Relatório de uma Comissão de Serviço

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1 Ministério da Saúde INEM Relatório de uma Comissão de Serviço (3 anos: 07/10/2010 a 06/10/2013) Instituto Nacional de Emergência Médica

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3 Índice MENSAGEM DO PRESIDENTE O INSTITUTO NACIONAL DE EMERGÊNCIA MÉDICA - INEM PRINCIPAIS PROJETOS / INICIATIVAS DESENVOLVIDOS E RESULTADOS ALCANÇADOS CODU NACIONAL TETRICOSY - TELEPHONIC TRIAGE AND COUNSELING SYSTEM INTEGRAÇÃO DOS MEIOS DE EMERGÊNCIA MÉDICA PRÉ-HOSPITALAR: AS VMER E AS AMBULÂNCIAS SIV TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR DO DOENTE CRÍTICO TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR PEDIÁTRICO - TIP PARTILHA DE MEIOS AÉREOS REGISTO CLINICO ELECTRÓNICO PROGRAMA NACIONAL DAE Espaços Públicos Viaturas de Emergência Resultados DAE AS VIAS VERDES Na Vertente AVC Na Vertente Coronária Na Vertente do Trauma Na Vertente da Sépsis Grave REDE DE EMERGÊNCIA PRÉ-HOSPITALAR Rede de Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) Implementação Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) Implementação Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) Implementação Motociclos de Emergência Médica (MEM) Implementação Postos de Emergência Médica (PEM) RESUMO DA REORGANIZAÇÃO DA REDE DE EMERGÊNCIA MÉDICA NOVAS COMPETÊNCIAS DOS TÉCNICOS DE AMBULÂNCIA DE EMERGÊNCIA (TAE) Discussão, Definição do Modelo e Enquadramento Início da Formação Implementação no Terreno RESTRUTURAÇÃO DO APOIO MÉDICO A EVENTOS, ALTAS INDIVIDUALIDADES E EQUIPAS TÁTICAS FORMAÇÃO EM EMERGÊNCIA MÉDICA Cursos Modulares B-learning: Plataforma Moodle - Nova Modalidade de Aprendizagem Estratégia de Acreditação de Centros de Formação Ações de Formação Manuais da Formação RECRUTAMENTO DE RECURSOS HUMANOS ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO Reclamações Portal do INEM Facebook INEM Digital Parcerias com Órgãos de Comunicação Social SISTEMA DE GESTÃO DE STOCKS (ADAMASTOR) SGP - SISTEMA DE GESTÃO DE PROCESSOS (PAPERFREE) PORTAL DO COLABORADOR PROGRAMA INFORMÁTICO DE INDICADORES OPERACIONAIS...50 Página 2 de 120

4 2.21. REGULAMENTAÇÃO DA ATIVIDADE PROTOCOLOS DE COLABORAÇÃO RESULTADOS OPERACIONAIS ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO PARECERES DO FISCAL ÚNICO IMPLEMENTAÇÃO DO PROCESSO DE ACREDITAÇÃO CERTIFICAÇÃO ISO ARTIGOS CIENTÍFICOS PARTICIPAÇÕES EM CONGRESSOS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO/ESCLARECIMENTOS PÚBLICOS Planos de Atividades Relatórios de Atividade e Contas Quadro de Avaliação e Responsabilização (QUAR) Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República Mensagens do Presidente aos Colaboradores do INEM PRÉMIOS, MEDALHAS E LOUVORES FACTOS E NÚMEROS O ANO DE O ANO DE O ANO DE O ANO DE CONCLUSÕES...90 Anexo - Mensagens do Presidente aos Colaboradores do INEM. Página 3 de 120

5 Mensagem do Presidente A Comissão de Serviço iniciada em Outubro de 2010 e que agora termina foi, como provavelmente serão todas, desempenhada com zelo, dedicação, motivação, sentido de dever e entusiasmo. Tive (a sorte e) o privilégio de ser nomeado para um cargo para o qual me tinha vindo a preparar ao longo dos últimos anos, agregando conhecimentos e competências que poderiam, eventualmente, tornar esta minha tarefa mais fácil e mais produtiva. Juntando a isso a inestimável equipa de Conselho Diretivo (ultimamente reduzida a um único vogal), de dirigentes e de todos os colaboradores do INEM, o sucesso estava, praticamente, assegurado. Os principais resultados obtidos, abaixo descritos, poderão permitir que cada um avalie se esta equipa de Direção, apoiada por todos e por cada um dos colaboradores do INEM, esteve ou não, à altura das expectativas. Pessoalmente, mas de forma suspeita, eu tendo a achar que sim. E que, nalguns casos, até teremos, eventualmente, superado. Mas isso será ou não confirmado pelos resultados obtidos. E pela opinião de cada um. Nem tudo foi fácil. Nem tudo foi bem feito à primeira. Por vezes, nem à segunda. Nem tudo ficou concluído. Mas é certo que nunca desistimos, viramos a cara a um desafio ou deixamos de procurar fazer, em cada momento, o que nos pareceu mais certo, melhor para o cidadão e para o sistema. E nunca deixamos de pautar pelo lema que adotamos: Cada dia é uma oportunidade única e irrepetível para melhoramos. Não a desperdicemos. Este é o momento em que prestamos contas públicas pelo trabalho desenvolvido e pelos resultados alcançados. Assim entendo que deve terminar uma Comissão de Serviço. Miguel Soares de Oliveira Presidente do Conselho Diretivo do INEM, IP Página 4 de 120

6 1. O Instituto Nacional de Emergência Médica - INEM Relatório de uma Comissão de Serviço O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o organismo do Ministério da Saúde (MS) ao qual compete assegurar o funcionamento, no território de Portugal continental, de um sistema integrado de emergência médica, de forma a garantir aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a pronta e correta prestação de cuidados de saúde, designadamente através das redes de telecomunicações relativas à emergência médica, da prestação de socorro no local da ocorrência, do transporte assistido das vítimas para o hospital (unidade de saúde) adequado e da articulação entre os vários estabelecimentos hospitalares (conforme disposto na nova Lei Orgânica do INEM, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 34/2012, de 14/02, onde são igualmente definidas as suas atribuições). MISSÃO Deve sempre responder àquela que é a sua responsabilidade perante o cidadão VISÃO Deve perspetivar o futuro que é desejado para o Instituto Garantir a prestação de cuidados de emergência médica Ser uma organização inovadora, sustentável, motivadora e de referência na prestação de cuidados de emergência médica VALORES Deve transparecer os comportamentos, atitudes e decisões a assumir Competência Ter um conhecimento profundo na área de emergência médica, nos seus vários domínios Credibilidade Receber a confiança e o reconhecimento da sociedade Ética Atuar de forma íntegra, paciente e generosa Eficiência Alcançar os melhores resultados possíveis com os recursos disponíveis Qualidade Assumir um compromisso com as necessidades e expectativas dos cidadãos Página 5 de 120

7 2. Principais Projetos / Iniciativas Desenvolvidos e Resultados Alcançados 2.1. CODU Nacional Até 2011, as chamadas de emergência, depois de reencaminhadas pelas centrais 112 da PSP para os CODU, eram atendidas num dos 4 CODU, de acordo com a localização da origem da chamada. Essa separação regional do atendimento e triagem das chamadas era geradora de desperdício de recursos, de importantes diferenças regionais e de demoras desnecessárias no atendimento. As chamadas de emergência passaram a entrar numa fila de espera única a nível nacional e a serem atendidas no primeiro posto de atendimento disponível. Com efeito, em Agosto de 2011, foi criado o CODU Nacional colocando fim às diferenças regionais no atendimento das chamadas de emergência. Esta alteração veio melhorar a eficiência da gestão dos recursos disponíveis nos vários CODU, diluindo os seus picos regionais e colmatando eventuais défices momentâneos de disponibilidade local para atender e/ou regular uma chamada de emergência. Esta alteração teve um grande impacto na redução, muito significativa, dos tempos para atendimento das chamadas bem como do número das chamadas desligadas na origem. O INEM recebeu, durante o ano de 2011, 2012 e primeiro semestre de 2013, chamadas de Emergência, o que representa uma média diária de chamadas. Como resultado desta iniciativa, destaca-se: Com a alteração para CODU nacional, o INEM melhorou o tempo para atendimento (tempo que decorre entre o primeiro toque da chamada e o seu atendimento nos CODU do INEM), passando a ser de 7 segundos (até Agosto de 2011 este tempo era em média de 13 segundos) e reduziu o número de chamadas desligadas na origem. Antes do CODU Nacional, as chamadas de emergência desligadas na origem eram, em média cerca de 3,5% do total de chamadas de emergência recebidas. Com a alteração para CODU Nacional este indicador melhorou consideravelmente estando atualmente nos 2%. Página 6 de 120

8 Conseguiu ainda otimizar o número de operadores disponíveis por turno, respondendo às necessidades gerais nacionais. Os CODU do INEM dispõe ainda de um serviço de call back que permite aos operadores voltarem a ligar para as pessoas que contactaram o CODU e cuja chamada por algum motivo não tenha sido atendida TETRICOSY - TElephonic TRIage and COunseling System. A triagem médica de emergência é efetuada por operadores de CODU com qualificação especifica que garantem rapidez no tratamento da informação e na decisão de priorizar os doentes com base nas informações por estes prestadas. No entanto, realizada sem suporte em algoritmos fica dependente da subjetividade de cada um e do maior ou menor conhecimento que disponham sobre aquela matéria em concreto. A triagem é, desde maio de 2012, realizada através da aplicação TETRICOSY - TElephonic TRIage and COunseling System, desenvolvida de raiz pelo INEM e com algoritmos criados especificamente pelo INEM para este fim. Estes algoritmos de triagem médica, estruturantes, permitem a estandardização de procedimentos, ganhos de eficácia e segurança da triagem e, não menos importante, encurtamento do tempo do acionamento do meio de emergência médica. Feitos e aprovados por médicos, constituem um ato de delegação médica seguro e eficaz. Este novo Sistema de Triagem Médica Telefónica de Emergência, Aconselhamento Médico e Acionamento de Meios de Socorro foi validado pelo Colégio da Competência em Emergência Médica da Ordem dos Médicos. Está registado, com direitos de autor, na Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC) e aguarda confirmação de aceitação do pedido de registo de patente solicitada ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Como resultados imediatos deste projeto, destacam-se: Página 7 de 120

9 A significativa melhoria dos tempos de triagem e despacho: sendo atualmente (mediana) de 30 segundos e 01:30 segundos, respetivamente, bem como uma melhoria significativa nas reclamações relacionadas com a falta de assistência com culpa atribuída ao INEM, que reduziram de 19% para 8%. O fluxo de perguntas e respostas que integram os algoritmos de triagem permite definir a gravidade da situação e determina a decisão do envio de meios de emergência, bem como qual a sua tipologia/diferenciação. São enviados meios quando exista uma situação de risco de vida ou esteja em causa uma função vital da vítima. Redução da aleatoriedade de algumas decisões. Standardização dos aconselhamentos médicos telefónicos. Este sistema aumentou o número global de acionamentos. Sendo um sistema de algoritmos que constituem uma delegação médica, são protetores dos interesses do cidadão e assentam numa lógica de na dúvida, os meios devem ser acionados. Os falsos-positivos que lhe estão associados (envio de meios que afinal não seriam necessários) são inerentes a esta lógica e o custo para não ter falsos-negativos (situações em que seria necessário enviar meios de emergência mas que não foi identificado como tal). Estes fluxos/algoritmos estão em constante revisão por uma equipa de peritos, por forma a otimizalos, e as propostas de alteração são, sempre que justificadas, assumidas e homologadas pelo Presidente do INEM, simultaneamente autor deste sistema. Com o objetivo de proporcionar a melhoria da qualidade de atendimento, através da otimização dos recursos existentes no Serviço Nacional de Saúde e garantir a acessibilidade do utente ao organismo mais competente para prestar o serviço pretendido em cada momento, em 2012, foi ainda concluído o procedimento relacionado com as chamadas não emergentes. Com a entrada em funcionamento do Serviço Saúde 24, o INEM passou a transferir para aquele serviço um conjunto de chamadas catalogadas como não emergentes, ou seja, chamadas cujo resultado de triagem não resulte no envio de meios de emergência, na transferência da chamada especifica para o CIAV ou para o CAPIC. Este procedimento foi o culminar de uma situação há muito defendida pela Direção Geral de Saúde e pela Operadora Saúde 24. Face à avaliação da colaboração que foi desenvolvida entre aquele Serviço e o INEM, foi considerada a necessidade de dar um novo passo, tendo sido protocolado com a Página 8 de 120

10 Direcção-Geral da Saúde, um Memorando de articulação entre a linha Saúde 24 da DGS e a linha de Emergência Médica do INEM, que entrou em pleno desenvolvimento em Janeiro de Destaca-se como resultados desta iniciativa: Permitiu, alocar os recursos do INEM naquilo que é efetivamente urgente/emergente, passando para terceiros ( Saúde 24 ) o que não o é. Este procedimento permite, na prática, concretizar uma medida de downscoping, focando o INEM os seus recursos naquilo que é efetivamente urgente/emergente. O INEM transferiu, durante o ano de 2012, chamadas para a Saúde 24. E, no primeiro semestre de 2013, Integração dos Meios de Emergência Médica Pré-Hospitalar: as VMER e as Ambulâncias SIV Tendo em consideração a formação específica dos profissionais de saúde das VMER e/ou das SIV, agregada à experiência no socorro pré-hospitalar; a necessária manutenção das suas competências técnicas de elevado grau de complexidade e especificidade; a margem potencial de ganhos de eficiência de gestão destes recursos, tanto nos serviços de urgência como no pré-hospitalar, entendeu-se que os profissionais de saúde dos meios INEM, poderiam constituir um importante contributo na consolidação das equipas dos serviços de urgência, garantindo uma capacidade de resposta acrescida e mais adequada às necessidades dos utentes emergentes. Foi neste contexto que em 2011, corroborado pelo Despacho n.º 14898/2011, de 3/11 o INEM iniciou o processo de integração dos Meios de Emergência Médica pré-hospitalares (as VMER e as ambulâncias SIV) na rede de serviços de urgência, o que permitiu a sua gestão conjunta por parte do INEM e de Serviços de Urgência. A partilha de recursos entre o INEM e os Serviços de Urgência, potencia sinergias com os recursos humanos e materiais existentes nestes dois serviços. Por outro lado, até 2011, as SIV eram financiadas a 100% pelo INEM e as VMER eram financiadas a 100% pelos Hospitais onde estavam sedeadas. A partilha de recursos permitiu rever também o modelo de financiamento em vigor e iniciar uma partilha igualmente uma partilha de Página 9 de 120

11 responsabilidades financeiras, com ganhos para todos os envolvidos, para o sistema e, principalmente, para o cidadão. Como resultados desta integração destacam-se: Ganhos de eficiência dos meios, melhoria da manutenção das competências técnicas dos profissionais que asseguram uma perfeita ligação entre o pré e o intra-hospitalar, garantindo não só a capacidade de resposta das equipas de emergência na vertente do pré-hospitalar nas localidades onde estão inseridas, mas também uma intervenção ativa e significativa nos Serviços de Urgência. Aumento da formação ministrada a Médicos e Enfermeiros dos serviços de Urgência, para atividade nas VMER e SIV. Ganhos para o sistema, uma vez que foi criada capacidade para realizar o transporte de doentes críticos com qualidade e segurança ("Recomendações de Transporte de Doente Critico" publicadas pela Ordem dos Médicos e Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos), sem acréscimo de recursos. Maior eficiência na gestão dos recursos humanos com redução do custo com horas extraordinárias pagas aos profissionais. Criação de uma fonte de financiamento para os Hospitais com VMER integrada, que até então suportavam todos os encargos com essa atividade. Definido um modelo tipo para integração. Publicado o Despacho nº 14898/2011, de 3 de Novembro. Realizada uma primeira auditoria, com visitas a todos os meios integrados, bastante satisfatória, com cerca de 90 % das equipas de Coordenação das VMER e SIV, e dos seus profissionais com um olhar sobre a integração com ganhos de eficiência e eficácia e ainda importante para o apoio ao transporte de doentes críticos Redução significativa da inoperacionalidade das VMER Esta parceria permite uma otimização na gestão dos recursos, na medida em que potencia o seu desenvolvimento técnico e permitem uma partilha de responsabilidades financeiras, como é comprovado pelos locais onde tal integração já se encontra concretizada, bem como dão corpo a uma rede organizada de efetivação do transporte do doente crítico, até então inexistente. Página 10 de 120

12 Atualmente estão integrados 81% das VMER e 86% das SIV: Delegação Regional N.º VMER Integradas Relatório de uma Comissão de Serviço % de VMER integradas Por Integrar Norte % 3 Centro % 1 Sul % 4 Total % 8 Delegação Regional N.º SIV Integradas Não Integráveis % de SIV integradas 1 Por Integrar Norte * 83% 3 Centro % 2 Sul % 0 Total % 5 * Porto (Gondomar), Valença, Arcos de Valdevez, por não se encontram em SUB Este processo contribuiu para reduzir a inoperacionalidade dos meios mais diferenciados de forma significativa, conforme se demonstra pelo gráfico abaixo. Importa conseguir avançar para um modelo em que os operacionais de abordagem ao doente critico constituam um grupo alargado de profissionais de um Serviço de Urgência, em modelo de equipas fixas ou misto, com capacidade de criação de redundância e backup em todas as atividades relacionadas com a abordagem do doente critico, sejam as mesmas pré-hospitalares, intrahospitalares ou inter-hospitalares. 1 Sobre as SIV integráveis. Página 11 de 120

13 2.4. Transporte Inter-Hospitalar do Doente Crítico Relatório de uma Comissão de Serviço O Transporte Inter-Hospitalar do Doente Crítico (TIDC) veio promover a resposta integrada ao doente urgente/emergente, potenciando a adequação do transporte inter-hospitalar e assumindo a responsabilidade nacional do planeamento estratégico, coordenação e efetivação deste transporte. A formação específica agregada à experiência no socorro pré hospitalar e à existência prévia de sistemas de transportes inter-hospitalares de doentes críticos no INEM (recém-nascidos de Alto Risco e Helitransporte), bem-sucedidos, potenciaram a adoção de um modelo de transporte assumido pelo INEM, aproveitando e promovendo a experiência e a sua capacidade instalada. Procurando obter ganhos de eficiência de gestão, tanto nos serviços de urgência como no pré-hospitalar, decidiu-se avançar com a implementação de um modelo de base nos Serviços de Urgência, utilizando as equipas de profissionais de saúde das viaturas de emergência, com competências em doente crítico. Os profissionais de saúde dos meios INEM passaram a constituir um importante contributo na constituição/consolidação das equipas dos serviços de urgência, garantindo uma capacidade de resposta acrescida e adequada às necessidades dos utentes O Transporte Inter-Hospitalar do Doente Crítico veio permitir um nível assistencial superior, para o doente grave admitido num SU, com necessidade de realizar exames complementares de diagnóstico e/ou terapêutica, não realizáveis no serviço onde o doente se encontra, e, como tal, necessitando de transporte urgente para outra unidade de saúde, após ponderação dos potenciais benefícios em detrimento dos riscos efetivos. Para minimizar os riscos, é fundamental um planeamento cuidadoso, ter uma equipa preparada, material e meios de transporte apropriados. Como resultados desta iniciativa destacam-se: Criação de um dispositivo, de base no SU, com recursos partilhados entre este e o INEM, que responde a uma necessidade do sistema: planeamento, coordenação e efetivação do transporte inter-hospitalar de doentes críticos Ganhos com o transporte realizado em segurança com redução da morbilidade e dos custos associados (menos dias de internamento). Redução de custos com equipas de transporte e de reforço nos SU. Rentabilização dos recursos humanos com competências em Emergência Médica e Abordagem de Doente Critico. Página 12 de 120

14 Rentabilização de uma rede integrada de VMER/SIV no TIDC. Sinergias com unidades de saúde. Continuidade de cuidados: pré, intra e inter-hospitalar. Relatório de uma Comissão de Serviço No ano de 2012 foram já realizados transportes secundários com apoio da equipa das SIV. Entre janeiro e agosto de 2013, foram realizados transportes secundários com apoio da equipa das SIV. Comparando períodos homólogos, em 2013 registou-se um aumento de 85%, face ao ano N.º Transportes Secundários - SIV Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Entre janeiro e agosto de 2013, foram realizados 858 transportes secundários com apoio da equipa das VMER. N.º Transportes Secundários - VMER Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Página 13 de 120

15 2.5. Transporte Inter-Hospitalar Pediátrico - TIP O INEM tinha desde a década de 80 um sistema de transporte de recém-nascidos de alto risco, com três unidades. A boa experiência iniciada na região Centro de alargamento do sistema à idade pediátrica, associada às necessidades de ganhos de eficácia e eficiência deste subsistema ditaram a implementação a nível nacional de um modelo que respondesse de maneira uniforme e com qualidade a todas as necessidades de transporte de doentes críticos até aos 18 anos de idade. Em 2011 deu-se início ao TIP do Norte e em janeiro de 2012 foi alargado à região Sul. Para além disso era importante alargar a esta atividade o modelo de equipas integradas na Unidade de Saúde, participando nas atividades onde as suas competências constituam uma inequívoca maisvalia e partilhando responsabilidades financeiras entre o INEM e a Instituição de Saúde onde estão sedeadas. Estas equipas funcionam atualmente em modelo integrado na unidade de saúde de origem, colaborando na atividade do Serviço de Urgência e/ou Unidades de Cuidados Intensivos, obtendo-se maior eficiência e diminuição de desperdício. Em 2013, através do Despacho n.º 4651/2013, de 03/04 toda a atividade relacionada com este tipo de transporte passou a estar regulamentada. Como resultados desta iniciativa, destacam-se: Melhoria das práticas clínicas. Partilha de recursos e de responsabilidades financeiras entre as Instituições envolvidas, com aproveitamento de sinergias. Aumento da eficácia do sistema, alargando o acesso ao Transporte de Doente Critico até aos 18 anos. Melhoria da gestão dos recursos humanos, uma vez que a integração nas unidades de cuidados intensivos permite obter diminuição de custos, aumentar a eficiência, diminuir o desperdício e potenciar a formação. Criação de equipas altamente diferenciadas em transporte pediátrico de doente crítico em todas as idades, em todas as regiões. Redução de custos com equipas especializadas. Página 14 de 120

16 2.6. Partilha de Meios Aéreos Considerando: que o INEM tem necessidade de alugar helicópteros para missões de emergência médica; que esse aluguer é dispendioso; e que os meios que compõem o dispositivo próprio e permanente do Ministério da Administração Interna (MAI) podem desempenhar missões de socorro e assistência aos cidadãos no âmbito da emergência médica. O Ministério da Saúde (MS) e o MAI decidiram por uma utilização conjunta e sinérgica dos mesmos. Foi neste contexto que em Julho de 2012 foi publicada a Resolução do Conselho de Ministros n.º 55/2012 de 4/07, que vem promover a partilha entre MS e o MAI, procurando maximizar a utilização conjunta dos meios aéreos do Estado e reduzir custos. Em setembro de 2012 foi assinado um Protocolo de Cooperação Técnica e Operacional para Helitransporte de Emergência Médica entre o INEM, a EMA (Empresa de Meios Aéreos S.A.) e a ANPC (Autoridade Nacional de Proteção Civil), que regulamenta os termos da partilha dos meios aéreos do MAI. A partilha do dispositivo de helicópteros de emergência médica entrou em pleno funcionamento a 1 de Novembro de 2012, com as seguintes configurações: Durante a fase Charlie de combate aos incêndios florestais (1 de junho a 30 de setembro), quatro helicópteros ligeiros do INEM com equipas médicas. Nos restantes meses do ano, cinco helicópteros com equipas médicas: dois helicópteros KAMOV e três helicópteros ligeiros do INEM. Para além destas aeronaves está disponível um helicóptero Eurocopter AS-350B3 Ecureuil, em Ponte de Sor (Distrito de Portalegre), este sem equipa médica, exceto na fase Charlie. Refira se ainda que, para além destes meios, o INEM poderá ainda utilizar outras aeronaves que a Proteção Civil tenha em utilização, numa verdadeira partilha de meios. Página 15 de 120

17 Em dezembro de 2012, o INEM deu a conhecer, em relatório publicado na página da internet - os resultados desta atividade. Em maio de 2013, decorridos 6 meses (de novembro de 2012 a abril de 2013), foram dados a conhecer os novos resultados desta atividade, também eles publicados na página da internet, onde se confirma a complementaridade das aeronaves do MAI com os três helicópteros do INEM. Com efeito, conforme se pode verificar através da informação prestada, estes helicópteros estão a dar uma excelente resposta e apoio nas missões de socorro e assistência às populações, no âmbito da emergência médica. Na atual distribuição geográfica evidencia-se os benefícios para as regiões Centro e Alentejo melhorando, desta forma, a cobertura de todo o território continental com capacidade de evacuação aérea rápida desta população. Distribuição Geográfica Atual 2 2 O helicóptero sediado em Macedo de Cavaleiros deveria ter sido transferido para Vila Real, em outubro de 2012, o que ainda não aconteceu devido a uma Providência Cautelar dos Municípios de Bragança. Página 16 de 120

18 Destaca-se como resultados alcançados: A atividade dos Helicópteros tem sido monitorizada numa base diária e, da análise feita aos resultados apurados durante estes seis meses, constata-se, desde logo, que continuam a funcionar em perfeita articulação, permitindo um acesso, de forma muito célere, a tratamentos mais adequados. Todas as aeronaves utilizadas cumpriram com sucesso os serviços para os quais foram acionados e os helicópteros do MAI revelaram se um excelente complemento ao dispositivo fixo e permanente de meios aéreos do INEM. Desde o passado dia 1 de novembro de 2012 e em 9 meses de atividade de partilha que os helicópteros afetos a missões de socorro e assistência aos cidadãos, no âmbito da emergência médica, foram acionados por 761 vezes. De salientar que, durante este período, as aeronaves KAMOV aterraram, sem dificuldade, em vários heliportos tendo realizado 37% do total das missões. Destaca-se, ainda, que 45% das missões primárias foram realizadas por estes helicópteros (com 132 transportes realizados) e 31% missões secundárias (145 transportes realizados) e ainda, 8 transporte de órgãos para transplantação. O Kamov de Santa Comba realizou 28% das missões primárias (212 missões). O Eurocopter AS-350B3 Ecureuil, estacionado em Ponte de Sor, efetuou 2 missões de emergência médica. De referir, ainda, que com esta partilha de meios aéreos, o INEM conseguirá obter uma redução de custos de 2 milhões de euros, que serão aplicados na continuidade do crescimento do Instituto, com a abertura de novos meios, substituição de ambulâncias e viaturas médicas, investimentos em novas tecnologias, entre outros projetos. Face a estes resultados, o INEM vê confirmada a aposta numa reorganização dos meios aéreos com base na partilha de recursos com rentabilização de meios e recursos. Recorde-se que o serviço de Helicópteros de Emergência Médica foi criado pelo INEM em 1997 inicialmente, apenas, com dois helicópteros (um, sediado no Porto, e outro em Lisboa) e, em Abril de 2010, três novos helicópteros vieram reforçar o dispositivo, cuja distribuição geográfica visou dar uma resposta complementar de meios no território continental nacional. Ou seja, apenas há cerca de 3 anos é que o INEM passou a assentar o seu sistema na existência de 5 helicópteros dedicados à Emergência Médica extra-hospitalar e ao transporte secundário de doentes críticos. Página 17 de 120

19 Este novo paradigma de partilha com o MAI, bem-sucedida, poderá, eventualmente, ser alargado a outras atividades, nomeadamente na operacionalização conjunta das centrais de emergência, otimizando os recursos existentes e aproveitando sinergias técnicas, operacionais e de estrutura entre as diversas entidades Registo Clinico Electrónico Importa esclarecer que, apesar de desenvolvidos todos os esforços, para o bom desempenho da anterior ferramenta adquirida em 2007 o Mobile Clinic (que, aliás, entretanto foi alvo de uma revisão/remodelação), a avaliação continuada feita ao seu funcionamento foi demonstrativa da ineficácia desta ferramenta, que se revelou intransponível apesar dos múltiplos esforços realizados. Com efeito, a aplicação informática do Registo Clinico Electrónico cujo resultado de implementação, deveria proporcionar ganhos potenciais e inequívocos da sua utilização, veio a revelar-se aquém das expectativas. Ora, demonstrado que estava a inoperacionalidade deste equipamento que apresentava demasiadas deficiências e que na prática se traduziam na impossibilidade de se efetuar o registo clínico, o INEM decidiu abandonar a implementação desta ferramenta substituindo-a por uma nova o I CARE (Integrated Clinical Ambulance REcord), totalmente desenvolvida pelos colaboradores técnicos do INEM. Nesta data, está em curso a implementação desta nova solução de software, destinado a apoiar a prestação de serviços por parte de profissionais de saúde e que permite um melhor acesso a informação e personalização de cuidados numa ótica dos clientes/doentes. O I CARE permitirá maior qualidade no atendimento da vítima e melhoria dos tempos de resposta. Os tripulantes das ambulâncias recebem automaticamente dos CODU as informações dos eventos, sem tempo consumido ao telefone e enviam em tempo real para as unidades de saúde. Existe igualmente uniformização de conteúdos e possibilidade de guardar a informação para tratamento estatístico. Página 18 de 120

20 Para além do desenvolvimento do registo clinico electrónico ( I CARE ), está em curso a integração do histórico clinico na ficha clinica electrónica e da otimização da sua integração com os Serviços de Urgência que permitirá aceder ao histórico de cada utente. Desta forma o operacional INEM conseguirá melhor conhecer a história clinica do doente, ajudando-o na abordagem do novo episódio em curso Programa Nacional DAE Na sequência da publicação do Decreto-Lei 188/2009, de 12/08, que veio incumbir o INEM de regular a atividade de Desfibrilhação Automática Externa (DAE) por não médicos, em ambiente extra-hospitalar, no âmbito do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), mas também em Espaços Públicos, o INEM definiu e iniciou a implementação do Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa - PNDAE (aprovação pelo Conselho Diretivo a 15/12/2010) com o objetivo do desenvolvimento de uma rede de desfibrilhação automática externa com o seguinte conteúdo: Forma de integração das atividades de DAE na cadeia de sobrevivência. Definição dos conteúdos do curso de formação específico de que depende a certificação dos operacionais de DAE. Definição das prioridades e critérios técnicos da respetiva implementação. Definição do funcionamento dos mecanismos de monitorização e de auditoria, no âmbito da DAE desenvolvida pelas entidades licenciadas. Assim, indo ao encontro da sua missão - garantir aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a pronta e correta prestação de cuidados de saúde - o INEM apostou na melhoraria da taxa de sobrevivência de pessoas que sofrem de morte súbita cardíaca, ampliando o Programa Nacional da Desfibrilhação Automática Externa (DAE), nos meios INEM e em Espaços Públicos. Esta aposta visou aproximar o DAE e as competências necessárias à sua utilização, de toda a população, por forma a melhorar a possibilidade de sobrevivência após uma paragem cardiorrespiratória. Teve, por isso, que assentar em dois grandes eixos de intervenção: DAE nas viaturas de emergência e DAE nos Espaços públicos Página 19 de 120

21 Espaços Públicos Em agosto de 2012, o Governo, em Conselho de Ministros, aprovou um diploma que torna obrigatória a instalação de equipamentos de DAE em locais de acesso público, aprofundando assim o Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa - PNDAE (Decreto-Lei n. 184/2012, de 8 de agosto). Ficaram assim abrangidos por esta medida os estabelecimentos de comércio e conjuntos comerciais de dimensão relevante, aeroportos, portos comerciais, estações ferroviárias ou de camionagem com fluxo médio de passageiros e recintos desportivos, de lazer e de recreio com lotação superior a pessoas. Fruto da promoção que o INEM tem vindo a fazer da sua importância e desta recente legislação, várias Instituições privadas e/ou públicas, legitimamente preocupadas em melhorar a resposta a dar a eventuais casos de Paragem Cardiorrespiratória, adquiriram equipamentos de DAE para os colocarem nas suas instalações ou nos seus veículos, tendo submetido, ao INEM, os correspondentes processos de licenciamento. A constatação da implementação desta melhoria pode ser aferida pelos indicadores apresentados no quadro abaixo, implementados de novo, ao longo dos anos, relativos ao Programa de DAE em Locais de Acesso Público (note-se o forte impulso dado por este Conselho Diretivo): /2013 Total N.º novos programas de DAE licenciados N.º novos equipamentos de DAE N.º novos espaços públicos com DAE N.º de novos operacionais de DAE Viaturas de Emergência Entendendo-se que o DAE e as competências necessárias à sua utilização devem estar junto da população que deles possa necessitar, decidiu-se alargar rapidamente a rede de DAE a todas as ambulâncias de emergência. Durante o ano de 2011, teve inicio o alargamento da Rede de Desfibrilhação Automática Externa às Corporações de Bombeiros, reforçando-se a parceria estratégica com os nossos parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica. Com esta iniciativa Página 20 de 120

22 o INEM alargou o acesso do cidadão ao DAE, dotando os meios mais próximos dos cidadãos (ambulâncias dos bombeiros) com capacidade de intervenção nesta importante área da emergência médica. A 6 de outubro de 2013, todas as Ambulâncias de Emergência e de Socorro, tem DAE, num total de * 90 * Meios próprios do INEM (SBV) 2010 Jan-11 Abr-11 Dez Out Resultados DAE A constatação da implementação desta melhoria pode ser aferida pelos resultados abaixo identificados. Com efeito, estes aparelhos, que emitem uma descarga elétrica, permitiram em situações de paragem cardiorrespiratória, a recuperação dos sinais vitais dos pacientes devolvendo a atividade elétrica ao coração. De referir que desde janeiro de 2013, o INEM implementou um novo procedimento de articulação com os Hospitais que se traduz na partilha de informação numa base mensal para follow-up dos doentes até à data da alta hospitalar, a quem foi administrado um choque no pré-hospitalar. Entre janeiro e agosto de 2013, foram registados utilizações de DAE. Considerando toda a cadeia de sobrevivência, o n.º de casos com recuperação de circulação espontânea (ROSC), para este Página 21 de 120

23 mesmo período foi de 449, o que representa que foram revertidas 2 paragens cardiorrespiratórias por dia, com recuperação da circulação (ou seja, foram ressuscitadas 2 pessoas/dia). Número de casos ROSC, em toda a cadeia de sobrevivência janeiro a agosto de 2013 ALTAS AINDA Informação não TOTAL ÓBITO HOSPITALARES INTERNADOS disponível CASOS As Vias Verdes O INEM possui um conjunto de subsistemas para atender a necessidades específicas na área da emergência médica, entre elas as Vias Verdes (VV) na sua fase pré-hospitalar. As Vias Verdes são estratégias organizadas que visam a melhoria da acessibilidade dos doentes na fase aguda das doenças, aos cuidados médicos mais adequados, proporcionando um diagnóstico e tratamento mais eficazes. Além disso, atuam numa abordagem de encaminhamento e tratamento mais adequado, planeado e expedito, nas fases pré, intra e inter-hospitalares, de situações clínicas mais frequentes e/ou graves que importam ser especialmente valorizadas pela sua importância para a saúde das populações e pela relação direta (inversa) existente entre tempo decorrido desde o início dos sintomas / problemas e prognóstico. Neste sentido, as Vias Verdes são essenciais não só para melhorar as acessibilidades como para permitir os tratamentos mais eficazes, dado que o fator tempo, entre o início de sintomas e o diagnóstico/tratamento é fundamental para a redução de mortalidade e das sequelas. Página 22 de 120

24 Na Vertente AVC O Programa Via Verde do Acidente Vascular Cerebral do INEM, tem por objetivo orientar os doentes com sinais e sintomas de AVC para o hospital adequado onde o diagnóstico será confirmado e o tratamento efetuado. O INEM participa na correta orientação destes doentes, incrementa a sua participação no transporte inter-hospitalar, nomeadamente através das equipas das VMER e/ou das SIV, no seu modelo integrado no SU. Durante os 3 anos da Comissão de Serviço, o Conselho Diretivo deu continuidade à sua participação crescente da Instituição na referenciação destes doentes tendo registado, uma média, 250 ocorrências da Via Verde do AVC por mês nos anos de 2011 e 2012, superior em cerca de 20% face aos três anos anteriores (2008 a 2010). Em 2013, entre janeiro e agosto o aumento foi ainda maior (cerca de 43% face aos anos de 2008 a 2010) tendo-se registado uma média mensal de 293 ocorrência por mês. Evolução do N.º de Registos Via Verde do AVC Página 23 de 120

25 Na Vertente Coronária A Via Verde Coronária pressupõe a identificação precoce de uma situação de enfarte agudo do miocárdio e o seu transporte célere até ao local mais próximo disponível com capacidade para realizar a desobstrução mecânica da oclusão arterial. O INEM tem hoje capacidade de diagnóstico clínico e electrocardiográfico destas situações em todos os seus meios VMER e SIV, com possibilidade de envio informático desses dados para as Unidades de Saúde definidas como centros Coronários. Durante os 3 anos da Comissão de Serviço, foi promovida pelo Conselho Diretivo a melhoria da articulação entre a emergência pré-hospitalar e os Centros Coronários, no sentido de aumentar a eficácia desta Via Verde e, dessa forma, o número de doentes com enfarte agudo submetidos a desobstrução mecânica primária. Também durante este últimos 3 anos foi incrementada a sua participação no transporte interhospitalar destes doentes, nomeadamente através das equipas das VMER e/ou das SIV, no seu modelo integrado no SU. A partir de janeiro de 2013 foi possível obter dados estatísticos deste tipo de ocorrência tendo-se registado entre janeiro e agosto um total de 458 casos, o que representa uma média de 57 situações por mês. Num estudo realizado pela iniciativa Stent for Life, que tem por objetivo melhorar o acesso dos doentes à terapêutica mais eficaz para o enfarte agudo do miocárdio, a angioplastia primária, verificou-se um aumento do encaminhamento direto pelo INEM para os Centros de Intervenção Coronária Percutânea (13% vs 37%, p <0.001), tendo-se registado uma redução significativa no tempo de atendimento (118 min. no momento da implementação do Stent for Life (2011) vs 102 min., um ano após a implementação da iniciativa (2012), p=0.008) Na Vertente do Trauma À semelhança do que já sucede com as Vias Verdes AVC e Coronária, a Via Verde do Trauma define os procedimentos a seguir quando são recebidas vítimas de trauma nas urgências dos hospitais. Este Página 24 de 120

26 procedimento nasce da necessidade reconhecida de melhorar a resposta hospitalar às vítimas deste tipo de patologia, através da identificação precoce de sinais de alarme, do conhecimento dos mecanismos de pedido de ajuda, da sistematização das primeiras atitudes de socorro e da definição do encaminhamento para a instituição mais adequada e com melhores condições de tratamento definitivo. De acordo com a revisão da rede de SU, o INEM definiu, com os Centros de Trauma que venham a ser constituídos para o efeito, protocolos de referenciação de doentes traumatizados graves, no sentido de fazer bypass a pontos da rede de SU que não sejam os mais adequados para determinados doentes, fazendo chegar o doente certo ao local certo, no mais curto espaço de tempo possível (conceito de Via Verde) Na Vertente da Sépsis Grave A Via Verde da Sépsis visa implementar, em todos os Serviços de Urgência do Serviço Nacional de Saúde um protocolo de identificação rápida e inicio imediato de medidas terapêuticas a todos os doentes com Sépsis grave. De acordo com a Circular Normativa nº 01/DQS/DQCO, da DGS, de 06 de Janeiro de 2010, A implementação de um protocolo terapêutico de Sépsis permite, não só diminuir a morbilidade e a mortalidade associadas a esta patologia, mas, também, uma redução substancial dos custos para as instituições. Uma implementação alargada destes protocolos terapêuticos representa um meio potencial para a melhoria da utilização dos recursos existentes, com contenção simultânea dos custos. Atualmente, porque é cientificamente aceite que uma intervenção precoce e adequada, tanto em termos de antibioterapia como de suporte hemodinâmico, pode melhorar significativamente o prognóstico dos doentes com Sépsis grave e choque séptico, é imperativa a implementação de mecanismos organizacionais que permitam a sua rápida identificação e instituição atempada de terapêutica otimizada. Página 25 de 120

27 O INEM implementou a Via Verde da Sépsis no contexto extra-hospitalar, de forma a identificar mais precocemente doentes com Sépsis grave e proceder à sua estabilização inicial e encaminhamento para os centros de tratamento adequados, criados ao abrigo da referida norma da DGS Rede de Emergência Pré-Hospitalar A rede de viaturas de emergência pré-hospitalar existe há vários anos e tem sofrido várias alterações ao longo dos tempos, com particular incidência nos últimos 10 anos, tendo-se registado um forte aumento da sua quantidade, bem como a criação de novas viaturas e de novos conceitos (ambulância SIV, motociclo de emergência e mesmo a própria ambulância de emergência do INEM). Importava olhar para o percurso percorrido, para a realidade existente e para o contexto em que nos encontrávamos, por forma a procurar redefinir esta Rede com o objetivo de maximizar a sua eficiência e a sua eficácia na prestação de cuidados de emergência à população. Ao longo dos 3 anos da Comissão de Serviço, tem sido realizada a avaliação e redefinição contínuas da rede de emergência pré-hospitalar. Numa lógica de melhoria contínua, nomeadamente da acessibilidade, eficácia, eficiência e qualidade do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), num modelo consistente e sustentável, o INEM desenvolveu um conjunto de análises e documentos técnicos, com a colaboração de peritos e de parceiros do SIEM (ANPC, Liga de Bombeiros Portugueses), que foram remetidos à Comissão Reavaliação Rede Nacional Emergência e Urgência (CRRNEU), no âmbito das suas atribuições. O planeamento de implementação dos Meios teve em linha de conta documentos estruturantes, como seja: O Relatório Final da CRRNEU, referente à rede de emergência pré-hospitalar que teve como base os documentos técnicos do INEM. A Proposta Conjunta da Comissão Técnica de Controlo das Bases Gerais para o Acordo de Cooperação entre INEM, Liga dos Bombeiros Portugueses e Autoridade Nacional de Proteção Civil sobre a Rede Nacional de Ambulâncias de Socorro. As recomendações/sugestões do Relatório n.º 47/2010 de Auditoria de resultados ao INEM do Tribunal de Contas Página 26 de 120

28 Foram tidos como pressupostos na garantia de concretização do planeamento da rede de Meios de Emergência Pré-Hospitalar: O cumprimento das orientações emanadas nos Despachos do SEAMS nº 14898/2011, de 03/11 e no nº 13794/2012, de 24/10. A manutenção da coerência do SIEM, resistindo à tentação de utilizar recursos da rede préhospitalar como medida compensatória e não de complementaridade no âmbito da rede de emergência. A correção de medidas compensatórias anteriormente assumidas, que colocaram meios de emergência pré-hospitalar em locais onde a sua tipologia não se justificava nem pela casuística, nem pela redundância. A utilização das atribuições do INEM assumidas na nova lei orgânica para dinamizar a implementação das recomendações que focam: integração e articulação do Sistema Integrado de Emergência Médica, referenciação entre níveis de responsabilidade na rede, Vias Verdes e formação em emergência médica. O planeamento e programação na implementação da reestruturação com participação regional mas com enquadramento nacional, pois é esse o âmbito do INEM Rede de Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) A rede das Viaturas de Emergência Médica (VMER), que conta à data com 42 viaturas, está já madura, equilibrada e bem distribuída geograficamente. O desafio durante este período foi o de a tornar sustentável financeiramente para todos os envolvidos, assegurar a sua operacionalidade num momento de défice (absoluto e/ou relativo) de médicos e garantir a sua participação coerente no global da rede de viaturas de emergência. A integração das equipas das VMER nos Serviços de Urgência veio resolver as principais dificuldades/ameaças acima identificadas e ainda criar capacidade para colocar estes recursos disponíveis para participarem no transporte inter-hospitalar do doente crítico. A redefinição do papel das SIV e sua reorganização geográfica, bem como os Despachos publicados sobre a atividade de emergência pré-hospitalar asseguraram a coerência do todo e garantiram a Página 27 de 120

29 continuidade da Rede VMER, com médico e enfermeiro, como o meio mais diferenciado a existir no SIEM Implementação Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) As ambulâncias SIV passaram a fazer parte dos meios do INEM em outubro de A sua missão no SIEM não era muito clara e a sua atividade incidia, de forma indiscriminada, sobre situações pouco graves e situações de extrema gravidade e complexidade, aleatoriamente. Para além disso não existia uma lógica nacional de implementação destes meios em articulação com a base de serviços de urgência. Em 2011 definiu-se que a missão destes meios, tripulados por Enfermeiro e Técnico, era a de complementarem a Rede de Viaturas Médicas, em localizações geográficas distintas e, tal como estas, dedicarem-se exclusivamente aos casos graves, maximizando a utilização das competências dos seus profissionais e equipamentos disponíveis. Para além disso, definiu-se a sua integração e articulação com os Serviços de Urgência Básicos. Implementaram-se, durante estes 3 anos, 8 SIV em regiões distantes dos grandes centros, melhorando desta forma o acesso a cuidados diferenciados das populações desfavorecidas. Atualmente a população tem ao seu dispor 37 meios deste tipo. Estão programadas para 2013 e 2014 a abertura de ainda mais ambulâncias desta tipologia, nos Serviços de Urgência Básicos Página 28 de 120

30 Implementação Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) A reorganização dos meios que o INEM tem vindo a implementar, tem por objetivo assegurar uma melhor cobertura de meios de emergência pré-hospitalar no território de Portugal continental. Evitando duplicações de meios e desperdícios subsequentes em algumas zonas. Para a concretização destas alterações o INEM analisou e produziu documentos técnicos, com a colaboração de peritos e de parceiros do SIEM (Autoridade Nacional de Proteção Civil e Liga de Bombeiros Portugueses), os quais foram também analisados pela Comissão de Reavaliação da Rede Nacional Emergência e Urgência. Como resultado final dessa análise e discussão, iniciou-se um processo de encerramento de ambulâncias de baixa casuística, nos locais onde já existia ou passou a existir um Posto de Emergência Médica do INEM, com capacidade para responder às solicitações, e o reforço de ambulâncias com esta tipologia em grandes centros ou locais de elevada casuística. Entendemos que em todos os locais que consumam cerca de 10 saídas/dia deverá ser implementado um meio desta natureza, para além das localidades com VMER. Estas viaturas, com a sua tripulação e equipamento, complementaram a rede de meios de suporte avançado existente. A sua distribuição geográfica responde às grandes necessidades de meios nos principais centros urbanos e ao trabalho complementar que é necessário estabelecer com as equipas das VMER Página 29 de 120

31 Implementação Motociclos de Emergência Médica (MEM) Relatório de uma Comissão de Serviço Os motociclos de emergência médica (MEM) passaram a fazer parte dos meios do INEM em julho de Demonstraram, inequivocamente, ao longo destes anos constituir uma mais-valia com excelente custo-efetividade, nomeadamente nos grandes centros urbanos. O modelo português foi já numerosas vezes citado na literatura internacional e serviu de benchmarking para a implementação de outros modelos em diferentes países. Dai terem sido implementados mais 6 MEM durante este período, existindo atualmente 8 MEM. Entendemos que deverá existir, pelo menos, um MEM em cada capital de Distrito e nos Concelhos mais densamente povoados Implementação Postos de Emergência Médica (PEM) No âmbito da Comissão Técnica de Controlo (CTC) prevista nas Bases Gerais para o Acordo de Cooperação celebrado em 2007, entre o INEM, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e a Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), ficou definido tecnicamente que deveria existir uma ambulância de Suporte Básico de Vida/Posto de Emergência Médica (PEM) por cada concelho. Trata-se da primeira linha de resposta de emergência em cada Concelho. Página 30 de 120

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