CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA ETEC PROFESSOR MÁRIO ANTÔNIO VERZA CURSO TÉCNICO EM SERVIÇOS JURÍDICOS

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1 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA ETEC PROFESSOR MÁRIO ANTÔNIO VERZA CURSO TÉCNICO EM SERVIÇOS JURÍDICOS RESPONSABILIDADE CIVIL DOS HOSPITAIS NA INFECÇÃO HOSPITALAR: ESTUDO DE CASO NA SANTA CASA DE MISERICÓRIDIA DE PALMITAL - SP JOSIANNE MICHELLE MODESTO DE OLIVEIRA LUCIANA CRISTINA DE OLIVEIRA RAQUEL CAUNER DOS SANTOS SONIA CIBELE TAPIA SANDOVAL PALMITAL 2014

2 JOSIANNE MICHELLE MODESTO DE OLIVEIRA LUCIANA CRISTINA DE OLIVEIRA RAQUEL CAUNER DOS SANTOS SONIA CIBELE TAPIA SANDOVAL RESPONSABILIDADE CIVIL DOS HOSPITAIS NA INFECÇÃO HOSPITALAR: ESTUDO DE CASO NA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PALMITAL - SP Trabalho de conclusão de curso apresentado à Etec Professor Mário Antônio Verza, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Técnico em Serviços Jurídicos. Orientador: Professor Edson Antônio Ramires PALMITAL 2014

3 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA ETEC PROFESSOR MÁRIO ANTÔNIO VERZA JOSIANNE MICHELLE MODESTO DE OLIVEIRA LUCIANA CRISTINA DE OLIVEIRA RAQUEL CAUNER DOS SANTOS SONIA CIBELE TAPIA SANDOVAL RESPONSABILIDADE CIVIL DOS HOSPITAIS NA INFECÇÃO HOSPITALAR: ESTUDO DE CASO NA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PALMITAL - SP APROVADO EM / / BANCA EXAMINADORA: EDSON ANTÔNIO RAMIRES ORIENTADOR VALDIZA MARIA DO NASCIMENTO FADEL EXAMINADORA RANDAL DO VALE ORTIZ EXAMINADOR

4 DEDICATÓRIA Dedicamos este trabalho à Deus pelo esplendor da vida, presente em todas as atividades;

5 AGRADECIMENTOS Agradecemos às manifestações de carinho e apreço, recebidas de todos os colegas da ETEC Prof. Mário Antonio Verza, os quais foram nossa maior fonte de luz inspiradora e de apoio para o sucesso deste trabalho. Nosso muito obrigado também ao nosso orientador, o Professor Edson Antônio Ramires pelo auxílio seguro e oportuno durante todo o processo de orientação deste trabalho, pois aliado à sua experiência profissional e intelectual, todas as dicas e instruções foram imprescindíveis para o desenvolvimento e conclusão deste trabalho. A nossa querida coordenadora Valdiza Fadel sempre presente. Também agradecemos a nossa amiga Eliana Baptista que nos forneceu dados para a conclusão do trabalho. Aos nossos familiares por nos terem apoiado e entendido a nossa ausência, não só durante as aulas, mas especialmente durante o processo de desenvolvimento deste trabalho. Enfim, a todos, o nosso grande muito obrigado!

6 EPÍGRAFE Tenha metas. Uma vida sem objetivos é uma existência triste, pois o homem é um ser, historicamente, movido a desafios. (Renato Collyer).

7 RESUMO O presente trabalho busca demonstrar a responsabilidade civil dos hospitais frente a uma infecção hospitalar, bem como, baseado no Código de Defesa do Consumidor Brasileiro, demonstrar que há uma relação de consumo entre a Instituição prestadora do serviço de saúde e o paciente, na qual, para fins Legais, a primeira é considerada fornecedor e o segundo, consumidor. Finalmente, a partir do entendimento dessa condição legal, a pesquisa demonstra os órgãos responsáveis por receber pedidos de reparação por danos morais pelas vítimas de infecção hospitalar. Ademais, sob uma perspectiva prática, foi realizado um estudo de caso na Santa casa de Misericórdia de Palmital, a partir do qual foi possível demonstrar os níveis de infecções ocorridas na Instituição e propor ao leitor uma visão sistêmica do assunto. Palavras-chave: Responsabilidade Civil; Infecção Hospitalar; Código de Defesa do Consumidor.

8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS IH Infecção Hospitalar CCHI Comissão de Controle de Infecção Hospitalar MS Ministério da Saúde PCIH Programa de Controle de Infecção Hospitalar CREMESP Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo MPSP Ministério Público do Estado de São Paulo

9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA CONCEITOS GERAIS Responsabilidade civil prevista no Código Civil Responsabilidade civil dos hospitais INFECÇÃO HOSPITALAR CONCEITOS LEGISLAÇÃO PARA A PREVENÇÃO E O COMBATE À INFECÇÃO HOSPITALAR Comissão de Controle de Infecções Hospitalares Desafios para aplicabilidade da legislação Obrigação dos Hospitais de se evitar as Infecções Hospitalares Como prevenir as Infecções Hospitalares RESPONSABILIDADE CIVIL PELA INFECÇÃO HOSPITALAR FRENTE AO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Direito de Indenização... 4 ESTUDO DE CASO DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PALMITAL HISTÓRICO DIAGNÓSTICO... 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICES ANEXOS

10 11 1 INTRODUÇÃO Atualmente a preocupação com a saúde aumenta de forma crescente e, com isso, a prestação do serviço oferecida pelas instituições de saúde, entre elas os hospitais, é cada vez mais fiscalizada e cobrada pelos próprios pacientes, que adquiriram uma conduta mais reivindicadora. O conhecimento das ampliações do Direito do cidadão contribuiu para essa realidade, pois com a responsabilidade civil, que obriga a reparação do dano causado a outrem em razão de ação ou omissão, surge o regime de responsabilização dos hospitais, onde a relação paciente/hospital impõe à instituição uma determinada prestação de serviço. Conferida pelo Código Civil e também pelo Código de Defesa do Consumidor. Dada à importância do tema, o presente trabalho demonstra a responsabilidade civil dos hospitais no caso da infecção hospitalar, isto porque quando um paciente dá entrada em um hospital cabe à instituição fornecer meios necessários para um correto atendimento em seu internamento, garantindo assim a incolumidade do paciente, ou seja, resguardando- o da ocorrência de danos durante o período de internação. De modo que, se o paciente adquire infecção hospitalar nas dependências do hospital ou logo após sua saída e isso ocorra em razão de uma negligência na prestação de seus serviços, este será responsabilizado pelos prejuízos causados, devendo reparar os danos. É feita uma abordagem conceitual sistêmica e uma pesquisa de campo, com vistas na ampliação do conhecimento do leitor com relação ao assunto, contribuindo no desenvolvimento da visão crítica do mesmo, e consequentemente na redução da ocorrência da infecção hospitalar, visto que, quanto maior o conhecimento do paciente, maior é a sua exigência e também o comprometimento das instituições de saúde em atender as expectativas do consumidor. 1.1 OBJETIVOS Tendo em vista a Responsabilidade Civil dos Hospitais em relação à infecção hospitalar, o objetivo geral do presente trabalho será realizado na Santa Casa de Misericórdia de Palmital-SP, analisando os índices de ocorrências de infecção na instituição como o método preventivo utilizado.

11 12 Os objetivos específicos consistem em: Levantamento de informações conceituais sobre o tema. Informar a população sobre o dever de proteção dos hospitais com o paciente. Demonstrar no Código de Defesa do Consumidor o Direito à indenização, referente à incidência de infecção hospitalar. Com base no estudo, se disponibilizará informações significativas para o conhecimento sobre os direitos e deveres da instituição hospitalar. 1.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente trabalho será desenvolvido com embasamento bibliográfico para o levantamento dos principais conceitos envolvidos no tema, tais como a responsabilidade civil dos hospitais e a infecção hospitalar. Também será realizado um estudo de caso na Santa de Casa de Misericórdia de Palmital - SP, através de dois questionários contendo oito e seis questões qualitativas. O estudo será realizado com a Gestora de Faturamento e com o representante da comissão de controle de infecção hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Palmital SP. Para complementação do trabalho serão realizadas pesquisas documentais na Legislação pertinente e em arquivos da internet, por meio dos quais é pretendido demonstrar a responsabilidade civil dos hospitais em relação à infecção hospitalar, dentre outras informações relevantes para o presente estudo.

12 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo são apresentados os principais conceitos sobre o tema, os quais foram referenciados a partir de obras e artigos publicados, tais como, Diniz, Gonçalves, Stoco, Batista, Gomes, Goewehr. 2.1 CONCEITO GERAL Atualmente a regra de preservação do individuo tem se mostrado muito eficaz, isso porque a legislação referente ao assunto se mostra cada vez mais eficiente, protegendo, assim, bens indisponíveis tais como a vida, a liberdade e a saúde. Através da responsabilidade civil se encontra o direito de reparação a um dano causado à imagem ou diretamente às pessoas, incluindo-se sua saúde. Segundo Diniz apud Elias Filho e Lopes (2011, p.37): a responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, em razão de ato por ela mesma praticado, por pessoa por quem ela responde. Krigher Filho apud Brandão (2011, p.03) afirma que: É precisamente para compelir os homens a observarem e respeitarem as regras de convivência, que lhes são impostas pelo Direito, que o instituto da responsabilidade tem a sua razão de ser e o seu fundamento, sendo que a sua finalidade é a de impedir a perpetração de danos à sociedade e aos indivíduos, isoladamente considerados, impondo as respectivas sanções pela inobservância dessas regras. Fácil é perceber que o primordial direito da responsabilidade civil é a reparação do dano, que o ordenamento jurídico impõe ao agente. A responsabilidade civil tem, essencialmente, uma função reparadora ou indenizatória. (DINIZ, 2014, p.153). Assim, a responsabilidade civil proporciona ao indivíduo a garantia de restauração de um bem lesado, gerando um equilíbrio social, fazendo com que a sociedade desfrute do bem comum Responsabilidade Civil Prevista No Código Civil Todos os cidadãos, assim como as organizações, devem ser responsabilizados pelos atos que praticam.

13 14 A palavra responsabilidade é uma palavra oriunda do latim, do verbo responder, que significa responsabilizar-se, assegurar, assumir algo, ou do ato que praticou. (DINIZ, 2014). Segundo o novo Código Civil (2002, artigo nº 927): Aquele que, por ato ilícito ( ), causar dano a outrem, fica obrigado a reparálo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. A responsabilidade civil de acordo com Diniz (2014, p.50): É a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros em razão de ato do próprio imputado, de pessoa por quem ele responde, ou de fato de coisa ou animal sob sua guarda ou, ainda de simples imposição legal. Percebe- se a importância da responsabilidade civil, nos tempos atuais, por se dirigir à restauração de um equilíbrio moral e patrimonial desfeito. (DINIZ, 2014, p.21). O instituto da responsabilidade civil, segundo Gonçalves (2014, p.22). É parte integrante do direito obrigacional, pois a principal consequência da prática de um ato ilícito é a obrigação que acarreta, para seu autor, de reparar o dano, obrigação está de natureza pessoal, que se resolve em perdas e danos. Dessa forma, no Brasil a responsabilidade civil está prevista em Lei, a qual visa preservar as relações humanas, estabelecendo normas de reparação caso ocorra uma falha no dever assumido por determinada pessoa ou instituição Responsabilidade Civil Dos Hospitais Segundo Aguiar Júnior, (1995, p.33): hospital é uma universalidade de fato, formado por um conjunto de instalações, aparelhos, instrumentos médicos e cirúrgicos destinados ao tratamento da saúde, vinculada a uma pessoa jurídica, sua mantenedora, mas que não realiza ato médico. Quando um paciente dá entrada em um Hospital espera-se que este preste os serviços necessários ao internamento. (MARANHÃO, 2012, p. 01) De acordo com Santos (2008, p.198): A responsabilidade dos hospitais é contratual, sendo a doutrina e jurisprudência pátrias pacíficas e uniformes neste particular.

14 15 Desse modo Souza (2005 p. 3-4) diz: No contrato entre o hospital e seu paciente, implícita uma cláusula de incolumidade, por ocasião do atendimento hospitalar que diferencia-se da obrigação de meios a qual se obriga o hospital com o paciente, ou seja, além de agir com prudência, diligência e perícia através dos seus recursos humanos, no atendimento ao paciente, tem também o hospital a obrigação de manter incólume o paciente durante sua estadia em suas dependências. Esta obrigação do hospital para com o paciente, durante sua estada no hospital, tem características de uma obrigação de resultado. O resultado a alcançar é o dever que o hospital tem de manter incólume o paciente, livre de outras lesões que não as necessariamente e inevitavelmente, decorrentes dos procedimentos médicos. Stocco (2001, p.726) destaca que; A responsabilidade do estabelecimento hospitalar, por força do art. 932, III, c/c o 933 do Código Civil, por atos de seus empregados e prepostos (mas não dos médicos), é objetiva. A responsabilidade objetiva é aquela que obriga aquele entendido como causador do dano a indenizar, independentemente da análise da culpa, desde que a atividade desenvolvida normalmente pelo autor do dano implique risco para alguém. (DINIZ, 2014). Logo Stoco (2001, p. 725): A responsabilidade dos hospitais será objetiva apenas no que toca aos serviços única e exclusivamente relacionados com o estabelecimento empresarial propriamente dito, ou seja, aqueles que digam respeito à estadia do paciente (internação), instalações físicas, equipamentos, serviços auxiliares (enfermagem, exames, radiologia), mas nunca com os serviços técnicos. Fica-se claro que a condenação do hospital só será realizada caso o serviço defeituoso for exclusivo do estabelecimento como: infecção hospitalar, aplicação equivocada de medicamentos, negligência na vigilância quanto aos pacientes internados, realização de exames, entre outros; não se confundindo com alguma consequência de serviço mal realizado pelo profissional médico, sendo este serviço de meio, tornando se assim responsabilidade subjetiva, precisando assim verificar se houve a culpa. (LEITÃO, 2013). A partir dos conceitos expostos, percebe-se que, com a responsabilidade civil dos hospitais, a sociedade ganha uma segurança em relação ao atendimento hospitalar, pois a instituição fica responsável pelos serviços prestados.

15 16 3 INFECÇÃO HOSPITALAR Neste capítulo são abordados todos os conceitos relacionados ao tema, bem como alguns dados referentes à realidade dos hospitais brasileiros com relação à infecção hospitalar. 3.1 CONCEITO De acordo com o site ABC da saúde (2001, p.1). Infecção hospitalar é qualquer tipo de infecção adquirida após a entrada do paciente em um hospital ou após a sua alta quando essa infecção estiver diretamente relacionada com a internação ou procedimento hospitalar, como, por exemplo, uma cirurgia. Segundo Kfouri Neto apud Elias Filho e Lopes (2011, p.43): Para a maioria dos autores a expressão infecções hospitalares compreende doenças infecciosas adquiridas e manifestadas durante a hospitalização. Para alguns ela abrange também os casos que só tem expressão clínica após a alta do paciente. Todos, porém, incluem as infecções adquiridas na comunidade e em estágio de incubação no momento em que se interna o paciente. As infecções hospitalares se distinguem pela maior participação de microorganismos poucos envolvidos em doenças adquiridas na comunidade, embora as bactérias responsáveis não estejam confinadas nos hospitais. Os hospitais enfrentam no dia a dia um grave problema que é a infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) ou infecção hospitalar (IH), a qual ocasiona um crescimento da morbidade, mortalidade, aumento do tempo de internação, elevando assim os custos, além de poder aumentar a disseminação de bactérias resistentes aos antibióticos. (CREMESP, MPSP, 2010). Segundo site ABC da saúde (2001, p.1). O diagnóstico de infecção hospitalar envolve o uso de alguns critérios técnicos, previamente estabelecidos: Observação direta do paciente ou análise de seu prontuário. Resultados de exames de laboratório. Quando não houver evidência clínica ou laboratorial de infecção no momento da internação no hospital, convenciona-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de infecção que se apresentar após 72 horas da admissão no hospital. Também são convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 horas da internação, quando associadas a procedimentos médicos realizados durante esse período. Os pacientes transferidos de outro hospital são considerados portadores de infecção hospitalar do seu hospital de origem. As infecções de recém-nascidos são hospitalares, com exceção das transmitidas pela placenta ou das associadas a bolsa rota superior a 24 horas.

16 17 Resume-se a IH como uma doença de agravo de forma infecciosa, ou seja, sendo esta adquirida após a entrada do paciente no hospital para tratamento de outra patologia, diversa da IH. Sendo uma doença grave e preocupante, a qual assombra as instituições hospitalares. 3.2 LEGISLAÇÕES PARA A PREVENÇÃO E O COMBATE À INFECÇÃO HOSPITALAR No BRASIL, apenas nas duas últimas décadas, este importante tema tem sido abordado de maneira mais efetiva e científica. Passos importantes foram dados nesse sentido, a partir da promulgação de várias leis e portarias. (BATISTA, 2004, p.05). O Ministério da Saúde emitiu a Portaria MS nº 196 em 1983 por causa dos casos de infecções hospitalares que a imprensa divulgava. Esta portaria recomendava aos hospitais a criação de CCIH (Comissão de controle de infecção hospitalar). Sendo revogada em 1992 pela portaria 930 a qual expedia normas para o Controle de Infecção Hospitalar (CHI). Como não houve cumprimento por parte da grande maioria dos hospitais sobre a Portaria MS nº 930, o Ministério da Saúde criou a Lei Federal nº 9.431/1997. (OLIVEIRA, 2008). Segundo a Lei Federal nº 9.431(1997, Artigos 1 e 2 ): Art. 1º Os hospitais do País são obrigados a manter Programa de Controle de Infecções Hospitalares - PCIH. 1 Considera-se programa de controle de infecções hospitalares, para os efeitos desta Lei, o conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente com vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das infecções hospitalares. 2 Para os mesmos efeitos, entende-se por infecção hospitalar, também denominada institucional ou nosocomial, qualquer infecção adquirida após a internação de um paciente em hospital e que se manifeste durante a internação ou mesmo após a alta, quando puder ser relacionada com a hospitalização. Art. 2 Objetivando a adequada execução de seu programa de controle de infecções hospitalares, os hospitais deverão constituir: I - Comissão de Controle de Infecções Hospitalares; II - (VETADO) Regulamentando a Lei nº 9.431/97, o Ministério da Saúde editou a portaria nº 2.616/MS/GM, de 12 de maio de De acordo com esta Portaria, as Comissões de Controle de Infecções Hospitalares devem ser compostas por membros consultores e executores, sendo esses últimos representantes do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e responsáveis pela operacionalização das ações programadas do controle de infecção hospitalar. (ANVISA, 2014).

17 18 Todas as legislações focam a obrigação dos hospitais em possuir uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, que deverá desenvolver ações com vistas à redução máxima possível das infecções hospitalares Comissão De Controle De Infecção Hospitalar A base da prevenção de infecção hospitalar é a nomeação de um grupo de trabalho, chamado de Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). (CREMESP; MPSP, 2010, p.11). A CCIH é um órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de planejamento e normatização das ações de controle de infecção hospitalar, que serão executadas pelo serviço de controle de infecção hospitalar (SCIH). (BATISTA, 2004, p.10). A CCIH do hospital deverá: elaborar, implementar, manter e avaliar o Programa de Controle de Infecção Hospitalar, adequado às características e necessidades da instituição, contemplando, no mínimo, ações relativas a: implantação de um sistema de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares; adequação, implementação e supervisão das normas e rotinas técnico-operacionais, visando à prevenção e controle das infecções hospitalares; uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiaishospitalares; elaborar, implementar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais, visando limitar a disseminação de agentes presentes nas infecções em curso no hospital, por meio de medidas de precaução e de isolamento (PORTARIA Nº2616 ANEXO I, 1998) É necessário que cada participante da CCIH tenha conhecimento das suas atribuições para o desenvolvimento harmônico do trabalho. Cada participante da CCIH deve auxiliar a implantação do PCIH em seu serviço. (BATISTA, 2004, p.11). A instalação da Comissão de Controle de Infecção hospitalar é de suma importância, pois tem a finalidade de diminuir ao máximo a incidência e a gravidade das infecções hospitalares Desafios Para Aplicabilidade Da Legislação Muitos hospitais ainda não atentaram para a importância da contribuição da CCIH na assessoria administrativa das instituições, diagnosticando e vigiando a frequência e distribuição das infecções hospitalares entre os pacientes internados e egressos. (OLIVEIRA, 2008, p.11) A inatividade ou ineficiência da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) é outro fato muito comum encontrado nos hospitais e que acaba acarretando prejuízos à instituição, seja pela falta de capacitação ou perfil dos profissionais para atuação na área ou por falta de conscientização

18 19 do gestor quanto às necessidades propostas pela CCIH, nem sempre atendidas. Muitas vezes ocorre da CCIH não dispor de um Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) implantado e implementado, trabalhando sem um direcionamento para suas ações. (OLIVEIRA, 2008, p.11). O Brasil, por apresentar ainda algumas carências principalmente nas instituições públicas de saúde como recursos humanos e materiais, e com falta de CCIHs em grande parte dos hospitais, ou com integrantes sem conhecimento adequado, causando assim uma elevada taxa de infecção hospitalar. (BATISTA, 2004). De outro lado, torna-se necessário ampliar os programas de orientação para a prevenção e controle das IHs, pois a maioria dos profissionais de saúde é carente de conceitos básicos. Neste sentido, são fundamentais os programas de EDUCAÇÃO CONTINUADA - oferecidos pelas próprias instituições, sociedades de classe, associação de profissionais e órgãos governamentais. (BATISTA, 2004, p.07). De acordo com (Diniz apud CREMESP; MPSP, 2010, p.22): As infecções hospitalares constituem grande risco à saúde dos pacientes internados em clínicas e hospitais, por isso, sua prevenção e controle envolvem não só medidas de qualificação da assistência hospitalar, mas também da vigilância sanitária, tomadas no âmbito, do Estado, do Município e de cada hospital, pois o Sistema Único de Saúde (Lei 8080/90, art. 5º, III) tem por escopo a assistência às pessoas por meio de atividade de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a ação integrada de ações assistências e preventivas. Os órgãos estaduais de saúde nos exercícios da atividade fiscalizatória deverão observar a adoção, pela instituição prestadora de serviço, de forma de proteção capazes de evitar efeitos nocivos à saúde dos agentes, clientes e pacientes. Como se pode observar, o grande problema na eficiência das legislações está na própria instituição hospitalar, que não coordena corretamente as CCHIs, as quais são o grande diferencial contra a infecção hospitalar que, se bem administrada, contribuem para queda brusca nos índices de infecção Obrigação Dos Hospitais De Se Evitar As Infecções Hospitalares Segundo a Portaria MS/GM nº (1998, Art. 06); Qualquer pessoa física ou jurídica que desenvolva atividades hospitalares de assistência à saúde, seja de direito público ou privado, tem a obrigação de instalar a comissão e desenvolver o programa de controle de infecções hospitalares. O envolvimento da alta administração da instituição, garantindo estrutura mínima de segurança para o exercício das boas práticas de higiene e segurança e propiciando ambiente de interação entre as equipes que

19 20 prestam cuidados direto ao paciente e as equipes de controladores de infecção. (CREMESP; MPSP, 2010, p.53). O descumprimento da lei 6.377/97 e da portaria 2.616/98, que tratam do controle da infecção hospitalar, prevê desde as sanções individuais por exemplo, o diretor do hospital que não tomou as providências pode estar sujeito a pena de detenção até multa que pode variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão. A interdição, embora prevista também no regulamento da Vigilância Sanitária, é sempre avaliada diante do interesse da saúde pública. Mesmo em face de falta grave, é feito um auto de infração, o responsável pelo serviço é comunicado e recebe um prazo para resolver ou informar o que vem sendo feito. (CREMESP; MPSP, 2010, p.63). A partir dos conceitos expostos, fica claro a responsabilidade dos hospitais e de seus funcionários na prevenção da IH Como Prevenir As Infecções Hospitalares Os cuidados para não ocorrer elevado número de infecções e sua prevenção e controle envolvem medidas de qualificação da assistência hospitalar, de vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do município e do estado. (ABC, 2001, p.2). A transmissão de micro-organismos patogênicos, ou seja, micro-organismos capazes de produzirem doenças ocorrem na maioria das vezes por contato direto (transmitido de uma pessoa a outra por meio do contato direto com as mãos) ou através do contato indireto (objetos e superfícies contaminadas). (SILVA, PADOVEZE, 2011, p. 2). Vários estudos comprovam que a higienização das mãos está relacionada com na prevenção da transmissão das infecções. Estando o paciente em qualquer setor, como pronto-socorro, enfermaria ou unidade de terapia intensiva (UTI), tem se que realizar a higienização das mãos ao contato com o paciente, objetos e superfícies. (SILVA, PADOVEZE, 2011, p.3). A higienização das mãos dos profissionais de saúde deve ser realizada antes ou após qualquer procedimento de saúde, estes precisam repetir o ato em cada início de turno, preparo de alimentos e depois da manipulação de medicamento. (RIBEIRO, 2014). Algumas recomendações importantes devem ser seguidas pelos pacientes e seus familiares para contribuir para a qualidade da assistência e a segurança do cuidado: Tornar-se informado sobre sua doença, fazendo perguntas relacionadas ao tratamento; Envolver um membro da família para estar acompanhando o tratamento; Higienizar as mãos sempre que necessário; Solicitar à equipe de saúde que higienize as mãos quando necessário; Comunicar à equipe de saúde qualquer alteração relacionada ao cateter ou curativo; Solicitar a familiares e amigos a não visitarem caso estejam doentes; Evitar tocar olhos, nariz e boca; Cobrir nariz e boca com papel descartável quando tossir ou espirrar, desprezando após o uso;

20 21 Se for fumante, tentar suspender o fumo; Vacinar-se anualmente contra gripe. (SILVA, PADOVEZE, 2011, p.4-5). Assim, nota-se que uma simples atitude, como a higienização das mãos, que pareceria banal é de extrema importância no ambiente hospitalar, sendo a ação que mais auxilia na prevenção da infecção hospitalar. 3.3 RESPONSABILIDADE CIVIL PELA INFECÇÃO HOSPITALAR FRENTE AO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Em 1990 foi editada a Lei 8.078, batizada de Código de Defesa do Consumidor. O objetivo desta norma é disciplinar a relação de consumo. Relação jurídica de consumo é o vínculo que se estabelece entre um consumidor, destinatário final, e entes a ele equiparados, e um fornecedor profissional, decorrente de um ato de consumo ou como reflexo de um acidente de consumo, a qual sofre a incidência da norma jurídica especifica, com o objetivo de harmonizar as interações naturalmente desiguais da sociedade moderna de massa. (BONATTO apud DEVOS, 2008, p, 10). Pela definição de hospital visto anteriormente, pode- se dizer que a instituição enquadra- se perfeitamente no conceito de serviço trazido pelo Código de Defesa do Consumidor. O ordenamento jurídico considera que consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Neste conceito enquadra-se o paciente como consumidor dos serviços prestados pelo hospital. (DEVOS, 2008, p.32) O hospital firma com o paciente internado um contrato hospitalar, assumindo a obrigação de meio consistente em fornecer hospedagem (alojamento, alimentação) e de prestar serviços paramédicos (medicamentos, instalação, instrumentos, pessoal de enfermaria, exames produtos hemoterápicos etc,); se dispuser de um corpo médico, seus empregados, também poderá assumir a obrigação de prestar serviços médicos propriamente ditos. (RIZZARDO apud DEVOS, 2008, p. 33) Na proteção do consumidor/paciente com o hospital/fornecedor, é criada norma protetiva, tendo a finalidade de realizar um equilíbrio na relação de consumo, já que a instituição tem uma elevação técnica e financeira. (DEVOS, 2008). Os hospitais e as clínicas médicas estão submetidos às normas do Código de Defesa do Consumidor e devem reparar os danos causados no exercício de suas atividades. (GOMES, GEWEHR, 2010, p. 54). Segundo Código de Defesa do Consumidor (1990, art.14): O fornecedor de serviços responde independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos

21 22 relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. O regime jurídico da responsabilidade civil para reparação de dano sofrido pelo consumidor é o da responsabilidade objetiva pelo risco da atividade. (NERY JUNIOR, 1992, p.56). Devendo o consumidor apenas alegar a ocorrência do dano, cabendo ao fornecedor provar a não ocorrência do nexo causal. Desse modo, basta à prova do nexo de causalidade entre o evento danoso e o causador do dano, independentemente da existência da culpa, para obrigar o fornecedor a indenizar. (GOMES, GEWEHR, 2010, p ). De acordo com Gomes, Gewehr (2010, p.57): Dentre os danos ocorridos nos estabelecimentos hospitalares, destaca se a questão da infecção hospitalar [...] se a infecção hospitalar está relacionada à contaminação, esta geralmente tem origem na falta de assepsia, ou em sua realização de maneira incorreta. Assim, não realizados os procedimentos para impedir a contaminação em suas dependências, o hospital deve responder pelos danos sofridos pelo paciente acometido de infecção hospitalar. Através do Código de Defesa do Consumidor o paciente/consumidor tem uma proteção caso haja alguma falha no âmbito hospitalar/fornecedor. Assim, caso o paciente contraia uma infecção hospitalar, esse hospital deverá reparar o prejuízo causado ao paciente lesado Direito de Indenização Segundo CREMESP; MPSP (2010, p.27): A possibilidade de indenização por danos morais e materiais caudados por infecção hospitalar é indiscutível, pois ao atribuir às ações e serviços de saúde o caráter de relevância pública (art. 197, C.F.), o texto constitucional também trouxe como corolário o dever de indenização aos pacientes prejudicados com as atividades de prestadores públicos ou privados, como decorrência lógica da qualidade que estes serviços públicos devem respeitar. Nesse sentido entende Cavalieri Filho apud Gomes, Goewehr (2010, p.58): Fato do serviço é sinônimo de acidente de consumo; é o acontecimento externo, ocorrido no mundo físico, que causa dano material ou moral ao consumidor, mas que decorre de um defeito do serviço. [...] Bastará a mera relação de causalidade entre o acidente de consumo e o defeito do serviço para ensejar o dever de indenizar, independentemente de culpa. A guarda e o dever de incolumidade do paciente por parte do hospital geram, por isso mesmo, a responsabilidade do estabelecimento hospitalar pelos danos materiais (indenização pelas despesas do tratamento realizado, pelas despesas médicas futuras e por outras existentes, como aquelas

22 23 decorrentes de eventual funeral; pensão vitalícia quando a infecção prejudicar as atividades profissionais do paciente ou seus dependentes) e pelos danos morais (compensação pelo sofrimento suportado, arbitrada pelo juiz). (CREMESP; MPSP, 2010, p.28). A indenização não só visa o ressarcimento da vítima pelo dano moral causado, mas também serve como uma sanção a instituição, pois com o pagamento da indenização ocorre uma desestimulação do mesmo a voltar a causar dano. (GOMES, GOEWEHR, 2010). Vale ressaltar a necessidade da inversão do ônus da prova, ou seja, Caberá ao hospital provar que não houve relação direta entre uma conduta imediatamente anterior ao fato e o dano causado, afastando-se de ser o agente causador da infecção. (FONSECA, 2011, p.15) Decisões dos Tribunais: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. OBRIGAÇÃO DE FAZER. RESPONSABILIDADE CIVIL. INFECÇÃO HOSPITALAR. SEQUELA DECORRENTE DE INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS. ALEGAÇÃO DE CASO FORTUITO PELO HOSPITAL. AUSÊNCIA DE PROVA. PRESUNÇÃO DE CULPA. 1. Sendo incontroverso o fato de o autor ter sido acometido por infecção hospitalar do sítio cirúrgico decorrente de cirurgia e não tendo o réu comprovado a ocorrência de caso fortuito, é óbvio o dever do hospital de responder pelos danos causados ao paciente, já que trata-se de culpa presumida por falta de cuidados. 2. O paciente se encontra acobertado pelo dever de incolumidade por parte do hospital, devendo este ser responsabilizado pelas consequências danosas que um bom serviço prestado poderia evitar. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, 26ª CÂMARA DE DIREITO PRIVADO, APELAÇÃO COM REVISÃO Nº /3, 2007, RELATOR DESEMBARGADOR FELIPE FERREIRA). Assim, a indenização é a reparação de um dano sofrido pelo paciente, sendo este o resultado de uma obrigação não cumprida pelo hospital.

23 24 4 ESTUDO DE CASO DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PALMITAL Neste tópico foi realizado o levantamento da ocorrência de Infecção Hospitalar na Santa Casa de Misericórdia de Palmital, o qual foi fundamental para desenvolver a análise e proporcionar o conhecimento por parte da sociedade sobre a IH, especialmente sobre o direito de indenização, presente no Código de Defesa do Consumidor. 4.1 HISTÓRICO A Santa Casa de Misericórdia de Palmital é uma instituição particular, sem finalidade lucrativa, de caráter filantrópico, tendo missão beneficente na assistência hospitalar, sendo de utilidade pública municipal, estadual e federal, por tempo indeterminado, sendo regida por legislação reguladora de suas atividades e pelo Estatuto Social. (VIDAL, JESUS, VIDAL E FERREIRA, 2010). Em 29 de setembro de 1.961, foi inaugurada a Santa Casa de Misericórdia de Palmital, e atualmente opera com 68 leitos, sendo destes 44 (quarenta e quatro) leitos do SUS Sistema Único de Saúde. (VIDAL, JESUS, VIDAL E FERREIRA, 2010, p.17). A Santa Casa é a mantenedora do único hospital com Pronto Atendimento e Maternidade Anexa ao hospital, e está instalada em um terreno de 5.020,30 m2, com área construída da 3.373,05 m2, interligada em todos os setores e assim distribuídas: 1 Serviços Administrativos com uma área de 580 m2 em outro prédio separado/ doação da Prefeitura Municipal de Palmital. 2 Prédio do Centro de Diagnóstico por Imagem, com uma área construída de 800 m². 3 Prédio da Maternidade com uma área construída de 580 m². 4 Prédio de Serviços da Unidade de Internação, Nutrição Dietética, Serviço Social e Farmácia, com uma área construída de 1000 m². 5 Prédio de Serviços de Higiene e Limpeza, Lavanderia, Costura e Arquivo, com uma área construída de 300m². 6 Prédio de Serviços do Pronto Atendimento, Laboratório e Posto de Coleta de Leite Humano, com uma área construída de 600 m². 7 Centro de Diagnóstico com 636 m². (VIDAL, JESUS, VIDAL E FERREIRA, 2010, p ). Conforme a classificação das Santas Casas de Misericórdia quando sendo instituição de assistência beneficência, conforme legislação está oferece e presta mais de 90% (noventa por cento) dos atendimentos médicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). (VIDAL, JESUS, VIDAL E FERREIRA, 2010).

24 DIAGNÓSTICO De acordo com o levantamento realizado através de questionário com a Gestora de Faturamento e com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Palmital SP, a instituição está seguindo todos os padrões necessários para o bom funcionamento do estabelecimento, pois possui um CCHI ativa desde o ano de 1999, a qual realiza conscientização dos profissionais internos em relação à higienização das mãos, bem como da sociedade com a criação de folders explicativos, faz mensalmente o cálculo da taxa de IH. Como se observa na figura 1 (APÊNDICE A), no ano de 2013 obteve uma taxa mensal de 2% (dois por cento) de casos de infecção hospitalar, sendo de pessoas adultas, as quais tiveram um tempo maior de internação. Verificando os atendimentos tanto do pronto atendimento, figura 2 (APÊNCIDE B) como das internações, figura 3 (APÊNDICE C), pode-se perceber que o índice de infecção hospitalar é baixo em relação ao índice geral obtido no Estado de São Paulo (15,5% em hospitais de 100 a 299 leitos), apesar de ser um valor desatualizado, visto a falta de um diagnóstico mais completo da situação no Brasil, revelando que não há, efetivamente, um nível nacional consistente.

25 26 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para que a Santa Casa de Misericórdia obtenha um melhor resultado nos índices de Infecção Hospitalar e assim evitar futuros processos judiciais, vê- se necessário sempre investir em estratégias que contribuam para a qualidade dos serviços prestados, realizar sempre uma conscientização da população sobre a importância de cuidados, como a higienização das mãos a cada visita para os pacientes, possibilitando cada vez mais a diminuição da taxa de infecção hospitalar. A administração do hospital deve sempre investir e fiscalizar a organização da Comissão de Controle de Infecção hospitalar, pois através dela se obtém um programa de ações necessárias e eficientes. Com isso, evita- se gastos com indenizações provenientes de processos por reparação de dano causado por uma infecção hospitalar.

26 27 REFERÊNCIAS ABC DA SAÚDE, equipe. Infecção Hospitalar. Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br/infectologia/infeccao-hospitalar>. Acesso em: 25 out AGUIAR JÚNIOR, Ruy rosado de. Responsabilidade civil dos médicos. Revista dos Tribunais, São Paulo, v.84, n.718, p.33, agosto BATISTA, Ruth Ester Assayag. Módulo 1, Legislação E Criação De Um Programa De Prevenção E Controle De Infecção Hospitalar (Infecção Relacionada À Assistência À Saúde - Iras). In: Curso Infecção relacionada à Assistência à Saúde - IrAS - versão Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. BRANDÃO, Fernanda Holanda de Vasconcelos. Definindo a responsabilidade civil no cenário atual. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n. 84, jan Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/? n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=8874>. Acesso em: 14 out DEVOS, Rafael. A Responsabilidade Civil Hospitalar em Decorrência de Internação determinada por Provimento Judicial para Paciente de médicos não pertencentes ao corpo clínico. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XI, n. 51, mar Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/? n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=5002>. Acesso em: 03 nov DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro Responsabilidade Civil. 28º ed. Saraiva FONSECA, Hugo Martinelli Ferreira da. A responsabilidade civil dos hospitais e a presunção do nexo causal nos casos de infecção hospitalar. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/18795>. Acesso em: 8 nov GOMES, Daniela Vasconcellos.; GEWEHR, Mathias Felipe. Responsabilidade civil dos estabelecimentos hospitalares em caso de infecção hospitalar. Revista do Curso de Direito da FSG Caxias do Sul ano 4 n. 7 jan./jun p GONÇALVES, Roberto Carlos. Direito Civil Brasileiro: Responsabilidade Civil. 9º ed. Saraiva, 2014 LEITÂO, Paulo. Responsabilidade Civil de Hospitais, Clínicas de Médicos e Cirurgiões Dentistas. Disponível em: <http://setorsaude.com.br/pauloleitao/2013/03/12/responsabilidade-civil-de-hospitais-

27 28 clinicas-de-medicos-e-cirurgioes-dentistas/ PAULO LEITÃO>. Acesso em: 15 set Oliveira R, Maruyama SAT. Controle de infecção hospitalar: histórico e papel do estado. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2008; Disponível em: <http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n3/v10n3a23.htm>. Acesso em: 01 Set RIBEIRO, Clara. Dicas para evitar infecções hospitalares. Disponível em: <http://revistavivasaude.uol.com.br/clinica-geral/dicas-para-evitar-infeccoeshospitalares/2476/>. Acesso em: 01 nov SILVA, Priscila Fernanda Da.; PADOVEZE, Maria Clara. Infecções Relacionadas A Serviços De Saúde, Orientação Para Público Em Geral. São Paulo: [s.n], 2008 SOUZA, Neri Tadeu Camara. Erro médico e hospital. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, VIII, n. 21, maio Disponível em: <http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=662>. Acesso em out STOCO, Rui. Tratado de Responsabilidade Civil. 6. ed. Revista dos Tribunais p NERY JUNIOR, Nelson. Os princípios gerais do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor.Revista de Direito do Consumidor, n. 3, 1992, p. 56. CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA ESTADO DE SÃO PAULO; MINISTÉRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO. O Controle da Infecção Hospitalar no Estado de São Paulo. São Paulo SP, 2010

28 29 APÊNDICES APÊNDICE A FIGURA 1: INFECÇÃO HOSPITALAR...30 APÊNDICE B FIGURA 2: ATENDIMENTO PRONTO ATENDIMENTO...31 APÊNDICE C FIGURA 3: NÚMERO DE INTERNAÇÕES...32 APÊNDICE D MODELO DE QUESTIONÁRIO (COMISSÃO)...33 APÊNDICE E MODELO DE QUESTIONÁRIO (GESTORA DE FATURAMENTO)...34

29 30 Figura 1 - Santa Casa De Misericórdia De Palmital - SP INFECÇÃO HOSPITALAR Ano Referente Manual de Indicadores Pag. 29 Indica a Mediana do Hospital = 2% Fonte: CCIH da Santa Casa de Misericórdia de Palmital SP, 2014.

30 31 Figura 2: Santa Casa De Misericórdia De Palmital - SP Ano Atendimento Pronto Atendimento Referente Manual de Indicadores Pag. JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Indica Mediana do Hospital = 2638 Fonte: CCIH da Santa Casa De Misericórdia De Palmital - SP

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