CONTROLE DE QUALIDADE MICROBIOLÓGICO

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1 CONTROLE DE QUALIDADE MICROBIOLÓGICO

2 CONTAMINAÇÃO MICROBIANA A contaminação microbiana é um evento indesejável na produção de medicamentos e ocasiona problemas quando presente. Os microrganismos, por metabolismo de via oxidativa ou fermentativa, produzem produtos, em sua maioria, de caráter ácido, que alteram o ph do meio onde estão inseridos.

3 Os excipientes de fármacos podem sofrer mudança de cor, como o corante amarelo de tartrazina utilizado em xaropes. Emulsões podem ser quebradas e suspensões podem precipitar, uma vez que agentes emulsificantes e suspensores atuam em valores de ph determinados. O mais importante é a hidrólise de conservantes, como os parabenos, cloretos de benzalcônio e formaldeídos, que perdem totalmente sua amplitude de ação quando em meios fora do ph ótimo.

4 Os princípios ativos de fármacos podem ser degradados por hidrólise também devido à mudança de ph, ou devido ao seu consumo como fonte de carbono pelos microrganismos; os medicamentos são meios inóspitos para microrganismos, que devem portanto consumir todas as fontes de carbono possíveis para sobreviver. A conseqüência é, independente do caso, a ineficácia terapêutica ou cosmética.

5 O produto constituído, de maneira geral, quando na forma sólida ou semi-sólida, apresenta colônias visualizadas a olho nu, e quando na forma líquida, apresentam turvação. A fermentação de bactérias, além dos metabólitos ácidos e alcoólicos usuais, libera gases (CO 2 e H 2 S) que produzem bolhas e odor desagradável na maioria dos fármacos.

6

7 MEIOS DE PREVENÇÃO Bioburden = biocarga; carga microbiana natural total (intrínseca; microrganismos não patogênicos) de um item. Fatores de influência na carga microbiana: nutrientes, ph, atividade de água, substâncias antimicrobianas. A estimativa da população microbiana é determinada, em todo o mundo, de acordo com a EN ISO

8 Matéria-prima e Princípios Ativos Matérias-primas de origem natural tiveram contato direto com o meio ambiente, e por isso possuem um bioburden muito mais elevado que as de origem sintética. No caso de fitoterápicos, por exemplo, o bioburden dos componentes varia conforme a área de coleta da matériaprima, e a planta produtiva (região de produção).

9 Água Água potável água clorada, bioburden de 500 UFC/mL; utilizada para limpeza de áreas produtivas e abastecimento do sistema de tratamento de indústria,pois é a partir desta água que os outros tipos são produzidos. Água purificada PWTR, bioburden de 100 UFC/mL; utilizada na formulação de produtos não estéreis.

10 Processo Produtivo No processo produtivo, as tubulações, válvulas, mangueiras, tanques e reatores que conduzem ou armazenam os produtos devem sofrer assepsia e saneamento pois podem reter quantidades mínimas de substâncias e desenvolver colônias de microrganismos, contaminando toda uma produção (biofilme forma de contaminação massiva).

11 Ambiente As paredes devem ser lisas, laváveis e sanitizáveis, e os cantos das salas devem ser arredondados, para evitar o acúmulo de microrganismos.

12 Limpeza e Desinfecção A limpeza e desinfecção são feitas através do tratamento diário, periódico ou de choque de áreas com desinfetantes e sanitizantes, com o objetivo de reduzir o bioburden de ambientes.

13 Pessoal É a maior fonte de contaminação. São necessários o treinamento e monitorização do pessoal e sua condição de saúde.

14 Material de Acondicionamento e Embalagem Os materiais de acondicionamento e embalagem (vidro, plástico, laminados, moldados, etc.) devem ser lavados com água de qualidade e armazenados de forma adequada (caixas de papelão geram fungos e esporos).

15 DEFINIÇÕES Lote Lote é definido como uma quantidade de produto de mesma composição e características físicas, químicas e sensoriais, produzida e manuseada numa mesma batelada, sob as mesmas condições.

16 Amostra de lote e unidade de amostra Amostra de lote é uma fração do total produzido, retirada ao acaso, para avaliar as condições do lote. No caso de medicamentos acondicionados em embalagens individuais, é composta de n embalagens individuais.

17 Planos de amostragem de lotes O plano de duas classes classifica os lotes em duas categorias, aceitável ou inaceitável, dependendo dos resultados da análise das n unidades de amostra. São os mais aplicados no caso de ensaios de presença/ausência, como Salmonella, por exemplo, em que ausência é aceitável e a presença em qualquer das n unidades de amostra é inaceitável.

18 O plano de três classes classifica os lotes em três categorias, aceitável, qualidade intermediária mas aceitável e inaceitável. São recomendados para ensaios qualitativos, para os quais opadrão não é ausência, mas sim, valores dentro de uma faixa entrem e M.

19 Unidade analítica A unidade de amostra geralmente contém uma quantidade de produto maior do que a necessária para a análise, porque, ao se coletar uma unidade de amostra, há sempre o cuidado de se tomar quantidades suficientes para estocagem de contra-amostras e prevenção de perdas por acidente.

20 Preparação de Amostras para Análise Assegurar-se de que a área de trabalho está limpa, todos os instrumentos e utensílios utilizados na abertura das embalagens e retirada das unidades analíticas (tesouras, pinças, facas, espátulas, etc.) devem ser previamente esterilizados (em autoclave ou estufa de esterilização) ou mergulhados em etanol 70% e flambados no momento do uso.

21 INTRODUÇÃO ÀS BACTÉRIAS A coloração de bactérias (coloração de gram) é realizada da seguinte maneira: preparação de lâmina e adição de corantes básicos por um minuto (violeta genciana, cristal violeta, azul de metileno); adição de lugol (I2 + KI) para fixação do corante na célula durante um minuto; descoloração da célula com álcool 95 o GL, e lavagem rápida da lâmina com álcool ou acetona; adição de floxina, corante ácido que colora em trinta minutos. Os resultados variam conforme a estrutura da parede celular bacteriana.

22 As bactérias gram positivas possuem parede celular composta de uma camada espessa de peptidioglicanos que possui alta afinidade com os corantes básicos; as cores resultantes são: violeta para as culturas novas, e vermelho para as culturas antigas. As bactérias gram negativas possuem parede celular com camada bem mais fina de peptidioglicanos e presença de lipopolissacarídeos, que possuem alta afinidade com os corantes ácidos; a cor resultante é quase sempre vermelha

23 Bacilos gram positivos

24 Gram negativos

25 Placa de agar com bactérias

26 AGENTES BACTERIANOS Agentes bacteriostáticos: impedem a multiplicação celular possui ação apenas enquanto em contato com as bactérias; após ser retirado, a população microbiana volta a se multiplicar sob condições favoráveis. Como exemplo temos a tetraciclina, o clorafenicol e os novíssimos zyvox e synercidi.

27 AGENTES BACTERIANOS Agentes bactericidas: provocam danos celulares que levam à morte da população possui ação definitiva, dependendo da cepa de microrganismo; a população microbiana é extinta do meio. Como exemplo temos os antibióticos penicilina, cefalosporina e vancomicina que atuam sobre as enzimas responsáveis pela síntese da parede.

28 Parabenos Os PARABENOS são agentes conservantes que, ao longo dos anos, têm provado sua funcionalidade como preservante para formulações cosméticas. São atóxicos, estáveis e efetivos em baixas concentrações contra uma ampla gama de microorganismos

29 O METILPARABENO é solúvel em: facilmente solúvel em água quente, propilenoglicol e etanol O PROPILPARABENO é solúvel em: pouco solúvel em água (mesmo a quente), facilmente solúvel em propilenoglicol e etanol Usados juntos na proporção de 4 partes de metilparabeno p ra 1 parte de propilparabeno em formulações orais e cosméticas com até 0,1%.

30 Leveduras As leveduras, como os bolores e cogumelos, são fungos. Como células simples, as leveduras crescem e se reproduzem mais rapidamente do que os bolores. São mais eficientes na realização de alterações químicas, por causa da sua maior relação área/volume.

31 Placa agar com leveduras

32 Bolor O bolor ou mofo é uma designação comum dada a fungos filamentosos que não formam estruturas semelhantes a cogumelos.

33 Placa agar com bolor

34 placa chromocult

35 Conceito de Atividade de Água Faixa: 0 (completamente seco) 1.0 (água pura)

36 Atividade de Água vs Umidade Umidade Valor quantitativo de água em uma amostra em base seca ou base úmida. Propriedade que depende da quantidade de amostra.

37 Atividade de Água vs Umidade Atividade de Água Medida do estado de energia da água em um sistema (Qualitativo). Propriedade que não depende da quantidade de material.

38 Atividade de Água fornece informação sobre: Crescimento microbiano Migração da Água Estabilidade Química e Bioquímica Propriedades físicas Vida útil Umidade não fornece estas informações

39 Valores de aw mínimos para desenvolvimento de microorganismos Microorganismos aw Item 1 Bactérias deteriorantes 0,90 Item 2 Leveduras deteriorantes 0,88 Item 3 Bolores deteriorantes 0,80

40 ÁGUA NOS MEDICAMENTOS ÁGUA LIVRE A água fracamente ligada ao substrato, e que funciona como solvente, permitindo o crescimento dos microorganismos e reações químicas e que é eliminada com relativa facilidade.

41 ÁGUA NOS MEDICAMENTOS ÁGUA COMBINADA A água está fortemente ligada ao substrato, mais difícil de ser eliminada e que não é utilizada como solvente e não permite o desenvolvimento de microorganismos e retarda as reações químicas.

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43 Aa vs Umidade

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