CENTRO DE APOIO OPERACIONAL DE DEFESA DA SAÚDE CESAU

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1 ORIENTAÇÃO TÉCNICA N.º 09 / CESAU Objeto: Parecer. Promotoria de Justiça GESAU / Índice de seguimento / levantamento de doenças intra-epiteliais previsto para 2013 no município de Salvador e ações para atendimento ao índice. REFERÊNCIA: Grupo de Atuação Especial de Defesa da Saúde - GESAU / Salvador / SIMP n xxx/2013 O câncer do colo do útero, o terceiro tipo de tumor mais frequente na população brasileira em geral, é responsável pelo óbito de aproximadamente 230 mil pacientes por ano no país. Na região Nordeste (19 casos/100 mil), entretanto, trata-se do segundo tipo de câncer mais frequente de câncer em mulheres. Cerca de 9% das mortes de mulheres por câncer na Região Nordeste, correspondem à neoplasia do colo do útero, segunda maior causa de óbitos por câncer na população feminina na região.

2 A incidência de câncer do colo do útero predomina na faixa etária de 20 a 29 anos e o risco aumenta rapidamente até atingir um pico geralmente na faixa etária entre 45 e 49 anos. São vários os fatores de risco para esse tipo de câncer. Entre os mais comuns estão: início precoce da atividade sexual; multiplicidade de parceiros sexuais; higiene íntima inadequada; uso prolongado de contraceptivos orais; tabagismo; e, mais recentemente, o vírus do papiloma humano (HPV). Está claramente relacionada à baixa escolaridade, condições precárias de higiene íntima e ao acesso às ações de prevenção, disponíveis na atenção básica, o que facilmente explica a disparidade de incidência nas diferentes regiões do país com índices de escolaridade e acesso aos serviços de saúde díspares. A partir das informações sobre o número de casos novos (incidência), de casos existentes (prevalência) e de óbitos (mortalidade) por câncer é que se define sua importância epidemiológica para a coletividade e que ele é classificado como um problema de saúde pública. Somente a partir de dados de qualidade sobre a morbidade e a mortalidade de uma doença é que medidas efetivas para seu controle podem ser estabelecidas. No Brasil, a estratégia de rastreamento preconizada é que as mulheres dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo (Papanicolau) a cada três anos, após dois exames com intervalo de um ano, com resultado normal. No país, a Atenção Primária à Saúde é atualmente definida como um conjunto de ações de promoção e proteção à saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde nas dimensões coletiva e individual, por meio de ações gerenciais e sanitárias participativas e democráticas, trabalho em equipe,

3 responsabilização sanitária, base territorial e resolução dos problemas de saúde mais frequentes e relevantes em determinado contexto (MS/SAS/DAB, 2006). Não encontramos dados epidemiológicos atualizados do município de Salvador e temos como parâmetro apenas os dados da Região Nordeste, na qual, a incidência é de 19 casos/ 100 mil habitantes. Sendo a população de Salvador e região metropolitana de cerca de 3 milhões de habitantes, sendo cerca de 51% composta por mulheres, estima-se que 291 mulheres são portadoras de neoplasia de colo de útero e necessitam de atenção especializada. Os resultados pífios alcançados pela cobertura de realização de exames citopatológicos cérvico-vaginais em população-alvo, bem como em seguimento ambulatorial demonstram a desestruturação da rede básica de assistência, bem como a falta de rede hierarquizada capaz de atender à demanda já diagnosticada como portadora de neoplasia intraepitelial cérvico-vaginal. Na prevenção e controle do câncer do colo do útero, muitas ações devem ser executadas na atenção básica, desde aquelas voltadas para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), até as dirigidas para a detecção precoce do câncer, tais como: Informação e esclarecimento da população sobre o rastreamento; Identificação da população feminina na faixa etária prioritária; Identificação de mulheres com risco aumentado; Convocação para exame; Realização da coleta da citologia;

4 Identificação de faltosas e reconvocação; Recebimento dos laudos; Identificação das mulheres com resultados positivos ao rastreamento para vigilância do caso; Orientação e encaminhamento das mulheres para unidade secundária; Avaliação da cobertura de citologia na área; Avaliação da qualidade da coleta e supervisão dos técnicos para coleta; Planejamento e execução de ações na área sob responsabilidade sanitária da equipe, voltadas para a melhoria da cobertura do exame. A equipe deverá também ser responsável pela vigilância dos casos encaminhados para confirmação diagnóstica e tratamento; Identificação de falhas no acesso e fechamento dos casos. Suporte a pacientes em tratamento curativo ou paliativo. Apenas conhecendo-se o público-alvo e empreendendo ações objetivas de rastreamento e controle epidemiológico será possível o alcance de cobertura capaz de reduzir a incidência do câncer de colo do útero. Para tanto, há que se regionalizar a assistência por distrito, com participação ativa das unidades básicas de saúde, unidades de saúde da família, agentes comunitários de saúde, em ações de educação, esclarecimento, prevenção, diagnóstico e encaminhamento das pacientes à atenção especializada, quando necessário.

5 A realização periódica do exame citopatológico continua sendo a estratégia mais adotada para o rastreamento do câncer do colo do útero (who, 2010). Atingir alta cobertura da população definida como alvo é o componente mais importante no âmbito da atenção primária para que se obtenha significativa redução da incidência e da mortalidade por câncer do colo do útero. Países com cobertura superior a 50% do exame citopatológico realizado a cada três a cinco anos apresentam taxas inferiores a três mortes por 100 mil mulheres por ano e, para aqueles com cobertura superior a 70%, essa taxa é igual ou menor que duas mortes por 100 mil mulheres por ano (ANTTILA et al, 2009; ARByN et al, 2009a). Dra. Ana Paula Mattos Cremeb MPE/CESAU Matrícula

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