BOLETIM. informativo SBAD 2014
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- Aline Bacelar César
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1 BOLETIM informativo Rio de Janeiro, ano XIX, dezembro de 2014, nº 187 IMAGENS DO MÊS EM ENDOSCOPIA HOSPITAL ESTADUAL ALBERT SCHWEITZER - SERVIÇO DE ENDOSCOPIA DIGESTIVA Viviane Eiras G. Prado, Ana Luiza Oliveira, Paula Silveira M.F.C, feminina, 54 anos. Atendida na emergência do HEAS, vítima de perfuração por arma branca em região cervical anterior e torácica, com pneumotórax bilateral. Realizada drenagem torácica e sutura da ferida cervical. Evoluiu com empiema e fístula pleuromediastinal, tratados com antibiótico e drenagem do mediastino. Após 10 dias de internação, apresentou saída de dieta enteral pela ferida cervical. EDA: Fístula esôfago cutânea de cerca de 2.0cm, localizada aos 22 cm dos incisivos, com fibrina e secreção purulenta. Dr. Flavio Abby, 1º tesoureiro da SOBED-RJ, Dr. Ivo Soares da Silva, Dr. Claudio Souza, Dr. José Narciso e o Dr. João Carlos de Almeida Soares, 2º tesoureiro da SOBED-RJ durante a XIII SBAD. SBAD 2014 A XIII Semana do Aparelho Digestivo (SBAD) ocorreu entre os dias 22 e 26 de novembro no Riocentro, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O evento contou com uma série de salas para a realização de palestras e workshops. Durante a SBAD houve ainda Assembleia Geral Ordinária da SOBED, onde tomou posse a nova diretoria para o biênio 2015/16, cujo presidente é o Dr. Ramiro Robson Fernandes Mascarenhas. Além disso, houve eleição para a diretoria da SOBED para o biênio 2017/18. A chapa 1, que tinha o Dr. Flávio Hayato Ejima como presidente, foi a vencedora com 344 votos. A chapa 2, que possuía o Dr. Gilberto Reynaldo Mansur como presidente, obteve 204 votos. Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva Estadual Rio de Janeiro (SOBED-RJ) Rua da Lapa, n 120, salas 309 a 311, Lapa, Rio de Janeiro, RJ. CEP: Telefones: (21) Fax: (21) [email protected] ÓRGÃO INFORMATIVO SOBED-RJ Edição mensal distribuição gratuita para médicos endoscopistas tiragem de exemplares/mês
2 ÍNDICE página 1 IMAGENS DO MÊS EM ENDOSCOPIA SBAD 2014 página 2 PALAVRAS DA PRESIDÊNCIA página 3 A CÁPSULA ENDOSCÓPICA DEVE SER O PRIMEIRO TESTE PARA TODO CASO DE SANGRAMENTO GASTROINTESTINAL OBSCURO? página 7 EVENTOS 2015 página 8 RESIDÊNCIA MÉDICA EM ENDOSCOPIA PALAVRAS DA PRESIDÊNCIA Dr. Ronaldo Taam exclusivamente digital, esbarrava em cláusulas de contrato com os colaboradores. Tentamos honrar os contratos vigentes e a renovação tem mostrado uma postura mais cautelosa por parte dos patrocinadores em função da incerteza econômica. A equação simples de recursos e custos nos remete a fatores complexos dentro de cada parcela. Para aumentar a arrecadação planejamos três estratégias básicas: 1- contato com o maior número de empresas patrocinadoras e tentar melhorar a exposição delas em nossas atividades, 2- aumentar o número de associados, incentivando a participação e estudando alguns benefícios e 3- incrementar projetos educacionais. Os cortes terão que ser realizados conforme o caminho desenhado pela situação econômica e deverão incluir, mudanças, entre outras, no local de nossas reuniões científicas e a forma de divulgação do nosso boletim informativo. Aproveito para agradecer a colaboração e o apoio de todos da diretoria, dos colegas das comissões, da equipe do trabalho árduo do boletim, das secretárias Juliana e Sônia, do jornalista Júlio e de todos aqueles que de alguma forma contribuem para a SOBED RJ. A força da sociedade depende da união e da participação de todos. Se a endoscopia digestiva é a sua prática, abrace esta ideia. Feliz Natal e um 2015 de realizações. GESTÃO Final de ano, período de reflexões e de realização de balanços sobre o que foi feito e do que poderia ter sido realizado. Momento também de projetos e reformulações necessárias para atender novas situações impostas pela realidade do cotidiano. O momento econômico atual conturbado tem impacto no nosso dia-a-dia assistencial, tanto público quanto privado, assim como nos recursos de nossa sociedade. A SOBED RJ sobrevive de parte do repasse da anuidade de seus associados pela SOBED nacional, da colaboração de seus patrocinadores e de sobras de eventos educacionais. A redução de custos, como por exemplo, a transformação do boletim para forma presidente RONALDO TAAM vice-presidente LUIZ ARMANDO RODRIGUES VELLOSO 1ª secretária LILIAN MACHADO SILVA 2ª secretária PAULA PERUZZI ELIA 1º tesoureiro FLAVIO ABBY 2º tesoureiro JOÃO CARLOS DE ALMEIDA SOARES 2
3 A CÁPSULA ENDOSCÓPICA DEVE SER O PRIMEIRO TESTE PARA TODO CASO DE SANGRAMENTO GASTROINTESTINAL OBSCURO? Should Capsule Endoscopy Be The First Test for Every Obscure Gastrointestinal Bleeding? Clin Endosc 2014; 47: Traduzido do original em inglês por Dra. Yolanda Tolentino, Dr. Rodrigo Dias e Dra. Viviane Fittipaldi INTRODUÇÃO Hemorragia digestiva obscura (OGIB) refere-se ao sangramento gastrointestinal de origem indeterminada, que persiste ou reaparece após endoscopia digestiva alta e colonoscopia negativas. São responsáveis por 5% de todos os casos de hemorragia digestiva. Mais de 80% dos casos de OGIB têm origem no intestino delgado. São divididos em evidente, quando se manifestam por hematoquezia ou melena, ou oculto, quando o sangue oculto nas fezes é positivo ou há anemia ferropriva e a causa presumida é o sangramento gastrointestinal (GI). As novas técnicas, ou seja, a cápsula endoscópica (CE) e a enteroscopia com duplo-balão (EDB), tornaram a push enteroscopia e a enteroscopia assistida por laparoscopia obsoletas. ETIOLOGIA DO OGIB Em países ocidentais, a principal causa é a angiodisplasia (25 a 55%), seguida por tumores (10 a 20%), doença de Crohn (2 a 10%), doença celíaca (2 a 5%), divertículo de Meckel (2 a 5%) e enteropatia por antiinflamatório (5%). Entretanto, há diferenças regionais. Na Coréia do Sul, por exemplo, a causa mais comum é úlcera ativa (26%), seguida por angiodisplasia (10%), erosões múltiplas (8%) e tumores de intestino delgado (2%). Há variação também relacionada à idade. Em Figura 1 Korea Gut Image Study Group para sangramento gastrointestinal obscuro. Setas pontilhadas indicam opção preterida. GI, gastrointestinal; CE, capsule endoscopy; DE, deep enteroscopy. 3
4 Figura 2 Guideline da American Society of Gastrointestinal Endoscopy no manejo da hemorragia gastrointestinal evidente. Setas pontilhadas indicam opção preterida. Testes positivos indicam terapia específica. Como os exames diagnósticos podem ser complementares, mais de um poderá ser necessário; o exame de primeira escolha deve ser baseado na disponibilidade e expertise local. GI, gastrointestinal; EDA, endoscopia digestiva alta; PE, push enteroscopy; OGIB, sangramento gastrointestinal obscuro. pacientes com menos de 40 anos, a causa mais comum é a angiodisplasia (54%), seguida pela doença de Crohn (34%), tumores de intestino delgado (23%), úlceras de intestino delgado (13%), tumores (12%), enterite nãoespecífica (11%) e ectasia vascular (9%). Para pacientes entre 41 e 64 anos, a causa mais comum foi ectasia vascular (35%) e tumores de intestino delgado (31%), seguidos por enterite inespecífica (10%). MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Push enteroscopia (PE) PE consiste na inserção de um endoscópio pela cavidade oral até o jejuno. É uma técnica segura e eficaz em detectar doenças do intestino proximal. Complicações são raras se feitas com overtube. Quando a CE não está disponível, a PE é uma alternativa razoável, e de baixo risco, mas com pouca produção diagnóstica. Cápsula endoscópica (CE) e enteroscopia com duplobalão (EDB) A CE permite visualização de todo intestino delgado de forma segura e não-invasiva, com grande rendimento diagnóstico. Entretanto, há limitações como a de não permitir biópsias e a dificuldade de localizar precisamente o local do sangramento e o risco de retenção da cápsula. Além disso, a CE não pode ser utilizada para intervenção terapêutica. O uso em pacientes com suspeita de obstrução ou distúrbios da motilidade deve ser feito com cuidado. 4
5 Figura 3 Guideline da Americna Societyfor Gastrointestinal Endoscopy para condução da hemorragia digestiva obscura. Setas pontilhadas indicam prática menos preferencial. Teste positivos indicam terapia específica. Como os exames diagnósticos podem ser complementares, mais de um poderá ser necessário; o exame de primeira escolha deve ser baseado na disponibilidade e expertise local. GI, gastrointestinal;eda, endoscopia digestiva alta; TC, tomografia computadorizada; Hb, hemoglobina. A EDB é uma técnica mais invasiva, que requer sedação e pode ser trabalhosa. Complicações consistem em pancreatite e perfuração. Contudo, sua maior vantagem é poder ser utilizada para intervenções terapêuticas, como hemostasia endoscópica, biópsias e marcação da localização correta da lesão para posterior intervenção cirúrgica. Há poucos estudos comparativos e metaanálises, mas existem estudos prospectivos, randomizados e controlados comparando CE e EDB. Em geral, apresentam eficácia diagnóstica semelhantes, podendo ser inclusive complementares. O uso combinado é melhor que a aplicação isolada de cada modalidade. Enteroscopia por Tomografia Computadorizada 5
6 A enteroscopia por tomografia computadorizada (TC) é uma técnica não-invasiva que visualiza o extravasamento do meio de contraste para o lúmen intestinal, identificado a fonte de sangramento. A enterografia por TC é mais apropriada que a TC quando há suspeita de obstrução GI, como em caso de tumores de intestino delgado. Portanto, a enterografia por TC é a modalidade de escolha quando há suspeita de neoplasia e quando os achados da CE forem negativos. Angiografia A angiografia é um método útil de avaliação de OGIB evidente. A eficácia diagnóstica para hemorragia digestiva baixa varia entre 27 e 77%, mas os resultados são limitados para o OGIB. Lesões vasculares, principalmente angiodisplasia de intestino delgado, têm as mais altas taxas de ressangramento. ABORDAGEM DIAGNÓSTICA DE PACIENTES COM OGIB OGBI evidente A CE possui eficácia diagnóstica em torno de 67%, e pode ser aumentada se realizada logo após o episódio de sangramento. No caso da EDB, se realizada durante o sangramento ativo, é possível chegar ao diagnóstico em 83 a 100% dos casos, estatística muito mais significativa quando comparada à realização após o término do sangramento (48 a 58%). A EDB de emergência pode ser realizada em até 24 horas após o início do sangramento. É um procedimento invasivo, muitas vezes requerendo anestesia geral e, além disso, nem sempre disponível. Portanto, o Korean Gut Image Study Group e a American Society for Gastrointestinal Endoscopy (ASGE) têm recomendado a CE ou a cintilografia com hemácias marcadas para pacientes com hemorragia digestiva alta maciça e EDA negativa. (figura 01 e 02). A CE permite ao clínico escolher a terapêutica apropriada para cada paciente. Para aqueles com OGIB evidente já cessado, os guidelines da ASGE recomendam CE, PE e/ou colonoscopia. OGIB oculto Repetir EDA e colonoscopia são recomendáveis para pacientes com OGIB oculto. Um estudo retrospectivo realizado em pacientes submetidos à CE, demonstrou que alguns tinham lesões que poderiam ter sido identificas por EDA ou colonoscopia. Geralmente, a CE detecta lesões sangrantes que poderiam ter sido avaliadas por EDA em 3 a 17% dos casos. Repetir a EDA deve ser considerado quando a avaliação inicial foi subótima ou quando houver razões para suspeitar que alguma lesão não tenha sido detectada. A CE é recomendada como primeiro exame diagnóstico se não houver contra-indicação. Se a lesão for detectada, uma intervenção endoscópica, angiográfica, clínica ou cirúrgica deverá ser realizada. Se os achados da CE forem negativos, o status clínico do paciente deve ser considerado. Pacientes estáveis devem ser observados sem mais exames. Em pacientes com achados negativos na CE que foram reavaliados em 24 meses, a taxa de ressangramento foi de 16,4%, sendo significativamente mais baixa do que aqueles que apresentaram achados positivos. Entretanto, para pacientes com CE negativa que estejam em uso de anticoagulantes, uma observação de perto é necessária e modalidades alternativas de avaliação são necessárias. Não existe, até o momento, uma indicação clara sobre qual técnica alternativa deva ser utilizada, bem como o tempo apropriado para testes adicionais. Um melhor rendimento diagnóstico é obtido em pacientes que tiveram queda da hemoglobina em 4g/dl ou naqueles que se converteram de sangramento oculto para evidente. Outra opção seria realizar a EDB ao invés da CE. Então, naqueles pacientes que apresentam sangramento contínuo ou recorrente ou que tiveram queda importante dos níveis de hemoglobina, poderão ser submetidos novamente à CE ou à EDB depois de uma avaliação inicial com CE negativa. CONCLUSÃO Permanece a estratégia de se iniciar a avaliação de hemorragia de intestino delgado pela CE ao invés da EDB na maioria dos casos, sendo que ambas apresentam rendimento diagnóstico similar. Vários fatores devem ser considerados, incluindo o status do paciente, a disponibilidade tecnológica, a expertise profissional e o custo-benefício. Em resumo, a CE e a DBE permanecem como métodos complementares essenciais para detecção de manejo do OGIB. 6
7 PRÓXIMOS EVENTOS ABR INTERGASTRO & TRAUMA 2015 LOCAL Centro de Convenções e Exposições de Campinas, SP. INFORMAÇÕES [email protected] MAI I CONGRESO INTERNACIONAL E INTERDISCIPLINARIO ARGENTINO DE DISFAGIA Y TRASTORNOS DEGLUTORIOS DE LA PREVENCION A LA RECUPERACION LOCAL Universidad Cattolica Argentina (UCA), Puerto Madero, Buenos Aires, Argentina INFORMAÇÕES MAI CONGRESSO SUDESTE DE VIDEOCIRURGIA LOCAL Vila Galé, Angra dos Reis, RJ INFORMAÇÕES TEL/FAX: (21) [email protected] 4-6 JUN 11º CONGRESSO INTERNACIONAL DE CÂNCER GÁSTRICO LOCAL World Trade Center São Paulo, Brooklin Novo, São Paulo, SP. INFORMAÇÕES TEL/FAX: (11) [email protected] 7
8 PATROCINADORES RIO RESIDÊNCIA MÉDICA EM ENDOSCOPIA CREDENCIAMENTO PELO MEC NO RIO DE JANEIRO HOSPITAL FEDERAL DE IPANEMA ENDEREÇO Rua Antônio Parreiras, 67, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. CEP CONTATOS (21) / [email protected] RESPONSÁVEIS Ana Maria Zuccaro Huang Ling Fang HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GAFFRÉE E GUINLE ENDEREÇO Rua Mariz e Barros, 775, Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. CEP CONTATOS (21) [email protected] RESPONSÁVEL Luis Gustavo Périssé Ronaldo Taam INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA) ENDEREÇO Praça Cruz Vermelha, 23, Centro, Rio de Janeiro, RJ. CEP: CONTATOS (21) RESPONSÁVEL Gustavo Francisco de Souza e Mello Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva Estadual Rio de Janeiro (SOBED-RJ) Rua da Lapa, n 120, salas 309 a 311, Lapa, Rio de Janeiro, RJ. CEP: Telefones: (21) Fax: (21) [email protected] ÓRGÃO INFORMATIVO SOBED-RJ Edição mensal distribuição gratuita para médicos endoscopistas tiragem de exemplares/mês
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