PROPRIEDADE INTELECTUAL INDÍGENA E SUA DIVISÃO DE BENEFÍCIOS NO UNIVERSO KRAHÓ.

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1 PROPRIEDADE INTELECTUAL INDÍGENA E SUA DIVISÃO DE BENEFÍCIOS NO UNIVERSO KRAHÓ. INTRODUÇÃO Suyene Monteiro da Rocha Diniz Universidade Federal do Tocantins A relação homem natureza no mundo moderno ocidental é meio conturbada. Se remontarmos os primórdios da colonização americana teremos uma narrativa exaustiva de degradação ambiental, como a extração de pau Brasil. O homem ocidental sempre enxergou a natureza como sua serva, e que toda a sua produção existia e existe com o fim único e exclusivo de satisfazê-lo. Assim caminhamos numa história de depredação do ambiente de forma inconteste, o que hoje reflete em resultados muitas vezes irreversíveis. O homem a que nos referimos acima é o ocidental de origem européia que, a partir do século XV com o início da expansão marítima tinha como objetivo o acumulo de riquezas e a pilhagem de metais preciosos. Os meios empregados para a obtenção dessa riqueza era guiado, na a maioria das vezes, pela força, o que desembocava em um grande número de morte dos colonizados, que eram tidos como primitivos ou selvagens, isto porque a concepção de civilização e por conseqüência, de ser civilizado, era ser membro integrante da cultura do Velho Mundo. Fazer um paralelo dessa concepção civilizada com a concepção indígena e seu olhar sobre o ambiente e suas formas de interação é que faremos, mais precisamente sobre as relações Krahó com o meio. Remetendo-nos à história dos Krahó temos que o primeiro contato com os cupem (termo indígena para denominar os não índios) foi na segunda metade do século XVIII. Viviam no Maranhão, mais precisamente, como nos narra Melatti (1978, p. 22) (...) na região banhada pelo curso inferior do rio Balsas e sues afluentes que é um dos tributários do Parnaíba. A medida que os civilizados ocupavam a região, iam empurrando os Krahó para oeste, na direção do Rio Tocantins Vários foram os conflitos e problemas enfrentados pelos Krahó, até que em 1848 fossem transferidos para o aldeamento de Pedro Afonso, cidade atualmente situada na confluência do rio do Sono com o Tocantins. Desde a pacificação dos Krahó, inicialmente em Carolina-MA, até a transferência dos mesmos para Pedro Afonso, esses serviram de tropa de choque dos fazendeiros de gado contra os demais índios, Timbira ou Akuen. Por essa razão eram tolerados pelos civilizados.

2 Contudo, com o avanço dos criadores de gado tiveram que disputar novos territórios com outros índios entrando em conflito com eles, com os Apinajé e os Nhyrkwãjê. Melatti (1978, p.21) descreve a localização dos Krahó no território nacional. os índios Krahó habitam um território de quase quilômetros quadrados, cujo uso e gozo lhes foi concedido pelo governo do Estado de Goiás em Esse território está situado nos municípios de Goiatins (cujo antigo nome era Piacá) e Itacajá entre os rios Manoel Alves Pequeno (afluente da margem direita do Tocantins) e Vermelho (afluente do Manoel Alves Grande, que por sua vez, também desemboca no Tocantins), no norte do referido Estado. OS KRAHÓ E SEU MEIO AMBIENTE. Depois desse breve panorama sobre a história dos Krahó vamos analisar a relação desses com o ambiente. Sua alimentação é baseada no consumo de beijú (alimento feito a base de mandioca), arroz, fava, carne cozida com água e o bolo tradicional (paparuto), que é assado com o auxílio de pedras aquecidas. A procura de frutos silvestres comestíveis é tarefa das mulheres, que a executam geralmente em grupos. As principais frutas consumidas são: buriti, bacaba, oiti, caju do cerrado. Há, ainda, as que não possuem em grande quantidade na área, tais como: buritirana, mangaba, bacuri. Já a coleta do mel é tarefa dos homens da aldeia. Para a obtenção da carne praticam a caça, que antes era feita com arco e flecha e foi substituído pela espingarda. Os animais comumente encontrados são os de pequeno porte tais como: manbira (tamanduá mirim), coati, macacos, tatu, tatu peba, e diversas variedades de veado. No período da seca preferem caçar na mata. Já durante as chuvas, preferem o cerrado, em função da grande quantidade de cobras que se encontra nesse período na mata. A pesca não ocupa lugar relevante na alimentação Krahó. Essa é realizada, de maneira expressiva, no período da seca, quando as águas dos ribeirões estão baixas e correm vagarosamente, através do uso do tingui que entorpece os peixes. A relação com o ambiente os faz ter conhecimento de quais os animais freqüentam a mata e quais freqüentam o cerrado, quais andam à noite, e quais se movimentam durante o dia. Conhecem, ainda, quais as plantas consumidas pelos animais, o que parece servir de fundamento para certos rituais para a captura da espécie. Na agricultura, sua relação é de subsistência plantando milho branco, inhame, batata doce, amendoim, arroz, fumo, fava e mandioca. A forma de suas casas indicam uma forte influência do convívio com os civilizados. Externamente são muito similares a dos sertanejos. O teto das casas é de duas águas, coberto com folhas de buriti ou de piaçava, as paredes são feitas de estacas fincadas no chão uma ao lado da outra, que são preenchidas com palha de buriti ou barro. Porém, as casas são dispostas

3 tradicionalmente ao redor do grande pátio central, formando um círculo, se observado num anglo superior. Para os Krahó, os homens, os animais, os vegetais e mesmo os minerais e objetos manufaturados tem uma Karõ, que se pode traduzir aproximadamente com alma. Ao morrer a alma humana vaga por algum tempo (ou vai para uma aldeia dos mortos, situada a oeste) até que se transforma num animal de grande ou médio porte; quando esse animal morre, transforma-se num animal inferior; quando esse outro morre, transforma-se em um cupinzeiro ou toco de pau. Quando o fogo queima esse cupinzeiro ou toco, o aniquilamento é completo. No que diz respeito aos ritos, cada aldeia Krahó dispõe de uma padré. Trata-se do diretor dos ritos. É a pessoa que sabe como realizar os diversos ritos dos Krahó. Todos aqueles que exercem ou exerceram as tarefas de padré nas diversas aldeias Krahó, de que se tem notícia, foram ou são considerados também como líderes políticos, sem dúvida por causa do conhecimento que possuem das tradições Krahó. No que diz respeito ao xamanismo entre os Krahó, relata Melatti (1978, p. 92) que: [...] assim como o xamã tem poder de provocar a doenças, pode também cura-las. O xamã recebe seus poderes mágicos de um animal, vegetal ou algum outro processo. A maior parte dos indivíduos, entretanto, conhece alguns vegetais que podem ser utilizados para curar determinadas doenças ou aplicados magicamente de modo a facilitar a captura de certos animais de caça. Conhecem também as restrições alimentares que tem a fazer para obter boa colheita de certas plantas cultivadas. Para os indígenas o ambiente é mais que uma forma de se alimentar, é um local sagrado. É onde se estabelecem a suas relações totêmicas, há um vínculo estreito entre eles e os elementos formados da natureza. É da fauna e da flora que tiram seu sustento. É na crença de serem parte do meio que se desenvolve sua cultura. É na junção de tudo isso que os faz detentores do conhecimento de todo o sistema que os envolve. Cada planta que os rodeia tem um valor. Eles sabem qual é nociva ou não. Sabem se é amassada ou fervida que deve ser utilizada para curar determinado mal. São as comunidades tradicionais os portadores do saber, mesmo que esse saber seja tido como empírico, do potencial e variedade da diversidade biológica que nos rodeia, pois o olhar que eles debruçam sobre a natureza é outro. Como exemplo dessas formas diferentes de olhar o ambiente tomamos a passagem citada por Leff em seu livro Saber Ambiental (2001, p. 30) que foi a resposta dada pelo Chefe Seattle em 1854, à oferta do Grande Chefe Branco de Washington para comprar as terras dos índios e transferi-los para uma reserva : Como se pode comprar ou vender o firmamento ou o calor da terra? Se não somos donos

4 do ar nem do brilho das águas, como poderiam vocês compra-los? Cada parcela desta terra é sagrada para o meu povo. Cada floresta reluzente de pinheiros, cada grão de areia das praias, cada gota de orvalho nos bosques fechados, cada outeiro e até o som de cada inseto é sagrado à memória e ao passado do meu povo. A seiva que circula pelas veias das árvores leva consigo as memórias dos peles-vermelhas. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. Os penhascos escarpados, os prados úmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família (...) A água cristalina que corre nos rios e regatos não é simplesmente água, mas também representa o sangue de nossos antepassados. O murmúrio da água é a voz do pais do meu pai (...) e cada reflexo fantasmagórico nas claras águas dos lagos conta os fatos e memórias das vidas de nossa gente. Sabemos que o homem branco não compreende nosso modo de vida. Ele não sabe distinguir entre um pedaço de terra e outro, pois é um estranho que chega de noite e toma da terra o que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e uma vez conquistada, segue o seu caminho, deixando para trás a tumba de seus pais. Seqüestra a terra, arranca-a de seus filhos. Pouco lhe importa. Tanto a tumba de seus pais como o patrimônio de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e o seu irmão, o firmamento, como objetos que se compram, se exploram e se vendem como ovelhas ou como contas coloridas. Seu apetite devorará a terra deixando atrás de si só um deserto. [...] Mas vocês caminharão para a destruição, rodeados de glória, inspirados na força de Deus que os trouxe a esta terra e que por algum desígnio especial lhes deu domínio sobre ela e sobre os peles-vermelhas. Onde está a floresta? Onde está a águia? Termina a vida e começa a sobrevivência. MEIO AMBIENTE, BIODIVERSIDADE E LEGISLAÇÃO. É sobre esse aspecto de preservação e interação com o meio que segue nossa reflexão sobre a proteção da propriedade intelectual das comunidades tradicionais. Um dos passos mais expressivos dessa defesa foi a Convenção sobre Diversidade Biológica, que passou a vigir em nosso sistema jurídico a partir do Decreto N o 2.519, de 16 de Março de 1998, trazendo uma nova consideração ao sistema jurídico, a da preservação dos conhecimentos tradicionais como patrimônio de caráter intelectual. Essa Convenção tem em seu preâmbulo a seguinte afirmativa: [...] Reconhecendo a estreita e tradicional dependência de recursos biológicos de muitas comunidades locais e populações indígenas com estilos de vida tradicionais, e que é desejável repartir eqüitativamente os benefícios derivados da utilização do conhecimento tradicional, de inovações e de práticas relevantes à conservação da diversidade biológica e à utilização sustentável de seus componentes[...] Já no artigo primeiro, que é o dos objetivos, a redação fica bem clara: Os objetivos desta Convenção, a serem cumpridos de acordo com as disposições pertinentes, são a conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, mediante, inclusive, o acesso adequado aos recursos genéticos e a transferência adequada de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos sobre tais recursos e tecnologias, e mediante financiamento adequado. E mais a diante o artigo 8º na alínea j define: [...] j) Em conformidade com sua legislação nacional, respeitar, preservar e manter o

5 conhecimento, inovações e práticas das comunidades locais e populações indígenas com estilos de vida tradicionais relevantes à conservação e à utilização sustentável da diversidade biológica e incentivar sua mais ampla aplicação com a aprovação e a participação dos detentores desse conhecimento, inovações e práticas, e encorajar a repartição eqüitativa dos benefícios oriundos da utilização desse conhecimento, inovações e práticas.[...] O Brasil foi um dos países a assinar a Convenção se comprometendo a proteger tal conhecimento. Todavia, como tudo no nosso país, grande parte de nosso arcabouço legal não cumprido. Em que pese toda essa tentativa de se normatizar o tema por vias normais, foi o mesmo regulado, primeiramente, pela Medida Provisória nº2.052 de 29 de julho de 2000, sendo que em face desse foi impetrado uma ação de inconstitucionalidade, que teve como decisão final a inconstitucionalidade de alguns dispositivos. Este fato ocasionou a reedição da MP se adequando as normativas da Carta Magna. Mas inúmeras foram as reedições da medida provisória. Sendo a última, e derradeira, regulamentação a Medida Provisória nº de 23 de agosto de 2001 que hoje possui força de lei em virtude da Emenda Constitucional 32, de 11 de setembro de Em lugar de termos passado pelos tramites normais de uma lei, todo o esforço de muitos que acreditam na possibilidade de se ter o sistema moralizado, tivemos a edição de uma medida provisória. Entretanto, a época tramitavam no Congresso Nacional quatro projetos legislativos acerca da mesma matéria: 1) uma proposta de ementa constitucional encaminhada pelo Poder Executivo que pretende incluir os recursos genéticos entre os bens da União arrolados no art. 29 da Constituição; 2) projeto de lei encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso, que dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios derivados de sua utilização ; 3) projeto de lei apresentado pela então, Senadora Marina da Silva que já havia sido aprovado pelo Senado Federal na forma de substituto apresentado pelo relator deste na Comissão de Assuntos Sociais, Senador Osmar Dias; 4) projeto de lei apresentado pelo Deputado Jacques Wagner, que à época tramitava na Câmara dos Deputados. Assim, por forma da emenda Constitucional acima citada, em 28 de setembro de 2001 o decreto nº 3.945/01 regulou o assunto disciplinando a composição do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético e estabelecendo sua forma de funcionamento, bem como dispondo sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios e o acesso à tecnologia e transferência de tecnologia para a sua conservação e utilização. Foi editado o decreto nº em 31 de dezembro de 2003 que alterou algumas disposições do decreto n 3.945/01.

6 O intuito ao normatizar tal questão está no fato de que a concepção hoje é de que cada país é soberano sob sua biodiversidade, ou seja, todo o patrimônio genético de nossa fauna e flora, é protegida e se ameaçado por terceiros sejam nacionais ou não, estes sofrerão sanções. A medida provisória define como conhecimento tradicional associado: a informação ou prática individual ou coletiva de comunidade indígena ou de comunidade local, com valor real ou potencial, associada ao patrimônio genético; e como bioprospecção a atividade que visa identificar componente do patrimônio genético e informação sobre conhecimento tradicional associado, com potencial de uso comercial. Os projetos que envolvam seres humanos devem passar pelo Comitê de Ética em pesquisa, que deve preencher os requisitos da Res. CNS 196/96 que estabelece as normas e diretrizes regulamentadoras da pesquisa envolvendo seres humanos. E quando o estudo envolva áreas de povos indígenas, há a Res. 304, específica para o assunto, sendo o projeto em apresso enviado para a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Que somente, após a apreciação do CONEP e, conseqüente aprovação do mesmo, se faz possível o desenvolvimento da pesquisa. OS KRAHÓ, PATRIMÔNIO GENÉTICO E CONHECIMENTO TRADICIONAL. O grande problema é que a fiscalização é precária. Vejamos o caso Krahó. Uma pesquisadora adentrou as terras indígenas, como a própria relata, de julho de 1999 a julho de Tteve a autorização de determinados índios de algumas aldeias, para entrar na reserva. Foi arrolado pela pesquisadora como instrumento probatório e legitimador para seu ingresso na área, uma carta redigida por um Krahó consentindo com a pesquisa, com data de junho de Outra, de julho de 2000 e uma carta de consentimento da Associação Makraré de março de Todavia, o protocolo de intenções foi assinado em 2001 pelo então presidente da Associação VYTY-CATY A autorização da FUNAI para ingresso na terra indígena foi expedida em julho de 2001 e essa permitia o acesso de junho de 2001 a julho de No que cinge os procedimento previsto para as questões éticas em pesquisa o parecer do CONEP foi emitido em junho de A tese da pesquisadora foi apresentada à instituição a que estava vinculada em Portanto, os procedimentos empregados pela pesquisadora não coadunam com os apropriados, o que gerou um problema junto aos Krahó. Ao se direcionar somente a Associação VYTY-CATY e a Makraré pedindo anuência das mesmas para o desenvolvimento da pesquisa, sob a argumentação de representarem a nação Krahó, a pesquisadora equivoca-se na colocação uma vez que existe uma terceira associação

7 (KAPEY) que integra um número expressivo de aldeias Krahó, as quais não foram consultadas quanto a concordância ou não de terem suas praticas ritualísticas, que envolvem plantas medicinais pesquisadas. Desta forma, o conjunto do povo Krahó não anuiu com a pesquisa, mas apenas parte daquele povo. Essa questão vai além da anuência ou não. Como bem prevê o protocolo de intenções os Krahó, no caso do desenvolvimento e patenteamento de algum medicamento fitofármaco ou fitoterápico oriundo das informações por eles prestadas, teriam garantida a parcela de royalties. O valor seria revertido a favor da Associação VYTY-CATY. Há que se ponderar no que diz respeitos às praticas ritualísticas. Se essas práticas e as plantas utilizadas são conhecimentos dominados por todo o povo Krahó, a divisão dos benefícios deveria ser para todos e não destinado a uma parte somente. Há quem faça a reflexão de que o informante é que faz juz aos benefícios oriundos da relação. Mas quando se fala de conhecimento coletivo a discussão direciona-se numa outra vertente, que ainda não possui posições definidas seja entre os pesquisadores, seja na lei. Na busca de uma solução para o empasse surgido, foi feito em meados dos de setembro de 2002, uma reunião na KAPEY, em que se fizeram presentes representantes de várias aldeias Krahó, as advogadas da KAPEY, um Representante da FUNAI e uma Representante Ministério Público Federal de São Paulo que colheu depoimento dos índios, e redigiu uma carta com a solicitação dos mesmos para que a pesquisa fosse paralisada com pedido do pagamento da taxa de bioprospecção, que ao final foi assinada pelos caciques e pajés presentes. Atualmente, o caso encontra-se sob a esfera da FUNAI que já realizou algumas reuniões entre os Krahó e a Universidade para que se chegasse a um consenso, mas esse caso está longe de ter fim. No fato em exposição, não se trata de imputar ou não uma pratica delitiva a pesquisa desenvolvida, mas isto sim, em se fazer uma reflexão tanto sobre os mecanismos implementados pelos instrumentos normativos na proteção da propriedade intelectual indígena, quanto ao objetivo do instrumento legal em preservar o conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético, que é mecanismo relevante na conservação da diversidade biológica, e conseqüente integridade do patrimônio genético do País. CONSIDERAÇÕES FINAIS É instituto basilar do direito o equilíbrio das prestações a serem ofertadas pelas partes envolvidas no contrato. E é a partir dessa análise que se desenvolve nossa pesquisa. A entrada indevida de pesquisadores em terras indígenas tem sido um grande problema

8 para as entidades protetoras dos direitos indígenas. O caso Krahó é só mais um a integrar um universo de ocorrências. Mas o preocupante é a inoperabilidade do sistema normativo de proteção a esses. Observamos que se a exploração do ambiente permanecer no compasso que estamos, ou seja, sem se preocupar de forma expressiva com quem depende do mesmo (tendo como referência existencial o dinheiro), continuará a pilhagem da natureza, como forma de engrandecimento de enriquecimento de grupos ou nações, mesmo que isso venha a significar o fim de culturas, espécies animais e vegetais. REFERENCIAS BRASIL, Decreto N o 2.519, de 16 de Março de 1998 Convenção sobre Diversidade Biológica. Disponível em:< 51&url=http://www.mma.gov.br/port/sbf/chm/cdb/cdb.html.> Acesso em: BRASIL, Medida Provisória nº2.052 de 29 de julho de 2000, Disponível em:< https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/antigas/ htm> Acesso em: BRASIL, Medida Provisória nº , 26 de abril de 2001.Disponível em:< https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/ htm> Acesso em: BRASIL, Medida Provisória nº de 23 de agosto de Disponível em:<. https://www.plantal.gov.br//ccivil 03/MPV/ htm> Acesso em: Capobianco, João Paulo R. et alli (orgs) - Biodiversidade na Amazônia Brasileira. São Paulo. Editora Estação Liberdade/Instituto Socioambiental, LEFF, Enrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Tradução de Lúcia Mathilde Endlich Orth. Petrópolis, RJ: Vozes, LEVI-STRAUSS, Claude, O pensamento selvagem. Campinas, SP: Papirus, MELATTI, J. C. O sistema Social Krahó. Brasília, MELATTI, Júlio Cezar. Ritos de uma Tribo Timbira. São Paulo: Ática, ROCHA, Ana Flávia- org. A defesa dos direitos socioambientais no judiciário. São Paulo: Instituto Socioambiental, RODRIGUES, E. Usos rituais de plantas que indicam ações sobre o sistema nervoso central pelos índios krahó, com ênfase nas psicoativas. São Paulo: UNIFESP, 2001 (tese de doutorado).

Carta do Chefe índio Seattle ao Grande Chefe de Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à proposta do Governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, oferecendo

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