ANO INTERNACIONAL DO PLANETA CICLO DE CONVERSAS SOBRE AMBIENTE TERRA

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1 . ANO INTERNACIONAL DO PLANETA CICLO DE CONVERSAS SOBRE AMBIENTE TERRA

2 . 1 FUNDAÇÃ0 DE SERRALVES A Fundação de Serralves é uma instituição cultural de âmbito europeu ao serviço da comunidade nacional, que tem como missão sensibilizar o público para a arte contemporânea e o ambiente, através do Museu de Arte Contemporânea como centro pluridisciplinar, do Parque como património natural vocacionado para a educação e animação ambientais e do Auditório como centro de reflexão e debate sobre a sociedade contemporânea. A criação da Fundação de Serralves em 1989 assinalou o início de uma parceria única entre o Estado português e cerca de 50 entidades oriundas dos sectores público e privado. Esse número tem vindo a aumentar ao longo dos anos e, actualmente, como Fundadores contam-se cerca de 172 empresas e particulares, bem como o Estado. Desde o ano de abertura do Museu, já visitaram a Fundação mais de pessoas, colocando-a como a mais visitada a nível nacional. LPN A LPN - Liga para a Protecção da Natureza é uma organização não governamental de ambiente (ONGA), sem fins lucrativos e com estatuto de utilidade pública. É a ONGA mais antiga da Península Ibérica, tendo sido criada a 28 de Julho de É uma associação de âmbito nacional, sediada em Lisboa e com delegações e núcleos no Centro, Alentejo e Algarve. A LPN tem como principal missão contribuir para a Conservação da Natureza e para a defesa do Ambiente, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável, assegurando a qualidade de vida às gerações presentes e futuras. As suas áreas de actuação englobam a participação cívica na defesa do Ambiente e do património natural, projectos de Conservação da Natureza e também a formação, sensibilização e educação ambiental.

3 Ficha Técnica Publicação (copywriter) Fundação de Serralves e Liga para a Protecção da Natureza, 2009 Projecto Ambiente+ em Serralves co-financiado por Mecenas do Serviço Educativo Apoio Institucional Coordenação Ana Sofi a Ribeiro e Graça Gonçalves Autores Cristina Baptista e Jorge Montez Revisão de Textos Ana Sofi a Ribeiro, Graça Gonçalves, Nuno Pedroso, Nuno Sarmento e Zélia Vitorino Grafismo Céu Duarte Impressão DPI Cromotipo, Ofi cina de Artes Gráfi cas, Lda. ISBN (Fundação de Serralves) ISBN (LPN) Depósito Legal /09 Tiragem 3000 exemplares Lisboa, Setembro de 2009 Fundação de Serralves Rua D. João de Castro, Porto Portugal * * Tel: (geral) * Fax: LPN Liga para a Protecção da Natureza Sede Nacional Estrada do Calhariz de Benfi ca, Lisboa Portugal * * Tel: * Fax:

4 . 3 AGRADECIMENTOS A Fundação de Serralves e a LPN - Liga para a Protecção da Natureza agradecem a todos os oradores que amavelmente aceitaram o convite para participarem nas Conversas de Fim de Tarde sobre Ambiente, realizadas em Serralves, de Outubro de 2008 a Junho de 2009: Alexandra Ribeiro, Ana Luísa Coelho, António Guerner Dias, Carla Costa, Carlos Oliveira Marques, Carlos Teixeira, Duarte Figueiredo, Eugénio Sequeira, Filipe Duarte Santos, Helena Freitas, Henrique Queiroga, João Joanaz de Melo, Joaquim Poças Martins, Jorge Ferreira, Luís Filipe Ribeiro, Manuel Castelo Branco, Manuel Oliveira da Silva, Manuel Pinho, Nuno Araújo Barros, Paulo Talhadas dos Santos, Pedro Amaro, Pedro Sarmento-Coelho, Raul Santos e Teresa Sá Marques. Agradecem, igualmente, aos moderadores, António Guerreiro Brito e Sílvia Camarinha. À Arminda Deusdado, que moderou seis das oito Conversas Sobre Ambiente, é feito um agradecimento especial pela sua disponibilidade e motivação. Por fim, um agradecimento muito particular a todos os participantes, alguns bastante assíduos, que com a sua presença animaram as Conversas Sobre Ambiente, possibilitando uma discussão e reflexão participada sobre os vários temas em debate e contribuindo para que estas iniciativas tivessem um grande sucesso.

5 NOTA INTRODUTÓRIA O Ano Internacional do Planeta Terra (AIPT) foi o mote escolhido para as Conversas de Fim de Tarde sobre Ambiente, em Serralves, realizadas entre Outubro de 2008 e Junho de Estas Conversas tiveram como enquadramento oito dos dez principais temas do AIPT. A escolha dos subtemas baseou-se na sua pertinência a nível nacional e na sua relevância na altura do debate. O sucesso das oito Conversas Sobre Ambiente foi comprovado pelo número de participantes e pelo interesse e participação demonstrados nos debates. Esta publicação procura perpetuar aquelas Conversas, pontuais e efémeras. Optou-se por trabalhar o que foi falado e discutido em cada sessão, criando textos acessíveis e breves, onde se transmitem os principais aspectos abordados em cada tema, com o intuito de estas Conversas poderem chegar a um público mais vasto. Os temas tratados são bastante diversos e actuais, destinam-se ao público em geral, mas também são uma ferramenta para os educadores. Este trabalho pretende ser um contributo para o nosso Planeta Terra, ajudando a formar cidadãos mais conscientes e participativos. O Ano Internacional do Planeta Terra comemorou-se em 2008, embora as suas actividades ocorram entre 2007 e Foi proclamado pela Assembleia-Geral das Nações Unidas.

6 . 5 CONVERSAS SOBRE AMBIENTE ÁGUA SUBTERRÂNEA - UM RESERVATÓRIO PARA UM PLANETA COM SEDE AQUÍFEROS PORTUGUESES: RESERVATÓRIOS DE QUALIDADE? TERRA E SAÚDE - CONSTRUIR UM AMBIENTE MAIS SEGURO SERÁ SUSTENTÁVEL O USO DE PESTICIDAS NA AGRICULTURA? PÁG.6 PÁG.14 ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS - REGISTO NAS ROCHAS APRENDER COM O PASSADO PARA CONSTRUIR UM FUTURO MAIS SEGURO RECURSOS - A CAMINHO DE UM USO SUSTENTÁVEL ESTARÁ A SOLUÇÃO NO CONSUMO RESPONSÁVEL? MEGACIDADES - O NOSSO FUTURO GLOBAL REQUALIFICAR E PROCURAR NOVOS EQUILIBRIOS PÁG.22 PÁG.30 PÁG.38 OCEANO - UM ALVO DE COBIÇA PRESSÃO SOBRE AS ZONAS COSTEIRAS SOLO - UMA GESTÃO INSUSTENTÁVEL ESTARÁ O FUTURO COMPROMETIDO? TERRA E VIDA - NOVOS DESAFIOS PARA A BIODIVERSIDADE A PROCURA DO EQUILÍBRIO PÁG.46 PÁG.54 PÁG.62

7 ÁGUA SUBTERRÂNEA UM RESERVATÓRIO PARA UM PLANETA COM SEDE AQUÍFEROS PORTUGUESES: RESERVATÓRIOS DE QUALIDADE? APRESENTAÇÃO DOS ORADORES Joaquim Poças Martins Presidente das Águas de Portugal e Professor associado da Faculdade de Engenharia, da Universidade do Porto Secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente do Departamento de Engenharia Civil. Foi Secretário de Estado do Ambiente entre 1993 e 1995, aquando da criação da nova legislação sobre a água e da génese da empresarialização do sector. Foi consultor Internacional da NATO, dos países de Leste. Esteve na origem da criação de diversas empresas municipais de água em Portugal. Foi Vice-Presidente da Câmara Municipal de Gaia. Luís Filipe Tavares Ribeiro Professor auxiliar com agregação do Instituto Superior Técnico Departamento de Engenharia de Minas e Georrecursos. É o Presidente do Grupo Português da Associação Internacional de Hidrogeólogos. Manuel Oliveira da Silva Professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (aposentado). É membro permanente do Conselho Nacional da Água e membro do Conselho Regional da Água dos Açores. Tem mais de uma centena de artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais, sobretudo nos domínios da Hidrogeologia, do Ordenamento do Território e do Ambiente. MODERADOR António Guerreiro Brito Presidente da Administração da Região Hidrográfica do Norte.

8 RUI CUNHA

9 ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Um desperdício inaceitável É preciso mudar o paradigma de gestão da água em Portugal. Esta é a ideia central que reuniu o consenso de todos os intervenientes no debate. É inaceitável continuar a apostar na construção de novas barragens quando os nossos recursos hídricos subterrâneos estão tão claramente subaproveitados. Já temos conhecimentos científicos suficientes para podermos fazer uma gestão integrada das águas superficiais e das águas subterrâneas. Só falta a vontade política. «Em termos de abastecimento público de água, Portugal neste momento está infraestruturado, sobretudo com base em águas superficiais», diz Joaquim Poças Martins (JPM). A redução da precipitação atmosférica no Sul da Europa é uma das consequências esperadas com a mudança global do clima. Isso significa que teremos menos água disponível. É, portanto, urgente salvaguardar os nossos recursos hídricos, usando-os melhor e evitando a sua degradação. Evitar o enorme desperdício de água hoje existente na agricultura e diminuir as perdas nos sistemas municipais de abastecimento público são medidas necessárias no curto prazo. Mas também não podemos continuar a fechar os olhos à poluição das águas com efluentes domésticos, nem com fertilizantes e pesticidas provenientes da agricultura intensiva. Mais importante ainda, pelos seus efeitos a longo prazo, é o ordenamento do território. Para haver água disponível é preciso que a ocupação do território não comprometa a renovação dos recursos, como acontece se as áreas de recarga de aquíferos são impermeabilizadas ou poluídas. A água é um factor limitante ao desenvolvimento quando escassa ou poluída. Por isso não faz sentido, a prazo, conceber a gestão do ambiente e as actividades económicas como áreas de interesse antagónicas. Política da Visibilidade Para Luís Ribeiro (LR), a água não é escassa em Portugal. O que temos é um problema de gestão que precisa de ser resolvido. O território continental português é gerido como se a água subterrânea não existisse e não importasse. Só em momentos de emergência, perante graves secas ou quando há poluição das linhas de água, os gestores se lembram deste recurso precioso. Até finais do século passado muitas regiões do País eram abastecidas sobretudo com águas subterrâneas. Porém, «Quando nos anos 90 vieram os fundos comunitários para criar soluções, não se sabia o suficiente para integrar as águas subterrâneas e noutros casos havia alguns problemas sérios de poluição», explica JPM. Então «Passou-se duma situação do 8 para o 80. No Algarve fecharam-se praticamente todas as captações de água subterrânea e o sistema de abastecimento de água passou a ser quase totalmente dependente das albufeiras», informa LR. Há situações onde não se compreende porque se decidiu abandonar as captações de água subterrânea e construir no seu lugar novas barragens. É o caso do sistema aquífero de Escusa, no Alentejo, que abasteceu Castelo de Vide, Portalegre e Marvão durante décadas onde se passou duma situação de gestão sustentada deste recurso para a construção de barragens». Com estas decisões, «Foi cometido um erro crasso [nas palavras de JPM]. As captações subterrâneas foram abandonadas nos locais onde se optou por águas superficiais. E ao serem abandonadas, aquelas

10 . 9 3% ÁGUA DOCE 97%ÁGUA SALGADA DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NA TERRA 0,9% OUTROS RESERVATÓRIOS infra-estruturas (furos) deixaram de ser mantidas, e muitas degradaram-se de forma irremediável». ÁGUA DOCE 68,7% CALOTES POLARES E GLACIARES 30,1% ÁGUA SUBTERRÂNEA 0,3% ÁGUA SUPERFICIAL 2% RIOS 11% PÂNTANOS 87% LAGOS As águas subterrâneas representam mais de 95% das reservas de água doce exploráveis do Globo (adaptado de (APEC, 2009)). Entretanto a situação mudou. LR esclarece que «Na última década houve um crescimento exponencial do conhecimento hidrogeológico, quer ao nível do trabalho de campo, quer ao nível académico e, neste momento, temos tecnologia, conhecimento e recursos humanos necessários para abordarmos este problema. A questão não é tecnológica, mas de decisão política. Fazer uma albufeira tem um impacto visual, e consequentemente mediático, maior do que uma captação. Isto tem um peso político.» Papel da Comunicação Social Os dividendos políticos inerentes a uma decisão decorrem, em grande medida, da sua valorização pela opinião pública. E aqui a comunicação social tem um importante papel. Até agora a água subterrânea foi quase invisível nos media. LR mostrou alguns recortes de jornais publicados em 2005, a propósito da grave seca que então se fazia sentir. As informações e as imagens usadas para noticiar a situação referenciam sempre os níveis de armazenamento das albufeiras. Nunca aparece o nível piezométrico dos sistemas aquíferos. E algumas das informações publicadas nesse ano, a propósito das águas subterrâneas, nem sequer eram verdadeiras. Um exemplo disso foi a notícia de que o maior aquífero do Algarve, o de Querença-Silves, estava esgotado. «Mas não estava. O aquífero continuou a alimentar ribeiras e fontes, apesar da seca que se sentia». Muitas vezes «a rede hidrográfica sobrepõe-se ao sistema aquífero» explica LR. «Verifica-se uma interacção entre as ribeiras do Algarve nesta zona e o sistema aquífero. Há sectores que são alimentados pelo aquífero e vice-versa». As repercussões dos períodos de seca nos níveis de armazenamento de água não são tão imediatas nas águas subterrâneas como acontece nas barragens. Isso decorre do tempo de permanência da água, esclarece Manuel Oliveira da Silva (MOS). «Enquanto nas águas superficiais estamos a falar de tempos muito curtos, nas águas subterrâneas podemos estar a falar de águas acumuladas há dezenas, centenas e, por vezes, milhares de anos. Por exemplo, no aquífero da margem esquerda do Tejo há furos com 500 metros de profundidade que estão a captar águas que seguramente se encontram lá há vários séculos».

11 DISPONIBILIDADE HÍDRICA SUBTERRÂNEA ANUAL POR UNIDADE DE ÁREA Carecem, portanto, de sentido os alarmes publicados em 2005 sobre o esgotamento das águas subterrâneas. LR dá conhecimento que «O aquífero é também uma albufeira subterrânea que reage aos fenómenos climáticos, de uma forma positiva. Depois dum período de seca, quando a precipitação retorna, os seus níveis de acumulação de água recuperam é um recurso hídrico renovável. A questão é como gerilo de forma sustentável.» Erros que Urge Corrigir Será sustentável a multiplicação do número de campos de golfe licenciados? Eugénio Sequeira considera que «O golfe em si não tem problema porque é controlado. O problema é que o golfe [ ] tem um hotel e aldeamentos turísticos à volta e neles os jardins não são controlados. São alimentadas por furos clandestinos e produzem uma poluição 10 a 20 vezes superior à do golfe». LEGENDA. Sede de distrito Disponibilidades hídricas subterrâneas (hm3/ano/km2) Os aquíferos existem onde a geologia determina. Em Portugal estão identificados 62 sistemas aquíferos. Neste mapa foram agregados de acordo com a sua produtividade - zonas onde existem maiores disponibilidades hídricas subterrâneas (INAG,2004). Apesar disso, LR acha que «O risco de não sustentabilidade é maior na agricultura do que no golfe». Refere-se à agrícola intensiva, onde os gastos de água e o uso de fertilizantes e pesticidas não são controlados, e onde as políticas europeias conduzem a que «se gaste imensa água com produções agrícolas menos produtivas e depois é para estragar». JPM concorda e afirma que «A agricultura é o grande consumidor de água e é também o grande desperdiçador de água». «Não faz sentido nenhum o que acontece em Portugal e Espanha: regar milho por aspersão ao meio-dia, em pleno Agosto». Na audiência levantou-se uma voz contra a falta de regras no uso da água pelo sector agrícola. «Antes as pessoas geriam a água por escassez. Hoje têm acesso ao perímetro de rega e regam por encharcamento. Não há regras. Não se faz formação aos agricultores». Falava do perímetro de rega da Alagadiça, cuja situação contrasta com a dum

12 . 11 outro em Samora, Espanha. «Tem 65 mil hectares e é regado só com água subterrânea. Os agricultores tiveram de comparticipar o custo de construção das infra-estruturas e foram sensibilizados para gerir a água. São fortemente penalizados se exagerarem nos consumos. E a penalização pode chegar a ser-lhes cortado o acesso à água». Onde também se dissipa muita água é nas redes de abastecimento público. «É um desperdício intolerável» qualifica JPM, ao comentar que é frequente uma percentagem de perdas na ordem dos 40 a 50% a nível nacional. LR concretiza com dados dum estudo que efectuou sobre o sistema de abastecimento do Algarve onde chegou «à conclusão de que em média perde-se nas condutas de água 40%. E há municípios, como o de Tavira, salvo erro, onde as perdas atingem os 60%». Considera que «Isto é algo que tem de ser resolvido já». Salvaguardar Precisa-se Para além de evitar os desperdícios, uma gestão sustentável da água tem de salvaguardar os recursos existentes. Até agora isso não acontece em diversas situações, como é exemplo o aquífero quaternário de Aveiro. «A água continua lá mas deixou de ter qualidade para uso», afirma MOS. E defende, perante a necessidade de preservar a qualidade das águas subterrâneas, a «Criação de Zonas de Protecção imediata, intermédia e alargada sempre que existe uma captação de água». «É absolutamente essencial preservar as áreas de recarga de aquíferos», alerta JPM, pois a água subterrânea «É a água mais sensível à má gestão. Quando a tratamos mal, o efeito perdura durante décadas». LR vai ainda mais longe, afirmando que «Se calhar a principal razão de poluição em Portugal é a má construção. Um problema de poluição num rio devido a uma descarga, ao fim duma semana poderá já estar resolvido. Uma má construção demora anos». Os efluentes domésticos ainda drenam sem controlo em grande parte do território nacional. Acresce ainda que a impermeabilização de solos devida à urbanização é pouco equacionada na gestão da água em Portugal. Eugénio Sequeira diz que «Ninguém faz contas, mas quando se impermeabilizam áreas, aumentam os custos associados a estragos devidos a cheias. Por outro lado, «Sem reabastecimento dos aquíferos não há água para os animais nem para as árvores. Com a alteração climática isto vai ser um drama». LR corrobora esta posição afirmando que «As alterações climáticas vão obrigar-nos a uma gestão muito mais cuidada, com um grau de sofisticação maior. Não podemos continuar a gerir a água e o território da forma como o temos feito». E concretiza. «São tomadas decisões onde não são tidos em conta factores tão importantes como a água. Depois da situação traumática que foi a seca em 2005 no Algarve, foi anunciado com pompa e circunstância a duplicação da capacidade em hotéis de cinco estrelas para a região. Deve perguntar-se Desculpe, mas onde é que está a água para abastecer estes equipamentos?». Para o professor do Técnico, «Sem entrar com a água subterrânea não é possível responder às necessidades de água do Algarve. Porém, o que se observou é que em vez disso começou a discutir-se na altura a transferência de caudais de outras bacias hidrográficas, a construção de novas barragens, a instalação de unidades de dessalinização e a reutilização de águas residuais tratadas». LR está convicto de que «A dessalinização não é solução porque consome

13 muita energia. Dessalinizar 620 hectómetros cúbicos requer o gasto de 1600 a 3100 gwh por ano». JPM concorda. Para além de não ser correcto gastar energia para dessalinizar, «Os efluentes da dessalinização não são inócuos» quando há soluções alternativas. Uma Questão de Segurança Então qual é a melhor opção, atendendo a que é difícil cumprir a legislação comunitária se tivermos muitas captações de água e fizermos o seu tratamento em separado? A solução está na interligação de várias origens, na opinião de JPM. «A forma mais barata e responsável, e até economicamente mais correcta, é ter origens alternativas e interligar sistemas vizinhos». A gestão integrada de águas subterrâneas e superficiais torna-nos também menos vulneráveis perante uma acção terrorista, como apontou MOS. Tomemos como exemplo o caso de Castelo de Bode que constitui a principal origem de abastecimento à Área Metropolitana de Lisboa e que está demasiado exposta a qualquer acção agressiva que pode atingir o abastecimento destas populações. «O abastecimento destes 4 milhões está dependente duma só origem de água, o que não nos protege duma possível tragédia. Podemos estar a correr riscos sem necessidade». LR mencionou um exemplo recente a nível internacional. «Barcelona, que é uma das grandes cidades do mundo, de repente, ficou sem água. Durante duas semanas teve de importar água dessalinizada do Sul de Espanha em navios cisterna, e tiveram grandes problemas no controle de qualidade da água ao passá-la dos navios para a adutora. Porque é que aconteceu esta situação? Porque Barcelona era abastecida por uma única origem de água». No caso de Lisboa, a EPAL poderia explorar também o aquífero que existe na margem Sul do Tejo. E sugere «Vai-se fazer uma terceira ponte? Muito bem, então construa-se uma adutora nessa ponte que vá buscar a água subterrânea à outra margem para abastecer Lisboa». LR diz que esta solução foi estudada em 1979, no projecto Setúbal, realizado com o apoio da Unesco. Apesar de se ter concluído que a água subterrânea existente na margem esquerda do Tejo é suficiente para abastecer Lisboa, manteve-se a decisão de fazer uma conduta a partir de Castelo do Bode. Revela ainda que «O que não passou na altura para a comunicação social, porque era algo um pouco chocante, é que o custo que o lisboeta pagava por esta água captada no aquífero era 40% daquele que pagaria se o abastecimento fosse por água superficial». O Sistema Aquífero da Bacia do Tejo e Sado é o maior da Península Ibérica. Tem 8 mil km quadrados de extensão e reservas de água superiores a 60 km cúbicos. «É um grande reservatório de água subterrânea, tanto em quantidade como em qualidade». Esta qualidade é uma das razões porque a água subterrânea se torna mais barata para o consumidor. MOS diz que «Geralmente não acontece contaminação biológica, ao contrário das águas de superfície, onde basta uma descarga duma suinicultura para ocorrerem situações graves de poluição». No caso do Rio Tejo, acresce ainda a possibilidade de contaminação radioactiva, «que não é de excluir num prazo mais ou menos longínquo» na opinião de JPM. É também este orador que alerta para um outro aspecto que precisa de ser estudado e, eventualmente, legislado. Em Portugal a água subterrânea é privada e isso levanta questões sobre como geri-la de forma adequada.

14 . 13 Água Fome Paz Duma correcta gestão da água depende não apenas o bem-estar das populações e o desenvolvimento económico de cada região, mas também a sobrevivência e a paz dos povos. Com as alterações climáticas e o crescimento populacional, a água tornar-se-á cada vez mais escassa e preciosa. Por isso «A água vai ser motivo de guerras no séc. XXI», na opinião de MOS. Para o professor «A água e a fome são dois dos problemas cruciais do século XXI. São problemas interdependentes, pois a produção de alimentos requer um consumo crescente de água». LR desenvolve esta linha de pensamento referindo o exemplo da China. «É um país onde se concentra uma grande parte da população mundial e está a mudar os seus hábitos alimentares. Neste momento os chineses, que antes tinham uma alimentação à base de arroz, estão a consumir mais carne». Isto requer um aumento no consumo de água porque «Para produzir arroz são necessários 3 mil m 3 de água / tonelada, enquanto para produzir carne são necessários 17 mil m 3 de água / tonelada». Percebe-se assim que há questões relativas à gestão da água que é ao Estado que cabe actuar e decidir, como sejam o planeamento, a gestão e a fiscalização. Outras, porém, são da responsabilidade de todos nós, como é exemplo o regime alimentar e as opções de consumo. Sendo o solo e a água recursos limitados, a erradicação da fome no mundo depende também das escolhas de cada um. INFILTRAÇÃO ÁGUA EM FRACTURAS ROCHOSAS ÁGUA SUBTERRÂNEA ÁREA DE RECARGA LEITO CONFINANTE ARGILA ESCORRÊNCIA SUPERFICIAL NÍVEL PIEZOMÉTRICO FURO ARTESIANO ÁREA DE RECARGA Em geologia considera-se água subterrânea toda aquela água que ocupa os vazios duma formação geológica. Por isso nem toda a água encontrada no subsolo é considerada água subterrânea. Distingue-se a água que ocupa o lençol freático, que é chamada de água de solo, a qual tem maior interesse para as actividades agrícolas e para o coberto vegetal. PARA SABER MAIS SOBRE O TEMA Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos SNIRH Júnior. Recursos hídricos dirigido aos mais novos. - Água Subterrânea - Conhecer para Proteger e Preservar. Publicação do Instituto Geológico e Mineiro. - Water Science for School: site da USGS - Science for a Changing World POÇO NÍVEL FREÁTICO AQUÍFERO LIVRE AQUÍFERO CONFINADO ÁGUA EM POROS EXISTENTES ENTRE GRÃOS DE AREIA E GRAVILHA REFERÊNCIAS: APEC (2009). Free Drinking Water. Com. Advances Purification Engineering Corp. ( ). INAG (2004). Plano Nacional da Água -Volume I. Instituto da Água. ( ).

15 TERRA E SAÚDE CONSTRUIR UM AMBIENTE MAIS SEGURO SERÁ SUSTENTÁVEL O USO DE PESTICIDAS NA AGRICULTURA? APRESENTAÇÃO DOS ORADORES Carla Costa Licenciada em Biologia, integra o grupo de investigação do Departamento de Saúde Ambiental do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Em 2005, recebeu o prémio Prevenir Mais Viver Melhor no Trabalho, na categoria de investigação, atribuído pelo Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, pelo estudo dos efeitos genotóxicos em agricultores. No âmbito do seu trabalho de doutoramento desenvolve o projecto Os pesticidas e a saúde no sector agrícola. Análise de dano genético. Nos últimos anos publicou diversos artigos e capítulos de livros sobre a temática dos pesticidas e a saúde. Jorge Ferreira Licenciado em Engenharia Agronómica, é pomicultor biológico a tempo parcial. Faz assistência técnica a agricultores em Agricultura Biológica na AGRO-SANUS e participa, em parceria ou como consultor, em diversos projectos de experimentação, demonstração e desenvolvimento rural. É Professor Convidado no Instituto Superior de Agronomia, e formador em cursos de Agricultura Biológica para agricultores e para técnicos agrícolas. Foi coordenador científico da pós-graduação de Agricultura Biológica da Universidade da Madeira. É o coordenador e principal autor do Manual de Agricultura Biológica, publicado pela Agrobio. É ainda autor ou co-autor de diversos livros, fichas técnicas e artigos sobre produção biológica. Pedro Amaro Licenciado em Engenharia Agronómica, é desde 1996 Professor Catedrático Jubilado de Fitofarmacologia e de Protecção Integrada do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa. Foi responsável pelo início do ensino da Fitofarmacologia e da Produção Integrada em Portugal, pela organização inicial do Laboratório de Fitofarmacologia e do Instituto Nacional de Investigação Agrária ( ). Tem produzido vasta bibliografia sobre Protecção Integrada e Produção Integrada. MODERADORA Arminda Deusdado Jornalista e coordenadora editorial do Programa de Ambiente Biosfera, da RTP2.

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17 USO DE PESTICIDAS NA AGRICULTURA Saúde Pública e Ambiente em Perigo O uso de pesticidas em Portugal está envolto num escândalo de que ninguém fala. A Administração Pública segue uma política conivente com os interesses da indústria dos pesticidas, colocando em risco a saúde pública e a sustentabilidade ambiental. Uma política que esconde dos próprios técnicos agrícolas os riscos para a saúde humana e para o ambiente de cada pesticida e não dá apoio técnico aos agricultores, através dum serviço de extensão rural, independente de interesses económicos instalados. Os agricultores estão na mão da indústria de pesticidas, que tem técnicos no terreno a aconselhá-los sobre o modo de usar os produtos. Por isso Portugal está em contra-corrente nesta matéria. Enquanto os países desenvolvidos implementam políticas de redução do uso de pesticidas na agricultura há já duas décadas, nós continuamos a aumentar o seu consumo, apesar do abandono agrícola a que se assiste. Isto acontece quando «Está mais que provado que com a protecção integrada, utilizando os pesticidas menos tóxicos e em menor quantidade, se obtém uma produção semelhante à da convencional, ultrapassando-a em qualidade», afirma Pedro Amaro (PA). Porém, por cá o modo de produção convencional, onde a aplicação de pesticidas é desregrada e supérflua, é largamente dominante. Para além de debilitar a economia dos agricultores, este uso excessivo de pesticidas tem graves consequências para a sua saúde e para o ambiente. É bom que se esclareça que o uso dos pesticidas poderá ser aceitável para os aplicadores desde que sejam cumpridas com rigor as normas de segurança o que frequentemente é ignorado. Mas a saúde dos consumidores pode também estar em perigo. As análises aos resíduos de pesticidas nos alimentos e na água de consumo são tão escassas que não permitem conhecer com o rigor indispensável o nível de risco existente em Portugal. Poderá estar aqui uma das razões porque aumenta o número de casos de cancro entre nós. Os pesticidas destroem aos poucos as bases de sustentação da vida dos ecossistemas. Nos últimos tempos, as suspeitas de que o misterioso desaparecimento das abelhas fica associado ao uso de alguns pesticidas levou alguns países a apressarem-se a proibi-los. Se este desaparecimento não for travado, as consequências serão gravíssimas tanto para a produção agrícola como para a biodiversidade. Mas Portugal mantém-se alheado desta problemática, que a nível internacional gera um interesse crescente pela produção biológica de alimentos. Deveríamos em breve começar a implementar as novas leis comunitárias que obrigam ao uso sustentável dos pesticidas. Mas PA receia que este processo não avance se a opinião pública não o exigir. Desmedida Insegurança Na opinião de PA, Portugal faz uma política de resistência às reformas em curso na União Europeia (UE). «Além do sistemático atraso na transposição das leis comunitárias para a ordem jurídica interna, tem sido evidente a deficiente comunicação do risco dos pesticidas. Escondem-se sistematicamente as características toxicológicas e ecotoxicológicas dos pesticidas, impedindo assim que os técnicos e os agricultores possam escolher os menos perigosos».

18 . 17 O professor explica que só desde 2005 se informa, nos rótulos e nas fichas de dados de segurança, para todos os pesticidas que têm efeitos cancerígenos, mutagénicos ou tóxicos para a reprodução. «Em todos os outros documentos, como as regras de protecção integrada, o boletim de avisos, as fichas técnicas das empresas, os folhetos de publicidade, etc.» tal indicação é omitida. Além disso, a classificação toxicológica usada em Portugal não inclui outros efeitos na saúde, como a desregulação endócrina, a neurotoxicidade e a imunotoxicidade. A par do Chipre, Portugal é o país da União Europeia que mais se opõe à proibição de pesticidas. Estes foram os únicos países que, em 2006, votaram pela autorização de oito substâncias activas de elevada perigosidade. PA pergunta «Como é possível que altos responsáveis da Direcção-Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) continuem a insistir numa campanha, já há numerosos anos, de que é uma desgraça a proibição de tantos pesticidas pela UE, ignorando as grandes vantagens para a saúde humana e o ambiente?» O que também se evidencia é a irresponsabilidade com que se coloca a vida dos agricultores em perigo. Com um atraso superior a 40 anos, em 2005 foi publicado um Decreto-Lei onde se determina que os pesticidas de elevado risco só podem ser usados por aplicadores especializados. Vários meses depois do prazo de entrada em vigor do diploma, continuava-se à espera que fosse decidida a lista dos pesticidas de elevado risco. PA denuncia que comunicou por nota informativa em 19/09/08 que só em 2009 a DGADR «Vai começar a fazer cursos para ensinar os agricultores a aplicar estes pesticidas». sobre os efeitos dos pesticidas na saúde. Conhecem os efeitos a curto prazo, ou seja, «As intoxicações agudas que são, em 80% dos casos, de origem intencional», como refere Carla Costa (CC), mas desconhecem os efeitos resultantes da exposição a baixas concentrações por períodos longos. Esta exposição pode ser por via de «águas contaminadas, através dos alimentos que ingerimos, por desinfestação de edifícios [ ] ou por razões ocupacionais, que é o caso das pessoas que lidam diariamente com pesticidas, seja na agricultura, seja na produção industrial de pesticidas». CC explica que estas populações são as que mais sofrem com os efeitos destes produtos. Por isso, os estudos para identificar as doenças associadas à exposição prolongada de agroquímicos concentram-se nestes profissionais. Os resultados mostram que os pesticidas provocam alterações na fertilidade masculina e feminina. O crescimento intra-uterino é afectado; os bebés nascem prematuros ou, então, mesmo nascendo na altura certa, têm baixo peso à nascença; há maior número de abortos espontâneos, de morte fetal (nado-morto) e de morte neonatal (nas 24 horas após o parto). As malformações congénitas são também mais frequentes. Mas não é só na barriga da mãe que os pesticidas podem afectar o desenvolvimento da criança. O leite materno carrega os pesticidas que a mulher acumulou na sua matéria gorda ao longo da vida. Esta é uma fase em que a criança é muito vulnerável. O seu sistema nervoso está em estruturação e, portanto, a sua inteligência pode ficar comprometida para a vida. A Saúde em Risco Devido à falta de informação, as pessoas não têm uma noção realista Nos adultos, «Os efeitos crónicos começam agora a ser admitidos e descritos. Há evidências da associação de pesticidas à doença de

19 Parkinson e a outras doenças degenerativas, como a doença de Alzheimer. Outros autores começam a associá-los também a efeitos não funcionais, como a depressão, o suicídio e as neuroses», indica CC. Em relação ao desenvolvimento de doenças cancerosas, CC explica que, sendo a alteração dos genes a primeira fase do desenvolvimento de cancro, estudar a genotoxicidade dos compostos pode dar uma indicação intermédia ou precoce da carcinogénese. Apesar de se saber destes efeitos na saúde, os conhecimentos actuais nesta área são muito incompletos. CC diz que «Seria muito importante conseguir relacionar estes efeitos com as doses e os compostos utilizados, mas isso é muito difícil». Como não dispomos dessa informação, «Para a população em geral, [ ] temos de controlar ao máximo a exposição». Quem nos Defende? Para isso «Existe em Portugal desde 1990 um programa oficial de controlo de resíduos nos alimentos, com periodicidade anual. São analisados alimentos por amostragem para identificação e quantificação de resíduos de pesticidas». CC informa que das 500 a 900 amostras analisadas «Há sempre uma percentagem onde os limites máximos de resíduos admitidos são excedidos. [ ] Verifica-se que em Portugal esta percentagem é um pouco maior que na UE». Porém, na opinião da investigadora, «A amostragem realizada é demasiado pequena para serem tiradas conclusões». Relativamente à contaminação da água, PA diz que «Em Portugal saiu uma lei que obriga a que se façam análises de pesticidas à água. Estão definidas quais são as zonas, de norte a sul do país, que devem ser analisadas, já há 3 anos, mas eu não conheço um único resultado. Como é que é possível? Eu penso que os resultados devem ser muito assustadores», comenta. Nos EUA e na UE, a necessidade de controlar a contaminação das águas é uma das principais motivações subjacentes às políticas de redução do uso de pesticidas. Jorge Ferreira (JF) dá o exemplo da cidade de Munique, na Alemanha. «Há anos atrás começaram a detectar problemas de resíduos de pesticidas e de nitratos na água da rede pública. Então equacionaram a hipótese de tratar a água ou arranjar uma estratégia mais preventiva. E a solução escolhida foi subsidiar os agricultores da área de influência da captação de água, cerca de 6 mil hectares, para fazerem agricultura biológica. Assim ficou muito mais barato do que tratar a água». Até a França, que «É o país da UE onde são mais elevados os consumos de pesticidas, sendo também o principal produtor europeu dos mesmos», segundo PA, «Lançou um programa que tem por objectivo chegar aos 5% da sua produção em agricultura biológica em 2018». O professor explica que esta grande mudança que se está a dar em França se deve a que nos últimos 8 anos as análises à água mostraram que a contaminação com pesticidas é muito preocupante. Sem Prevenção ou Cautela Ao contrário do que seria razoável supor, a saúde dos consumidores não está acautelada, mesmo que os alimentos e a água de consumo tenham concentrações de pesticidas dentro dos valores máximos admitidos por lei. Os estudos de toxicidade incidem apenas sobre o princípio activo de cada produto. Não estudam os efeitos dos adjuvantes que se integram para facilitar a aderência, a dispersão ou outra característica necessária ao uso do agroquímico.

20 . 19 Para além de não ser estudado o produto por inteiro, também não são investigadas as características dos compostos que resultam da degradação do agroquímico depois de aplicado no ambiente. Mas como JF explica, a propósito do herbicida glifosato, conhecido por Roundup, «Ao fim de um a dois meses de permanência no solo, metade do produto ter-se-á degradado e o metabolito resultante, o àcido aminometilfosfórico (AMPA), é mais tóxico que o glifosato». Estes produtos são muito solúveis na água e, por isso, surgem nas análises efectuadas a águas superficiais e subterrâneas. Os franceses verificaram que, em 2003, 33% dos seus rios e ribeiras analisados estavam contaminados com glifosato e 59% com AMPA. Como se depreende, existe uma enorme falta de conhecimento acerca de cada produto químico que é autorizado a entrar no mercado. Mas a insegurança que isso representa é ainda exponenciada pelo facto de um pesticida se poder tornar mais tóxico em presença de outras substâncias químicas. Como é muito caro realizar estes estudos, desconhece-se a toxicidade dos produtos que podem resultar da aplicação de vários pesticidas numa cultura, que é a situação habitual. Esta falta de rigor científico nega o princípio da precaução. Mas há ainda que salientar que os estudos de toxicidade dos pesticidas não investigam efeitos na saúde, como a desregulação endócrina. Sabendo-se que «Os desreguladores endócrinos actuam em doses mínimas, muito abaixo dos limites máximos estabelecidos», como alerta JF, percebe-se porque as populações mais informadas tendem a preferir alimentos provenientes da agricultura biológica. Insustentabilidade Ambiental Os pesticidas «Matam muitos organismos para além da praga, da doença, ou da erva infestante tratada», explica JF. Depois, como podem viajar longas distâncias e permanecer no ambiente por décadas, como acontece com alguns dos compostos, os danos provocados nos ecossistemas têm fortes impactos não só a nível local mas no ambiente global. «Um estudo feito no Canadá estimou que morriam na América do Norte 10 a 52 milhões de aves por ano devido aos pesticidas», refere JF. Mas os danos que põem em risco a sustentabilidade dos ecossistemas envolvem organismos menos carismáticos, como aqueles que vivem no solo e que são fundamentais à sua fertilidade e conservação. «Grande parte dos fungicidas e dos herbicidas usados na agricultura convencional matam as micorrizas», informa JF. Estamos a destruir um processo natural que enriquece o solo em azoto sem gasto de energia. «Estima-se que esta capacidade diminuiu já 1/3, o que representa mais de 3 biliões de dólares por ano». Muitos outros organismos são afectados pelo uso dos pesticidas, como as minhocas, que são fundamentais para a fertilidade do solo e para a sua protecção contra a erosão. As joaninhas, as crisopas ou os sirfídeos são auxiliares indispensáveis para controlar pragas das culturas. Os auxiliares polinizadores, como as abelhas, sofrem também graves baixas. O chamado Síndroma do Despovoamento de Colónias de Abelhas, que tão grande alarme e controvérsia gerou na Europa e nos EUA, parece ser desencadeado pela utilização de alguns pesticidas, em especial os neonicotinóides, refere PA. Justificam-se os Riscos? O actual sistema de produção é herdeiro da crença de que o uso de pesticidas seria necessário para erradicar a fome no mundo. Porém,

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