Matrizes positivas definidas, semidefinidas, etc.
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- Artur Coelho Vilalobos
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1 Matrizes positivas definidas, semidefinidas, etc. Amit Bhaya, Programa de Engenharia Elétrica COPPE/UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro amit
2 Funções quadráticas positivas definidas Uma função quadrática f(x, y) = ax 2 + 2bxy + cy 2 é chamada positiva definida (p.d.) se x, y R,(x, y) (0,0),f(x,y) > 0. Condições necessárias e suficientes para que uma função seja p.d. Completamos o quadrado: f = a ( x + b a y ) 2 + ) (c b2 percebendo que f > 0 se e somente se a > 0 e ac b 2 > 0. Conclusão: Uma função F(x, y) de duas variáveis x, y R atinge um mínimo (não-degenerado) no ponto x = y = 0 se e somente se suas primeiras derivadas parciais forem nulas e as segundas satisfazem a y 2 2 F x 2 (0,0) > 0, [ 2 F (0,0) 2 ] F (0,0) x 2 y 2 > [ 2 F x y (0,0) ] 2. 1
3 Formas quadráticas positivas definidas Dada uma matriz A simétrica (hermitiana, resp.), a forma quadrática é definida como Q A (x) := x T Ax, para x R n (resp. C n ). Se x 0,Q A (x) > 0, então a forma quadrática é chamada positiva definida (p.d.). Para A = (a ij ), Q A (x) = n i=1 n j=1 a ijx i x j. Isto é, a forma por extenso mostra explicitamente que a forma quadrática contém somente termos de grau 2 (do tipo x 2 i ou x ix j ), justificando o nome forma quadrática. Sendo H = (h ij ) a hessiana (matriz de segundas derivadas parciais de uma função F, i.e., h ij := 2 F/ x i x j ), podemos dizer que F possui um mínimo quando a forma quadrática Q H) (x) = x T Hx é p.d. A expansão de Taylor da função F em torno de 0 é: F(x) = F(0)+x T gradf+ 1 2 xt Hx+termos de ordem > 3, onde gradf := ( F/ x 1,..., F/ xn), (o gradiente de F) se anula no mínimo. 2
4 Testes para p.d. Uma matriz é chamada positiva definida (p.d.) se a forma quadrática associada a A, Q A (x) > 0, x 0. Testes para A p.d.: Os seguintes testes são condições necessárias e suficientes equivalentes para que uma matriz A = A T seja positiva definida. 1. x T Ax > 0, x Todos os autovalores de A são positivos. 3. Todas as matrizes ĺıderes 1 possuem determinantes positivos. 4. Todos os pivôs são positivos (e não é preciso, teoricamente, fazer trocas de linhas na eliminação gaussiana em A). 5. R com colunas l.i. tal que A = R T R. 1 formadas pelos cantos superiores à esquerda, sempre escolhendo as k primeiras linhas e colunas, k = 1, 2,...) 3
5 Matrizes p.d. e elipsóides Seja A = A T positiva definida. Sabemos (pelo teorema espectral) que A = QΛQ T, com os autovalores λ i > 0. A matriz ortogonal (de rotação) simplifica x T Ax = 1: x T QΛQ T x = 1 ou y T Λy = 1 ou λ 1 y λ n y 2 n = 1. Esta é a equação de um elipsóide com semi-eixos apontando (no espaço x original) nas direções dos autovetores e tendo comprimentos 1/ λ 1,...,1/ λ n. 4
6 Matrizes semidefinidas Uma matriz é chamada positiva semi-definida (p.s.d.) se a forma quadrática associada a A, Q A (x) 0, x 0. Testes para A p.s.d.: Os seguintes testes são condições necessárias e suficientes equivalentes para que uma matriz A = A T seja positiva semi-definida. 1. x T Ax 0, x Todos os autovalores de A são não-negativos ( 0). 3. Todas as submatrizes principais 2 possuem determinantes não-negativos. 4. Todos os pivôs são não-negativos. 5. R tal que A = R T R (cols. de R podem ser l.d.!). 2 formadas pela escolha de qualquer conjunto de k linhas e as mesmas colunas, k = 1, 2,...) 5
7 Congruências e Inércia Operação de mudança de variáveis em forma quadrática leva a idéia de congruência. Seja Q A (x) = x T Ax, e x = Cy (mudança de variáveis). Então definimos uma forma quadrática no vetor y, y T C T ACy =: Q B (y), onde B := C T AC. A matriz B é chamada congruente a A, e a transformação A C T AC,C não-singular é denominada transformação de congruência. Lei de inércia de Sylvester: A matriz C T AC possui o mesmo número de autovalores positivos, negativos e zero que A. Ou seja, congruências conservam os sinais dos autovalores, não as localizações. 6
8 Esboço da prova da lei de inércia Vamos provar o caso onde A é não-singular ( C T AC é não-singular também), e não precisamos considerar autovalores nulos. Prova: Suponha que C pode ser transformada continuamente (C(t) varia continuamente no intervalo [0, 1]) em uma Q ortogonal: i.e., C(0) = C e C(1) = Q. Então os autovalores de C(t) T AC(t) também mudam continuamente, passando do conjunto dos AV de C T AC (t = 0) para o conjunto dos AV de Q T AQ (t = 1). Como C(t) nunca é singular, nenhum desses AV (são reais!) pode tocar/cruzar a origem. Portanto, o número de AV à esquerda da origem, e o número à esquerda, para C T AC e Q T AQ têm que ser iguais. E estes números são os mesmos dos de A que possui os mesmos AV que a matriz similar Q 1 AQ = Q T AQ. Para terminar a prova, temos que mostrar a transformação contínua. Aplique Gram-Schmidt às colunas de C. Então C = QR, e a transformação contínua é: C(t) = tq + (1 t)qr. A família de matrizes C(t) pode ser escrita como C(t) = Q(tI + (1 t)r), portanto também passa pelo G-S, com fatores Q e ti + (1 t)r, ambos inversíveis. (porque?) 7
9 Aplicação da lei de inércia Para qualquer matriz simétrica, os sinais dos pivôs coincidem com os sinais dos autovalores. A matriz Λ dos autovalores e a matriz dos pivôs possui o mesmo número de elementos positivos, negativos e zero. Prova. A = LDL T! Localização dos AV através de deslocamentos: Exemplo: A = , e A 2I = Calculando: os pivôs de A são todos positivos, A 2I possui um pivô negativo. Conclusão: AV de A positivos, e um deles é menor do que 2 (porque)? Próximo passo: Deslocamento A I possui pivô negativo ( AV 1). A tridiagonal pivôs in 2n passos (não 1 6 n3!), eliminação, pivôs, deslocamentos, biseção...: método de Givens. 8
10 Problema de autovalor generalizado: motivação Sistema oscilatório com duas massas diferentes e molas. m 1 m 2 x 1 (0) = 1 x 2 (0) = 1 Equações (usando Lei de Newton: F = mẍ): Deslocamentos das massas x 1 e x 2, força das molas; F 1 = 2x 1 + x 2, F 2 = x 1 2x 2. Portanto: [ ] [ ] [ ] m1 0 ẍ1 2 1 = x 0 m ẍ 2 Se as massas forem iguais, chegaríamos a ẍ = Ax (familiar). Agora, tem-se Mẍ = Ax. O problema do AV generalizado surge quando procuramos soluções oscilatórias, i.e., e iωt : Mẍ = Ax M(iω) 2 e iωt x = Ae iωt x. 9
11 Autovalores generalizados (continuação) Ax = λmx, ou [ ] x = λ [ ] m1 0 x. 0 m 2 Solução se λm A singular autovalor generalizado é solução da equação polimomial det(λm A) = 0. Suponha M p.d. Então, R inversível t.q. M = R T R. Mudança de variáveis: y = Rx implica em: Ax = λmx = λr T Rx AR 1 y = λr T y. Seja C := R 1, pre-multiplicando por (R T ) 1 = C T : C T AC = λy. Os AV para este problema padrão (com uma matriz) coincidem com os AV do problema original Ax = λmx, e os autovetores são relacionados por y j = Rx j. 10
12 Propriedades do problema de autovalor generalizado Pelas propriedades da matriz simétrica C T AC, temos as propriedades correspondentes de Ax = λmx: 1. Os autovalores generalizados são reais. 2. Os AV generalizados possuem os mesmos sinais que os AV (usuais) de A (pela lei de inércia). 3. Os AV de C T AC podem ser escolhidos o.n., portanto os AV x j satisfazem M-ortonormalidade : x T i Mx j = x T i R T Rx j = y T i y j = 1, se i = j; 0, se i j. 4. Da mesma forma x T i Ax j = λ j x T i Mx j: é igual a λ j ou 0. Isto é, as matrizes A e M estão sendo simultaneamente diagonalizados, através de uma congruência. Se colocarmos os x i nas colunas de uma matriz X, então X T AX = Λ e X T MX = I. Conclusão final: Sempre que M for p.d., o problema Ax = λmx (do AV generalizado) possui comportamento parecido com o do problema usual Ax = λx. 11
13 Princípio de mínimo para Ax = b Energia = forma quadrática p.d., derivada é linear! Se a matriz A for simétrica p.d., então P(x) = 1 2 xt Ax x T b atinge seu mínimo no ponto onde Ax = b. Neste ponto, o valor mínimo atingido é P min = 1 2 bt A 1 b. Aplicação desta observação: métodos de mínimo para resolver Ax = b (gradiente conjugado, etc.), porque surgem As em aplicações que são simétricas, p.d., de dimensão elevada, porém esparsas (= poucos elementos não-nulos). 12
14 Princípio de mínimo para Ax = λx Função a ser minimizada não pode ser quadrática: levaria a um problema linear! Teorema (ou princípio) de Rayleigh: Dada uma matriz A = A T, o quociente de Rayleigh de A, R A (x) := xt Ax x T x, é minimizado (resp. maximizado) pelo AV x 1 (resp. x n ) correspondente ao menor AV λ 1 (resp. maior λ n ) e seu valor mínimo (resp. máximo) é dado por λ 1 (resp. λ n ). Ou seja: x, λ min (A) R A (x) λ max (A), e R A (x 1 ) = λ min (A), R A (x n ) = λ max (A), onde os autovalores de A são colocados em ordem crescente λ 1 λ 2 λ n, e os x i são os autovetores correspondentes. 13
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