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1 Turma e Ano: Direito Público I (2013) Matéria / Aula: Processo Civil / Aula 23 Professor: Edward Carlyle Monitora: Carolina Meireles (continuação) Objeto da Cognição (conhecimento do juiz) Teoria tradicional: é o objeto do processo. Para Chiovenda, o objeto da cognição era formado basicamente pelos pressupostos processuais e por todas as condições para o exame das alegações do autor, das exceções defensivas do réu e do mérito. Atualmente, no Brasil: Trinômio processual formado pelos pressupostos processuais, condições da ação e mérito. Majoritária na doutrina e na jurisprudência. Art. 267, IV, V e VI, CPC e Art. 269, CPC. Trinômio (Alexandre Câmara): questões preliminares (Art. 301, CPC), questões prejudiciais e mérito. Obs.: pressupostos processuais e condições da ação fazem parte das questões preliminares. Moderna (Didier): questões de admissibilidade ao julgamento do mérito e questões de mérito. Quadrinômio processual (Celso Neves): pressuposto é algo prévio, que antecede ao processo. O único pressuposto processual é o ajuizamento da demanda, pois é prévio ao processo, dá origem a ele. Os demais seriam supostos processuais (o que é conhecido como pressupostos processuais), as condições da ação e o mérito da causa.

2 Questões prévias São questões que devem ser decididas antes do julgamento da causa. Espécies de questões prévias: questões preliminares e questões prejudiciais. Ponto comum: Ambas as espécies devem ser decididas antes do julgamento da causa. Diferenças: Questões prejudiciais: Ligadas ao direito material. Autônoma (poderia ser objeto de um processo distinto). Influencia o julgamento do mérito da causa. Não precisa ser decidida no bojo do processo. Precisa ser solucionada não há, necessariamente, coisa julgada. É resolvida incidenter tantum. Questões preliminares: Ligadas ao direito processual. Não são autônomas. Podem impedir o juiz de decidir o mérito da causa. Precisam ser decididas dentro do processo. Questões prejudiciais Devem se previamente decididas antes do julgamento do mérito da causa. Características: a) É um antecedente lógico do julgamento do mérito da causa O que é uma questão? 1ª corrente) Clássica: ponto é toda alegação que é feita no curso do processo. Esse ponto pode ou não se tornar controvertido. Se controverso o ponto, passa a ser denominado de questão. Tecnicamente, questão é um ponto controvertido de fato ou de direito. Obs.: A fundamentação é o âmbito da questão prejudicial.

3 2ª corrente) A palavra questão pode ter sentido de pedido (Art. 458, III, CPC). Obs.: pode ser transformada a questão prejudicial (fundamentação) em pedido, através de ação declaratória incidental (Arts. 5º, 325 e 470, CPC), manejada por qualquer das partes. Pede que se declare a certeza quanto à existência ou inexistência da relação jurídica. Passa a ser uma causa prejudicial. Primeiro irá decidir o pedido da prejudicial para, depois, decidir o mérito da causa. Como fundamentação, é decidida incidentalmente (incidenter tantum), não fazendo coisa julgada. Se for decidida no âmbito do pedido, passa a ser uma causa prejudicial e será decidida principaliter tantum, fazendo coisa julgada. b) Autônoma poderia ser objeto de uma ação própria. c) Superordinação é sempre resolvida antes, não está subordinada, é um antecedente do que será decidido. Espécies de questões prejudiciais Externas ou exógenas a questão prejudicial está fora do processo principal. Internas ou endógenas está dentro do processo. Apresentada como fundamento, causa de pedir. Homogêneas possui a mesma natureza da questão prejudicada. Heterogêneas a prejudicial é de natureza diversa da demanda principal. Questões preliminares Podem impedir o julgamento do mérito da causa. Art. 301, CPC defesas processuais indiretas. Visam impedir o juiz de examinar o mérito da causa, atingindo o processo (o instrumento).

4 Preliminares: Dilatórias: não acarretam a extinção do processo. Art. 301, II e VII, CPC. O processo será remetido ao juízo competente/prevento. Extintivas/peremptórias/resolutórias: Art. 301 e Art. 267, CPC acarretam a extinção do processo. Barbosa Moreira: - Questões preliminares ao mérito: Art. 301, CPC. - Preliminares do recurso: Requisitos de admissibilidade recursal. - Preliminares do mérito: Matérias de mérito que devem ser examinadas antes das outras. Ex.: prescrição ou decadência (Art. 269, IV, CPC). Plano da cognição Cognição horizontal (extensão do que pode ser pedido): - Plena: sem restrição aos pedidos formulados e o que é decidido pelo juiz. - Parcial ou limitada: limitação pela lei. Cognição vertical (profundidade do que o juiz pode examinar/fundamentação): - Exauriente: examina todas as alegações apresentadas pelas partes, sem restrições. Precisa ter contraditório prévio. - Sumária ou superficial: o juiz não pode se aprofundar nas alegações concessão de medida cautelar, concessão de liminares, antecipação de tutela. Pode ser decidida antes do contraditório. 1) Cognição plena e exauriente: hipótese clássica do processo de conhecimento (rito ordinário, sumário e sumaríssimo). O pedido não sofre restrições. 2) Cognição parcial e exauriente: restrição quanto aos pedidos que podem ser apresentados (ex.: conversão de separação judicial em divórcio Art. 5º, Lei 6.515/77, embargos de terceiros Art , CPC, busca e apreensão na ação e alienação fiduciária em garantia Art. 3º, 2º, DL 911 e ação de desapropriação Art. 20, DL 3.365/41).

5 3) Cognição plena e exauriente secundum eventum probationis ou litis: depende do tipo de prova apresentada para ser exauriente. Ex.: Art. 1000, CPC, Mandado de Segurança (direito líquido e certo deve ser provado), ACP, AP. Obs.: Não faz coisa julgada nesses casos. Art. 34, DL 3.365/41. 4) Cognição plena e exauriente secundum eventum defensionis: se houver defesa, a cognição será plena e exauriente. Ex.: Ação de prestação de contas (Art. 915, CPC,) e ação monitória (Art , CPC).

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