MUTIRÃO CARCERÁRIO Plano do Projeto

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1 1. Introdução O projeto do Mutirão Carcerário, iniciado pelo Conselho Nacional de Justiça em agosto de 2008 a partir da vigência da Resolução Conjunta nº 01/2009 do CNJ/CNMP e Resolução nº 89/2009 do CNJ, tem o propósito definido, ou seja, relatar o funcionamento das unidades criminais no que diz respeito à situação dos presos provisórios e definitivos, dando ênfase ao controle das penas e análise de possível satisfação dos requisitos para obtenção de benefícios previstos na Lei n /84, buscando, primordialmente, prestigiar a garantia do devido processo legal. A realização do Mutirão Carcerário no âmbito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina é de responsabilidade da Coordenadoria da Execução Penal e da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher - CEPEVID, órgão vinculado à Presidência do Tribunal de Justiça, conforme Resolução n. 03/2012. No Estado de Santa Catarina nos anos de 2010 e 2011 foram realizados Mutirões Carcerários no Presídio Regional de Itajaí, Unidade Prisional Avançada de Canoinhas, Presídio Regional de Mafra, Unidade Prisional Avançada de Porto União, Presídio Regional de Caçador, Presídio Regional de Blumenau, Presídio Regional de Curitibanos, Presídio Regional de Tubarão, Presídio Regional de Balneário Camboriú, Presídio Regional de Lages, Presídio Regional de Araranguá, Unidade Prisional Avançada de São Francisco do Sul, Presídio Regional de Jaraguá do Sul, Penitenciária Industrial de Joinville, Presídio Regional de Joinville, Penitenciária de Chapecó e Presídio Regional de Chapecó. No total foram analisados processos e ouvidos pessoalmente aproximadamente (cinco mil seiscentos e setenta e seis) reeducandos. Além do acompanhamento do Projeto Começar de Novo, o Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça tem por finalidade verificar os processos de presos provisórios e definitivos nas varas criminais e nas varas de execuções penais, mormente na unificação e soma de penas; reexaminar todos os inquéritos e processos de presos provisórios subsidiando decisão quanto à sua manutenção; reexaminar todos os processos de presos condenados, verificando a soma e unificação de penas e posterior análise da concessão de benefícios; entregar ao reeducando o

2 atestado de pena à cumprir, juntando ao processo uma cópia do documento emitido; inspecionar e visitar todos os estabelecimentos penais ou local que possuam presos segregados e; dar cumprimento às decisões proferidas durante o Mutirão Carcerário. 2. Levantamento Estatístico Com o aprimoramento dos trabalhos do Mutirão Carcerário, a Coordenadoria da Execução Penal realizou entrevistas com os detentos, alimentando dados em um sistema criado pela Corregedoria-Geral da Justiça que possibilitou o levantamento estatístico das comarcas de Araranguá, Balneário Camboriú, Blumenau, Chapecó, Curitibanos, Itajaí, Joinville, Lages e Tubarão. Mutirão Carcerário no Estado de Santa Catarina Ano 2010/2011 Total de Detentos Ouvidos nos Estabelecimentos Prisionais 5676 Total de Processos Analisados 5676 Total de Pedidos de Benefícios Requeridos 3334 Total de Benefícios Concedidos 142 Sexo Masculino 5245 Feminino 431 Situação Criminal Primário 2791 Reincidente 2885

3 Representação Com advogado constituído 2586 Sem advogado constituído 3090 Grau de Instrução Analfabeto 198 Ensino Fundamental Completo 719 Ensino Fundamental Incompleto 3151 Ensino Médio Completo 354 Ensino Médio Incompleto 616 Superior Completo 19 Superior Incompleto 74 Pós-Graduação 2 Sem resposta 543 Dados da Prisão Dados não localizados 82 Crime Roubo 1106 Furto 1123 Tráfico 1882 Homicídio 722 Latrocínio 185 Estelionato 68 Receptação 134 Maria da Penha 12

4 Estupro/Atentado violento ao Pudor 590 Administração Pública 19 Outros 1126 Ainda, em meados de 2011, o Conselho Nacional de Justiça realizou no Estado de Santa Catarina o Mutirão Carcerário em pólo centralizado na Comarca da Capital e contou com os seguintes números: Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça Processos analisados Benefícios concedidos 2605 Processos de presos provisórios analisados 3878 Liberdade Provisória Coordenação Coordenadoria da Execução Penal e da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher CEPEVID Juízes do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Núcleo de Execução Penal Juiz da Vara Criminal/Execução Penal 4. Objetivos do Projeto I Inspecionar todos os inquéritos e processos de presos provisórios com o objetivo de rever decisões; II Inspecionar todos os processos de presos condenados, verificando quanto à possibilidade da concessão de benefícios da LEP, inclusive quanto à conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos;

5 III Ouvir o reeducando acerca de eventuais problemas junto ao sistema prisional e, na oportunidade, entregar o atestado de pena à cumprir, devendo uma via ser juntada no respectivo processo com papel de cor diferente ou etiqueta assinalada como atestado de pena à cumprir a fim de identificar os autos; IV Reexaminar todos os processos relativos ao cumprimento de medida de segurança, decidindo acerca da manutenção da medida e outros encaminhamentos, desde que, instruídos com laudo de cessação de periculosidade. 5. Roteiro de Trabalho I - Ficará a encargo da CEPEVID a realização de reunião com o Juiz e Secretário do Mutirão Carcerário para repasse das orientações necessárias para a realização dos trabalhos. II Requisição ao Diretor do estabelecimento prisional da relação nominal de todos os presos, bem como dos relatórios de vida carcerária atualizado e grades de remição pendentes de homologação, preferencialmente por meio eletrônico. III - As varas deverão juntar as petições e instruir os autos das ações penais com respectivo relatório de vida carcerária, grades de remição atualizadas, certidão de antecedentes criminais ou espelhos de tramitação junto ao SAJ/PG referentes a todos os feitos em que responde o réu e cálculo de penas. IV Fazer a junção de todos os processos de execução penal que eventualmente estiverem tramitando separadamente. V Os resultados e o controle dos processos serão feitos por meio manual, em planilha própria até que o sistema eletrônico seja desenvolvido pelo Tribunal de Justiça.

6 6. Tramitação dos Processos de Presos Condenados I Varas de Execução Penal ou com competência para juntada de petições, certidão de antecedentes criminais, certidão carcerária, grades de remição, juntada de Processo de Execução Penal e documentação pendente; II Remessa dos processos à Secretaria do Mutirão Carcerário; III Cálculo de penas; IV Em caso de processo inspecionado com direito à benefício, vista dos autos ao Ministério Público e posterior remessa à Secretaria do Mutirão Carcerário para emissão do atestado de pena à cumprir; V Em caso de processo inspecionado sem direito à benefício, remessa dos autos à Secretaria do Mutirão Carcerário para emissão do atestado de pena à cumprir; VI Conclusão aos Magistrados Cooperadores; VII Secretaria do Mutirão Carcerário para batimento entre o processo e a lista fornecida pelo estabelecimento prisional; VIII Processo com direito à benefício encaminhar para o cumprimento da decisão, remessa e devolução à vara; IX Processo sem direito à benefício encaminhar à Secretaria do Mutirão, remessa e devolução à vara. X - Efetuado o cálculo, a equipe designada para o Mutirão Carcerário fará a visita junto ao estabelecimento prisional para o contato pessoal e entrega dos atestados de pena à cumprir aos

7 reeducandos, atendendo a Resolução n. 29 de 27 de fevereiro de 2007 do Conselho Nacional de Justiça e Ofício Circular n. 45/2011 da Corregedoria-Geral da Justiça. 7. Tramitação dos Processos dos Presos Provisórios I - Os processos de presos provisórios NÃO deverão ser encaminhados à Secretaria do Mutirão Carcerário, permanecendo nas unidades em que tramitam, cabendo aos Juízes somente o preenchimento da planilha. II - A planilha de presos provisórios deverá ser encaminhada à Secretaria do Mutirão Carcerário devidamente preenchida para o III - No campo assunto do deverá constar: PRESOS PROVISÓRIOS nome da COMARCA e UNIDADE para identificação. Maiores informações podem ser obtidas pelo endereço eletrônico:

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