Considerando a inspeção empreendida no dia no Centro de Recuperação Feminina;

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1 Considerando que ao Conselho Penitenciário do Estado do Pará compete, de acordo com o Decreto 418/79, inspecionar os estabelecimentos prisionais sediados no Estado do Pará, com objetivo de assegurar condições carcerárias compatíveis com a dignidade humana; Considerando que compete ao Conselho Penitenciário do Pará a representação às autoridades responsáveis sobre as irregularidades verificadas nos estabelecimentos prisionais sediados no Estado do Pará, propondo de imediato as medidas adequadas; Considerando a inspeção empreendida no dia no Centro de Recuperação Feminina; Considerando a superlotação do Centro de Recuperação Feminina; Considerando as precárias condições a que se encontram submetidas as internas do Centro de Recuperação Feminina, havendo internas que dormem em colchões no chão ante a falta de camas suficientes para todas as mulheres que lá se encontram; Considerando o esgoto e o lixo a céu aberto, as péssimas condições de higiene às quais são submetidas, como a presença de baratas, mosquitos e ratos, vasos sanitários entupidos, chuveiros com problemas, infiltrações, destelhamento, escuridão devido a falta de janelas suficientes e lâmpadas nas celas, ambiente com ventilação precária,

2 dentre outros problemas apontados no relatório em anexo; Considerando a alimentação inadequada, o preparo dos alimentos em ambiente insalubre, ao incorreto acondicionamento e distribuição dos alimentos, bem como a redução das quantidades de gêneros de alimentação em 24% em razão do Memorando nº GTA/DMP/NAL/SUSIPE; Considerando as exigências legais no que diz respeito a separação das presas por idade e situação prisional não são respeitadas. adequado; Considerando a ausência absoluta de qualquer atividade de lazer e trabalho Considerando a ausência de fornecimento de kits de higiene pessoal e medicamentos; Considerando a falta de espaço adequado destinado à visita íntima das internas; Considerando que as mulheres que estão grávidas ou que tiveram filhos recentemente são privadas do direito de amamentá-los, bem como de tê-los em sua companhia por ausência de local adequado para abrigar as crianças, ante a inexistência de berçário ou espaço análogo; Considerando que as presas de regime semiaberto cumprem a pena de forma totalmente irregular, em locais impróprios e sem trabalho; Considerando que há um descaso com a saúde das presas, posto que, em sua maioria, apresentam problemas de saúde e não dispõem de acompanhamento médico com regularidade;

3 Considerando que a Defensoria Pública do Estado não presta o serviço de assistência jurídica de maneira regular e diária, em especial às presas provisórias e àquelas presas provisórias ou sentenciadas provenientes de comarcas do interior do Estado do Pará; Considerando que a cela de isolamento, o chamado castigo, é um local totalmente insalubre, sem ventilação ou iluminação, com infiltrações que ocasionam alagamento do ambiente, com odor fétido ante à proximidade com uma área onde é depositado lixo e pelo esgoto a céu aberto, sujeitando às internas a diversas doenças; Considerando as graves violações de direitos humanos a que estão submetidas as internas do CRF; Considerando o desrespeito às disposições da Constituição da República e da Lei de Execução Penal; Considerando o que dispõe a Resolução nº 47 do Conselho Nacional de Justiça; Considerando que o disposto no item 57 das Regras Mínimas para Tratamento de Prisioneiros 57. A prisão e outras medidas cujo efeito é separar um delinqüente do mundo exterior são dolorosas pelo próprio fato de retirarem do indivíduo o direito à auto-determinação, privando-o da sua liberdade. Logo, o sistema prisional não deverá, exceto por razões justificáveis de segregação ou para a manutenção da disciplina, agravar o sofrimento inerente a tal situação. Resolve: 1) Representar ao Juízo de Execução, às Promotorias de Justiça responsáveis pela Execução Penal, à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão da Procuradoria da República no Pará, ao Conselho de Segurança Pública, ao Governador do Estado do Pará,

4 ao Secretário de Segurança Pública do Estado do Pará, ao Superintendente do Sistema Penitenciário do Pará e ao Conselho Estadual de Direitos Humanos para que adotem as medidas que julgarem pertinentes, considerando a gravidade dos fatos constantes do relatório que segue em anexo aos ofícios encaminhados. 2) Recomendar ao Poder Judiciário e o Ministério Público do Estado do Pará que realizem visitas periódicas à unidade prisional, atendendo às respectivas recomendações do CNJ e CNMP, bem como fazer mutirão para revisão das prisões processuais, usando as alternativas previstas na Lei nº /11, a fim de impedir prisões desnecessárias, apontadas como uma das principais razões da superlotação do Centro de Recuperação Feminino. 3)Recomendar ao Estado do Pará a ampliação da unidade, construindo novos pavilhões que permitam reduzir a superlotação, bem como reformar os existentes, para assegurar condições dignas às internadas e segregar provisórias e sentenciadas. 4) Recomendar ao Estado do Pará que seja imediatamente suspensa a ordem advinda do Memorando 267/2012 que determina a redução dos gêneros alimentícios em 24%, sendo restabelecida com urgência a quantidade de alimentos adequada para as internas do CRF. 5) Recomendar ao Estado do Pará que seja fornecido material de limpeza para o presídio, bem como material destinado à higiene das internas em quantidades adequadas. 6) Recomendar ao Estado do Pará o fornecimento de camas em número suficientes para atender a todas as mulheres que se encontram encarceradas no CRF. 7) Recomendar ao Estado Pará a construção de espaço adequado para a visita íntima das presas do Centro de Recuperação Feminina.

5 8) Recomendar ao Estado do Pará que proporcione um espaço adequado para as mulheres grávidas, bem como para a permanência das crianças nascidas das mulheres que se encontram presas, uma vez que a Constituição Federal dispõe que às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação (art. 5º., inc. L), enquanto o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que o Poder Público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas à medida privativa de liberdade (art. 9º). Nessa mesma linha, a Lei de Execução Penal (LEP) determina que os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam amamentar seus filhos (art. 82, 2º), prevendo ainda que a penitenciária de mulheres poderá ser dotada de seção para gestante e parturiente e de creche com a finalidade de assistir ao menor desamparado cuja responsável esteja presa (art. 89). 9) Recomendar que o Estado do Pará deve regularizar o funcionamento da unidade de saúde na penitenciária, regularizar o atendimento odontológico com instalação do consultório e equipamentos, regularizar o fornecimento de medicamentos. 10) Recomendar ao Estado do Pará que viabilize projeto para o trabalho de presas internamente, bem como celebre pactos com empresas para criação de vagas de trabalho para as apenadas, proporcionando a reinserção das apenadas através do trabalho, com remuneração adequada conforme dispõe a Lei de Execução Penal; 11) Recomendar que o Estado do Pará deve regularizar o atendimento da Defensoria Pública no presídio, com presença diária e horários estabelecidos. 12) Recomendar ao Estado do Pará deve humanizar as celas de isolamento, assegurando higiene e salubridade, bem como deixar registrado os procedimentos de aplicação de penalidades disciplinares.

6 13) Recomendar ao Estado do Pará o plantio de árvores, pois há espaço de sobra e tal providência exigiria um mínimo de esforço para obtenção das mudas no viveiro da prefeitura e transporte ao presídio, onde as próprias apenadas poderiam realizar o plantio e cuidados. 14) Recomendar ao Estado do Pará a implantação de sistema de esgoto, bem como coleta de lixo regular. presas. 15) Recomendar ao Estado do Pará a implantação de área destinada ao lazer das O Estado do Pará deve prestar contas por escrito, das providências tomadas para cumprimento desta recomendação no prazo de 30 (trinta) dias após seu conhecimento. Belém, 10 de Outubro de 2012 Anginaldo Oliveira Vieira Elizabeth Maria Pereira Ferreira Landoaldo Freitas de Mattos Luanna Tomaz de Souza Maria Clara Barros Noleto Luiz Guilherme Fontes Rosa Angela Wenner

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