XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal 2013

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1 XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal 2013 Tema: Governação, Risco e Auditoria no Sector Financeiro: A Importância e os Limites das Estruturas e Modelos Data de realização: 23 de Outubro de 2013, 09:00 18:00 horas Local Lisboa / Sede do Banco de Portugal / Largo de São Julião / Museu do Dinheiro As Jornadas de Auditoria e Gestão constituem uma iniciativa regular e aberta à comunidade financeira portuguesa, promovida pelo Banco de Portugal através do Departamento de Auditoria, que visa contribuir (i) para a promoção da cultura, princípios e boas práticas em áreas da gestão relacionadas com a Boa Governação, com relevo especial para os processos de Gestão de Risco, Controlo Interno, Compliance e Auditoria e (ii) para o reforço da proficiência dos profissionais responsáveis ou envolvidos no desempenho, avaliação ou supervisão das referidas funções. XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal 1

2 O tema escolhido para as Jornadas de Auditoria e Gestão realizadas em Outubro de 2012 Gestão Global de Risco: Governação e Controlo pretendeu proporcionar uma visão global sobre a problemática da Governação, Gestão e Controlo do Risco, a qual constitui um dos temas centrais do Enquadramento Basileia III. Como se sabe, este enquadramento para a supervisão bancária pretendeu retirar as lições da grave crise financeira que se iniciou em 2008, tendo como objectivo fundamental o reforço efectivo da gestão e do controlo do risco das Instituições Financeiras, a fim de garantir um sector bancário e financeiro mais resistente às crises e mais capaz de absorver os choques emergentes dos sectores económicos e financeiros, a nível local, regional ou mundial. Na sequência de diversas sugestões recebidas durante e após as Jornadas de 2012, pretende-se, este ano, orientar as XII Jornadas a desenvolver no 4º trimestre de 2013 para uma reflexão mais aprofundada sobre a Importância e os Limites das Estruturas e Modelos nos Processos de Governação, Gestão de Risco e Auditoria no Sector Financeiro. O tema escolhido pretende proporcionar uma reflexão sobre dois princípios de aplicação universal aos processos de gestão em condições de complexidade e incerteza: A gestão da complexidade e da incerteza não se baseia apenas na intuição, experiência ou julgamento profissional. Torna-se necessário construir, utilizar e controlar estruturas, modelos e métricas capazes de capturar e tratar a complexidade e a incerteza dos sistemas e processos que caem na alçada dos gestores, supervisores e auditores. Em particular, boas estruturas e bons modelos e métricas são uma condição necessária de sucesso nos processos de governação, gestão de risco e auditoria. Por detrás de um Modelo de Risco, existe sempre um Risco do Modelo. Com efeito, associada à complexidade intrínseca dos modelos existe sempre o perigo de sobre-confiança ou de demasiada fé nas estruturas e modelos. Hoje é um lugar-comum considerar que a crise mostrou que os gestores acreditaram demasiado no poder e na adequação dos modelos e estruturas e não mediram adequadamente os "Riscos dos Modelos", nomeadamente quando as hipóteses que lhes estão subjacentes deixam de se aplicar ou quando a informação neles processada não é confiável. Dada a vastidão e complexidade do tema proposto para as próximas Jornadas, o Banco de Portugal irá dedicar um dia completo a este evento. Pretende-se que o tema proposto seja desenvolvido numa dupla perpectiva: Estruturas, processos e modelos de Governação e Auditoria no sector financeiro. Importância e limites dos modelos e métricas de risco com possível enfoque nos principais tipos de modelos que são de aplicação generalizada no sector financeiro, nomeada, mas não exclusivamente nos modelos do tipo Value at Risk (VAR), Expected Shortfall (ES), Análise de Cenários/Stress Tests. Assim, propõem-se para as XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal os temas seguintes: XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal 2

3 TEMA GERAL: Governação, Risco e Auditoria no Sector Financeiro: A Importância e os Limites das Estruturas e Modelos TEMAS ESPECÍFICOS: Estruturas e Modelos de Governação e o papel-chave dos Auditores Externos e Internos Modelos e Métricas de Risco: Experiências e Resultados Estruturas e Modelos de Governação e o papel-chave dos Auditores Externos e Internos: Uma parte substancial das XII Jornadas destina-se a desenvolver a importância das estruturas, modelos e processos de Governance no sector financeiro bem como o lugar e o papel cruciais das funções de Auditoria Interna e Externa nas estruturas e processos de governação. As novas exigências postas por Basileia III à Função de Auditoria constam de dois importantes documentos recentemente divulgados pelo Comité de Basileia e que poderão constituir as referências fundamentais para as apresentações: The internal Audit function in banks, BCBS, Junho de 2012; External Audits of banks, consultative document, BCBS, Março de Os dois documentos referidos reforçam substancialmente o lugar e o papel essenciais da Auditoria (Interna e Externa) nas estruturas e processos de governação das instituições financeiras e na sua avaliação independente. Pretende-se que as XII Jornadas aprofundem as novas exigências postas às funções de Auditoria Interna e Externa, num contexto em que os novos requisitos de capital exigem novos modelos de negócio bancário, forte desalavancagem, reestruturações de processos e em muitos casos reduções substanciais de recursos humanos e financeiros. Espera-se poder demonstrar que as pressões actualmente existentes na redução ou eliminação de investimentos em infraestruturas, sistemas e controlos no sector financeiro não devem afectar o reforço necessário nos processos e estruturas de Governação, Gestão de Risco, Compliance e Auditoria. O lugar da Auditoria nas estruturas e modelos de Governance não é nem uma questão despicienda nem fechada. Releva-se aqui uma das mais conhecidas abordagens às estruturas de Governação, que é conhecida como o modelo das Quatro Componentes da Governance : (i) Gestão Executiva, (ii) Gestão não Executiva, (iii) Auditoria Externa e (iv) Auditoria Interna. O diagnóstico das causas da crise financeira mundial, ao relevar como uma das razões mais relevantes da crise, a fragilidade dos processos de Governance das Instituições Financeiras, mostrou que é preciso encontrar novos caminhos e soluções para obter um equilíbrio para a dualidade da posição, papel e relacionamento entre a Auditoria e Governance. Com efeito, as Funções de Auditoria (Interna e Externa) são simultaneamente (i) componentes da Governance e XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal 3

4 (ii) agentes independentes de avaliação da Governance e das estruturas e processos de governação das Instituições Financeiras. Isto constitui um duplo desafio cujas linhas de desenvolvimento exigem a exploração de novos caminhos e talvez mesmo novos paradigmas para a posição e o papel das funções de auditoria. E entre esses novos caminhos que as funções de auditoria devem trilhar destaca-se a sua contribuição para encontrar um balanço entre uma confiança cega e um criticismo desenfreado em relação aos modelos e métricas de risco. Se a confiança cega nos modelos foi outra das principais razões da crise, já o actual criticismo sistemático a qualquer processo de modelização de risco pode conduzir ao medo generalizado e, consequentemente, a uma aversão desmedida ao risco e à paralisia da gestão. Assim, talvez o desafio mais notável que os supervisores estão agora a colocar às funções de Auditoria (Interna e Externa) seja o elevado nível de exigência estabelecido na avaliação e validação dos modelos e métricas de risco. Em relação à Auditoria Interna requerem-se sólidos e exigentes skills na avaliação e validação dos processos, estruturas, modelos e métricas de gestão de risco das instituições financeiras. Em relação à Auditoria Externa passa a ser exigido um sólido domínio das metodologias e métricas de avaliação do risco subjacente às demonstrações financeiras, em todos os aspectos materialmente relevantes. Este desafio conduz-nos directamente ao segundo tema escolhido para as XII Jornadas de Auditoria e Gestão, tema este que, pese embora a sua importância, ainda não foi tratado em nenhuma das anteriores Jornadas: A importância e os limites dos modelos e métricas de risco. Modelos e Métricas de Risco: Experiências e Resultados: É um facto indesmentível que os modelos de risco são importantes como instrumentos de medida e avaliação de risco. Porém, e na sequência da grande crise financeira, o criticismo aos modelos de riscos tem-se sobreposto ao reconhecimento das suas vantagens. Com efeito, é muitas vezes referido que duas das razões que explicam o possível fracasso dos processos de gestão de risco foram: A sobre-confiança nos modelos e tecnologias de medida e de suporte à gestão de risco e nos seus pressupostos, geralmente baseados nas famosas mas nem sempre reais hipóteses de normalidade, continuidade, independência e racionalidade ; A não inclusão nos modelos de aspectos essenciais dos processos de transmissão ou propagação dos riscos, nomeadamente (i) as interconexões entre os vários domínios de risco, (ii) os processos infra-estruturais e sociais de transmissão e de contágio (iii) os comportamentos de rebanho, (iv) as fortíssimas correlações entre diversos tipos, domínios ou disciplinas de risco na organização e (v) a alta velocidade de propagação dos riscos entre instituições e no sistema financeiro global onde a instituição se insere (externalidades e impactos sistémicos). Quer isto dizer que devemos abandonar os modelos? Não necessariamente. Sem modelos não existem processos de teste, validação ou rejeição sistemáticos e consequentemente, métricas minimamente objectivas e avanço sustentado do conhecimento. Como dizia o estatístico George XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal 4

5 E. P. Box, recentemente falecido em Março de 2013, todos os modelos são errados, mas alguns são úteis. Espera-se que as XII Jornadas ponham em evidência que os modelos continuam a ser instrumentos indispensáveis e úteis na análise, medida e gestão de risco, desde que sejam reconhecidos e avaliados os seus pressupostos e limites. Por outras palavras: Os modelos de risco são instrumentos indispensáveis desde que sejam adequadamente avaliados e controlados os riscos dos modelos, não apenas pelos gestores de risco mas, segundo Basileia III, também pelos auditores internos e externos. Por exemplo, os auditores internos passam a ser obrigados a incluir no âmbito da sua actividade os processos de aprovação e manutenção dos modelos de risco, incluindo a verificação da consistência, actualização, independência e fiabilidade das fontes de dados usados nos referidos modelos. Quanto aos auditores externos, é-lhes exigido que conheçam, respondam e validem com adequado cepticismo todos os riscos materialmente relevantes subjacentes nas demonstrações financeiras, incluindo o risco de incumprimento dos requisitos obrigatórios impostos pelos reguladores. Entre os riscos mais relevantes destacam-se (i) os itens financeiros directamente utilizados nos modelos e métricas de risco e, em especial, nos rácios regulatórios, (ii) os modelos e técnicas utilizadas nas estimativas e cálculo das provisões para perdas ou imparidades e (iii) os modelos e técnicas de medida do fair value. Procuraremos que as XII Jornadas desenvolvam e discutam as vantagens e riscos dos modelos de risco, nomeadamente em relação aos principais modelos de risco actualmente utilizados (incluindo Value at Risk (VAR), Expected Shortfall (ES) e Stress Tests), numa perspectiva que sirva todos os agentes das Instituições Financeiras envolvidos na selecção, implementação, utilização, controlo, avaliação, auditoria e supervisão dos modelos de risco. Banco de Portugal, Departamento de Auditoria Lisboa, Setembro de 2013 XII Jornadas de Auditoria e Gestão do Banco de Portugal 5

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