A ENTRADA NO MERCADO DE TRABALHO GUIA PARA GRADUADOS

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2 A ENTRADA NO MERCADO DE TRABALHO GUIA PARA GRADUADOS

3 Ficha Técnica EDIÇÃO FAP - Federação Académica do Porto CONTEÚDOS Cidade das Profissões CAPA E CONCEITO GRÁFICO IDEALERS - Rui Monteiro IMPRESSÃO Gráfica Criação Livre DATA 2011

4 Índice INTEGRAR O MERCADO DE TRABALHO 9 A PROCURA DE EMPREGO 13 Conhece-te a ti próprio 14 Conhece o Mercado de Trabalho 16 O que o Mercado de Trabalho espera de ti 16 Como é feito o processo de Recrutamento e Selecção de candidatos? 17 Estratégias de Procura de Emprego 22 Oportunidades de Trabalho 23 centro de emprego 23 agências de recursos humanos e/ou de trabalho temporário 24 candidaturas espontâneas 25 a n ú n c i o s 26 networking gerir as redes sociais 27 Ferramentas de Empregabilidade 30 curriculum vitae 30 cartas de candidatura 36 cartas de candidatura espontânea 38 p o r t e fó l i o 39 c a r tã o-d e-visita 39 dossier pessoal 39 Provas de Selecção 39 t e s t e s 40 provas / dinâmicas de grupo 41 entrevistas de emprego 42 Carta de Agradecimento 46 Carta posterior a uma recusa de emprego 47 Carta de renúncia a uma oferta de emprego 49 Oportunidades de Emprego Fora de Portugal Mobilidade Internacional 50 CONTRATOS DE TRABALHO 51 PROGRAMAS DE ESTÁGIOS PROFISSIONAIS 55 Programas de Estágios Profissionais Nacionais 56 Programas de Estágios Internacionais 58

5 VOLUNTARIADO E TRABALHOS DE VERÃO 63 EMPREENDEDORISMO: PASSOS A DAR NA CRIAÇÃO DO TEU NEGÓCIO 65 Da oportunidade à ideia de negócio 66 Estudo de Mercado: O que é? 67 Estruturação da Actividade da Empresa 68 A importância de um Plano de Negócios 69 Como financiar o teu negócio - Meios e Fontes de Financiamento 70 Aspectos Jurídico-Formais 71 Iniciar a Actividade da Empresa 73 MANTÉM-TE EMPREGÁVEL 75 O QUE A CIDADE DAS PROFISSÕES PODE FAZER POR TI 77 CONTACTOS ÚTEIS 81

6 Mensagem da Federação Académica do Porto A conclusão de um curso é sinónimo do encerrar de um ciclo, o culminar de uma fase, determinante na vida de qualquer estudante. No entanto, pode também ser sinónimo de dúvidas, desorientação, incerteza. Torna-se, de facto, crucial, que se tome consciência da importância desta realidade, de forma a poder auxiliar os recém-graduados na procura, obtenção e/ou criação do primeiro emprego. Plenamente consciente das crescentes dificuldades inerentes à obtenção do primeiro emprego, a Federação Académica do Porto FAP lança, em conjunto com a Cidade das Profissões, a segunda edição do guia A Entrada no Mercado de Trabalho Guia para Graduados, que esperamos que seja visto como um kit de sobrevivência de qualquer recém- -graduado. Pretende-se que este guia funcione como uma compilação de informação útil, de fácil consulta e acesso, e como uma resposta imediata às principais dúvidas que podem surgir na entrada para o mercado de trabalho. Este é um guia dedicado a todos os estudantes, e não apenas aos estudantes finalistas. Na verdade, consideramos que a preocupação com o mercado de trabalho não deve aparecer apenas no final do curso, mas principalmente durante a sua realização, sendo este guia uma tentativa de que a desorientação que muitas vezes assola os estudantes finalistas seja cada vez mais diminuta e a transição Universidade Mercado de Trabalho se torne menos abrupta, tendo sempre a consciência de que a transição para o mercado de trabalho é um processo que não acaba, mas antes um processo que se prolonga no tempo e não corresponde à simples articulação entre educação e emprego. Neste sentido, esperamos que este guia seja um companheiro de curso e para além dele, uma ferramenta de (in)formação e de promoção de competências, um instrumento ao serviço de todos os estudantes, um manual de sobrevivência ao mundo do trabalho. A FAP deseja a todos os estudantes, em particular, aos recém graduados, um célere atingir dos objectivos a que se propuseram, o realizar de todas as suas expectativas, esperando que o A entrada no Mercado de Trabalho Um Guia para Graduados seja um companheiro de viagem. A Direcção da FAP

7 Mensagem da Cidade das Profissões O guia A Entrada no Mercado de Trabalho Guia para Graduados, resulta do encontro de duas entidades, a Cidade das Profissões e a Federação Académica do Porto, em torno de uma mesma preocupação: como apoiar os estudantes do ensino superior no momento em que deixam de o ser e se vêem perante um processo de transição para a vida activa? Como orientar os jovens nesta nova fase de vida no actual contexto de incerteza, num mercado em constante transformação, em que se redefinem os conceitos tradicionais de trabalho? Certamente ao longo do teu percurso académico terás ouvido algum professor ou orientador profissional dizer frases como o caminho faz-se caminhando ou o percurso profissional escreve-se a lápis, para se poder apagar e reescrever as vezes necessárias. Talvez estas frases se tenham tornado banais, à força de as repetirmos, mas nunca como hoje fizeram tanto sentido. Muitas vezes falamos em etapas a seguir no teu percurso profissional, como se de um percurso de sentido único, organizado e sequenciado no tempo se tratasse. Ora, a vida profissional faz-se hoje de períodos alternados, e não raramente prolongados, de actividade e inactividade e/ou de trabalho e formação. Um percurso, portanto, de aparentes ou sentidos avanços e recuos, de certezas e incertezas, de estabilidade e de mudança. Conscientes de que o teu futuro profissional se constituirá de desafios, que muitas vezes sentirás como obstáculos, e de que o processo de procura de um primeiro emprego ou a iniciativa de criar a própria actividade é um processo difícil, sentido como determinante nesta nova fase da tua vida, acreditamos que uma ferramenta de orientação como o presente guia te fará sentir mais preparado, e por conseguinte, mais capaz. Ao longo deste guia damos-te linhas orientadoras para começares a desenhar e planear o teu percurso profissional. Mas este guia é também reflexo do tempo em que vivemos, uma sociedade da informação e do conhecimento, em que rapidamente a informação se torna obsoleta e perde valor. Sendo meras orientações, as sugestões que aqui te deixamos devem ser integradas e sujeitas à tua reflexão pessoal e alvo de uma actualização constante. Ao invés de as perspectivares como verdades absolutas, apropria-te delas na definição de projectos profissionais únicos e pessoais: os teus! Capacidade e identidade são palavras-chave no mercado de trabalho. Estamos certos de que és capaz. Capaz de fazer e ser o profissional que ambicionas e que o mercado procura. Portanto, o teu maior desafio será, hoje como amanhã, trabalhar a tua identidade. Por outras palavras, desenvolver e valorizar aquilo que te diferencia! E neste período que agora se inicia, a tua ferramenta mais valiosa é a tua atitude perante as oportunidades que o mercado encerra. Dessa atitude deverá fazer parte a procura e actualização constante de informação, a vontade de aprender mais e ao longo da vida e olhar para o curso, não como algo que se adquiriu e que conduz ao exercício de uma determinada profissão, mas como mais uma ferramenta de trabalho que alarga o teu leque de possibilidades e de oportunidades, e com a qual irás escrevendo e reescrevendo os teus percursos. A direcção da Cidade das Profissões

8 INTEGRAR O MERCADO DE TRABALHO

9 INTEGRAR O MERCADO DE TRABALHO O mercado de trabalho tem vindo a caracterizar-se pela incerteza e constante transformação. As novas tecnologias, a globalização da economia e o aparecimento de novas necessidades das pessoas e das empresas transformaram o mundo do trabalho e a forma como trabalhamos. Aparecem novas profissões e profissões há que, embora mantendo o seu nome tradicional, se transformaram significativamente, incorporando novos conteúdos e funções. Requer-se, assim, novos conhecimentos, exige-se novas competências, surgem novos perfis profissionais. Acresce ainda que profissões que há poucos anos apresentavam elevadas taxas de empregabilidade, hoje em dia assumem-se como áreas profissionais saturadas. O diploma obtido no final de um ciclo académico não corresponde necessariamente a um emprego nessa mesma área. Assim, por uma multiplicidade de factores, é fundamental que no momento de investir em formação, sejamos capazes de acompanhar as transformações do mercado de trabalho, de forma a reajustar os nossos interesses, valores e escolhas. Devemos, então, encarar o período de formação como um momento de preparação para a integração profissional. Um período em que podemos investir no desenvolvimento de competências pessoais e profissionais. Para além de possibilitar o aperfeiçoamento de competências, os contextos de aprendizagem são, também, excelentes oportunidades para alargarmos a nossa rede de contactos (professores, orientadores, colegas e antigos alunos) e promover o networking, que poderá vir a desempenhar um papel fulcral na inserção na vida activa. Aproveita este momento para te envolveres em actividades extra-curriculares que te permitam aumentar a tua rede de contactos, desenvolver as tuas capacidades e promover o teu potencial profissional. Muitas vezes, é pelo nosso envolvimento nestas actividades que poderemos, mais tarde, em situação de entrevista, demonstrar o nosso perfil dinâmico, e em particular, as competências que o empregador procura. As experiências de estágio, que muitas instituições de ensino promovem, podem constituir-se como contextos de desenvolvimento pessoal e uma boa forma de nos pormos à prova enquanto futuros profissionais. Estes estágios permitem conhecer as regras do mercado de trabalho, as relações laborais e as áreas profissionais com que mais nos identificamos. Se a tua instituição de ensino não promove estágios, procura activamente instituições ou empresas que tenham disponibilidade para te acolher! O teu percurso profissional pode começar a ser projectado desde o início do teu percurso académico de forma coerente, estruturada e organizada. É importante que traces um plano de acção para a tua integração no mercado de trabalho, pois esta tarefa exige empenho, motivação e determinação. Deves ser um agente activo e dinâmico na tua inserção laboral. Na maior parte das vezes procuramos oportunidades. Mas vai mais longe: cria as tuas oportunidades! 10

10 Após o término de um ciclo de estudos existe mais do que uma possibilidade para iniciar o percurso profissional. Poderás encontrar o teu primeiro emprego, iniciar um programa de estágio profissional, criar o teu próprio negócio e/ou viver uma experiência de voluntariado. Ao longo deste guia, procuraremos orientar-te e sensibilizar-te para questões- -chave no processo de integração no mercado de trabalho: a procura activa de emprego, as ferramentas de empregabilidade de que te deves fazer acompanhar, as técnicas de selecção mais utilizadas pelas empresas, os programas de estágios profissionais nacionais e internacionais existentes, os passos a dar na criação de um negócio e as oportunidades de voluntariado ao teu dispor. INTEGRAR O MERCADO DE TRABALHO 11

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12 A PROCURA DE EMPREGO

13 A PROCURA DE EMPREGO Para a maioria dos alunos do ensino superior, a procura de emprego surge com a finalização dos estudos, mas para outros, este é um processo que ocorre em simultâneo. Independentemente do momento em que se inicia este processo, há algumas noções que são transversais. A procura de emprego é um processo exigente para o indivíduo e influenciado por vários factores, como a capacidade de cada um para se adaptar às transformações do mundo laboral, a postura de aprendizagem ao longo da vida, a capacidade para desenvolver marketing pessoal de forma dinâmica e positiva, o número de alunos que concluem os seus cursos anualmente e a consequente capacidade de absorção do mercado de trabalho. O próprio carácter competitivo e instável do mercado irá condicionar a integração profissional, exigindo a definição de uma estratégia de procura de emprego, que se espera vir a revelar-se eficaz. Encontrar um trabalho não depende apenas do acaso: integra um processo contínuo, passível de ser aprendido e aperfeiçoado ao longo da vida profissional. Cai por terra a ideia de um emprego para toda a vida ou de progressão linear na carreira e ganham força os conceitos de empregabilidade e de gestão de carreira. Ultrapassada a questão da pertença organizacional, o indivíduo poderá usufruir de várias oportunidades profissionais ao longo de múltiplas experiências de trabalho. A segurança e a estabilidade laboral assentam mais na competência do indivíduo, na sua capacidade de ser empregável, do que na formalidade do seu contrato de trabalho. Encara a procura de emprego como o momento de trabalhar para e por ti próprio, a tempo inteiro! Conhece-te a ti próprio A procura de emprego depende, em grande parte, de ti e da tua capacidade para analisar e promover as tuas competências. É importante que, antes mesmo de começares a construir as tuas ferramentas de empregabilidade (como por exemplo, o teu currículo e as cartas de candidatura), reflictas acerca dos teus conhecimentos, capacidades, competências, áreas profissionais com que te identificas, interesses e características pessoais, entre outros. Pondera sobre o teu perfil profissional, identifica os teus pontos fortes e fracos, bem como potenciais ameaças e oportunidades que poderás enfrentar na procura de emprego. Por exemplo, se constatares que um dos teus pontos fortes é a tua capacidade de expressão oral, como poderás utilizar isto em teu proveito no momento de te candidatares a uma determinada empresa/instituição? Se o facto de não dominares a língua inglesa se constituir como um ponto fraco, o que poderás fazer para o colmatar? Se antecipas que o facto de teres realizado formação fora de Portugal poderá ser uma oportunidade para a tua integração profissional, como irás destacar isso no teu currículo ou na carta de candidatura? Se a idade e/ou a pouca experiência profissional são antecipadas como ameaças, como irás demonstrar que isso pode ser algo a teu favor? O exercício proposto de seguida, poderá servir-te de orientação. Trata-se de uma análise SWOT Strengths (Pontos Fortes), Weaknesses (Pontos Fracos), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). Utiliza esta ferramenta sempre que necessites de te posicionar estrategicamente perante uma situação problema! 14

14 Utiliza esta ferramenta sempre que necessites de te posicionar estrategicamente perante uma situação-problema! A PROCURA DE EMPREGO Começa, desde já, a traçar o teu plano de acção para a integração no mercado de trabalho. Não esperes pela finalização do teu ciclo de estudos, antecipa esta questão. Este balanço pessoal irá ajudar-te a identificar a estrutura de oportunidades que tens ao teu dispor, salientando formas de contornar os aspectos menos positivos identificados e maximizar os pontos fortes, orientando-te para a procura de emprego e preparando-te para as provas de selecção às quais poderás ser sujeito. Desta forma, conseguirás definir as competências e qualidades que poderás aplicar no contexto profissional. No final desta reflexão, deverás saber responder à pergunta: o que tenho a oferecer a um empregador? 15

15 A PROCURA DE EMPREGO Conhece o Mercado de Trabalho Procurar emprego implica saber adaptarmo-nos ao contexto em que estamos inseridos e à sua evolução. Para conhecer o mercado de trabalho, é fundamental analisar os sectores profissionais em expansão, as taxas de ocupação, as áreas profissionais emergentes, os requisitos, técnicos e pessoais, mais solicitados pelas empresas e os actuais constrangimentos sócio-económicos. Poderás aceder a esta informação através das estatísticas de emprego regularmente divulgadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), analisando anúncios de emprego, explorando portais da Internet, revistas ou fóruns da especialidade, bem como através da tua rede de relações (professores, colegas de curso, orientadores de estágio, entre outros). Através dos sites das principais empresas/instituições no teu ramo de actividade ficarás a conhecer a sua missão, visão, princípios e valores. Esta pesquisa facilitará o acesso a informação pertinente sobre o que as entidades procuram ou valorizam nos seus colaboradores. O que o Mercado de Trabalho espera de ti Um dos métodos para compreender o que o mercado de trabalho espera de um candidato é a análise de anúncios de emprego e o conhecimento da cultura do meio empresarial que o mesmo pretende integrar. Quando seleccionares um anúncio, analisa com atenção o seu conteúdo. Este indica os requisitos que o empregador procura ou valoriza nos candidatos. Geralmente, os anúncios de emprego explicitam não só os conhecimentos técnicos de que o mercado de trabalho mais necessita, mas também as competências transversais mais valorizadas. Independentemente da área profissional, há competências que são necessárias para qualquer função que se pretenda desempenhar, como a apresentação pessoal, a comunicação, oral e escrita, a interacção com os outros e o trabalho em equipa, a liderança, a iniciativa, a flexibilidade/capacidade de adaptação, a inovação, a responsabilidade, o sentido de compromisso para com a empresa, a orientação para os resultados, entre outras. As candidaturas a emprego devem demonstrar que efectivamente possuimos as competências definidas como essenciais para uma determinada empresa. Por exemplo, se através da análise do seu portal da Internet temos conhecimento que valoriza a criatividade e inovação, na nossa candidatura devemos dar exemplos de situações em que tenhamos sido criativos ou inovadores. 16

16 Ao conhecer o que o mercado de trabalho espera de um profissional da tua área, poderás ir aperfeiçoando as tuas competências técnicas e pessoais. Tendo isto em conta, procura traçar o teu projecto profissional. Define quais as áreas e funções que mais te atraem e quais aquelas em que não te sentes à vontade. Direcciona a pesquisa das oportunidades que existem ao teu redor, mantendo sempre em aberto a possibilidade de te lançares num projecto profissional internacional. À medida que vais aumentando os teus conhecimentos sobre a dinâmica do mercado de trabalho e enriquecendo o teu perfil profissional, será mais fácil gerir a tua procura de emprego. Como é feito o processo de Recrutamento e Selecção de candidatos? A PROCURA DE EMPREGO O processo de recrutamento e selecção pode variar de empresa para empresa, mas de uma forma geral existem passos comuns. A empresa começa por estabelecer uma metodologia de recrutamento, em função das suas necessidades efectivas, definindo os critérios que orientam a procura de um candidato, como o nível de conhecimentos técnicos, a experiência profissional, as competências-chave valorizadas pela empresa, entre outros. Por norma, as empresas procuram, numa primeira fase, analisar as candidaturas espontâneas. Não havendo um candidato que preencha os requisitos tidos como essenciais para a função, a empresa divulga a necessidade de recrutamento então identificada pelo recurso a um anúncio de emprego (jornais, revistas, portais de emprego), e/ou junto da sua rede de contactos, de Universidades, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, entre outras entidades. Se por um lado, há empresas que assumem as funções de recrutamento e selecção, outras há que contratam Agências de Recursos Humanos para realizar todo este processo. As Agências de Recursos Humanos irão seguir o mesmo procedimento: uma análise prévia das candidaturas registadas em base de dados próprias, seguida, se não encontrado o candidato ideal, da divulgação do anúncio de emprego. A partir do momento em que a empresa ou a Agência de Recursos Humanos recebe as candidaturas, termina a fase de recrutamento e inicia-se a fase de selecção. A primeira etapa de selecção é a análise curricular. Um técnico especializado dedicará cerca de doze segundos a uma primeira leitura do currículo. Procura direccionar a tua informação para aquilo que poderá interessar mais à empresa. Se no anúncio de emprego, a empresa define como mais importante a área de formação e a experiência profissional, esses deverão ser os tópicos em destaque no teu currículo. Como já deves ter percebido, isso implica redigir um currículo e uma carta de candidatura diferente e à medida de cada empresa à qual te candidatas. É um grande investimento em pesquisa, contudo irá permitir-te adequar a tua candidatura àqueles que são os requisitos da empresa, cativando a sua atenção. 17

17 A PROCURA DE EMPREGO Após a análise curricular, algumas empresas submetem os candidatos a provas de selecção, como por exemplo, testes psicotécnicos, provas ou dinâmicas de grupo e entrevistas de emprego. Os testes psicotécnicos tendem a ser utilizados quando há um grande número de candidatos a avaliar. Estes testes podem avaliar aptidões técnicas, características de personalidade e interesses. Pretende-se que sejam capazes de identificar os candidatos que apresentam resultados inferiores/superiores ao esperado para aquela área profissional e/ou idade. As provas ou dinâmicas de grupo são uma excelente forma da empresa verificar as características pessoais, a forma como um indivíduo interage com os outros e resolve problemas. A um grupo de cerca de doze pessoas, poderá ser apresentada uma situação problema, técnica ou hipotética, que o grupo terá que solucionar (sem recorrer a votação) e procurando cumprir o tempo estabelecido. Mais do que a conclusão em si, interessa ao empregador identificar, nos diversos elementos do grupo, os critérios que foram delineados previamente. As entrevistas de emprego são o método de selecção de candidatos mais utilizado, pois permitem ao entrevistador validar a informação que consultou aquando da triagem curricular, mas também conhecer melhor o candidato e analisar se este se enquadrará na cultura da empresa e nas equipas já formadas. Nem todas as empresas submetem os seus candidatos a todas estas etapas de selecção. As provas de selecção serão escolhidas em função do número de candidatos e dos objectivos da empresa. O processo de recrutamento e selecção na administração pública O processo de recrutamento e selecção na Administração Pública é sujeito a algumas regras e formalismos específicos. Aquando da realização e aprovação do orçamento para o ano seguinte deve ser avançada, pela instituição pública, a necessidade de recrutamento, sendo definidos os moldes de contratação a realizar e se esta será preenchida por recursos humanos já integrados na instituição (concurso interno) ou se será aberta a toda a comunidade (concurso externo). O concurso pode revestir as seguintes modalidades: a) comum, sempre que se destine ao imediato recrutamento para ocupação de postos de trabalho previstos, e não ocupados, nos mapas de pessoal dos órgãos ou serviços públicos; b) para constituição de reservas de recrutamento que se destinam à satisfação de necessidades futuras da entidade empregadora pública ou de um conjunto de entidades empregadoras públicas. Os concursos à admissão e contratação pública são divulgados no site da instituição em questão, na Bolsa de Emprego Público (www.bep.gov.pt), no Diário da República Segunda Série (www.dre.pt) e num jornal de expansão nacional. As oportunidades de emprego científico em instituições públicas podem ser encontradas no Portal da Mobilidade de Investigadores (www.eracareers.pt) da responsabilidade da Fundação para a Ciência e Tecnologia. 18

18 Nos concursos para a Administração Pública deverás enviar o teu currículo devidamente rubricado no canto superior direito de todas as páginas, bem como datado e assinado na última página. Juntamente com o currículo deverás enviar todos os documentos que comprovem a tua experiência, como o certificado de habilitações e de outras formações realizadas, o certificado das experiências profissionais realizadas, documentos identificativos, entre outros, e um formulário de candidatura disponibilizado pela instituição pública. No anúncio do concurso público serão dados a conhecer os documentos que deves entregar e a data limite de entrega. A PROCURA DE EMPREGO Os candidatos devem, obrigatoriamente, ter os seguintes requisitos: Nacionalidade portuguesa, quando não dispensada pela Constituição, convenção internacional ou lei especial; Dezoito anos de idade completos; Não inibição do exercício de funções públicas ou não interdição para o exercício daquelas que se propõe desempenhar; Robustez física e perfil psíquico indispensáveis ao exercício das funções; Cumprimento das leis de vacinação obrigatória. Métodos de selecção Os métodos de selecção a utilizar obrigatoriamente no processo público de selecção são as provas de conhecimentos e a avaliação psicológica. No caso dos candidatos que já sejam titulares da categoria profissional ou que estejam colocados em situação de mobilidade especial (e se tenham encontrado a cumprir as funções caracterizadoras do posto de trabalho em questão), os métodos de selecção a utilizar no seu recrutamento podem ser a avaliação curricular e a entrevista de avaliação de competências (quando comunicados por escrito pelo candidato). Podem ainda ser adoptados outros métodos de selecção legalmente previstos. Prova de conhecimentos - Esta prova visa avaliar as competências técnicas, bem como os conhecimentos académicos e profissionais necessários ao exercício de cada função. Este método de selecção é utilizado nos processos de recrutamento para constituição de relação jurídica por tempo indeterminado, a candidatos: a) sem experiência na área de actividade do posto de trabalho, b) que detenham diferente carreira e categoria e que exerçam diferente actividade, c) que não possuam uma relação jurídica de emprego público por tempo indeterminado, d) que ultimamente tenham exercido funções semelhantes às do posto de trabalho em causa, mas que optem por este método. Os candidatos são notificados por escrito da data, local e horário da realização das provas, por um dos seguintes meios: , ofício registado, notificação pessoal; aviso em Diário da República (segunda série); afixação nas instalações do organismo e inserção na página electrónica. 19

19 A PROCURA DE EMPREGO Consulta a bibliografia e a legislação necessárias para a prova, no aviso de abertura do concurso ou no site do organismo; Estuda a lei orgânica do serviço/organismo para te inteirares da sua missão; Analisa o conteúdo funcional ou o perfil das competências enunciadas no aviso; Informa-te se a prova, quando escrita, é ou não, com consulta da legislação ou bibliografia indicadas; Está atento e mantém-te informado sobre todos os aspectos respeitantes às diversas fases do processo de avaliação até à sua conclusão; Consulta a publicitação dos resultados do método que realizaste (no portal online ou nas instalações do organismo que promove o recrutamento). Avaliação psicológica - A avaliação psicológica destina-se a prever o grau de adaptação de cada candidato às exigências psicológicas do posto de trabalho a que concorre. Incide nas seguintes dimensões: aptidões intelectuais, características da personalidade e competências comportamentais (capacidades pessoais traduzidas em condutas ajustadas ao posto de trabalho em referência). Os instrumentos de avaliação utilizados são: testes de aptidão intelectual - nomeadamente de raciocínio lógico, aptidão e compreensão verbal, raciocínio numérico; testes de personalidade (na forma de questionários, inventários ou outros), para avaliar características pessoais como a estabilidade emocional, resistência ao stress, extroversão, introversão, dinamismo; testes de aptidão psicomotora, para avaliar capacidades como a exactidão e velocidade de reacção, a coordenação bimanual e a precisão de gestos. As técnicas de avaliação psicológica utilizadas são: prova de dinâmica de grupo, que permite avaliar os comportamentos dos candidatos numa situação de trabalho de grupo, e a entrevista individual, que tem uma função integradora dos vários momentos da avaliação psicológica e permite um contacto personalizado com cada candidato para obter informações sobre o seu percurso académico e profissional e motivações da sua candidatura. Este método de selecção é utilizado nos processos de recrutamento para postos de trabalho com o intuito da celebração de contrato na função pública por tempo indeterminado. Procura conhecer as características do posto de trabalho e as responsabilidades inerentes ao seu exercício; Reflecte sobre as tuas características pessoais e os requisitos da função; Recorda as tuas experiências profissionais anteriores e compara-as com o posto de trabalho a que concorres; Na véspera, procura descansar para que, no dia das provas, possas dar o teu melhor; Certifica-te, antecipadamente, da hora e do local de realização das provas, bem como da melhor opção de transporte a utilizar. Deves ser pontual; Se tiveres alguma necessidade especial considerada pertinente (por exemplo, deficiência física), contacta, com antecedência, a entidade que realiza a Avaliação Psicológica. 20

20 Avaliação curricular - Este método obrigatório de selecção visa avaliar a qualificação dos candidatos, em particular a habilitação académica ou profissional, o percurso profissional, a relevância da experiência adquirida e da formação realizada, o tipo de funções exercidas e a avaliação de desempenho obtida. Aplica-se aos recrutamentos para a constituição de relação jurídica por tempo indeterminado, determinado ou determinável. Entrevista de avaliação de competências Este é um método de selecção que visa obter informações sobre comportamentos profissionais directamente relacionados com as competências essenciais para o exercício da função (através de descrições comportamentais ocorridas em situações vivenciadas pelos entrevistados). Analisa-se de forma estruturada a experiência, as qualificações profissionais e as motivações do candidato. Aplica-se aos candidatos a recrutar para constituição de relação jurídica de emprego público por tempo indeterminado, determinado ou determinável. A PROCURA DE EMPREGO Entrevista profissional de selecção - A entrevista profissional de selecção destina-se a avaliar de forma objectiva e sistemática a experiência profissional e aspectos comportamentais evidenciados durante a interacção entre o entrevistador e o entrevistado. Incide sobre a capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoal, a relevância da experiência anterior e a actualização e valorização profissionais do entrevistado. Aplica-se aos recrutamentos para a constituição de relação jurídica de emprego público por tempo indeterminado, por tempo determinado ou por tempo determinável. Enquanto método complementar ou facultativo, é sempre associado a um ou dois métodos obrigatórios, que o precedem na sua aplicação. Avaliação de competências por portefólio Este método destina-se a confirmar a experiência e/ou os conhecimentos do candidato em áreas técnicas específicas, designadamente de natureza artística. Incide na análise de uma colecção organizada de trabalhos que demonstrem as competências técnicas detidas pelo candidato, directamente relacionadas com as funções a que se candidata. Provas físicas - Visam avaliar a aptidão física necessária à execução das actividades inerentes aos postos de trabalho a ocupar. Devem ser realizadas nos recrutamentos por tempo indeterminado, por tempo determinado ou por tempo determinável e de acordo com as exigências da função. Exame médico - O exame médico tem como objectivo avaliar as condições de saúde física e psíquica dos candidatos exigidas para o exercício da função. Aplica-se a contratos por tempo indeterminado, por tempo determinado ou por tempo determinável. Só pode ser aplicado quando tem por finalidade a protecção e a segurança do trabalhador ou de terceiros, quando as exigências particulares inerentes à actividade o justifiquem, devendo em qualquer caso ser fornecida por escrito aos candidatos a respectiva fundamentação e nunca pode ser exigido às candidatas a realização ou a apresentação de testes ou exames de gravidez. Curso de formação específica - Destina-se a promover o desenvolvimento de competências do candidato através da aprendizagem de conteúdos e temáticas direccionadas para o exercício da função. 21

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