes: uma francesa e outra anglo-saxónica Corrente francesa: Comte ( ), inventou o termo sociologia e fez muito para situar as ciências sociais na família das ciências, sendo o primeiro autor a te concebido a ideia de Psicologia Social. Apesar de desprezar a Psicologia. Duas das suas contribuições são geralmente conhecidas: A primeira é a famosa lei dos três estados que nos chama a atenção para a emergência gradual das ciências do estado teológico (em que os acontecimentos são explicados e personificados pelos deuses); metafísico (em que os acontecimentos são explicados por poderes impessoais e pelas leis da ciência) até ao positivo (em que os acontecimentos são explicados pela sua invariabilidade e constância). A segunda é a classificação das ciências fundamentais abstractas que tratam de fenómenos irredutíveis, de acontecimentos fundamentais e primários, e ciências concreta que tratam de fenómenos compósitos, de seres concretos e das aplicações das ciências abstractas. Entre as ciências concretas encontra-se a geologia, a meteorologia, a botânica, a zoologia e a educação. No final da sua vida Comte, procurava a Verdadeira Ciência Final edificada simultaneamente na biologia e na sociologia. A esta Verdadeira Ciência Final chamava-lhe Moral Positiva. Ele viu-se obrigado a inventar esta Moral Positiva, pois necessitava de uma ciência que tratasse dos indivíduos e do modo como os indivíduos combinam influências biológicas e societais. Émile Durkheim ( ) defende a posição de Comte segundo a qual o social é rigorosamente irredutível ao individual. Tarde, defendia a alternância de dois fenómenos propriamente psicológicos, a invenção e a imitação. A invenção bastante rara, é fruto de individualidades poderosas que deste modo asseguram o progresso. A imitação assegura a unidade e a estabilidade sociais. Uma sociedade pode definir-se como um grupo de homens que se imitam. Segundo Gustave Le Bon, a multidão modifica o indivíduo, pois dota-o de uma alma colectiva. Esta alma faz com que os indivíduos, na situação da multidão, sintam, 10
11 pensem e ajam de modo completamente diferente do que sentiriam, pensariam, agiriam cada um isoladamente. Em primeiro lugar a multidão obedece à lei da unidade mental. Além disso, a multidão coloca os indivíduos perante emoções rápidas, simples, intensas e mutáveis. Adopta um raciocínio rudimentar qualitativamente inferior ao dos indivíduos que a compõem. Estes comportamentos são explicados por uma causa interna, o contágio mental, e uma externa, a existência de líderes. Charcot, em finais do séc. XIX fizera experiências sobre a hipnose e a sugestão. A noção de multidão não é claramente delimitada, misturando os grupos, os agregados, a multidão e a massa. Por outro lado deixa transparecer uma desconfiança em relação à influência das massas e das ideias democráticas. Ringelmann, levantou a seguinte questão: como é que a presença de outras pessoas influencia a realização de um indivíduo? Este autor descobriu que, em comparação com o que as pessoas faziam por elas mesmas, a realização individual diminuía quando trabalhavam conjuntamente em tarefas simples como puxar uma corda ou empurrar uma carroça. A investigação de Ringelmann está na origem dos modernos estudos de psicologia social sobre preguiça social. Um século mais tarde Latané e seus associados (1979) concluíram que o fenómeno de preguiça social está vivo, o grupo produzindo reduções na realização individual A Corrente anglo-saxónica: Gustav Ratzenhofer, sociólogo alemão, fazia entrar na sociologia considerações sobre os indivíduos e as suas motivações. Procurava nos interesses humanos os factos de base para a explicação sociológica. Em 1898 Triplett, observou que os ciclistas rodavam mais depressa com outra pessoa do que quando rodavam sozinhos. As pessoas obtêm melhor desempenho sós ou acompanhadas? Em 1924, Floyd Allport, fez a distinção entre facilitação social (a influência do grupo nos movimentos do individuo) e rivalidade (o desejo de ganhar). Em 1965, Robert Zajonc sugeriu que a mera exposição à presença de outras pessoas aumenta o desempenho das respostas dominantes (isto é, bem aprendidas), mas interfere com o desempenho das respostas não dominantes (isto é, novas). Edward Ross ( ) procurou aplicar as leis da sugestão e da imitação a diversos acontecimentos do passado e do presente: moda, opinião pública, etc. 3.3 Evolução da Psicologia Social: Manual (pág.67 à 70) Sherif (1936) interessou-se pelo estudo de normas sociais, ou seja, regras que suscitam os comportamentos das pessoas. 11
12 Por vezes há pessoas que podem mudar a direcção de todo um domínio do saber: Darwin e Mendel, alteraram a moderna biologia; Galileu e Newton, alteraram a trajectória da física; Freud revolucionou a psicologia clínica. Já no domínio da psicologia social não há tais gigantes, contudo se alguma figura de primeiro plano influenciou a orientação geral desse domínio foi Kurt Lewin. Formouse como psicólogo na Alemanha e trabalhou no Instituto de Psicologia de Berlim. Emigrou para os Estados Unidos em 1933 tendo-se dado conta que os Nazis fariam a vida impossível a alguém que não partilhasse as suas ideias políticas. Kurt Lewin formulou a teoria do campo segundo a qual o comportamento humano deve ser considerado como uma função das características do indivíduo em interacção com o seu meio. Na resposta à questão sobre o que determina o comportamento humano, Freud acentuou os processos psicológicos internos ao indivíduo; Marx sublinhou as forças externas; Lewin optou por ambos os factores: factores internos e externos influenciam o comportamento humano. Esta perspectiva constitui uma versão temporã do que hoje se chama de perspectiva interaccionista (Blass, 1984). Esta abordagem combina a psicologia da personalidade com a psicologia social, que tradicionalmente têm sublinhado respectivamente diferenças entre indivíduos e diferenças entre situações. Tendo em conta a influência de Lewin que se fez sentir a vários níveis, não é surpreendente que várias pessoas o considerem como sendo o pai da psicologia social contemporânea. Em cada década do século XX os interesses de investigação foram-se modificando e ampliando: Anos 40 e 50 a expansão do campo continua em várias direcções. Presta-se atenção à influência dos grupos e da pertença aos grupos obre o comportamento individual e abordam-se as relações entre vários traços da personalidade e comportamento social. As atitudes são também um domínio de estudo prioritário neste período. Nos finais dos anos 50, Festinger propôs a teoria da dissonância cognitiva (postula que as pessoas encontram insatisfatórias as incoerências entre duas cognições, ou entre os seus pensamentos e o seu comportamento, e procuram reduzi-las mudando quer os seus pensamentos quer os seus comportamentos) que focalizou a atenção dos investigadores não só nos anos 50, mas igualmente nos anos 70. Nos anos 60 o campo da psicologia social expandiu-se de modo acentuado. Os psicólogos sociais fizeram incidir a sua atenção em áreas de investigação, tais como porque é que obedecemos à autoridade, como é que efectuamos julgamentos acerca do comportamento das pessoas, como negociamos e resolvemos conflitos, como nos atraímos e fazemos amigos, porque é que os espectadores muitas vezes nos ajudam em situações de emergência. No Canadá, Wallace Lambert, Robert Gardner e outros autores dedicaram-se ao 12
13 estudo de aspectos psico-sociais do bilinguismo. Continuando ainda a investigação em áreas de interesse social, tais como agressão, preconceito e mudança de atitudes. Ainda nos anos 60 psicólogos sociais europeus, como Serge Moscovini em França e Henri na Grã-Bretanha lançaram as bases de uma psicologia social diferente da dos Estados Unidos, que era vista como estando muito impregnada nos sistemas de valores individualistas desse país. A psicologia social europeia colocou a partir daí uma maior ênfase que a norte-americana no estudo das relações interpessoais e na investigação de tópicos, como a influência do grupo minoritário, controlo social, aspectos sócio-psicológicos da economia política e da ideologia. É discutida a ética dos procedimentos utilizados na investigação (Kelman ), a validade dos resultados (Rosenthal ) e até que ponto é possível generalizar os resultados no tempo e no espaço (Gergen ). Durante os anos 70, para além de se continuarem as linhas de estudo dos anos anteriores, foram postos em cena novos tópicos ou foram investigados com um enfoque novo e mais sofisticado. Destaca-se a atribuição, papéis sexuais e discriminação sexual, psicologia ambiental. Os psicólogos sociais estão-se a torna mais sensíveis ao impacto da cultura do comportamento social. Aperceberam-se que os princípios que influenciam um grupo podem não se aplicar noutro país, nem mesmo a todos os grupos dentro do mesmo país. Dado que o mundo se está tornando cada vez mais interdependente, os psicólogos sociais pensam que o seu campo deve tornar-se cada vez mais internacional e multicultural. 4. A Psicologia Social como ciência: Os psicólogos sociais querem compreender as pessoas e ajudá-las a remediar problemas humanos. Escritores, artistas, músicos, filósofos e muitas outras pessoas das mais variadas categorias também querem compreender e ajudar os outros, proporcionando uma compreensão da natureza humana, já os Psicólogos Sociais diferenciam-se na medida em que enveredam por uma abordagem científica para os seus assuntos. Pode-se entender por ciência um corpo organizado de conhecimentos que advêm da observação objectiva e de testagem sistemática. A palavra ciência refere-se a todas as áreas que podem ser estudadas de modo sistemático e objectivo e não a um assunto particular. As ciências naturais, como a biologia, a botânica, a física, a química e a zoologia tentam explicar observações acerca da natureza e do mundo físico; As ciências comportamentais, como a antropologia, a etologia, a psicologia e a sociologia, abordam observações acerca de actividades, como sejam operações mentais e respostas motoras, de animais e de seres humanos; As ciências sociais referem-se às ciências comportamentais e disciplinas fins (economia, ciência politica) que abordam actividades das pessoas inseridas em comunidades humanas; 13
14 A Psicologia Social investiga as acções de indivíduos e de indivíduos dentro de grupos, sendo assim uma ciência comportamental e social. No âmbito das ciências, as teorias ajudam-nos a compreender como e porque é que as coisas acontecem. O termo teoria designa para os cientistas uma descrição de relações entre símbolos que representam a realidade (Hall e Lindzey, 1978); A atitude é um símbolo abstracto utilizado para representar a realidade de que os indivíduos têm preferência por certos objectos específicos. Não pode ver ou tocar uma atitude, pois não é real, mas utiliza-se o conceito de atitude para representar coisas que são reais; O termo construto aplica-se quando um símbolo abstracto numa teoria é definido em termos de acontecimentos observáveis. O construto locus de controlo é muitas vezes definido em termos de resposta a um questionário. Todas as teorias contêm aspectos que não podem ser provados como verdadeiros em sentido absoluto, na medida em que são abstractos, mas todas as teorias apresentam objectivos comuns. 4.1 Investigação Científica: A psicologia social utiliza o método científico para estudar o comportamento social. A recolha de observações pelos cientistas implica que eles sigam um certo número de regras estabelecidas. Mas a ciência não se limita a ficar por observações precisas, exigindo explicações. São as teorias que nos ajudam a explicar o que se observa. Uma teoria consiste na formação de regras gerais tendo por alicerce observações específicas efectuadas. A esta passagem de observações específicas a regras gerais ou teorias chama-se indução lógica. Mas uma teoria não se formula só para explicar observações precisas. Deve também poder explicar e sugerir novas observações que se podem utilizar para testar a teoria. Uma teoria deve ser capaz de fazer predições acerca de fenómenos com recurso à lógica dedutiva, ou seja, uma teoria deve gerar hipóteses susceptíveis de serem testadas. Karl Popper (filósofo da ciência) mostrou que uma teoria científica não pode logicamente ser provada como verdadeira, mas pode ser refutada, defende que para uma teoria ser científica deve, em princípio, ser capaz de refutação empírica. Uma teoria nunca pode ser verdadeira, pois não há garantia que no futuro será a mesma que no passado. Ryckman 1985, Shaw e Constanzo 1982, defendem que o valor de uma teoria depende de um certo número de qualidades: 1) Uma teoria deverá estar em concordância com dados conhecidos, incorporando o que se encontrou acerca do comportamento humano; 2) Uma teoria é compreensiva, tentando compreender e explicar um amplo leque de comportamentos; 3) Uma teoria é parcimoniosa, não contendo mais que os elementos necessários para explicar o assunto m questão; 14
15 4) Uma boa teoria tem de se poder testar, fornecendo meios mediante os quais, hipóteses específicas e predições podem ser suscitadas e subsequentemente testadas por investigação. Se uma teoria não permite suscitar predições que se possam testar, nesse caso a sua validade empírica nunca pode ser avaliada de modo satisfatório; 5) Uma teoria deve ter o seu valor heurístico, isto é, em que medida estimula o pensamento e a investigação e desafia outras pessoas a desenvolverem e testarem teorias opostas; 6) Também a utilidade ou valor aplicado de uma teoria é um atributo importante. Os psicólogos sociais interessam-se pelas teorias porque desejam ajudar a sociedade a viver melhor. As teorias podem ajudar as pessoas aumentando a compreensão, sensibilização e ando acesso a novos modos de se comportar. Os psicólogos sociais tentam apreender os padrões de vida social e criar termos para que as pessoas possam comunicar sobre eles. As teorias permitem compreender e comunicar esta compreensão aos outros. As teorias servem também para sensibilizar, identificar os factores susceptíveis de influenciar a vida quotidiana e para testar atenção às consequências das suas acções. Podem ainda sugerir eventuais cenários e os seus motivos, sendo assim possível preparar o futuro com a ajuda dessas sugestões. As teorias servem ainda para aumentarem na pessoa a tomada de consciência de deficiências na vida quotidiana guiando-a para opções mais satisfatórias, esta teoria chamada de generativa dá às pessoas a possibilidade de se interrogarem sobre o que acreditavam antes e permite optar por novas relações em vez de conservarem crenças dogmáticas. 4.2 Objectivos científicos da Psicologia Social: Os objectivos centrais da investigação em Psicologia Social podem condensar-se em quatro: descrição, explicação, predição e controlo: A descrição emana da colecção sistemática de factos e de observações acerca de qualquer fenómeno descrevendo o que se observa; A explicação pressupõe a identificação das relações causais que produzem comportamentos particulares. Uma coisa é descrever padrões de comportamento e outra é desenvolver teorias para explicar o que se observou; A melhor medida de uma teoria é a sua capacidade em fazer predições certas. A sociedade defronta-se com problemas importantes para os quais predições fidedignas seriam preciosas; O controlo: controlar quando ou se ocorrem fenómenos comportamentais. Em resumo: a investigação pode fornecer informação fidedigna sobre a sociedade, explicá-la, permitir predições e controlar a ocorrência de fenómenos comportamentais. 4.3 O Processo de Investigação em Psicologia Social: Os psicólogos sociais para estudarem de modo o comportamento social, devem planear meticulosamente e executar os seus projectos de investigação. Este processo cientifico pode sintetizar-se em sete etapas: 15
16 A primeira etapa no processo de realização de um estudo é seleccionar um tópico de investigação. É necessário desenvolver uma ideia acerca do comportamento que valha a pena explorar. A inspiração pode advir da investigação de alguém, de um incidente nas notícias quotidianas, ou até mesmo de alguma experiência pessoal ocorrida na vida do investigador. Geralmente os psicólogos sociais investigam tópicos que são relevantes para as suas próprias vidas e para a sua cultura; A segunda etapa é a busca do documento de investigação que permite delimitar os estudos anteriores efectuados sobre o tópico. Poderá acontecer que não se tenha ainda fixado um tópico de investigação até se efectuar a procura da documentação; A terceira etapa consiste na formulação de hipóteses. As hipóteses são expectativas específicas sobre a natureza das coisas decorrentes de uma teoria. São as implicações lógicas da teoria; A quarta etapa consiste na escolha de um método de investigação que permitirá testar as hipóteses. Os dois métodos utilizados nas suas investigações são o correlacional e o experimental. A maior parte da investigação de laboratório recorre ao método experimental, ao passo que a maior parte da investigação de campo é correlacional; A quinta etapa é a recolha de dados. Existem três técnicas básicas de recolha de dados: 1) auto-avaliações (que permite observar as percepções das pessoas, emoções, atitudes, etc), 2) observações directas (aqui os investigadores observam directamente o individuo e as suas reacções sem interferências), 3) informação de arquivo. A sexta etapa é efectuar a análise de dados, o hoje em dia exige um conhecimento aprofundado de procedimentos estatísticos e de programas de computador. As duas espécies básicas de estatísticas utilizadas são: a descritiva (permite fazer um sumário e uma descrição do comportamento ou das características de uma amostra particular de participantes num estudo) e inferencial (vai para além de um descrição e permite fazer inferências acerca de uma ampla população de que foi extraída a amostra, esta estatística é utilizada para avaliar a probabilidade de que uma diferença encontrada nas pessoas estudadas também seria encontrada se alguém da população participasse no estudo); A sétima etapa é apresentar o relatório dos resultados. Pode acontecer publicando artigos em revistas científicas, fazendo apresentações em congressos, ou informando pessoalmente outros investigadores na disciplina. 4.4 Meta-análise: Um dos problemas com que os investigadores se defrontam muitas vezes é que o processo de investigação conduz frequentemente a resultados contraditórios de um estudo para o outro. No passado os investigadores utilizavam a regra da maioria. Actualmente para obter resultados mas credíveis, têm recorrido a técnicas denominadas de meta-análise (Schmidt, 1992). A meta-análise é uma técnica estatística que permite aos investigadores combinar informação de muitos estudos empíricos sobre um tópico e avaliar objectivamente a fidelidade e o tamanho global do efeito (Rosenthal, 1984). 16
17 5. Teorias em Psicologia Social: Os psicólogos sociais desenvolveram muitas ideias diferentes sobre a vida social no entanto, nenhuma teoria permite explicar de modo adequado todos os fenómenos sociais. Certas teorias são globais ou gerais, enquanto que outras são mais particulares e restritas na sua aplicação e predições. As principais teorias são as de aprendizagem, teorias cognitivas e as das regras e papéis. As teorias de aprendizagem têm as suas origens nos princípios básicos do behaviourismo que salientou o condicionamento clássico e aprendizagem através do reforço ou recompensa; As teorias cognitivas têm as suas origens na psicologia de gestalt. As teorias das regras e papéis, põe em evidência a ideia de que os pensamentos e os comportamentos dos indivíduos são o resultado de interacções que têm com outras pessoas e do significado que elas dão às interacções e papéis. No seio destas três orientações teóricas gerais é possível desenvolverem-se modelos mais limitados, chamados de mini-teorias, tentando explicar um leque mais restrito do comportamento humano. 5.1 Teorias da Aprendizagem: O seu núcleo é a ideia de que o comportamento de uma pessoa é determinado pela aprendizagem anterior. A teoria da aprendizagem tornou-se popular nos anos 1920, estimulada pelos trabalhos de Pavlov e do americano John Watson. Esta abordagem, aplicada ao comportamento social por Albert Bandura entre outros, chamou-se de aprendizagem social Mecanismos de Aprendizagem Social: Há três mecanismos gerais mediante os quais as pessoas coisas novas: 1) Através da associação ou condicionamento clássico, (experiências de Pavlov com os cães); 2) Outro mecanismo é o reforço. As pessoas aprendem através de castigos e de recompensas; 3) Outro mecanismo é a aprendizagem observacional ou imitação. Uma parte importante do comportamento humano é adquirido através de instrução directa e por observação do comportamento dos outros (Bandura e Walters, 1963; Miller e Dollard, 1941) Contribuições: As teorias da aprendizagem têm-se utilizado para explicar muitos fenómenos sóciopsicológicos, como a atracção interpessoal, a agressão, o altruísmo, o preconceito, a formação de atitudes, a conformidade e a obediência. Por exemplo, Byrne (1971) propusera que gostamos das pessoas que são semelhantes a nós numa série de dimensões porque tal semelhança é agradável. As teorias de aprendizagem têm sido particularmente úteis na estimulação, por parte dos investigadores, da procura de acontecimentos ambientais ligados às acções das pessoas. Estes teóricos defendem que uma melhor compreensão do efeito de acontecimentos ambientais torna possível prever a sua influência. É então possível assegurar um controlo sobre acontecimentos influenciando as pessoas a terem vontade de agir de determinado modo em detrimento do outro. 17
18 5.2 Teorias Cognitivas: As teorias de aprendizagem são muitas vezes criticadas por terem uma caixa negra para o comportamento humano. É salientado o que entra na caixa (estímulo) e o que sai da caixa (resposta) mas é prestada pouca atenção ao que se passa dentro da caixa. As teorias do interior são a principal preocupação das teorias cognitivas. A ideia principal das teorias cognitivas é que o comportamento de uma pessoa depende do modo como percepciona a situação social. Kohler e Koffka interessam-se em saber como é que os processos interiores do indivíduo impõem uma forma ao mundo exterior Princípios básicos: Uma ideia central para esta orientação é que as pessoas tendem espontaneamente a agrupar ou a categorizar objectos. Uma segunda ideia central é que percepcionamos imediatamente algumas coisas como sendo salientes (figura) e outras como estando atrás (fundo). Geralmente percepcionamos os estímulos coloridos, em movimento, barulhentos, únicos, próximos, como figura, e os estímulos suaves, monótonos, estacionários, quietos, longínquos, como fundo. Estes dois princípios não são só centrais para a nossa percepção de objectos físicos, são também centrais para a nossa percepção do mundo social, sendo importantes para o modo como interpretamos o que as pessoas sentem, querem e que tipo de pessoas são. Os princípios cognitivos estudam como é que as pessoas processam a informação, aborda o modo como processamos informação social acerca das pessoas, de situações sociais e de grupos. A investigação sobre a cognição social tem sido efectuada em três áreas: percepção social, memória social e julgamentos sociais. Ao nível perceptivo os psicólogos sociais interessam-se em como certas estruturas cognitivas nos ajudam a prestar atenção a vastas quantidades de informação acerca das outras pessoas e das situações sociais; Ao nível da memória social, os psicólogos sociais examinam como é que os indivíduos armazenam informação acerca de pessoas e de acontecimentos sociais. As representações que as pessoas têm nas suas cabeças acerca de pessoas e de acontecimentos chamam-se de esquemas; Ao nível dos julgamentos sociais, os psicólogos examinam os modos como as pessoas integram ou juntam informação para chegar a inferências e conclusões acerca do mundo social. Outra direcção de investigação cognitiva é o estudo de atribuições causais, ou seja, o modo como as pessoas usam a informação para determinar as causas do comportamento social. Nesta perspectiva teórica as pessoas são vistas como cientistas ingénuos que consideram ao mesmo tempo várias fontes de informação para efectuar conclusões sobre as causas do comportamento Contribuições: As teorias cognitivas permitem explicar situações que parecem numa primeira abordagem incompreensíveis. A orientação cognitiva não olha tanto para os 18
19 acontecimentos actuais quanto para os pontos de vista de cada elementos acerca desses acontecimentos. Exemplo: dois alunos que tiveram notas iguais mas as suas reacções foram completamente diferentes. 5.3 Teoria dos Papéis: Há autores que encaram a Psicologia Social como um domínio de encruzilhadas entre as disciplinas da Psicologia e da Sociologia. Ainda que seja possível delinear o seu começo nas concepções dos papeis teatrais há mais de dois milénios em autores gregos, foi George Herbert Mead (1913) que tornou o conceito de papel popular na sua análise do self em relação com as pessoas que nos rodeiam Princípios Básicos: Esta abordagem presta pouca atenção aos determinantes individuais do comportamento. Raramente recorre a conceitos de personalidade, atitudes, motivação, em vez disso o indivíduo é visto como um produto da sociedade em que vive e como um indivíduo que contribui para essa sociedade. A teoria dos papéis dá mais atenção a amplas redes sociais. O termo papel é central para esta abordagem. Pode definir-se como a posição ou função que uma pessoa ocupa no seio de um determinado contexto social (Shaw e Constanzo, 1982). Uma pessoa pode desempenhar simultaneamente vários papéis. Estes vários papéis são guiados por determinadas expectativas que os outros têm acerca do comportamento. Esses papéis também são guiados por normas que são expectativas mais generalizadas acerca do comportamento, internalizadas no decurso da socialização. Conflitos de papéis ocorrem quando uma pessoa ocupa diversas posições com exigências incompatíveis (conflito interpapel uma estudante tem de escolher entre estudar para o exame do dia seguinte ou sair com o namorado) ou quando um só papel tem expectativas que são incompatíveis (conflito intrapapel uma estudante tem de escolher entre estudar para um exame ou terminar um trabalho ambos para o dia seguinte) Contribuições: Este conceito dá conta da possível mudança de comportamento das pessoas quando a sua posição na sociedade muda. O conceito de doença mental pode ser revisto a partir da teoria dos papéis, acredita-se que o doente mental é o produto de uma personalidade perturbada que tem problemas profundos e duradoiros, nada tendo a ver com a sua situação. Todavia, segundo a teoria dos papéis, a doença mental é muitas vezes quase como alguém aprende um papel numa peça de teatro. A pessoa que entra num hospital psiquiátrico aprende a desempenhar o papel de um doente mental, a não aprendizagem destas regras acarreta castigos institucionais. Mais recentemente as ideias da teoria dos papéis têm contribuído para o incremento do estudo do autoconceito. O trabalho sobre este tópico tem mostrado que as pessoas 19
20 se comprometem activamente em estratégias comportamentais, para dirigir a impressão das outras pessoas a respeito de si próprias. 5.4 Uma comparação de teorias: Dimensão Conceitos centrais Comportamentos primários explicados Suposições acerca da natureza humana Factores que produzem mudança no comportamento TEORIA Teorias de Teorias cognitivas Aprendizagem Estímulo-resposta, Cognições, Reforço Estrutura cognitiva Aprendizagem de Formação e novas respostas; mudança de processo de troca crenças e de atitudes As pessoas são As pessoas são hedonistas; os seus seres cognitivos actos são que agem com base determinados por nas suas cognições padrões de reforço Mudança na quantidade, tipo, ou frequência de reforço Estado insconsistência cognitiva de Teoria do Papel Papel Comportamento no papel As pessoas são conformistas e comportam-se de acordo com expectativas de papéis Mudanças nas expectativas de papéis 6. A Psicologia Social Contemporânea: 6.1 Uma ciência em ebulição: O período actual caracteriza-se por uma explosão dos conhecimentos, das descobertas e das publicações (Bok, 1986). A maioria das publicações importantes aparecem em revistas americanas, a língua inglesa é a língua de eleição no domínio da psicologia social. 6.2 Uma plêiade de investigadores: Há um quarto de século o domínio da Psicologia Social era constituído por m monopólio reduzido de investigadores, hoje em dia são cada vez mais numerosos os investigadores que apresentam contribuições de valor para esta ciência. 6.3 Empregos em Psicologia Social: A psicologia social constitui um domínio muito popular na psicologia. A maioria dos empregos em psicologia social é obtida ao nível do ensino e da investigação, em postos de professores ou de cientistas em meio universitário ou secundário. 20
21 As competências de um psicólogo social podem ser exercitadas em muitas espécies de trabalho: investigação de mercado, sondagens de opinião pública, avaliação de investigação nos negócios e no governo (investigação que avalia os efeitos de novos programas), e análise estatística de dados comportamentais. 7. Perspectivas Internacionais: Enquanto que as raízes da psicologia social emergiram na Europa, grande parte da sua história tem sido amplamente dominada por investigadores dos Estados Unidos. Uma das razões importantes para esta mudança foi o crescimento do fascismo na Europa nos anos 30. O primeiro mundo (Estados Unidos) exporta conhecimento psicológico para o segundo nações industrializadas como Canadá, Grã-Bretanha, Austrália, França e Rússia), e terceiro (Índia, Nigéria e Cuba) mundos, sendo por sua vez pouco influenciado pela psicologia dos outros dois mundos. O terceiro mundo é sobretudo importador de conhecimentos psicológicos. Os psicólogos nos três mundos estão cada vez mais a ser sensíveis até que ponto a psicologia do primeiro e segundo mundos é relevante para as sociedades do terceiro mundo (Moghaddam, 1987). Cada vez mais se assiste a investigações e experiências psico-sociais são levadas a cabo em diferentes culturas dos diferentes mundos. Tudo leva a crer que anos vindouros surja uma ciência mais rica, fecundada por cruzamentos de ideias e de dados de diversas culturas. Aplicações: O Estudo da Caverna dos Ladrões (pág. 117; 118) Resumindo: Há vários modos de caracterizar a psicologia social: 1) A psicologia social pode definir-se como o estudo de como as pessoas influenciam os pensamentos, sentimentos e acções de outras pessoas; 2) A disciplina tem vários tópicos fundamentais; 3) A psicologia social tem relações próximas com outras ciências sociais, especialmente a sociologia e a psicologia; 4) Embora enfatizem diferentes questões, quer psicólogos quer sociólogos contribuíram para a psicologia social. Ainda que a interpretação do comportamento social remonte a vários milénios, o estudo científico deste último é recente. Como a psicologia, a psicologia social tem as suas raízes no questionamento filosófico. A investigação em psicologia social foi fortemente influenciada pelo espírito do tempo (Zeitgeist). A psicologia social é simultaneamente uma ciência comportamental e social. É aceite como ciência na medida em que obedece a todos os requisitos do método científico: descrição, previsão e controlo; Há três orientações teóricas principais na actual Psicologia Social: as teorias de aprendizagem, as teorias cognitivas e a teoria do papel; 21
22 Hoje em dia a psicologia social tornou-se um sector em ebulição. Numerosos tópicos são estudados e várias mini-teorias foram formuladas para o explicar. Ao nível das aplicações a psicologia social sociológica e a psicologia psicológica deveriam ser estudadas conjuntamente porque cada uma complementa a outra e cada uma tem desvantagens que podem ser compensadas em parte pelas vantagens da outra. II. SELF 1. Introdução: Já aconteceu estar numa festa muito barulhenta e ouvir alguém do outro lado da sala referir o seu nome? Este é o chamado fenómeno sarau-cocktail, ou seja, a capacidade em apreender um estímulo relevante para si próprio num meio complexo (Moray, 1959). Para os psicólogos cognitivos o fenómeno denota que as pessoas são selectivas na sua percepção dos estímulos. Já os psicólogos sociais tal ilustra também que o self não é só mais um estímulo social. Pode tratar-se do mais importante objecto da nossa atenção. O self engloba as características que uma pessoa reclama como sendo suas e ás quais dá um valor afectivo. Ao longo da história, filósofos, poetas e estudiosos da personalidade apresentam o self como sendo um aspecto estável da personalidade humana. Enquanto que os psicólogos sociais acham que o self pode, de certo modo, ser maleável mudando de uma situação para a outra. Tendo o self diferentes rostos (Markus e Kunda, 1986). O self é uma construção social que se forma mediante a interacção com outras pessoas. O self constitui a base das interacções sociais afectando um amplo leque de comportamentos sociais. Grupos e organizações podem contribuir para a emergência do self, no entanto só o indivíduo tem self. O self social é o domínio natural do psicólogo social. 2. O Self em Psicologia Social: Desde há séculos que diversos pensadores têm abordado a natureza do self. Platão considerou o self equivalente à alma e sentiu que era o lugar da sabedoria; Buda acreditou que cada um de nós cria o seu próprio sentido de identidade pessoal, mas esta autocompreensão é muitas vezes distorcida e incompleta; Decartes baseou o self na nossa capacidade em pensar; Hume considerou o self como equivalente com experiências de percepção; Kant notava que o self não é tanto a nossa perspectiva de quem acreditamos que somos como do que somos realmente (Baumeister, 1987; Hattie, 1992). 22
23 O self ajuda-nos a compreender o nosso comportamento. Ele pode efectivamente ajudar a percepcionar-nos, como uma pessoa com certas atitudes, valores ou comportamentos. Podemos qualificar o final do século dezanove e o início do século vinte de idade de ouro do self. Os primeiros teóricos do self exprimiam à sua maneira a ideia de que não só nos conhecemos através dos outros, como também que a nossa compreensão dos outros depende do conhecimento que temos de nós próprios. Um artigo publicado em 1913 por John Watson pôs fim à idade de ouro do self. Watson defendia que o self não pode ser medido e que por isso não deveria ser objecto de estudo científico. É impossível saber com precisão o que se passa na cabeça de outra pessoa. Nas décadas de 60 e 70 a investigação sobre o self floresceu na psicologia clínica. Hoje em dia, na psicologia social contemporânea, o self e construtos conexos constituem materiais importantes de explicação do comportamento social. Este breve sobrevoo histórico faz ressaltar três pontos: O primeiro é que o autoconceito não é certamente indispensável para a psicologia social e que é possível analisar o comportamento social sem recorrer a ele; Em segundo, vários teóricos defendem mesmo que não seja indispensável, o auto conceito pode ser muito útil; Em terceiro lugar o uso científico do autoconceito suscita vários problemas em psicologia social. 3. Definindo o Self: autoconceito: Existem diferentes tipos de processo de definição do self, ou seja diferentes maneiras de se definir. O conceito de self foi discutido em pormenor por muitos teóricos, tais como William James (1890), Charles Cooley (1902/ 1922), George Herbert Mead (1934) e Harry Sullivan (1953). Embora todos estes autores realcem mais certos aspectos do self, todos eles concordam sobre a construção do self. O autoconceito pode ser definido como o conjunto de pensamentos e sentimentos que se referem ao self enquanto objecto (Rosenberg, 1979). O autoconceito não constitui necessariamente uma visão objectiva do que somos, mas antes um reflexo de nós próprios tal qual nos percepcionamos. 3.1 Componentes do autoconceito: William James (1890) descreveu a dualidade básica que está no âmago da nossa percepção do self Em primeiro lugar o self é composto pelos nossos pensamentos e crenças acerca de nós próprios, o que James denominou de conhecido ou mais simplesmente o mim. O conceito de James do mim contém três componentes distintos. Mim, o self conhecido: Características que cremos possuir; O self como um objecto de reflexão 23
24 Self material: O corpo de uma pessoa, Possessões físicas Self espiritual; Traços de personalidade, atitudes, valores, percepções sociais Self social: O que amigos, namorado, pais, professores, etc., conhecem de mim Em segundo lugar o self é também o processador activo de informação, o conhecedor ou o eu. O seu self é simultaneamente um livro, repleto de conteúdos fascinantes recolhidos ao longo do tempo, e o leitor do livro pode ter acesso a um determinado capítulo ou acrescentar um novo. 3.2 Autoconceito de trabalho: Nem sempre damos a mesma resposta à questão Quem sou eu? dado que só se pode ter acesso cognitivamente a uma parte do self de cada vez. Recolheu informação sobre si durante muitos anos, por isso o seu autoconceito de trabalho inclui somente os atributos que são activados pela situação social actual (Markus e Kunda, 1986; Markus e Nurius, 1986). A saliência de certas características no autoconceito espontâneo pode ser influenciado pelo meio. O autoconceito reflecte muitas vezes características da identidade que tornam as pessoas distintas das que as rodeiam. O autoconceito de trabalho inclui geralmente as características menos comuns. O autoconceito espontâneo pode também ser influenciado pelas circunstâncias imediatas. O autoconceito pode também ser influenciado pelo meio cultural mais amplo. Características políticas e sociais podem afectar as auto-representações. As três dimensões mais importantes da identidade postas em evidência, por meio de recurso a análises multidimensionais foram as referências identificatórias sociais, nacionais e as psicológicas. Definimo-nos a nós próprios tendo em conta as nossas diferenças em relação a outras pessoas, o que ilustra a importância dos factores sociais do autoconceito. O nosso autoconceito armazena uma vasta quantidade de informação acerca das nossas experiências e relações sócias. Todavia qualidades que nos diferenciam de outras pessoas tendem a ser mais salientes que os nossos atributos mais comuns. 3.1 Auto-esquemas: Esquemas são colecções organizadas de informação acerca de algum objecto. Por isso um auto-esquema é um tipo especial de esquema construído com tudo o que conhecemos, pensamos e sentimos acerca de nós próprios. Para Hazel Markus, 1977, os auto-esquemas são generalizações cognitivas acerca do self, derivadas da experiência passada que organizam e guiam o tratamento de informação que se refere a si próprio contida nas experiências sociais do indivíduo. Como qualquer outro esquema, um auto-esquema não só organiza, como também guia o processamento de informação. Isto significa que os nossos auto-esquemas podem 24
25 influenciar as nossas percepções, memória e inferências acerca de nós próprios (Fiske e Taylor, 1991). Hazel Markus (1977) conduziu uma experiência para investigar os efeitos de autoesquemas sobre o processamento de informação. Markus, formulou a hipótese de que os sujeitos esquemáticos seriam capazes de decidir mais depressa se as palavras relevantes dos seus auto-esquemas os descrevessem a eles próprios do que os aesquemáticos, porque ter um esquema faria com que fosse mais fácil para eles processar informação relevante para os esquemas. Os auto-esquemas não se limitam só a material verbal. Parte do nosso autoconceito implica imagens visuais. As pessoas com um autoconceito complexo acham ser relativamente mais fácil absorver as contrariedades da vida (Linville, 1985). Se uma pessoa só tem uma ou duas identidades principais, qualquer acontecimento único pode ter um impacto na maior parte dos aspectos do autoconceito. Por exemplo se uma mulher se vê sobretudo como esposa, fica arrasada quando o casamento acaba. Mas se por exemplo se se vê não só como esposa mas também como mãe, engenheira, amiga e nadadora, terá outros papeis a que se agarrar se o papel de esposa já não está disponível. 3.4 Memória Autobiográfica: Os auto-esquemas afectam também o modo como relembramos o passado. Sem memória autobiográfica, ou seja, as nossas lembranças da sequência de acontecimentos que tocaram a nossa vida (Rubin, 1986), não teríamos autorepresentações. Quem seríamos nós se não pudéssemos lembrar-nos dos pais, dos colegas de infância, dos lugares onde vivemos, da experiência havida com pessoas em determinados locais? Greenwald (1980) propôs que o self actua como o ego totalitário que processa a informação de modo enviesado. Este autor identificou três viés principais: egocentração, beneficiação e conservadorismo cognitivo Egocentração: Descreve a tendência para o julgamento e a memória se focalizarem no self. Acontecimentos que afectam o self são lembrados melhor que informação que não é relevante para o self. Perguntou-se a casais até que ponto tinham contribuído nos problemas de casa, em média cada um respondeu que tinha efectuado a contribuição principal cerca de 70% das vezes. Trata-se de uma impossibilidade lógica reflectindo o viés egocêntrico. Para além destas tendências egocêntricas há a crença que as pessoas têm de controlar acontecimentos que ocorrem meramente por acaso A egocentração também se manifesta no viés do falso consenso, ou seja, a tendência geral para as pessoas acreditarem que a maior parte das pessoas se comporta e pensa como nós (Ross, Greene e House, 1977). Outra forma de egocentração no autoconhecimento é a crença que tem a maior parte das pessoas que são melhores que a média em qualquer categoria ou traço socialmente desejável (Felson, 1981) 25
26 3.4.2 Beneficiação: Este processo opera quando tiramos conclusões acerca de nós próprios a partir das nossas acções. Para mantermos um conceito positivo do self, chamamos a nós o sucesso e negamos a responsabilidade pelo fracasso. A beneficiação é um viés da autocomplacência que preserva o nosso sentido de competência. Exp., estudantes tiram boas notas dizem que os exames foram elaborados de modo correcto se pelo contrário tiram más notas dizem que o exame estava mal elaborado ou que o examinador não soube corrigir o exame. Este viés é muitas vezes apresentado como universal, sendo específico a certos elementos da cultura ocidental. Numa série de investigações efectuadas no Japão (Markus e Kitayama, 1991) não foi evidenciado nenhum viés de auto-valorização na comparação social, produzindo-se o inverso, um forte viés de auto-apagamento Conservadorismo cognitivo: Significa que os nossos autoconceitos tendem a resistir á mudança. A maior parte das vezes as pessoas em situações susceptíveis de reforçar os seus auto-esquemas existentes, procurando confirmar informação e evitar situações que possam suscitar informação inconsistente. Apesar da tendência a resistir à mudança, os nossos autoconceitos, atitudes e valores podem mudar com o tempo. Quando tal acontece, as pessoas mantêm a sua imagem de consistência distorcendo a sua memória das suas atitudes anteriores, lembrando-as como estando mais perto das atitudes actuais do que realmente estavam (Bem e McConnel, 1970). A memória aparece como sendo maleável e é reconstituída para permitir que uma pessoa mantenha uma perspectiva consistente do seu self. 3.5 Origens do Self: Avaliação reflectida: O autoconceito inclui crenças acerca das nossas características e uma avaliação de cada característica, quer se trate de aspectos positivos ou negativos. Muitos de nós gostaríamos que o nosso autoconceito não estivesse dependente do que os outros dizem, todavia uma fonte de informação central acerca do autoconceito são as reacções que as pessoas têm em relação a nós, tais como amigos, familiares, professores, colegas, dizem a nosso respeito. Cooley (1902) afirma que aprendemos acerca de nós próprios através dos outros. As pessoas que estão à nossa volta agem como um espelho social, reflectindo e dizendonos que somos. As avaliações reflectidas são percepções das pessoas sobre o modo como outras pessoas as vêem. A importância das avaliações reflectidas para modelar o autoconceito tem sido ressaltada por investigação que mostra que as auto-avaliações estão geralmente correlacionadas de modo positivo com o que as pessoas pensam dos outros (Shrauger e Schoeneman, 1979). Todavia a informação dos outros nem sempre é percepcionada de modo totalmente correcto. As nossas atitudes, valores e outras partes dos nossos auto-esquemas podem fazer com que haja uma distorção da informação recebida Comparação Social: Como é que um estudante pode decidir em que medida é inteligente? O que lhe é transmitido pelos pais, professores, os resultados de um teste de inteligência ou outras fontes externas são susceptíveis de fornecer alguma informação. Outro modo de 26
27 avaliar a inteligência é através da comparação do seu nível de inteligência com o dos colegas. Festinger (1954), um dos teóricos que mais influenciou a moderna psicologia social, desenvolveu a teoria da comparação social para explicar este processo. A sua teoria afirma que na sua ausência de um padrão físico ou objectivo de exactidão, procuramos as outras pessoas como meio para nos avaliarmos. As comparações com os outros podem pôr em evidência comparações positivas, também podem salientar que as pessoas são piores que outras. As crianças podem ser especialmente vulneráveis a estas comparações negativas, uma vez que o seu autoconceito se está a desenvolver Comparação Temporal: As pessoas podem também auto-avaliar-se efectuando comparações entre o seu self presente e o seu self passado, ou seja, efectuando comparações temporais (Albert, 1977). Frequentemente as pessoas efectuam comparações entre a sua realização passada e actual. As avaliações efectuadas com base nas tendências temporais podem ser fonte de satisfação quando a realização melhorou (Campbell, Fairey e Fehr, 1986). Quando se efectuam comparações temporais pode haver uma relativa distorção. As pessoas podem esquecer-se até que ponto mudaram. As pessoas podem ser historiadores revisionistas na medida em que têm a capacidade de reescrever as suas histórias pessoais do modo que lhes convém (Ross e McFarland, 1988) Autopercepção: Uma outra fonte de informação acerca do self baseia-se nas inferências e observações que as pessoas fazem quando observam o seu próprio comportamento. A teoria da autopercepção propõe que as pessoas conhecem as suas próprias atitudes, emoções e outros estados internos, parcialmente inferindo-os de observações do seu próprio comportamento e ou de circunstâncias com que este comportamento ocorre (Bem, 1972). A teoria da autopercepção tem implicações importantes para a motivação humana. Quando se paga às pessoas para fazerem algo, elas não gostam tanto desse trabalho como quando elas o fazem e não são pagas ou quando iniciam elas próprias a acção (Derci e Ryan 1980). Realizar uma acção sem razões externas claras leva o autor a inferir que deve ter valores que levem a este comportamento. 3.6 O Self num Contexto Cultural: O nosso sentido do self combina aspectos privados ou internos de uma pessoa e aspectos mais públicos ou sociais de alguém que se identifica com vários grupos, sejam eles grupos culturais, raciais, religiosos, políticos, sexuais, etários ou profissionais, etc. Os aspectos mais privados do self fornecem-nos um sentido de identidade pessoal, ao passo que os aspectos mais públicos do self propiciam-nos um sentido de identidade social (Tajfel e Turner, 1979). Um sentido do self mais privado e separado dos outros tem sido sugerido como sendo típico das culturas ocidentais, ao passo que um sentido do self mais socialmente integrado, tem sido apresentado como sendo mais típico das culturas orientais. 27
28 O desenvolvimento de um sentido do self foi visto como ocorrendo só através de interacção com outras pessoas e com a sociedade A importância de um grupo para o sentido do self: A pertença grupal é muito importante para o autoconceito de uma pessoa. A sua identidade social é aquela parte do seu autoconceito que advém de ser membro de grupos sociais e da identificação com eles. Distingue-se da identidade pessoal que engloba os aspectos únicos e individuais do seu autoconceito. Muitas vezes o nosso sentido de valor do self está ligado ao grupo a que pertencemos ou com que nos identificamos. Uma proposição fundamental da teoria da identidade social é a de que os indivíduos procuram manter ou realizar uma identidade social positiva e distintiva. Em primeiro lugar, estamos preocupados com que o nosso grupo se possa distinguir de outros grupos, o que nos assegura uma identidade. Em segundo lugar, estamos também preocupados com que os nossos grupos sejam avaliados positivamente em relação a outros grupos existentes na sociedade. Para se estabelecer se o nosso grupo tem uma identidade social positiva ou negativa usa-se a comparação social intergrupal. Comparamos o estatuto e o respeito do nosso grupo com outros grupos na sociedade. Os teóricos da identidade social caracterizam os numerosos movimentos nacionalistas e étnicos que têm ocorrido no mundo como exemplos de luta por uma identidade social avaliada de modo positivo e separado. A identidade social tem implicações no domínio do preconceito e da discriminação Self e cultura: Identidade social através das culturas: Um dos aspectos mais importantes da identidade social de uma pessoa é a sua cultura que tem sido definida como o sistema organizado de significações, percepções e crenças partilhadas por pessoas que pertencem a um grupo particular (Neto, 1997). A compreensão partilhada de uma cultura passa de geração em geração e simultaneamente modela e é modelada por cada geração sucessiva. Influência do individualismo-colectivismo na estrutura do self: Ponto de vista individual O self deve ser independente do grupo; O auto-conceito é sobretudo definido por atributos internos; As pessoas são socializadas por forma a serem únicas, a validarem os seus atributos internos, a promoverem os seus próprios objectivos e a dizerem o que pensam; A auto-estima baseia-se na capacidade de se auto-exprimir e na capacidade de validar atributos internos. Ponto de vista colectiva O auto-conceito é dependente do grupo; O auto-conceito é prioritariamente definido pelos papéis e pelas relações sociais; As pessoas são sociabilizadas por forma a pertencerem e ocuparem o seu lugar e envolverem-se em grupos adequados e a lerem as mentes dos outros ; A auto-estima baseia-se na capacidade de cada um se ajustar ao grupo, restringir os seus próprios desejos e manter a harmonia social. 28
29 Este quadro mostra como as diferenças culturais a propósito do individualismocolectivismo influenciam a estrutura do autoconceito. Triandis (1989) refere as distinções entre o self privado (a avaliação do self por si próprio), o self público (a avaliação do self por um outro generalizado) e o self colectivo (a avaliação do self por um grupo de referência particular). Este autor defende que a probabilidade de que um individuo escolha cada um destes três aspectos do self varia segundo as culturas. 4. Avaliando o Self: auto-estima: O conceito de auto-estima é um dos que ocorre com muita frequência na literatura sobre auto-representações. A auto-estima refere-se à avaliação de si próprio (a), seja de modo positivo ou de modo negativo, contendo julgamentos sociais que as pessoas internalizaram. Também abarca numerosos auto-esquemas; as pessoas avaliam-se a elas próprias de modo favorável nalguns aspectos, mas não noutros (Fleming e Courtney, 1984). Autoconceito e auto-estima não são totalmente independentes. Não se pode valorizar algo a não ser que já se tenha uma ideia clara do que é. E, inversamente, ter uma ideia clara de algo inclui certamente sentimentos avaliativos disso, ambos estão ligados. 4.1 Avaliação da auto-estima: A nossa auto-estima global depende do modo como avaliamos as nossas identidades de papéis específicos, isto é, conceitos do self em papéis específicos (estudante, amigo, filha, ) e as qualidades pessoais. Avaliamos cada uma delas como sendo relativamente positivas ou negativas. Segundo a teoria, o nosso nível global de auto-estima é o produto destas avaliações individuais, como cada identidade pesada segundo a sua importância (Rosenberg, 1965). Habitualmente estamos inconscientes do modo preciso como combinamos e pesamos as avaliações das nossas identidades específicas. Se pesamos as identidades avaliadas positivamente como mais importantes, podemos manter um elevado nível global de auto-estima ainda que admitindo uma certa fraqueza. Se damos muito peso às identidades avaliadas negativamente teremos baixa auto-estima global mesmo s temos muitas qualidades de valor. Uma das mais populares medidas de auto-estima é a escala elaborada por Rosenberg (1965), permitindo prever emoções e comportamentos das pessoas. 4.2 Desenvolvimento da auto-estima: As raízes da auto-estima mergulham na infância. Segundo Gordon Allport (1961), a auto-estima torna-se uma parte importante da auto-consciência entre os 2 e 3 anos. Por essa altura as crianças começam a exercer controlo sobre elas próprias e sobre os outros objectos. Se fracassam constantemente ou são frustradas nas suas tentativas de autonomia, a sua auto-estima ressente-se. Uma baixa auto-estima na idade adulta na idade adulta pode desenvolver-se a partir de experiências infantis desagradáveis, tais como medo de castigo, preocupações com as 29
30 notas escolares, ou a percepção de que uma pessoa é feia (Kaplan e Pokorny, 1970). Outras experiências negativas da infância associadas a uma baixa auto-estima incluem a hospitalização de um dos pais por doença mental, um outro casamento de um dos pais, ou a morte de um pai (Kaplan e Pokorny, 1971). 4.3 Auto-estima e comportamento: A auto-estima tem uma grande influência na vida quotidiana. As pessoas com elevada auto-estima muitas vezes comportam-se de modo bastante diferente das pessoas com baixa auto-estima. A investigação indica que alta auto-estima está associada com implicação social activa e propiciadora de conforto, ao passo que baixa auto-estima é um estado debilitante (Rosenberg, 1979; Wylie, 1979). Crianças, jovens e adultos com elevada auto-estima são sociáveis e populares com os seus colegas, confiam mais nas suas próprias opiniões e julgamentos e estão mais seguras das percepções de si próprias (Campbell, 1990). São mais assertivas nas suas relações sociais, mais ambiciosas, e obtém melhores resultados académicos. Pelo contrário os estudantes com baixa auto-estima envolvem-se menos em discussões e nos grupos formais e usualmente não acedem à liderança. As pessoas com baixa auto-estima são infelizes e vêem-se a elas próprias como fracassadas. Uma vez que prevêem fracasso no futuro, não tentem tarefas difíceis e abandonam o que apresenta obstáculos (Coopersmith, 1967; Ickes e Layden, 1978; Rosenberg, 1965). 4.4 Variações na Auto-estima: Muito embora os níveis de auto-estima sejam relativamente estáveis, pode no entanto haver variações. Muitas vezes essas variações ocorrem alguns minutos, outras vezes durante anos Adolescência: Os acontecimentos da adolescência podem abanar a auto-estima. Tanto a transição para o terceiro ciclo do ensino básico como o início da puberdade podem ser traumáticos. O crescimento rápido e outras mudanças podem causar grandes estragos na imagem corporal e lançar desordem na auto-estima. Alguns desses efeitos podem ainda persistir na idade adulta. Contudo, de modo gradual, a auto-estima recompõe-se e continua a aumentar até à idade adulta Experiências: A investigação mostra que as boas avaliações dos professores, dos experimentadores ou dos (as) namorados (as) levantam a auto-estima, e as más avaliações baixam-na, pelo menos temporariamente (Metalsk, 1993). Mesmo circunstâncias que produzem um aumento ou abaixamento temporário no nosso estado de espírito podem produzir um efeito correspondente na nossa autoestima (Esses, 1989) Identidade étnica de grupos minoritários: Muitas vezes tentamos aumentar a nossa auto-estima à custa dos outros. Fazemos tal sobreavaliando os grupos e os membros dos grupos com que nos associamos, ou seja, que formam a nossa identidade social, e subavaliando outros grupos e seus membros. Os membros de minorias étnicas podem ter problemas especiais no desenvolvimento da auto-estima positiva. Por causa de preconceitos, os membros de grupos 30
31 minoritários podem ter uma imagem negativa deles próprios como reflexo das avaliações das outras pessoas. Por isso poder-se-á defender que membros de grupos minoritários interpretarão as suas realizações como evidenciando a sua falta de valor e de competência. A maioria dos estudos oferecem pouco apoio para a conclusão que as minorias étnicas têm uma auto-estima substancialmente mais baixa. Há estudos que indicam que as minorias negras têm uma auto-estima tão alta ou um pouco mais alta que os brancos (Rosenberg e Simmons, 1972; Rotheram-Barus, 1990). Um modo como as minorias étnicas se têm confrontado com a intolerância é mediante a redescoberta da sua própria herança étnica e a rejeição activa dos estereótipos negativos da sociedade (Sandstrom, 1991). A identidade étnica que é um tipo de identidade social, é o sentido de identificação pessoal de um indivíduo com um determinado grupo étnico (Hutnik, 1991). Jean Phiney (1989) propôs um modelo de formação da identidade étnica em três estados: Estádio 1: Identidade étnica não examinada: Falta de exploração da etnicidade, em virtude da falta de interesse ou de ter adoptado simplesmente opiniões sobre etnicidade de outras pessoas. Estádio 2: Busca de identidade étnica: Envolvimento na exploração e na procura da compreensão do sentido da própria etnicidade, muitas vezes por causa de algum incidente critico que focalizou a atenção no estatuto na minoria da cultura dominante. Estádio 3: Identidade étnica realizada: Sentido claro e confiante da sua própria identidade; capaz de identificar e de internalizar os aspectos da cultura dominante que são aceitáveis e revoltar-se contra os que são opressores. Resumindo, a auto-estima é uma disposição relativamente estável, correlacionada muitas vezes com outros indicadores de adaptação psicológica. Experiências infantis, em especial os estilos educativos dos pais, criam um padrão para a auto-estima aquando da idade adulta. Todavia a auto-estima também flutua com as circunstâncias. As mudanças físicas da puberdade, acontecimentos vitais significativos, a identificação com os grupos étnicos e mesmo estados de espírito efémeros podem modificar o modo como nos sentimos acerca de nós próprios. 4.5 Autodiscrepâncias: As listas que se seguem representam auto guias, ou padrões pessoais: 1) O Self que gostaria de ser, englobando todas as esperanças e objectivos (o self ideal); 2) As características que as pessoas mais importantes (exp, pais, professores, etc) desejam que atinja (o self ideal para os outros); 3) As características que sente que deve ter em termos de um sentido de dever, responsabilidade e obrigações para os outros (o self devido); 31
32 4) As características que outras pessoas importantes sentem que deve ter (o self devido aos outros). Com base na teoria da autodiscrepância (Higgins, 1989) podem-se usar estas listas para predizer não só o nível de auto-estima, como também o seu bem-estar emocional. Efeitos de discrepâncias com o auto-conceito. As emoções e possíveis desordens associadas com quatro tipos de autodiscrepâncias: Discrepância Estado emocional Desordem Deveres próprios Agitação por auto-critíca (culpa) Deveres dos outros Agitação por medo e ameaça (vergonha) Ideais próprios Desânimo por falta percepcionada de autorealizacão (desilusão) Ideais dos outros Desânimos por perca antecipada de afecto social (falta de orgulho) Ansiedade Ansiedade Depressão Depressão Segundo Higgins (1989) as consequências emocionais da autodiscrepância dependem de dois factores: a quantidade e a acessibilidade. Quanto maior seja a quantidade de discrepância, mais intenso será o desconforto emocional, e quanto mais conscientes estejamos desta discrepância mais intenso será o desconforto. 4.6 Autoconsciência: A auto-focalização, ou seja, em que medida a atenção de uma pessoa está dirigida para dentro de si em oposição para fora de si, para o meio (Fiske e Taylor, 1991), está ligada à memória e à cognição. Só nos podemos focalizar em nós próprios se relembrarmos acontecimentos passados relevantes e processarmos informação actual relevante. Um breve período de autofocalização é susceptível de melhorar o autoconhecimento. Com base num total de observações, somente 8% dos pensamentos registados eram sobre o self. A atenção dos sujeitos estava muito mais focalizada em actividades específicas que ocupavam o seu tempo, como trabalho, tarefas quotidianas ou que não tinham nenhuns pensamentos. Ainda com mais interesse é que quando os indivíduos pensavam sobre eles próprios, referiam que se sentiam relativamente infelizes e que desejavam fazer outra coisa Estados de autoconsciência: Segundo Robert Wicklund e seus associados, na sua teoria de autoconsciência, geralmente não estamos autofocalizados; no entanto certas situações levam-nos de modo previsível a voltarmo-nos para o interior e a tornarmo-nos objecto da nossa própria atenção. Sabe-se que em certos tipos de contextos sociais aumentam a autoconsciência. A autoconsciência pode ser induzida pelo facto de nos vermos num espelho, de ouvirmos a nossa voz gravada, de sermos fotografados, de estarmos num contexto não habitual, ou de estarmos em minoria num grupo. 32
33 Segundo Robert Wicklund a autoconsciência induz um processo de auto-avaliação em que as pessoas começam a focalizar-se até que ponto o seu comportamento se compara com normas, regras ou padrões que se integram no autoconceito. Muitas vezes esta auto-avaliação revela uma discrepância entre a sua condição habitual ou comportamento e os seus padrões ou objectivos. Se a comparação do self com o padrão é positiva, as pessoas poderão então sentir-se bem e até procurar mais auto-refleção. Perante o desconforto, as pessoas têm dois recursos: comportar-se de modo a reduzir a discrepância ou fugir do estado de autoconsciência. A escolha efectuada depende se as pessoas esperam poder reduzir com sucesso a sua discrepância Diferentes tipos de autoconsciêcia: A autoconsciência privada diz respeito à capacidade de prestar atenção aos sentimentos e pensamentos pessoais ( penso muito sobre mim próprio ); A autoconsciência pública define-se como uma consciência geral do próprio enquanto objecto social que tem um efeito sobre os outros ( preocupo-me com a maneira como me apresento ); A ansiedade social define-se pelo mal-estar em presença dos outros ( sinto-me ansioso quando falo perante um grupo ). A autoconciência privada e pública referem-se a um processo de atenção centrada no próprio, enquanto que a ansiedade social desponta como reacção a este processo. Embora os sujeitos autoconscientes privada e publicamente estejam nalgum sentido atentos a eles próprios, os seus diferentes modos de estar auto-atentos deveriam acarretar diferentes espécies de comportamentos, havendo evidência para tal O que é que causa diferenças individuais na autoconsciência: Experiências de vida significativas durante os anos de formação; Efeitos culturais há alguma evidência que individualistas têm maiores níveis de autoconsciência privada que colectivistas. 4.7 Protecção da auto-estima: As pessoas estão motivadas a proteger a sua auto-estima, seja ela alta ou baixa, As pessoas utilizam várias técnicas para manter a sua auto-estima (McCall e Simmons, 1978) referiram quatro: Manipulação de avaliação: Associação com pessoas que partilham a nossa perspectiva do self e evitamos fazê-lo com pessoas que as não partilham; e interpretar as avaliações das outras pessoas como sendo mais favoráveis ou desfavoráveis do que são; Processamento selectivo de informação: Prestar mais atenção às ocorrências que são consistentes com a nossa auto-avaliação (a memória também trabalha na protecção da auto-estima; pessoas com alta autoestima lembram actividades boas, responsáveis e bem sucedidas mais frequentemente, 33
34 ao passo que as pessoas com baixa auto-estima são mais susceptíveis de relembrar as actividades más, irresponsáveis e mal sucedidas); Comparação social selectiva: Quando não dispomos de padrões objectivos para nos avaliarmos a nós próprios, recorremos a comparação social. Escolhemos com cuidado as pessoas com que nos comparamos, podemos adicionalmente proteger a nossa auto-estima (geralmente comparamo-nos com pessoas que são semelhantes em idade, género, profissão, classe social, capacidades e atitudes uma vez que as pessoas fazem uma comparação social, tendem a sobreavaliar os seus padrões relativos); Compromisso selectivo com identidades: Protege auto-estima global porque a auto-avaliação está baseada mais nas identidades e qualidades pessoais que consideramos mais importantes (as pessoas tendem a enaltecer a auto-estima dando mais importância a identidades, religiosas, raciais, profissionais, familiares, que consideram particularmente admiráveis. Aumentam ou diminuem também a identificação com um grupo social quando o grupo se torna uma fonte potencial de auto-estima maior ou menor. 5. Relacionando o Self: auto-apresentação: Os psicólogos sociais utilizam o termo auto-apresentação para referir os processos pelos quais as pessoas tentam controlar as impressões que os outros formam. 5.1 O self nas interacções sociais: Cooley (1902/1922) e Mead (1934), autores que se inscreveram na corrente do interaccionismo simbólico sublinharam que os participantes tentam tomar o papel do outro e ver-se a si próprios da maneira como os outros os vêem. Este processo permite simultaneamente conhecer o modo como se aparece aos outros e guiar o comportamento social para ter o efeito desejado. Erving Goffman sugeriu que a vida social é como uma representação teatral em que a representação de cada participante é delineada tanto pelo efeito no público como pela expressão aberta do self. Os participantes desempenham papéis e tentam manter as suas identidades sociais mediante autoapresentações que sejam apropriadas. Goffman defendeu que cada pessoa segue um papel, à semelhança do que acontece numa peça. A principal característica do papel é a aparência, o valor social positivo obtido da interacção. O objectivo da interacção social não é manter a aparência. Manter a aparência é uma condição para que a interacção social continue. Incidentes que ameaçam a aparência de um participante ameaçam também a sobrevivência da relação. É por isso que quando acontecimentos desafiam a aparência de um participante, iniciam-se correctivos para impedir que o embaraço possa interferir na conduta. Alexander, sugeriu também que a auto-apresentação é uma faceta fundamental da interacção social. As identidades tendem a ser situadas, isto é, as identidades são muitas vezes apropriadas com a base para as interacções unicamente em certas situações (ex.: a relação professor-aluno que se verifica numa sala de aulas não é apropriada quando as 2 pessoas se encontram num café). 34
35 Estas três teorias de auto-apresentação estão em consonância ao considerar que as outras pessoas estão sempre a formar impressões a nosso respeito e utilizam estas impressões para orientar as suas interacções connosco. 5.2 Motivos da auto-apresentação: Na gestão da impressão foram identificados 2 componentes: Impressão motivação refere-se até que ponto se está motivado para controlar o modo como os outros nos vêem, para criar uma impressão particular nas mentes dos outros. Resulta de 3 motivos primários: o desejo de obter recompensas sociais (aprovação, amizade e poder) e materiais (subida de ordenado); para manter ou para aumentar a auto-estima; e para facilitar o desenvolvimento de uma identidade. Impressão construção implica a escolha de uma imagem particular que se quer criar e alterar o comportamento de outra para modos específicos em vista a realizar este objectivo. A auto-apresentação pode ser também um meio de criar ou reforçar uma identidade. Comportamentos de auto-apresentação que obtêm recompensas também aumenta a auto-estima e ajuda a estabelecer identidades desejadas. 5.3 Auto-apresentação e embaraço: Uma auto-apresentação bem sucedida é uma condição sine qua non para toda a interacção social. Uma auto-apresentação bem sucedida suscita uma auto-imagem positiva (Jones, Rhodewalt, Berglas e Skelton, 1981). Se o papel é mal desempenhado, o sujeito perde a face. Há então divergência entre a identidade que este apresentar e a identidade resultante. A pessoa em causa encontrase numa situação difícil. O embaraço é uma emoção desagradável quando cremos que não podemos representar um papel de modo coerente numa situação pública Embaraço, uma forma de ansiedade social: O embaraço é geralmente visto como uma forma de ansiedade social intimamente relacionado com a timidez, a ansiedade em público e a vergonha emoção caracterizada por sentimentos de culpa, embaraço e evitamento. A timidez, surge quando há uma discrepância antecipada entre a auto-apresentação de uma pessoa e o seu padrão para a auto-apresentação ou quando a resposta de um sujeito depende em grandes parte das respostas dos outros, isto é, situação de desconforto, embaraço e inibição na presença de outros (Neto, 1996). Assim, a Vergonha reflecte um desvio de um ideal objectivo e universal do que é ser uma pessoa de valor. Normalmente refere-se a sentimentos de auto-estrada ou de auto repugnância. O Embaraço reflecte desvio da concepção do indivíduo do seu carácter ou pessoa. Surge provavelmente quando é percepcionada uma discrepância entre a auto apresentação de uma pessoa e o seu padrão para a auto apresentação (Asendorpf, 1984). 35
36 MOTIVOS PRIMÁRIOS PARA A AUTO-APRESENTAÇÃO Obter Recompensas Sociais ou Materiais aprovação; amizade; poder; estatuto; dinheiro Manter ou Elevar a Auto- Estima elogio; sentir que se fez boa impressão Criar ou Reforçar uma Identidade indica posse de identidade características relevantes + ANTECEDENTES DISPOCIONAIS / SITUACIONAIS Impressão é Relevante para os Objectivos de Uma Pessoa o comportamento é visível; a pessoa está dependente de uma alvo Os Objectos São Altamente Valorizados os recursos escassos; elevada competição; elevada necessidade de aprovação; o alvo tem poder e estatuto. Grande Discrepância Entre Auto- Imagens habituais e desejadas fracassos prévios; sentir que os outros têm uma imagem negativa a nosso respeito. = Motivação para a gestão da impressão Modelo multifacetado do embaraço: O modelo proposto por Edelmann pressupõe uma complexa interacção de acontecimentos e de avaliações destes acontecimentos e não tanto uma clara sequência de acontecimentos. Para esta perspectiva as respostas emocionais podem ser inatas, mas os estímulos evocadores, as avaliações subsequentes e as estratégias de confronto são aspectos aprendidos. Os principais temas do modelo podem sintetizar-se do seguinte modo: 1) Nas situações sociais os indivíduos tentam controlar imagens do autoconceito perante audiências reais ou imaginadas; 2) Um certo número de consequências comportamentais está associado com o aumento da auto-atenção pública que resulta de uma ruptura observada da rotina social. A autofocalização em aspectos específicos pode ter como efeito a intensificação da experiência de embaraço; 3) Como é difícil esconder o embaraço, determinadas estratégicas remediativas podem ser adoptadas para recuperar a aprovação social perdida e restaurar a imagem pública do actor. Esta avaliação cognitiva pode ter como consequência respostas fisiológicas, comportamentais e a experiência subjectiva do embaraço. Estratégias de confronto com o embaraço podem ser suscitadas após uma avaliação inicial de estímulos e das reacções da pessoa a esses acontecimentos Antecedentes, respostas e estratégias de confronto com o embaraço: Geralmente os acontecimentos embaraçosos estão ligados a um passo em falso, uma inconveniência, uma transgressão que suscita na imagem projectada do actor uma impressão que ele não deseja. Modigliani (1968) distinguiu as seguintes classes de acontecimentos embaraçosos: Situações em que a pessoa fica desacreditada pela sua auto-apresentação através de algum disparate cometido inadequadamente, como por exemplo o escorregar e cair num lugar público; 36
37 Situações em que a pessoa se encontra incapaz em responder de modo adequado a um acontecimento inesperado que ameaça impedir o calmo fluxo de interacção, como, por exemplo, prestar atenção a algum estigma físico de um interlocutor; Situações em que o actor perde o controlo da sua auto-apresentação não tendo um papel bem definido, como, por exemplo, quando somos apresentados a um vasto grupo de pessoas; Situações em que há um embaraço empático, isto é, a pessoa observa outra que parece estar numa situação embaraçosa. É um exemplo disso, o facto de alguém com que estamos se comportar de modo não adequado; Situações em que o individuo se encontra envolvido em incidentes com conotações sexuais não adequadas, como por exemplo entrar numa casa de banho ocupada por um elemento de outro sexo. As reacções específicas ao embaraço caracterizam-se por corar, aumento da temperatura, aumento do ritmo cardíaco, tensão muscular, rir, desvio do olhar e tocar a face; As principais estratégias verbais são: pedir desculpa; comentar os próprios sentimentos; exclamação; explicação; desculpa mais explicação; explicação mais justificação; justificação; gozar, etc. Estratégias não verbais: sorrir; procurar o contacto ocular; evitar o contacto ocular; comportamento motor; postura Implicações sociais do embaraço: Geralmente tentamos comportarmo-nos de modo socialmente apropriado para assegurar que uma determinada imagem de nós próprios seja apresentada aos outros (Goffman, 1959). À medida que o embaraço vai aumentando, a dádiva da ajuda diminui em presença de vastos públicos. Quanto maior é o público, menor ajuda prestarão as pessoas. Outros factores que contribuem para a inibição social da dádiva de ajuda são situações ambíguas, situações embaraçantes e quando o pedido de ajuda é efectuado por uma pessoa deficiente ou desfigurada. Pelo contrário a dádiva da ajuda pode aumentar no caso do pedido ser efectuado após acontecimento embaraçante realizado pela pessoa que dá ajuda. O medo de embaraço pode desempenhar um papel importante na possibilidade de se dar ajuda aos outros ou de se procurar ajuda. Um modo frequente do embaraço se tornar conhecido no mundo social é através do que as pessoas farão para o evitar. 5.4 Tácticas de Auto-apresentação: São várias as formas/tácticas utilizadas pelas pessoas para se apresentarem umas às outras. Foram identificadas 5 tácticas principais de auto-apresentação, diferindo no tributo particular que a pessoa está a tentar ganhar (Jones e Pittman, 1982). Insinuação tem como objectivo principal ser visto como uma pessoa simpática; os insinuadores querem que os outros gostem deles (ex.: cumprimentar 37
38 outras pessoas, ser um bom ouvinte, amigável, fazer favores e conformar-se nas atitudes e comportamento) Intimidação procura projectar identidade como sendo uma pessoa forte e perigosa (através de olhares ameaçantes, de palavras zangadas, de ameaças de violência, os intimidadores tentam ganhar condescendência induzindo medo nos outros. Intimidador tipo: ladrão com arma, atletas de equipas contrárias) Autopromoção querem respeito para as suas actividades; esta táctica envolve tentativas da parte de um actor para realizar uma identidade como sendo uma pessoa competente e inteligente importante para obter resultados imediatos (ingressar num curso ou emprego de difícil acesso). Exemplificação tem como objectivo modificar o comportamento do públicoalvo; projectando uma imagem de moralidade, de integridade e de dignidade; com uma actuação admirável uma pessoa amplifica um determinado código, norma ou padrão de conduta que deveria orientar o comportamento de todas as pessoas. Súplica leva a que uma pessoa pareça fraca e dependente. Pode ser a única táctica disponível para aquela pessoa que não dispõe dos recursos requeridos pelas tácticas precedentes. Esta táctica funciona porque há normas espalhadas na nossa cultura que vão no sentido de que as pessoas necessitadas devem ser ajudadas. Estas normas são mais salientes quando a dependência não aparece como sendo da responsabilidade do sujeito como, por ex., uma pessoa que nasceu deficiente em oposição a uma pessoa que se tornou alcoólico. Mas é óbvio que demasiada súplica tem os seus custos. Por um lado, as pessoas fracas raramente podem estar seguras de que os outros viverão em conformidade com essas normas e, por outro lado, a fraqueza não é muito atractiva. Tácticas Técnicas Objectivo Insinuação Lisonjear, concordar Ser visto como simpático Intimidação Ameaça Ser visto como perigoso Autopromoção Jactar-se Ser visto como competente Exemplificação Blasonar Ser visto como moralmente puro Súplica Rogar Ser visto como Fraco As cinco tácticas de auto-apresentação podem ser utilizadas pela mesma pessoa em situações diferentes. Por consequência, mesmo se uma pessoa pode ser especialista numa ou noutra táctica, é muito provável que cada um de nós utilize cada uma dessas tácticas em diversas ocasiões. É também possível que se usem elementos de mais de uma táctica na mesma ocasião. As tácticas têm como objectivo influenciar o modo como os outros nos vêem, mas também podem mudar o modo como nos vemos. Podem influenciar o nosso autoconceito (Rhodewalt e Agustsdottir, 1986). 38
39 5.5 Estilo de Auto-apresentação: Autovigilância: Todos nós recorremos a estratégias de auto-apresentação. Contudo algumas pessoas são mais susceptíveis de enveredarem por auto-representações estratégicas que outras. Segundo Mark Snyder (1974,1987) estas diferenças estão relacionadas com um traço de personalidade denominado de autovigilância ( self-monitoring ) que é a tendência para usar pistas de auto-apresentação das outras pessoas, para controlar as suas próprias auto-apresentações. As pessoas com elevada autovigilância estão conscientes das impressões que suscitam nas interacções sociais e são sensíveis às pistas sociais a propósito de como se deveriam comportar em diferentes situações. Os seus comportamentos expressivos são o reflexo dos seus estados interiores permanentes e momentâneos. Exemplificações e súplicas as pessoas diferem na sua motivação e habilidade em controlar a sua autoapresentação. As pessoas altas em autovigilância estão conscientes das impressões que suscitam e são sensíveis as pistas sociais acerca de como as pessoas deveriam comportar-se em diferentes situações. As pessoas baixas em autovigilância falta-lhes quer a habilidade quer a motivação para regular a sua auto-apresentação expressiva e tendem a comportar-se de modo consistente com a sua própria auto-imagem e não tanto com a situação. Autovigilância e autoconsciência ao princípio podem parecer que são semelhantes, mas não são, Carver e Scheier (1981) defendem que embora estejam relacionadas, medem algo diferente. A autovigilância focaliza-se mais nas habilidades de auto-apresentação. A Autoconsciência focaliza-se mais na auto-atenção. RESUMO: SELF AUTOCONCEITO Cada vez mais os psicólogos têm chamado atenção para a importância do self. A Psicologia Social contemporânea reconhece a importância do self: o termo autoconceito refere-se a todos os nossos pensamentos acerca de quem somos. O autoconceito tem muitas componentes que podem ser afectadas por várias características ambientais. Os auto-esquemas são pois generalizações cognitivas acerca do self que têm influência no modo como organizamos e nos lembramos de acontecimentos. A memória de acontecimentos vitais desempenha um papel relevante nas autorepresentações. Em 1º lugar a memória autobiográfica é egocêntrica, as pessoas têm a tendência a sobreavaliar o alcance do seu próprio papel nos acontecimentos passados. Diversas fontes podem contribuir para o self das pessoas. A avaliação reflectida refere-se as percepções que as pessoas têm de avaliação dos outros acerca delas próprias. As pessoas podem também aprender acerca delas próprias mediante comparações sociais com outros semelhantes sobre atributos relacionados com 39
40 a realização. A comparação da realização presente de uma pessoa com a realização passada também pode ser uma fonte do autoconceito. A Teoria da Identidade Social sugere que os grupos a que pertencemos formam uma fonte importante da nossa identidade. Os grupos Culturais são uma fonte importante de identidades sociais e podem determinar a nossa compensação do SELF. A auto-estima refere-se a avaliação positiva ou negativa que temos de nós próprios. A maior parte das pessoas tentam manter uma auto-estima positiva. A auto-estima global depende das avaliações das identidades de papéis específicos. As pessoas com auto-estima mais elevada tendem a ser mais populares, assertivas, ambiciosas, com melhor sucesso académico, mais bem adaptadas e mais felizes. As práticas educativas e outros acontecimentos significativos nas nossas vidas podem afectar a nossa auto-estima. A teoria da autodiscrepância prediz que a nossa auto-estima também é influenciada pelo fosso que percepcionamos existir entre o nosso self actual e as várias autoguias, ou padrões que temos para nós próprios. Alguns destes padrões provêm do que pensamos que as outras pessoas esperam de nós, alguns vêm dos nossos objectivos. Não gastamos todo o nosso tempo a pensar sobre nós próprios. Todavia há condições que podem suscitar um estado de autoconsciência, durante o qual focalizamos a atenção nalgum aspecto do self e comparar-nos-emos com algum padrão interno. Há também evidência eu algumas pessoas estão cronicamente mais atentas a elas próprias que às outras, e que essa autoconsciência crónica pode estar dirigida quer para aspectos privados (crenças, atitudes e valores) quer para aspectos públicos (aparência). A autoconsciência está associada com o uso e abuso do álcool. Podemos recorrer a numerosas técnicas para proteger a autoestima. Mais especificamente procuramos avaliações reflectidas consistentes com as nossas próprias perspectivas, processamos informação selectiva, escolhemos com cuidado as pessoas com quem nos comparamos e atribuímos maior importância a qualidades que fornecem uma retroacção consistente. As pessoas enveredam muitas vezes por estratégias de auto-apresentação para influenciar a impressão que causam nas outras pessoas. O embaraço é geralmente visto como forma de ansiedade social, tal como a timidez, a ansiedade em público e a vergonha. O embaraço surge quando é percepcionada uma divergência entre a auto-apresentação de uma pessoa e o seu padrão para a auto-apresentação. Tácticas específicas de auto-apresentação incluem insinuação, intimidação, autopromoção, exemplificação e súplica. As pessoas diferem na sua motivação e habilidade em controlar a sua auto-apresentação. 40
41 A função do procedimento educativo M/81 reside numa tomada de consciência pessoal em relação aos determinantes das preferências profissionais. Esta técnica não pretende ser mais do que uma das componentes possíveis de um conjunto de técnicas educativas com vista ao favorecimento da maturação das preferências profissionais III CRENÇAS DE CONTROLO E ATRIBUIÇÕES O homem é uma autonomia contingente. Sem ter a última palavra nos acontecimentos, configura-os contudo. Mas até esse privilégio perde quando descrê de si. Então é os deuses podem tudo. Miguel Torga 1.Introdução: A vida é uma permanente busca de controlo. Desde a mais tenra idade e até ao fim da vida o ser humano defronta-se com situações em que as questões de controlo estão presentes. Aí surgem a agressão e o conflito, dominação e submissão, negociação e cooperação. Em suma, o tema do controlo em todas as suas variações permeia todos os aspectos da vida real. Não admira que a psicologia do controlo se tenha tornado uma área de investigação dominante. Numerosas subdisciplinas na psicologia, desde a educacional, social, industrial à clínica, têm fornecido uma ampla evidência do impacto da psicologia do controlo. Contudo, a grande popularidade da psicologia do controlo suscita um certo número de problemas. Entre eles a proliferação dos conceitos relacionados com o controlo. Estes incluem, entre outros, locus de controlo, locus de causalidade, controlo desejado, controlo participado, controlo partilhado, controlo percebido e real, julgamentos contingentes, auto-eficácia, mestria, motivação para o poder, autonomia, liberdade, responsabilidade, reactância psicológica, desânimo aprendido, optimismo aprendido, ilusão do controlo, crença num mundo justo,... O que é então o controlo? Adler fala em vontade de poder, procura de superioridade. Outros autores falam de vontade de se sentir causa ou protagonista. Heider e Kelley (teóricos da atribuição causal) explicam a busca de causalidade como sendo a necessidade de controlo e de poder. Kelley (1971) afirma que o objectivo da análise causal é o controlo efectivo. O locus de controlo é definido como uma crença, percepção ou expectativa de controlo do reforço. Por sua vez, as atribuições causais surgem tomando por base crenças que permitem explicar e controlar acontecimentos da vida quotidiana. Socialmente é mais valorizada a crença de controlo (internalidade) em termos de sucesso, de saúde psicofísica ou de adaptação social. É a chamada norma de internalidade que não provém apenas de um puro determinismo psicológico, mas pode encontrar fundamento nas práticas educativas visando o controlo do poder. 2.A Ilusão de Controlo: Conforta-nos a ideia de que conseguimos controlar o nosso destino. Muitas vezes as pessoas enganam-se a si próprias, pensando que têm mais controlo do que 41
42 efectivamente têm, surgindo assim a ilusão de controlo. A tendência para acreditar que os acontecimentos são controláveis é tão forte que bastarão alguns resultados positivos para provocar a ilusão de controlo. O sucesso numa tarefa pode criar uma ilusão de controlo. Langer (1975) ilustrou as manifestações desta ilusão de controlo, definindo-a como sendo a expectativa de uma possibilidade de sucesso muito superior à probabilidade objectiva. 3. Locus de controlo: Locus Lugar (locus de controlo lugar de controlo) 3.1 Popularidade e definição: A grande atenção dos psicólogos (clínicos, educacionais e sociais) prestada a este construto deve-se à importância das expectativas, do valor do reforço e da situação para a interpretação do comportamento humano (Rotter, 1975). O locus de controlo toca a complexidade da pessoa e do seu comportamento, dada a importância das expectativas de controlo de reforço e do valor do mesmo reforço para o comportamento, considerando sempre o contexto. Rotter, considerado o pai deste construto, na sua monografia de 1966, onde teorizou sobre esta variável e apresentou a sua escala, inicialmente não usava a expressão locus de controlo, mas controlo interno-externo de reforço, considerando-o uma crença, uma percepção (usa o verbo perceber), uma expectativa, ou ainda uma interpretação. Esporadicamente denomina também esta variável de atitude. Rotter descreve deste modo o controlo interno e externo: Controlo Externo quando o reforço é percebido pelo sujeito como seguindo-se a alguma acção sua, mas não estando completamente dependente dessa acção, então na nossa cultura é tipicamente percebido como resultado da sorte, do acaso, do destino ou sob o controlo de outros poderosos ou como imprevisível, dada a grande complexidade de forças que o rodeiam. Controlo Interno Quando a pessoa percebe que o acontecimento depende do próprio comportamento ou das suas características relativamente permanentes. O controlo interno-externo refere-se ao grau segundo o qual o individuo cré que o que lhe acontece resulta do seu próprio comportamento ou então é resultado da sorte, do acaso, do destino ou de forças para além do seu controlo Rotter criou uma escala que permite, de algum modo, medir a internalidadeexternalidade (Escala I-E), que é considerada o protótipo das escalas de LOC. Outros autores, citam outros construtos mais ou menos próximos do locus de controlo, procurando distingui-los, como percepção de controlo, controlo pessoal, controlo real, necessidade ou desejo de controlo, controlo pessoal, controlo real, necessidade ou desejo de controlo, percepção de competência, poder/impotência, auto-estima, crença num mundo justo, motivação intrínseca, crença meios-fins, resultados antecipados ou esperados, expectativas de reforço, automotivação, etc. Alguns destes conceitos situam-se para além do locus de controlo (Palenzuela, 1966). 42
43 3.2 Diferenças Comportamentais: Situações competitivas: as pessoas com um locus de controlo externo têm mais tendência para desistir, os internos excedem-se mais quando está evolvida a competição mas em situações de cooperação os comportamentos são semelhantes (Nowicki, 1982). Relativamente à resistência à influência, os internos são menos influenciáveis, que os externos, por terem maior confiança em si próprios. Uma das provas em apoio desta hipótese advém de se ter mostrado que os internos se conformam menos facilmente que os externos com a opinião de um grupo. os externos mostram maiores tendências a conformar-se (Odell, 1959). O trabalho de Spector (1982) tem em conta a distinção entre conformidade normativa, ou seja, a que corresponde ao desejo de não cortar com os outros, e conformidade informativa, ou seja, a que denota a necessidade de responder com a maior certeza possível tendo em conta as respostas dos outros como informações. Os resultados indicam que os externos se diferenciam dos internos relativamente à conformidade normativa. Relativamente à conformidade informativa os dois grupos não se diferenciam. Nas interacções sociais os internos tentam controlar os resultados e as situações. São também os internos que denotam condutas de liderança e mais comportamentos de ajuda aos outros. Em contexto laboral seria de esperar que o aumento de salário agisse como um incentivo para se trabalhar mais e se estar mais satisfeito com o trabalho. Earn (1982) sugere que os internos interpretam as recompensas como denotando o seu grau de competência. Ao invés, os externos vêem a recompensa como uma indicação de que a tarefa deve ser desagradável. Em contexto laboral, são também os internos que se sentem mais motivados e envolvem-se mais com o trabalho. Cummins (1989)analisa o papel do suporte social e do locus de controlo como determinantes da satisfação ou da insatisfação (stress) no trabalho. O tipo de suporte ou desintegração social estava associado com a satisfação no trabalho, dependendo também da percepção de controlo do reforço. As diferentes dimensões de locus de controlo (internalidade, externalidade devido à sorte, externalidade devido ao poder dos outros) produzem igualmente efeitos na satisfação no trabalho, independentemente do nível de suporte social. Foi igualmente demonstrada a capacidade dos internos em prestarem atenção à informação do meio em situações da vida real. Estes são muito mais levados a reagir a informações de índole médica para uma mudança dos seus hábitos de vida que os externos. Além disso, os internos têm mais em conta os avisos dados relativos à aproximação de uma catástrofe natural e iminente, procurando abrigo (Sims e Baumrann, 1972). Os internos levam uma vida mais sadia e mais segura que os externos. Há mesmo quem emitisse a hipótese de que há uma relação entre a orientação interna e a capacidade de cura do cancro (Holden, 1978). 43
44 Escovar (1977) caracteriza a psicologia comunitária com um processo pelo qual o homem adquire mais controlo sobre o seu ambiente. Para ele, as transformações comunitárias devem começar pela transformação das pessoas, sentindo-se mais responsáveis pelo seu destino e mais confiante na mudança. Este autor avança um modelo psicossocial do desenvolvimento, neste modelo é salientada a necessidade de se romper o círculo vicioso em que as atitudes das populações carecidas conduzem a atitudes e comportamentos que, por sua vez, retroalimentam essas mesmas características. Entre os factores que contribuem para o status quo, é referida a característica da externalidade. Assim a sorte, o azar, a vontade divina, o destino, os outros poderosos, etc., são considerados por estas pessoas como responsáveis pelos seus destinos. Este tipo de pessoas encontra-se com frequência entre as comunidades mais desfavorecidas. Ao invés um dos factores que visa o desenvolvimento da comunidade é o desenvolvimento da crença de que as pessoas podem interferir nos seus destinos, o que caracteriza as pessoas consideradas internas. Estas estarão menos dependentes da ajuda dos outros e serão capazes de ter uma maior influência no seu destino. Resumindo: os resultados referidos são suficientes para ilustrar que os interesses usufruem de uma melhor representação que os externos. Quando se é interno é-se mais bem sucedido e adaptado social e emocionalmente do que quando se é externo. O estudo da distribuição social de crenças de controlo mostra que as explicações internas são mais expressas nos grupos sociais favorecidos. 3.3 Investigação Intercultural: Os estudos interculturais do locus de controlo podem-se agrupar em duas rubricas: uma referente a estudos comparativos interculturais de grupos de nacionalidades diferentes e outra referente a estudos de grupos étnicos minoritários no seio da mesma nação. O estudo de diferenças em grupos nacionais e étnicos são, segundo Phares (1976), importantes, não só porque podem medir diferenças grupais em certas espécies de comportamento, mas também por causa das suas implicações em relação aos antecedentes das crenças de internalidade Comparações Nacionais: Tendo em conta as grandes semelhanças culturais entre países anglo-saxónicos, não se pode esperar grandes diferenças no locus de controlo entre estes países. Também as diferenças entre países europeus e entre a Europa e os Estados Unidos tendem a ser pequenas (Dyal, 1984). Pelo contrário há diferenças consistentes entre americanos e asiáticos, obtendo os japoneses um score alto em externalidade. Os estudantes japoneses são mais externos que os dos Estados Unidos. Uma ideia que também tem sido evidenciada é a de que as pessoas das nações industrializadas são mais internas que as dos países em vias de desenvolvimento Comparações com grupos étnicos e minoritários: As investigações apontam para uma maior externalidade dos grupos minoritários. Resultados de experiências puseram em evidência uma interacção entre a raça e a classe social, sendo as crianças negras da classe mais baixa as mais externas. Lefcourt e Ladwing (1966) efectuaram um estudo com prisioneiros adultos relativamente homogéneos quanto à classe social; os negros eram mais externos que os brancos. 44
45 Quanto aos americanos de origem hispânica não se diferenciam americanos anglosaxónicos. Os americanos de origem chinesa eram significativamente mais externos que os americanos de origem anglo-saxónica e menos externos que os chineses de Hong Kong. De referir também as investigações em que se comparou o locus de controlo de pessoas que emigraram recentemente ou de residentes temporários, com pessoas da mesma cultura que ficaram no país de origem ou da sociedade receptora. As pessoas que emigravam eram mais externas que as outras. 3.4 Desejo de Controlo: Jerry Burger e seus colegas distinguem entre: o Locus de controlo refere-se ao controlo pessoal que as pessoas percepcionam ter. o Desejo de controlo refere aquele que gostariam ou aquele que preferem ter. Os dois não são a mesma coisa e são possíveis diferentes combinações de cada um Locus de controlo e desejo de controlo são diferenças individuais no modo como vemos as nossas relações com as situações. Afectam o comportamento em contextos diferentes. São diferentes e podem revestir-se de diversas nuances (ex.: uma pessoa pode preferir ter um alto grau de controlo sobre a sua vida, mas acredita que actualmente tem pouco. As pessoas com desejo de controlo têm maior tendência para controlar uma conversa, para se envolver com a comunidade, são também mais susceptíveis de sobressair na realização das tarefas). Burger (1992) sugere quatro razões para a tendência das pessoas altas no desejo de controlo, sobressaírem: Têm objectivos mais elevados e ajustam os seus objectivos de modo apropriado após a comunicação do seu resultado; Fazem um esforço extra em ocasiões apropriadas; Persistem mais tempo em tarefas difíceis; Sujeitos com alto desejo de controlo tendem a assumir os seus sucessos e a atribuir os seus fracassos à sorte, são mais susceptíveis de fazer mais esforço nas tarefas subsequentes 4. Reacções à Perda de Controlo: Muito embora possa ser gratificante acreditar que se tem controlo sobre os acontecimentos, nem sempre se pode ter esse controlo. 4.1 Teoria da Reactância: Esta teoria explica algumas das nossas reacções à perda de controlo ou liberdade de escolha (Brehm, 1966) A reactância psicológica é uma motivação para restaurar liberdades comportamentais ameaçadas. Fruto proibido é o mais apetecido, ou seja, temos tendência para contrariar tentativas de limitação da nossa liberdade. 4.2 Desânimo Aprendido: 45
46 Desânimo aprendido foi definido por Seligman (1975) como sendo uma crença que os resultados de uma pessoa são independentes das suas acções. (a 1ª investigação sobre esta problemática foi efectuada com animais (cães). Seligman sugeriu 3 espécies de défices em resultado de experiências com resultados incontroláveis: Défice motivacional, pelo que o animal não tenta aprender novos comportamentos; Défice cognitivo, pois a aprendizagem não se efectua; Défice emocional, tornando-se o animal deprimido porque os resultados são incontroláveis. Para Seligman a depressão é uma forma de desânimo aprendido em virtude de experienciar resultados incontroláveis. A depressão que se associa à falta de controlo devido a factores internos (falta de capacidade), estáveis (traço de personalidade) e globais (inteligência geral), do que devido a factores externos, instáveis ou específicos. O desânimo aprendido observado nos animais é também, uma resposta humana. A noção de desânimo aprendido tem também sido evocada para explicar as reacções a uma ampla variedade de agentes de stress, como: ruído, desemprego, sobrepovoamento e desastres tecnológicos. O desânimo aprendido pode ser uma resposta para as pessoas que sentem que não têm controlo das situações. 4.3 Dependência Auto-Induzida: Uma ilusão de incompetência pode ser criada por um certo número de situações (Langer, 1978) levando a que as pessoas se tornem realmente incompetentes. A teoria baseia-se em que a pessoa convence-se a si própria que não é capaz, mesmo que tenha capacidade. Esta teoria demonstra que quando se está acostumado a estar dependente de alguém, das suas decisões, das suas acções, cria-se um sentimento de dependência que não lhe permite ir mais além (ex.: terceira idade o facto de se rotularem os idosos de dependentes... esse rótulo pode efectivamente criar dependência) 5 Atribuições: O tema da atribuição é um dos domínios mais importantes da investigação na psicologia social nas 2 últimas décadas. A atribuição ajuda-nos a prever e controlar a nossa experiência social. Se acreditarmos que compreendemos as causas de determinado comportamento, reagiremos com certos pensamentos, sentimentos e respostas. A atribuição acerca de acontecimentos do passado tem influência nas nossas expectativas de futuro. Apesar da diversidade e multiplicidade de teorias existem 4 princípios gerais que são habitualmente aceites (Harvey e Weary 1984): A atribuição de causalidade é uma actividade com ampla difusão na vida quotidiana; As atribuições podem não ser exactas, mas sujeitas a erros; O comportamento das pessoas depende da maneira como percebem e interpretam os factos; A actividade atribucional desempenha uma função adaptativa. 46
47 5.1 O que é uma atribuição: Definição: A atribuição é a dedução (inferência) que pretende explicar porque é que um determinado acontecimento ocorreu ou pode ainda tentar determinar as disposições, reacções de uma pessoa. A questão do porquê que nos colocamos tanto pode ser os nossos próprios comportamentos como sobre os dos outros. A explicação que se avança torna-se então a causa percepcionada de um acontecimento ou de um comportamento correspondendo a uma atribuição. Convém realçar que uma atribuição representa uma causa percepcionada que pode não estar certa (ex.: uma estudante pode interrogar-se porque é que reprovou o último exame de Psicologia Social. As atribuições emitidas por esta estudante terão um efeito decisivo sobre os seus comportamentos futuros. Se a estudante crê que o seu fracasso se deve à falta de capacidade, pode abandonar a matéria; se, pelo contrário, atribui o seu fracasso à pouca sorte, poderá continuar as aulas esperando ter mais sorte da próxima vez. As atribuições desempenham, pois, um papel importante no comportamento social) Tipos de Atribuições: Podem-se reagrupar as atribuições emitidas em três tipos principais: Atribuições Causais são efectuadas a propósito de causas de um acontecimento (ex.: causas utilizadas para explicar um sucesso ou um fracasso ou para explicar uma falta de controlo sobre um acontecimento); Atribuições Disposicionais procuram determinar até que ponto uma acção levada a cabo por uma pessoa, permite retirar ilações sobre as suas características, a sua personalidade; Atribuições de Responsabilidade são mais difíceis de apreender, podem revestir-se de 3 tipos: responsabilidade relativa a um efeito produzido; responsabilidade legal (pode-se cometer um delito sem se ser responsável autodefesa, loucura); e responsabilidade moral auto-censura (quando uma pessoa se julga culpada do que acaba de acontecer) Avaliação das Atribuições: O método mais comum de medida das atribuições refere-se à avaliação das atribuições causais específicas, através de: 1. questionários de resposta aberta ou não estruturada, onde os sujeitos referem porque é que obtiveram sucesso ou insucesso numa dada tarefa; 2. medidas de percentagem das causas, em que os indivíduos indicam a contribuição de cada causa para o resultado obtido (somatório das avaliações de percentagem deve ser = 100%); 3. escalas de Likert, onde os sujeitos indicam o grau de importância de cada causa como determinantes de um dado acontecimento. As atribuições disposicionais e de responsabilidade são também medidas através de questionários e codificação de conteúdos. Hoje em dia são sobretudo as dimensões causais subjacentes às atribuições que se utilizam na investigação. Assim, os investigadores não medem directamente as atribuições, mas antes as dimensões causais que descrevem a atribuição em questão. Com este intuito, Russel desenvolveu a Escala de Dimensões Causais (CDS). Compõe-se de 8 situações hipotéticas de realização a que os sujeitos respondem 47
48 indicando as causas responsáveis pelo sucesso e insucesso, avaliando, em seguida, cada uma dessas causas em 9 escalas semânticas diferenciais (com formato Likert em 9 pontos). A Escala possui 3 itens para cada dimensão causal (locus de causalidade, estabilidade e controlabilidade). As questões relativas às atribuições de responsabilidade são mais directas (ex.: até que ponto pensa que o seu vizinho é responsável pelos estragos havidos no seu apartamento? ) e implicam a noção de censura 5.2 Teorias: Uma teoria da atribuição analisa o modo como nos julgamos a nós mesmos e aos outros. As teorias seguintes não oferecem uma explicação diferente do comportamento, mas oferecem uma explicação consoante a informação disponível e o tipo de explicação em que se está interessado Causalidade e Psicologia Ingénua: Heider, defende que a maior parte das pessoas são psicólogos ingénuos que tentam compreender os outros, de forma a tornar o mundo mais previsível. Para explicar um acontecimento, podem ser invocados 2 conjuntos de condições: As causas internas são factores no interior da pessoa (ex.: o esforço, a capacidade e a intenção); Os factores externos situam-se no exterior da pessoa (ex.: dificuldade da tarefa e a sorte). As pessoas ao observarem uma determinada acção de um sujeito, tentam verificar se a mesma se pode atribuir a factores internos a ele, e/ou a factores do meio. Quando alguém observa uma acção A de um sujeito, vai imputá-la a factores internos a esse sujeito (FI) e/ou a factores do meio (FM), donde a equação A = f(fi, FM) É importante lembrar que a teoria da atribuição se refere não tanto às causas reais do comportamento de uma pessoa como às inferências que o observador faz acerca das causas. Segundo Heider, os atributos pessoais são mais evidentes quando o meio permite um leque de possíveis comportamentos. Uma vez inferida uma característica acerca de um indivíduo, pode ser usada para predizer o comportamento Inferências Correspondentes: Esta teoria (Jones e Davis, 1965) aborda como é que os indivíduos fazem um certo número de inferências sobre as intenções de uma pessoa; sugerem que o comportamento reflecte os traços estáveis de um indivíduo. Os dois critérios fundamentais para que um observador possa aceder às intenções subjacentes de um actor são o conhecimento e a capacidade. As inferências correspondentes são influenciadas por 3 factores: 48
49 1) As suas acções dependerem de escolha livre (comportamentos que resultam de livre escolha tendem a produzir inferências correspondentes, não sendo o caso de comportamentos que são resultado de escolha forçada) 2) Prestamos atenção aos comportamentos que produzem efeitos não comuns, elementos do padrão escolhido de acção que não são partilhados com padrões alternativos de acção. Esses efeitos servem para explicar a atribuição, eliminando-se os efeitos comuns, pois não contribuem com informações susceptíveis de orientarem a escolha (uma aluna numa aula levanta-se, fecha a janela e veste uma camisola. Poderíamos pensar que o ruído exterior a incomodava, mas o efeito não comum de vestir a camisola leva-nos a inferir que efectivamente a aluna tinha frio); 3) Prestamos mais atenção nas nossas tentativas para compreendermos os outros, às acções que realizam revestidas de baixa desejabilidade social, que às reacções altas nesta dimensão. Jones, Davis e Gergen mostraram que as condutas que se afectavam das exigências de um determinado papel numa situação, suscitavam mais informações ao observador do que as que correspondiam a esse papel (se acção de uma pessoa não vai de acordo com o socialmente aceite, torna-se mais facilmente característica de uma pessoa, do que se efectivamente as suas acções vão de acordo com a sociedade) Covariação e Esquema Causal: O princípio da covariação diz que um efeito pode ser atribuído a uma das possíveis causas com que ao longo do tempo varia. Segundo Kelley (1967) as inferências causa-efeito são feitas a partir de um padrão sistemático de relações; refere que temos várias oportunidades de observar a mesma pessoa e suas reacções face a um mesmo problema e observar diversas pessoas relativamente a um mesmo problema. Tipos gerais de explicação a utilizar quando se tenta interpretar o comportamento de alguém: Uma atribuição ao actor (pessoa que está envolvida no comportamento em questão); Uma atribuição à entidade (pessoa alvo com quem o actor está interagindo); Uma atribuição às circunstâncias (contexto particular em que o comportamento ocorre). O modelo de covariação de Kelley afirma que a atribuição a um destes componentes (actor, entidade, circunstâncias) depende de três aspectos do comportamento: Distintividade um comportamento pode ser atribuído com exactidão a uma causa e só ocorre quando essa causa está presente. Consistência sempre que a causa está presente o comportamento é o mesmo ou muito semelhante. Consenso os outros comportam-se do mesmo modo em relação à mesma entidade. As atribuições feitas a factores internos (actor) ou externos (entidade, circunstâncias) dependem do nível atribuído a cada um destes aspectos. Exemplos:. Queremos saber porque é que uma colega Judite se comportou de modo simpático com outra pessoa, Antónia. 49
50 De acordo com o modelo de covariação para se definir se a atribuição é interna ou externa devemos avaliar um conjunto de factores: a Judite é simpática com quase todas as pessoas (baixa distintividade); a Judite é quase sempre simpática com a Antónia (alta consistência); não há muitas pessoas que sejam simpáticas com a Antónia (baixo consenso). Neste caso, a teoria de Kelley indica que provavelmente se atribui o comportamento a causas internas (a Judite é uma pessoa simpática).. Agora combinam-se outros factores: a Judite raramente é simpática com outras pessoas (alta distintividade); a Judite é quase sempre simpática com a Antónia (alta consistência); a maior parte das pessoas são simpáticas com a Antónia (alto consenso). Agora atribuímos o comportamento a causas externas (a Antónia faz com que as outras pessoas sejam simpáticas com ela). Resumo, os acontecimentos podem ser atribuídos: actor, entidade ou circunstâncias consoante a combinação particular de informação de que dispomos acerca das pessoas envolvidas Atribuições de Sucesso e de Fracasso: Weiner avança com um modelo de atribuição referente a uma área mais específica do comportamento: explicações para o sucesso ou fracasso das pessoas no desempenho das suas tarefas; pressupõe que as nossas avaliações dependem de causas internas ou externas; acrescenta uma segunda dimensão: causas estáveis e causas instáveis e ainda uma terceira: causas controláveis e causas incontroláveis (ex.: a capacidade é um factor interno, estável e incontrolável; a sorte é um factor externo, instável e incontrolável) Ex.: Classificação das causas do sucesso e do insucesso escolar de acordo com as dimensões causais Internas Externas Estáveis Instáveis Estáveis Instáveis Incontroláveis Capacidade Humor Dificuldade da Sorte tarefa Controláveis Esforço imediato Esforço do Viés do invulgar Ajuda habitual professor dos outros Posteriormente, os teóricos do modelo reformulado do desânimo aprendido formularam uma outra dimensão já referida: globalidade vs. especificidade. Os elementos causais específicos afectam as acções individuais específicas, enquanto que os elementos causais globais afectam as acções do indivíduo numa ampla variedade de situações. Na vida devemos determinar muitas vezes as causas do nosso sucesso ou fracasso. O resultado deve-se a uma causa interna ou do meio? A categorização das causas em dimensões tem levantado alguns problemas a nível empírico. Pode-se interrogar se a atribuição causal é igual para todas as pessoas; e pode-se perguntar se uma mesma causa não poderá exprimir diferentes significados em diversos contextos. 50
51 O modelo de Weiner é mais limitado do que os outros, pois focaliza-se só nas explicações para o sucesso e insucesso em contextos de realização. Além disso, investigação recente pôs em evidência que as nossas reacções aos acontecimentos e as suas explicações podem ser mais complicadas dos que os 3 factores indicados. 5.3 Aplicações das Teorias da Atribuição: Kurt Lewin (um dos fundadores da moderna Psicologia Social): Nada é tão prático como uma boa teoria uma vez que o investigador esteja na posse de um conhecimento sólido e científico de algum aspecto do comportamento social, pode utilizar esse conhecimento de modo prático. No que toca à atribuição, estas palavras de Lewin aplicam-se na perfeição. São inúmeros os campos da vida social em que as teorias da atribuição têm sido aplicadas: realização escolar, realização profissional, satisfação no trabalho, crime, delinquência, alcoolismo, divórcio, etc. Áreas de aplicação da teoria da atribuição: Violação: Nos últimos 20 anos os investigadores em ciências sociais têm estudado extensivamente a atribuição de responsabilidade por incidentes em que os homens têm sido acusados de violar mulheres. Ryan (1971) refere-se à tendência cultural: censurar a vítima. Efectivamente, as pessoas que sofrem crimes e acidentes tendem a ser duplamente vitimadas: 1º durante o próprio acontecimento e depois pela tendência da sociedade em considerá-las responsáveis pelo acontecido. Janoff-Bulman sobre a auto-censura da vítima de violação: auto-censura comportamental a vítima sabe que está fazendo algo de néscio (tal como andar sozinha a uma hora tardia da noite, deixar entrar uma pessoa estranha em casa, não fechar o carro, etc.), trata-se de comportamentos voluntários e, por conseguinte, susceptíveis de se evitarem no futuro; e auto-censura caracteriológica a falta encontra-se no próprio carácter da pessoa: Sou 1 pessoa fraca, não assertiva, etc. A auto-censura caracteriológica é mais difícil de modificar que a comportamental. Resultados: auto-censura é uma resposta frequente da vítima de violação; e a autocensura comportamental ultrapassava a caracteriológica. Este trabalho chama-nos a atenção para a aceitação por parte das vítimas da sua própria responsabilidade pelo que lhes aconteceu. Howard resultados sugerem a tendência para considerar as vítimas femininas + responsáveis pelo que lhes aconteceu que as vítimas masculinas, e também para se atribuir a auto-censura comportamental a vítimas masculinas e a auto-censura caracteriológica a vítimas femininas. Os resultados ilustram o impacto de factores sociais e culturais que vitimam certas vítimas. Parece, ser ainda habitual, sobretudo nas pessoas com atitudes tradicionais acerca dos papéis masculinos e femininos, censurar a vítima de violação, especialmente se a vítima é do sexo feminino. Além disso, muitas mulheres aceitam a perspectiva de censurar a vítima, por vezes de modo + acentuado do que os homens. 51
52 Trata-se aparentemente de padrões atribucionais que estão em consonância com estereótipos sexuais Desemprego: Dado o lugar proeminente que o trabalho ocupa na maior parte da nossa vida quotidiana, a perda de emprego representa não só um duro revés, como também suscita a procura de alguma explicação. Feather e Davenport referem as pessoas que se sentiam mais deprimidas acerca das circunstâncias, eram mais susceptíveis de censurar as condições económicas da sociedade do que a elas próprias; quando se censuram as condições económicas, muitas pessoas têm dúvidas sobre o controlo do seu próprio destino e assim sentem-se abandonadas e deprimidas. Em ambos os estudos reflecte-se uma semelhança entre o modo como as vítimas e os observadores do desemprego julgam as suas causas. Ambos focalizaram-se mais em atribuições externas do que na censura da vítima. Em suma, em ambos os casos de desemprego imaginado ou experienciado as pessoas fazem o mesmo tipo de atribuições. O emprego é visto como sendo o resultado de algo relacionado com as pessoas e o desemprego como sendo o resultado de algo relacionado com a sociedade Acidentes: Se passarmos à explicação da responsabilidade do acidente, emerge novamente a tendência geral para censurar a vítima. Berger (1981) refere uma fraca tendência para atribuir mais responsabilidade a uma vítima de um acidente quando a gravidade do acidente aumenta. Há também uma tendência para baixar a responsabilidade da vítima do acidente quando o sujeito e a vitima são ambos semelhantes Relações interpessoais: Fincham sugere que se desenvolvem em 3 fases: Durante o estádio de formação, as atribuições reduzem a ambiguidade e facilitam a comunicação e uma compreensão da relação; Na fase de manutenção a necessidade de se fazerem atribuições diminui, porque relações estáveis foram construídas; A fase de dissolução caracteriza-se por um aumento nas atribuições com vista a obter-se de novo uma compreensão da relação. 5.4 Erros de Atribuição: Embora os modelos de atribuição pretendessem na origem ver as pessoas como fazendo atribuições de modo lógico e racional, depressa se descobriu que a racionalidade nem sempre é a regra; existem vários modos das explicações poderem estar enviesadas. É importante conhecê-los porque muitas vezes são eles que se encontram por detrás dos conflitos: Diferenças entre actor e observado: Existem diferenças nas atribuições feitas pelas pessoas implicadas num determinado comportamento (os actores) e as que só observam o comportamento. Os actores têm tendência a fazerem atribuições para o seu próprio comportamento a causas externas ou situacionais, enquanto que os observadores são mais susceptíveis de fazerem 52
53 atribuições internas ao comportamento dos outros. Esta tendência é conhecida pelo nome de efeito actor-observador. A focalização da percepção é uma explicação para este efeito. Se somos o actor, somos mais susceptíveis de nos focalizar nos acontecimentos circundantes, ao passo que se observarmos outra pessoa geralmente essa pessoa é o foco de atenção. Outra explicação para a diferença actor-observador advém da diferença na informação disponível para actores e observadores. Há factores que podem alterar as diferenças actor-observador. Se passar do papel de actor para o papel de observador também se conseguem diminuir as atribuições situacionais. O modo de se fazerem atribuições causais não é sempre o mesmo. Diferentes perspectivas e diferentes tipos de informações podem contribuir para enviesar as nossas explicações num sentido ou noutro Erro Fundamental: Normalmente dá-se mais importância a factores disposicionais do que situacionais. Actores e observadores dão maior relevo a disposições do que a situações quando tentam explicar determinado comportamento. A este exagero de importância dado aos factores pessoais chama-se erro fundamental; resultando atribuições erradas porque os determinantes situacionais são ignorados. É um erro fundamental porque a divisão de causas do comportamento em internas/externas é fundamental para a abordagem da atribuição. Quando se observa o comportamento de outra pessoa centramo-nos nas suas acções e temos tendência para retirar importância ao contexto social em que elas ocorrem; o contexto não é considerado como sendo importante, quando realmente é muito importante Complacência na Atribuição da Causalidade: Este erro refere-se ao facto das pessoas tenderem a chamar a si a causa dos seus sucessos e a atribuir os seus fracassos a factores externos; pode ocorrer em relação ao próprio comportamento dos observadores, como em relação a quem estão associados; Este erro resulta de 2 fontes diferentes, embora estejam relacionadas: 1º Permite-nos proteger a nossa auto-estima, se somos responsáveis pelos resultados positivos, mas não nos censuramos pelos negativos, os nossos sentimentos sobre nós próprios podem ser mantidos; 2º Permite-nos melhorar a nossa imagem pública Efeitos Temporais da Atribuição: Nem sempre são apresentadas explicações no momento em que um acontecimento ocorre. Um dado acontecimento pode ser atribuído a uma determinada causa, no momento em que ocorre, mas passado algum tempo essa atribuição pode ser feita a outra causa completamente diferente. Com o passar do tempo as atribuições tendem a deixar de se focar nas pessoas para passar para as situações, para o contexto. Uma explicação para este efeito é o facto de a nossa necessidade de prever e controlar não ser tão acentuada quando se reflecte sobre o passado, do que quando se reflecte sobre o presente. 5.5 Atribuições e Relações Interpessoais: 53
54 A teoria da atribuição tem tentado compreender como é que uma pessoa atribui causas a outra pessoa ou a ela própria. A tendência na atribuição relativamente a grupos reflecte basicamente o que acontece a tendência com cada pessoa em particular, ou seja, é a chamar a si as razões do sucesso e de acções socialmente desejáveis e de apontar factores externos como razões para o insucesso e para acções socialmente indesejáveis. Quando há comparação de grupos, defende-se o endogrupo e atribuem-se as causas das coisas negativas ao exogrupo. 5.6 Atribuições e Diferenças Culturais: Para além da problemática da atribuição aplicada às relações intergrupais, podese levantar a questão se factores culturais mais gerais serão susceptíveis de desempenhar um papel nos processos de atribuição. Gergen (1973) refere que o chamado erro fundamental pode ser um fenómeno cultural. Nisbett e Ross (1980) mencionam que a tendência dos indivíduos em explicar os comportamentos mais em termos de disposições pessoais que em termos de factores situacionais pode ser característico de se ter sido socializado na cultura americana. As culturas particulares têm não só diferentes tipos de explicação como também diferentes temas de categorização. Em toda uma série de estudos em que se abordam as atribuições de sucesso e do fracasso com diversas técnicas emergem dois padrões que se aplicam a um vasto leque de culturas: a) Elevada capacidade e elevado esforço (em comparação com baixa capacidade e baixo esforço) são recompensados e percepcionados como preditores de alta realização; b) O sucesso é explicado por causas internas (capacidade e esforço), enquanto que o fracasso está mais fortemente associado a causas externas (sorte e dificuldade da tarefa. Em suma: a investigação intercultural tem evidenciado nesta área semelhanças e diferenças entre as culturas. Se as semelhanças parecem deixar transparecer que as características fundamentais dos esquemas causais são universais, tal não significa que as diferenças encontradas sejam meras variações de menos importância. Assim o viés sociocêntrico e o erro fundamental da atribuição, dois fenómenos atribucionais amplamente replicados nas culturas ocidentais, não parecem ser fenómenos universais. 6 Normas de Internalidade: O que muitas vezes é uma fonte de erro na óptica de teóricos de atribuição, é o que há de melhor na perspectiva do locus de controlo. Perante esta inquietação surgiu a norma de internalidade (Jellison e Green, 1981; Beauvois, 1984). 6.1 Norma de Internalidade: Jellison e Green, mostraram que as explicações internas no controlo dos reforços são objecto de desejabilidade social. Foram esses os primeiros autores a considerar que a 54
55 ligação entre a internalidade e a tendência a exprimir crenças socialmente desejáveis não é um artefacto, mas uma das componentes da internalidade. Normalmente a tendência é para atribuir a si o que é de bom, o que é socialmente desejável... daí que a norma da internalidade esteja ligada à desejabilidade social. Segundo a norma da internalidade: explicações internas são socialmente desejáveis; explicações internas das condutas e reforços são mais escolhidas pelos indivíduos que pertencem a grupos favorecidos. A norma da internalidade é objecto de uma aprendizagem social. 6.2 Norma de Internalidade na sociedade portuguesa: Essa norma pode ser suscitada pela referência a estudantes portugueses da 2ª geração, sujeitos que viveram longos anos numa outra cultura. As investigações que se inscrevem nesta linha chamam a nossa atenção para o facto de que o psicólogo intuitivo é normativo quando efectua explicações causais. Não procura a verdade científica, mas a aceitação social. 7 Níveis de análise distintos mas relacionados? Há uma primeira perspectiva que sugere que o controlo percebido se relaciona, de um modo ou de outro, com tantos construtos que pode ser considerado como um único construto genérico; Uma segunda perspectiva considera que o controlo percebido pode dividir-se em construtos que se relacionam com crenças de controlo percebido e atribuições de controlo. As atribuições são vistas como sendo específicas ao contexto e estão relacionadas, com tipos específicos de acontecimentos, problemas ou comportamentos; Uma terceira perspectiva questiona se o controlo percebido forma a base do construto, ou é correlato do construto. Assim o locus de controlo (Rotter, 1966) e a auto-eficácia (Bandura, 1977) são construtos que se alicerçam na noção de controlo percebido. Aplicações: Estilo Atribucional As pessoas apresentam diferenças no seu estilo atribucional, que podem afectar a maneira como respondem a acontecimentos incontroláveis da vida. O que determina as reacções a acontecimentos incontroláveis baseia-se em atribuições: internas vs. externas, estáveis vs. instáveis e globais vs. específicas. As pessoas que fazem atribuições internas para acontecimentos incontroláveis tendem a experienciar uma auto-estima mais negativa. As pessoas que fazem atribuições estáveis e globais para acontecimentos incontroláveis são mais susceptíveis de se sentirem desamparadas em acontecimentos futuros. Quando os 3 tipos de atribuições negativas são usadas habitualmente para explicar acontecimentos da vida que suscitam stress, esta tendência atribucional é denominada de estilo explicativo depressivo, na medida em que se encontrou que as pessoas com este padrão têm um maior risco de depressão; para as pessoas com este estilo atribucional, um acontecimento infeliz tem uma causa interna (é por minha culpa), uma causa estável (será sempre assim), e uma causa global (isto acontece-me em muitas situações). Pelo contrário quando lhes acontece algo de bom (positivo) tendem a atribuir esse facto a causas externas, instáveis e específicas. 55
56 Estilo Explicativo Optimista os optimistas, pelo contrário, explicam os acontecimentos negativos como sendo uma causa externa (é culpa de alguém), uma causa instável (não me acontecerá de novo) e uma causa específica (é só nesta área). Por outro lado, as atribuições de acontecimentos positivos são feitas através de causas internas, estáveis e globais. Sumário: Mesmo em situações determinadas pela sorte as pessoas têm uma ilusão de controlo. Segundo os teóricos da aprendizagem social, se tem um locus de controlo interno acredita que as suas acções podem influenciar o resultado dos acontecimentos. Se tem um locus de controlo externo acredita que os resultados são controlados por forças ou acontecimentos exteriores a si (destino, sorte ou previdência). As crenças no locus de controlo podem afectar a nossa saúde física e a nossa adaptação psicológica. Muitas vezes as pessoas reagem á perda do controlo seja ele real ou percepcionado. Segundo a teoria da reactância, as pessoas tentarão restaurar o seu sentimento de liberdade quando essas ameaças são percepcionadas. O desânimo aprendido pode ser induzido mediante a exposição de uma pessoa a uma situação em que os resultados ocorrem de modo não contingente. A dependência auto-induzida pode desenvolver-se mesmo na ausência desses resultados. A rotulagem de pessoas como sendo dependentes pode suscitar abaixamentos no comportamento ulterior. A abordagem da atribuição procura compreender como é que as pessoas atribuem causas ao seu próprio comportamento e ao comportamento das outras pessoas. Foram examinadas as quatro teorias principais da atribuição. Heider estabeleceu os alicerces defendendo que as pessoas percepcionavam o comportamento como sendo causado, e que a causa era quer interna (disposição subjectiva) quer externa (situacional ou ambiental). As inferências correspondentes são observações acerca do comportamento que concordam com outras acções observadas. As inferências correspondentes são aumentadas pelos efeitos não comuns, quando não há desejabilidade social e quando a pessoa que está a ser observada actua sob livre escolha. O modelo de covariação requer conhecimento sob como uma pessoa se tem comportado no passado (consistência), em diferentes situações (distintividade) e como se comportam as outras pessoas (consenso). O modelo do esquema causal aplica-se quando temos informações acerca de como uma pessoa se comporta numa só ocasião. O modelo de Weiner diz respeito às explicações para o sucesso e o fracasso de pessoas na realização de uma tarefa. Foram assinalados 4 erros de atribuição: A) diferenças entre actor e observador, os actores fornecem mais atribuições externas e os observadores mais atribuições internas; B) o erro fundamental da atribuição, ou seja, as tendências das pessoas darem geralmente atribuições internas, mesmo se as externas fossem mais apropriadas; C) complacência na atribuição, em que, por exemplo, as pessoas fornecem atribuições para o sucesso e o fracasso que servem para aumentar ou 56
57 manter a sua auto-estima; D) efeitos temporais na atribuição, as atribuições podem-se tornar mais situacionais com o passar do tempo. O contexto social afecta o tipo de atribuições que são feitas. A investigação intercultural tem evidenciado a propósito das atribuições semelhanças e diferenças entre culturas. A norma de internalidade consiste na valorização social da internalidade. A valorização social dos acontecimentos psicológicos (comportamento e reforços) acentua o peso dos actores como factor causal. A propósito dos construtos que gravitam na órbita de controlo percebido há evidência empírica que apoia a distinção entre crenças e atribuições. Trata-se no entanto de aspectos que a investigação futura deve aclarar melhor. Ao nível de atribuições foram apresentadas diferenças individuais no estilo atribucional. As pessoas que tendem a atribuir acontecimentos negativos a causas internas, estáveis e globais, e acontecimentos positivos a causas externas instáveis e específicas têm um estilo explicativo depressivo. Ao invés, as pessoas com um estilo explicativo optimista tendem a enveredar por atribuições exactamente opostas. Os optimistas também tendem a ser mais saudáveis. IV. Atitude: 1. Introdução: Se fizer uma introspecção das bases desta sua atitude, seja qual for a sua tonalidade, muito possivelmente há um certo número de semelhanças que emergem: As suas atitudes estão fortemente associadas a valores que defende pessoalmente; Estas atitudes assentam num certo número de crenças; Estas atitudes aparecem associadas a uma emoção forte ou afecto; Para modelar a sua atitude poderá ser algum comportamento passado ou experiência pessoal. O conceito de atitude tem ocupado um lugar de destaque ao longo da história da psicologia social. Podemos dizer uma atitude é uma tendência ou predisposição de um modo característico a objectos, pessoas, de forma positiva ou negativa; ou seja, a atitude está relacionada com um estado mental. Apesar de ser um termo bastante comum na vida quotidiana não é fácil encontrar uma definição clara para Atitude. Gordon Allport argumentou mesmo que é mais fácil medir as atitudes do que definilas. 2. Sinopse Histórica: O termo atitude, derivado da palavra latina aptitudo que significa a disposição natural para realizar determinadas tarefas, designou a posição corporal dos modelos dos pintores italianos do renascimento. Mediante determinada posição corporal era expresso um sentimento, um desejo. Assim a atitude recebe uma significação que é susceptível de ser compreendida pelas outras pessoas. Mais tarde, o termo entrou na 57
58 linguagem corrente para se referir já não tanto a uma postura corporal como a uma postura da mente. Hoje em dia, quer para o público em geral quer para os psicólogos sociais, as atitudes referem-se a estados mentais. Para Darwin este conceito implica respostas motoras estereotipadas associadas com a expressão de uma emoção, geralmente no sentido de postura de todo o corpo. As atitudes neste sentido desenvolver-se-iam para instaurar uma função de restabelecimento do equilíbrio. Thomas e Znanieki (1918) utilizaram o conceito de atitude para se referirem ao sentimento que as pessoas dirigiam para algum objecto, como dinheiro ou trabalho. Muitos psicólogos defendem que as atitudes eram muito simplesmente comportamentos em miniatura. Assim para se poder prever o comportamento tudo o que se tinha de fazer era determinar a atitude das pessoas em relação a um objecto do comportamento. McGuire (1985) assinala 3 períodos diferentes no estudo das atitudes, tendo em conta a sua focalização dominante. Primeiro período corresponde aos anos 30 focalizando-se sobretudo na medida das atitudes; Segundo período ocorreu entre os anos 50 e 60 em que se desenvolveram a maior parte das teorias sobre a mudança de atitudes; O terceiro período está em curso e focaliza-se preponderantemente nos sistemas atitudinais. 3. O que são as atitudes? Atitude trata-se de um termo popular utilizado na vida quotidiana, quase todas as pessoas têm uma ideia do seu significado. Contudo os psicólogos sociais devem definir o termo de modo preciso se pretenderem utilizá-lo como um conceito científico. Este conceito tem uma enorme multiplicidade de definições o que deixa transparecer que este conceito é uma realidade psico-social ambígua e difícil de apreender. 3.1 Modelos de atitudes: Espécie de planos de arquitecto que tornam a sua operacionalização mais fácil. Uma abordagem tradicional tem considerado as atitudes como sendo multidimensionais com uma organização relativamente duradoira. Para o Modelo tripartido clássico Rosenberg e Hovland (1968) a atitude é uma disposição que resulta da organização de 3 componentes: Componente cognitivo implica um conjunto de crenças e opiniões relativas a um objecto, é o que acreditamos de verdadeiro sobre um objecto, embora nem sempre sejam conscientes. (ex.: uma pessoa pode considerar o aborto um crime) Componente afectivo refere-se aos sentimentos subjectivos e às respostas fisiológicas que acompanham uma atitude (ex.: a pessoa que partilha desta crença não gosta tão pouco ouvir falar sobre o aborto, pois fá-la sentir-se mal); Componente comportamental diz respeito ao processo mental e físico que prepara o indivíduo a agir de determinada maneira (ex.: a esta atitude, as pessoas participam 58
59 em campanhas contra o aborto e tentam convencer e aconselhar a que ninguém pratique o aborto) É necessário ter presente: que nem sempre as atitudes são expressas directamente em acções: Componente cognitiva uma pessoa pode crer que os estudantes universitários são arrogantes; Componente afectiva pode sentir-se tensa em face a um estudante universitário; Componente Comportamental pode recusar-se a dar boleia a um estudante para ir assistir às suas aulas. Não é claro o modo como se interrelacionam cada um destes componentes; Bagozzi 1978 em muitas situações a presença de um componente implica a presença de outros. Suponha que a sua atitude em relação à caça à raposa é extremamente negativa. Há uma festa e encontra lá uma pessoa que costuma ir à caça da raposa começando a contar as suas aventuras a esse respeito: Componente afectiva pode sentir repulsa por essa pessoa; Componente cognitiva formar diversas opiniões negativas acerca do caçador; Componente Comportamental tentar ver o modo de se desembaraçar da conversa com essa pessoa. Breckler 1984 cada componente pode contribuir com algo de único para o que se chama atitude possível existência de uma cobra: Componente afectiva mediu o ritmo cardíaco e os humores das pessoas na presença da cobra; Componente cognitiva crenças favoráveis ou desfavoráveis acerca de cobras; Componente Comportamental perguntou-se às pessoas como reagiriam a uma cobra e observa-se a que distância queria aproximar-se de uma cobra. Encontrou que cada componente, se bem que moderadamente relacionado com os outros, forneceu uma contribuição importante e distinta para o construto que chamamos de atitude. As três dimensões convergem para assegurar uma significação comum, mas também existe uma validade dscriminante entre cada uma delas. Modelo unidimensional clássico defensores deste modelo consideram a atitude como sendo unidimensional; isto é uma atitude representa a resposta avaliativa (afecto), favorável ou desfavorável, em relação ao objecto de atitude. Neste âmbito Fishbein e Azjen (1975) definem a atitude como sendo predisposição apreendida para responder de modo consistentemente favorável ou desfavorável em relação a dado objecto. Para esta abordagem a atitude em relação ao aborto, por exemplo, seria definida pela resposta afectiva ao aborto. Thurstone define a atitude como a intensidade de afecto a favor ou contra um objecto psicológico. Modelo revisto de atitudes: modelo tripartido revisto Zanna e Rempel delinearam que este modelo integra todas as concepções de atitudes (integra os dois anteriores). Começam por definir a atitude como uma categorização de um objecto-estímulo ao longo de uma dimensão avaliativa (aborto favorável... desfavorável). Neste modelo a atitude é, um julgamento (uma opinião) que exprime um grau de aversão ou de atracção num eixo bipolar. Consideraram a dimensão avaliativa da atitude, 59
60 considerando que esta avaliação pode basear-se em 3 tipos de informação: cognitiva, afectiva e comportamental (baseada no comportamento do passado); Resumo: avaliação pode basear-se em qualquer espécie de informação ou qualquer combinação de espécies (uma atitude pode, por ex.: só derivar de cognições, ou de cognições e afecto, ou de cognições, afecto e comportamento passado) 3.2 Características da Atitude: A atitude está relacionada com um estado mental. Apesar do termo bastante comum na vida quotidiana não é fácil encontrar uma definição clara para Atitude. Gordon Allport argumentou mesmo que é mais fácil medir as atitudes do que defini-las. Atitude enquanto realidade psicológica possui determinadas características, oriundas das realidades físicas: Direcção designa o nível positivo ou negativo do objecto de atitude Atracção/Repulsa; Concordância/Discordância (ex.: o sujeito pode sentir atracção ou repulsa Somos a favor ou contra a plantação de Eucaliptos? a direcção exprimir-se á pela concordância ou não em relação à plantação de eucaliptos. O sujeito também pode ser indiferente a esta questão; Intensidade exprime-se pela força da atracção ou da repulsa em relação ao objecto. A intensidade está representada pela escala neutralmente, moderadamente, totalmente. A intensidade foi e continua a ser a propriedade que mais tem atraído a atenção dos investigadores; Dimensão permite-nos apreender se se trata de um objecto complexo e que não está bem definido. Acessibilidade ou seja a solidez da associação entre o objecto de atitude e a sua avaliação afectiva. Mede-se num continuum não atitude/atitude. O conhecimento, o contacto com o objecto de atitude torna essa atitude mais acessível, mais fácil de se chegar a ela. Não tendo conhecimento nem contacto será muito difícil ter uma determinada atitude, ou seja a mesma não está acessível, ou seja, a solidez da associação entre objecto de atitude e a sua avaliação afectiva. Para além das características referidas, as atitudes têm outras características básicas. As atitudes são inferidas do modo como os indivíduos se comportam, podendo-se aqui incluir o comportamento de preencher um questionário; As atitudes são dirigidas em relação a um objecto psicológico ou categoria. Os objectos de atitude podem ser diversos (objectos tangíveis, pessoas, comportamentos); As atitudes são aprendidas, ou seja, provêm da experiência. Sendo as atitudes aprendidas, podem ser mudadas ou influenciadas por factores genéticos; As atitudes influenciam o comportamento. A atitude que se tem em relação a um objecto pode fornecer-nos uma razão para nos comportamos em relação a esse objecto de determinado modo. 3.3 Funções Psicológicas das Atitudes: Um outro modo de se obter uma compreensão mais aprofundada das atitudes é perguntar porque é que as pessoas as têm. 60
61 Sitt defende que as atitudes podem ter três funções: adaptação social, exteriorização e avaliação do objecto de atitude; Katz menciona quatro funções: conhecimento, instrumentalidade (meios a atingir), defesa do eu (protecção da nossa auto-estima), e expressão de valores (permitindo às pessoas mostrar os valores com que se identificam e as definem). Estas funções estão intimamente associadas a diferentes perspectivas teóricas em psicologia. Tipo de atitude Função suscitada pela atitude Perspectiva psicológica Conhecimento Ajuda a pessoa a estruturar o Cognitiva mundo em vista a dar-lhe sentido Instrumentalidade Defesa do eu Expressão de valores Ajuda a pessoa a obter recompensas e a ganhar aprovação dos outros Ajuda a pessoa a proteger-se de reconhecer as verdades básicas sobre si Ajuda a pessoa a expressar aspectos importantes do autoconceito Behaviorista Psicanalítica Humanística As atitudes podem ter três funções: 1. Ajudar a definir grupos sociais uma atitude partilhada pode servir de elo de ligação entre várias pessoas (Racismo Anti-Racismo) 2. Ajudar a estabelecer as nossas identidades as atitudes são elementos fulcrais nas representações que as pessoas têm delas próprias. Se assumem determinados papeis, assumem atitudes que lhe estão inerentes. 3. Ajudar o nosso pensamento e comportamento guiam o modo como se pensa, sente e age. 4. Atitudes e noções conexas: Atitudes conjunto de opiniões estáveis interligados, corresponde a componente importante de personalidade são afectivas (emoções, sentimentos) 4.1 Crenças: Fishbein e Ajzen (1975) definem as crenças como julgamentos que indicam a probabilidade subjectiva de uma pessoa ou um objecto tenha uma característica particular. Crenças e atitudes são claramente distintas: as crenças são cognitivas (pensamentos, ideias) enquanto que as atitudes são efectivas (sentimentos e emoções). Ex.: crer que um gelado é saboroso não é a mesma coisa que sentir-se feliz a comer um gelado quando está calor. 61
62 4.2 Opiniões: Por vezes os termos atitude e opinião são utilizados como sinónimo. As opiniões envolvem julgamentos de uma pessoa sobre a probabilidade de acontecimentos ou relações. 4.3 Valores: Os valores constituem uma variável psicológica intimamente associada às atitudes. Muito embora as atitudes se refiram a avaliações de objectos específicos, os valores são crenças duradoiras acerca de objectivos importantes da vida que transcendem situações específicas (ex.: Paz, felicidade, igualdade ). Os valores constituem um aspecto importante do autoconceito e servem de princípios directores para uma pessoa. Os valores têm as seguintes propriedades: são crenças gerais de objectivos e comportamentos desejáveis, envolvem bondade e maldade e têm uma qualidade de dever acerca deles, transcendem atitudes e influenciam a forma que as atitudes podem assumir, fornecem padrões para avaliar acções, justificar opiniões e comportamentos, planificar comportamentos, decidir entre diferentes alternativas e apresentar-se aos outros. Estão organizados em hierarquias para uma determinada pessoa e a sua importância relativa pode variar ao longo da vida. Os sistemas de valores variam segundo indivíduos, grupos e culturas: Valores Finais centram-se na pessoa ou grupo, dizem respeito aos objectivos últimos da vida; Valores Instrumentais modos de condutamoralidade, auto- realização. Os valores têm as seguintes propriedades (Feather): São crenças gerais acerca de objectivos e comportamentos desejáveis; Envolvem bondade e maldade e têm uma qualidade de dever acerca deles; Transcendem atitudes e influenciam a forma que as atitudes podem assumir; Fornecem padrões para avaliar acções, justificar opiniões e comportamentos, planificar comportamentos, decidir entre diferentes alternativas e apresentar-se aos outros; Estão organizados em hierarquias para uma determinada pessoa e a sua importância relativa pode variar ao longo da vida; Os sistemas de valores variam segundo indivíduos, grupos e culturas. 4.4 Ideologia: Representa um sistema integrado de crenças, em geral, com uma referência social ou política; Para Rouquette (1996) a ideologia é o que torna um conjunto de crenças, de atitudes e de representações simultaneamente possíveis e compatíveis no seio de uma população. Para Tetlock (1989) as ideologias podem variar segundo duas características: 1 Podem atribuir diferentes prioridades a valores particulares (perspectiva tradicional é de esperar que pessoas de esquerda e de direita ordem liberdade individual e segurança nacional de modo oposto). 62
63 2 Há ideologias pluralistas e há outras monistas (se uma ideologia pluralista pode alterar um conflito de valores, uma ideologia monista será bastante intolerante ao conflito, perspectivando as questões em termos de tudo ou nada) 5 - Formação das atitudes: As nossas atitudes resultam das diversas experiências vitais. Como tal são influenciadas pelas pessoas significativas nas nossas vidas e pelos modos como processamos a informação acerca do mundo. 5.1 Fontes de Aprendizagem: As nossas atitudes são formadas por influência das pessoas significativas que desempenham papéis nas nossas vidas (pais, companheiros, grupos de referência); os meios de comunicação de massas também influenciam as atitudes. Os pais são os principais agentes de socialização na infância e as atitudes que comunicam têm um efeito profundo e muitas vezes perene sobre as pessoas (ex.: as crianças têm tendência para serem simpatizantes dos mesmos candidatos políticos que os pais; ou terem tendência para formarem preconceitos contra negros, judeus ou outros grupos étnicos por influência dos pais); Depois, à medida que uma criança vai avançando na idade, o impacto das influências parentais pode começar a diminuir. As atitudes em relação à música, aos modos de vestir e de pentear, e muitos outros aspectos desenvolvem-se no contexto da interacção com companheiros. Quando os adolescentes e jovens deixam o meio familiar, as suas atitudes mudam muitas vezes de modo profundo como resultado da pertença a novos grupos de companheiros e da pressão dos grupos de referência. Os meios de comunicação de massa, particularmente a televisão influenciam a aprendizagem das atitudes. 5.2 Condicionamento clássico: O princípio do condicionamento clássico é que quando um estimulo neutro é emparelhado com um estimulo que naturalmente provoca uma resposta particular (estímulo incondicional), o estimulo neutro provocará uma resposta semelhante e então tornar-se-á um estímulo condicionado. Processo de aprendizagem estudado por Pavlov, a partir de experiências com cães. Consiste na aquisição de uma resposta observável (comportamento) a estímulos também observáveis, sendo inicialmente neutro, adquiriu propriedades de um outro estímulo Estímulo Condicionado. Pode ser particularmente potente na formação de atitudes em relação a coisas quando não se tem muito conhecimento prévio acerca delas. Processo está subjacente nas mensagens publicitárias que recorreram a bonitas vedetas para realçar as qualidades de produtos de consumo (ex: normalmente as anedotas dos alentejanos retratam-nos como sendo lentos e preguiçosos; quem não tem contacto com o povo alentejano pode ser levado a considerar esses dados como correctos e daí formar uma atitude negativa). 63
64 5.3 Condicionamento Operante: Thornike e Skinner, o condicionamento operante baseia-se essencialmente no reforço na formação da atitude. As atitudes consideradas negativas não são reforçadas (punições), com vista a levar a pessoa a mudá-las; as atitudes consideradas positivas são reforçadas, no sentido da pessoa as manter. Os princípios do condicionamento operante (ou aprendizagem instrumental) enfatizam o papel reforço na formação de atitudes (ex.: quando os indivíduos recebem aprovação social na formação de atitudes estas são reforçadas e em caso contrario as atitudes não serão reforçadas). 5.4 Aprendizagem social: Bandura (1977) mostrou que muitas vezes aprendemos novas respostas e novas atitudes observando e imitando os comportamentos dos outros; ou quando as outras pessoas nos comunicam o modo como realizam certa actividade fortalecimento de instruções (ex.: através da modelagem, várias crianças, adquirem comportamentos dos seus pais. Vários agentes: pais, grupos, instituições, mass-média (poderosa fonte para formar atitudes), etc. Evidentemente que os pais não são os únicos modelos que afectam a formação das atitudes. Muita aprendizagem de atitudes continua na escola, na igreja e noutras organizações. Os mass-media são também uma fonte poderosa para formar as atitudes. 5.5 Aprendizagem por Experiência Directa: A experiência directa com o objecto de atitude contribui para a aprendizagem de muitas das nossas atitudes. Foram examinadas, por exemplo, as mudanças nas atitudes nacionais em resultado da exposição directa à estadia num país estrangeiro. Efectivamente nas interacções quotidianas com o objecto de atitude, bem como com as recordações dessas interacções, podem ser enviesadas por estereótipos. 5.6 Observação do Próprio Comportamento: Ao observarmos o nosso próprio comportamento podemos ser levados a modificar as nossas atitudes. Se dermos connosco tendo um comportamento cordial e simpático relativamente a alguém com quem julgávamos antipatizar, podemos modificar a nossa atitude negativa face a essa pessoa; os Psicólogos não podem ignorar a influência genética sobre as atitudes. Em suma, as atitudes podem-se formar de diversos modos: desenvolver-se através dos princípios básicos da aprendizagem e reforço; podem-se formar quando uma pessoa obtém informação sobre novos assuntos; formadas para servir necessidades da nossa personalidade. Medidas das Atitudes: Os psicólogos sociais não procuram somente saber o que são e como são formadas; tentam também: medi-las, avaliar a sua direcção e intensidade, o que permite efectuar comparações entre os indivíduos e os grupos. As atitudes podem ser medidas directa ou indirectamente. 6. Medidas Directas: 64
65 Os psicólogos sociais não procuram somente saber o que são as atitudes e como são formadas. Tentam também medi-las, avaliar a sua direcção e intensidade, o que permite efectuar comparações entre os indivíduos e os grupos. As medidas podem ser medidas directa ou indirectamente. 6.1 Análise de conteúdo das comunicações: Uma das primeiras tentativas para avaliar as atitudes foi efectuada por Thomas e Znaniecki (1918). O método que utilizam consistiu fundamentalmente em inferir as atitudes de diferentes tipos de documentos escritos. Recentemente, Eiser (1983) propôs que um exame cuidadoso das palavras revestidas de emoções que as pessoas utilizam em entrevistas pode fornecer uma indicação de valor sobre a atitudes subjacentes, mesmo que não estejam a fazer afirmações atitudinais directas. 6.2 Escala de avaliação com um item: Recorre-se frequentemente a uma escala de avaliação com um item para medir atitudes. Trata-se de um método económico de medir uma atitude em muitos estudos com carácter representativo, como, por exemplo, em sondagens de opinião. Este modo de medir atitudes defronta-se com um problema de monta: a potencial falta de fidelidade. As respostas aos itens podem ser influenciadas, entre outros factores, pelo contexto, pela ordem dos itens, pelo humor da pessoa que responde. Para ultrapassar uma possível baixa fidelidade, foram construídas escalas de atitude mais complexas. 6.3 Escala de distância social: Mede as atitudes étnicas; proposta por Emory Bogardus, Apresenta-se como um quadro de dupla entrada, que tem como abcissa o nome de diferentes grupos humanos, como ordenada dispõem-se 7 preposições que caracterizam o tipo de relações que o sujeito gostaria de Ter com pessoas pertencendo a esses grupos. Os números colocados à direita indicam o grau de distância social representado por cada proposição. Quanto maior for o número, maior é a distância social. 6.4 Escala de Thurstone: Thurstone (1928) defende que há um continuum psicológico de afecto ao longo do qual se podem situar os indivíduos. Das diversas técnicas de escalas desenvolvidas por Thurstone a que foi mais utilizada foi a escala de intervalos aparentemente iguais pode ser sintetizada em 8 passos: 1. Obtém-se um determinado número de itens em relação com o objecto da atitude (cerca de 100); 2. Os itens são avaliados por um conjunto de juízes com características semelhantes às das pessoas que serviram de sujeitos: 3. Pede-se aos juízes para ordenarem os itens em 11 categorias desde a mais favorável (1), neutra (6) e mais desfavorável (11). Deve-se estar seguro que os juízes compreendem que vão classificar as frases e não indicar o seu acordo ou desacordo com elas; 65
66 4. Os itens que são ordenados pelos juízes nas mesmas categorias são retidos, ao passo que os itens em que há um desacordo entre os juízes são afastados; 5. A cada um dos itens atribui-se um valor da escala correspondendo à mediana da distribuição das respostas dada pelos juízes; 6. Retém-se um certo número de proposições de modo que representem a extensão dos valores da escala ao longo da dimensão favorável a desfavorável, tendo aproximadamente intervalos iguais entre pares dos valores adjacentes da escala; 7. Apresentam-se os itens seleccionados numa ordem aleatória a uma população pedindo-lhes para escolherem aqueles com que concordam; 8. A atitude do sujeito é então determinada pelo cálculo dos valores médios ou medianos dos valores da escala dos itens escolhidos. Por isso, na análise final, a atitude de um sujeito será representada por um número entre 1 e 11. Este tipo de escala tem como principais dificuldades: a sua preparação é morosa, pode haver um fosso muito grande entre o júri e a população a quem se administra a escala. 6.5 Escala de Likert: Rensis Likert concebeu um dos métodos que mais influência tem tido na medida de atitudes; consiste na apresentação de uma série de proposições, devendo o inquirido, em relação a cada uma delas, indicar uma de cinco posições (concordo totalmente, concordo, sem opinião, discordo, discordo totalmente). Podemos sintetizar a construção da Escala de Likert em 3 etapas: 1 Conjunto de itens relacionados com vários aspectos de uma atitude são relacionados pelos investigadores com base na experiência, intuição ou pré-testes; 2 Os itens são submetidos aos sujeitos a quem se lhes pede para indicarem as suas opiniões fazendo um círculo à volta de um ponto de uma escala de 5 graus cujo os extremos são concordo fortemente (5) e discordo fortemente (1); (ex.: Nunca casaria com um imigrante. Concordo totalmente; Concordo Neutro; Discordo; Discordo totalmente 5, 4, 3, 2, 1) 3 A atitude de uma pessoa em relação a um objecto é determinada pela soma das respostas a todos os itens. A principal vantagem de uma escala de Likert é que ela constrói-se mais depressa e com menos gastos que uma escala de Thurstone; A crítica mais frequente à Escala de Likert é de que se os scores de dois indivíduos são iguais, estes devem ter a mesma atitude. Porém é frequente observarem-se scores totais engendrados por diferentes respostas às questões, o que pressupõe atitudes também elas diferentes. 6.6 Escala de Guttman: Baseia-se no pressuposto de que as opiniões podem ser ordenadas segundo a sua favoralidade de modo que a concordância com uma dada afirmação implica concordância com todos os itens que exprimem opiniões mais favoráveis. Segundo Louis Guttman (1944), qualquer escala que reproduzisse perfeitamente este modelo seria perfeitamente unidimensional. Assim um dado score de atitude numa escala de Guttman só pode teoricamente ser obtido de uma maneira. Se se conhecer o score de um indivíduo, então conhecer-se-á o modo como a pessoa respondeu a cada item da escala. 66
67 Este tipo de escala pode-se sintetizar com 3 etapas: 1 reúne-se um grande número de atitudes que se deseja medir. Estas opiniões deverão permitir a exploração dos domínios que constituem o campo de expressão da atitude. As opiniões retidas deverão igualmente permitir aprender todas as matizes da direcção da atitude (da mais favorável à mais desfavorável). Enfim, as opiniões serão formuladas de maneira dicotómica, isto é, escolhas de tipo acordo, desacordo. 2 administra-se o questionário de opiniões a uma população de sujeitos. 3 efectua-se uma análise das respostas para se determinar se correspondem ao modelo ideal. Apesar de evitar o problema de diferentes padrões de atitude com o mesmo score, também mostra alguns problemas. Entre eles os itens podem ser ordenados de modo diferente, a escala que funciona numa população não quer dizer que funcione noutra. 6.7 Diferenciador Semântico: Desenvolvido por Osgood, Suci e Tannenbaum (1957) propicia a possibilidade de se medirem diferentes atitudes com a mesma escala. Ao contrário das escalas de Thurstone, Likert ou Guttman que para cada novo objecto de atitude tem de se construir uma nova escala. Diferenciador semântico é: uma técnica de medida da significação psicológica que têm os objectos ou os conceitos para o indivíduo, a combinação de um método de associações forçadas, mas controladas e de um procedimento de escalas permitindo obter a direcção e intensidade do significado do conceito. Concretamente, os sujeitos devem diferenciar um conjunto de escalas bipolares de adjectivos antónimos com 7 graus de intensidade, uma série de conceitos saídos de um campo semântico. A direcção do julgamento pode ser positiva ou negativa e ir de -3 a +3. Com recurso à análise factorial, Osgood e seus colegas identificaram 3 dimensões básicas mediante as quais os conceitos podem ser descritos: a avaliação, a potência e actividade. O diferenciador semântico tem sido utilizado de diversos modos: estudar as diferenças sócio-culturais nas atitudes, estudar as diferenças sexuais e para avaliar o autoconceito. Pois, tem a vantagem de ser fácil de construir; quase toda a escala previamente elaborada pode ser utilizada como modelo para outra variável que vai ser estudada, na medida em que os adjectivos são independentes de qualquer variável. Críticas: a existência por vezes de falsas bipolaridades, bem como o empobrecimento das conotações suscitadas pela rigidez das escalas nas 3 dimensões. O campo das conotações parecer ser maior e mais aberto. Outro problema: a estrutura factorial de uma escala de um determinado diferenciador semântico variar com o tipo de conceito que se avalia. 6.8 Medidas Indirectas: Os questionários são de longe as técnicas de avaliação das atitudes mais amplamente utilizadas. As medidas indirectas mais comuns, em que não se pergunta à pessoa a sua atitude directamente: 67
68 Fisiológicas Assentam no pressuposto de que certos objectos ou certos acontecimentos levam a determinado comportamento físico (arrepio, dilatação da pupila, contracção muscular), o que pode indicar uma certa atitude. Comportamentais assentam na suposição de que o comportamento é consistente com as atitudes (se um sujeito é afável com os imigrantes, por ex.: o investigador presume que o sujeito tem uma atitude favorável em relação aos imigrantes). Projectivas aos sujeitos é pedido que descrevam uma figura, contem uma história, completem uma frase ou indiquem como é que alguém reagiria a determinada situação, têm a vantagem de que muitas vezes as pessoas projectam nos outros as suas próprias atitudes. A utilização de técnicas indirectas para medir as atitudes reveste-se de: Vantagens; as técnicas são menos susceptíveis de suscitarem respostas socialmente aceites, a pessoa não conhece a atitude que está a ser medida; Desvantagens; dificuldade em medir a intensidade da atitude e também podem suscitar problemas éticos. Apesar disto as medidas indirectas são a única avenida a seguir quando o investigador trabalha sobre assuntos sociais muito sensíveis. 7 Atitudes e Comportamento: Durante décadas os psicólogos sociais estiveram muito interessados no estudo das atitudes por acreditarem que a partir delas podiam prever o comportamento. No entanto, prever o comportamento a partir das atitudes não é tão simples como se pode pensar à partida. A utilidade das atitudes para prever os comportamentos depende de vários factores pessoais e sociais. Além disso, os psicólogos sociais também estavam interessados em mudar o comportamento através da influência exercida sobre as atitudes das pessoas. 7.1 O dilema da consistência atitude-comportamento: Um dos primeiros estudos que sugeriram que as atitudes e os comportamentos poderiam não estar tão estreitamente ligados com os psicólogos sociais da época pareciam pensar, foi efectuado por LaPiere (1934). Vários estudos sugeriam a existência de uma certa discrepância entre atitude e comportamento, suscitam alguns problemas. Por exemplo em nenhum caso foi avaliada a atitude. Em vez disso uma intenção comportamental foi comparada com um comportamento. A revisão de Wicker levou certos psicólogos sociais a concluírem que o conceito de atitude não era útil e pouco servia para prever o comportamento. Contudo há um forte apoio empírico da validade preditiva da atitude em relação ao comportamento. 7.2 Condições metodológicas da predição atitude-comportamento: Uma primeira tentativa de reavaliação da consistência da atitude e do comportamento debruçou-se sobre os aspectos metodológicos das investigações. Uma das possibilidades é que problemas de medida interfiram na nossa possibilidade em prever de modo exacto o comportamento a partir das nossas atitudes. Pressões 68
69 para se dizer e fazer coisas socialmente desejáveis pode tornar as medidas das atitudes e dos comportamentos menos válidos do que se pretenderia. Também pode acontecer que os instrumentos não sejam suficientemente sensíveis e precisos para avaliar as atitudes. A discrepância também pode ocorrer devido ao prazo de tempo muito longo entre a observação de uma variável e da outra. O investigador mede a atitude do sujeito e só muito tempo depois, o seu comportamento. Entretanto a atitude pode ter mudado. Uma outra razão é que se tentam relacionar atitudes gerais (atitudes em relação aos chineses) com comportamento específico (uma casal chinês acompanhado por um americano branco). Princípio de correspondência (Ajzen e Fishbein, 1977) as componentes preditivas do comportamento (atitude ou crença ou intenção ) e o comportamento previsto deveriam medir-se a níveis correspondentes de especificidade. Para se aplicar este princípio é necessário precisar os níveis de correspondência atitude-comportamento por meio de quatro marcadores: uma acção (fumar), um alvo (fumar cigarros), uma situação (em locais públicos) e o tempo (nos próximos três meses). Uma outra questão a considerar atitude/comportamento é o princípio da agregação dos comportamentos. Para demonstrar que a construção de um índice comportamental compósito pode aumentar a correlação atitude-comportamento, Fishbein e Ajzen (1974) efectuaram um estudo relacionando atitudes religiosas com os comportamentos. Um outro princípio que ajudou a clarificar a relação atitude-comportamento foi o de comportamento prototípico. Há objectos que desencadeiam mais facilmente uma reacção atitudinal que outros. Isso observa-se particularmente quando se está perante objectos representativos de uma classe de objectos, Lord, Lepper e Mackie (1984). Podemos também ser levados a pensar que uma atitude em relação a uma minoria étnica pode activar-se rápida e automaticamente aquando da interacção com alguém que nos parece ser um representante típico desta minoria Modelos Teóricos de Predição do Comportamento: Para se resolver o dilema de consistência houve investigadores que se voltaram para a abordagem das outras variáveis (Wicker, 1971). Apesar das melhorias metodológicas é possível que haja factores que se possam opor ao comportamento implicado por uma atitude. A compreensão dos papéis concorrentes de diversas atitudes pode contribuir para a previsão do comportamento futuro Abordagem das variáveis moderadoras: Uma variável moderadora representa uma variável que influencia a direcção ou a intensidade da relação entre uma variável preditora ou independente e uma variável ou uma variável critério ou dependente (Baron e Kenny, 1986). Trata-se de uma terceira variável que age sobre a correlação simples entre outras duas variáveis. Investigadores têm-se debruçado sobre condições em que a atitude e comportamento serão mais ou menos consistentes, (experiência directa, factores pessoais e situacionais e diferenças individuais). 69
70 Um factor que contribui para aumentar a consistência atitude-comportamento é a experiência directa da pessoa com o objecto da atitude. Tem sido sugerido que a ligação entre comportamentos e atitudes formada mediante experiência directa é mais forte porque tais atitudes são mantidas com mais clareza, confiança e certeza, porque tais atitudes são mais acessíveis e mais fortes e porque são automaticamente activadas com a apresentação do objecto de atitude, Fazio. Um segundo factor que afecta a consistência atitude-comportamento é a pertinência pessoal. Se uma pessoa tem um direito adquirido numa questão aumenta a relação entre atitude e comportamento. Um direito adquirido significa que os acontecimentos em questão terão um forte efeito na própria vida da pessoa. A relação entre atitudes e comportamento também depende do modo como se espera que nos comportemos em determinada situações. Diferenças individuais também podem ser importantes. Algumas pessoas estão naturalmente mais dispostas que outras a expressar consistência entre as suas atitudes e os seus comportamentos. Outro factor é a auto-vigilância que consiste numa capacidade de auto-observação e de autocontrolo dos comportamentos verbais e não verbais em função de índices situacionais (Snyder, 1979). As dimensões privada e pública da autoconsciência permitem efectuar predições diferentes da consistência entre as atitudes e o comportamento Teoria da Acção Reflectida: Esta teoria descreve a relação entre crenças, atitude e comportamento. Partindo da crença, esta influencia as atitudes em relação a um comportamento em particular e a normas subjectivas. Estes dois últimos componentes influenciam as intenções comportamentais e por sua vez, influenciam o comportamento Teoria do Comportamento Planificado: Sendo basicamente idêntica à anterior, acrescenta-lhe um factor que deve ser considerado na previsão do comportamento: o controlo comportamental percepcionado até que ponto será fácil ou difícil realizar determinado comportamento (ex.: um fumador que pense em deixar de fumar (revela uma atitude positiva em relação ao deixar de fumar). O médico aconselha vivamente este comportamento (norma subjectiva). No entanto, apesar das duas primeiras condições preverem o comportamento de deixar de fumar, o fumador depara-se com a grande dificuldade de abandonar este vício, o que poderá fazer prever que a sua falta de controlo o leve a abandonar a primeira intenção. Embora os investigadores afirmem que ambas as teorias podem prever o comportamento, as comparações dos dois modelos mostram que é mais vantajosa a teoria do comportamento planificado. SUMÁRIO: Poucos conceitos senão mesmo nenhum foram alvo de tanta atenção em psicologia social como o da atitude, foram feitas muitas tentativas para definir, 70
71 medir e utilizar o conceito com o intuito de melhorar a comportamento humano; Tradicionalmente, as atitudes têm sido definidas como envolvendo crenças, sentimentos e disposições a agir; Foram referidas 4 características da atitude: Direcção (atitude negativa ou positiva) exprime um grau de atracção ou de repulsa em relação objecto (intensidade), pode ser unidimensional ou multidimensional, a acessibilidade está associada a força de atitude, quando mais é acessível mais a latencia da resposta é breve, e mais a atitude é preditora do comportamento; As atitudes ajudam-nos a definir grupos sociais e estabelecer as nossas identidades e guiar o nosso pensamento e comportamentos. Pode-se distinguir as atitudes de crenças que são laços cognitivos entre um objecto é algum atributo ou características e de valores que envolvem conceitos mais abstractos, tais como liberdade e felicidade. A ideologia é uma outra noção conexa; As atitudes formaram-se através da aprendizagem e são influenciadas pelas pessoas (grupos) significativas da vida de uma pessoa. O grupo de referência é um grupo a que o indivíduo aspira pertencer. Os meios de comunicação de massa também podem contribuir para a formação das atitudes; O condicionamento clássico é o processo que toma atitudes pelo emparelhamento repetido de um conceito neutro com outro, com um colorido social seja ele positivo ou negativo. As atitudes também são apreendidas através de modelagem e da aprendizagem observacional. A teoria da autopercepção sugere que as pessoas inferem muitas vezes as suas atitudes do comportamento; Existem várias técnicas para medir atitudes. Para além da análise de conteúdo das comunicações, as técnicas comuns são: auto-avaliação, tais como escalas de distância social, de intervalos aparentemente iguais, de classificações somadas, do escolograma e do diferenciador semântico. Alguns procedimentos alternativos para medir atitudes foram também desenvolvidos, que não são técnicas de auto-avaliação, tais como técnicas fisiológicas, comportamentais e projectivas; Prever o comportamento a partir das atitudes não é tão simples como se poderia pensar. Mito do trabalho inicial neste domínio partia da ideia de que se pudesse conceptualizar e medir as atitudes, poder-se-ia esperar uma predição quase perfeita do comportamento. Contudo várias investigações mostraram que a relação é contingente, ou seja a utilidade das atitudes para prever os comportamentos é contingente de vários factores pessoais e sociais; As atitudes estão ligadas aos comportamentos, mas o estabelecimento desta relação exige certas condições de foro metodológico. Segundo o princípio de correspondência, uma atitude particular pode predizes um comportamento particular se a atitude e o comportamento são especificados por meio de quatro 71
72 marcadores: acção, alvo, situação e tempo. Uma atitude geral não assegura a predição de uma acção singular, mas de uma categoria de comportamentos que formam o índice comportamental compósito; Para dar conta das numerosas variáveis, para além da atitude, que podem influenciar, o comportamento foram propostos modelos teóricos. O modelo mais influente da relação atitude-comportamento é o da teoria da acção reflectida, posteriormente denominado de teoria do comportamento planificado. Para o modelo da acção reflectida, o determinante mais imediato do comportamento é a intenção ou o desejo de agir. Por seu lado, a intenção é determinada pela atitude e pelas normas subjectivas. Para o modelo do comportamento planificado o factor de controlo comportamental percepcionado é acrescentado à atitude e à norma subjectiva. Pressupõe-se que este modelo tem uma eficácia de predição superior em situações em que o comportamento só esteja tenuemente sob controlo voluntário; Os grupos a que as pessoas procuram pertencer ou com quem se identificam, constituem um factor importante para a formação e manutenção das atitudes sociais e políticas. Tais grupos de referência fornecem as pessoas padrões para se julgarem a elas próprias e ao mundo e são susceptíveis de influenciar decisões muitas vezes ao longo da vida. V. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS: 1. Introdução: Tarde, já em finais do século passado, apreendeu a importância da comunicação para reproduzir e transformar as sociedades humanas, tendo proposto que a psicologia social se ocupasse antes de mais do estudo comparativo das conversações. Uma das mudanças com maior impacto na vida quotidiana foi o papel cada vez mais assumido pelos meios de comunicação de massa na criação e difusão de informações e de modos de pensar, de sentir e de agir. O quadro teórico das representações sociais construiu-se à volta de noções de sistema e de meta-sistema antes de estar na moda o pensamento sistémico (Doise, 1990). Por meio do estudo da representação social da psicanálise, Moscovici (1961) mostrou várias semelhanças entre as características do pensamento adulto e do pensamento infantil. 2. Origens: A noção de representação tem uma longa história e atravessa um certo número de ciências sociais interrelacionadas. Moscovici, apoia-se em diversas fontes quando explica a teoria das representações sociais. Tal vai desde o trabalho antropológico de Levy-Bruhl que se preocupa com sistemas de crenças de sociedades tradicionais, ao trabalho de Piaget sobre a psicologia da criança que se focaliza na compreensão e representação que a criança tem do mundo. Todavia, a influência mais importante exercida sobre a noção deve-se a Durkheim. 72
73 O conceito de representação social resulta do empréstimo pelo vocabulário filosófico do termo representação. No seu vocabulário da filosofia, Lalande (1926) dá-lhe quatro acepções: A. Facto de representar uma pessoa ou uma coisa; B. No sentido concreto: conjunto de pessoas que representam outras; C. Aquilo que está presente no espírito; o que em nós se representa ; aquilo que forma o conteúdo de um acto do pensamento, em particular, reprodução de uma percepção anterior; D. Acto de representar em si algo; faculdade de pensar uma matéria concreta, organizando-a em categorias; o conjunto do que em nós se representa como tal. O conceito de representação social inscreve-se numa tradição europeia e sociológica, ao invés da grande maioria dos conceitos de psicologia social que são de origem anglo-saxónica e procedem da psicologia geral. 3. Noção: O conceito de representação social designa uma forma de conhecimento socialmente elaborado e partilhado, com uma orientação prática e concorrendo para a construção de uma realidade comum a um conjunto social. Esta definição chama a nossa atenção para a concepção dos modos de pensamento que nos relacionam com o mundo e com os outros, para os processos susceptíveis de interpretar e de reconstituir de modo significativo a realidade, para os fenómenos cognitivos que suscitam a pertença social dos indivíduos com implicações afectivas, normativas e práticas e configuram aos objectos uma particularidade simbólica própria nos grupos sociais. Neste último sentido, as representações sociais são a expressão de identidades individuais e sociais. O termo de representação designa, num sentido lato, uma actividade mental através da qual se torna presente na mente, por meio de uma imagem, um objecto ou um acontecimento ausente. Aspectos a ter em conta na noção de representação social: Há sempre referência a um objecto. A representação, para ser social, é sempre uma representação de algo; As representações sociais mantêm uma relação de simbolização e de interpretação com os objectos; resultam de uma actividade construtora da realidade e de uma actividade expressiva; Adquirem a forma de modelos que se sobrepõem aos objectos, tornando-os visíveis, e implicam elementos linguísticos, comportamentais ou materiais; São uma forma de conhecimento prático que nos levam a interrogar-nos sobre determinantes sociais da sua génese e da sua função social na interacção social da vida quotidiana. Esta forma de conhecimento permite a apreensão pelos sujeitos sociais dos acontecimentos da vida corrente, das informações veiculadas, das pessoas do nosso 73
74 meio próximo ou longínquo. Trata-se do conhecimento do senso comum em oposição ao conhecimento científico. Conceitos que tendem a qualificar globalmente um conjunto de actividades intelectuais e práticas, como a ciência, o mito, a religião, a ideologia, etc., distinguem-se das representações sociais, pois constituem uma organização psicológica, uma forma de conhecimento particular à nossa sociedade e irredutível a nenhuma outra. Como forma de conhecimento, a representação social implica a actividade de reprodução das características de um objecto. Esta representação não é, porém, o reflexo puro e fiel do objecto, mas uma verdadeira construção mental. A imagem é pois, neste ponto de vista, reprodução, reflexo. Além disso, é selectiva, finalizada: trata-se de um fenómeno passivo, o que a distingue definitivamente da representação. A representação social, na medida em que é um processo de construção do real, age simultaneamente sobre o estímulo e a resposta. Em suma: se todos estes objectos parciais estão integrados nas representações sociais, estas não são consideradas como opiniões sobre ou imagens de, mas teorias, ciências colectivas sui generis, destinadas à interpretação e à leitura do real. Na medida em que a representação social designa uma forma de conhecimento, isso acarreta o risco de a reduzir a um acontecimento intra-individual. O facto de designar uma forma de pensamento social, acarreta o risco de a diluir nos fenómenos culturais e ideológicos. 4. Representações e Comunicação Social: A representação social desempenha um papel na formação das condutas sociais e das comunicações, na medida em que é através dela que o grupo apreende o seu meio. A comunicação social desempenha um papel fundamental nas trocas e interacções quotidianas. Segundo Moscovici (1961) podem-se distinguir 3 grandes sistemas de comunicação, cuja importância relativa varia segundo o momento histórico e os grupos sociais: Difusão é o sistema de comunicação de massas mais patente na nossa sociedade. A fonte pretende transmitir e difundir o mais amplamente possível um conteúdo, sem no entanto ter subjacente uma intenção de reforçar ou convencer. Não se dirige a um grupo definido mas a membros de diversos grupos sociais; Propagação recorre a mensagens que visam um grupo particular, com objectivos e valores específicos. A sua finalidade é a integração de uma informação nova num sistema de raciocínio e de julgamento já existente; Propaganda a propaganda desenvolve-se num clima social conflituoso, contribuindo para a afirmação e reforço da identidade de um grupo. Constrói a propósito dos adversários uma representação em conformidade com os princípios inspiradores. Incita os seus receptores a um determinado comportamento. 74
75 Em segundo lugar, Moscovici examinou a incidência da comunicação ao nível da emergência das representações cujas condições afectam os aspectos cognitivos. Há três condições que afectam a formação das representações sociais. A primeira é a dispersão da informação sobre o objecto da representação; A segunda condição relaciona-se com a posição específica do grupo social em relação ao objecto de representação; A terceira condição refere-se à necessidade que sentem os indivíduos de desenvolverem comportamentos e discursos coerentes a propósito de um objecto que conhecem mal. Estes processos dão conta da interdependência entre actividade cognitiva e condições sociais. 5. Análise Psicossociológica da Representação Social: Numerosas investigações inscrevem-se neste quadro teórico. A investigação no âmbito deste quadro teórico difere da investigação mais usual em Psicologia Social (cognição social). A investigação clássica sobre a cognição social focaliza as características gerais do processo de percepção, memória e julgamento, sendo considerado uma característica psicológica universal do homem. Ao invés, a investigação conduzida no quadro das representações sociais focaliza-se frequentemente em conteúdos específicos de sistemas de conhecimento, caracterizadores de grupos e sociedades. A defesa desta orientação assenta no facto de que são os conteúdos do conhecimento do senso comum que orientam o comportamento e o pensamento das pessoas inseridas na comunidade. Os processos de pensamento estão em grande parte dependentes dos conteúdos de pensamento. Ou, por outras palavras, as condições sociais em que nos locomovemos determinam não só o que pensamos, mas também, como pensamos. Nas investigações sobre as representações sociais pode-se distinguir dois objectos distintos os produtos e os processos esta distinção é artificial. Processos e produtos são indissociáveis, só se pode descobrir a obra nos seus efeitos, estudar os mecanismos na base da sua produção. 5.1 A representação-produto: É um universo de opiniões ou crenças organizadas em torno de uma significação central (objecto). O produto pode ser analisado sob vários aspectos ou dimensões. Na análise dos produtos Moscovici considera 3 aspectos: Informação: Diz respeito à soma e organização dos conhecimentos sobre o objecto de representação. É possível conhecer e ter representação do objecto através da informação que se conhece sobre o mesmo (quer em quantidade, quer em qualidade) Atitude: Exprime a orientação global, positiva ou negativa, em relação ao objecto da representação. É uma organização duradoira de processos motivacionais, emocionais, perceptivos e cognitivos que se relacionam com um aspecto do mundo do indivíduo ; 75
76 A atitude é reguladora e energética, supondo uma estruturação dos estímulos e das respostas Campo de Representação: É o conteúdo concreto e limitado sobre aspectos precisos do objecto de representação. Remete-nos para aspectos imagéticos da representação, através de uma ideia de organização ou de uma hierarquia de elementos. O estudo dos elementos constitutivos distingue opiniões, atitudes, estereótipos como sendo modos de formação da conduta para com um objecto socialmente significativo. 5.2 Representação-Processo: Moscovici ressalta dois processos fundamentais que deixam transparecer o modo como o social transforma um conhecimento em representação e como esta representação transforma o social, a propósito do estudo de uma teoria científica, a Psicanálise. Estes dois processos, a objectivação e a ancoragem, mostram uma interdependência entre a actividade psicológica e as condições sociais Objectivação: A objectivação é o mecanismo que permite concretizar algo abstracto (ex.: os sentimentos não são objectos palpáveis, no entanto fazem parte integrante da vida das pessoas). Na objectivação, o social reflecte-se na disposição e na forma dos conhecimentos relativos ao objecto de uma apresentação. Articula-se com uma característica do pensamento social, a propriedade de tornar concreto o abstracto, de materializar a palavra. A objectivação tem a propriedade de tornar concreto algo que é abstracto. É uma operação imagética e estruturante. Este processo pode dividir-se em três fases no caso de um objecto complexo como uma teoria. a) Selecção e descontextualização dos elementos da teoria; b) Obtém-se um esquema figurativo que é o núcleo organizador da representação; c) A naturalização é a operação pela qual os conceitos se movem em verdadeiras categorias de linguagem e entendimento categorias sociais próprias para ordenar os acontecimentos concretos e serem abafados por eles Ancoragem: Tal como a objectivação, a ancoragem permite traduzir o que é estranho em algo familiar. A ancoragem faz a incorporação do que é estranho numa determinada rede de categorias com características semelhantes. 6. Áreas de Investigação: Apesar de vários objectos estudados, Jodelet distingue 3 grandes áreas: 1. Uma área que se relaciona especificamente com a difusão de conhecimentos (no campo social e educativo); 2. Uma área que integra a noção de representação social como variável no tratamento de questões clássicas de psicologia social: cognição, conflito, negociação, relações interpessoais e intergrupais; 76
77 3. Uma área mais ampla em que as representações sociais são apreendidas em contextos sociais reais ou grupos circunscritos na estrutura social. Os estudos abordam objectos socialmente valorizados, a propósito dos quais os diferentes grupos definem os seus contornos e particularidades. 7. Variações sobre representações sociais: 7.1 Representações sociais e educação: Para Gilly, só se abordam certos aspectos ou certas manifestações, ou então só se evocam as representações sociais enquanto determinantes subjacentes (variável intermediária) que explicam resultados sobre factos que não tem em si mesmo o estatuto delas. O campo educativo aparece como um campo privilegiado para ver como se constroem, evoluem e se transformam representações sociais no seio dos grupos sociais e iluminar-nos sobre o papel destas construções nas relações destes grupos com o objecto da sua representação Gilly, Existem dois tipos de trabalho sobre representações sociais e educação: o Estudos focalizados em instituições, na escola, nos seus agentes; o Estudos que abordam representações recíprocas professor-aluno. 7.2 Estudo experimental das representações sociais A teoria do núcleo central: Esta teoria articula-se à volta de um núcleo central. Este núcleo é o elemento que determina a significação e a organização da representação. O núcleo central de uma organização tem duas funções principais: Função geradora que cria ou transforma a significação dos outros elementos da representação; Função organizadora na medida em que depende deste núcleo a natureza dos laços que unem os elementos de representação. O núcleo central é o elemento mais estável da representação, é o que resiste mais à mudança. Uma representação transforma-se de modo radical quando o núcleo central é posto em causa e de modo superficial quando há uma mudança do sentido ou da natureza dos elementos periféricos. 7.3 Representações sociais da emigração: A realidade do fenómeno migratório assume por essência contornos muito movediços. Uma análise desta realidade efectuada hoje pode já não ser verdadeira no dia seguinte. Sumário: As representações sociais constituem um dos objectos de estudo dominantes na psicologia social europeia no seguimento do trabalho original de Moscovici; O conceito de representação social inscreve-se assim numa tradição europeia e sociológica, ao invés da grande maioria dos conceitos de psicologia social que são de origem americana e procedem da psicologia geral; 77
78 A noção de representação social situa-se numa encruzilhada com múltiplos acessos. As representações sociais apresentam-se sob formas variadas, mais ou menos complexas: imagens, sistemas de referência, categorias, teorias; O conceito de representação social designa uma forma de conhecimento específica, o saber do senso comum. No seu sentido mais lacto designa uma forma de pensamento social. As representações sociais são partilhadas pelos membros de uma sociedade ou colectividade. Estas estruturas consensuais são vistas como sendo criadas socialmente através da interacção e da comunicação social; A incidência da comunicação pode ser analisada a três níveis: ao nível das dimensões das representações que se referem à construção do comportamento, ao nível da emergência das representações e ao nível dos processos de formação das representações; Há um certo acordo em abordar a representação social como o produto e o processo de uma elaboração psicológica e social do real. A título hipotético Moscovici considera cada universo de representações sobre três aspectos: informação, atitude e campo de representação. Dois processos deixam transparecer o modo como o social transforma um conhecimento em representação e como esta representação transforma o social: a objectivação e a ancoragem; A objectivação reflecte do social na representação e pode subdividir-se em três fases: selecção e descontextualização, esquema figurativo e naturalização; A ancoragem traduz a intervenção da representação no social. Este processo articula as três funções-base da representação: função de orientação de condutas e das relações sociais, função de interpretação da realidade e função cognitiva de integração da novidade; A investigação sobre as representações sociais pode ser agrupada em três áreas: uma referente à difusão dos conhecimentos e à vulgarização cientifica; outra manipula as representações sociais; a terceira aborda objectos socialmente valorizados apreendidos em contextos sociais reais; Cada uma destas três áreas foi ilustrada de modo empírico por estudos sobre as representações sociais da educação, da teoria do núcleo central e da emigração, respectivamente; Ao nível das aplicações mostra-se a utilidade e a importância da noção de representação social para se compreender e analisar práticas sociais. VI. PRECONCEITOS E DISCRIMINAÇÃO: 1. Introdução: 78
79 As atitudes indicam-nos o modo como pensamos e sentimos em relação a pessoas, objectos e questões do meio circundante. Para além disso, podem permitir prever como agiremos em contacto com os alvos das nossas crenças. A um nível mais geral, o conceito de atitude está relacionado com graves questões sociais como são os problemas de preconceito e de discriminação. O preconceito e a discriminação constituem uma ameaça ao bem-estar humano em todo o mundo. São diversas as facetas que os psicólogos sociais têm dedicado muito do seu labor para compreender os processos subjacentes a esses problemas. Entre as mais importantes refiram-se: 1. A natureza do preconceito e da discriminação; 2. Categorias de intolerância grupal; 3. Factores que contribuem para a sua emergência; 4. Consequências do preconceito e da discriminação; 5. Diferentes soluções que têm sido propostas para reduzir o seu impacto. 2. Definições: preconceito, discriminação e grupos minoritários: Preconceito: Pode definir-se como sendo: uma atitude com duas implicações, geralmente mais utilizado num sentido negativo, o preconceito também pode ser positivo (ex.: todos os negros são atléticos); sendo uma atitude: o preconceito revestese de três componentes: a componente afectiva (diz respeito aos sentimentos face a membros ou grupos específicos); a componente cognitiva (refere-se a crenças e expectativas acerca desses grupos, e também ao modo como a informação acerca deles é processada); a componente comportamental (refere as tendências de acção relativamente a esses grupos). Discriminação: É a manifestação comportamental do preconceito. Enquanto no preconceito a componente comportamental diz respeito às tendências para a acção, aqui surge o comportamento afectivo. Quando estamos perante discriminação, membros de grupos particulares são tratados de modo positivo ou negativo, devido à sua pertença a determinado grupo. O comportamento discriminatório pode assumir diferentes formas Allport: Antilocução conversa hostil e difamação verbal, propaganda racista. Evitamento manter o grupo étnico separado do grupo dominante na sociedade (gueto). Discriminação o grupo minoritário é excluído de direitos civis, do emprego e do acesso a certas formas de alojamento. Ataque Físico violência contra pessoas e propriedades que pode vir de organizações racistas, de grupos não organizados de sujeitos. Há alguma evidência que durante períodos económicos tensos os ataques físicos tornamse uma forma mais frequente de expressão do preconceito. Extermínio violência indiscriminada contra todo um grupo de pessoas, numa tentativa de aniquilação. Grupo Minoritário: Se só considerássemos o número seria mais fácil descrever ou definir grupo minoritário. No entanto, não se trata de números, mas sim de estados de 79
80 espírito. Talvez fosse mais correcto descrevê-lo ou referir-se a ele como grupo com menos poder, grupo dominado. Para Wagley e Harris as minorias são: sectores subordinados de uma sociedade; possuem traços físicos ou culturais pouco apreciados pelos grupos dominantes; estão conscientes do seu estatuto minoritário; tendem a transmitir normas que encorajam a afiliação e o casamento com membros do mesmo grupo. A pertença a um grupo minoritário envolve mais um estado de espírito do que características numéricas. 3. Algumas Categorias de Preconceito e Discriminação: Existem quatro formas de intolerância: Racismo intolerância com base na cor da pele ou na herança étnica; Sexismo intolerância com base no sexo; Heterossexismo intolerância com base na orientação sexual; Idadismo intolerância com base na idade. 3.1 Racismo: O racismo é qualquer atitude, acção, ou estrutura institucional que subordina uma pessoa por causa da sua cor. Assim o racismo envolve preconceito e discriminação e pode ser pessoal ou institucional (incluindo cultural). Um grupo étnico é um conjunto de pessoa que têm antepassados comuns pertencentes a uma mesma cultura e sentimentos comuns de identificação a um grupo distinto. À semelhança das diferenças raciais, as diferenças étnicas também estão na base de muitos preconceitos. O preconceito com base em distinções étnicas denomina-se etnocentrismo. 3.2 Sexismo: A investigação sobre o sexismo é importante por dois motivos: 1) Ensina-nos algo sobre os mecanismos psicossociais associados ao preconceito em geral; 2) Trata-se de uma forma de preconceito que pode afectar um em cada dois seres humanos. 3.3 Heterossexismo: A homossexualidade era vista como imoral e desviante. O preconceito contra homossexuais ainda está muito espalhado. O heterossexismo é um sistema de crenças culturais, de valores e de hábitos que exalta a heterossexualidade e critica e estigmatiza qualquer forma não heterossexual de comportamento ou de identidade. O heterossexismo é um conceito novo utilizado para explicar o preconceito contra a homossexualidade. 3.4 Idadismo: Uma maior proporção de pessoas idosas numa sociedade pode suscitar vários problemas relacionados com o apoio económico, com a saúde, bem como com os papéis na família e na sociedade. 80
81 Poderá acontecer que as pessoas idosas constituam um peso desproporcionado em relação à força de trabalho dos mais jovens o que poderá ter como consequência uma competição pelos recursos entre as necessidades dos idosos e dos jovens. A forma como os jovens percepcionam os idosos pode variar segundo as sociedades em virtude de variáveis, tais como tradições, estrutura familiar, grau de contacto íntimo com os idosos e modernização. 4. A face mutante do preconceito: A face do racismo mudou. O racismo aberto está em declínio, mas novas formas de racismo continuam a surgir, e porventura, a aumentar. Deve-se fazer uma distinção entre formas de racismo mais antigas e mais novas. O racismo mais usual e talvez mais apresentado nos meios de comunicação de massa é a forma mais antiga conhecida como racismo antiquado, Greely e Sheastley, Esta forma de racismo transparece nos indivíduos que passam ao acto crenças intolerantes, os que representam a chama viva do ódio. O racismo moderno enfatiza que os aspectos afectivos das atitudes raciais são geralmente adquiridos na infância e são mais difíceis de mudar que os aspectos cognitivos. 5. Génese do preconceito e da discrição: Os preconceitos encontram-se difundidos por todas as sociedades. Cada um de nós certamente já teve um preconceito e foi igualmente vitima. A compreensão da génese do preconceito e da discriminação é necessária para se poderem utilizar técnicas que permitam erradicá-los. Gordon Allport, 1954, formulou seis níveis de análise que começam com as causas sociais amplas do preconceito e progridem para causas individuais mas específicas, são eles: 5.1 Abordagens históricas: A génese dos preconceitos não pode ser plenamente compreendida senão se analisar o contexto histórico dos conflitos. As abordagens históricas são úteis para se compreender o preconceito e a discriminação. 5.2 Abordagens sócio-culturais: Esta abordagem tem examinado, por exemplo, o aumento da urbanização, o aumento da densidade populacional, a mobilidade de certos grupos, a competição para empregos entre membros de diversos grupos, mudanças de papel e função de família. 5.3 Abordagens situacionais: As abordagens da situação examinam os factores do meio imediato da pessoa que causam o preconceito. Segundo as teorias que põem em evidência a situação, o facto de se conformar aos outros tem uma forte influência no preconceito. Mediante o conformismo com as opiniões das pessoas do nosso meio obtemos aprovação social. 81
82 O preconceito nas crianças forma-se através dos processos de reforço directo e de modelagem em contacto com os pais, outros adultos e colegas. Tais atitudes são aprendidas relativamente cedo. 5.4 Abordagens psicodinâmicas: Estas abordagens acentuam que o preconceito resulta dos próprios conflitos e desadaptações da pessoa. Trata-se de teorias fundamentalmente psicológicas, que contrastam com as abordagens históricas e sócio-culturais previamente assinaladas. Segundo estas teorias, para se modificar o preconceito e a discriminação devemos focalizar-nos na pessoa com preconceitos. Dentro destas abordagens dois tipos de explicações têm sido amplamente utilizadas: 1. O preconceito é visto como enraizado na condição humana; 2. Resulta de um tipo de personalidade Frustração e agressão: Jonh Dollard e Leonard Doob defenderam que o preconceito é uma forma de agressão, e que resulta da frustração. Esses autores defenderam que a ocorrência de comportamento agressivo pressupõe sempre a frustração, e por outro lado, a existência de frustração leva sempre a alguma forma de agressão Diferenças de personalidade: Uma segunda perspectiva de estudo das abordagens psicodinâmicas acentuou diferenças básicas de personalidade entre pessoas preconceituosas e com menos preconceitos. O mais conhecido desses estudos foi o de personalidade autoritária. O objectivo geral do estudo foi examinar diferentes configurações de atitudes, para se ver, em particular, se as pessoas com preconceitos contra grupos minoritários específicos tinham igualmente outras espécies de ideias, e para além disso, tinham determinados traços de personalidade. Em suma, parece claro que podem existir pessoas com preconceitos a quem não se lhes aplica a abordagem psicodinâmica. Esta não explica cabalmente os casos em que preconceito e discriminação se imbricam na estrutura social. 5.5 Abordagens cognitivas: Esta perspectiva sugere que os preconceitos resultam de processos cognitivos. Segundo esta abordagem, aspectos de como processamos informação podem estar na origem dos preconceitos. Há quatro espécies de informação que podem ser utilizadas para desenvolver o preconceito, são elas: Categorização Social: Esta perspectiva aborda as origens do preconceito e da discriminação apoiando-se no facto básico de que muitas vezes os indivíduos dividem o mundo em duas categorias distintas: nós e eles. As outras pessoas são vistas quer como pertencendo ao seu próprio grupo (endogrupo) ou a alguma outra categoria (exogrupo) O Poder dos Estereótipos: O termo foi pedido emprestado à indústria tipográfica e descreve os estereótipos como sendo imagens na cabeça que temos acerca de um grupo. 82
83 Segundo esta abordagem cognitiva, uma vez que um estereótipo se estabelece, muitas vezes com base na avaliação errada da covariação de características, permanecerá, devido ao processamento enviesado da informação subsequente. Crer é ver Processos Atribucionais (atribuição): A atribuição é o processo de explicar o comportamento. Tentativas de explicação de acontecimentos surpreendentes ou negativos podem ser distorcidos pelo pensamento estereotipado. Duas consequências importantes são a rotulagem enviesada e o erro irrevogável da atribuição Crenças Sociais: As crenças sociais são uma importante fonte de atitudes de preconceituosas. Alguns preconceitos podem também apoiar-se em crenças de que o mundo é um lugar justo. 5.6 Alvo de Preconceito: As abordagens prévias focalizaram a fonte do preconceito no observador. Preconceito e hostilidades intergrupais podem por vezes basear-se em características reais de grupos; esta ideia tem por vezes sido denominada da reputação ganha. As crenças sobre características dos membros de outros grupos, podem ser relativamente certas (McCauley e Sitt, 1978). Mas dado que os estereótipos são simplificações do mundo social, não permitem efectuar previsões certas acerca do comportamento de membros de outros grupos. Existe uma grande gama de explicações para o preconceito e a discriminação. Todavia nenhuma teoria explica suficientemente todos os casos, o que não admira, pois um fenómeno tão complexo como o preconceito pode ter múltiplas origens. 5.7 Quadro integrador de teorias: Há muitas fontes que contribuem para o preconceito e a discriminação; como para todas as respostas humanas, preconceito e discriminação são multideterminados. Contudo a complexidade do problema não deixou de levar os psicólogos sociais a tentar atenuá-lo (Lambert, 1992) Kurt Lewin, defende que, os psicólogos sociais devem ser agentes de mudança bem como teóricos e investigadores. 6. Consequências do preconceito e da discriminação: Os efeitos do racismo sobre o grupo alvo são fáceis de identificar. 8 milhões de judeus foram mortos em resultado do anti-semitismo; centenas de pessoas perderam as suas vidas este século devido a linchagens, motins, atentados e outros actos suscitados por ódios raciais. Existem também formas mais subtis, mas igualmente insidiosas, de discriminação com base na raça, no alojamento, na educação e no emprego. 6.1 Reacções das vitimas de preconceito: São várias as reacções ao preconceito, podendo referir o afastamento e passividade, militância, agressão contra o exogrupo e auto-aversão. Allport sugeriu que estas reacções podiam ser circunscritas em duas categorias gerais: intrapunitivas e extrapunitivas. 83
84 As defesas intrapunitivas são as que implicam auto-culpabilidade; As defesas extrapunitivas colocam a culpa nos outros. Allport defende que os membros de grupos minoritários que são intrapunitivos são hostis ao seu próprio grupo, ao passo que os que extrapunitivos manifestarão lealdade em relação ao seu próprio grupo e agressividade em relação a outros grupos. Já Taijfel e Turner (1979) avançam três tipos de respostas. As pessoas vitimadas podem simplesmente aceitar a sua situação com passividade e resignação, muito embora com ressentimento; podem tentar libertar-se e faze-lo em sociedade; ou podem tentar a acção colectiva e melhorar o estatuto do próprio grupo. 6.2 Consequências do racismo sobre o racista: As consequências do racismo não têm unicamente efeitos traumáticos sobre as vítimas do preconceito e do comportamento racista. O racismo tem efeitos sobre todas as pessoas, sejam elas as vitimas, as perpetradoras ou muito simplesmente os seus observadores. Dennis (1981) demonstra que a imersão de pessoas numa rede social racista torna difícil para qualquer pessoa branca evitar a sua influência. Dennis evidencia um certo número de efeitos da socialização racial sobre crianças brancas: a) Ignorância das outras pessoas; b) Desenvolvimento de uma consciência psicológica dupla e confusão moral; c) Conformidade ao grupo. Terry (1981) defende que o racismo mina e distorce a autenticidade das pessoas brancas; Karp (1981) apoia-se numa perspectiva psicodinâmica, vendo o racismo como um mecanismo de defesa para lidar com feridas do passado. O racismo restringe aspectos quotidianos das suas vidas, tais como onde viver, trabalhar e divertir-se. As consequências emocionais do racismo são pesadas: culpa, vergonha, bem como o sentir-se mal em ser branco. 7. Redução do preconceito e da discriminação: A redução do preconceito e o combate aos seus efeitos negativos sendo um objectivo de suma importância para a sociedade, levou os psicólogos sociais a conceberem e a porem em acção estratégias para atingirem esse objectivo. A possibilidade de que o contexto histórico, politico e económico mais amplo desempenha um papel importante no relacionamento intergrupal. Alguns dos métodos que os psicólogos têm utilizado para tratar com o problema do preconceito e da discriminação são: a tomada de consciência; a hipótese de contacto; o contacto através dos meios de comunicação social. 7.1 Tomada de consciência: Há três tipos de tomadas de consciência capazes de reduzirem o preconceito e a discriminação: técnicas de consciencialização de ser oprimido, de aprender a fazer distinções, do assimilador cultural Tomada de consciência da pertença a um grupo minoritário: 84
85 Diversos grupos minoritários como mulheres, negros, idosos, migrantes, entre outros, implementam os seus próprios modos de vencer o preconceito. Pretende-se mediante este processo tornar os membros desses grupos sensíveis às influências opressivas que pesam sobre a sua vida, assegurando-lhes um meio de defesa colectiva Tomada de consciência de distinções: A maior parte das vezes processamos informação de modo automático e passivo. Esta tendência tem reflexos no preconceito, pois desde que encontremos alguma pessoa pertencente a um grupo minoritário, as nossas reacções podem polarizadas por essa característica importante desse sujeito. É possível que as pessoas tomem activamente consciência dos outros, em vez de se contentarem com as distinções previamente estabelecidas. Quanto mais discriminamos os outros no nosso pensamento, menos os consideramos como membros de uma categoria abstracta. Tal estratégia pode reduzir o preconceito O Assimilador cultural: Esta é uma técnica de sensibilização aos julgamentos correctos a respeito das expectativas de um grupo ou cultura. Permite considerar o mundo social em consonância com o ponto de vista de uma outra pessoa. Mais especificamente são ensinadas as normas e os modos de vida de outro grupo com o intuito de permitir efectuar atribuições certas a propósito do comportamento dos membros do outro grupo. O assimilador cultural recorre a incidentes críticos que são episódios com importância para a interacção intergrupal e que são susceptíveis de ser mal interpretados pelas pessoas que não estão habituadas a lidar com a população alvo, mas sendo claros para os que conhecem a cultura. 7.2 A Hipótese do contacto: Esta hipótese baseia-se não tanto na personalidade do indivíduo ou nas atitudes dos indivíduos que sofrem modificação como no desenvolvimento de uma nova identidade grupal. No caso dos grupos estarem de costas voltadas pode-se desenvolver a hostilidade autista. Ora se membros de grupos diferentes desenvolverem a hostilidade autista pode surgir o fenómeno de reflexo nos preconceitos intergrupais. Cada um dos grupos considera-se com boas intenções e com razão e vê o inimigo como estando errado e sendo ameaçador. Com o aumento de contacto o exogrupo deixa de ser estranho e parece mais diferenciado, assim a discriminação pode ser reduzida. Um dos factores chave para o sucesso dos contactos intergrupais é a igualdade de estatuto, Norvell e Worchell, Outro factor a considerar é a intimidade de contacto entre membros de dois grupos. Quanto maior for a intimidade, maior é a redução do preconceito. Um terceiro factor é que os indivíduos podem ter necessidade de partilhar objectivos comuns que requerem acção independente e cooperativa. 85
86 7.3 Para além da hipótese do contacto: Uma das críticas da hipótese do contacto é o ênfase colocado na mudança de atitudes preconceituosas do grupo dominante, e a ignorância das atitudes dos membros de grupos minoritários. Os autores que levantam esta crítica sugerem que uma promoção mais eficaz da harmonia intergrupal, os cientistas sociais devem considerar também. 1. As atitudes e as crenças dos membros dos grupos minoritários; 2. As crenças e ansiedades de todas as pessoas envolvidas no contacto intergrupal. 7.4 Contacto vicariante através dos meios de comunicação social: Por vezes não temos de encontrar fisicamente membros de outro grupo para estarmos em contacto com esse grupo. Os meios de comunicação de massa têm contribuído para que haja preconceitos na nossa sociedade. A questão que se pode levantar é a de se saber se também podem contribuir para a sua redução, o que parece ter uma resposta positiva (crianças que viram a rua sésamo convivem melhor com as diferenças entre as pessoas) SUMÁRIO: O preconceito é uma atitude favorável ou desfavorável em relação a membros de um grupo particular baseado na pertença a esse grupo, ao passo que a discriminação é a manifestação comportamental do preconceito. Os grupos minoritários são definidos não tanto pelas suas características numéricas, como pelas relações psicológicas estabelecidas com os grupos maioritários; O racismo consta de atitudes e acções negativas injustificadas em relação a um grupo ou membros individuais de um grupo com base na raça. O racismo inclui práticas institucionais que subordinam certas pessoas causa da sua raça; O sexismo é o preconceito e a discriminação com base no género. Tal qual o racismo, o sexismo pode ser o resultado de práticas institucionais, bem como de atitudes e comportamentos individuais; Em contraste com as normas sociais existentes contra a expressão aberta de sentimentos racistas e sexistas, o heterossexismo permeia a nossa cultura de tal modo que a maior parte das pessoas ainda se sentem relativamente livres de exprimir desdém em relação a homossexuais, lésbicas e bissexuais; Embora algumas formas de preconceito racial tenham diminuído nas ultimas décadas, outras emergiram para tomar o seu lugar, embora que de um modo novo e com formas mais subtis do racismo moderno; Diversas teorias têm sido avançadas para explicar a génese do preconceito e da discriminação. Essas teorias acentuam o contexto social em que o preconceito se desenvolve e o grau de preconceito existente em diferentes indivíduos; As abordagens históricas colocam a hipótese de que o preconceito é muitas vezes o resultado de tradições e das relações que existiram durante gerações; 86
87 As abordagens sócio-culturais analisam o impacto da sociedade no preconceito do indivíduo; As abordagens situacionais estudam os modos como o meio circundante da pessoa se relaciona com as atitudes preconceituosas; As abordagens psicodinâmicas examinam o preconceito como sendo o resultado de conflitos pessoais e de desadaptações no interior da pessoa com preconceitos; As abordagens cognitivas olham para os modos como as pessoas com preconceitos percepcionam e processam informação sobre o alvo do preconceito. As fontes cognitivas do preconceito incluem categorização, estereótipos, atribuição e crenças sociais; A categorização social envolve a distinção entre endogrupo e exogrupo e o exagero de diferenças nas crenças; Os estereótipos podem ser suscitados pela percepção exagerada da heterogeneidade do exogrupo e da homogeneidade do endogrupo pelas correlações ilusórias e pelas profecias de auto-realização; A atribuição inclui rotulagem enviesada e o erro irrevogável da atribuição, ambas interpretações distorcidas do comportamento dos membros do exogrupo. Crenças sociais podem provir de ideologias políticas e religiosas. As pessoas que acreditam num mundo justo podem ser mais susceptíveis de censurar as vítimas de preconceito; Muitos autores sugerem que se pode haver um fundo de verdade nos estereótipos, há exagero nas diferenças intergrupais. As consequências do preconceito fazem-se sentir não só nas vítimas, mas como também no próprio racista; Várias tácticas podem ser utilizadas para reduzir o preconceito: técnica de tomada de consciência (utilizada por vitimas de discriminação para reduzir os efeitos sobre elas e com o intuito de mudar o mundo; O assimilador cultural permite sensibilizar as pessoas para significado das diferenças comportamentais que ocorrem durante a interacção social entre membros de grupos diferentes; É possível reduzir os preconceitos na sociedade pelo aumento do contacto entre os grupos que se opõem. Todavia, para que o contacto possa reduzir o preconceito deve haver igualdade de estatuto, intimidade, cooperação intergrupal e normas sociais que favoreçam a igualdade; 87
88 Muito embora os meios de comunicação de massa tenham muitas vezes perpetuado estereótipos e preconceito, podem também reduzir o preconceito mediante retratos favoráveis dos grupos minoritários e de interacção entre os diferentes grupos; 88
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