Diálogo Quinta Conferência Ministerial. sobre a "Migração no Mediterrâneo Ocidental" Algeciras, 12 e 13 de Dezembro de 2006

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1 Diálogo Quinta Conferência Ministerial sobre a "Migração no Mediterrâneo Ocidental" Algeciras, 12 e 13 de Dezembro de 2006 Conclusões da Presidência Nos dias 12 e 13 de Dezembro de 2006 teve lugar em Algeciras, sob o tema "Para uma abordagem global dos processos migratórios", a Conferência dos Ministros sobre Migrações no Mediterrâneo Ocidental, a convite do Ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais do Governo da Espanha, com a participação dos Ministros e representantes dos Governos dos Estados participantes no Diálogo (Argélia, Espanha, França, Itália, Líbia, Malta, Marrocos, Mauritânia, Portugal e Tunísia). A Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Centro Internacional para o Desenvolvimento das Políticas Migratórias (ICMPD em inglês) e a Comissão Europeia participaram na Conferência na qualidade de observadores. Por seu lado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) assistiu a esta conferência na qualidade de convidado da Presidência Espanhola.

2 2 A Conferência de Algeciras inscreve-se no quadro do Diálogo iniciado na Tunísia, em 2002, tendo contribuído para a sua continuação todos os países participantes e sobretudo as presidências sucessivas durante o exercício do respectivo mandato. Neste sentido, esta quinta Conferência, que foi precedida de uma reunião preparatória do Grupo de Seguimento, realizada em Madrid a 6 e 7 de Novembro de 2006, permitiu consolidar os fundamentos do Diálogo tal como tinha sido concebido ao longo das Conferências precedentes: - Tunis, 16 e 17 de Outubro de Rabat, 22 e 23 de Outubro de Argel, 15 e 16 de Setembro de Paris, 9 e 10 de Novembro de 2005 Os Ministros concordaram que as políticas migratórias exigem uma abordagem global, integrada e concertada que tenha em conta todas as etapas do processo migratório. Em conformidade com essa convicção, a Conferência prosseguiu a reflexão sobre a cooperação necessária entre os países de origem, de trânsito e de destino para tratar de forma adequada os fluxos migratórios, os processos de acolhimento e de integração nas sociedades de destino e as vantagens económicas e humanas da emigração para os países de origem. Assim, os Ministros tiveram em consideração os trabalhos e os resultados da Conferência Euro-Africana sobre "As Migrações e o Desenvolvimento" realizada em Rabat, a 10 e 11 de Julho de 2006, do Diálogo de Alto Nível sobre "As Migrações Internacionais e o Desenvolvimento", que teve lugar em Nova Iorque a 14 e 15 de

3 3 Setembro de 2006, sob os auspícios das Nações Unidas e a Conferência entre a União Europeia e a África também sobre o tema de "A Migração e o Desenvolvimento" que teve lugar nos dias 22 e 23 de Novembro de 2006, em Tripoli. Em todos estes domínios, os Ministros voltaram a afirmar a sua convicção de que a gestão eficiente dos fluxos migratórios se impõe actualmente a todos os Estados da comunidade internacional, à semelhança do diálogo dos 5+5, que constitui um exemplo em matéria de reforço da cooperação regional. Os Ministros constataram, igualmente, que o carácter informal do Diálogo facilita a troca e partilha de ideias e a identificação de objectivos comuns, o que demonstra ser muito vantajoso para a concertação das vontades e o enriquecimento de outros fóruns que, tanto no plano regional como continental e universal, abordam a cooperação em matéria migratória. Neste contexto, os Ministros sublinharam a necessidade de reforçar a cooperação em matéria de migrações entre os países das margens norte e sul do Mediterrâneo Ocidental, num espírito de solidariedade, de responsabilidade conjunta e de parcerias para o desenvolvimento. Os Ministros decidiram confiar ao Grupo de Seguimento a tarefa de aprofundar a reflexão sobre os termos de referência de um eventual alargamento do Diálogo 5+5.

4 4 Cooperação entre os países de origem, de trânsito e de destino para tratar de forma adequada os fluxos migratórios Os Ministros enfatizaram a necessidade de reforçar a cooperação neste domínio com base em estratégias nacionais em matéria de política migratória, em coerência com políticas de desenvolvimento e de luta contra a pobreza. Os Ministros reconheceram a necessidade de promover uma cooperação multidimensional para o efeito de identificar as necessidades do mercado de trabalho e a forma mais adequada de contribuir para a implementação de mecanismos de gestão eficazes da migração legal. Os Ministros reconheceram que convém desenvolver parcerias entre os países de origem e os países de acolhimento para reforçar as capacidades em todos os domínios de interesse, incluindo os meios de prevenção e de luta contra as migrações ilegais, nomeadamente nos domínios seguintes: as políticas para melhorar a gestão dos fluxos migratórios a formação dos funcionários públicos encarregues das migrações a criação de quadros legais adequados o estabelecimento de instrumentos de análise dos mercados de trabalho nos países de origem e de acolhimento, e das tendências e repercussões das migrações nos diferentes mercados de trabalho. Os Ministros convieram no interesse de associar, sempre que necessário, e no respeito pelas especificidades nacionais, parceiros sociais ou organizações da sociedade civil que trabalhem nos domínios

5 5 da ajuda aos migrantes, da protecção dos direitos humanos e da dignidade do migrante, e da cooperação para o desenvolvimento, com vista a garantir as condições de legalidade e de transparência. Os Ministros observaram que a cooperação identificada deste modo deve visar tanto o encorajamento da migração legal como a prevenção da imigração irregular e do tráfico de seres humanos gerador de exploração e abuso. Acolhimento e integração nas sociedades de destino Os Ministros reafirmaram o seu compromisso de implementar políticas de luta contra todas as formas de discriminações e de xenofobia, e sublinharam a necessidade de promover uma integração adequada dos migrantes, nomeadamente no acesso ao emprego, à educação, à formação profissional, à habitação, e facilitar a sua participação nas redes sociais existentes, a fim de contribuir para a criação de uma sociedade mais harmoniosa, multicultural e participativa. Em paralelo, os Ministros lembraram a necessidade de as políticas de integração prestarem uma particular atenção às mulheres e aos jovens das gerações provenientes dessas migrações. Os Ministros sublinharam que uma integração adequada do imigrante na sociedade de acolhimento reforça a sua capacidade de agir na qualidade de vector de desenvolvimento do seu país de origem. Para esse efeito, convieram na necessidade de reforçar a cooperação entre os países de

6 6 origem, de trânsito e de destino, a fim de favorecer os processos de acolhimento e de integração nos países de destino. Os Ministros sublinharam igualmente a importância de os processos de acolhimento incluírem medidas com vista a dotar as pessoas imigrantes dos conhecimentos e aptidões necessários ao favorecimento da igualdade com os cidadãos autóctones, no que se refere ao tratamento e às oportunidades. Os Ministros consideraram que o acesso ao emprego é essencial para promover a sua participação na sociedade de acolhimento e para tornar visível os contributos que trazem a esta. Para esse efeito, é necessário promover o acesso e o emprego com base na igualdade de tratamento, bem como reforçar as iniciativas empresariais e abordar a diversidade nas empresas. Os Ministros consideram que a realização nos países de origem ou nos países de acolhimento de programas de formação profissional, linguística, cultural e cívica favorecem uma melhor inserção social e profissional dos migrantes na sociedade de acolhimento. Os Ministros observaram que a integração educativa das pessoas imigrantes e dos seus filhos constitui um dos domínios de integração prioritários, o que implica a promoção do seu acesso à educação obrigatória e o reforço da sua participação nos ciclos da educação não obrigatória, nomeadamente facilitando-lhes o acesso à educação universitária, o encorajamento da educação dos adultos e a abordagem da diversidade tanto na educação formal como na educação não formal. Os Ministros dão destaque às medidas destinadas a tornar efectivo o acesso aos direitos dos migrantes legalmente estabelecidos nas

7 7 sociedades de acolhimento, no que respeita os direitos económicos e sociais, culturais e cultuais, no respeito dos valores do país de acolhimento. As vantagens económicas e humanas da emigração para os países de origem Os Ministros sublinharam a importância de promover os aspectos positivos das migrações para o desenvolvimento dos países de origem dos migrantes, visando tornar possível que as transferências dos imigrados contribuam para o desenvolvimento das suas comunidades de origem, facilitando a colaboração entre o tecido financeiro dos países de origem e de destino e facilitando o investimento em projectos económica e socialmente produtivos. Os Ministros reconheceram também a contribuição importante para o desenvolvimento dos países de origem das transferências não financeiras e, em particular, a formação e as competências adquiridas ou aperfeiçoadas nas sociedades de destino. Os Ministros assinalaram que as migrações temporárias e circulares podem ser mecanismos importantes para que as pessoas imigrantes sejam agentes de desenvolvimento nas suas zonas de origem, transferindo tecnologias, culturas de emprego, aptidões empresariais e outras competências úteis para o mercado de trabalho dos países de origem. Os Ministros sublinharam a importância de que os regressos voluntários ao país sejam baseados em projectos de reintegração na comunidade

8 8 de origem, encorajando acções coordenadas entre os países de origem e os países de destino em relação ao estabelecimento de mecanismos de financiamento e de acompanhamento, e de aconselhamento sobre a implementação de projectos ligados às iniciativas de auto-emprego e de micro-empresa. Os Ministros afirmam que a cooperação bilateral e multilateral entre os países membros é essencial para tratar as questões migratórias, no quadro de uma gestão concertada, dando prioridade à formação, à cooperação operacional e à transferência de tecnologias. Afirmam, por fim, o seu compromisso de construir em conjunto uma parceria para o desenvolvimento global dos países de origem e de trânsito, e de melhoria da situação dos migrantes.

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