Apresentação e Discussão do Orçamento Retificativo para 2012

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1 Apresentação e Discussão do Orçamento Retificativo para 2012 Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira Excelentíssimas Senhoras e Senhores Deputados A proposta do Orçamento Retificativo, hoje apresentado nesta Assembleia, resulta da necessidade da Região refinanciar a dívida, até ao montante de milhões de euros, com a garantia do Estado Português. Esta alteração proposta pelo Governo Regional implica o aumento do valor global do orçamento na receita e na despesa orçamental e é corolário da estratégia de regularização da dívida comercial da Região Autónoma da Madeira. Lembramos os Senhores Deputados que, relativamente a esta estratégia, a primeira proposta da Região foi apresentada a 30 de março do corrente ano e revista no final do mês de junho, para se adequar à estratégia de pagamentos do Estado, aprovada no mês de Abril do corrente ano. Em meados de setembro, a Região recebeu a indicação de que a estratégia apresentada, e passo a citar: Segue a recomendação do primeiro relatório de avaliação do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, que requer que a estratégia seja ajustada de forma a ser totalmente consistente com a Resolução do Conselho de Ministros nº44/2012, de 20 de abril resolução essa que define que a prioridade na regularização dos compromissos em atraso deve aumentar com a maturidade, ou seja, que os pagamentos em atraso há mais tempo devem ser pagos em primeiro lugar. Dizia eu que, apesar de reconhecer que a estratégia apresentada pela Região perfilhava o exarado no Conselho de Ministros, o Estado condicionou os pagamentos da dívida à renegociação da mesma com todos os credores, e à apresentação de um plano, global e concreto, para a sua concretização, compatível com os recursos financeiros que foram disponibilizados. 1

2 Ora, foi este Plano que o Governo Regional preparou e tem estado a negociar com os seus credores e que se concretizará com a operação de consolidação da dívida comercial. Trata-se, portanto, de uma alteração que consagra as disposições indispensáveis ao processo de consolidação orçamental e dos compromissos assumidos, que permitirá liquidar uma parte muito significativa dos pagamentos em atraso, que terá efeitos positivos na economia regional. Mas esta operação só é possível face ao esforço de consolidação que a Região tem em curso, enquadrada no Programa de Ajustamento, e aos resultados que têm sido alcançados. É nisto que consiste a grande relevância política deste Orçamento Retificativo. E esta é uma realidade evidente que dificilmente alguém hoje se atreverá a contestar, a não ser por dever de ofício. Para conforto dos madeirenses e desânimo dos mensageiros da desgraça, esta proposta de alteração orçamental é mais uma prova que o Governo honra e cumpre os seus acordos e evidencia, com dados claros e inequívocos, o capital de confiança que o mesmo granjeou. Diziam que o Governo não cumpriria as suas promessas e que elas eram irrealistas, face ao rigor necessário para a governação. Diziam que o Governo seria incapaz de cumprir com o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro e que tudo tinha falhado nas soluções negociadas com o Governo da República. Encetaram uma oposição desorientada, assumiram posturas alarmistas e mantiveram posições de grande irresponsabilidade política. 2

3 A resposta aí está: este orçamento retificativo é demonstrativo do forte empenhamento numa consolidação significativa e da apresentação de resultados credíveis, que permitiram reforçar a capacidade de negociação do Governo Regional e de propor soluções alternativas. Esta negociação só aconteceu, portanto, graças ao clima de confiança e de crédito ao Governo Regional pelo trabalho realizado e aos resultados alcançados, que só não são mais positivos porque, infelizmente, os argumentos apresentados pelo Governo Regional em matéria de aumento dos impostos foram ignorados. Mas para continuar nesta senda, temos de manter a exigência no cumprimento dos compromissos assumidos no Programa de Ajustamento. E é exactamente isso que continuaremos a fazer, independentemente das críticas, explícitas ou veladas, que nos façam. Até porque esse é o único caminho possível para garantirmos maior flexibilização do Programa de Ajustamento, que permita um maior alívio para as famílias e empresas madeirenses. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Mais do que a demonstração da credibilidade do Governo, este Orçamento manifesta um esforço significativo para corrigir alguns desequilíbrios fundamentais. É, portanto, um orçamento que induzirá efeito muito positivo na economia da Região ao introduzir um grande volume de liquidez, com grande impacto nos agentes económicos. Porque para além de permitir liquidar a dívida mais antiga, nomeadamente a relativa às empresas de construção e obras públicas - garantindo o controlo e redução da despesa com juros de mora -, esta estratégia de consolidação orçamental permitirá o pagamento aos pequenos fornecedores, com efeitos esperados no nível do emprego. 3

4 É uma proposta de alteração que não aumenta as despesas, que mantem inalterado o valor da dívida. É uma proposta de alteração que poupará muitas famílias madeirenses a mais esforços, para além dos que já estão a fazer neste momento. É uma proposta de alteração que faz face à situação económica e social da Região e que materializa o apoio às famílias e às pequenas e médias empresas madeirenses, garantindo a continuidade da atividade e gerando movimento de capital na economia regional. Quero acreditar que todos concordamos que este orçamento retificativo é uma proposta legítima de apoio àqueles que esperaram já demasiado tempo. É um orçamento que contribui, de forma decisiva, para a criação de condições de regresso à normalidade da situação económica e financeira da Região Autónoma da Madeira. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Com este sério contributo para o reforço da confiança na economia, o Governo Regional demonstra que é possível assumir permanentemente as preocupações sociais, conciliando-as com o rigor das finanças públicas. Porque o Governo nunca hesitou em garantir que tudo fosse feito para que a Região possa ultrapassar a crise em que nos vimos mergulhados. Criámos condições para haver mais investimento, mais crescimento e mais emprego. E é esta a nossa prioridade absoluta: porque só o crescimento económico permitirá reduzir o desemprego, combater a pobreza e as desigualdades sociais e melhorar as condições de vida dos madeirenses. 4

5 São problemas muito reais que o Governo aborda e para os quais aponta soluções. E apresentamos factos, não juízos de valor. Desde logo, a apreciação desta alteração orçamental constitui momento de particular embaraço para certos sectores da oposição. Porque demonstra que estamos a progredir positivamente, com maior o empenho na correção dos desequilíbrios. Mas é certo que por muito que faça este Governo, jamais o seu esforço teve ou terá a atenção da Oposição, que prefere sacrificar à sua prática política o interesse das famílias madeirenses e do desenvolvimento regional. Foi assim que, com total desprezo e contra aquelas que são as eminentes necessidades dos madeirenses e porto-santenses, o deputado do PS Madeira votou ao lado do partido em Lisboa contra este Orçamento Retificativo. Ainda que na Madeira o Partido Socialista finja defender os interesses regionais e faça reiterados apelos ao pagamento a fornecedores e a dívidas em atraso, em Lisboa defende o contrário. Uma posição calculista, oportunista e triste, que até mesmo os partidos, que não estando do nosso lado por questões políticas, não hesitaram em denunciar e criticar. Esquecem-se que como representantes eleitos é sua obrigação ponderar, com responsabilidade social e humanismo, as implicações das Vossas decisões, sobretudo numa época como a que atravessamos. A Madeira e os madeirenses merecem uma oposição responsável, não demagógica. 5

6 Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Foi já suficientemente explicada a razão de ser desta proposta de alteração ao Orçamento de 2012, pelo que estou, naturalmente, à disposição do Parlamento para os pedidos de esclarecimento que entenderem dever apresentar. Muito obrigado. O Secretário Regional do Plano e Finanças, 04 de Dezembro de

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