UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ ANAMARIA KAISER SAGGIN. KING OF THE CATS Adaptação da tradição oral: implicações literárias e tradutológicas

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ ANAMARIA KAISER SAGGIN KING OF THE CATS Adaptação da tradição oral: implicações literárias e tradutológicas CURITIBA 2012

2 ANAMARIA KAISER SAGGIN KING OF THE CATS Adaptação da Tradição Oral: Implicações Literárias e Tradutológicas Monografia apresentada à disciplina de Orientação Monográfica II do Curso de Letras Português/Inglês da Universidade Federal do Paraná, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Letras com ênfase em Estudos da Tradução. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Luci M. Collin CURITIBA 2012

3 À minha orientadora, Luci Collin, pelo apoio e compreensão estendidos para além deste trabalho; À Eti por sua arte encantadora; Aos meus pais que, cada um com sua história fascinante, me ajudaram a escrever a minha; Ao Vinícius, pelo apoio, pela maturidade, pela responsabilidade e por me dar o maior de todos os presentes. 3

4 [The cat] was a remarkably large and beautiful animal, entirely black, and sagacious to an astonishing degree. In speaking of his intelligence, my wife, who at heart was not a little tinctured with superstition, made frequent allusion to the ancient popular notion, which regarded all black cats as witches in disguise. The Black Cat. Edgard Allan Poe,

5 RESUMO A presente pesquisa tem como objetivo discutir algumas das questões envolvidas no processo de tradução de uma narrativa folclórica, originária da tradição oral; através da coleta e análise de diversas versões do conto The King of the Cats, tópicos como a noção de originalidade e as possibilidades de tradução e adaptação serão levantados. Propõe-se, ainda, a aplicação do modelo de tradução proposto por Christiane Nord para a composição de uma nova versão, baseada nas variantes supracitadas e nas questões levantadas durante sua análise. Cats; Nord. PALAVRAS-CHAVE: Tradução; tradição oral; narrativa folclórica; King of the ABSTRACT This work aims at discussing some of the issues raised throughout the process of translating a popular narrative from the oral tradition. The gathering and analysis of some of the King of the Cats tale versions will be the background for matters such as Originality and the possibilities in translating and adapting a narrative. Besides that, the model of functional translation proposed by Christiane Nord will be applied to the composition of a new version, which will be based on the above mentioned versions and the issues related to its analysis. Nord. KEY WORDS: Translation; oral tradition; popular narrative; King of the Cats; 5

6 INTRODUÇÃO... 7 CAPÍTULO I Contos de fadas origens e implicações I.I O lugar de King of the Cats CAPÍTULO II As Versões de King of the Cats II.I: A Versão em Português (BR) II.II: A Versão em Inglês II.III: A Versão de J. Jacobs II.III.I: Referência I II.III.II: Referência II II.III.III: Referência III II.III.IV: Referência IV II.III.V: Referência V CAPÍTULO III: Agora em versos para quê mais uma versão? III.I: A Tradução Uma Perspectiva Geral III.II: Nova Versão Comentada CONCLUSÃO REFERÊNCIAS

7 INTRODUÇÃO Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. O labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas de seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo. (Joseph Campbell) Trabalhos acadêmicos costumam ser textos sérios, sisudos, sem espaço para impressões pessoais. A palavra Monografia me assombrou desde o primeiro ano como universitária o fantasma de um trabalho enorme, assustador, pesado, impossível mesmo de se concluir sem sofrer consequências físicas e mentais; sem falar na defesa, com uma banca que nos julga enquanto trememos e gaguejamos tentando a todo custo defender nosso monstrinho. Exagero, é óbvio, mas não poderia começar a presente dissertação sem esclarecer o que ela representou para mim durante vários anos até que, finalmente, tive que encará-la de frente. Os contos de fadas retratam nada menos do que isso: o modo como a humanidade, desde o início dos tempos, aprendeu a lidar com o desconhecido, o assustador, o maravilhoso. Adaptados ao longo do tempo, mitos sagrados se transformam em contos exemplares e em literatura para crianças, sem, no entanto, apagar sua simbologia essencial, compreensível, num nível inconsciente, a todo ser humano. 1 Ao longo desta "jornada heroica", cresci como pesquisadora, leitora e escritora e, mais importante, enfrentei medos: o medo de nunca conseguir concluir o trabalho, devido a circunstâncias mil, medo de não ter conhecimento suficiente, de compor um trabalho vazio, sem qualquer importância. Em resumo, receio de expôr aquilo que considerava importante da maneira como gostaria: uma escrita muito pessoal, pontuada com experiências próprias. Ao fim, decidi permitir-me tal abordagem; a dissertação genuína parte da afeição a determinado tema por parte do pesquisador que, assim, a ele se dedica profundamente. Assim, me permito com alguma frequência o uso de uma linguagem leve, desviando um pouco do "técnico- 1 Nelly Novaes Coelho, O Conto de Fadas. São Paulo: Ática,

8 acadêmico", nas páginas que se seguem já que o presente trabalho contempla escrita, reescrita e tradução criativas. As raízes deste trabalho são mais do que legítimas. Estão entranhadas em mim desde que me conheço por gente. Atribuo a gênese deste trabalho a dois volumes em especial: Os Contos de Grimm, na tradução de Tatiana Belinki, e Ou Isto ou Aquilo, poemas de Cecília Meireles. As ilustrações d'os Contos, produzidas por Janusz Grabianski, profundamente expressivas, em pinceladas simples, nunca deixaram de ser fascinantes, mesmo para olhos já distantes da infância. Já os versos de Cecília Meireles originaram uma paixão pelos versos, com sua cadência, jogos de palavras, aliterações e o próprio encanto que há em perceber tudo o que as palavras, ainda que poucas, ainda que breves, podem despertar. Não poderia deixar de mencionar o curioso fato de ter tido como vizinhos, quando criança (em Ilhabela SP), um casal de escritores de livros infantis muito simpático Liliana e Michele Iacocca que mais de uma vez me presentearam com seus livrinhos (A Girafa sem Sono, As Andorinhas Turistas, O Diário da Misteriosa Menina, O Gato e o Novelo de Lã...). Como acadêmica e, mais recentemente, como mãe, redescubro os contos da infância sob um novo prisma. "Os tempos mudam incessantemente, porém a natureza humana permanece a mesma", diz Nelly Novaes Coelho (1987). Antes de quaisquer releituras, análises, esmiuçamento (da linguagem, da estrutura narrativa, dos símbolos...) é possível reconhecer a si mesmo como parte integrante dessa natureza, contida na essência de contos que, justamente por falarem tão ao nosso íntimo, sobrevivem por eras. Há três ou quatro anos, um certo livro chamado Encantamento 2 veio cair em minhas mãos. Parecia genial: historinhas de diversas partes do mundo, com temática fantástica: "Histórias de encantamento, divertidas e assustadoras, da Inglaterra, Irlanda, Escócia e País de Gales"; uma compilação de contos com cara de contos de fadas. No entanto, já no começo da leitura (a princípio, de entretenimento, nada pretensiosa), senti algum estranhamento com as histórias. A maior parte delas parecia acabar de forma tão abrupta, tão de repente, que é como se tivessem engolido-lhes uma parte. Também não tinham uma moral clara, como invariavelmente vemos em contos como a Cinderela de Perrault ou n'a Bela 2 CROSSLEY-HOLLAND, Kevin. Encantamento Contos de Fada, Fantasma e Magia. São Paulo: Companhia das Letrinhas, Tradução de Hildegard Feist. 8

9 Adormecida dos Grimm ser bom não é garantia de um futuro feliz, assim como ser ruim não é necessariamente condenável. Em As Três Cabeças do Poço, por exemplo, a "filha da madrasta" tem um comportamento detestável durante todo o conto; seu destino parece estar tomando um rumo igualmente ruim (com feridas no rosto, mau hálito e a promessa de um péssimo casamento), mas o fim da narrativa parece se voltar totalmente para essa personagem, deixando de lado a protagonista "boazinha". Outro conto, O fantasma de Samuel, deixa qualquer leitor das tradicionais narrativas "começo-meio-e-fim" um pouco desnorteado. A história começa da seguinte maneira: "Pobre Samuel! Ele estava dormindo, quando sua casa pegou fogo, e acordou tarde demais. Era apenas um menino e morreu queimado; virou cinzas". A narrativa se desenrola conforme Samuel descobre que é uma alma penada; outros fantasmas orientam-no então falar com uma minhoca gigante, que deveria comer seus restos mortais para que sua alma descansasse. Depois de buscar suas cinzas e um braço amputado para a "grande minhoca", o pobre Samuel descobre que jamais poderá descansar, porque lhe faltava uma unha e a minhoca só aceitaria devorar seu corpo por completo. O que há de comum entre esses contos, além da estrutura narrativa não-ortodoxa em relação aos contos de fadas "clássicos" (noções que veremos com detimento a seguir), é o fato de os demônios, as criaturas fantásticas (fadas, duendes) ou animais dotados de faculdades extraordinárias interferirem de algum modo na vida dos mortais. A seleção do conto O Rei dos Gatos para análise e tentativa de reescrita foi encaminhada por diversos fatores. A ideia inicial era analisar todos os contos de Encantamento. No entanto, julgo que esta seria uma tarefa deveras extensa para a presente pesquisa, e resultaria numa análise pouco centrada. Pensamos minha orientadora e eu em trabalhar com contos em que a presença de animais fosse bem marcada (Malhado, A Vaca que Comeu o Gaiteiro, A Mula seriam alguns dos contos trabalhados). Mas, desta forma, o necessário foco na tradução seria perdido, uma vez que a abordagem penderia centralmente para a zooliteratura (estudo do papel dos animais na literatura). Enquanto ainda pensava nessa abordagem, decidi rastrear as origens dos contos de Encantamento e selecionei, para começar, O Rei dos Gatos pelo não tão brilhante critério da extensão. Ao fim do livro, há um índice 9

10 das fontes de cada conto. A primeira referência a surgir foi a obra More English Fairy Tales, do folclorista australiano radicado na Inglaterra, Joseph Jacobs. Esta versão se desdobrou em outras cinco, coletadas e reescritas por diferentes autores/folcloristas. A perspectiva de entrar em contato com essas diversas versões e a felicidade de ter, casualmente, descoberto um conto tão frutífero deu um novo fôlego à pesquisa. Meu desejo, agora, era não apenas fazer uma análise do(s) motivo(s) do estranhamento nos contos ("nó" este que acabou por se desatar de maneira muito simples ao longo da leitura das versões e pesquisas relacionadas), mas possuía material suficiente para prosseguir tendo em vista um resultado mais definido: apresentar uma amostra das inúmeras possibilidades de escrita, reescrita, criação e re-criação dentro dos limites da tradução, fundamentada na noção de Projeto de Tradução proposta pela teórica da tradução alemã Christiane Nord. Ainda, à guisa de conclusão, planejar e executar a re-criação de King of the Cats uma vez mais num projeto baseado, sobretudo, na minha própria vivência literária. Espero acima de tudo que, mais do que o simples vislumbre dos esforços de uma pesquisa, as páginas a seguir sejam aprazíveis para quem as leia tanto quanto foi agradável escrevê-las. 10

11 CAPÍTULO I Contos de fadas origens e implicações "To ask what is the origin of stories (however qualified) is to ask what is the origin of language and of the mind." (J.R.R. Tolkien, On Fairy-stories) Quando nos perguntamos sobre as origens dos contos de fadas, as primeiras imagens que nos virão à mente serão, provavelmente, as ilustrações de alguma coleção de contos com que tivemos contato na infância ou, quem sabe, aquelas que conhecemos dos filmes de Walt Disney ( A Bela Adormecida, A Bela e a Fera, Cinderela...). Das coletâneas de contos infantis aos filmes, a atmosfera medieval, profundamente idealizada: lindos castelos, príncipes encantados, doces princesas, florestas verdejantes, animaizinhos amigáveis. Essa clara idealização do passado medieval é marca indefectível do Romantismo europeu (séculos XVIII e XIX). E realmente, na Alemanha do século XVIII, lá estão os irmãos Grimm, folcloristas, coletando e publicando seus Kinder-und Hausmärchen, coletânea que viria a ser conhecida como Os Contos de Grimm. Quando criança, não compreendia por que é que não havia filmes de todos os contos de que eu gostava; pensava em Rapunzel, por exemplo (há uma adaptação bastante recente dos estúdios Disney/Pixar, Enrolados, mas não me aventurei a assistir). Até que ouvi uma versão em que Rapunzel era abandonada pela bruxa/madrasta no deserto com filhos gêmeos que tivera do príncipe e este era jogado do alto da torre em um espinheiro, ficando bastante ferido e cego. É claro que, ao final, depois de muito sofrimento, eles se reencontravam e as lágrimas de Rapunzel curavam a cegueira do príncipe. Acho que havia um casamento também, e punição para a vilã. Longe de ser suave e infantil, essa versão cheia de crueldade me fez avaliar, ainda pequena, que talvez os contos de fadas não fossem para crianças; ao menos, não todos, não exclusivamente. A preservação da infância como espaço da inocência é bastante recente: foi a pressão dos intelectuais da época e a influência do ideário cristão no romantismo 11

12 que fez com que os irmãos Grimm, na segunda edição de sua coletânea, retirassem episódios de demasiada violência ou maldade, principalmente aqueles que eram praticados contra crianças. 3 Os contos de fadas não foram criados para crianças ou para transmitir ensinamentos morais, como as fábulas. Inicialmente, os textos traziam grandes quantidades de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas. Sheldon Cashdan, em sua obra Os Sete Pecados Capitais nos Contos de Fadas, afirma: Originalmente concebidos como entretenimento para adultos, os contos de fadas eram contados em reuniões sociais, nas salas de fiar, nos campos e em outros ambientes onde os adultos se reuniam - não nas creches. Pode ser motivo de surpresa para alguns o fato de os contos de fadas não terem sido inventados pelos irmãos Grimm ou Perrault ou Andersen, mas por eles coletados como registros folclóricos, ou seja, resgatados da memória popular. E, apesar de os Grimm serem os mais conhecidos dentre os que registraram os contos de fadas clássicos e terem sido os grandes propagadores da literatura infantil pela Europa e América, quem inaugura essa tendência é Charles Perrault, intelectual de prestígio na corte de Luís XIV, com seus Contos da Mãe Gansa, coletânea de contos populares recriados em versos, de Na mesma época, Jean de La Fontaine resgata histórias de cunho moralista, as Fábulas, e vai além das referências próximas, buscando fontes documentais da Antiguidade: Grécia (Fábulas de Esopo); Roma (Fábulas de Fedro); parábolas bíblicas, coletâneas orientais e narrativas medievais ou renascentistas. La Fontaine trabalha durante mais de vinte anos na busca e no cotejo desses textos, reelaborando, em versos, sua própria versão: As Fábulas de La Fontaine. Seu trabalho deixava entrever questões da corte e do povo, espécie de denúncia social que o holandês Hans Christian Andersen faria dois séculos depois, no XIX; se em La Fontaine encontramos a sabedoria exemplar destilada ao longo de séculos, em Andersen encontramos histórias de sofrimento, que nem sempre tinham um final feliz ( A pequena Vendedora de Fósforos, O Soldadinho de Chumbo ), sintonizadas à ainda forte moral cristã de sua época, que valorizava os ideais de fraternidade, generosidade e altruísmo e que de certa forma conformavam o leitor com seu sofrimento, mostrando a Fé inabalável como solução para suportar as adversidades da vida. 3 COELHO, Nelly Novaes. O Conto de Fadas. Pp 29. Este capítulo foi, em grande parte, baseado nessa interessante obra, que delineia um histórico dos contos de fadas e os traz para a atualidade, questionando seu papel. 12

13 As obras de Perrault, La Fontaine, Grimm e Andersen completam o acervo da literatura infantil clássica; seus contos são reconhecidos por todo o mundo, tendo sido adaptados, traduzidos e reescritos incontáveis vezes ao longo dos últimos séculos. A partir daí, o interesse pelo folclore, pelo acervo cultural popular, foi se expandindo. Guiadas inicialmente pela valorização do exótico na época do Romantismo, como forma de evasão da realidade, passando pela observação e investigação minuciosa do homem e seu meio no Realismo e a tentativa de resgate e documentação da História dos povos em particular e da humanidade como um todo, as pesquisas dos mitos, lendas e contos ao redor do mundo acabou revelando um fato deveras curioso: a recorrência de símbolos, arquétipos e estruturas narrativas em culturas as mais diversas ao redor do mundo. Essa noção foi levantada pelo estudioso de mitologia norte-americano Joseph Campbell, que discorre, por exemplo, sobre o Mito do Herói, uma constante em toda a ficção já produzida pelo homem, desde os primeiros mitos documentados até a atualidade: (...) existe uma certa seqüência de ações heróicas, típica, que pode ser detectada em histórias provenientes de todas as partes do mundo, de vários períodos da história. Na essência, pode-se até afirmar que não existe senão um herói mítico, arquetípico, cuja vida se multiplicou em réplicas, em muitas terras, por muitos, muitos povos. Um herói lendário é normalmente o fundador de algo, o fundador de uma nova era, de uma nova religião, uma nova cidade, uma nova modalidade de vida. Para fundar algo novo, ele deve abandonar o velho e partir em busca da idéia semente, a idéia germinal que tenha a potencialidade de fazer aflorar aquele algo novo. 4 As recorrências estruturais e simbólicas do mito são ainda a base para a psicologia analítica, fundada por Carl G. Jung, cujos estudos demonstram que a psique conservaria rastros de etapas anteriores do desenvolvimento humano, ( ) uma herança psicológica comum a toda humanidade, de onde todos os símbolos, arquétipos e mitos derivam. 5 Ou seja, conflitos, imagens e situações arquetípicas são simbolicamente representadas nos mitos arcaicos. A essa herança psicológica, esse arcabouço de memória calcado no inconsciente humano, deu-se o nome de Inconsciente Coletivo. O analista da escola junguiana, Hans Dieckmann, escreve em seu Contos de Fada Vividos: 4 CAMPBELL, J. em O Poder do Mito, transcrição da série de entrevistas com o mitólogo que foi ao ar na TV americana em MURAD, Pedro. Revista brasileira de ciências da comunicação e da cultura e de teoria da mídia. 13

14 Como ponto de partida no tratamento das neuroses tem-se mostrado necessária, em primeiro lugar, a interpretação dos contos de fada e dos mitos segundo a psicologia de profundidade. É comumente sabido que são os sonhos, e sua interpretação pelo médico, que constituem fator importante na terapia das pessoas com enfermidades da alma. Freud já tinha percebido que contos de fada e mitos não são fundamentalmente distintos dos sonhos, e que falam uma linguagem simbólica idêntica ( ). Antes de tudo, foram os trabalhos de C. G. Jung e sua escola que indicaram o caminho. Como o sonho é fenômeno universal, que se produz tanto em sadios como em doentes, assim também mitos e contos de fada são fenômenos universais. 6 O filósofo alemão Ernst Cassirer, em Linguagem e Mito, busca provar a conexão entre as estruturas de consciência mítica e linguística no ser humano. Afirma que a mitologia, como a conhecemos na atualidade, nada mais é do que vestígios de um vasto reino de pensamento e linguagem, resíduos de fases anteriores do desenvolvimento do pensamento humano. Corroborando sua hipótese, cita o filólogo Max Müeller: Jamais se conseguirá compreender a mitologia, enquanto não se souber que aquilo que chamamos antropomorfismo, personificação, ou animismo, foi, há muitíssimos séculos, algo absolutamente necessário para o crescimento de nossa linguagem e de nossa razão. Seria inteiramente impossível apreender e reter o mundo exterior, conhecê-lo e entendê-lo, concebê-lo e designá-lo sem esta metáfora fundamental, sem esta mitologia universal, sem este ato de insuflar nosso próprio espírito no caos dos objetos e de refazê-los, voltar a criá-los segundo nossa própria imagem. O princípio dessa segunda criação que o espírito faz é a palavra, e na realidade podemos acrescentar que tudo foi feito por esta palavra, isto é, denominado e reconhecido, e sem ela nada seria feito daquilo que foi feito. 7 Destaco o papel das histórias folclóricas em campos como a psicologia, a antropologia e a linguística para demonstrar a dimensão da responsabilidade de se trabalhar com os contos de fadas e, por extensão, com os mitos, seus ancestrais. A riqueza simbólica dessa herança não é algo que se possa tratar levianamente. Este é o motivo do estudo em detalhe, da máxima profundidade permitida pelo espectro desta pesquisa, das diversas versões de um mesmo conto: o senso de responsabilidade com os símbolos e situações arquetípicas contidas em cada uma delas. Empreende-se assim um levantamento das recorrências, o que permitirá uma releitura do conto em segurança, ou seja, com o mínimo de perdas para essa 6 DIECKMANN, H. Contos de Fada Vividos. São Paulo: Paulinas, Tradução de Elisabeth C. M. Jansen. 7 MÜELLER, M. Das Denken im Lichte der Sprache, Leipzig, 1873 pp

15 carga simbólica. Isso, é claro, se a preservação desses símbolos fizer parte do seu Projeto de Tradução noção que será estudada em detalhe no capítulo 3. I.I O lugar de King of the Cats Os mitos, que se formam simultaneamente à consciência e linguagem humanas, com a intenção de explicar o mundo e com ele interagir, modificam-se ao longo do tempo, preservando seus símbolos essenciais, mas adaptando-se, de geração em geração, às novas audiências. Saem da esfera do sagrado, das religiões primitivas, com a lenta renovação destas, para transformarem-se em herança cultural e em conto fantástico, ainda respeitosamente temido por seu conteúdo misterioso (ver, no capítulo 2, o comentário ao conto Johnny Reed's Cat ), que ressoa a sabedoria ancestral. Entre as mais significativas transformações sofridas pelos mitos estão aquelas que ocorreram durante a Idade Média, quando o cristianismo em expansão mescla-se aos conhecimentos e tradições pagãs inicialmente, em uma convivência pacífica, para aos poucos sobrepujá-los. Um exemplo claro disso é o processo que se deu na Irlanda: no século V, um missionário mais tarde canonizado como São Patrício, padroeiro da Irlanda introduz no país o cristianismo, que convive com os costumes Celtas durante séculos, preservando, por exemplo, a simbologia da natureza e respeitando o papel da mulher para essa sociedade, porém revestindo-os de um verniz cristão. Com o passar do tempo, essa convivência se torna mais tensa, e o elemento pagão é reprimido mas seus ecos ainda são ouvidos: Diz-se que Patrício ensinava o conceito da Santa Trindade através das folhas do trevo (shamrock, do gaélico, flor de três folhas ), elemento que se tornou um dos símbolos do país, ao lado do Leprechaun (espécie de duende). Esse tipo de sincretismo de crenças também é reconhecível no Brasil, em que há benzedeiras e simpatias que utilizam-se de elementos cristãos para suas curas e encantamentos. Veja o exemplo a seguir: Simpatia para manter a saúde: Antes de dormir, durante 3 noites seguidas, acenda 1 vela azul sobre 1 pires em sinal de gratidão ao seu anjo da guarda. Ao lado da vela, coloque alguns grãos de arroz. Na manhã seguinte, logo ao acordar, pegue o arroz e jogue para trás em um jardim, sem olhar. Reze 1 Ave-Maria e peça proteção ao seu anjo. As sobras da 15

16 vela, você deve jogar no lixo. Lave e reutilize o pires. 8 Com o Renascimento, uma segunda transformação significativa se dá com os contos folclóricos: a passagem da tradição oral para a escrita, com o advento da imprensa. Essa mudança cristaliza a forma dos contos, até então mais maleáveis em seus detalhes a depender do narrador e da audiência. Este é um dos motivos da dificuldade de se definir uma versão original para um conto. Quando coleta-se uma série de histórias da tradição oral em locais diferentes, mas com a mesma estrutura narrativa, os mesmos símbolos essenciais e apenas algumas pequenas diferenças no local ou tempo ou caracterização de personagens, como se dá com King of the Cats de cuja infinidade de versões farei uma amostra a seguir, no capítulo 2 como definir o que é essencial preservar em uma adaptação (seja para o público infantil, ou para uma versão fílmica, ilustrada, em quadrinhos...)? Folclore e Tradição Oral no Brasil No começo do século XX, enquanto o maestro e compositor Heitor Villa-Lobos viaja através do Brasil registrando canções populares, folclóricas e indígenas, evidenciando alguns dos elementos que viriam a definir a identidade musical brasileira, o antropólogo Luís da Câmara Cascudo faz um extenso estudo sobre as tradições e o folclore do país, compondo o que viria a se tornar o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952). Durante esse estudo, registra similaridades fundamentais entre os temas e estrutura narrativa da Literatura de Cordel produzida no Nordeste brasileiro até a atualidade e das cantigas medievais 9. Vindo com os colonizadores portugueses no século XVI, o Cordel preserva até a atualidade não apenas os temas heroicos e a métrica dos bardos, mas as ilustrações simples (xilogravuras). Ainda, retomando as recorrências: Na contística popular do Nordeste, por exemplo, é possível se escutar uma história que, em linhas gerais, é a mesma que os povos estabelecidos à margem do Nilo, no Egito, repetem há mais de anos. As nossas orações aos santos, ligeiramente modificadas, em tempos de antanho, devem ter acalmado a fúria e comprado o obséquio de muitos deuses de incontáveis panteões [Consult. 20/06/2012]. 9 O Conto de Fadas, pp [Consult. 20/06/2012] 16

17 Também no início do século XX, quem se destaca por suas traduções, adaptações e criações dos contos folclóricos voltadas para o público infantil é Monteiro Lobato. Em sua série de livros mais famosa, Sítio do Pica-pau Amarelo, o autor inventa e reinventa histórias, mesclando personagens criadas por si (Narizinho, Pedrinho, a boneca Emília) às do folclore brasileiro, como o Saci, a Iara, a Cuca e ainda a personagens de contos tradicionais estrangeiros, como Peter Pan, e Hércules, da mitologia grega. As aventuras se passam num mundo de fantasia criado pelas próprias crianças e nascem das narrativas de Dona Benta e Tia Nastácia, numa época em que o costume de contar histórias em serões ainda era vivo. Entre as influências admitidas por Lobato em sua obra, estão desenhos animados da época (O Gato Félix, Popeye), fabulistas clássicos como Esopo e La Fontaine, Lewis Carroll e Carlo Collodi (criador de Pinóquio ). Uma das características que torna o conto King of the Cats tão instigante é o fato de carregar marcas de diferentes épocas em suas diversas versões, reconhecíveis em detalhes do enredo, no tratamento dado ao elemento sobrenatural, através da estrutura narrativa. Sua origem provável é o imaginário Céltico, já que suas diversas versões foram coletadas no Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda), região da Europa em que a cultura Celta vicejou até a conquista pelo Império Romano (~ I a.c.) - e, no caso específico da Irlanda e Escócia, pelo menos até o século V. Em sua obra Animals in Celtic Life and Myth, Miranda Green discorre sobre o papel dos gatos na cultura Celta; animais domésticos, durante a Idade do Bronze eram criados para espantar pestes (pp.24/26); ao lado de cães, porcos e ovelhas, eram eventualmente sacrificados em rituais por uma boa colheita (pp. 102). Há também a descrição um ritual nomeado Himbas Forosnai, em que o clarividente previa o futuro mascando a carne de gatos, cães ou porcos (pp.164) deixando entrever uma das possíveis origens da atribuição mágica dada aos gatos. O texto em que encontrei o maior número informações específicas sobre King of the Cats reunidas foi o ensaio de Maureen Murphy, Pangur's Progeny: The Cat in Irish Literature. 11 A autora procura fazer uma retrospectiva do papel dos gatos na literatura irlandesa, desde manuscritos antiquíssimos como Pangur Bán e The Book of Kells ambos escritos por monges no século IX, sendo o primeiro um metapoema que usa como metáfora para a escrita os movimentos do gato, e o 11 IZARRA, Laura P.Z., BASTOS, Beatriz Kopschitz X (Ed). A New Ireland in Brazil: Festschrift in Honour of Munira Hamud Mutran. São Paulo: Humanitas,

18 segundo, um conjunto de evangelhos do Novo Testamento, com iluminuras em que o gato aparece como figura de encanto e graça, passando por sua transformação, durante a Era Medieval, em criatura associada ao sobrenatural e mesmo ao diabólico, até referências à literatura irlandesa contemporânea, em que o gato ainda é, eventualmente, conectado ao domínio do extraordinário, mas evoca, como foi há séculos, a sensação de conforto, lar, companhia. Ao discorrer sobre a associação do gato com entidades demoníacas, Maureen Murphy afirma: the most widely collected Irish cat/devil tale is AT 113A: The King of the Cats is Dead (o conto irlandês de gato/demônio com maior número de versões coletadas é AT [Aarne-Thompson type 12 ] 113A: The King of the Cats is Dead). A mais antiga versão documentada do conto integra uma publicação inglesa de 1570, intitulada Beware the Cat, que já apresenta diversos elementos em comum com as versões que serão analisadas na sequência (o homem que conta uma história extraordinária à esposa, o gato da família que se revela falante e se abala com a morte de outro gato/criatura). Em seu ensaio The Use of printed Sources, o folclorista norte-americano Richard Dorson identifica diversas referências ao conto, como a versão de Plutarco para a morte de Pan, em que uma voz divina anuncia a um marinheiro que Pan havia morrido, ou uma versão que Sir Walter Scott teria contado a Washington Irving; o também folclorista Patrick Kennedy, irlandês, coleta uma versão do conto para seu Legendary Fictions of the Irish Celts (1866). O escritor William B. Yeats teria citado o conto quando da morte de Algernon Swinburne, também escritor, ao afirmar Now I am King of the Cats. Yeats não trabalha literariamente com King of the Cats, mas recria outra lenda que relaciona a figura do gato à do demônio, The Demon Cat, em O estudo detalhado de algumas das versões de King of the Cats e, especialmente, a reflexão acerca de sua inserção histórica teve como principal resultado a compreensão do motivo de estranhamento inicial que tive com o conto. Seu enredo, descolado completamente da estrutura do Mito do Herói de Joseph Campbell (protagonista sai de seu local de costume em busca de algo/ para cumprir 12 Sistema de classificação de contos folclóricos desenvolvido primeiramente por Antti Aarne e publicado em 1910, foi traduzido e expandido por Stith Thompson. O critério de classificação é temático (Contos de Animais, Contos de Fadas, Religiosos, etc.) 13 MURPHY, M. Pangur's Progeny: The Cat in Irish Literature. pp

19 uma missão em local desconhecido, luta contra forças antagonistas e retorna ao lar com um tesouro físico ou psicológico), que parece guiar grande parte dos contos clássicos, desde Chapeuzinho Vermelho até Bela e a Fera ou O Patinho Feio, já o torna bastante peculiar, mesmo entre os contos que remontam mais claramente ao mito ancestral. Já a ausência da dicotomia bem x mal ou de uma moral explícita sugerem que a influência da moral cristã não interferiu com tanta força no enredo deste conto que é, neste sentido, similar aos outros contos da coletânea Encantamento Tenho uma hipótese quanto a isso: esses contos são originários do Reino Unido; o cânone dos contos de fadas é proveniente da Alemanha (Grimm), da França (Perrault, La Fontaine) e Dinamarca (Andersen). É possível que tenha havido um interesse bem mais reduzido por parte do público pelos contos do Reino Unido, em um momento em que os clássicos já haviam se estabelecido e então a preocupação em preservar a estrutura do conto tenha prevalecido sobre a necessidade de adaptá-lo ao público leitor. 19

20 CAPÍTULO II As Versões de King of the Cats O conto King of the Cats tem, pois, uma estrutura bastante rara quando comparada àqueles que compõem o cânone do conto de fadas. Joseph Jacobs, autor de uma das versões listadas e analisadas no próximo capítulo, refere-se a ele como anecdote, definição que, em inglês, carrega o sentido de conto tradicional (Traditional story) e se caracteriza como uma história divertida ou interessante sobre um incidente ou uma pessoa real ou seja, deve soar como um incidente verossímil, de preferência num local passível de ser reconhecido pela audiência (já que pertence ao domínio da tradição oral). É curto e às vezes evoca humor, mas não é sinônimo de "piada" (joke), já que seu propósito central é deixar entrever um sentido mais profundo, encoberto pela narrativa, ou delinear características de determinado personagem de um modo tal que revele sua essência ao ouvinte e, nesse ponto, assemelha-se às Morality Plays (curtas encenações teatrais medievais em que o protagonista encontrava-se com a personificação de vícios e virtudes que procuravam levá-lo pelo bom ou mau caminho). É mais próxima de uma parábola do que as fábulas, e exige maior verossimilhança. Está entre os contos da classificação de Aarne-Thompson como conto folclórico, na categoria Wild Animals and Domestic Animals. Este tipo de classificação meramente temática é criticada por Vladimir Propp, autor d'a Morfologia do Conto Maravilhoso, já que não leva em conta a estrutura narrativa. Propp identifica como elementos narrativos básicos os agentes (personagens), as funções narrativas e estágios de evolução na narrativa, mais ou menos semelhantes entre todos os contos por ele analisados. O folclorista observa que a linha para a distinção entre os contos de animais (animal tales) e os contos fantásticos (tales of the fantastic, segmento selecionado por Propp da classificação de Aarne-Thompson para sua Morfologia) é muito tênue, já que diversos contos de animais contêm elementos fantásticos, e vice-versa, e bastaria um camponês enganar o diabo ao invés de um urso para que o conto tivesse de ser reclassificado ( Na Rússia o enganado é um urso, enquanto que no 20

21 Ocidente é o diabo; por conseguinte, este conto [sobre a distribuição da colheita], com a introdução da variante ocidental, fica excluído por completo dos contos de animais. Onde, pois, situá-lo? 15 ). No final da década de 1930, J.R.R. Tolkien, escritor bastante conhecido na atualidade por obras como a trilogia O Senhor dos Anéis e O Hobbit, escreve um ensaio intitulado "On Fairy-Stories", pondo em destaque esta mesma questão: The beast-fable has, of course, a connection with fairy-stories. Beasts and birds and other creatures often talk like men in real fairy-stories. In some part (often small) this marvel derives from one of the primal desires that lie near the heart of Faërie 16 : the desire of men to hold communion with other living things. But the speech of beasts in a beast-fable, as developed into a separate branch, has little reference to that desire, and often wholly forgets it. The magical understanding by men of the proper languages of birds and beasts and trees, that is much nearer to the true purposes of Faërie. But in stories in which no human being is concerned; or in which the animals are the heroes and heroines, and men and women, if they appear, are mere adjuncts; and above all those in which the animal form is only a mask upon a human face, a device of the satirist or the preacher, in these we have beastfable and not fairy-story 17. King of the Cats não é uma exceção. Se, nas leituras iniciais, eu não hesitaria em classificá-lo como conto de fadas, após a realização desta pesquisa certamente não arriscaria um julgamento precipitado ou cristalizado para este ou qualquer outro conto folclórico. A seguir, apresentarei as oito variantes do conto a que tive acesso e farei um breve comentário sobre cada uma delas; a estrutura de personagens e da narrativa e alguns dados que considerei relevantes foram sintetizados em uma tabela comparativa que será de grande valia quando, no capítulo três, justificarei as escolhas feitas para a nova versão. As cinco versões referidas por Joseph Jacobs estão em um subnível não por questões de maior ou menor relevância, apenas em nome de uma melhor organização gráfica: 15 PROPP, V. Morfologia do Conto Maravilhoso. pp "Faerie, the realm or state in which fairies have their being" (Faerie é o reino ou país em que vivem as fadas) On Fairy-stories, pp O conto de animais tem, é óbvio, conexão com os contos de fadas. É comum animais, pássaros e outras criaturas falarem como gente nos contos de fadas de verdade. Em parte (uma parte não muito significativa, é verdade) esse elemento maravilhoso deriva de um dos "desejos" primitivos que repousam próximo ao coração de Faërie: o desejo dos homens de comunicar-se com as outras criaturas viventes. Mas a fala de um animal num conto de animais, como se crescesse em um outro galho da árvore, quase não tem a ver com esse desejo com alguma frequência, está totalmente desvinculada disso. A compreensão mágica das línguas dos pássaros, animais e árvores pelo homem, isso sim está muito mais próximo aos verdadeiros propósitos de Faërie. Mas histórias que não tangem ao humano, ou em que animais são heróis e heroínas e homens e mulheres se aparecem são meros coadjuvantes, ou ainda, e sobretudo, todas essas histórias em que a forma de animal é apenas a máscara sobre um rosto humano, um artifício usado pelo sátiro ou pelo padre/pastor/pregador, então temos aí um conto de animais, não um conto de fadas. 21

22 II.I: A Versão em Português (BR) 18 O Rei dos Gatos Acho que posso me considerar um rapaz de sorte. Aqui na aldeia há muita gente desempregada, e eu conheço dois sujeitos três, se contar o Dan, que está se aposentando antes da hora que devem ser demitidos antes do Natal. Ainda bem que precisam de mim; e sempre vão precisar. Nem tudo são flores, porém. Os únicos que me agradecem são os passarinhos, de manhã cedo. Depois fico sozinho, lá fora, faça chuva ou faça sol. E as flores velhas, aqueles montes de flores velhas, têm um cheiro enjoativo. Mas acontecem umas coisas esquisitas, posso lhe garantir. Esquisitas e maravilhosas! Um dia, no verão passado, trabalhei até tarde; o vigário disse que precisavam do serviço para as nove da manhã. E resolvi descansar um pouco, sentado na beira da cova, balançando as pernas. Bem, eu tomei alguns goles de aguardente e estava tão cansado que acho que peguei no sono. Um gato me acordou. Miau! Quando abri os olhos, era quase noite e eu estava no fundo. Eu me levantei, olhei por cima da beirada da cova e sabe o que eu vi? Nove gatos pretos! Todos tinham o peito branco e desciam pelo caminho, carregando um caixão coberto com veludo preto. Nossa! Minha nossa! Fiquei bem quieto, olhando com atenção. Uma pequena coroa dourada estava em cima do veludo preto. A cada três passos os gatos paravam, solenes, e gritavam: Miau! Então eles saíram do caminho e vieram em minha direção. Tinham os olhos brilhantes, luminosos e verdes. Oito gatos carregavam o caixão, e um grande conduzia o cortejo. Um passo, dois passos, três passos: miau! Quando chegaram bem perto da cova, eles pararam. E todos olharam para mim. Nossa! Minha nossa! Eu me senti mal. Então o gato grande, o que ia na frente, deu mais um passo em minha direção. Diga a Dildrum ele falou para mim, numa voz esganiçada diga a Dildrum que Doldrum morreu. 18 CROSSLEY-HOLLAND, K. Encantamento Contos de Fada, Fantasma e Magia. São Paulo: Companhia das Letrinhas, Tradução de Hildegard Feist. 22

23 Depois virou as costas e se afastou com os outros gatos, que carregavam o caixão. Um passo, dois passos, três passos: miau! Assim que eles sumiram de vista, saí da cova e voltei pra casa. Fiquei muito contente quando encontrei todo mundo lá: minha Mary, vesga de tanto tricotar, Mustard saltitando na gaiola, e o velho Sam espichado num canto. Tudo estava como sempre: o relógio tiquetaqueando em cima da lareira. Então contei para minha velha que tinha visto o gato falante, o caixão e a coroa. Ela me lançou um daqueles olhares como um brilho por trás dos óculos. Pois sim, Harry ela resmungou. É verdade, Mary falei. Eu não podia ter inventado isso. E quem é Dildrum? Como é que eu vou saber? ela replicou. Chega de história! Você está irritando o velho Sam. O velho Sam se levantou. Primeiro andou de um lado para o outro e depois olhou bem para mim. Nossa! Eu me senti mal de novo. Insisti: Foi exatamente isso que o gato falou. Nem uma palavra a mais, nem uma palavra a menos. Ele falou: "Diga a Dildrum que Doldrum morreu". Como é que eu vou dizer? Como é que eu vou dizer a Dildrum que o Doldrum morreu, se não sei quem é Dildrum? Chega, Harry! - Mary gritou. - Olhe para o velho Sam! Veja! O velho Sam Estava inchando. Inchando e olhando para mim. Por fim soltou um berro: Doldrum... o velho Doldrum morreu? Então eu sou o Rei dos Gatos! E saltou para dentro da lareira, subiu pela chaminé e nunca mais apareceu. Esta versão foi meu ponto de partida, meu primeiro contato com o conto. Demorei para compreender a razão do meu estranhamento não apenas com este, mas com diversos outros contos do livro Encantamento: se este é um "conto de fadas", onde está a moral da história? Porque o conto termina assim, de repente? Quem é o "herói" e quem é "vilão" ou seja, onde está a tão comum dicotomia entre bem e mal? Essas características, ou melhor, essas não-características, os elementos "faltantes", remontam a um período pré-medieval, pré-cristão, em que os contos não necessariamente tinham a função de educar, mas conectavam-se ao imaginário popular, com suas criaturas fantásticas, representações de divindades e à busca por explicações para fenômenos naturais eventualmente vistos como 23

24 "paranormais". Estavam muito mais próximos ao Mito ancestral do que aos contos de fadas, popularizados mais recentemente. É interessante notar que, apesar de a estrutura narrativa nos apontar uma origem pré-cristã, assinalo a expressão "Nossa, minha nossa!" (em inglês, "My, oh my") dita pelo protagonista nesta versão; "Nossa [senhora]" ou "My [God]" é uma marca da adaptação deste conto ao longo de gerações, processo no qual incorporam-se elementos cristãos a um conto ancestral assim também se pode supor que os elementos arcaicos das narrativas vão sendo eliminados com o passar do tempo, conforme são recontadas de geração para geração. Outro elemento interessante é justamente o de "busca por explicação lógica" reflexo da gradual substituição do universo religioso pelo científico - que se denota em uma observação como a seguinte: "tomei alguns goles de aguardente e estava tão cansado que acho que peguei no sono." Ou seja, o protagonista sugere que, até o desfecho da história, em que não resta dúvidas sobre o caráter sobrenatural do que lhe acontecera (já que agora contava com ao menos uma testemunha, sua esposa) considerou a possibilidade de o fenômeno ter sido um sonho ou fruto de sua imaginação, afetada pelo cansaço e pelo álcool que ingerira. Destaco ainda elementos dêiticos, como "sabe o que eu vi?" e comentários que interrompem a narrativa, como "eu me senti mal", que trazem o leitor para o texto como interlocutor bastante próximo da voz narrativa, como possível tentativa de resgatar o registro da oralidade, provável origem do conto em questão. Quanto aos personagens desta versão, são os seguintes: O coveiro; O cortejo de gatos (nove gatos pretos com manchas no peito); O gato "mensageiro" (parte do cortejo); O gato que está morto (Doldrum); A esposa; O pássaro; O gato da família (que revela ser Dildrum). Destaco aqui, como elementos centrais, a narração em primeira pessoa e a ambientação da cena "assombrosa" no cemitério. Há ilustrações nesta versão, que 24

25 será tomada como base para a análise das sete variantes que seguem por ter sido meu primeiro contato com King of the Cats e, por isto, ter-se tornado meu arquétipo mental do conto; é a esta que me referirei quando apontar semelhanças e diferenças, salvo caso em que nomeie especificamente outra versão. II.II: A Versão em Inglês 19 King of the Cats I suppose I can think myself lucky. There's plenty in our village who are drawing unemployment, and I know two more three if you count Dan, he's taking early retirement who reckon they'll be laid off before Christmas. At least people need me; and they always will. It's not all laughs, mind. The only ones who thank you are the early birds. And then you're all on your own, and you're out in every weather, too. And the old flowers, the pulpy heaps of them, they smell sickly sweet! You get some weird experiences, I can tell you. Weird and wonderful! One evening last summer I was out late; the vicar said they needed it for nine in the morning. I was having my break, sitting on the edge like, and swinging my legs. Well, I took a nip or two and I was so tired that I reckon I fell asleep. A cat woke me up. "Miaou!" And when I opened my old eyes, it was almost dark and I was down at the bottom. I stood up and peered over the edge and you know what I saw? Nine black cats! They all had white chests and they were coming down the path, carrying a coffin covered with black velvet. My! Oh my! I kept very quiet but I still had a careful look. There was a little gold crown sitting on the top of the black velvet. And at every third step the cats all paused, solemn like, and cried "Miaou!" Then the cats turned off the path and headed straight towards me. Their eyes were shining, luminous and green. Eight of them were carrying the coffin and a big one walked in front of them, showing them the way. One step, two steps, three steps: miaou! When they got to the graveside, they stopped. They all looked straight at me. My! Oh my! I felt queer. 19 CROSSLEY-HOLLAND, Kevin. Enchantment: Fairy Tales, Ghost Stories and Tales of Wonder. London: Orion Children's Books,

26 Then the big cat, the one at the front, stepped towards me. "Tell Dildrum," he said in a squeaky voice, "tell Dildrum," he said, "that Doldrum is dead." Then he turned his back on me and led away the other cats with the coffin. One step, two steps, three steps: miaou! As soon as they were out of the way, I scrambled out of the grave, and I was glad to get home, I can tell you. There they all were: my Mary cross-eyed with knitting and Mustard hopping around his cage and old Sam stretched out in the corner. Everything as usual; the clock ticking on the mantelpiece. So I told the old girl about the talking cat and the coffin and the crown. She gave me one of those looks a sort of gleam behind her specs. "Yes, Harry," she said. "It's true, Mary" I said. "I couldn't have made it up. And who is Dildrum anyhow?" "How should I know?" said Mary. "That's enough of your stories. You're upsetting old Sam." Old Sam got up. First he prowled around and then he looked straight at me. My! Oh my! I felt very queer again. "That's just what the cat said," I said. "Not a word more and not a word less. He said, 'Tell Dildrum that Doldrum is dead.' But how can I? How can I tell Dildrum that Doldrum is dead if I don't know who Dildrum is?" "Stop, Harry!" shouted Mary. "Look at old Sam! Look!" Old Sam was sort of swelling. Swelling and staring right through me. And at last he shrieked out, "Doldrum old Doldrum dead? Then I'm the King of the Cats!" He leaped into the fireplace and up the chimney, and he has never been seen again. Fiz um cotejo desta versão em inglês com aquela apresentada anteriormente, em português. Tenho apenas duas observações pontuais surgidas dessa análise; primeiro, o fato de um ponto-e-vírgula do texto em inglês ter sido mantido em português, o que causa alguma estranheza e, ainda assim, apenas para alguém que esteja prestando extrema atenção à pontuação: Inglês: "At least people need me; and they always will" Português: "Ainda bem que precisam de mim; e sempre vão precisar" 26

27 Além disso, logo nas primeiras linhas da versão em inglês lê-se o seguinte: The only ones who thank you are the early birds. A expressão early birds é traduzida literalmente por os passarinhos, de manhã cedo. No entanto, pode carregar o sentido de madrugador talvez uma expressão próxima a esta, em português, seja ir dormir com as galinhas, ou seja, ter o hábito de dormir e acordar muito cedo. A substituição da expressão no texto não parece prejudicar a narrativa, mas acredito que seja relevante pontuar essa possibilidade de leitura. Como se pode notar, este é o texto a partir do qual Hildegard Feist compõe sua versão para o português; quando senti o estranhamento inicial, supus que uma das pistas para compreendê-lo poderia estar na versão anterior, em inglês. Acabei indo pelo caminho mais difícil, pois encomendei o livro dos Estados Unidos para o Brasil sem antes ter esgotado todas as possibilidades investigativas da versão que já possuía. Foi nessa edição que busquei as fontes do conto e me deparei com More English Fairy Tales (de Joseph Jacobs, 1894); este foi o mais frutífero achado, no que diz respeito às origens e referências ao conto King of the Cats, pois a partir desta referência fui levada a outras cinco. E foi com grande satisfação que pude ter acesso a todos os textos referidos, inclusive ao de Jacobs, através da web, já que todos são anteriores ao início do século XX, estando, portanto, em domínio público. II.III: A Versão de J. Jacobs 20 The King o' the Cats One winter's evening the sexton's wife was sitting by the fireside with her big black cat, Old Tom, on the other side, both half asleep and waiting for the master to come home. They waited and they waited, but still he didn't come, till at last he came rushing in, calling out, "Who's Tommy Tildrum?" in such a wild way that both his wife and his cat stared at him to know what was the matter. "Why, what's the matter?" said his wife, "and why do you want to know who Tommy Tildrum is?" 20 JACOBS, J. More English Fairy Tales. London: G.P. Putnam s Sons,

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