Os atos do juiz podem caracterizar-se como sentença, decisão interlocutória ou despacho. A nossa primeira questão trata da sentença.

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1 CURSO DE RESOLUÇÃO DE QUESTÕES DE PROCESSO CIVIL PONTO A PONTO PARA TRIBUNAIS MÓDULO 6 ATOS DAS PARTES E ATOS DO JUIZ. SENTENÇA E COISA JULGADA. Professora: Janaína Noleto Curso Agora Eu Passo () Olá, pessoal! Chegamos ao nosso sexto módulo. Veremos a classificação dos atos processuais. Analisaremos mais detidamente a sentença (conceito, requisitos, coisa julgada). Então vamos lá! Os atos do juiz podem caracterizar-se como sentença, decisão interlocutória ou despacho. A nossa primeira questão trata da sentença. Questão 1 Sentença é: a) Ato do juiz por meio do qual põe fim ao processo. b) Ato do juiz que decide questões incidentes. c) Ato das partes e do juiz, quando, homologando um acordo das partes, o juiz põe fim ao processo. d) Ato do juiz que extingue uma fase do processo (de conhecimento ou de execução), resolvendo ou não o mérito. e) Ato do juiz que julga o mérito da causa. Resposta: item d. Comentários à questão A sentença era, na redação originária art. 162, 1º, do CPC, o ato do juiz que põe ao processo. O texto legal foi reformado e hoje prevê que sentença é o ato do juiz que implica uma das situações previstas nos arts. 267 e 269 do CPC. A mudança fez-se necessária, porque, após a chamada reforma da execução, não há mais processo de execução de sentença (exceto se o devedor for a Fazenda Pública art. 730, CPC).

2 Desta forma, após a formação do título judicial, a execução ocorrerá sem que haja necessidade de nova citação (uma já ocorreu na fase de conhecimento). Não havendo citação do executado, essa fase processual não mais se caracteriza como um novo processo, distinto daquele em que foi proferida a sentença. Trata-se de fase do mesmo processo. O processo, com a reforma da execução, pode ter duas fases: a de conhecimento e a de execução. Em outras palavras, a sentença proferida na fase de conhecimento nem sempre põe fim ao processo, porque este prossegue com a fase de execução. Daí a reforma do dispositivo legal (art. 162, 1º). A sentença é, por isso, hoje vista como o ato do juiz que põe fim à fase de conhecimento ou de execução (item d). E esse ato, conforme a nova redação do art. 162, 1º, tem o conteúdo dos arts. 267 e 269 do CPC. O art. 267 do CPC trata das hipóteses de extinção o processo sem resolução do mérito. O art. 269 trata das sentenças em que o juiz resolve o mérito da causa. O item a) está errado, porque de acordo com a redação já revogada do art. 162, 1º, do CPC. O item b) está errado, pois cita o conceito de outro ato judicial, que seria a decisão interlocutória (art. 162, 2º). O item c) também está errado, tendo em vista que a sentença é ato exclusivo do juiz, ainda quando homologa acordo celebrado entre as partes (art. 269, III, CPC). O item e) está errado, pois a sentença nem sempre resolve o mérito, podendo extinguir o processo sem resolução do mérito em diversas hipóteses, previstas no art. 267 do CPC. Aproveitamos para fazer a distinção entre sentença, decisão interlocutória e despacho, e também falar sobre os atos das partes. No direito, têm-se como fatos jurídicos os fatos (humanos ou da natureza) que têm relevância no mundo jurídico. Atos jurídicos, por sua vez, seriam os fatos jurídicos decorrentes da vontade humana. Os demais fatos seriam fatos jurídicos em sentido estrito. No curso do processo, ocorrem tanto atos jurídicos como fatos jurídicos em sentido estrito. São fatos jurídicos processuais em sentido estrito, por exemplo, a morte de uma das partes, a ocorrência de força maior capaz de interferir no curso de um prazo ou na realização de uma audiência... Por outro lado, são atos processuais os atos praticados por aqueles que integram a relação jurídica processual, quais sejam o juiz (e seus auxiliares), a parte autora e a parte ré.

3 O procedimento desenvolve-se por meio de uma sucessão de atos processuais praticados pelas partes, pelo juiz e pelos auxiliares do juízo. O ato inicial do processo é necessariamente um ato da parte autora, por meio do qual postula a prestação jurisdicional, e por isso mesmo chamado de petição inicial. Os atos praticados pelas partes podem ser classificados, quanto ao seu conteúdo, em postulatórios, persuasórios e dispositivos. Postulatórios são os atos das partes por meio dos quais requerem a prestação jurisdicional. É o caso da petição inicial, do requerimento de oitiva de testemunha, do pedido de adiamento de audiência etc. Persuasórios são os atos das partes que têm por finalidade principal apresentar razões para que o juiz convença-se da veracidade de suas alegações. Como exemplo cita-se a produção de provas, ou mesmo simples argumentação, como as razões finais (após o final da audiência de instrução e julgamento). São atos dispositivos aqueles por meio dos quais as partes abdicam de um seu direito ou reconhecem o direito da outra parte. É o caso da confissão ou da renúncia ao direito postulado. É certo que alguns atos das partes podem ser encaixados em mais de uma classificação. Por meio da petição inicial, por exemplo, o autor pleiteia (ato postulatório) ao mesmo tempo em que apresenta a fundamentação do seu pedido, com vistas a convencer o juiz da existência do seu direito (ato persuasório). Praticam as partes ainda atos que não têm por finalidade pedir, convencer ou dispor. São atos materiais das partes, como a carga dos autos, o comparecimento à perícia ou inspeção judicial para acompanhá-las... Também os atos praticados pelo juiz no curso do processo podem ser classificados quanto ao seu conteúdo. Dispõe o Código de Processo Civil, em seu artigo 162, que os atos do juiz classificam-se em despachos, decisões interlocutórias e sentenças. Os despachos são atos do juiz por meio dos quais dá impulso ao processo. Os despachos não possuem conteúdo decisório, ou seja, não contêm lesividade, pois, por meio deles, não está o juiz a acolher ou rejeitar pedidos de qualquer das partes. Está simplesmente fazendo andar o procedimento. São exemplos as seguintes manifestações judiciais: Especifiquem as partes as provas que pretendem produzir ; Vista às partes para requererem o que entenderem de direito. Justamente por não conterem lesividade, os despachos são irrecorríveis. Aliás, assim expressamente previu o Código de Processo Civil, em seu artigo 504.

4 A chamada Reforma do Poder Judiciário, levada a efeito pela Emenda Constitucional n. 45/2004, acrescentou o inciso XIV ao artigo 93 da Carta Magna para permitir que o juiz delegue a servidores do juízo os atos de mero expediente. Desta forma, atualmente, o impulso do processo é tarefa que pode e deve ser realizada por auxiliares do juízo, diminuindo a sobrecarga de trabalho do juiz, que, assim, terá mais tempo para julgar os pedidos das partes. Decisões são atos judiciais que julgam pedidos das partes. Contêm lesividade, permitindo, em regra, que a parte prejudicada pelo conteúdo do ato interponha recurso. Mas não é o cabimento de recurso que caracteriza a decisão e a diferencia do despacho, pois a lei pode vedar a via recursal, como ocorre, por exemplo, no processo trabalhista, que não admite recurso contra as decisões interlocutórias proferidas no curso da fase de conhecimento. Também o Código de Processo Civil previu categorias de decisões irrecorríveis, quais sejam as sentenças que estejam conformes com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal (artigo 517, 1º, do CPC). Há duas espécies de decisão: as decisões interlocutórias, proferidas no curso de uma das fases (módulos) do processo, mas antes da decisão final; as sentenças (ou decisões definitivas), que põem fim a uma fase (módulo) do processo. Em resumo, são interlocutórias as decisões anteriores à sentença. Como vimos no início do comentário da questão, até bem pouco tempo, sentença, na visão do legislador, era o ato que punha fim ao processo (artigo 162, 1º, do CPC antes do advento da Lei nº /2005). Realmente, com a prolação da sentença e seu trânsito em julgado, o processo era extinto e, se necessária se fizesse a execução, um novo processo seria instaurado, por meio de nova citação do réu (executado). Contudo, a reforma da execução civil exigiu uma reformulação de tal conceito, pois a execução da sentença passou a ser feita no mesmo processo em que prolatada. Ou seja, após a sentença que condene uma das partes a determinada obrigação, o processo não termina, prosseguindo com a execução. Assim é que sentença deixou de ser o ato que põe fim ao processo, para ser o ato que põe fim a uma fase do processo (fase de conhecimento ou de execução). As sentenças, quando julgam o mérito do processo, são ditas definitivas e, ao transitarem em julgado, impedem que a relação jurídica deduzida em juízo seja novamente discutida em outro processo. Algumas sentenças, todavia, põem fim ao processo sem análise do mérito, devido à ocorrência de vícios de ordem processual (falta de pressupostos processuais ou carência de ação). Estas

5 sentenças são ditas meramente terminativas, em contraposição àquelas ditas definitivas. São meramente terminativas porque, visto não terem julgado o mérito da causa, ao transitarem em julgado não impedirão que o mérito venha a ser discutido noutra demanda. A sentença transita em julgado quando já não é mais passível de recurso. Quando transita em julgado, diz-se que a sentença está revestida da autoridade de coisa julgada, tornando-se imutável. Somente as decisões proferidas em processos jurisdicionais revestem-se de tal atributo. Daí ser a coisa julgada uma das características da jurisdição. A respeito da coisa julgada falaremos logo adiante. São essenciais ao regular andamento do processo os atos praticados pelos auxiliares do juízo, como a distribuição, a autuação, a comunicação dos atos processuais (por oficial de justiça, correios ou imprensa oficial), a execução das ordens judiciais (penhora, prisão, busca e apreensão e outros atos executados em regra pelo oficial de justiça por meio de mandado). Como visto anteriormente, atualmente também podem os auxiliares do juízo (especificamente escrivão e escreventes) praticar atos de impulso oficial do processo, como os despachos de mero expediente que, quando praticados por servidores judiciários, são chamados de atos ordinatórios. Nesta próxima questão, veremos que as sentenças podem ou não resolver o mérito da causa. Questão 2 - (CESPE ANALISTA JUDICIÁRIO TRT 21ª REGIÃO 2010) O juiz extingue a ação processual com julgamento do mérito quando indefere a petição inicial. Resposta: item incorreto. Comentários à questão Em geral, a sentença que indefere a petição inicial, extingue o processo sem resolução do mérito (art. 267, I, CPC). Portanto, o item está incorreto. Somente haverá resolução do mérito, se o fundamento do indeferimento da inicial for a decretação de decadência e prescrição ou o julgamento liminar de mérito previsto no art. 285-A do CPC. Confira as hipóteses de extinção do processo sem resolução do mérito previstas no art. 267 do CPC, e compare-as com as hipóteses do art. 269.

6 Sentença terminativa (sem resolução do mérito) Art Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: I - quando o juiz indeferir a petição inicial; Il - quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III - quando, por não promover os atos e diligências que Ihe competir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV - quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; Sentença definitiva (de mérito) Art Haverá resolução de mérito: I - quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor; II - quando o réu reconhecer a procedência do pedido; III - quando as partes transigirem; IV - quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição; V - quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. V - quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; Vl - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; Vll - pela convenção de arbitragem; Vlll - quando o autor desistir da ação; IX - quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal; X - quando ocorrer confusão entre autor e réu; XI - nos demais casos prescritos neste Código.

7 A nossa terceira questão trata dos requisitos da sentença. Questão 3 - (ESCRIVÃO TJ/AM 2005) É requisito da sentença, exceto: A. o relatório; B. a fundamentação; C. a parte dispositiva; D. a análise, pelo juiz, das questões de fato e de direito; E. a concessão de liminar. Resposta: item e. Comentários à questão De acordo com o art. 458 do CPC, são requisitos da sentença o relatório, os fundamentos e o dispositivo. O relatório conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo. Nos fundamentos, o juiz analisará as questões de fato e de direito, fundamentando a decisão, que constará do dispositivo. No dispositivo, resolverá as questões que as partes lhe submeterem. É na fundamentação que o juiz analisará as questões de fato e de direito. No dispositivo, decide essas questões. A concessão de liminar não é requisito da sentença, embora seja possível a sua ocorrência. Nada impede que o juiz, no corpo da sentença, além de julgar o mérito da causa, conceda medida cautelar ou antecipatória da tutela. A nossa quarta questão trata dos requisitos da sentença. Questão 4 - (CESPE ANALISTA PROCESSUAL TJ/RR 2006) A respeito da coisa julgada, assinale a opção correta. A Quando o juiz não enfrenta o mérito, sua decisão não faz coisa julgada material, podendo ser reexaminada e decidida no mesmo processo, se acaso uma das partes desejar rediscutir a matéria. B Ocorrendo o trânsito em julgado da sentença, esta se torna irrecorrível, seja porque transcorrido o prazo recursal, seja porque esgotados todos os meios processuais cabíveis, surgindo, então, a coisa julgada.

8 C A sentença produz efeitos tão-somente entre as partes da relação processual controvertida e dentro do processo em que foi prolatada a decisão, o que torna o seu conteúdo e todas as questões decididas, ainda que incidentalmente e como prejudiciais, imutáveis e indiscutíveis. D A coisa julgada torna a sentença imutável nos exatos limites da decisão, englobando a decisão na parte inseparável, ou seja, no pronunciamento do juiz sobre o pedido do autor e sobre os motivos que o levaram a decidir daquela forma. Resposta: item b. Comentário ao item a As sentenças fazem coisa julgada, ou seja, transitam em julgado, quando não mais passíveis de recurso. Com o trânsito em julgado, a sentença torna-se imutável e indiscutível dentro do processo em que foi proferida (coisa julgada formal). Se julgou o mérito da causa, este (o mérito) não poderá ser rediscutido noutro processo (coisa julgada material). Se não julgou o mérito da causa, é possível rediscuti-lo em processo judicial futuro. Portanto, somente as sentenças de mérito possuem eficácia de coisa julgada material. As sentenças meramente terminativas (que não julgam o mérito art. 267 do CPC) não fazem coisa julgada material, mas apenas coisa julgada formal. O item a está errado, porque, após o trânsito em julgada, a sentença, qualquer que seja a sua espécie (definitiva ou terminativa), torna-se imutável dentro do processo em que foi proferida (coisa julgada formal). Comentário ao item b O item está correto. O trânsito em julgado ocorre quando não mais cabe recurso, seja porque todos já foram interpostos, não restando nenhum, seja porque a parte que poderia recorrer perdeu o prazo. Comentário ao item c As questões decididas incidentemente no processo judicial não fazem coisa julgada, nos termos do art. 469, III, do CPC, a não ser que a seu respeito seja proposta ação declaratória incidental (arts. 5º e 325 do CPC).

9 Nos termos do art. 470 do CPC, a resolução de questão prejudicial somente faz coisa julgada se a parte o requerer, o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. Comentário ao item d Os motivos da sentença não fazem coisa julgada, ainda quando importantes para determinar o alcance da parte dispositiva (art. 469, I, CPC). Aliás, nos termos do art. 469, também não fazem coisa julgada a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença e a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo (como visto no item anterior).

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