4 DIAGNÓSTICO DA PRODUÇÃO DO BIODIESEL NO BRASIL

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1 4 DIAGNÓSTICO DA PRODUÇÃO DO BIODIESEL NO BRASIL Produção de Biodiesel Ao longo das últimas décadas no país, ocorreram algumas tentativas para implementar o uso de óleos vegetais como combustível sucedâneo ao diesel derivado de petróleo (BRASIL, 2005). Pode-se verificar que os óleos vegetais foram propostos como vetores energéticos, em programas de 1950, no Pro-óleo, de 1980, e no Programa OVEG, de Sucessivamente, porém, obstáculos não superados, principalmente custos, impediram sua viabilização. Mais recentemente, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) criou a Rede de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Probiodiesel, reunindo instituições atuantes ou interessadas no tema. O início dos estudos/pesquisas sobre o uso de óleos vegetais como alternativa ao petróleo fazem referência à década de 50, quando o Instituto Nacional de Tecnologia, o Instituto de Óleos do Ministério da Agricultura e o Instituto de Tecnologia Industrial de Minas Gerais pesquisaram sobre a eficiência dos óleos de ouricuri, mamona e algodão em motores diesel de 6 cilindros. A década de 70 é marcada pela aceleração da economia brasileira, principalmente no setor industrial, e pelo cenário energético mundial em crise. Mesmo com a determinação do desenvolvimento de novas tecnologias para captação de petróleo no litoral brasileiro, também foram estimuladas pesquisas sobre combustíveis alternativos, incluindo os óleos vegetais, a fim de reduzir a dependência do país em relação ao petróleo oriundo do exterior. Devido ao panorama histórico em 1980, com a segunda crise do petróleo e o país produzindo somente 15% do petróleo consumido, o governo emitiu a Resolução nº 7 (ano 1980), do Conselho Nacional de Energia, que instituiu o Programa Nacional de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos (Proóleo). Entre outros objetivos, pretendia-se substituir óleo diesel por óleos vegetais em mistura de até 30% em volume, incentivar a pesquisa tecnológica para promover a produção de óleos vegetais nas diferentes regiões do país e buscar a total substituição do óleo diesel por óleos vegetais. No mesmo ano (1980), a soja foi considerada a oleaginosa com maior potencial para concretizar a o Programa Nacional de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos. A partir de 1981, ao amendoim, e em 1982 a colza e girassol. Em 1986, a ênfase passou ao dendê. A meta era, em cinco anos, produzir 1,6 milhão de metros cúbicos de óleos para fins energéticos. Contudo, a viabilidade econômica era questionável: em valores para 1980, a relação de preços internacionais óleos vegetais/petróleo, em barris equivalente, era de 3,30 para o dendê; 3,54 para o girassol; 3,85 para a soja e de 4,54 para o amendoim. Com a queda dos preços do petróleo a partir de

2 1985, a viabilidade econômica ficou ainda mais prejudicada e este programa foi progressivamente esvaziado, embora oficialmente não tenha sido desativado. Também no início dos anos 80, a Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e Comércio (STI/MIC), desenvolveu e lançou o Programa Nacional de Alternativas Energéticas Renováveis de Origem Vegetal, com algumas linhas de ação relacionadas aos óleos vegetais combustíveis, que levaram ao Programa de Óleos Vegetais (OVEG), voltado especificamente para a comprovação técnica do uso dos óleos vegetais em motores ciclo Diesel, com a participação de institutos de pesquisa, órgãos técnicos do governo federal, fabricantes de motores, fabricantes de óleos vegetais e empresas de transportes. Foram desenvolvidos testes com ésteres puros (metílico e etílico) e misturas com 30% de éster metílico de óleo de soja, matéria-prima selecionada por sua maior disponibilidade. Nos últimos anos, com a valorização dos aspectos ambientais e da sustentabilidade dos sistemas energéticos, bem como motivado pela consolidação do programa europeu de biodiesel, o interesse neste combustível foi retomado no Brasil. Diversas instituições passaram a desenvolver atividades neste campo e algumas ações governamentais foram tomadas. Em 2002, o MCT constituiu a Rede de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Probiodiesel, com representantes da academia, do governo, da indústria automotiva e de potenciais produtores de biodiesel. Essa rede promoveu diversas reuniões e por intermédio de quatro grupos técnicos procurou avançar na avaliação das perspectivas do biodiesel para as condições brasileiras. Nos estudos preliminares realizados não houve consenso quanto às matérias-primas e processos a considerar. No Brasil, desde 2005 já existem algumas empresas habilitadas a produzir biodiesel a partir do uso da soja (instaladas nos estados de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais), como a ECOMAT (MT), que supriu o CERBIO/TECPAR (Centro Brasileiro de Referência em Biocombustíveis, do Instituto de Tecnologia do Paraná) com um combustível que foi testado na frota do transporte coletivo de Curitiba/PR. No ano de 2000 foi instalada a fábrica de biocombustíveis da ECOMAT no Estado do Mato Grosso, que produzia o AEP 102, éster de soja aditivo especial da mistura álcool diesel, e éster metílico e etílico. Além da ECOMAT, a Granol instalou, em São Simão (GO), uma planta com escala industrial para a produção de éster etílico/metílico de soja, cuja capacidade é de 400 toneladas/dia. A Petrobras planeja implantar e operar em 2006/2007 três usinas: em Candeias (BA), Quixadá (CE) e Montes Claros (MG), cada uma com capacidade para processar 44 mil toneladas de matérias-primas como mamona, soja, algodão, nabo forrageiro e pinhão manso e está em avaliação a possibilidade de instalação de unidades no sul do país, Goiás e São Paulo. Segundo a gerência executiva de desenvolvimento energético da Petrobras, a empresa tem US$381 milhões para investir no biodiesel até 2010, mas provavelmente utilizará os recursos antes desse prazo. Somados aos aportes dos parceiros, os projetos devem chegar a US$ 1 bilhão. Até 2005, a estatal investiu em torno de US$ 5 milhões em pesquisas com biodiesel. Atualmente, a Petrobras possui duas usinas em Guamaré (RN), que operam em fase experimental. Ainda em 2006, as usinas deverão produzir em escala comercial para atender ao Nordeste, com capacidade de 16 mil toneladas por ano. Essas unidades e as novas usinas da Petrobras deverão produzir no próximo ano, entre 180 e 200 milhões de litros de biodiesel. Desde janeiro de 2006 a BR Distribuidora está misturando o biodiesel em diesel na proporção de 2% e será a única empresa apta a adquirir o biocombustível STCP Engenharia de Projetos Ltda.

3 nos leilões promovidos pela ANP até A partir de 2008, quando a mistura será obrigatória, todas as distribuidoras poderão atuar no mercado. Estima-se que a demanda de biodiesel no Brasil será de 800 milhões de litros por ano. As usinas da Petrobras terão capacidade para 550 milhões de litros por ano *. Outro setor interessado na produção de biodiesel é o setor sulcroalcooleiro, aventando a possibilidade da produção contínua de biodiesel integrada com usinas de açúcar e álcool. Esse setor buscou sinergias entre a principal atividade (produção de açúcar e álcool) e o processo de produção de biodiesel, tais como: conhecimento da cultura de oleaginosas; maximizar utilização da terra/alternativa rentável para cobertura da terra nua; maximizar utilização das máquinas e implementos; processos industriais semelhantes; maximizar utilização de mão de obra; integração na regeneração do álcool; solução integrada para efluentes; possível uso do sub-produto glicerina para desidratação do bioetanol; redução de custo em função da disponibilidade de utilidades e capacitações; minimização de investimentos; otimização energética; biodiesel e bioetanol produtos semelhantes; utilização do próprio combustível; redução da dependência do combustível fóssil; redução carga tributária; moagem/extração de grãos ociosos; agregar novos produtos ao portfólio: biodiesel, glicerina e farelo; aumento da atividade econômica maior faturamento. O potencial para a produção de oleaginosas integrado à produção de cana de açúcar está na área de renovação do canavial. A cana-de-açúcar possui um ciclo de produção médio de 5 anos, sendo que a renovação do canavial se dá sistematicamente em 20% da área de corte anual, o que só no Estado de São Paulo significa ha/ano. *Valor, 20/12/ STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.3

4 Como o setor sucroalcooleiro, outras indústrias dos setores químico e alimentício também estão buscando adaptar a produção de biodiesel a sua planta industrial. Um exemplo é o Grupo Agropalma, no Estado do Pará, que tem como atividade principal a produção de óleo de palma, gorduras vegetais e margarina e que está produzindo biodiesel obtido a partir dos resíduos do refino do óleo de palma. 4.2 Capacidade Potencial e Instalada para Produção de Biodiesel no Brasil O mercado potencial para o biodiesel é determinado pelo mercado do derivado de petróleo. Em 2002, a demanda para esse combustível foi da ordem de 39,2 milhões de metros cúbicos, dos quais 76% foram consumidos no setor de transporte, 16% no setor agropecuário e 5% para geração de energia elétrica nos sistemas isolados (BRASIL 2005). No setor de transporte, 97% da demanda ocorre no modal rodoviário, ou seja, caminhões, ônibus e utilitários, já que no Brasil estão proibidos os veículos leves a diesel. Em termos regionais, o consumo de diesel ocorre principalmente na região Sudeste (44%), vindo a seguir o Sul (20%), Nordeste (15%), Centro-Oeste (12%) e Norte (9%). O diesel para consumo veicular no Brasil pode ser o diesel interior, com teor de enxofre de 0,35% ou o diesel metropolitano, com 0,20% de enxofre, que responde por cerca de 30% do mercado (CAMPOS, 2003). A geração de energia elétrica nos sistemas isolados da região amazônica consumiu 530 mil metros cúbicos de diesel, distribuídos na geração de GWh, no Amazonas (30%), Rondônia (20%), Amapá (16%), Mato Grosso (11%), Pará (11%), Acre (6%), Roraima (3%), além de outros pequenos sistemas em outros Estados (CAMPOS, 2003). Estes números se referem à demanda do serviço público. Existem grandes consumidores privados de diesel para geração de energia elétrica, como as empresas de mineração localizadas na região Norte. Conclui-se que o maior mercado consumidor de óleo diesel encontra-se nas regiões Sul e Sudeste, com o consumo em torno de 19,07 milhões de metros cúbicos (19,07 bilhões de litros de óleo diesel) só para atender o setor de transporte, não contabilizando os setores da agropecuária e indústrias que dependem desse combustível para produzir. Assim, estrategicamente e também devido as eventuais dificuldades de logística, um grande número de plantas beneficiadoras de biodiesel hoje se encontram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Dez plantas beneficiadoras de biodiesel, autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo no Brasil (ANP), em conjunto, têm capacidade de produzir 185,22 milhões de litros por ano do biocombustível *. Contudo, outras unidades produtoras estão em processo de autorização pela ANP, tais como a Barralcool S/A, AgroDiesel, Fusermann Biodiesel, Biocapital (tabela 4.01). O maior projeto é o da Biocapital, com capacidade de produção de 300 milhões de litros por ano **. Porém, devido à baixa disponibilidade de oleaginosas especificamente para esse mercado, a produção inicial prevista pela unidade da Biocapital será de cerca de 150 milhões de litros por ano. *Soyminas (Cássia, MG), Agropalma (Belém, PA), Brasil Biodiesel (Floriano e Teresina, PI), Biolix (Rolândia, PR), NUTEC (Fortaleza, CE), Fertibom (Catanduva, SP), Renobras (Dom Aquino, MT) e Granol (Campinas, SP; Anápolis, GO). **Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel-Abiodiesel STCP Engenharia de Projetos Ltda.

5 Segundo informações obtidas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Mato Grosso, a única empresa que estava produzindo efetivamente biodiesel no Estado em 2005 era a Ecomat, cuja origem remonta do setor sucroalcooleiro (Grupo Barralcool S/A). O Grupo, em 2006, decidiu investir na instalação da primeira unidade produtora de biodiesel anexa a uma destilaria de álcool. O projeto da planta industrial foi desenvolvido pela Dedine em parceria com a Balestra (empresa italiana). É uma unidade produtora flex (metanol/etanol), de processo contínuo, que estará apta a produzir 58 milhões de litros por ano a partir de agosto. As unidades de produção da Renobras e da Ecomat não estão em operação atualmente. No Estado de Minas Gerais encontram-se em operação, segundo informações da representante do Programa Biodiesel no Estado, Sra. Angela Menin Teixeira de Souza * cinco unidades industriais, sendo duas delas com produção significativa: a Soyminas ( milhões litros/ano) e a Fuserman (6.000 milhões litros/ano). O combustível gerado em Minas Gerais não tem um destino certo, em princípio está sendo direcionado as mais variadas atividades que necessitam da mistura B2 para gerar qualquer fonte de energia. As principais matérias-primas utilizadas para a extração de óleo no Estado são o pinhão manso, o girassol, a soja e a mamona. Segundo a Coordenadora não existem restrições para a ocupação do solo, ou seja, todo solo agricultável poderá ser ocupado por matéria-prima geradora do biodiesel, tendo como única restrição aos agricultores, a obediência à legislação federal de Uso e Ocupação do Solo e a Legislação Ambiental. No Estado do Piauí, a unidade produtora de biodiesel é a Brasil Biodiesel (usina instalada no município de Floriano, localizado a 250 km da capital Teresina). A capacidade da unidade da Brasil Biodiesel é de 27 milhões de litros por ano, com o processamento de mamona e soja. Essa empresa mantém convênios com instituições financeiras e governamentais a fim de financiar a produção de mamona pela agricultura familiar, como também mantém contratos com esses produtores com uma política de preços fixos. A distribuição do biodiesel fabricado pela Brasil Biodiesel é realizada pela BR Distribuidora. A Universidade Federal do Piauí (UFPI) possui uma Usina Escola com a finalidade de produzir e formar Recursos Humanos com conhecimento na produção, padronização e controle de qualidade do Biodiesel. A capacidade da Usina da UFPI é de 0,6 milhões de litros por ano e esteve arrendada a Brasil Biodiesel. Nessa unidade industrial são usadas várias oleaginosas, como mamona, soja, algodão e também o sebo bovino. A UFPI possui um projeto financiado pela FINEP onde a Professora Carla Verônica Rodarte de Moura é coordenadora, com uma equipe de 4 professores que atuam em pesquisas sobre o tema. No Estado do Paraná, a empresa pioneira na produção de biodiesel foi a Cocamar, originalmente produtora de óleo de soja, na década de 80. A BIOLIX foi a primeira e única indústria no Paraná criada somente para a finalidade de produção de biodiesel. Assim, a partir de entrevista junto à direção da empresa BIOLIX, foram coletadas informações de que a planta industrial foi desenvolvida pela empresa Soyminas, a partir da rota de transesterificação etílica em escala industrial no Brasil. A BIOLIX tem licença da ANP para produzir 30 mil litros de biodiesel por dia, porém a capacidade instalada encontra-se, em parte, ociosa. A grande dificuldade está no abastecimento de matéria-prima. A empresa já utilizou soja, porém, o alto custo de aquisição e o baixo aproveitamento do teor de extrato etéreo, inviabilizaram a utilização dessa matéria-prima, pois o sistema implantado na unidade industrial consegue extrair, por esmagamento, somente 13% do óleo presente no grão (cerca de 20%). O uso de amendoim também não foi bem *Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.5

6 sucedido, pois, além de ter apresentado impurezas no óleo vegetal durante o processo industrial, há o problema da aflatoxina (toxina que pode se apresentar no grão e no farelo do amendoim devido às más condições de armazenamento), que pode se apresentar em um dos subprodutos comercializáveis do processo: o farelo de amendoim. Portanto, a empresa buscou a alternativa do processamento das sementes do girassol e a do nabo forrageiro, porém não são culturas representativas no sistema agrícola do Estado do Paraná. A direção da empresa buscou realizar contratos de fomento com os pequenos produtores (assentados) na região do Pontal do Paranapanema, juntamente com o apoio das instituições: Embrapa, Cati, Incra etc., para que essas famílias produzissem girassol. A iniciativa da empresa não se concretizou e ainda dificultou a obtenção do Selo Combustível Social do Ministério de Desenvolvimento Agrário. Após alguns testes, a empresa escolheu trabalhar com a semente do nabo forrageiro, que apresenta vantagens econômicas para o processo, porém a dificuldade atual está na obtenção dessa matéria-prima, que hoje é obtida de produtores localizados nos Estados do Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais. O representante do Programa Biodiesel no Estado do Paraná, Sr. Bill Costa, esclareceu que há seis instituições de pesquisas voltadas ao estudo da produção do biodiesel no Estado: o Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), A Universidade Estadual do Paraná (UEM) e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Há também iniciativas de órgãos como o IAPAR, Emater e EMBRAPA Soja para desenvolver regiões produtoras de matéria-prima no Estado, bem como técnicas de produção mais competitivas. A tabela 4.01 apresenta as unidades produtoras de biodiesel autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), juntamente com aquelas levantadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para a apresentação do Grupo de Trabalho criado pela ANP (Portaria N. 38 de 2006) para adequação da distribuição e revenda do biodiesel. Tabela 4.01 Usinas de Biodiesel em Operação e Previstos PRODUTOR COMERCIAL LOCALIZAÇÃO CAPACIDADE INSTALADA (MILHÕES L/ANO) MATÉRIA-PRIMA Agropalma Belém - PA Palma Petrobras Candeias BA - 44 Mamona Brasil Biodiesel Morro do Chapéu BA Mamona Nutec Fortaleza CE 0,72 0,72 - Petrobras Quixada CE - 44 Mamona Brasil Biodisel Cratéus CE Mamona Bioteo Campina Grande - PB STCP Engenharia de Projetos Ltda.

7 PRODUTOR COMERCIAL LOCALIZAÇÃO CAPACIDADE INSTALADA (MILHÕES L/ANO) MATÉRIA-PRIMA Brasil Biodiesel Floriano PI Mamona Brasil Biodiesel Terezina PI 0,6 0,6 Mamona Petrobras Guanaré RN 1 1 Mamona Binatural Formosa GO Soja Granol Anápolis GO Caramuru São Simão GO Renobras Dom Aquino MT 6 6 Girassol Ecomat Cuiabá MT Soja (paralisada) Barralcool Barra do Bugres MT - 57 Pinhão Manso/Soja Agrosoja Sorriso MT - 15 Girassol/Soja Biogrão Lucas do Rio Verde MT - 57 Girassol/Soja Brasil Biodiesel Porto Nacional TO Mamona Soyminas Cassia MG Girassol Fusermann Barbacena MG 6 6 Girassol Agrodiesel Iguatama MG Petrobras Montes claros MG Biominas Itauna MG Brasil Biodiesel Minas Gerais Ponte di Ferro Rio de Janeiro RJ Fertibom Catanduva SP 6 6 Girassol Biocapital Charqueada SP Soja Granol Campinas - SP 39,9 39,9 Girassol, Soja, Mamona, Nabo Forrageiro e Amendoim 2006 STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.7

8 PRODUTOR COMERCIAL LOCALIZAÇÃO CAPACIDADE INSTALADA (MILHÕES L/ANO) MATÉRIA-PRIMA Granol Tupã - SP Granol Araçatuba SP Bertin Lins - SP Bioeste Estrela do Oeste - SP Ponte di Ferro Taubaté SP Dafter Mairipora - SP Exacta Guarulhos Frigol Lençóis Paulista SP Biolix Rolândia PR 9 9 Soja, Girassol e Nabo Forrageiro Cocamar Paraná LAR Medianeira - PR Granol Cachoeira do Sul - RS Girassol, Nabo Forrageiro e Soja BSBio Passo Fundo RS Soja Brasil Biodiesel Rio Grande do Sul - 40 Mamona Contrimaio Rio Grande do Sul Olfar Erexim RS - 60 Soja Biodiesel Sul Icara SC *300 dias de operação Fonte: ANP, 2006 * TOTAL 802, ,22 A tabela 4.02 demonstra que a demanda por B2 é maior para as Regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Assim, de acordo com a capacidade industrial instalada nas cinco Regiões Brasileiras até 2.007, *Segundo o MME, os projetos apresentados indicam tão somente a expectativa atual de capacidade futura. Há possibilidade de alguns desses não se efetivarem, assim como novos empreendimentos podem surgir. (<www.anp.gov.br> acesso em 07/06/2006) STCP Engenharia de Projetos Ltda.

9 é possível que o Governo Federal atinja a meta de distribuição da mistura B2 em todo o território nacional em Tabela 4.02 Demanda de Biodiesel X Capacidade Industrial Instalada nas Cinco Regiões Brasileiras Região Óleo Diesel Consumido* Biodiesel Demanda B2** Biodiesel Demanda B5** Capacidade Instalada*** Norte ,44 171,1 8 8 Nordeste ,44 281, Sudeste ,62 854, Centro Oeste ,04 245, Sul ,42 406, Total , , *Vendas de óleo diesel, pelas distribuidoras, segundo Grandes Regiões e Unidades da Federação ANP, 2004 (mil m³) **Estimativa da demanda de B100 para B2 e B5 (mil m³) ***Capacidade Industrial Instalada de produção de B100 (mil m³) Fonte: ANP, Comercialização do Biodiesel no Brasil A comercialização do biodiesel é feita através de leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Os procedimentos adotados tem como base as seguintes Resoluções e Portarias: a Resolução n. 3 de 23 de setembro de 2005 do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética); a Portaria n. 483, de 03 de outubro de 2005 do MME (Ministério de Minas e Energia); e, a Resolução ANP n. 31 de 04 de novembro de O leilão é produto da antecipação da obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel ao óleo diesel. O preço de abertura de leilão inclui os tributos federais incidentes sobre o biodiesel (Pis/Pasep e Cofins), mas sem ICMS, que varia conforme a Unidade da Federação. Segundo informações coletadas na ANP, os participantes dos Leilões promovidos são aqueles credenciados pela mesma e aqueles reconhecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, sendo que os participantes que ainda não são autorizados comprometem-se em regularizar sua situação junto a ANP STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.9

10 Primeiro Leilão Participaram do primeiro leilão, ocorrido em novembro de 2005, oito produtores de biodiesel, desses, quatro produtores foram vencedores: Brasil Biodiesel (Floriano, PI) com 38 milhões de litros; Granol (Campinas, SP), com 18,3 milhões de litros; Soyminas (Cássia, MG), com 8,7 milhões de litros; e Agropalma (Belém, PA), com 5 milhões de litros (tabela 4.03 e 4.04). Tabela 4.03 Empresas Ganhadoras do Primeiro Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m 3 ) LOCAL DA ENTREGA AGROPALMA 1 R$ 1.800, Belém - PA AGROPALMA 2 R$ 1.860, Belém - PA SOYMINAS 1 R$ 1.898, Cássia - MG SOYMINAS 2 R$ 1.898, Cássia - MG GRANOL 3 R$ 1.899, Campinas - SP AGROPALMA 3 R$ 1.900, Belém - PA SOYMINAS 3 R$ 1.904, Cássia - MG BRASIL ECODIESEL 1 (MATRIZ) R$ 1.909, Floriano - PI GRANOL 2 R$ 1.910, Campinas - SP GRANOL 1 R$ 1.919, Campinas - SP Fonte: ANP, 2006 Tabela 4.04 Empresas Desclassificadas no Primeiro Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP EMPRESA PONTE DI FERRO PARTICIPAÇÕES LTDA. BINATURAL INDÚSTRIA DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA. BIOLIX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COMBSTÍVEIS VEGETAIS LTDA. FERTIBOM INDÚSTRIAS LTDA. MOTIVO DA DESCLASSIFICAÇÃO Não apresentar as certidões da Secretaria da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no prazo estabelecido no Edital. Não apresentar a proposta na forma e prazo estabelecidos no Edital. Não possuir e não estar apto a obter o selo Combustível Social, bem como não possuir o registro especial da Secretaria da Receita Federal. Não apresentar a proposta na forma e prazo estabelecidos no Edital. Fonte: ANP, STCP Engenharia de Projetos Ltda.

11 No Edital de Leilão n. 061/05, o produtor de biodiesel foi definido como agente autorizado pela ANP a exercer a atividade de produção do biodiesel em conformidade com Resolução ANP n. 41, detentor de Registro Especial da Secretaria da Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa de n. 516, e do selo Combustível Social instituído pelo Decreto n , na forma da Instrução Normativa n 02 do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O fornecedor de biodiesel, segundo o mesmo edital, é o produtor de biodiesel, conforme descrito no parágrafo anterior, e sociedade detentora de projeto de produção de biodiesel reconhecido pelo MDA, como possuidora dos requisitos necessários à obtenção do selo Combustível Social, em conformidade com a Instrução Normativa n 02 do Ministério do Desenvolvimento Agrário(MDA). Os participantes do leilão, além das exigências já relacionadas acima, deveriam ainda estar cadastrados no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (SICAF) e no sistema Licitações-e do Banco do Brasil. O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel foi definido assim: Petróleo Brasileiro S. A. (93,3%); Alberto Pasqualini REFAP S/A (6,7%). Ressalta-se que as usinas produtoras que tiveram suas ofertas arrematadas possuem vínculo com agricultores familiares, tendo cumprido os requisitos mínimos para obtenção do selo Combustível Social estabelecido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. A Brasil Biodiesel trabalha com 40 mil famílias de agricultores beneficiadas, Soyminas com 2 mil famílias, Granol com 1,8 mil famílias e Agropalma com 200 famílias * Segundo Leilão Participaram do segundo leilão, ocorrido em março de 2006, dez unidades produtoras de biodiesel, das quais uma já é possuidora do selo Combustível Social, em caráter definitivo. Todos os projetos foram analisados e enquadrados pelo MDA como possuidores dos requisitos necessários à concessão do selo. O segundo leilão foi caracterizado pela maior concorrência entre os produtores de biodiesel, com uma oferta total de 313 milhões de litros. As regras para a participação no segundo leilão promovido pela ANP foram praticamente as mesmas do primeiro leilão, salvo que, das empresas ganhadoras do primeiro leilão foi descontado a quantidade total arrematada no Primeiro Leilão de Biodiesel (Edital de Leilão n. 007/06). O resultado do Segundo Leilão de Biodiesel é apresentado na tabela O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel foi assim definido: Petróleo Brasileiro S. A. (93%); Alberto Pasqualini REFAP S/A (7%). *Fonte: Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário 2006 STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.11

12 Tabela 4.05 Empresas Ganhadoras do Segundo Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m 3 ) LOCAL DA ENTREGA PONTI DI FERRO R$ 1.799, Rio de Janeiro - RJ PONTI DI FERRO R$ 1.799, Taubaté SP PONTI DI FERRO R$ 1.820, Rio de Janeiro - RJ PONTI DI FERRO R$ 1.820, Taubaté SP PONTI DI FERRO R$ 1.830, Rio de Janeiro - RJ PONTI DI FERRO R$ 1.830, Taubaté SP BIOCAPITAL R$ 1.839, Charqueada - SP BIOCAPITAL R$ 1.849, Charqueada - SP BINATURAL R$ 1.889, Formosa GO BINATURAL R$ 1.894, Formosa - GO BIOCAPITAL R$ 1.899, Charqueada - SP BINATURAL R$ 1.899, Formosa - GO GRANOL R$ 1.904, Anápolis - GO RENOBRÁS R$ 1.904, Dom Aquino - MT BRASIL ECODIESEL R$ 1.904, Iraquara - BA BRASIL ECODIESEL R$ 1.904, Crateús - CE Fonte: ANP, Terceiro Leilão Participaram do terceiro leilão, realizado em julho de 2006 quatro unidades produtoras de Biodiesel, com uma oferta total de 95,4 milhões de litros (91% superior a meta de aquisição de 50 milhões de litros). As regras para a participação no terceiro leilão promovido pela ANP foram praticamente as mesmas dos anteriores (Edital de Leilão n. 021/06). O resultado do Terceiro Leilão de Biodiesel é apresentado na tabela O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel foi assim definido: Petróleo Brasileiro S. A. (93%); Alberto Pasqualini REFAP S/A (7%) STCP Engenharia de Projetos Ltda.

13 Tabela 4.06 Empresas Ganhadoras do Terceiro Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m 3 ) LOCAL DA ENTREGA BRASIL BIODIESEL R$ 1.730, Floriano - PI FERTIBOM R$ 1.752, Catanduva - SP FERTIBOM R$ 1.828, Catanduva - SP AGROPALMA R$ 1.839, Belém - PA FERTIBOM R$ 1.866, Catanduva - SP AGROPALMA R$ 1.884, Belém - PA GRANOL R$ 1.900, Campinas - SP Fonte: ANP, Quarto Leilão Durante o quarto leilão, ocorrido em julho de 2006, houve a oferta de 1,054 bilhão de litros por 27 empresas e 550 milhões de litros foram arrematados. Segundo o Portal do Desenvolvimento Agrário, a oferta nesse leilão superou a meta de aquisição em 92%. O quarto leilão foi direcionado a usinas em construção e a projetos de desenvolvimento também enquadrados no Selo Combustível Social do MDA, selo este conferido a empresas que adquirem de agricultores familiares uma parte ou toda a matéria-prima necessária para a produção do combustível. O Edital de Leilão n. 22/06, diferentemente dos anteriores, estabelece que, para o produtor de biodiesel ofertar e comercializar sua produção de forma idônea, são necessários (além dos documentos normalmente exigidos) os seguintes documentos: resumo executivo do projeto contendo tipo de processo, recebimento de matérias primas e armazenamento da matéria-prima e do biodiesel; cronograma das fases principais do projeto até a entrada em operação; fluxograma preliminar do processo indicando a capacidade nominal (m³/dia); permitir a ANP realizar possível vistoria para acompanhamento e verificação do cumprimento do cronograma físico; cópia autenticada da certidão do registro de imóveis comprovando a propriedade do terreno onde será instalada a unidade de produção de biodiesel ou do contrato de arrendamento, de no mínimo 5 (cinco) anos, do referido terreno devidamente registrado em Cartório de Títulos e Documentos; cópia autenticada da licença prévia ou de instalação para o desempenho da atividade de produção de biodiesel, expedida pelo órgão ambiental competente; 2006 STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.13

14 documento do fornecedor declarando intenção de venda da planta de produção de biodiesel, informando a capacidade nominal, o prazo de entrega dos referidos equipamentos ou contrato de arrendamento de instalação para produção de biodiesel. O resultado do Quarto Leilão do Biodiesel é apresentado na tabela O percentual de participação dos produtores e importadores de óleo diesel, excluídos os agentes com participação inferior a 1% (um por cento), correspondente ao período de janeiro de 2005 a dezembro de 2005, ficou definido em: Petróleo Brasileiro S. A. (93%); Alberto Pasqualini REFAP S/A (7%). Tabela 4.07 Empresas Ganhadoras do Quarto Leilão de Biodiesel Promovido pela ANP NOME VALOR INICIAL QUANTIDADE (m 3 ) LOCAL DA ENTREGA AGROSOJA R$ 1.714, Sorriso - MT BRASIL BIODIESEL R$ 1.730, Iraquara - BA BRASIL BIODIESEL R$ 1.730, Cratéus - CE BRASIL BIODIESEL R$ 1.730, Porto Nacional - TO BRASIL BIODIESEL R$ 1.730, Rosário do Sul - RS BRASIL BIODIESEL R$ 1.730, São Luiz - MA FIAGRIL R$ 1.749, Lucas do Rio Verde - MT BARRÁLCOOL R$ 1.767, Barra do Bugres - MT BSBIOS R$ 1.786, Passo Fundo - RS CARAMURU R$ 1.789, São Simão - GO BIOMINAS R$ 1.790, Itatiaiauçu - MG OLEOPLAN R$ 1.798, Veranópolis - RS FIAGRIL R$ 1.798, Lucas do Rio Verde - MT BSBIOS R$ 1.799, Passo Fundo - RS BARRÁLCOOL R$ 1.799, Barra do Bugres - MT Fonte: ANP, STCP Engenharia de Projetos Ltda.

15 4.4 Distribuição dos Combustíveis no Brasil Com o crescimento da indústria automobilística e o fortalecimento da economia na década de cinqüenta, o governo brasileiro adotou como matriz de transporte o modal rodoviário. Com o consecutivo aumento dos investimentos neste modal, ao final da década de setenta, quase todos os investimentos no setor de transporte foram dirigidos para a construção de rodovias. Esta política resultou no aumento do fluxo de veículos de transporte de carga e na demanda de combustíveis. Com a extinção do Fundo Rodoviário Nacional em 1988, houve uma redução significativa nos investimentos e na manutenção das estradas elevando o custo dos transportes devido à degradação da malha rodoviária e conseqüentemente o risco de acidentes. Na década de noventa devido aos altos custos no transporte rodoviário e a capacidade limitada no volume transportado, inicia-se a busca por alternativas de transporte mais baratos, mais seguros e de maior capacidade de carga. Percebe-se a partir disso, um aumento no transporte dos combustíveis de forma contínua através de dutos. Isso ocorre nos pólos petroquímicos ou na transferência de derivados da refinaria às bases de distribuição, independemente da distância entre a origem e destino. Outros modais de transporte que começaram a ser utilizados com maior freqüência foram as ferrovias e hidrovias, devido aos baixos custos de operação e a grande capacidade no volume transportado. No entanto, o transporte de combustíveis por caminhões ainda é representativo, devido à distribuição das bases aos postos de abastecimento nas cidades, contribuindo para aumentar os índices de utilização de rodovias. A distribuição de combustíveis inicia-se nas 13 refinarias, 3 centrais petroquímicas e cerca de 300 usinas produtoras de álcool existentes no país. Os produtos derivados de petróleo oriundos dos fornecedores são transferidos por duto ou cabotagem para as chamadas bases primárias de combustíveis, assim denominadas por receberem derivados de petróleo diretamente das refinarias. As transferências são programadas pelos fornecedores e realizadas por transportadores por eles contratados. A figura 4.01 exemplifica o atual modelo de transporte e distribuição de combustíveis. Das bases primárias, os derivados de petróleo podem ser entregues aos postos de serviço, consumidores atacadistas de suas áreas de influência, ou ainda transferidos para as denominadas bases secundárias (recebem derivados de petróleo de outras bases de distribuição). As principais operações executadas numa base são o recebimento, a armazenagem e a expedição de produtos. Para a armazenagem, as bases primarias e/ou secundárias contam com um ou mais parques de tanques. O projeto e construção de tanques, sua locação no terreno, a bacia de contenção que os cerca e os sistemas de proteção contra incêndios, assim como diversos sistemas auxiliares, são regulamentados por órgãos como a ABNT, a ANP, o Corpo de Bombeiros e órgãos de proteção ambiental STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.15

16 Figura Rede de Distribuição de Combustível Fonte: Petrobrás, 2006 As entregas das bases primárias ou secundárias aos clientes são realizadas, na sua maioria, através do modal rodoviário. Na figura 4.02 é apresentado a localização das principais bases, primárias e secundárias e seu modal de distribuição. Algumas localidades da região norte do país são abastecidas exclusivamente pelo modal fluvial, em função da inexistência local de malha rodoviária. Já alguns grandes clientes consumidores, como siderúrgicas e termoelétricas, estão capacitados para o recebimento de produtos através de dutos ou ferrovias. As transferências entre bases, por sua vez, podem ser realizadas através dos modais ferroviário, hidroviário ou rodoviário. As transferências entre bases são planejadas e programadas pelas empresas distribuidoras, mas realizadas, em quase sua totalidade, por empresas de transporte contratadas. As entregas aos clientes podem ser programadas e realizadas pelos próprios clientes (caracterizando a modalidade Free on Bord (FOB), que significa que o cliente é responsável por coletar a mercadoria nas bases primárias, pelo preço estabelecido, ficando as despesas de frete e seguro por conta do comprador, bem como os riscos até o destino) ou programadas pelas distribuidoras e realizadas por empresas de transporte por elas contratadas (caracterizando a modalidade Cost, Insurance and Freight (CIF), que significa que cabe ao vendedor a obrigação de entregar a mercadoria ao comprador, no local em que este tem seu estabelecimento ou no porto de destino, correndo por conta do vendedor as despesas com frete e seguro). A logística dos álcoois é um pouco diferente. Esses produtos são fornecidos diretamente pelas usinas produtoras às bases de distribuição através de rodovias ou ferrovias. Há também a possibilidade de transferência de álcoois entre bases, por qualquer um dos modais existentes STCP Engenharia de Projetos Ltda.

17 Figura Bases de Distribuição e Modal de Distribuição 4 Diagnóstico da Produção do Biodiesel no Brasil Fonte: SINDICOM, 2005 Atualmente, existem cerca de 65 bases primárias e 55 bases secundárias em todo o território nacional. Essas bases são responsáveis pelo abastecimento de aproximadamente 22 mil clientes revendedores e 35 mil clientes consumidores e atacadistas. As vendas do mercado de combustíveis totalizaram, em 2004, o expressivo volume de 83,7 milhões de m³ (ANP, 2005). O mercado de combustíveis é dinâmico e exigente, o que obriga as companhias distribuidoras a realizar constantes melhorias e ajustes na gestão logística. Entre essas ações, estão a necessidade constante de negociação e colaboração com fornecedores, automação das unidades operacionais e, principalmente, a implementação do gerenciamento integrado da cadeia de suprimento. A previsão da demanda possui um papel fundamental no gerenciamento da cadeia de suprimento da distribuição de combustíveis. Supõem-se que para a distribuição de biodiesel, a logística utilizada será a mesma do óleo diesel e do álcool, necessitando adaptações nas bases primárias e secundárias, com a construção de novos tanques para a estocagem da mistura STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.17

18 4.5 - Métodos de Produção de Biodiesel O biodiesel foi definido pela National Biodiesel Board (associação sem fins lucrativos, responsável pela coordenação da indústria de biodiesel nos Estado Unidos), como derivado alquil éster de ácidos graxos de cadeia longa, proveniente de fontes renováveis como óleos vegetais ou gordura animal, cuja utilização está associada à substituição de combustíveis fósseis em motores de ignição por compressão (motores do ciclo Diesel). De acordo com Fontana (2003), o biodiesel pode ser caracterizado por: ausência de enxofre e aromáticos; número de cetano elevado; teor de oxigênio próximo a 11%; elevada viscosidade e maior ponto de fulgor, quando comparado ao diesel convencional; direcionamento a mercado específico, especialmente voltado a atividades agrícolas; no caso do biodiesel proveniente de óleos e gorduras, já utilizados, este combustível apresenta, ainda, vantagens ambientais. O biodiesel pode ser utilizado puro ou em misturas com o óleo convencional, em diferentes proporções. As misturas podem receber denominações de acordo com os percentuais do biodiesel adicionados à mistura, como por exemplo, B20 para misturas contendo 20% deste biocombustível Processos de Produção Três processos químicos são utilizados para obtenção de Biodiesel: Craqueamento, Transesterificação e Esterificação Craqueamento O Craqueamento Térmico ou pirólise é processo que provoca a quebra de moléculas por aquecimento a altas temperaturas, isto é, pelo aquecimento da substância na ausência de ar ou oxigênio a temperaturas superiores a 450 C, formando uma mistura de compostos químicos com propriedades muito semelhantes às do diesel de petróleo. Em algumas situações esse processo é auxiliado por um catalisador para a quebra das ligações químicas, de modo a gerar moléculas menores (WEISZ et al., 1979), figura Catalisadores típicos para serem empregados na pirólise são o óxido de silício SiO 2 e o óxido de alumínio Al 2 O 3. O custo do equipamento para pirólise ou craqueamento térmico é elevado. Contudo, os produtos são similares quimicamente ao óleo diesel. A remoção do oxigênio do processo reduz os benefícios de ser um combustível oxigenado, diminuindo seus benefícios ambientais e geralmente produzindo um combustível mais próximo da gasolina que do diesel STCP Engenharia de Projetos Ltda.

19 Esclareça-se, contudo, que, pela nomenclatura internacional, o combustível produzido pelo craqueamento térmico não é considerado biodiesel, apesar de ser um biocombustível semelhante ao óleo diesel. Figura 4.03 Fluxograma do Processo de Produção de Biodiesel por Craqueamento Resíduo Craqueamento dos Pesados Hidróxido de Cálcio Saponificação Craqueamento Térmico Destilação Vapor Óleo Vegetal Hidrólise Gasolina Vegetal Resíduo Refinação Diesel Vegetal Evaporação Fonte: Arora e Carioca (1984) Esterificação Glicerina A Esterificação consiste na reação entre um ácido graxo (ácido carboxílico de cadeia longa) e a glicerina (triálcool) com formação de éster (metílico ou etílico) e saída de água. Esse processo de produção busca o aproveitamento de matérias-primas disponíveis e de baixo custo. Como resíduos associados à agroindústria (ácido graxo resultante do refino de óleos vegetais, gorduras animais obtidas nos abatedouros), óleos usados e escuma de esgotos sanitários. A reação de esterificação emprega, preferencialmente, álcoois de baixo peso molecular, como o metanol e o etanol. A catálise alcalina não é empregada porque a reação preferencial do catalisador seria a de combinar-se com quaisquer ácidos graxos livres para formar sabão. O sabão formado favorece a ocorrência de emulsões entre o álcool e o ácido graxo, desfavorecendo a reação de esterificação. No caso da utilização da catálise ácida homogênea, esta apresenta como desvantagem a dificuldade de remoção do resíduo do catalisador do material esterificado. Normalmente, a remoção do catalisador é feita através de lavagem da mistura com álcool, que é separado da fase óleo por extração com solvente imiscível com o óleo, normalmente glicerina. Com este procedimento, uma parte dos ácidos graxos esterificados é perdida, reduzindo o rendimento do processo. A fim de contornar esse problema, pode-se empregar catalisadores sólidos ácidos ou a catálise enzimática STCP Engenharia de Projetos Ltda. 4.19

20 A utilização de catalisadores heterogêneos minimiza os custos de separação e purificação, trazendo ainda maior atratividade ao processo de obtenção do éster. O fluxograma desse processo de produção é apresentado na figura Figura 4.04 Fluxograma do Processo de Produção de Biodiesel por Esterificação. Tanque de Ácido Graxo (MP) Catalisador Reação de Esterificação Álcool Etílico ou Álcool Metílico Evaporação B100 Álcool + H2O Separação Fonte: MMA (2006), adaptado por STCP. Álcool Hidratado Efluente: sabão, resíduo de catalisadores Transesterificação A transesterificação consiste numa reação química, que requer a adição de 10 a 15% de álcool metanol ou etanol e catalisador. Ao término deste processo, o principal produto obtido é o Biodiesel Transesterificado e a Glicerina. As principais desvantagens deste processo são: necessidade de um outro combustível para realizar o processo (metanol ou etanol); características do biodiesel obtido serem bem diferentes do diesel fóssil; produção excessiva de glicerina, que pode se transformar em passivo ambiental STCP Engenharia de Projetos Ltda.

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