DGS apela à vacinação contra a gripe

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1 EDIÇÃO PDF Quarta-feira, Edição às 08h30 Directora Graça Franco Editor Raul Santos DGS apela à vacinação contra a gripe Aumentos para alguns funcionários públicos Portugal tem uma cultura anti-bebés Barril de petróleo abaixo dos 50 dólares Frio persistente pode explicar sobrelotação de urgências TAP bateu recordes de transporte de passageiros em 2014 Pires de Lima espera que investigações na PT ajudem a explicar o inexplicável Louvre volta a ser o museu mais visitado do mundo em 2014 JOSÉ MIGUEL SARDICA Quando o jornalismo era uma oração matinal Equipas de resgate encontram cauda do avião da AirAsia

2 Quarta-feira, Portugal tem uma cultura anti-bebés Ana Cid Gonçalves, da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, lamenta que a cultura dominante considere anormal que se tenha mais do que dois filhos. Em museus, por exemplo, os ingressos "pack família" são para quatro pessoas. Por Raquel Abecasis A secretária-geral da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) considera que Portugal tem uma cultura anti-natalista. Ana Cid Gonçalves, que participou no grupo de trabalho para propor medidas ao PSD para fazer face à crise demográfica que o país atravessa, diz, em entrevista ao programa "Terça à Noite", da Renascença, que mais do que os problemas económicos, o maior problema que os portugueses enfrentam é uma cultura anti natalista em toda a sociedade. Nós temos famílias que nos fazem queixas do que se passa nos centros de saúde, onde a uma mãe que tem o segundo filho perguntam logo se ela não quer fazer laqueação de trompas a seguir, exemplifica. Ana Cid dá também o exemplo da injustiça das tarifas da água como um caso flagrante de cultura anti-bebés: A água é um dos aspectos que também foi fazendo cultura, uma família maior paga mais por metro cúbico de água por pessoa, porque os tarifários foram construídos tendo em conta só o consumo global da habitação, não o consumo per capita. Outro exemplo verifica-se em museus ou outras estruturas similares, onde é possível encontrar ingressos "pack família" para quatro pessoas - dois adultos e duas crianças. "O terceiro filho ou o quatro filho pagam bilhete", aponta. Nesta entrevista, a responsável da APFN acusa também as empresas portuguesas de terem vistas curtas na forma como lidam com a maternidade e paternidade dos seus funcionários. Apesar de tudo, Ana Cid reconhece que começa a haver uma mudança de perspectiva e alerta para a importância da estabilidade nas medidas como a do quociente familiar. Mais do que muitas medidas, é muito importante a estabilidade, como provam os exemplos estrangeiros, porque quem tem um filho, tem um filho para a vida, sublinha. DGS apela à vacinação contra a gripe Ainda não é possível saber qual vai ser o vírus da gripe dominante em Portugal, mas a vacina representa sempre uma barreira de segurança, sublinham as autoridades. Foto: Lusa A Direcção-Geral da Saúde (DGS) insiste na vacinação contra a gripe, como principal medida de prevenção da doença, mesmo que ainda se desconheça qual o vírus dominante neste Inverno. Os vírus da gripe sofrem mutações, pelo que as vacinas são especialmente fabricadas para cada época, refere a DGS, em comunicado. Acrescenta que ainda não é possível saber qual vai ser o vírus da gripe dominante em Portugal. "Mesmo que se venha a verificar uma menor efectividade da componente A (H3N2) da vacina, as vacinas utilizadas no nosso país são trivalentes e portanto protegem também contra outros vírus da gripe que possam vir a circular este Inverno", diz o comunicado. Mesmo no caso dessa "menor efectividade", os benefícios esperados - menos tempo de gripe e menos gravidade - "são ainda relevantes", pelo que as pessoas mais vulneráveis, como idosos e portadores de doenças crónicas, e que ainda não foram vacinadas devem fazê-lo, recomenda a DGS. Só na região de Lisboa, de 1 de Outubro até final do ano, foram administradas vacinas da gripe, de forma gratuita, segundo dados avançados pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. A mesma entidade recomenda também a vacinação de grupos vulneráveis e diz que o pico da actividade gripal tem ocorrido entre Dezembro e Fevereiro, devendo a vacinação ser feita de preferência entre Outubro e Novembro, ainda que possa decorrer durante todo o Outono e Inverno.

3 Quarta-feira, Frio persistente pode explicar sobrelotação de urgências O alerta é da Associação dos Médicos de Saúde Pública. Problemas nas urgências hospitalares vão ser debatidos no Parlamento na quinta-feira. Oito distritos em aviso amarelo Previsões apontam para acentuado arrefecimento nocturno, com formação de geada, em especial nas regiões do interior e previsão de descida da temperatura mínima. O frio persistente pode estar na origem da sobrelotação de vários serviços de urgência nos últimos dias, diz à Renascença o presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública. Mário Jorge Santos esclarece que ainda é cedo para falar de pico de actividade gripal para justificar uma maior afluência às urgências. O problema, diz, é que o frio persistente dos últimos dias agravou o estado de saúde de muitos doentes. "Não estamos no pico da actividade gripal, ela é esperada para Fevereiro, mas estamos num período em que tem havido frio, durante vários dias, sustentadamente. Isto leva sempre a um aumento do afluxo às urgências, não só por causa das doenças respiratórias, como a gripe e outras semelhantes, que gostam do frio, mas também por descompensação de outras doenças, cardíacas, renais, da diabetes, situações de enregelamento, que aumentam a procura das urgências", aponta. "As pessoas mais idosas e vulneráveis são as responsáveis por esse pico de procura", adianta Mário Jorge Santos. O quadro é agravado pela falta de profissionais em número suficiente para responder à maior afluência aos serviços de urgência. "Neste momento, as instituições de saúde em geral estão demasiadamente dependentes do ministério, por causa da burocracia, e isso provoca que não tenham flexibilidade para dar resposta às necessidades da população. É muito difícil contratar, há uma série de regras muito complicadas, os processos arrastam-se durante meses, e quando chegam os momentos críticos, quando se sente a falta de profissionais, muitas unidades de saúde entram em ruptura." A consequência mais grave desta situação ocorreu no passado domingo com a morte de um doente de 57 anos que estava há seis horas à espera de ser atendido no Hospital de Santa Maria da Feira. Os problemas nas urgências hospitalares vão ser debatidos no Parlamento, por iniciativa do PS, já na próxima quinta-feira. À falta de camas dos hospitais, soma-se agora a denúncia dos bombeiros: há ambulâncias que não saem dos hospitais por falta de macas. Foi o que aconteceu este fim-de-semana no hospital de Torres Vedras, outra consequência da elevada afluência às urgências, dizem. Foto: DR Oito distritos de Portugal continental estão esta quartafeira em aviso amarelo, o terceiro mais grave de uma escala de quatro, devido à previsão de agitação marítima e de nevoeiro, avança o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Os distritos de Bragança e Guarda encontram-se sob aviso amarelo até às 12h00 de quinta-feira devido ao nevoeiro, que o IPMA prevê persistente e que poderá ser gelado, com formação de gelo. Já os distritos da costa norte, Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria, estão sob aviso amarelo para a agitação marítima, com previsão de ondas entre quatro e cinco metros, até às 10h00 desta quarta-feira. O aviso amarelo é emitido pelo IPMA sempre que existe risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica. O IPMA prevê para esta quarta-feira no continente céu pouco nublado ou limpo, apresentando-se geralmente muito nublado por nuvens baixas no nordeste transmontano e na Beira Alta, assim como nas regiões do interior. O vento será em geral fraco. As previsões apontam para neblina ou nevoeiro matinal, que poderá persistir ao longo do dia em alguns locais do nordeste transmontano e da Beira Alta. Destaque ainda para um acentuado arrefecimento nocturno, com formação de geada, em especial nas regiões do interior e previsão de descida da temperatura mínima. Na Madeira prevê-se céu geralmente muito nublado, com boas abertas a partir da manhã, embora com períodos de chuva fraca e pouco frequente até meio da manhã, mais provável nas vertentes norte. Já nos Açores, prevê-se para o grupo ocidental, central e oriental períodos de céu muito nublado com abertas. Quanto a temperaturas, as mínimas vão desde os menos 3 graus na Guarda aos menos 2 em Bragança, 4 no Porto ou os 6 em Lisboa e Faro. Em relação às máximas, em Lisboa, Coimbra, Évora e Porto são esperados 13 graus celsius, enquanto Faro e Sagres devem chegar aos 15. Em Portalegre e Viseu são

4 Quarta-feira, esperados 11 graus de máxima, sete em Castelo Branco, seis na Guarda, oito em Vila Real e três em Bragança, a cidade mais fria do país. Nas ilhas, nas cidades do Funchal e Santa Cruz das Flores são esperados 19 graus de máxima, enquanto Angra do Heroísmo deve chegar aos 18. Pedro Vaz Patto: Pobres não podem ser as vítimas políticas da crise Novo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz não discute que a austeridade seja necessária, mas adverte: "Não pode é fechar-se os olhos aos critérios de justiça na repartição dos sacrifícios". posta em causa", disse. Comentou ainda, a este propósito, que a "questão do desemprego não tem a ver só com a privação de rendimentos, mas também com a sensação que as pessoas têm de inutilidade, de não poderem dar o seu contributo para a vida social". Sobre o anunciado crescimento económico, o presidente da comissão afirmou que não se pode pensar que "vem eliminar automaticamente as injustiças" e "sarar as feridas" da sociedade. Por outro lado, defendeu, "é necessário estar atento a que os fluxos desse crescimento sejam repartidos de uma forma justa e de uma forma equitativa". Além do fenómeno da pobreza, a actividade da CNJP está também atenta à "realidade nacional e internacional", tendo como objectivo "fazer um juízo à luz do evangelho e da doutrina social da Igreja sobre essa realidade". "Temos de responder aos desafios que nos lança o Papa Francisco e que têm a ver, de modo particular, com a inclusão social dos pobres", em que estão incluídas todas as pessoas fragilizadas, como podem ser os doentes e as vítimas de afronta aos direitos humanos. Lembrou o alerta recente do Papa sobre as vítimas do tráfico de pessoas, explicando que é a este tipo de desafios que a Comissão Nacional Justiça e Paz procura responder. Vaz Patto defendeu que, para combater o tráfico humano, é preciso "reforçar a cooperação internacional", mas também que os cidadãos denunciem estes casos. Foto: Lusa O novo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) afirmou que a retoma económica não elimina automaticamente as injustiças geradas pela crise e defende que os resultados do crescimento devem ser repartidos de "forma equitativa". Pedro Vaz Patto, que sucede no cargo a Alfredo Bruto da Costa, disse à agência Lusa que o combate à pobreza é uma missão da Comissão Nacional Justiça e Paz e tem sido exortada pelo Papa. "Os apelos de Francisco são particularmente interpelantes nesse sentido" e "nós não podemos deixar que a crise económica acentue a pobreza e a desigualdade", afirmou. Os pobres, defende, não podem ser as vítimas políticas da crise: "Aqueles que mais sofrem, aqueles que já estão em situação mais difícil, não podem sofrer com políticas porque não são responsáveis". "Eu não discuto que a austeridade seja necessária, não pode é fechar-se os olhos aos critérios de justiça na repartição dos sacrifícios", que não pode acentuar injustiças, sustentou. Desemprego, pobreza e direitos humanos Pedro Vaz Patto observou ainda que é preciso ter atenção aos casos de pobreza envergonhada, uma realidade que nem sempre é tida em conta. "Além da privação material, é também a auto-estima das pessoas, a sua imagem social, que muitas vezes é

5 Quarta-feira, JOSÉ MIGUEL SARDICA Quando o jornalismo era uma oração matinal O editorial de apresentação do DN é uma verdadeira declaração de independência, maioridade e responsabilidade do jornalismo. Depois dele, nada voltou a ser como dantes; e era bom que os atuais poderes da comunicação (quem a faz, quem a controla, quem a distribui, etc.) relessem o texto para memória e reconversão futuras. No princípio do ano de 1865, a Lisboa burguesa da Regeneração e do romantismo foi avassalada pela mais sensacional novidade jornalística da segunda metade do século XIX - e sem exagero, por uma das mais importantes revoluções comunicacionais registadas em Portugal até hoje. Essa novidade e revolução foi o surgimento do Diário de Notícias, que por estes dias celebrou os seus 150 anos de vida. O DN, que o Porto depois copiaria, criando o JN (em 1888), foi obra de um visionário, Eduardo Coelho, que em boa hora decidiu ter chegado o tempo de modernizar e de europeizar o jornalismo português. A imprensa noticiosa, barata, popular e independente era já uma invenção da moda nos EUA, Inglaterra, França ou mesmo Espanha. A petite presse de Émile de Girardin, sobretudo, foi o modelo que inspirou o DN a romper com o velho jornalismo livresco, pesado, elitista, predominantemente político e belicoso da primeira geração liberal. Chegada a Regeneração, os ardores da retórica cediam o passo às mais prosaicas necessidades de fomento material e de arejamento social e cultural. O DN veio para ser o motivador e o espelho deste novo tempo, cronicando uma cidade cujos públicos leitores iam crescendo e se iam massificando e um país em que a política se começava a rotinizar como um diálogo mediado e mediatizado pela tribuna da imprensa - entre o poder e o povo. O editorial de apresentação do DN é uma verdadeira declaração de independência, maioridade e responsabilidade do jornalismo. Depois dele, nada voltou a ser como dantes; e era bom que os atuais poderes da comunicação (quem a faz, quem a controla, quem a distribui, etc.) relessem o texto para memória e reconversão futuras. Dizia Eduardo Coelho ao público que o objetivo do jornal era interessar a todas as classes, ser acessível a todas as bolsas e compreensível a todas as inteligências ; para isso seria uma folha diária, de noticiário universal, em estilo fácil e linguagem decente e urbana, que registava com a possível verdade todos os acontecimentos, deixando ao leitor, quaisquer que sejam os seus princípios e opiniões, o comentá-los a seu sabor. Vivendo apartidariamente das receitas da publicidade (que maximizou) e da venda em banca e por ardinas (que inventou), o DN recusava pressões partidárias e influências de interesses, vedando as suas páginas a alusões desonestas e reconvenções insidiosas. Era, em suma, um jornal de todos e para todos para pobres e ricos de ambos os sexos, e de todas as condições, classes e partidos. Em 1880, Rafael Bordalo Pinheiro, um outro génio da imprensa portuguesa de Oitocentos, traçou o melhor elogio ao DN ao reconhecer que cada um de nós, quando acorda pela manhã, se julga incompleto sem o Diário de Notícias à cabeceira. Era um jornal um quasi nada além do seu tempo, porque aclimatara em Portugal a escola da pequena imprensa, que por toda a parte mostrava então ser a mais poderosa alavanca democrática das sociedades contemporâneas. Este elogio do periódico barato, noticioso e para o grande público como único mass media do século XIX ecoava uma velha máxima do filósofo alemão Hegel, de acordo com a qual a leitura do jornal era a oração matinal do homem moderno. Essa oração matinal, que era a leitura, constituía um ritual purificador, desintoxicante, esclarecedor, que fornecia energia e determinação, informação e conhecimento para a vida diária. Na era da tabloidização em que vivemos, infelizmente, apesar de honrosas exceções, a qualidade geral dos media, da comunicação e da verdade informativa de que (não) dispomos está longe de fazer jus à exemplaridade de há 150 anos. Aumentos para alguns funcionários públicos Governo justifica a medida com a dificuldade em recrutar trabalhadores para funções específicas. O Governo criou uma carreira especial para aumentar, sobretudo, técnicos superiores das direcções-gerais de Finanças. O executivo justifica a medida com a dificuldade em recrutar trabalhadores para funções específicas, como a elaboração do Orçamento do Estado. A proposta do Governo já está nas mãos dos sindicatos e prevê um aumento mínimo de 52 euros. Em declarações à Renascença, Helena Rodrigues, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) aplaude a medida, mas defende o alargamento a outros funcionários públicos. O Governo parece que vem agora querer rever aquilo

6 Quarta-feira, que está em falta há algum tempo: a revisão de alguns estatutos e carreiras da administração pública que carecem dessa revisão. O Governo já o devia ter feito, afirma Helena Rodrigues, do STE. Défice terá de ser de 4,4% no 4º trimestre para cumprir meta anual A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) escreveu uma nota rápida sobre as contas nacionais das administrações públicas em que define este objectivo. O défice orçamental das administrações públicas no último trimestre de 2014 terá de ser de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral para que Portugal cumpra o objectivo anual, segundo os cálculos da UTAO. De acordo com a nota rápida sobre as contas nacionais das administrações públicas, a que a Lusa teve acesso, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) refere que o défice das administrações públicas até ao terceiro trimestre de 2014 encontra-se em linha com o objectivo estabelecido para o conjunto do ano", uma vez que o défice orçamental até Setembro "situou-se 0,1 pontos percentuais acima do objectivo anual fixado em 4,8% do PIB". Os técnicos que apoiam o parlamento referem que, "excluindo o efeito das operações extraordinárias, o défice registado pelas administrações públicas até Setembro situou-se igualmente num nível compatível com o objectivo de 3,7% do PIB definido para 2014, mais concretamente 0,1 ponto percentual abaixo daquele objectivo". Além disso, a UTAO indica que nas contas do défice das administrações públicas até Setembro já está reflectida "na sua quase totalidade" a despesa com subsídios de férias e de Natal, "o que reduz a pressão sobre as despesas com pessoal e prestações sociais no último trimestre do ano". De acordo com as contas dos técnicos da UTAO, "para alcançar o objectivo [do défice] ajustado [de medidas extraordinárias] de 3,7% [em 2014], será necessário que o défice do último trimestre se cifre em cerca de 4,4% do PIB trimestral, o que compara com 5,4% em idêntico período de 2013, sendo que o quarto trimestre incluiu o pagamento de um subsídio". O défice orçamental das administrações públicas fixou-se em milhões de euros até Setembro, ou seja, 4,9% do PIB, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em Dezembro. A meta do défice para 2014, em contabilidade nacional, é de 4,8% do PIB, mas inclui o impacto de medidas e efeitos pontuais (como a venda do BPN Crédito e a reclassificação da dívida da Carris e da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto). Excluindo medidas pontuais, o Governo estima que o défice orçamental ascenda a 3,7% do PIB em 2014, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2015 apresentado pelo Governo a 15 de Outubro do ano passado. Já no que se refere à dívida pública nos primeiros nove meses de 2014, a UTAO estima que, "para que se concretize a previsão do Ministério das Finanças para a dívida pública em termos nominais no final de 2014, a qual é de 223,4 mil milhões de euros, será necessário que esta se reduza no último trimestre em cerca de 5,1 mil milhões de euros". Os técnicos da UTAO escrevem ainda que "o aumento da dívida pública nos primeiros três trimestres de 2014 foi superior ao défice público", acrescentando que "o excedente de financiamento face às necessidades concorreu, entre outros fins, para o aumento dos depósitos da administração central em 3,8 mil milhões de euros". Segundo a UTAO, "será de esperar uma reversão deste aumento" no último trimestre de 2014, uma vez que "está prevista a utilização de depósitos para a amortização de dívida pública". Pires de Lima espera que investigações na PT ajudem a explicar o inexplicável As buscas, levadas a cabo por agentes da PJ e representantes do Ministério Público e da CMVM duraram 11 horas e já terminaram. O ministro da Economia espera que as investigações em curso na PT possam ajudar a explicar o que se passou na operadora. Pires de Lima, que em agosto do ano passado qualificou de inexplicável os acontecimentos que envolviam a Portugal Telecom e o BES disse ainda esperar que a justiça continue a funcionar. A única coisa que desejo, enquanto cidadão, é que a justiça funcione e continue a funcionar em Portugal. Se alguma destas investigações ajudar a encontrar explicação para aquilo que eu próprio, enquanto governante, qualifiquei como inexplicável, tanto melhor. As buscas começaram de manhã e duraram quase todo o dia, tendo já terminado, segundo a RTP-Informação. Durante 11 horas agentes da Polícia Judiciária, do Ministério Público, da CMVM e da Autoridade Tributária estiveram a recolher elementos numa investigação relacionada com suspeitas de participação económica em negócio e burla qualificada. Em causa estarão investimentos da PT sobre os quais pairam suspeitas de ilegalidade.

7 Quarta-feira, CASO BES Machado da Cruz e José Castella ouvidos pelos deputados à porta fechada Os dois invocam o segredo de justiça para justificar o seu pedido, que foi aceite pelos deputados da comissão. O contabilista do BES e o controller financeiro do Grupo Espírito Santo vão ser ouvidos à porta fechada pelos deputados da Comissão Parlamentar de inquérito ao caso BES. Os dois invocaram o segredo de justiça e os deputados aceitaram os requerimentos, explicou o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, o deputado socialdemocrata, Fernando Negrão. Fundamentam esse pedido com base no facto de estarem envolvidos em processos de natureza criminal em Portugal e no Luxemburgo, e também em processos de natureza contra-ordenacional. Para além disso invocam o facto de terem tido contacto com mandatos de busca onde se definia matérias que estão em investigação criminal no Ministério Público, o que obviamente tem implicações também com o segredo de justiça. A audição do contabilista Machado da Cruz está marcada para quinta-feira. Antes, na quarta-feira será a vez de José Castella. Prémios FLAD distinguem investigações sobre cromossomas e doença de Huntington Atribuídos pela primeira vez este ano, os prémios FLAD Life Science 2020 são promovidos pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Dois estudos sobre o "sistema de navegação" dos cromossomas na divisão celular e a doença neurodegenerativa de Huntington sãos os vencedores dos prémios prémios FLAD Life Science A equipa dos investigadores Helder Maiato, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto, e Ekaterina Grishchuck, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, recebe o galardão na categoria de investigação básica, pelo estudo cromossomático. O grupo dos cientistas Ana Cristina Rego, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, e George Dailey, da Harvard Medical School, Estados Unidos, é contemplado com o prémio na categoria de investigação aplicada, pelo trabalho sobre a doença de Huntington. Atribuídos pela primeira vez este ano, os prémios FLAD Life Science 2020 são promovidos pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e distinguem projectos de investigação na área das ciências da vida. O galardão, que funciona como uma bolsa de financiamento para quatro anos, vale 400 mil euros em cada categoria. A entrega dos prémios será feita esta quarta-feira na sede da FLAD, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Pelas "estradas" dos cromossomas O investigador Helder Maiato explicou à agência Lusa que a sua equipa se propõe perceber, recorrendo a células humanas, como funciona o "sistema de navegação" dos cromossomas no momento em que a célula se divide e a informação genética neles contida é distribuída por duas células-filhas. "Antes da distribuição dos cromossomas, estes têm de se alinhar no `equador` da célula, no meio da célula, mas não sabemos porquê e como vão para lá", assinalou. As "estradas" que os cromossomas usam para chegar e se distribuírem pelas células-filhas, durante o processo de divisão celular, estão "sinalizadas" e são esses "sinais" que a equipa de Helder Maiato quer descortinar. A equipa pensa que "são pequenas modificações", ao nível celular, "que não estão codificadas nos genes" que estão a servir de "sinais", de "sistema de navegação" para os cromossomas. Helder Maiato esclareceu que as "estradas" funcionam como o esqueleto da célula, sendo este formado por microtúbulos, que, codificados nos genes, "formam proteínas, que são a base estrutural" do esqueleto. Os microtúbulos "estão envolvidos na divisão celular e vão interagir com os cromossomas, para os levar e distribuir pelas células-filhas". Acontece, porém, adiantou o cientista, que esses microtúbulos, "apesar de serem codificados nos genes, sofrem também pequenas modificações que não estão codificadas no ADN", mas que são igualmente importantes para o processo biológico. O estudo deste mecanismo celular pode ajudar a compreender por que algumas das "estradas" usadas pelos cromossomas para se distribuírem pelas célulasfilhas "estão alteradas em vários tipos de cancro", assinalou Helder Maiato. Huntington, a doença sem cura A equipa de Ana Cristina Rego pretende saber por que motivo pessoas portadoras da doença de Huntington, patologia neurodegenerativa de origem genética e sem cura, têm uma progressão diferente da doença, apesar de manifestarem alterações genéticas semelhantes. No fundo, é "perceber, a nível celular, quais as alterações moleculares que possam justificar a alteração em termos de progressão da patologia", sintetizou à agência Lusa. O seu grupo propõe-se criar células estaminais pluripotentes, as que são capazes de gerar outras

8 Quarta-feira, células, nomeadamente as nervosas, cuja morte desencadeia a doença de Huntington, a partir de células de pacientes da mesma família com mutação genética, mas nuns casos sem sintomas, noutros com sintomas da doença. Para este processo, os investigadores vão fazer uma biópsia da pele dos doentes com ou sem sintomas, assim como dos seus familiares sem a mutação genética, e isolar a fibroblasto (célula). Posteriormente, nas células neuronais criadas a partir da fibroblasto - e que darão origem a células semelhantes aos neurónios afectados dos doentes - "vai ser corrigida" a mutação genética e comparados os resultados obtidos. Ao todo, apresentaram-se à iniciativa da FLAD 70 candidaturas, avaliadas por peritos. Os pareceres emitidos foram, depois, analisados por um comité de avaliação, presidido pela investigadora Maria Mota, Prémio Pessoa TAP bateu recordes de transporte de passageiros em 2014 A companhia aérea transportou 11,4 milhões de pessoas, mais 710 mil do que em Aviões tiveram taxa de ocupação de 80%. Foto: Mário Cruz/Lusa Por Ana Lisboa A TAP transportou mais de 11 milhões de passageiros durante o ano de 2014 e bateu todos os seus recordes. Em comunicado, a companhia aérea revela que o ano passado se registou um crescimento de 6,6% face a 2013, muito superior à média de 4,5% registada pelas companhias que integram a Associação Europeia ( AEA Association of European Airlines). No total a TAP transportou 11,4 milhões de pessoas, mais 710 mil que no ano anterior e a taxa de ocupação dos aviões foi de 80%. Números que segundo a empresa, poderiam ter sido ainda mais significativos se não fossem as perturbações laborais registadas em Novembro e Dezembro. Entre Janeiro e Outubro, a companhia registou um crescimento médio consistente de 8%. Morreu ex-secretário de Estado Juvenal Silva Peneda Irmão mais novo de José Silva Peneda, foi governante e administrador da Metro do Porto. Foto: Lusa O antigo secretário de Estado adjunto da Administração Interna Juvenal Silva Peneda morreu esta terça-feira, no Porto, aos 60 anos, confirmou a Lusa junto de fonte do Conselho Económico e Social. Secretário de Estado adjunto do anterior ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, Juvenal Silva Peneda foi substituído em Abril de 2013 na sequência do caso dos contratos "swap" nas empresas de transportes públicos. Em Setembro desse ano, Juvenal Silva Peneda, que presidiu à Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) entre 2003 e 2006 e foi administrador da Metro do Porto entre 2004 e 2008, assumiu, no Parlamento, a responsabilidade pela assinatura de quatro contratos "swap", mas argumentou que as decisões financeiras não lhe cabiam, afirmando que confiava no administrador financeiro que fazia as propostas. Irmão mais novo de José Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social e antigo ministro do Emprego e da Segurança Social no governo de Cavaco Silva, Juvenal Silva Peneda nasceu em O antigo secretário de Estado integrou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e foi responsável do gabinete de cooperação transfronteiriça inter-regional neste órgão. Trabalhou com Marques Mendes entre 1992 e 1994, quando este foi ministro-adjunto do então primeiroministro Cavaco Silva. Licenciado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Juvenal Silva Peneda foi técnico superior da CCDR-N a partir de 1977, tendo sido chefe de divisão de Integração Europeia e director regional de Planeamento e Desenvolvimento da CCDR- N entre 1984 e Docente do curso pós-graduação da Universidade Católica em Economia e Direito Europeu ( ), foi ainda presidente da Unidade de Gestão do Programa Operacional do Alto Minho -- PROAM, entre 1989 e

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