Prevenção cardiovascular
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- Eugénio Raminhos Beretta
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1 Prevenção cardiovascular
2 Superintendência de Atenção Primária Prevenção cardiovascular Versão PROFISSIONAIS 2013
3 Coordenação Técnica André Luis Andrade Justino Armando Henrique Norman Nulvio Lermen Junior Prefeito Eduardo Paes Secretário Municipal de Saúde Hans Fernando Rocha Dohmann Subsecretária de Gestão Estratégica e Integração da Rede de Saúde Betina Durovni Subsecretário de Atenção Primária, Vigilância e Promoção de Saúde Daniel Soranz Superintendente de Atenção Primária em Saúde José Carlos Prado Junior Coordenadora de Saúde da Família Ana Caroline Canedo Teixeira Coordenadora de Linha de Cuidado e Programas Especiais Maria de Fátima Gonçalves Enes Gerente de Programas de Diabetes Claudia Ramos Marques da Rocha Gerente de Programas de Hipertensão Roberta Azevedo Coelho Organização Inaiara Bragante Tradução e adaptação Michael Duncan Revisão Técnica Claudia Ramos Marques da Rocha Luciana Diniz Carneiro Spina Michael Duncan Roberta Azevedo Coelho Rosimere Peçanha Teresa Cristina de Carvalho Seixas Colaboração Angela Marta da Silva Longo Angelmar Roman Carlo Roberto H da Cunha Cassia Kirsch Lanes Fernanda Lazzari Freitas Marcelo Rodrigues Gonçalves Melanie Noël Maia Revisão Kênia Santos Diagramação Márcia Azen Sobre este Guia Este é um guia de referência rápida que resume as recomendações da Superintendência de Atenção Primária (S/SUBPAV/SAP), construído a partir do conteúdo disponibilizado pelo NICE (National Institute for Health and Clinical Excellence, NHS Reino Unido) e adaptado para a realidade brasileira e carioca por profissionais que trabalham diretamente na Atenção Primária à Saúde (APS). O documento representa o posicionamento da S/SUBPAV/SAP e tem a função de orientar a assistência clínica nas unidades de APS na cidade do Rio de Janeiro. Em caso de condutas divergentes do que estiver presente neste guia, recomenda-se o devido registro em prontuário.
4 Prevenção cardiovascular Índice Índice Introdução 4 Cuidados centrados na pessoa 4 Abordagem Comunitária 5 Avaliação do risco cardiovascular na atenção primária para prevenção primária e definição da intensidade das intervenções preventivas 6 Informar sobre o processo de avaliação do risco e sobre o tratamento 6 Avaliação e estratificação do risco cardiovascular 7 Fluxograma para avaliação e estratificação do risco cardiovascular 8 Intervenções para prevenção primária de eventos cardiovasculares conforme a estratificação do risco cardiovascular 10 Mudanças de estilo de vida para prevenção primária e secundária de doença cardiovascular 11 Orientações gerais para implementação 11 Orientações para alimentação saudável (para todos) 12 Dieta cardioprotetora 13 Atividade física 14 Controle do peso 14 Consumo de álcool 15 Cessação do tabagismo 15 Tratamento para dislipidemia 16 Prevenção primária 16 Prevenção secundária 17 Abordagem da hipertrigliceridemia 18 Apêndice 19 Pessoas com baixo risco de eventos cardiovasculares (< 10% em 10 anos) 19 Pessoas com risco moderado de eventos cardiovasculares (20% em 10 anos) 20 Pessoas com risco elevado de eventos cardiovasculares (40% em 10 anos) 21 3
5 Introdução Prevenção cardiovascular Introdução As doenças cardiovasculares são a segunda principal causa de morte no Brasil, afetando principalmente pessoas acima dos 50 anos. Além do sexo e da idade, três fatores de risco modificáveis tabagismo, pressão arterial elevada e colesterol elevado contribuem de forma importante para o risco cardiovascular, especialmente quando combinados. O risco de desenvolver um evento cardiovascular pode ser calculado a partir desses fatores de risco, permitindo identificar as pessoas com maior risco. Os níveis de colesterol apresentam uma relação log-linear com o risco de doença coronariana e são um fator de risco modificável. Podem ser reduzidos através de mudança alimentar, atividade física e medicamentos. Este guia aborda a identificação das pessoas com maior risco de desenvolver doença cardiovascular e o tratamento da dislipidemia nessas pessoas e naquelas com doença cardiovascular já estabelecida. Cuidados centrados na pessoa Os profissionais de saúde devem usar linguagem simples, sem jargão, ao discutir o risco cardiovascular, mudanças de estilo de vida e opções terapêuticas com os pacientes. Deve-se alocar tempo adequado para a consulta, de modo a permitir que se esclareçam dúvidas. Consultas adicionais podem ser necessárias. Introdução 4 As discussões com os pacientes sobre o risco cardiovascular devem ser documentadas. O tratamento e o plano de cuidado devem levar em conta: As necessidades e preferências da pessoa. Particularidades culturais e limitações físicas ou de aprendizado. Se o paciente concordar, deve-se permitir que familiares e cuidadores tenham a oportunidade de estarem envolvidos nas decisões sobre o tratamento e o plano de cuidado.
6 Prevenção cardiovascular Abordagem Comunitária Abordagem Comunitária Prevenção primária de doenças cardiovasculares no nível comunitário Para a prevenção primária de doenças cardiovasculares na atenção primária, no nível comunitário, é importante identificar os fatores de risco e de proteção para doenças cardiovasculares no território atendido pela equipe. Isso pode ser discutido em reunião de equipe, e os agentes comunitários de saúde devem ser os principais responsáveis pelo levantamento das informações e pelas intervenções no nível comunitário, devendo contar, quando necessário, com o apoio dos profissionais de nível superior da equipe. Deve-se identificar onde as pessoas compram os alimentos e se têm acesso a alimentos saudáveis a preço acessível. Deve-se também identificar recursos comunitários para atividade física, para auxílio no tratamento do alcoolismo, bem como padrões de uso do tabaco (especialmente grupos com maior prevalência de uso ou maior taxa de iniciação). Em posse dessas informações é possível atuar junto a comerciantes locais, lideranças comunitárias e outros atores sociais importantes para promover melhoria desses fatores de risco e de proteção. Sugere-se também realizar periodicamente atividades educativas na comunidade referentes aos fatores de risco e de proteção. Os agentes comunitários de saúde, nas visitas domiciliares, devem periodicamente avaliar a presença dos fatores de risco e devem estar capacitados para aconselhamento breve e para encaminhamento aos profissionais de nível superior da equipe aqueles pacientes que demonstram prontidão para a mudança e necessitam de auxílio mais complexo. 5 Abordagem Comunitária
7 Avaliação do risco cardiovascular Prevenção cardiovascular Avaliação do risco cardiovascular na atenção primária para prevenção primária e definição da intensidade das intervenções preventivas Avaliação do risco cardiovascular 6 Informar sobre o processo de avaliação do risco e sobre o tratamento Estimular o envolvimento ativo da pessoa para reduzir o seu risco cardiovascular: Perguntar o que a pessoa já sabe sobre o seu risco e como se sente em relação a isso. Explorar o que ela acha que determina sua saúde futura. Avaliar a prontidão para mudanças de estilo de vida, para a realização de exames e para tomar medicações. Informar sobre possíveis opções de tratamento. Desenvolver um plano de manejo compartilhado. Verificar se a pessoa compreendeu o que foi discutido.
8 Prevenção cardiovascular Avaliação do risco cardiovascular Avaliação e estratificação do risco cardiovascular Para a prevenção primária de doenças cardiovasculares na atenção primária no nível individual, deve-se usar uma estratégia sistemática para identificar todas as pessoas entre anos na população atendida pela equipe e estratificar o seu risco cardiovascular. Para pessoas com hipertensão e/ou diabetes, a estratificação do risco cardiovascular deve ser integrada ao acompanhamento dessas doenças. A primeira etapa da avaliação do risco cardiovascular é identificar aquelas pessoas que, por critérios clínicos, já apresentam risco cardiovascular elevado e que deverão receber intervenções de prevenção secundária. Para as demais, deve-se estratificar o risco de evento coronariano em 10 anos a partir do escore de Framingham, integrado ao prontuário eletrônico. Em pessoas com diabetes, recomenda-se que o risco cardiovascular seja estimado usando a calculadora do UKPDS. Se ela não estiver disponível, pode-se usar o escore de Framingham, embora ele seja menos adequado a essa população. Considera-se alto risco cardiovascular um risco de 20% ou mais estimado pelo Framingham ou UKPDS. Risco moderado situa-se entre 10 e 20% e baixo risco é abaixo de 10%. Para pessoas que mesmo se tivessem colesterol total ou LDL elevado e HDL baixo teriam baixo risco, pode-se optar por não solicitar o perfil lipídico. Para as demais, o perfil lipídico deve ser atualizado a cada 3-5 anos. Informar sobre o risco absoluto de doença cardiovascular e sobre os benefícios e danos absolutos das intervenções em um período de 10 anos. Nesse processo deve-se: -- Apresentar cenários individualizados sobre riscos e benefícios. -- Apresentar o risco absoluto de eventos de forma numérica. -- Usar diagramas e textos. (Ver apêndices) 7 Avaliação do risco cardiovascular
9 Avaliação do risco cardiovascular Prevenção cardiovascular Fluxograma para avaliação e estratificação do risco cardiovascular Avaliação do risco cardiovascular 8 Avaliação inicial: Sexo, idade, tabagismo, pressão arterial, índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal, manifestações clínicas de aterosclerose Condições clínicas associadas a alto risco: Doença aterosclerótica clínica: síndrome coronariana aguda, angina de peito, acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório, doença arterial periférica, revascularização miocárdica prévia, endarterectomia prévia Dislipidemia grave (colesterol total >320 mg/dl, LDL-C >240 mg/dl ou relação colesterol total/ HDL-C >8 ou dislipidemia familiar Doença aneurismática de aorta Doença renal crônica (TFG < 60ml/min) Diabetes com nefropatia ou retinopatia Não Idade 40 anos: Mais cedo na presença de Hipertensão ( 140/90 mmhg) ou história de préeclâmpsia Diagnóstico prévio de diabetes mellitus, tolerância à glicose diminuída, glicemia de jejum alterada, diabetes gestacional Obesidade (IMC > 30 kg/m2) ou obesidade central (cintura medida na crista ilíaca: > 88 cm, mulheres; > 102 cm, homens) História familiar de infarto agudo do miocárdio, morte súbita ou acidente vascular cerebral em familiares de primeiro grau ocorrido antes dos 50 anos História de dislipidemia familiar Sim Não Sim Calcular o risco cardiovascular em 10 anos Realizar prevenção secundária Avaliação laboratorial: Sem diabetes: colesterol total, HDL, triglicerídeos Com diabetes: os acima + HbA1C Com diabetes: calculadora UKPDS Baixo risco: < 10% em 10 anos Intervenções de baixa intensidade Risco moderado: > 10% e < 20% em 10 anos Intervenções de média intensidade Sem diabetes: escore de Framingham Alto risco: > 20% em 10 anos Intervenções de alta intensidade Calculadora UKPDS, disponível no site:
10 Prevenção cardiovascular Avaliação do risco cardiovascular Escore de Framingham (risco de infarto ou morte por doença coronariana em 10 anos) Homens Mulheres Idade Pontos Idade Pontos Colesterol Idade mg/dl < Fumo Idade Não Sim HDL - colesterol (mg/dl) Pontos <40 2 PA (sistólica mm Hg) Não tratada Tratada < Colesterol Idade mg/dl < Fumo Idade Não Sim HDL - colesterol (mg/dl) Pontos <40 2 PA (sistólica mm Hg) Não tratada Tratada < Resultado (Homens) Total de Pontos Risco absoluto em 10 anos (%) < 0 < Resultado (Mulheres) Total de Pontos Risco absoluto em 10 anos (%) < 9 < Avaliação do risco cardiovascular
11 Avaliação do risco cardiovascular Prevenção cardiovascular Intervenções para prevenção primária de eventos cardiovasculares conforme a estratificação do risco cardiovascular Risco Cardiovascular Baixo Intervenção Aconselhamento: Parar de fumar Alimentação saudável Manutenção de peso/cintura Atividade física Ênfase em medidas não farmacológicas e tratamento para hipertensão, se presente* Avaliação do risco cardiovascular 10 Médio Alto Adicionar: Intensificar conselhos sobre estilo de vida Dieta com características cardioprotetoras Intensificar tratamento contra tabagismo Cautela no uso de AINES Adicionar: Estatinas AAS em homens acima de 55 anos e mulheres acima de 65 anos** * Hipertensão, quando presente, invariavelmente recebe tratamento. ** Em indivíduos com baixo risco de hemorragia digestiva. Risco de hemorragia é maior naqueles com sintomas dispépticos, história de úlcera péptica ou usuários crônicos de anti-inflamatórios não esteróides.
12 Prevenção cardiovascular Mudanças de estilo de vida Mudanças de estilo de vida para prevenção primária e secundária de doença cardiovascular Orientações gerais para implementação Todos os profissionais de saúde, incluindo os agentes comunitários de saúde, devem estar capacitados para identificar hábitos de vida deletérios e para aconselhamento breve em pessoas de baixo risco. Pessoas com risco cardiovascular elevado ou com maior dificuldade para realizar as mudanças de estilo de vida devem receber orientações de profissional de nível superior, com apoio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), quando necessário e disponível. Para otimização do tempo e maior efetividade das intervenções, sugere-se, quando possível, que os pacientes participem de grupos nos quais sejam intensificadas as orientações, como grupos de hipertensos, de diabéticos, de reeducação alimentar, de tabagismo, entre outros. Entretanto, aconselhamento individual deve estar disponível quando o paciente não puder ou não quiser participar dos grupos. Os grupos devem receber materiais educativos para auxiliar nas mudanças de estilo de vida, bem como questionários para a identificação de hábitos a serem modificados. Estes materiais já estão disponíveis nas unidades de saúde e no site da subpav: 11 Mudanças de estilo de vida
13 Mudanças de estilo de vida Prevenção cardiovascular Orientações para alimentação saudável (para todos) Mudanças de estilo de vida Distribuir as refeições ao longo do dia, com pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis. Priorizar carboidratos complexos (ex., arroz, pão, massa e cereais), em especial na sua forma integral. Minimizar o consumo de carboidratos simples, em especial os refinados. Frutas, embora ricas em carboidratos simples, devem ser estimuladas, conforme a seguir. Ingerir pelo menos 400 gramas de frutas, verduras e legumes por dia (excluindo batata, outras raízes e tubérculos), o que equivale a cinco porções (ver página a seguir com exemplos). Dar preferência para frutas na sua forma integral, in natura. Ingerir alimentos ricos em fibras. A ingestão de frutas, verduras e legumes (já ricos em fibras) pode ser suplementada pela ingestão de grãos, tubérculos e raízes. Pão integral é uma fonte rica em fibras. Ingerir arroz com feijão diariamente ou pelo menos cinco dias por semana, por serem ricos em proteína vegetal. Estimular o consumo de amendoim, castanhas, nozes e sementes, como opção de lanches ou como ingredientes de diferentes preparações. Recomendar o consumo diário ou quase diário de algum tipo de carne, em especial carnes brancas. Recomendar o consumo de peixe 2x/semana. Minimizar o consumo de carne vermelha. Recomendar o consumo diário de leite ou seus derivados, dando preferência para a forma desnatada. Retirar, sempre que possível, a gordura visível dos alimentos. Estimular o consumo de gorduras insaturadas (ex., em óleos, sementes e peixes). Evitar gorduras saturadas (ex., gordura animal, óleo de coco e de palma). Evitar alimentos altamente processados. Fonte: Jaime PC, da Silva ACF, Bortolini GA. Alimentação saudável do adulto. IN: Duncan BB et al. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências, Artmed,
14 Prevenção cardiovascular Mudanças de estilo de vida Exemplos para consumo de no mínimo 400g de frutas, verduras e legumes (cinco porções): Banana 1 unidade (86g) + Alface 2 folhas (16g) + Tomate 2 fatias (40g) + Beterraba cozida 3 fatias (43g) Maçã 1 unidade (130g) + Abacaxi 1 fatia (130g) = 445g. Pêra 1 unidade (133g) + Vagem cozida 3 colheres de sopa (66g) + Repolho roxo cru 3 colheres de sopa (30g) + Laranja 1 unidade (137g) + Caju 1 unidade (60g) = 426g. Goiaba 1 unidade (120g) + Couve manteiga cozida 1 colher de servir (42g) + Berinjela 2 colheres de sopa (60g) + Morango 5 unidades (120g) + Abacate 3 colheres de sopa amassado (90g) = 432g. Caqui 1 unidade (113g) + Pêssego 1 unidade (110g) + Brócolis cozido 2 colheres e ½ de sopa (30g) + Abóbora 3 colheres de sopa (105g) + Acerola 10 unidades (70g) = 428g. Dieta cardioprotetora Para pessoas com risco cardiovascular moderado ou alto, ou já com manifestação clínica de doença cardiovascular, as orientações para alimentação saudável devem ser intensificadas. Estimular o consumo de fitoesterois (presentes em óleos vegetais de girassol, soja e canola, frutas e vegetais), proteína de soja (leite de soja, tofu, carnes simuladas de soja), fibras solúveis (farelo de aveia, cevada, produtos de psyllium) e nozes. Esses alimentos podem reduzir o colesterol total e o LDL em magnitude similar àquela obtida com estatinas de primeira geração. Minimizar o consumo de ácidos graxos trans. Estimular o uso de filtro de papel para o preparo do café, para eliminar substâncias que elevam o colesterol LDL. Essa recomendação não se aplica para café expresso, descafeinado ou instantâneo, que não elevam o LDL. 13 Mudanças de estilo de vida
15 Mudanças de estilo de vida Prevenção cardiovascular Atividade física A prática regular de exercícios físicos traz inúmeros benefícios, sendo componente fundamental de estratégias para redução do risco cardiovascular. Os riscos associados à participação em atividade física são baixos, mesmo para pacientes com doença coronariana. Assim, solicitar teste ergométrico de rotina antes de iniciar programa de atividade física, em geral não é recomendado. Entretanto, para pacientes com angina ou insuficiência cardíaca, o teste de esforço geralmente é recomendado antes de iniciar atividade física, mas pode ser dispensado antes de iniciar programas de exercícios leves em pacientes bem controlados, a não ser que desencadeiem sintomas. Outros casos em que possa ser indicada a solicitação de teste de esforço antes de iniciar programa de exercício físico intenso (mas não leve a moderado) são pessoas com diabetes, homens > 45 anos e mulheres > 55 anos. Salienta-se que no Programa Academia Carioca os exercícios geralmente são de intensidade leve a moderada. Mudanças de estilo de vida Estimular 30 minutos, por dia, de exercícios físicos de intensidade pelo menos moderada, no mínimo cinco dias por semana. Estimular que as pessoas que não consigam alcançar essa meta se exercitem na sua capacidade máxima segura. Recomendar exercícios físicos que possam ser incorporados na rotina diária, como caminhada rápida, uso de escadas e de bicicletas. Informar que o exercício físico pode ocorrer em períodos fracionados de 10 minutos ou mais ao longo do dia. Levar em conta as necessidades, preferências e situação atual da pessoa. Acordar metas e fornecer informações por escrito sobre os benefícios da atividade física e oportunidades na comunidade para que as pessoas possam se manter fisicamente ativas. Oferecer a participação no Programa Academia Carioca. As recomendações devem ser intensificadas de acordo com o risco cardiovascular do paciente. Controle do peso Oferecer às pessoas com sobrepeso ou obesidade aconselhamento e apoio para atingir e manter um peso saudável. 14
16 Prevenção cardiovascular Mudanças de estilo de vida Consumo de álcool Aconselhar a limitar a ingestão diária de bebidas alcoólicas para não mais de 30 g/dia de etanol para homens (625 ml de cerveja, um pouco menos de duas latas; 93,7 ml de uísque, pouco menos de duas doses; 312,5 ml de vinho) e 15 g/dia para mulheres e pessoas magras. Aconselhar todos a evitar ingestão excessiva de álcool. Cessação do tabagismo Aconselhar todas as pessoas que fumam a pararem de fumar. Se a pessoa quiser parar: -- Oferecer apoio e aconselhamento individual. -- Oferecer a inscrição em grupo de tabagismo. 15 Mudanças de estilo de vida
17 Tratamento para dislipidemia Prevenção cardiovascular Tratamento para dislipidemia Prevenção primária Considerar uso de fármacos para prevenção primária para os quais há evidências de efeito benéfico sobre morbidade e mortalidade cardiovascular. Oferecer 40mg de sinvastatina como parte do plano terapêutico para adultos acima de 40 anos com risco de evento cardiovascular em 10 anos > 20%,com base no escore de Framingham ou no UKPDS, para diabéticos. Se houver potenciais interações medicamentosas ou contraindicação ao uso de 40mg de sinvastatina, oferecer dose mais baixa de sinvastatina ou pravastatina. Tratamento para dislipidemia 16 Não há alvo para colesterol total ou LDL para prevenção primária. Revisar o tratamento medicamentoso de acordo com as boas práticas clínicas. Não é necessário repetir o perfil lipídico, mas deve-se reavaliar o tratamento de acordo com o julgamento clínico e com as preferências do paciente. Seguimento Medir as transaminases após 3 e12 meses, mas não após, a não ser que haja indicação clínica. Se medicamentos que interferem no metabolismo das estatinas forem introduzidos por outro motivo, considerar reduzir a dose de estatina ou interrompê-la de forma temporária ou permanente. Orientar procurar atendimento médico em caso de dor ou fraqueza muscular.
18 Prevenção cardiovascular Tratamento para dislipidemia Prevenção Secundária Considerar uso de fármacos para prevenção secundária para os quais há evidências de efeito benéfico sobre morbidade e mortalidade cardiovascular. Oferecer tratamento farmacológico para redução do colesterol assim que possível. Oferecer 40mg de sinvastatina para todos os adultos com evidência clínica de doença cardiovascular. Se houver potenciais interações medicamentosas ou se a dose de 40mg de sinvastatina não for tolerada, considerar dose mais baixa ou trocar para pravastatina. Sempre levar em conta as preferências do paciente, comorbidades, outros fármacos em uso e o balanço entre riscos e benefícios. Medir o perfil lipídico três meses após o início do tratamento Considerar aumentar a dose da sinvastatina (até 80mg/dia) ou trocar para outra estatina de maior intensidade se o colesterol total não cair para menos de 155mg/dL ou o LDL não cair para menos de 77mg/dL, levando em conta as preferências do paciente, as comorbidades, outros fármacos em uso e o balanço entre riscos e benefícios. Reconhecer que menos da metade dos pacientes irão alcançar esse alvo. Seguimento Não monitorar de rotina a creatina quinase (CK) em pessoas sem eventos adversos, mas solicitá-la em pessoas com queixas musculares. Interromper o uso de estatinas e solicitar avaliação do especialista se houver neuropatia periférica inexplicada. Se as estatinas não forem toleradas para prevenção secundária, considerar: -- Fibratos / - Resinas / - Ácido nicotínico / - Ezetimibe 17 Tratamento para dislipidemia
19 Abordagem da hipertrigliceridemia Prevenção cardiovascular Abordagem da hipertrigliceridemia Triglicerídeos elevados aumentam o risco cardiovascular. Frequentemente são secundários a diabetes mal controlado, hipotireoidismo, obesidade, dieta inadequada, sedentarismo, uso abusivo de álcool ou uso de certos medicamentos (antipsicóticos atípicos, betabloqueadores, diuréticos tiazídicos, estrogênio, imunossupressores, isotretinoína oral, inibidores da protease, tamoxifeno). Na maioria dos casos, para a hipertrigliceridemia isolada não está indicado tratamento farmacológico, sendo o manejo focado nesses fatores causais e no risco cardiovascular calculado usando o nível de colesterol sérico. Quando o nível de triglicerídeos está acima de 500mg/dL, aumenta o risco de pancreatite aguda, sendo indicada intensificação do manejo não farmacológico e, quando não houver resposta satisfatória, tratamento com fibratos. Para níveis de triglicerídeos acima de 1000mg/dL, está indicado tratamento imediato com fibratos. O uso concomitante de estatinas e fibratos deve ser cauteloso devido ao risco de rabdomiólise. Abordagem da hipertrigliceridemia 18
20 Prevenção cardiovascular Apêndice 1 Apêndice 1. Material para apoio na decisão sobre usar estatinas Adaptado de: Pessoas com baixo risco de eventos cardiovasculares (< 10% em 10 anos) Imagine 100 pessoas nesse nível de risco. Nos próximos 10 anos, aproximadamente 10 (10%) terão um evento cardiovascular. Entretanto, se essas mesmas 100 pessoas tomarem uma estatina por 10 anos: Aproximadamente três pessoas serão salvas de terem um evento cardiovascular por terem tomado a estatina (os rostos amarelos). Aproximadamente 90 pessoas não terão um evento cardiovascular e nem teriam tido se não tivessem tomado a estatina (os rostos verdes). Aproximadamente sete pessoas ainda terão um evento cardiovascular (os rostos vermelhos), mesmo tomando uma estatina. Mas é importante lembrar que É impossível saber o que irá acontecer com um determinado indivíduo. Todas essas 100 pessoas terão que tomar a estatina por 10 anos. Estas pessoas não terão um evento cardiovascular e nem teriam tido se não tivessem tomado a estatina Estas pessoas serão salvas de ter um evento cardiovascular por terem tomado a estatina Estas pessoas ainda terão um evento cardiovascular mesmo tomando a estatina 19 Apêndice 1
21 Apêndice 1 Prevenção cardiovascular Pessoas com risco moderado de eventos cardiovasculares (20% em 10 anos) Imagine 100 pessoas nesse nível de risco. Nos próximos 10 anos, aproximadamente 20 (20%) terão um evento cardiovascular. Entretanto, se essas mesmas pessoas tomarem uma estatina por 10 anos: Aproximadamente 5 pessoas serão salvas de terem um evento cardiovascular por terem tomado a estatina (os rostos amarelos). Aproximadamente 80 pessoas não terão um evento cardiovascular e nem teriam tido se não tivessem tomado a estatina (os rostos verdes). Aproximadamente 15 pessoas ainda terão um evento cardiovascular (os rostos vermelhos), mesmo tomando uma estatina. Mas é importante lembrar que É impossível saber o que irá acontecer com um determinado indivíduo. Todas essas 100 pessoas terão que tomar a estatina por 10 anos. Estas pessoas não terão um evento cardiovascular e nem teriam tido se não tivessem tomado a estatina Estas pessoas serão salvas de ter um evento cardiovascular por terem tomado a estatina Apêndice 1 20 Estas pessoas ainda terão um evento cardiovascular mesmo tomando a estatina
22 Prevenção cardiovascular Apêndice 1 Pessoas com risco elevado de eventos cardiovasculares (40% em 10 anos) Imagine 100 pessoas nesse nível de risco. Nos próximos 10 anos, aproximadamente 40 (40%) terão um evento cardiovascular. Entretanto, se essas mesmas pessoas tomarem uma estatina por 10 anos: Aproximadamente 11 pessoas serão salvas de terem um evento cardiovascular por terem tomado a estatina (os rostos amarelos). Aproximadamente 60 pessoas não terão um evento cardiovascular e nem teriam tido se não tivessem tomado a estatina (os rostos verdes). Aproximadamente 29 pessoas ainda terão um evento cardiovascular (os rostos vermelhos), mesmo tomando uma estatina. Mas é importante lembrar que É impossível saber o que irá acontecer com um determinado indivíduo. Todas essas 100 pessoas terão que tomar a estatina por 10 anos. Estas pessoas não terão um evento cardiovascular e nem teriam tido se não tivessem tomado a estatina Estas pessoas serão salvas de ter um evento cardiovascular por terem tomado a estatina Estas pessoas ainda terão um evento cardiovascular mesmo tomando a estatina 21 Apêndice 1
23 Anotações
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26 SMS - RJ / SUBPAV / SAP
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