História da Filosofia
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- Bernadete Gesser Carlos
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1 História da Filosofia A história da filosofia é para muitos a coluna vertebral da epopéia histórica ocidental. É fato que em dois mil e quinhentos anos de existência muitos movimentos revolucionários ocidentais ganham mais sentido e coerência quando analisados em paralelo com a evolução do pensamento filosófico. O estudo da história da filosofia é igualmente indispensável para a compreensão do pensamento de alguns de seus principais personagens. Interpretação Eu valho muito pouco, sou sincero, dizia o Um ao Zero, no entanto, quanto vales tu? Na prática és tão vazio e inconcludente quanto na matemática. Ao passo que eu, se me coloco à frente de cinco zeros bem iguais a ti, sabess acaso quanto fico? Cem mil, meu caro, nem um tico a menos nem um tico a mais. Questão de números. Aliás é aquilo que sucede com todo ditador que cresce em importância e em valor quanto mais são os zeros a seguílo. (Trilussa) 1
2 Exausta, a pobre lesma da vanglória, ao atingir o cume do obelisco, disse, olhando da própria baba o risco: Meu rastro ficará na também na História! Filosofia antiga Compreende os quatro grandes períodos da filosofia greco-romana, indo dos pré-scocráticos ao período helenístico. O Período helenístico (Séc. III a. C até o séc VI d. C. Nesse longo período, que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros padres da Igreja, a filosofia sobretudo se ocupa com questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem a Natureza e de ambos com Deus. 2
3 Filosofia Patrística Resultou do esforço feito pelos dois apóstolos intelectuais (Paulo e João) e pelos primeiros padres da Igreja para conciliar a nova religião (cristianismo) com o pensamento filosófico dos gregos e romanos. A filosofia patrística liga-se, portanto, à tarefa religiosa da evangelização e à defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos. Filosofia Medieval Séc. VIII ao XIV. Abrange os pensadores europeus, árabes e judeus. É o período em que a Igreja Romana dominava a Europa, ungia e coroava reus, organizava Cruzadas à Terra Santa e criava, à volta das catedrais, as primeiras universidades ou escolas. E, a partir do séc XII, por ter sido ensinada nas escolas, a filosofia também é conhecida como Escolástica. Principais filosofos que influenciaram a filosofia medieval: Platão e Aristóteles. 3
4 Expoentes da Filosofia Medieval Aberlado Duns Scoto Escoto Erígena Santo Anselmo Tomás de Aquino Alberto Magno Roger Bacon Filosofia da Renascença Séc. XIV ao XVI Marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade Média, de novas obras de Aristóteles, bemo como pela recuperação das obras dos grandes autores e artistas gregos e romanos. 4
5 São 3 as grandes linhas de pensamento na renascença 1. Neoplantonismo e a descoberta dos livros do Hermetismo, nessa obra destaca-se a idéia da Natureza como um grande ser vivo. O homem faz parte da Natureza como um microcosmo. 2. A linha dos pensadores florentinos, que valorizava a vida ativa, isto é, a política e defandia os ideais republicanos das cidades italianoas contra o Império Romano-Germânico. Ou seja, contra o poderio dos papas e dos imperadores. 3. A linha que propunha o ideal do homem como artífice de seu próprio destino, tanto através dos conhecimentos (astrologia, magia, alquimia) quanto através da política ( o ideal republicano) das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes ( pintura, escultura, literatura). Os nomes mais imprtantes desse período Dante Marcílio Ficino Giordano Bruno, Campanella Maquiavel Montaigne Erasmo Thomas Morus, Jean Bodin Kepler Nicolau de Cusa 5
6 Séc. XVII ao XVIII Filosofia Moderna Esse período, é conhecido como o grande Racionalismo Clássico, é marcado por três grandes mudanças intelectuais. 1. O surgimento do sujeito do conhecimento. Indagar a capacidade do intelecto humano para conhecer e demonstrar a verdade dos conhecimentos. Em outras palavras é o início do uso da capacidade de reflexão. O ponto de partida é o sujeito do conhecimento como consciência reflexiva. 2. As respostas às perguntas feitas, constituiem a segunda grande mudança intelctual dos modernos, e essa mudança dis respeito ao objeto do conhecimento. Isso equivale a dizer que tudo que pode ser conhecido pode ser transformado num conceito ou numa idéia clara e distinta demosntrável e necessária, formulada pelo intelecto. 3. Essa concepção da realidade como intrinsecamente racional e que pode ser plenamente captada pelas idéias e conceitos preparou a terceira grande mudança intelectual moderna. Assim predomina nesse período a idéia de conquista científica e técnica de toda a realidade, a partir da explicação mecânica e matemática do Universo e da invenção das máquinas, graças às experiências físicas e químicas. 6
7 Principais nomes da Filosofia Moderna Francis Bacon Descartes Galileu Pascal Hobbes Espinosa Leibniz Locke Newton Gassendi Berkeley Filosofia da Ilustração ou IIuminsmo Esse período crê nos poderes da razão, chamada de As Luzes (por isso iluminismo) O qual afirma que: O homem pode conquistar tudo pela razão A razão é capaz de evolução e progresso O aprefeiçoamento da razão se realiza pelo progresso das civilizações. Há diferença entre natureza e civilização. Natureza é o reino das relações necessárias de causa e efeito ou das leis naturais universais e imutáveis, enquanto que a civilização é o reino da lberdade e da finalidade proposta pela vontade livre dos próprios homens, em seu aperfeiçoamento moral, técnico e político. 7
8 Nesse período também há grande interesse pelas ciências que se relacionam com a idéia de evolução. Interesse pela compreensão bas bases econômicas da vida social e política, surgindo reflexões sobre a origem das riquezas das nações. David Hume Voltaire D Alembert Diderot Rousseau Kant Fichte Principais nomens 8
9 Filosofia contemporânea Abrange o pensamento filosófico que vai de meados do séc. XIX e chega aos nossos dias. Esse período por ser o mais próximo de nós, parece ser o mais complexo e o mais difícil de se definir, pois as diferenças entre as várias filosofias ou posições filosóficas nos parecem muito grandes porque as estamos vendo surgir diante de nós. Martin Heidegger Augusto Comte K. Marx Popper Sartre Merleau Ponty Ernest Nagel Alguns nomes 9
10 Virtude Para Aristóteles consistia em uma disposição adquirida voluntariamente, consistindo, em relação a nós, em uma medida, definida pela razão conforme a condura de um homem que age refletidamente. Na filosofia moderna, passou a designar a força da alma ou do cárater. Nesse sentido moral, designa uma disposição moral para o bem. Para Kant: As virtudes designam formas particulares dessa disposição para o bem: a coragem, a justição, a lealdade. Felicidade Para Aristóteles consistia na atividade da alma dirigida pela virtude, isto é, pelo exercício da virtude, e não da simples posse. Para Kant: A felicidade é sempre uma coisa agradável para aquele que a possui, mas ela supõe, como condição, a conduta moral conforme a lei. Para Sartre: A felicidade não é mais um fim a ser atingido, mas uma função cíclica e intermitente, só surgindo na medida em que a afirmamos. Para Freud: A felicidade não é um valor cultural: está subordinada às exigências do trabalho e da produção. 10
11 Ética em Kant A ética kantiana é fundamentada pela razão prática e pela liberdade. A ética e a liberdade em Kant são interdependentes. O ponto de partida de toda reflexão ética é o conceito de boa vontade. A ação moral (ética) deve ser realizada por dever. O imperativo categórico em Kant Age somente, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal. Imperativo Universal: age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza. Imperativo Prático: age de tal modo que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca apenas como um meio. 11
12 Concepção de homem Filosofia Antiga: Ele é, pois, um ser ordenado finalisticamente em si mesmo e para o qual se ordena, de alguma maneira, a própria ordem do kósmos. Filosofia Medieval: O homem medieval é o motor do conhecimento, isto é, ele é aquele que conhece, busca informação procurando saber e sendo influenciado. Ele é o centro e todo o seu caminho é determinante porque é necessário algo mais. Ele é o que olha para o alto. Filosofia Renacentista: No renascimento há uma ruptura, pois o homem não viabiliza a elevação individual, ou seja, a concepção de homem mudou-se completamente. Aqui ele é mau por natureza e sua moral é relativa e pragmática, sua ação visa o fim sem pensar nos meios, ou seja, é uma questão prática de resultado. Filosofia Moderna: Exalta a liberdade e autonomia do homem. Dá o poder de decidir autonomamente acerca do que é e do que deve ser, do verdadeiro e do falso, do bom e do mau. Essa atitude cria um espaço ilimitado à decisão individual e, abre, por isso, caminhos de acesso a uma multiplicidade de doutrinas que entre si se digladiam. Iluminismo: Exalta o homem racional, capaz de que conhecer, questionar, é o homem racional por excelência, senhor da razão. Filosofia Contemporânea: O homem é escravo da razão-ciênciaprogresso e vive fragmentado numa pluralidade de discursos filosóficos, correntes e escolas que tratam, por um lado, de recompor os termos da velha equação inventando, de novo, os fundamentos do pensar, e outros que tratam de o enterrar definitivamente como se fosse um delírio de que o ser humano devesse libertar-se de si mesmo para o seu próprio bem. 12
13 Razão e Fé Pensamento Medieval: capacidade da razão humana, os princípios que a razão humana têm postos em si pela natureza não podem ser contrários à fé. Pensamento moderno: Os racionalistas insistem em dizer que a fé não é suficientemente racional para ser relevante. Desta forma, fé (um salto no escuro ) e razão (faculdade própria do ser humano de conhecer) seriam opostos que jamais formariam uma unidade. Leis Natural: No que diz respeito à lei natural, ela não é senão a participação da lei eterna na criatura racional, ou seja, a lei eterna que é a ordem divina, promulgada no homem por meio da razão natural. Deus ao criar o homem e todo o universo colocou uma ordem em cada natureza, através do que cada ser age de acordo com o fim da sua natureza e, portanto qualquer homem ao nascer está sujeito à lei e deve agir conforme ela. Divina: Dispensada ao homem a partir da sua capacidade de conhecer (dada por Deus) e portanto, o homem é criatura submissa. A lei natural está submissa à Divina. 13
14 Humanismo Renascentista Movimento intelectual, lutando contra a esclerose da filosofia escolástica e aproveitando-se de um melhor conhecimento da civilização greco-latina, os humanistas ( Erasmos, Tomás Morus etc ) se esforçaram por mostrar a dignidade do espírito humano e inauguraram um movimento de confiança na razão e no espírito crítico. Humanismo contemporâneo: sobretudo dos existencialistas e de certas correntes marxistas, define o homem como o ser que é o criador de seu próprio ser, pois o humano, através da história, gera sua própria natureza. Maquiavel Concepção de poder: O conceito de poder está intimamente ligado à questão da dominação. Quando se trata de poder, fala-se obrigatoriamente de Dominantes e Dominados. Daqueles que exercem o poder e daqueles sobre quem o poder é exercido. Logo a problemática de Maquiável era: como chegar ao poder? Como exercê-lo? Como conservá-lo? Maquiavelismo: é um termo utilizado para designar a doutrina política realista de Maquiavel, procurando, a partir da experiência e da história, instaurar as leis e as técnicas eficazes do poder pessoal. 14
15 Jusnaturalismo: "Jusnaturalismo é a teoria do direito natural configurada nos séculos XVII e XVIII a partir de Hugo Grócio ( ), também representada por Hobbes ( ) e por Pufendorf ( ). Essa doutrina, cujos defensores formam um grande contingente de autores dedicados às ciências políticas, serviu de fundamento à reivindicação das duas conquistas fundamentais do mundo moderno no campo político: o princípio da tolerância religiosa e o da limitação dos poderes do Estado. Desses princípios nasceu de fato o Estado liberal moderno. O Jusnaturalismo distingue-se da teoria tradicional do direito natural por não considerar que o direito natural represente a participação humana numa ordem universal perfeita, que seria Deus (como os estóicos julgavam) ou viria de Deus (como julgaram os escritores medievais), mas que ele é a regulamentação necessária das relações humanas, a que se chega através da razão, sendo, pois, independente da vontade de Deus. Assim, o Jusnaturalismo representa, no campo moral e político, reivindicação da autonomia da razão que o cartesianismo afirmava no campo filosófico e científico." Contrato-Social: Contrato Social ou contratualismo é uma doutrina que reconhece como origem ou fundamento do Estado (ou, em geral, da comunidade civil) uma convenção ou estipulação (contrato) entre seus membros. O contratualismo, na modernidade, juntamente com o jusnaturalismo (doutrina do direito natural) transforma-se em poderoso instrumento de luta pela reivindicação dos direitos humanos. Hobbes e Spinoza puseram a doutrina do contrato a serviço da defesa do poder absoluto. Assim Hobbes enunciava a fórmula básica do contrato: 'Transmito meu direito de governar-me a este homem ou a esta assembléia, contanto que tu cedas o teu direito da mesma maneira' (Leviatã). Essa, diz Hobbes, é a origem do grande Leviatã ou, com mais respeito, do Deus mortal a quem, depois de Deus imortal, devemos nossa paz e defesa, pois por essa autoridade conferida pelos indivíduos que o compõem, o Estado tem tanta força e poder que pode disciplinar à vontade todos para a conquista da paz interna e para a ajuda mútua contra os inimigos externos' (Leviatã). Soberania: O poder soberano existe para impedir o estado de natureza e permitir a coexistência entre os homens, já que nesse estado os indivíduos acabariam por se exterminar uns aos outros. A constituição e o funcionamento da sociedade pressupõem que os indivíduos cedam uma parte de seus direitos e os transfiram a um soberano. Essa cessão e transferência de direitos e poderes consiste em um contrato social, por meio do qual se institui a sociedade civil organizada e se evita 'a guerra de todos contra todos'. Por que isso ocorre? Porque, em última análise, o homem deseja sobreviver e a sobrevivência é também uma lei natural, sendo em nome dela que o homem estabelece este contrato. O poder passa a ser exercido, portanto, por um soberano, que pode ser tanto uma assembléia ou parlamento ou um rei. 15
16 Conhecimento O que foi a revolução científica do séc. XVII para a filosofia? A revolução científica moderna tem seu ponto de partida na obra de Nicolau Copérnico, Sobre a revolução dos orbes celestes (1543), em que este defende matematicamente (através de cálculos dos movimentos dos corpos celestes) um modelo de cosmo em que o Sol é o centro (sistema heliocêntrico), e a Terra apenas mais um astro girando em torno do Sol, rompendo deste modo com o sistema geocêntrico formulado no século II por Cláudio Ptolomeu em que a Terra se encontra imóvel no lugar central do universo (cuja origem era o Tratado do céu de Aristóteles, embora com importantes diferenças). Representa assim um dos fatores de ruptura mais marcantes no início da modernidade, uma vez que ia contra uma teoria estabelecida há praticamente vinte séculos, constitutiva da própria maneira pela qual o homem antigo e medieval via a si mesmo e ao mundo a que pertencia. Pode-se considerar que são fundamentalmente duas as grandes transformações que levarão à revolução científica: 1) Do ponto de vista da cosmologia, a demonstração da validade do modelo heliocêntrico, empreendida por Galileu; a formulação da noção de um universo infinito, que se inicia com Nicolau de Cusa e Giordano Bruno; e a concepção do movimento dos corpos celestes, principalmente da Terra, em decorrência do modelo heliocêntrico; 2) Do ponto de vista da idéia de ciência, a valorização da observação e do método experimental, isto é, uma ciência ativa, que se opõe à ciência contemplativa dos antigos; e a utilização da matemática como linguagem da física, proposta por Galileu sob inspiração platônica e pitagórica e contrária à concepção aristotélica. A ciência ativa moderna rompe com a separação antiga entre a ciência (episteme), o saber teórico, e a técnica (techne), o saber aplicado, integrando ciência e técnica e fazendo com que problemas práticos no campo da técnica levem a desenvolvimentos científicos, bem como com que hipóteses teóricas sejam testadas na prática, a partir de sua aplicação na técnica. 16
17 Conhecimento Racionalismo:Concepção filosófica que afirma a razão como única faculdade de propiciar o conhecimento adequado da realidade. A razão, por iluminar o real e perceber as conexões e relações que o constituem, é a capacidade de apreender ou de ver as coisas em suas articulações ou interdependência em que se encontram umas com as outras. Empirismo: Sob uma perspectiva contrária, os empiristas britânicos refutaram a existência das idéias inatas e postularam que a mente é uma tabula rasa ou página em branco, cujo material provém da experiência. A oposição tradicional entre racionalismo e empirismo, no entanto, está longe de ser absoluta, pois filósofos empiristas como John Locke e, com maior dose de ceticismo, David Hume, embora insistissem em que todo conhecimento deve provir de uma "sensação", não negaram o papel da razão como organizadora dos dados dos sentidos. Características do empirismo 1 - não há idéias inatas, nem conceitos abstratos; 2 - o conhecimento se reduz a impressões sensíveis e a idéias definidas como cópias enfraquecidas das impressões sensoriais; 3 - as qualidades sensíveis são subjetivas; 4 - as relações entre as idéias reduzem-se a associações; 5 - os primeiros princípios, e em particular o da causalidade, reduzem-se a associações de idéias convertidas e generalizadas sob forma de associações habituais; 6 - o conhecimento é limitado aos fenômenos e toda a metafísica, conceituada em seus termos convencionais, é impossível. Principais filósofos empiristas: Francis Bacon, John Locke, Thomas Hobbes, George Berkeley e David Hume 17
18 Conhecimento Sensível: É o conhecimento obtido através dos sentidos - visão, audição, olfato, tato e paladar. Este conhecimento pode ocorrer numa experiência (emperia = experiência) particular de um indivíduo com um objeto, por exemplo, ao comer uma maçã um indivíduo conhece a maçã. Através de seus sentidos ele pode dizer: 'Esta maçã é doce.', 'Esta maçã é macia.', etc. Num diálogo entre dois indivíduos, pode ocorrer o conhecimento entre ambos. Daí podem surgir proposições do tipo: 'Fulano é uma pessoa educada.', 'Beltrano é muito ansioso.', etc. É importante observar que nos dois casos supracitados, as proposições são fruto de experiências subjetivas; por isso estas proposições são chamadas de 'opiniões' (doxa) Vários problemas existem em relação a estas opiniões:. Para qualquer indivíduo a maçã é doce e macia?. Para qualquer indivíduo Fulano é uma pessoa educada e Beltrano é ansioso? Inteligível: É o conhecimento obtido através do intelecto (pensamento, intuição intelectual). Uma pessoa leiga (não cientista) sabe da existência das células-tronco através de uma reportagem científica mostrada numa revista ou pela TV, onde a comunidade científica descreve as propriedades das células e os efeitos que elas causam em um organismo. Mesmo sem ter visto uma célula-tronco e nem o modo como ela funciona, damos crédito ao conhecimento a nós passado pela comunidade científica. Este tipo de conhecimento é objetivo (não subjetivo), ele comum a qualquer pessoa. Os filósofos gregos o denominaram de episteme (opinião verdadeira) Ceticismo:A palavra ceticismo vem do grego "skêpsis", que significa indagação, exame. O desejo de aprender está relacionado com o ato de fazer indagações, com a curiosidade. Informar-se, examinar, analisar, ponderar sobre alguma coisa é uma forma de saciar essa curiosidade. Então o ceticismo, na raiz de sua palavra, implica no procurar saber, no não se contentar com a ignorância sobre os fatos. Buscar explicações faz parte da natureza humana. A curiosidade impulsiona a humanidade. A ciência e toda a tecnologia existe porque pessoas movidas pelo não conformismo de não saber indagam, examinam enfim, praticam o ceticismo. Pirro fundou, no século IV a.c., a primeira escola cética. Não deixou nada escrito, mas o pirronismo é citado por Diógenes Laércio da seguinte forma: "Chamam-se céticos, porque sempre examinam e nunca encontram". Os seguidores dessa escola de pensamento não visam descobrir, entender, examinar, mas apenas e tão somente fixar-se na indagação. A indagação é um fim por si só. 18
19 Dogmatismo:O dogmatismo é uma doutrina intelectual e um sistema religioso utilizado pela filosofia e religião. Na filosofia, contesta o ceticismo, pois crê na capacidade humana em perceber a verdade absoluta e indiscutível. De acordo com a proposta do dogmatismo filosófico, a dúvida não é questionada, o que aos olhos de alguns o torna uma doutrina autoritária e ao mesmo tempo submissa já que aceita as idéias estabelecidas sem exceção Conhecimento para os pré-socráticos 1. Os pré-socráticos exprimiram-se com o princípio de que 'o semelhante conhece o semelhante'. Disse Empédocles: 'Conhecemos a terra com a terra, a água com a água.' Disse Heráclito: 'O que se move conhece o que se move.' Para Heráclito a realidade era a harmonia dos contrários, que não cessam de se transformar uns nos outros. Como então percebemos as coisas como duráveis? Respondendo a esta pergunta, Heráclito conclui que os sentidos nos mostram as coisas enquanto duráveis, mas o nosso pensamento conhece como as coisas são de fato, estão em mudança permanente. Parmênides pensava o oposto de Heráclito, para ele só é possível pensar o imutável, o idêntico. Perguntava ele, como pensar aquilo que muda? Como pensar aquilo que passa a ser o contrário do que era? É importante observar que tanto para Heráclito quanto para Parmênides perceber e pensar são coisas diferentes. Para Heráclito os sentidos oferecem a imagem da estabilidade e o pensamento alcança a verdade como mudança contínua. Para Parmênides, percebemos mudanças impensáveis e devemos pensar identidades imutáveis. Para Demócrito, a realidade é constituída por átomos (partículas indivisíveis) e somente o pensamento pode conhecer os átomos, que são invisíveis para nossa percepção sensorial. Ele dizia que podemos conhecer pelos sentidos mas este conhecimento não é tão profundo quanto o conhecimento pelo puro pensamento. 19
20 2. Sócrates e os sofistas: Para os sofistas (Protágoras, Gorgias, Hípias - sofistas mais destacados) não podemos conhecer a realidade, só podemos ter opiniões subjetivas sobre ela. Isto porque há pluralidade e antagonismos quanto a realidade. Já que podemos só ter opiniões, a linguagem passa a ser a melhor ferramenta para tratar da realidade e persuadir os outras de suas próprias opiniões e idéias. Assim a verdade é uma questão de opinião e de persuasão, e a linguagem é mais importante do que a percepção e o pensamento. Para Sócrates a verdade pode ser conhecida afastando as ilusões dos sentidos e as ilusões das palavras ou das opiniões e alcançar a verdade apenas pelo pensamento. Conhecer é passar da aparência à essência, da opinião ao conceito, do ponto de vista individual à idéia universal. 3. Platão Conhecer significa tornar o pensante semelhante ao pensado. Deste modo ele estabelece uma correspondência entre ser e ciência, que é o conhecimento verdadeiro. Conhecer é estabelecer uma relação de identidade como o objeto em cada caso, ou uma relação que se aproxime o máximo possível da identidade. Platão distinguiu os seguintes graus do conhecimento: 1º suposição ou conjectura, que tem por objeto sombras e imagens das coisas sensíveis. 2º a opinião acreditada, mas não verificada, que tem por objeto as coisas naturais, os seres vivos e o mundo sensível. 3º razão científica, que procede por via de hipóteses e tem por objeto os entes matemáticos. 4º inteligência filosófica, que procede dialeticamente e tem por objeto o mundo do ser. Para Platão os dois primeiros modos devem ser afastados da Filosofia pois são conhecimentos ilusórios, aparentes. Os dois últimos são válidos para o conhecimento verdadeiro. O conhecimento matemático é puramente intelectual e não devem nada aos sentidos e não se reduzem a meras opiniões subjetivas. O conhecimento matemático é a preparação para a intuição intelectual das idéias verdadeiras, que constitem a verdadeira realidade. Platão diferencia e separa radicalmente duas formas de conhecimento o conhecimento sensível (crença e opinião) e o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição), somente o segundo alcança o Ser a verdade. o conhecimento sensível alcança a mera aparência das coisas, o conhecimento intelectual alcança a essência das coisas, as idéias. Na Alegoria da Caverna, Platão descreve a educação do filósofo, que passa do conhecimento sensível para o conhecimento inteligível. Ele procura mostrar a superioridade do conhecimento inteligível em relação ao sensível. O primeiro é o conhecimento daquilo que é real e o segundo é o conhecimento das aparências. 20
21 4. Aristóteles No conhecimento sensível, o conhecimento em ato é idêntico ao objeto. No conhecimento inteligível, o conhecimento é a forma inteligível do objeto. Por exemplo, ouvir um som (sensação em ato) identifica-se com o próprio som. Esta doutrina de Aristóteles irá dominar o curso ulterior da filosofia grega. Aristóteles disse que há seis formas de conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição. As cinco primeiras formas oferecem um conhecimento diferente da última, a intuição intelectual, esta é a única que possibilita o conhecimento do 'Ser enquanto Ser'. Goethe em versos expressou o modo como os filósofos antigos concebiam o conhecimento: Se os olhos não fossem solares Jamais o Sol nós veríamos; Se em nós não estivessem a própria força divina, Como o divino sentiríamos? De acordo com estes versos, há algo por trás das coisas, há um substrato, uma essência das coisas, e em nós que possibilita o conhecimento das coisas que conhecemos. 21
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