Proteger e promover o Capital Humano do Serviço Nacional de Saúde

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1 Proteger e promover o Capital Humano do Serviço Nacional de Saúde Capital humano principal ativo do SNS O Serviço Nacional de Saúde (SNS), apesar de muitas contrariedades, produz resultados de saúde que colocam Portugal em lugares cimeiros, a nível mundial. O segredo deste desempenho ímpar, comparativamente a outros setores económicos e sociais do país, são as pessoas, os profissionais que nele laboram. Praticamente todos os seus profissionais fizeram as formações pós graduadas e desenvolveram as suas competências no SNS. Atingiram elevada diferenciação profissional dentro dele. É nos serviços do SNS que, ao longo de décadas, têm recebido formação as novas gerações de profissionais. As carreiras profissionais, centradas na evolução e diferenciação técnico profissional e científica são pilar essencial para a robustez e resiliência do SNS. Têm sido fator para a garantia da qualidade dos cuidados de saúde. O desenvolvimento profissional contínuo e a evolução e aperfeiçoamento das carreiras profissionais são decisivos para manter e aprofundar os bons resultados conseguidos. Descuidar ou menosprezar estes fatores, para agilizar o negócio e o mercado da saúde, é um crime grave contra a saúde e o bem estar da população. Medidas fragilizadoras das equipas profissionais, em especial nestes tempos difíceis que afetam a maior parte da população, minam a confiança, a motivação e o entusiasmo dos profissionais e comprometem o futuro do SNS e a saúde de todos. O SNS tem preservado, mesmo em situações difíceis, uma cultura de serviço público de grande qualidade. Manter e elevar este padrão implica investir nos seus profissionais, na sua formação em contexto de equipas multiprofissionais, nas suas carreiras, mais harmonizadas e sintonizadas entre si, na flexibilidade e agilidade do recrutamento, colocação e mobilidade interna, em retribuições justas que estimulem e premeiem o labor, o empenho e o brio. Infelizmente, tem se assistido a uma política de sinal contrário, de menosprezo do capital humano do SNS. A saída contínua de profissionais altamente diferenciados do SNS para o setor privado, que não investiu um cêntimo na sua formação, é reveladora de enorme descontentamento que urge resolver. É necessário que cada cidadão conheça esta realidade o SNS é das pessoas. A Fundação para a Saúde SNS, atenta a esta situação crítica que fragiliza o SNS, organiza um debate temático no dia 19 de Maio de 2015, em Coimbra (programa anexo), do qual faz parte o presente documento de trabalho que será enriquecido com as suas conclusões. Este debate e outros já realizados ou a realizar integram se na preparação do II Congresso SNS Património de Todos, que terá lugar em janeiro ou fevereiro de 2016, no Porto.

2 Dados disponíveis Análise possível Os dados publicados pelas instituições públicas no âmbito dos recursos humanos são tardios, insuficientes e pouco fiáveis, de que são exemplo: Os documentos mais importantes elaborados pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) são publicados no 2º semestre do ano seguinte ao ano a que dizem respeito. Nos documentos publicados não consta o número de profissionais saídos, motivo de saída, grupos etários, especialidades (designadamente médicas), nem nos totais nem por instituição. Nos dois últimos documentos elaborados pela ACSS Balanço Social Global do Ministério da Saúde e do Serviço Nacional de Saúde de 2013 e o Inventário do Pessoal do Sector saúde de 2013 os dados não são coincidentes, nomeadamente em informação tão básica como o número total de trabalhadores por grupo profissional. Mesmo quando se consultam documentos de outras instituições, designadamente INE e Ordens, a informação disponível apresenta deficiências que dificultam ou mesmo impossibilitam conclusões fiáveis. Não é por acaso que o EUROSTAT e da OCDE não aceitam dados relativos aos recursos humanos disponibilizados por Portugal. Há muitos outros exemplos da confusão instalada, incompreensível à luz dos avanços das tecnologias já implementadas. Esta situação também explica as graves deficiências que encontramos na gestão pública do seu mais importante ativo o capital humano. Apesar das deficiências referidas, procurar se encontrar tendências que, sendo insuficientes para uma boa gestão, podem dar uma ideia global da evolução Trabalhadores do Ministério da Saúde Fonte: ACSS - Balanços Sociais

3 Comentário: De 2009 a 2013 o número total de trabalhadores foi reduzido em cerca de 6000 profissionais. Fonte: INE, Ordens (Médicos e Enfermeiros) Comentário: Contraste entre o aumento de oferta de médicos e enfermeiros e a sua contratação pelo SNS, mais evidente no grupo profissional enfermeiros. Este contraste explica também o desemprego e a emigração. Acresce que o discurso oficial do Ministério da Saúde de que não há médicos para contratar não se compreende à luz desta evolução (exceto para algumas especialidades com destaque para medicina geral e familiar e saúde pública). Fonte: ACSS Balanços Sociais

4 Comentário: Destaca se a evolução negativa da contratação dos enfermeiros (de 2011 a 2013). Quanto aos médicos o aumento verificado é feito à custa da entrada de jovens médicos (ano comum e internato de especialidade: em 2009; em 2010; em 2011; em 2012; em 2013) em processo formativo e com contratos precários. Este aparente crescimento é, em nosso entender, enganador uma vez que coincide com a saída de médicos do SNS altamente diferenciados. Numa perspectiva de ganhos de qualidade, o balanço só pode ser negativo quer a nível assistencial quer a nível da capacidade formativa. O negócio e o mercado da saúde qualidade do SNS ameaçada Como já referido, o SNS tem preservado, mesmo em situações difíceis, uma cultura de serviço público altamente diferenciado e qualificado. Manter e elevar este padrão implica investir nos seus profissionais, na sua formação em contexto de equipas multiprofissionais diferenciadas, nas suas carreiras, mais harmonizadas e sintonizadas entre si, na flexibilidade e agilidade do recrutamento, colocação e mobilidade interna, em retribuições justas que estimulem e premeiem o labor, o empenho e o brio. O recurso a empresas de prestação de serviços assistenciais (outsourcing) é uma medida que contraria tudo isto, para além de inviabilizar a formação de verdadeiras equipas e de minar a confiança e a motivação dos profissionais do SNS. É um bom exemplo de uma medida puramente economicista: contrata se em função da lei da oferta e da procura, com o único objetivo de reduzir custos. Neste processo, a garantia de qualidade da prestação de cuidados de saúde, que deve ser o objetivo central do SNS, não é levada em conta. A existência no nosso mercado de centenas de empresas significa que o recurso a este tipo de trabalho não é pontual, que se compreenderia se fosse, apenas, para responder a situações críticas, mas generalizado, principalmente nos serviços de urgência. Dada a sua dimensão, é imperioso conhecer se o seu impacto. Comunicação social estar atento é um bom princípio Quando a informação oficial é escassa ou é intencionalmente distorcida para passar uma mensagem que não corresponde à realidade, a nossa atenção para o que é divulgado pela comunicação social deve ser redobrada. E quando o dominador comum da maioria das notícias aponta no mesmo sentido, é quase certo que o relatado corresponde ao essencial do que se passa no terreno. A inclusão de títulos de notícias da imprensa escrita neste documento fica, assim, justificada.

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