PROJETO E CONSTRUÇÃO DE EMBARCAÇÕES MILITARES E CIVIS NA BASE NAVAL DE VAL-DE-CÃES (BNVC):

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1 RICARDO BARBOSA DE BARROS PROJETO E CONSTRUÇÃO DE EMBARCAÇÕES MILITARES E CIVIS NA BASE NAVAL DE VAL-DE-CÃES (BNVC): uma ferramenta para o desenvolvimento da Região Amazônica Oriental Trabalho de Conclusão de Curso - Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia. Orientador: CMG RM-1 Luiz Fernando Pereira da Cruz. Rio de Janeiro 2013

2 C2013 ESG Este trabalho, nos termos de legislação que resguarda os direitos autorais, é considerado propriedade da ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ESG). É permitido a transcrição parcial de textos do trabalho, ou mencioná-los, para comentários e citações, desde que sem propósitos comerciais e que seja feita a referência bibliográfica completa. Os conceitos expressos neste trabalho são de responsabilidade do autor e não expressam qualquer orientação institucional da ESG. Assinatura do autor Biblioteca General Cordeiro de Farias Barros, Ricardo Barbosa de Projeto e construção de lanchas de combate e transporte na Base Naval de Val-de-Cães: uma ferramenta para o desenvolvimento da Região Amazônica / CMG Ricardo Barbosa de Barros. - Rio de Janeiro: ESG, f.: il. Orientador: CMG RM-1 Luiz Fernando Pereira da Cruz. Trabalho de Conclusão de Curso Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), Lanchas militares. 2. Lanchas civis. 3. Construção naval. I.Título.

3 RESUMO O presente trabalho apresenta a Base Naval de Val-de-Cães (BNVC) como uma oportuna ferramenta para o desenvolvimento da região oriental amazônica, como consequência das atividades voltadas ao projeto e construção de embarcações leves para diferentes aplicações. Relaciona esta monografia os estudos efetuados pela Marinha do Brasil e Exército Brasileiro, sobre o tipo, quantidade e distribuição das embarcações militares a serem utilizadas por ambas as Forças Singulares, bem como o perfil e a demanda das embarcações para fins civis, efetuados pelos Ministérios da Saúde, Educação e Bem Estar Social, sendo todos estes meios destinados ao ambiente fluvial amazônico e encomendados a Marinha do Brasil / BNVC. Enumera e descreve as características técnicas das embarcações concebidas para o modal fluvial, em atendimento as exigências requeridas pelos diversos órgãos civis e militares solicitantes, na medida em que analisa qualitativamente e quantitativamente a formação do material humano em todos os níveis, requisitado na região para a aplicação na construção naval. Analisa o preparo logístico, a viabilidade técnica e a capacitação de pessoal necessários à realização da parceria para construção, na BNVC, das lanchas Combat Boat 90 concebidas pelo estaleiro sueco Dockstavarvet. Avalia os efeitos da construção naval sobre o homem da região do nordeste amazônico sob o viés de agente organizador, executor e beneficiário do processo produtivo, à luz das Expressões Política, Econômica, Psicossocial, Militar e Cientifico Tecnológica do Poder Nacional. Palavras chave: Lanchas militares. Lanchas civis. Construção naval.

4 ABSTRACT This work presents the Base Naval de Val-de-Cães (BNVC) as an efficient tool to boost the development of the Oriental Amazon Region, as a result from the activities engaged in designing and building light ships for a variety of applications. This monograph details studies concluded by the Brazilian Navy and the Brazilian Army about type, number and apportionment of the military boats to be used by both Military Services, as well as the profile and the demand for ships of civil purposes made by Ministries of Health, Education and Welfare, all of them concerning to the fluviomarine amazon environment, and ordered to the Brazilian Navy/BNVC. It numbers and describes the technical typical trait of the crafts designed to fluvial purposes, according to the requirements made by the various demanding civil and military organisms, while analyzing in quality and quantity the composition of the human element in all its levels, as required in the region for the application in naval engineering. It analyzes the logistics, technical workability and the staff capability needed to accomplish the jointure to build at BNVC of the Combat Boat 90, conceived by the Swedish shipyard Dockstavarvet. It evaluates the effects of shipyards over the people of the Northeast Region of the Amazon, under the aspects of organizing agent, executive and beneficiary of the productive process, according to Political, Economical, Psychosocial, Military and Scientific-Technological meanings of the National Power. Keywords: Military speedboats. Civil boats. Naval construction.

5 À minha querida esposa Cláudia e meu filho Guilherme, agradeço o apoio e incentivo para a realização deste trabalho. Ao mesmo tempo, reconheço, igualmente, a compreensão por minhas ausências na convivência rotineira do lar, fruto do tempo dedicado à realização desta monografia.

6 AGRADECIMENTO Dentre os inúmeros trabalhos desenvolvidos pela Base Naval de Val-de- Cães, um em especial sobressaiu pelo brilho próprio. Diferenciadamente belo fruto de uma abençoada e singela missão que é a de transportar em segurança para a escola, pequenos brasileirinhos residente em longínquos povoados ribeirinhos, isolados na imensidão da nossa região amazônica. Coube as briosas Lanchas Escolares a nobre missão de conferir dignidade aqueles jovens cidadãos, propiciando segurança e conforto do início ao fim de sua jornada diária de estudos, contribuindo de maneira ímpar para o futuro destas valorosas crianças. Assim sendo, agradeço a todos os homens e mulheres, militares e civis da BNVC, que com seu nobre trabalho, pontuaram as vias fluviais do norte do nosso país, com trezentas e setenta e quatro Lanchas Escolares, deixando orgulhosa e envaidecida a nossa querida MARINHA DO BRASIL! Foto 1: Estudante a bordo da Lancha Escolar Fonte: Arquivo pessoal Desembargador Marcos Cavalcante estagiário CAEPE 2013.

7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO EMBARCAÇÕES FLUVIAIS MILITARES QUANTIDADE, QUALIDADE E ADEQUABILIDADE REQUISITOS CONSOLIDADOS Emprego das LC Tarefas básicas em situação de conflito no âmbito da Marinha Tarefas básicas em situação de conflito no âmbito da Exército Tarefas básicas em situação de paz no âmbito da Marinha Tarefas básicas em situação de paz no âmbito do Exército LOGÍSTICA DE MANUTENÇÃO COMBAT BOAT LANCHA DE AÇÃO RÁPIDA LAR padrão Lancha de Ação Rápida Especial (LAR-E) EMBARCAÇÕES FLUVIAIS CIVIS LANCHA DE APOIO MÉDICO (LAM) LANCHA ESCOLAR (LE) LANCHA SOCIAL (LS) CAPACITAÇÃO DA BNVC PARA CONSTRUÇÃO DE LANCHAS MILITARES E CIVIS INFRAESTRUTURA DA BNVC DEDICADA A CONSTRUÇÃO NAVAL HABILITAÇÃO DO PESSOAL PARA A CONSTRUÇÃO NAVAL CONSTRUÇÃO DAS COMBAT BOAT 90 NA BNVC CONCLUSÃO EXPRESSÃO POLÍTICA EXPRESSÃO ECONÔMICA EXPRESSÃO PSICOSSOCIAL EXPRESSÃO MILITAR EXPRESSÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA REFERÊNCIAS... 42

8 7 1 INTRODUÇÃO Os reflexos resultantes do desenvolvimento do setor industrial para uma determinada região impactam, de maneira positiva, em praticamente todas as expressões do Poder Nacional, quais sejam: a política (aumento do foco e representatividade da região), a econômica (melhoria nos índices macroeconômicos), a psicossocial (geração de serviços sociais e melhora do poder aquisitivo), a expressão militar (aumento dissuasório), e a científico - tecnológica (absorção de capacitações direta e indiretamente ligadas às atividades industriais desenvolvidas); dentre outros vetores resultantes de progresso. A região norte oriental do Brasil apresenta aguda ausência de significativas instalações industriais de referência que poderiam vir a contribuir para alavancar o desenvolvimento daquele importante espaço. Destarte, a pluralidade das riquezas naturais abundantes na região, e o contraste da incipiência industrial regional, se comparados a outras áreas do território nacional, particularizam, negativamente, este rincão do país. Deve-se a acanhada realidade do setor industrial na supracitada região, à falta de empreendimentos e uma concreta política de investimentos diretos significativos por parte dos setores público e privado, ao contrário do que é visto no lado ocidental da Amazônia, onde o empreendedorismo é largamente observado, citando como exemplo as ações desenvolvidas por Órgãos como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) e o fortalecimento do Polo Industrial de Manaus (PIM). A Base Naval de Val-de-Cães (BNVC), Organização Militar Prestadora de Serviços Industriais da Marinha do Brasil, por intermédio de suas atividades precípuas, no contexto do que estabelece a sua missão 1, poderá prestar ao desenvolvimento da região norte oriental do país, significativa contribuição, resultante do incremento da produção industrial, atrelada ao projeto e à construção de embarcações militares, bem como aquelas destinadas ao transporte de pessoal e prestação de serviços à sociedade civil (ambas de até 5 ton. de deslocamento). 1 Missão da BNVC: Prestar apoio logístico fixo às Forças e unidades navais da Marinha do Brasil que operem nas águas marítima, fluvial ou ribeirinha, sob jurisdição do Comando do 4º Distrito Naval, a fim de contribuir para a defesa da navegação de interesse nacional e para o controle dessas áreas.

9 8 O modal preponderantemente fluvial da Amazônia e o potencial advindo de tal condicionante apontam para possíveis e desejáveis benefícios afeitos às características da citada região, a partir do oportuno projeto e produção na BNVC, dos meios anteriormente elencados voltados ao atendimento das missões operativas militares, conforme preconizado nos estudos estratégicos realizados pelo Comando de Operações Navais (CON) e de carências sociais ainda existentes na região, apontadas nos levantamentos de demandas realizadas por outros órgãos governamentais pertencentes a demais Ministérios. Assim sendo, as ações de P & D (Pesquisa e Desenvolvimento) advindos das atividades industriais relacionadas à construção naval na Amazônia Oriental, refletirão na melhoria do patamar tecnológico da região em foco, na medida em que novas técnicas existentes na construção de embarcações forem transferidas, absorvidas e desenvolvidas pela BNVC, que acabará por responder como um significativo centro polarizador de qualificação profissional diferenciada, obtendo consequentemente, como vetor resultante, o aprimoramento do nível técnico requerido a ser demandado pelo mercado de trabalho dessa região do país. Nesse sentido, estudar-se-á o perfil desejável atinente à quantidade e ao tipo de embarcações militares aplicáveis ao modal fluvial amazônico, avaliadas como instrumento operacional da Estratégia Nacional de Defesa (END) para a região, verificando-se, em paralelo, as demandas sociais da população ribeirinha, e a variedade de embarcações civis necessárias, utilizadas e a serem concebidas, no atendimento de serviços e facilidades carentes na região. Por oportuno, será efetuada a avaliação do apropriado modus faciendi para a captação no mercado de trabalho regional, do quantitativo necessário e suficiente em todos os níveis profissionais requeridos, a ser empregado no empreendimento prospectivo da construção naval na BNVC, no escopo das atividades de CT & I (Ciência, Tecnologia e Inovação) refletidas na produção plena das linhas de montagem e serem estabelecidas. Por conseguinte, o presente trabalho propõe-se a abordar, destacadamente, a demanda logística regional atinente ao campo da expressão militar e os subsequentes reflexos multiplicados no campo psicossocial, avaliando-se nesse contexto, as capacitações e esforços decorrentes, necessários à implementação e continuidade dos projetos de construção de lanchas militares e de lanchas de

10 9 aplicação civil na BNVC, em consonância com as diretrizes da END, respectivamente. A defesa do Brasil requer a reorganização da Base Industrial de Defesa (BID) - formada pelo conjunto integrado de empresas públicas e privadas, e de organizações civis e militares, que realizem ou conduzam pesquisa, projeto, desenvolvimento, industrialização, produção, reparo, conservação, revisão, conversão, modernização ou manutenção de produtos de defesa (Prode) no País (BRASIL, 2008, p. 21). No segundo capítulo será efetuado o levantamento do perfil e quantidade estratégica das embarcações do tipo fluvial militar, pautado no Relatório Complementar do Grupo de Trabalho de Lanchas de Combate e Embarcações Anfíbias do CON. Este estudo foi baseado na característica dos meios elencados no Programa de Articulação e Equipamentos da Marinha do Brasil (PAEMB), bem como considera as avaliações semelhantes do Plano de Equipamento do Exército Brasileiro, elaborado por intermédio do Programa de Articulação Braço Forte, que igualmente aborda o emprego de meios fluviais militares na Região Amazônica. De maneira complementar, no capítulo três serão avaliadas as características e demandas sociais de embarcações para uso civil, particularmente emanadas do Ministério da Saúde (MS), Ministério da Educação (MEC) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), voltadas exclusivamente à Região Amazônica. No capítulo quatro será efetuada a análise da capacidade, atual e a ser instalada, do parque industrial da BNVC e o correspondente quantitativo e níveis de formação profissional da força de trabalho requerida para a execução do projeto de construção de lanchas militares e embarcações aplicáveis ao meio civil. No quinto capítulo será avaliada a pertinência quanto à parceria e respectiva transferência de tecnologia com o Estaleiro Sueco Dockstavarvet, visando a construção da Combat Boat 90 e o aporte material, pessoal, operacional e técnico requeridos nesse empreendimento, em consonância ao atendimento dos objetivos estratégicos identificados pela Marinha do Brasil e pelo Exército Brasileiro. No capítulo seis (conclusão) serão avaliados os desejáveis efeitos multiplicadores que influenciarão positivamente todas as expressões do Poder Nacional advindos do incremento da atividade industrial da BNVC, Organização Militar Prestadora de Serviços Industriais (OMPS-I), relacionados à construção de

11 10 embarcações fluviais militares e de aplicação civil destinadas ao atendimento das demandas estratégicas e sociais da região norte oriental amazônica.

12 11 2 EMBARCAÇÕES FLUVIAIS MILITARES 2.1 QUANTIDADES, QUALIDADE E ADEQUABILIDADE dita que: A Estratégia Nacional de Defesa (END) (BRASIL, 2008, p. 11, grifo nosso), A Marinha contará, também, com embarcações de combate, de transporte e de patrulha, oceânicas, litorâneas e fluviais. Serão concebidas e fabricadas de acordo com a mesma preocupação de versatilidade funcional que orientará a construção das belonaves de alto mar. A Marinha adensará sua presença nas vias navegáveis das duas grandes bacias fluviais, a do Amazonas e a do Paraguai-Paraná [...] A Lancha de Combate (LC) e a Lancha de Ação Rápida (LAR), meios relacionados pela MB no Programa de Articulação e Equipamentos da Marinha do Brasil (PAEMB), ou Embarcação Tática de Pelotão (ETP) e Embarcação Tática de Grupo de Combate (ETG), meios relacionados pelo Exército Brasileiro em seu Plano de Equipamento, apresentaram-se como as embarcações apropriadas para a execução das tarefas relacionadas às operações ribeirinhas. Essas lanchas deverão possuir capacidade para abrigar um Grupo de Combate (GC) de Fuzileiros Navais e apresentar, como principais características, rapidez e agilidade em manobras com pequeno calado, bem como deverão ser blindadas e dotadas de Lançadores de Granadas e/ou Metralhadoras Pesadas. Desta forma, poderão oferecer adequado poder de fogo e proteção balística para o Movimento-Navio-Terra das tropas dos Batalhões de Operações Ribeirinhas (BtlOpRib), em proveito de ações de infiltração, retirada e controle das margens de rios, e para as tarefas de Inspeção Naval e demais atividades pertinentes a Marinha na Região Amazônica. Assim sendo, o Ministério da Defesa (MD), por meio da Diretriz Ministerial nº 15, de 09NOV2009, estabeleceu a criação de Grupos de Trabalho que procedessem à análise dos Planos de Articulação e Equipamento das Forças e identificassem programas e projetos comuns as Forças Singulares (MB e EB), bem como as possibilidades de desenvolvimento, sob a supervisão do MD, de ações conjuntas para as suas implementações. Coube então, ao nominado Grupo de Trabalho 14 (GT 14), composto por representantes da MB e EB, a responsabilidade pelo estudo do perfil das Embarcações Anfíbias e Lanchas de Combate a serem adotadas pelas Forças Armadas.

13 12 Dentre os seis tipos de embarcações relacionadas pelo GT 14, destacaramse as LC/ETP e LAR/ETG, cujas coincidências de características, empregos e áreas de operação, permitem o desenvolvimento de ações conjuntas pelas Forças no que se refere à concepção, projeto e adoção de programas de obtenção comum, para meios que atendam à MB e ao EB. Verificando os requisitos afins, é possível adequá-los às necessidades operacionais e logísticas de ambas as citadas Forças Singulares, com a proposição de melhorias nos projetos já existentes, e o estabelecimento de um cronograma físico-financeiro capaz de atender às necessidades conjuntas em conformidades com as prioridades estabelecidas pelo MD. Em referência às LC/ETP, diante das ações descritas no PAEMB, o Grupo Tarefa responsável verificou que a quantidade estratégica necessária totalizaria 72 unidades, sendo destinadas: 34 para o BtlOpRib-Manaus, 17 para o BtlOpRib- Belém, 17 para o BtlOpRib-Ladário e 4 para o BtlOpRib-Tabatinga. O Plano ainda estabelece o seguinte cronograma para recebimento dos meios conforme a moldura temporal: 8 LC a serem incorporadas até 2014; 32 LC entre 2015 e 2022; e as demais 32 LC, entre 2023 e Diante das ações descritas nos Planos de Equipamentos do EB, igualmente foi verificado que a quantidade estratégica necessária totalizaria 135 unidades, sendo destinadas: 27 para 1º BIS-Manaus, 27 para o 5º BIS-São Gabriel da Cachoeira, 27 para o 17º BIS-Tefé, 27 para o 2º BIS-Belém e 27 para o 17º BFron- Corumbá. A LC tipo Combat 90 (CB 90) concebida e construída pelo Estaleiro sueco Dockstavarvet, foi a embarcação apontada pelo GT 14 como a que detém, em sua concepção, as melhores características operacionais requeridas, em especial: capacidade de transporte de fração de tropa até 20 militares equipados, alta velocidade, pequeno calado, grande manobrabilidade, blindagem, armamento orgânico e sistema de direção de tiro. O projeto das CB 90 foi adotado com êxito pelas Marinhas Reais da Noruega, Finlândia e Suécia, Armada Mexicana, Marinha dos EUA e Malásia e Guarda Costeira da Grécia. No ano de 2004, esta embarcação foi testada em rios da região amazônica pelo Exército Brasileiro, obtendo aprovação operacional para utilização nas vias fluviais da Região Norte e do Pantanal.

14 13 Em referência à LAR, trata-se de uma embarcação já existente e em ampla operação pela MB na região amazônica, destinada à projeção de fração de tropa em margens de rio, podendo ser transportada pelos Navios de Patrulha Fluvial (NaPaFlu) que operam na região. Suas características estão em consonância com os requisitos apresentados pelo EB específicos às ETG, possuindo, ainda, semelhança operacional as embarcações utilizadas por alguns países amazônicos, observadas por ocasião da ocorrência de situações de enfrentamento envolvendo ameaças assimétricas eventuais, existentes na referida região fluvial. As melhorias implementadas nas LAR ao longo de duas décadas, projetadas e construídas pela BNVC desde o início dos anos 90 relacionadas, particularmente, aos aspectos atinentes à blindagem da embarcação, estabilidade, armamento orgânico e sistema de propulsão, já contemplam praticamente todos os requisitos levantados pelo GT 14, a exceção da motorização por hidrojato (requisito almejado pelo EB), já em implementação. Uma vez atendidos, integralmente, os requisitos comuns desejados pelas Forças, será possível o emprego pleno deste meio, com a vantagem da redução significativa do aporte de recursos estimados, que inicialmente considerou a aquisição da embarcação Riverine Patrol Boat fabricada pela empresa americana Safe Boats International, dotada de propulsão a hidrojato. Como grande vantagem estratégica, o projeto da BNVC é integralmente nacional e de propriedade da MB, sendo ainda de fácil execução por estaleiros nacionais, ressaltando-se a possibilidade quanto à diminuição em até vinte por cento no custo final da embarcação em virtude da economia de produção em escala. 2.2 REQUISITOS CONSOLIDADOS Segundo preconizado no Relatório sobre Lanchas de Combate e Embarcações Anfíbias (Comando de Operações Navais. CON. Lanchas de Combate e Operações Anfíbias - Relatório GT 14, Rio de Janeiro, RJ, p. 1 a 9): O propósito do estabelecimento de requisitos para a embarcação em tela é dotar a Marinha do Brasil e o Exército Brasileiro de embarcações de combate fluviais, concebidas com foco no emprego versátil, em consonância com o disposto na Estratégia Nacional de Defesa.

15 Emprego das LC Na MB, as LC serão empregadas pelos Fuzileiros Navais em Operações Ribeirinhas para o transporte operacional de fração de tropa de até 20 militares equipados (além de controle das margens durante essas operações), e nas operações típicas do Poder Naval em tempo de paz, previstas na Doutrina Básica da Marinha (DBM), nos rios e afluentes navegáveis da Bacia Amazônica. No EB, as Lanchas de Combate destinam-se ao transporte operacional de fração de tropa de até 20 militares equipados, em um curso de água, para a realização do patrulhamento fluvial e de operações ribeirinhas, visando a manter o controle das margens e da aquavia, negar o uso do curso de água ao inimigo, controlar a população ribeirinha e coletar informes Tarefas Básicas em situação de conflito no âmbito da Marinha A LC deverá executar tarefas inerentes à Força-Tarefa Ribeirinha, isoladamente ou em conjunto com outros meios disponíveis na área, por meio das seguintes ações: a) Controle de área ribeirinha ou negação de uso pelo inimigo; b) Comando e Controle; c) Esclarecimento; d) Transporte e desembarque de tropa, limitado ao valor de um Grupo de Combate de Fuzileiros Navais, com meios próprios; e) Apoio de fogo naval; f) Interdição, desobstrução, busca de informações, contramedidas de minagem e patrulha; e g) Tratamento de baixas e evacuação médica Tarefas Básicas em situação de conflito no âmbito do Exército No âmbito do EB, a LC deverá executar tarefas inerentes à marcha para o combate fluvial de Companhia de Fuzileiros, por meio das seguintes ações: a) Reconhecimento fluvial na marcha de aproximação; b) Realizar patrulhamento fluvial;

16 15 c) Operações ofensivas para realizar o desembarque terrestre da tropa; d) Realizar a segurança das Embarcações Base de Pelotão; e) Bloqueio Fluvial; f) Desembarque ribeirinho; e g) Segurança de flanco e retaguarda da Companhia Tarefas Básicas em situação de paz no âmbito da Marinha paz: e No âmbito da MB, a LC deverá executar as seguintes tarefas em tempo de a) Contribuir para o adestramento e formação de pessoal; b) Contribuir nas atividades de Inspeção Naval; c) Colaborar com órgãos governamentais em ações de apoio e fiscalização; d) Contribuir com o aumento do conhecimento operacional da região Tarefas Básicas em situação de paz no âmbito do Exército No âmbito do EB, a LC deverá executar as seguintes tarefas em tempo de paz: a) Reconhecimento fluvial operacional da região; b) Contribuir para o adestramento e a formação de pessoal; c) Contribuir com a MB nas atividades de Inspeção Naval, quando solicitado; e d) Colaborar com os órgãos governamentais em ações de apoio e fiscalização. 2.3 LOGÍSTICA DE MANUTENÇÃO A Lancha de Combate possui, tecnicamente, uma vida útil de até 30 anos, sendo seu ciclo de atividades de 39 meses no qual o ciclo operativo compreenderá um período de 37 meses, permeados por Períodos de Manutenção Extraordinários (PME) de 15 dias a cada 4 meses de operação e um Período de Manutenção Geral (PMG) de 2 meses após o ciclo operativo.

17 16 É desejável que a estrutura de manutenção das LC utilizadas pelas Forças Singulares seja compartilhada de forma a otimizar e reduzir custos e gerar escala de produção. Dessa forma, os Períodos de Manutenção Geral das LC poderão ficar a cargo da Base Naval de Val-de-Cães (estaleiro construtor dos meios), abrangendo as embarcações sediadas em Manaus e Belém respectivamente: BtlOpRib, 1º e 17º BIS; e GptFNBe e 2º BIS. 2.4 COMBAT BOAT 90 O início do projeto da Combat Boat 90 teve origem no ano de 1989, e desde então, vem sofrendo continuada modernização. No período compreendido entre 1989 e 2012 já foram construídas e entregues cerca de 250 unidades para Forças Armadas de vários países. Algumas das características da CB-90 tonaram-na excelente opção para atuação na área da região amazônica, sendo as principais: Propulsão independente do sistema de geração de energia, caso o sistema elétrico sofra avarias (pois os motores possuem alternadores capazes de gerar energia para operação básica dos comandos de navegação e combate); Capacidade de operação em baixas profundidades, provendo proteção contra choques mecânicos para a embarcação; Capacidade de operar em águas com partículas em suspensão (condições adversas), já testadas em diversos países, tais como: Brasil (Região Amazônica em 2004), Malásia, África e Arábia Saudita; Excelente manobrabilidade para velocidades elevadas; Utilização do sistema com hidrojato, permitindo a parada e reversão de máquinas sem inversão do sentido de rotação dos motores, reduzindo os esforços de engrazamento na redutora e MCP, aumentando sua vida útil; e Capacidade de operação em manobras de transporte e desembarque anfíbio, associada a outras embarcações de maior porte, como os Navios Desembarque Doca, Navios Desembarque de Carros de Combate e Fragatas.

18 17 Figura 1: Vista esquemática e característica técnica lancha CB-90. Fonte: apresentação técnica The Docksta Group CB-90 Suécia, Lancha de Ação Rápida Como pode ser observado na figura 1, as Lanchas de Ação Rápida apresentam alta velocidade e calado reduzido, sendo projetadas segundo o conceito de casco planador com estrutura em alumínio naval e sistema de propulsão com motor diesel de torque elevado tipo centro rabeta e hélice duplo, potência de até 270 HP visando obter maior velocidade e eficiência hidrodinâmica. Podendo abicar em margens e praias ribeirinhas, as LAR são apropriadas para operações de patrulha, policiamento e controle de área. É projeto concebido pela BNVC em duas versões: as LAR Padrão (blindagem baixa), e as LAR Especial (blindagem cabinada).

19 LAR Padrão Foto 2: Lancha de Ação Rápida Padrão Fonte: Apresentação técnica Deptº Industrial BNVC LAR Padrão, 2012 a) Características principais: comprimento total 7,58m; comprimento do casco 6,91m; boca moldada 2,30m; pontal moldado 1,00m; calado 0,60m; e lotação 12 homens (piloto mais onze homens); b) Aplicação principal: patrulhamento e ações de apoio em águas interiores, podendo realizar operações e abicagem em margens e praias ribeirinhas, com desembarque pela proa. Apesar de não serem projetadas para operar em mar aberto, apresentam-se com bom comportamento em mar de estado semi-abrigado; c) Material: Alumínio Naval (Liga ASTM 5052) PA; d) Fabricante: Base Naval de Val-de-Cães; e) Acabamento Interno: acabamento interno todo em alumínio, incluindo os bancos com assento rebatível. Não há duplo-fundo, mas duas anteparas transversais estanques;

20 19 f) Acabamento Externo: verdugo de mangote de borracha em volta da embarcação, com exceção da popa; 04 (quatro) cunhos instalados na extensão do casco sobre o trincaniz; Olhais para içamento disposto também no trincaniz. Mastro na targa com luz de alcançado acoplado; Suporte para metralhadora na proa; Defletores de fluxo laterais e aleta defletora na quilha a ré para proteção dos hélices e rabeta; g) Pintura Interna e Externa: pintura geral com tinta primer de alta aderência e acabamento com tinta de alta espessura e semi-brilho. (O grafismo será efetuado de acordo com a especificação fornecida pelo cliente); h) Deslocamento Leve: 3,10 Toneladas; i) Sistema Elétrico: sistema elétrico (CC) de 12V com alternador acionado pelo motor principal gerando 12V/110A de saída. (Possui 02 (duas) baterias de 12V/150Ah); j) Propulsão: Rabeta Bravo Three X (Mercruiser), com direção hidráulica, sistema de power trim e hélices de aço inox; k) Motor: Diesel centro-rabeta QSD HP RPM (Mercruiser); l) Velocidade Máxima: 35 nós (aproximadamente 65 km/h); m) Tanque de Combustível: capacidade de 400 litros, removível e localizado na área central, sendo o seu teto o próprio piso interno da lancha; n) Raio de Ação: 400 milhas náuticas; o) Hidráulica: bomba de esgoto com acionamento automático através de sensor tipo boia e chave seletora no painel de comando (2000gph); p) Acessórios: farol de longo alcance 50W/12V; sirene (alarme sonoro); luz de sinalização policial; ancorote Danforth de 15Kg; seis defensas verticais tipo fender em PVC vinil flexível tamanho G5 688mm X 216mm; croque em madeira com ponteira de metal não corrosivo; extintor de CO² de 04Kg; luzes de navegação e buzina; q) Equipamentos Náuticos: Rádio VHF (frequência de 156 MHZ a 163 MHZ e potência de 25W); GPS modelo com base fixa e painel removível; Ecobatímetro modelo digital e visor gráfico e Agulha Magnética auto-compensável e removível; r) Compartimentagem: Peak tanque de proa estanque; porão central e praça de máquinas; e s) Blindagem: proteção balística do patrão (nível III); proteção da Tripulação (nível III); proteção da praça de máquinas (Nível III-A).

21 Lancha de Ação Rápida Especial (LAR-E) Foto 3: Lancha de Ação Rápida Especial (LAR-E) Fonte: Panfleto técnico da Assessoria Extra Marinha da BNVC, 2012 a) Características principais: comprimento total 7,56 m; boca moldada 2,30 m; pontal 1,00 m; calado 0,70 m (incluindo a aleta defletora); lotação 06 homens (piloto mais cinco homens); b) Aplicação principal: patrulhamento e ações de apoio em águas interiores, podendo realizar operações e abicagem em margens e praias ribeirinhas; c) Material: Alumínio Naval (liga ASTM 5052); d) Fabricante: Base Naval de Val-de-Cães, Belém PA; e) Acabamento interno: em alumínio, com assentos de encosto rebatível e duas anteparas transversais estanques; f) Acabamento externo: verdugo em mangote de borracha em volta de toda a embarcação, com exceção da popa. Mastro de popa com luz de alcançado. Cunhos instalados na extensão do casco sobre o trincaniz. Porta de acesso pela popa e escotilha no teto; g) Pintura interna e Externa: conforme o grafismo fornecido pelo cliente;

22 21 h) Deslocamento leve: 3,0 toneladas; i) Sistema elétrico: sistema elétrico (CC) de 12 V, com alternador acionado pelo motor principal, gerando 60ª; j) Propulsão: Rabeta com sistema DP de contra-rotação; k) Motor: Diesel marítimo de alta rotação, com sistema de partida e direção, turbo compressor e aftercooler, painel de instrumentos com indicador de RPM e resfriamento a água com admissão pelo casco. Faixa de potência 200 a 270 HP; l) Velocidade máxima: 40 nós (com motor de 270 HP); m) Tanque de Combustível: capacidade de 400 litros; n) Raio de Ação: 350 milhas náuticas; o) Hidráulica: bomba de esgoto com acionamento automático através de sensor tipo boia e chave seletora no painel de comando (2000gph); p) Acessórios: Ferro tipo Danforth, defensas, extintor de incêndio, luzes de navegação, buzina, holofote de busca, sirene, luz de sinalização giroflex, aparelho de ar condicionado marítimo com btu para climatização da cabine; q) Equipamentos Náutico: VHF- Rádio VHF/FM SOLARA MOD. 25W; GPS- Fixo, marinizado; Eco-sonda; Agulha magnética; r) Compartimentagem: Peak tanque de proa estanque; porão central e praça de máquinas; e s) Blindagem: blindagem balística em Aramida (Nível IIIA - Kevlar) ou em Polietileno de Alta Performance (Nível III - Dyneema); vidros balísticos e seteiras.

23 22 3 EMBARCAÇÕES FLUVIAIS CIVIS A infraestrutura industrial instalada na BNVC, necessária à manutenção dos meios marítimos e fluviais sediados em sua área de responsabilidade na região amazônica, como preconizado em sua missão precípua, bem como o conhecimento adquirido na construção de embarcações leves, notadamente as LAR, dotaram a BNVC de capacitação necessária para a construção de embarcações fluviais (ou em águas abrigadas) para transporte de pessoal e material destinado ao uso não militar. Assim sendo, o MD e a MB, por meio de acordos efetuados concretizados pela da Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) 2, respectivamente com o MS, para a construção da Lancha de Apoio Médico (LAM); MEC, para a construção da Lancha Escolar (LE); e do MDS, para a construção da Lancha Social (LS), atribuíram à BNVC a missão de projetar e produzir as referidas embarcações dentro das especificações requeridas por aqueles Ministérios. Mediante habilitação obtida conforme o Certificado FM , expedido pela BSI (British Standards Institution) 3, a BNVC pautou o seu sistema de gestão da qualidade conforme requisitos e especificações internacionais da ISO 9001:2008 voltada à construção, ao reparo e à manutenção de embarcações de pequeno e médio porte com capacidade de até 5 toneladas. Deste modo, centenas de lanchas para aplicação civil foram concebidas e fabricadas pela BNVC, notadamente as LAM, LE e LS, cujas aplicações, demandas e características serão apresentadas a seguir. 2 A Empresa Gerencial de Projetos Navais - EMGEPRON é uma empresa pública, vinculada ao Ministério da Defesa por intermédio do Comando da Marinha do Brasil, que tem como finalidades principais: Promover a Indústria Militar Naval Brasileira; Gerenciar projetos integrantes de programas aprovados pelo Comando da Marinha; e Promover e executar atividades vinculadas à obtenção e manutenção de material militar naval. 3 O Grupo BSI oferece aos seus clientes, dentre outros serviços, a certificação e auditoria de sistemas de gestão, e testes e certificação de produtos e serviços.

24 LANCHA DE APOIO MÉDICO (LAM) Foto 4: Lancha de Apoio Médico (LAM) Fonte: Panfleto técnico da Assessoria Extra Marinha da BNVC, 2012 A partir da assinatura, no ano de 2006, do Acordo de Cooperação entre o MD (MB) e o MS, a BNVC recebeu a encomenda de sete LAM, apelidadas de Ambulancha, sendo as mesmas, depois de construídas, entregues à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (SESMA/PMB). Conforme descrição constante na Ficha Técnica da LAM, disponibilizada no site da Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), empresa responsável pela divulgação e comercialização da embarcação, trata-se de um meio versátil, projetado para remoções de pacientes e assistência pré-hospitalar em rios e lagoas, provendo apoio médico de urgência e emergência, no atendimento às comunidades ribeirinhas da região amazônica. Confeccionada em alumínio naval, a LAM transporta até dois pacientes e quatro tripulantes, possuindo, ainda, diversas facilidades tais como: maca removível com trava, sistema fixo e móvel para dois cilindros de oxigênio, padiola para adultos

25 24 e crianças e poltronas reversíveis, podendo dotar de variado material médicohospitalar, caso necessário. Seu ótimo desempenho e facilidade de manutenção a tornam ideal para emprego por instituições de saúde, Corpos de Bombeiros, Defesa Civil e empresas privadas. Possui, ainda, as seguintes características técnicas: Comprimento total - 7,80 m / Boca moldada - 2,80 m / Pontal moldado - 1,20 m / Calado máximo - 0,60 m / Fabricada em alumínio naval ASTM 5052 / Tanques com capacidade para 400 litros de diesel e 250 litros d água / Velocidade máxima de 30 nós / Raio de ação de 370 milhas náuticas / Deslocamento de 2,1 t. Dotada dos seguintes equipamentos: Motor Diesel Volvo Penta 230 HP KAD 43P-DP / Rádio VHF-FM 52 canais / GPS Garmin 128 com 12 canais / Ecobatímetro Matrix 10 / Bomba de esgoto GPH / Duas baterias de 12V - 150Ah. 3.2 LANCHA ESCOLAR (LE) Foto 5: Lancha Escolar (LE) Fonte: Panfleto técnico da Assessoria Extra Marinha da BNVC, 2012

26 25 A partir da assinatura, no ano de 2009, do Acordo de Cooperação entre o MD (MB) e o MEC por intermédio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a BNVC recebeu a encomenda para confeccionar, até o final de 2012, um total de 374 Lanchas Escolares (LE), sendo as mesmas depois de construídas, destinadas a diversas prefeituras da região amazônica, onde a prioridade na distribuição estabelecida pelo FNDE baseou-se no caráter de urgência ao atendimento das demandas em localidades que apresentavam maior carência no transporte escolar. O projeto das LE originou-se de estudos realizados pelo MEC no escopo do programa Caminho da Escola 4 com o foco no transporte escolar efetuado no modal hidroviário/aquaviário, quando foi verificado que aproximadamente 180 mil estudantes do ensino público residentes nas regiões ribeirinhas da Amazônia, usualmente seguiam para a escola em barcos artesanais a remo, frágeis e vulneráveis à colisão com outras embarcações de maior porte, tendo ainda sido registrado a constante utilização de barqueiros contratados pelas prefeituras locais que realizam serviço precário, desconfortável, inseguro e demorado. Invariavelmente expostos às intempéries, como vento e chuvas torrenciais tão comuns na Amazônia, os estudantes chegam às salas de aula desmotivados e desgastados para o início da jornada de estudo, fato que contribui, sobremaneira, para a significativa evasão escolar na região. A LE foi concebida para prover condições satisfatórias ao estudante ribeirinho em seu translado casa-escola-casa. Construída em alumínio naval, medindo 7,30m de comprimento, é dotada de itens de segurança, tais como: coletes salva-vidas, extintor de incêndio, sirene, luzes de navegação, rádio comunicador, defensas, e capacidade para transportar até 20 alunos, incluindo assento apropriado para portadores de necessidades especiais. Quando destinada ao transporte geral de pessoas em águas abrigadas, a LE pode ser configurada e disponibilizada com a denominação de Lancha de Transporte de Pessoal (LTP). 4 O programa Caminho da Escola foi criado em 2007 com o objetivo de renovar a frota de veículos escolares, garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural das redes estaduais e municipais. O programa também visa à padronização dos veículos de transporte escolar, à redução dos preços dos veículos e ao aumento da transparência nessas aquisições.

27 26 Conforme descrição constante na Ficha Técnica da LE (LTP), disponibilizada no site da EMGEPRON, empresa responsável pela divulgação e comercialização da embarcação, a mesma possui as seguintes características técnicas: comprimento total - 7,30 m / boca moldada - 2,20 m / pontal moldado - 1,00 m / calado máximo - 0,35 m / fabricada em alumínio naval ASTM 5052 / tanques com capacidade para 150 litros de gasolina / velocidade máxima de 12 nós / deslocamento de 1,5 t. Dotada dos seguintes equipamentos: motor de popa a gasolina 4t (90HP) ou motor-rabeta diesel (150HP) / rádio comunicador / bomba de esgoto GPH / duas baterias de 12V - 150Ah. 3.3 LANCHA SOCIAL (LS) Foto 6: Lancha Social (LS) Fonte: Panfleto técnico da Assessoria Extra Marinha da BNVC, 2012

28 27 A partir da assinatura, em fevereiro de 2012, do Acordo de Cooperação entre o MD (MB) e o MDS (MDS), no âmbito do plano Brasil sem Miséria 5, a BNVC recebeu a encomenda para confeccionar até final de 2014, um total 100 Lanchas Sociais (LS), sendo as mesmas, após construídas, destinadas a diversas prefeituras da região amazônica, onde a prioridade na distribuição estabelecida, será baseada no caráter de urgência ao atendimento das demandas em localidades que apresentem maior carência no atendimento de políticas de assistência social. O projeto das LS visa propiciar o contato das longínquas populações ribeirinhas aos serviços sociais prestados pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que executam programas e ações como a identificação de situações de vulnerabilidade e risco social, acolhida e reuniões familiares, visitas domiciliares, atendimentos particularizados e em grupo, ações comunitárias e parcerias com outras políticas no atendimento a população. A LS possibilitará ainda, as ações de busca ativa das famílias ainda não inseridas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, e que estejam à margem das políticas públicas socioassistenciais, permitindo assim uma abrangência mais completa dos usuários do Sistema Único de Assistência Social. As LS são capazes de transportar até dez profissionais de assistência social, sendo operadas por dois tripulantes. Conforme descrição constante na Ficha Técnica da LS, disponibilizada no site da EMGEPRON, empresa responsável pela divulgação e comercialização da embarcação, a mesma possui as seguintes características técnicas: comprimento total - 7,70 m / boca moldada - 2,50 m / pontal moldado - 1,10 m / calado máximo - 0,55 m / fabricada em alumínio naval ASTM 5052 / tanques com capacidade para 100 litros de gasolina / velocidade máxima de 12 nós / deslocamento de 2,0 t. Dotada dos seguintes equipamentos: motor marítimo à diesel de 120 HP e 2500 rpm / rádio comunicador / bomba de esgoto GPH / duas baterias de 12V - 150Ah. 5 O Plano Brasil Sem Miséria tem a finalidade de superar a situação de extrema pobreza da população em todo o território nacional, por meio da integração e articulação de políticas, programas e ações, sendo executado pela União em colaboração com Estados, Distrito Federal, Municípios e com a sociedade.

29 28 4 CAPACITAÇÕES DA BNVC PARA CONSTRUÇÃO DE LANCHAS MILITARES E CIVIS Foto 7: Lancha de Ação Rápida Especial (LAR-E) Fonte: Site da BNVC em https://www.mar.mil.br/bnvc/omps-i.html Desde o início dos anos 2000, a BNVC vem, paulatinamente, agregando à sua capacitação industrial, uma infraestrutura dedicada à construção de embarcações leves em alumínio, sob a responsabilidade da Divisão de Construção Naval cujas instalações localizam-se atualmente em um amplo galpão da Base denominado Oficina nº4. Dispondo, atualmente, de uma experiente equipe de engenheiros e técnicos, particularmente familiarizados com as etapas da construção naval de estrutura em alumínio; a BNVC conta, ainda, com um recém-concluído espaço, cuja área coberta é de 800m 2, igualmente destinado à produção naval de embarcações de porte médio, que poderá receber uma segunda linha de construção dedicada à produção das Combat Boat 90. Os principais setores instalados que oferecem suporte a construção de embarcações em alumínios pertencentes à BNVC são os de corte de chapas,

30 29 montagem e soldagem de casco e superestrutura, instalação de motores e eletroeletrônica, estufa para pintura e instalação de acessórios. A construção naval da BNVC é, ainda, apoiada por diversas oficinas responsáveis por etapas específicas, destacando-se as de mecânica, soldagem, elétrica, eletrônica, além do setor responsável pelos projetos a serem realizados. 4.1 INFRAESTRUTURA DA BNVC DEDICADA A CONSTRUÇÃO NAVAL A BNVC, conta com oficinas específicas de apoio a construção naval sob a responsabilidade de divisões diversas, tais como as de Reparos de Eletrônica e Armamento, Mecânica, Eletricidade, Estrutura e Metalurgia, Diques e Oficinas complementares. Atualmente, a infraestrutura instalada na BNVC é suficiente para a produção das LAR, LAM, LE e LS, sendo necessário, entretanto, complementar o aporte de capacitações voltadas à pretendida produção das CB 90, uma vez que requerem algum investimento para a conclusão de sua implementação, particularmente no tocante ao redimensionamento das instalações elétricas voltadas à alimentação dos novos maquinários a serem necessariamente adquiridos como os de corte e solda, conformação mecânica e sistemas de iluminação. Por ocasião da visita dos representantes da Dockstavarvet (construtor da CB 90) às novas instalações (galpão de 800m 2 ) da BNVC, em novembro de 2011, foi observada (SANTOS, 2012) a necessidade de se implantar uma estrutura completa de sistemas e máquinas capaz de permitir a realização de todos os serviços necessários para fabricação da CB-90H, entre estes foram citados os seguintes: Maquinário independente da Oficina 4; Escritório; Almoxarifado com controle de umidade; Sistema de Exaustão; Sistema de ar comprimido; Sistema de Combate a Incêndio; Plataforma de Trabalho (JIG); Ponte rolante (02 pontes de 7 Ton cada); Bancadas de Trabalho móveis;

31 30 Carreira automatizada; Qualificação de pessoal; Aquisição de ferramentas especiais; Setor individualizado para pintura; Carros sobre rodas para transporte de cada lancha; Trator para movimentação da embarcação por terra; Bancada de corte plasma CNC. A administração da BNVC vem envidando esforços no sentido de providenciar a infraestrutura restante necessária para a construção da CB 90, tendo sido iniciado o processo licitatório para aquisição e instalação de duas pontes rolantes de 7 Ton, apropriadas para a construção de embarcações do porte da CB 90 e de outras embarcações de dimensão similar. 4.2 Habilitações do pessoal para a Construção Naval Foto 8: Construção naval da BNVC Fonte: Panfleto técnico da Assessoria Extra Marinha da BNVC, 2012 O aporte de profissionais dentro da demanda requerida ao trabalho em todos os níveis nas linhas de produção da construção naval da BNVC provem do planejamento de novas metas nas quais se observa consequente mudança na

32 31 dinâmica do perfil quantitativo e qualitativo do pessoal componente da Divisão de Construção Naval. Atualmente, a composição do quadro de engenheiros e técnicos da Base ocorre por intermédio do serviço de militares (concursados ou pertencentes a reserva não remunerada), profissionais contratados por intermédio da FEMAR 6 (Fundação de Estudos do Mar) e da EMGEPRON. No que se refere aos militares, particularmente os da reserva não remunerada, são os mesmos em sua maioria oriundos de estabelecimentos de formação de nível superior e técnico localizados no estado do Pará. Os civis contratados via FEMAR e EMGEPRON são, invariavelmente, oriundos de estaleiros ou instalações industriais de pequeno porte, com atividades afins da região norte que migram para a BNVC, normalmente em busca de melhores condições de trabalho. Conforme verificado no efetivo atual constante nos registros da Diretoria de Pessoal Militar da Marinha (DPMM), a Base possui em seu quantitativo de militares com formação superior, engenheiros nos campos da mecânica, eletrônica, eletricidade, construção naval, química, informática e produção. No que se refere ao pessoal de perfil técnico, oriundo dos quadros militares e civis contratados, observa-se como principais formações, as de estruturas navais, eletroeletrônica, mecânica, carpintaria e solda e marcenaria. 5 CONSTRUÇÃO DAS COMBAT BOAT 90 NA BNVC 6 A FEMAR destina-se a contribuir para o conhecimento dos aspectos sócio-econômicos e políticos do mar, bem como dos problemas a ele referentes; valorizar a pessoa do trabalhador da indústria de construção naval, do transporte aquaviário e da pesca, promovendo a maior produtividade dessas atividades comerciais e industriais; procurar os meios para racionalização do trabalho nos portos; através de estudos, buscar soluções para o incremento do transporte aquaviário, promover o conhecimento e a difusão dos problemas atinentes ao complexo aquaviário, transportes, portos, pesca, navegação, construção naval, ciências do mar e legislação pertinente, tudo com vistas a contribuir para difundir a mentalidade marítima no Brasil.

33 32 Uma das técnicas atuais de gerenciamento de empresas na busca do seu aperfeiçoamento é conhecida como benchmarking. De acordo com a Wikipédia, benchmarking é: a busca das melhores práticas na indústria que conduzem ao desempenho superior. É visto como um processo positivo e proativo por meio do qual uma empresa examina como outra realiza uma função específica a fim de melhorar como realizar a mesma ou uma função semelhante. O processo de comparação do desempenho entre dois ou mais sistemas é chamado de benchmarking. Figura 2: Vista interna da lancha Combat Boat 90 Fonte: apresentação técnica The Docksta Group CB-90 Suécia, 2012 Conforme já verificado, é possível o estaleiro Dockstavarvet fornecer a embarcação Combat Boat 90 sem os sistemas de armas e comunicações a um custo estimado de US$ 2,5 milhões. Estes sistemas seriam especificados e instalados com o apoio da indústria nacional, objetivando a redução de custos de obtenção da embarcação completa, estimado inicialmente em US$ 4,5 milhões. O custo para produção em escala das embarcações seria negociado em razão da quantidade adquirida, assim como os treinamentos operacionais, de manutenção e de construção. O contrato de manutenção seria revisado a cada três anos. Em uma obtenção de maior escala da CB 90, é desejável que a construção das seis primeiras embarcações ocorresse na Suécia e, paralelamente, o treinamento das técnicas de construção em estaleiro no Brasil. O treinamento

34 33 operacional e de manutenção deve ser oferecido pelo estaleiro Dockstavarvet em conjunto com a Marinha Sueca. Foi, também, apresentada a possibilidade da construção em estaleiro privado no Brasil, sob licença e supervisão do construtor, ou a assinatura de contratos para aquisição de kits de construção sob licença, tal como é realizado atualmente no Estaleiro Astimar do México. Para tal, é necessária a aprovação pelo construtor da infraestrutura ferramental e capacitação profissional requerida. Deve, ainda, serem disponibilizados pelo estaleiro sueco os planos e arquivos eletrônicos para a construção, e fornecidos os certificados e garantias do material e dos principais sistemas. Independente da modalidade de contrato, o estaleiro Dockstavarvet disponibilizará os manuais de operação e manutenção de sistemas individuais e da embarcação em geral. Os materiais e sistemas terão garantia e sendo provisionados pacotes de sobressalentes de acordo com o número de embarcações. Também haverá suporte de manutenção no país para os sistemas de propulsão, navegação, comunicação e outros, sendo provido para cada quatro LC adquiridas, um contêiner de apoio contendo sobressalente e materias especiais. Considerando que o EB avaliou, em 2004, a lancha COMBAT 90H à luz dos seus requisitos particulares, e que também é importante a MB igualmente reavaliar operacionalmente a embarcação no ambiente amazônico, de forma a ratificar a padronização da referida lancha como a Lancha de Combate de utilização comum às duas Forças e, consequentemente, atender concomitantemente às necessidades estabelecidas pelo PAEMB e pelo Programa de Articulação Braço Forte, é pertinente que o MD, por intermédio da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), coordene a obtenção de ao menos quatro CB 90 do estaleiro Dockstarvarvet, destinando duas unidades à MB e duas ao EB. No que se refere às embarcações da MB, as mesmas devem ser incorporadas ao Batalhão de Operações Ribeirinhas em Manaus e ao Grupamento de Fuzileiros Navais em Belém, ambas mantidas sob a coordenação e supervisão da BNVC, local onde o contêiner de apoio ficará instalado. A manutenção das quatro LC será realizada de maneira integrada pelo pessoal da MB em conjunto com o do EB.

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