revista de educação do colégio medianeira NÚMERO 1 ANO I ISSN

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1 revista de educação do colégio medianeira NÚMERO 1 ANO I ISSN

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3 revista de educação editada e produzida pelo colégio medianeira Diretor Pe. Raimundo Kroth, S.J. Vice-diretor Prof. Adalberto Fávero Coordenador Administrativo e Financeiro Gilberto Vizini Vieira Coord. Comunitário e de Esporte e Cultura Prof. Francisco Alexandre Faigle Coordenação Editorial e Redação Luciana Nogueira Nascimento (MTB 2927/82v) Nilton Cezar Tridapalli Revisão Nilton Cezar Tridapalli Projeto Gráfico e Diagramação Sonia Oleskovicz Ilustração da Capa Luiz Rettamozo Seleção de Imagens Nilton Cezar Tridapalli Sonia Oleskovicz Fotografias Arquivo Medianeira e Levis Litz Colaboraram nesta edição Adalberto Fávero, Angela Cristina Raimondi, Júlio Schneider, Rosiclea Mariano de Camargo, João Carlos de Oliveira, Denilson Schena, Danielle Mari Stapassoli, Martinha Vieira, Edilson Ribeiro, Laryssa Titon, Mauro Michelotto Braga, Vilma Lenir Calixto, Liliam Martinelli, Eliane Zaionc, Suzana Braga Bertassoni, Roberta Uceda Vieira, Elzério da Silva Júnior, Sérgio Luis do Nascimento, Tânia do Rocio Andretta, Luciane Hagemeyer, Leandro Guimarães. (ilustrações) Luiz Rettamozo e Cláudio Kambé. Tiragem exemplares Papel Reciclato Suzano 90g/m2 (miolo) Reciclato Suzano 240 g/m2 (capa) Número de Páginas 60 CTP SERZEGRAF Impressão e Acabamento SERZEGRAF EQUIPE PEDAGÓGICA Educação Infantil e Ensino Fundamental de 1ª à 4ª séries Coordenadora Profª Silvana do Rocio Andretta Ribeiro Ensino Fundamental de 5ª e 6ª séries Coordenadoras Profª Eliane Zaionc (manhã) Profª Carolina Queiroz Lopes de Araújo (tarde) Ensino Fundamental de 7ª e 8ª séries Coordenadora Profª Liliam Maria Born Martinelli Ensino Médio Coordenador Prof. Rudi Isidoro Rabuske Coordenador de Pastoral Prof. Edílson Ribeiro Centro de Espiritualidade Prof. Fernando Guidini Comunicação e Marketing Luciana Nogueira Nascimento Os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião dos editores e do Colégio Nossa Senhora Medianeira. A reprodução parcial ou total dos textos é permitida desde que devidamente citada a fonte e autoria. BR 476, Km 130, nº Prado Velho Curitiba Paraná fone / fax ISSN Aventura desenhada - os heróis de papel Júlio Schneider... 6 Informática Educativa Desafios e Horizontes Rosiclea Mariano de Camargo e João Carlos de Oliveira anos da teoria da relatividade Angela Cristina Raimondi História: ciência que estuda o passado? Denilson Schena A criança e a pesquisa: a curiosidade como ponto de partida Danielle Mari Stapassoli Improviso (mas nem tanto), em versos (mas nem tantos) Martinha Vieira Educação e cultura solidária Edilson Ribeiro Quem é esse viajante, quem é esse menestrel? Laryssa Titon E a propósito do Fórum Social Mauro Michelotto Braga Por um olhar investigativo... Vilma Lenir Calixto e Adalberto Fávero Nosso cérebro não é xerox Entrevista com Pedro Demo Entre um rosto e um retrato Luciane Hagemeyer Geografia na escola: (re)definindo caminhos Leandro Guimarães Semente de educação entre os empobrecidos Jesús Orbegozo, S.J Poemas Francisco Carlos Rehme

4 Parabenizamos a Diretoria e toda a equipe pela excelente revista. Sugerimos contato especial com o Centro Pedagógico Pedro Arrupe de nossa Província e CEAP e também com a AEC Nacional para uma integração cada vez maior entre nossas edições pedagógicas. Pe. Paulo D Elboux, S.J. Colégio Santo Inácio Rio de Janeiro/RJ Quero agradecer pelos exemplares da revista Mediação, que gentilmente nos foram enviados, e parabenizar toda a equipe pela bela publicação. Tratase de uma produção cuidadosa com o seu conteúdo e apresentação. Bem sei do trabalho e do significado de uma iniciativa como esta, o que torna maior ainda minha admiração. Parabéns e uma caminhada de aprendizagem e sucesso. Um abraço, Zulamar Aurélio Coordenadora editorial Presente! revista de educação Salvador/Ba A Revista do Colégio Medianeira vem mostrar que é possível editar um veículo voltado às informações para o público interno e, ao mesmo tempo, refletir sobre questões do mundo contemporâneo, especialmente voltadas à educação, à arte e à cidadania! Vida longa à Revista! Dulcinéia Tridapalli Jornalista da Justiça Federal do Paraná Agradecemos o envio da Revista Mediação e parabenizamos a todos pela excelente publicação. Cordialmente, Pe. Nelson Lopes da Silva, S.J. Diretor Geral Colégio Loyola Belo Horizonte/MG Sou curitibano, moro em Brasília e trabalho no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Sinto orgulho de ser curitibano quando iniciativas como a de lançar Mediação são tomadas. Infelizmente, poucos têm essa ousadia... Parabéns ao Colégio Medianeira, mais uma vez justificando porque é uma das melhores escolas do Brasil! Parabéns a toda equipe editorial, de redação e comunicação da revista! Arnoldo de Campos Coordenador de Geração de Renda e Agregação de Valor - Ministério do Desenv. Agrário Brasília/DF Por ser jornalista, penso que o Medianeira completou mais um pequeno ciclo com sua recémnascida revista. Para uma instituição que propaga o saber, nada mais adequado que se voltar também à informação, uma forma valiosa de conhecimento. E Mediação é mais, pelo que percebi em sua leitura. É uma ponte que permite aos seus leitores avançar até o outro lado do caminho, para conquistar uma nova margem nessa interminável exploração pela experiência do pensamento humano. Desejo vida longa a Mediação (e espero continuar recebendo exemplares da revista). Marcio Achilles Sardi Câmara dos Deputados Rádio Câmara Voz do Brasil Brasília/DF Recebemos e agradecemos o envio da publicação Mediação. Parabenizamos e desejamos que a iniciativa contribua para a constante renovação do processo pedagógico. Parabéns! Pe. Domingos Mianulli, S.J. Diretor Colégio Antônio Vieira Salvador/Ba O primeiro número da revista Mediação é uma delícia. A produção gráfica é primorosa, de uma elegância irrepreensível. E, claro, há tempos não lia uma reflexão local tão sofisticada e estimulante sobre educação. Em especial, gostaria de parabenizar o artigo sobre a excelência no ensino, que ilumina o caminho que sempre achei imprescindível e necessário para todas as escolas. Faço votos para que a revista tenha vida longa. A cidade precisa. André Tezza Consentino. Publicitário e professor Fico muito feliz em saber que o Colégio Medianeira está publicando uma revista, cujo objetivo transpassa as paredes da sala de aula ao discutir temas extra-curriculares, tais como cinema, música e literatura. Contudo, pouco valor ela terá se o acesso ficar restrito a apenas os alunos e funcionários da instituição. Desse modo, espero que a Mediação ganhe espaço nas bancas e nas casas dos curitibanos. Se continuar com a proposta de provocar ação, propor discussões e reflexões, enfim, construir pontes e derrubar muros, como diz o editorial do primeiro número, tenho certeza de que obterão o sucesso. Mais uma vez, parabéns pelo bom trabalho que fizeram. Abraços. Ricardo Kanayama Ex-aluno do Medianeira e acadêmico de Direito (UFPR) Caro leitor,, escreva para a revista Mediação enviando seus comentários sobre as matérias e artigos lidos aqui. Não deixe de participar. Mande sua mensagem para ou 4

5 Antes, o ser humano se engalfinhava com as feras na batalha pela vida. Era matar ou morrer. Para continuar vivo, precisou usar mais do que a força, que era em muitos casos menor do que a de muitos outros rivais. Heureca! Com uma pedra grande usada contra um dos animais, poderia atingi-lo! Depois: quanto mais pontuda fosse a pedra, maior seria a possibilidade de subjugá-lo. Depois ainda: se amarrasse um cabo a essa pedra, a força proporcionada pela alavanca daria mais potência e maior precisão aos golpes, além de ajudar a manter uma distância recomendável. E, aos pouco, o homem foi acumulando conhecimentos e dominando, por meio da inteligência, necessidade e curiosidade, a natureza à sua volta. Veio o fogo, veio a agricultura e veio a domesticação dos animais, veio a construção de habitações, vieram os impérios, vieram as revoluções filosóficas, vieram os satélites etc e tal. Quem assistiu lembra da cena inicial de 2001, uma odisséia no espaço, quando um osso é jogado para cima por um dos primatas e, em slow motion, o osso vai se transformando em uma sonda espacial, ou algo do gênero. O que há ali, naquela cena que dura alguns segundos? Há toda a história da humanidade, movida pela vamos repetir inteligência, necessidade e curiosidade do bicho-homem. Sem elas, estaríamos, quem sabe, ainda dentro das cavernas, disputando nossos alimentos no tapa (algo que, vamos e venhamos, infelizmente ainda acontece hoje, às vezes). Houve inovação, houve o tempo em que essa inovação tornouse obsoleta. Mas, a partir dela, o conhecimento se reconstruiu, trouxe novidades que aperfeiçoavam a vida do Homem sobre a terra. E assim foi, e assim é. E assim seja. Por esses e outros motivos, o artigo de capa da nossa Mediação traz o tema da Pesquisa na escola. Ora, o conhecimento não se constrói nem se renova de forma mágica, sem lastros com o conhecimento já construído. E quem trabalha com o conhecimento já construído e propõe revisitá-lo? Nós acreditamos que esse seja, sim, um papel vital da educação, seja ela infantil, fundamental ou média. Porque não basta transmitir conhecimento e avaliar a repetição. É preciso instigar, reler a aventura humana e reescrever suas páginas. Por isso, falamos de pesquisa em todas as faixas etárias que freqüentam a escola. Por isso também, entrevistamos o professor Pedro Demo. Porque acreditamos que a pesquisa na escola seja a grande oportunidade de fazermos do conhecimento um instrumento de humanização, e não de desumanização, como, infelizmente, vemos por aí. É o espaço da excelência acadêmica visto com os óculos da excelência humana. Porque conhecimento é poder, e ele não é, em si mesmo, do bem ou do mal. Dele pode nascer a cura de doenças; dele pode nascer a bomba atômica. E qual dos caminhos acima queremos trilhar na escola? A resposta é fácil. Além desse tema central, Mediação traz também diversos artigos de fundo educativo, das mais diversas áreas, da Química aos quadrinhos, da literatura de cordel, do rock e da poesia à informática educativa, da História e da Geografia ao Fórum Social Mundial. Como diz o psicólogo estadunidense Michael Michalko, quando só se pensa como sempre se pensou, só se vai manter o que sempre se manteve as mesmas velhas idéias. As mesmas velhas idéias não devem, obviamente, ser postas na lata do lixo; mas, a partir delas, o conhecimento nasce reconstruído. Boa leitura. E não esqueça: escreva pra gente! Nilton Cezar Tridapalli Desde os tempos remotos, o homem busca ser o SUJEITO de sua história... Mas anda difícil ser sujeito hoje em dia... Guilherme Souza - aluno do 2º ano do EM 5

6 Júlio Schneider Uma das mídias mais antigas que conhecemos são as Histórias em Quadrinhos, ou HQ, para os íntimos. Faça o tempo que fizer, elas estão sempre vivas e renovadas, mesmo com o surgimento das mais novas tecnologias. Afinal, seus enredos, seus desenhos, e os conflitos humanos que elas desnudam continuam capazes de atrair as pessoas e arrebanhar aficionados em todos os cantos do mundo. TV a cabo, internet, videogames... há não muitos anos, nada disso fazia parte das formas de distração visual da criançada criançada dos 8 aos 80 anos, mas também dos 7 aos 70, ou com menos ou mais anos de idade. Há não muitos anos havia apenas a TV aberta, o cinema, livros... e gibis! Sim, gibis, aquelas revistas com histórias fantásticas, cheia de imagens em quadradinhos seqüenciais, 6

7 com temáticas ora engraçadas, ora aventurosas, ora de terror... em suma, para todos os gostos. É um material difundido no mundo todo, como o americano comics ( cômico, porque os primeiros gibis dos Estados Unidos traziam apenas histórias engraçadas), as francesas bande dessinée ( tiras desenhadas ), as portuguesas histórias aos quadradinhos ou banda desenhada, as strips ( tiras ) da Europa Oriental, ou os italianos fumetti (analogia com os balões de diálogos, que parecem fumacinhas, fumetti). No Brasil, são chamados de quadrinhos ou HQ (Histórias em Quadrinhos) ou simplesmente gibis ( Gibi, que significava moleque, era uma revista de HQ dos anos 40, e fez tanto sucesso que seu nome virou sinônimo do gênero). Na Europa, HQ é coisa séria, é vendida em livrarias de renome, é discutida em universidades, edições antigas são expostas em museus, teses de mestrado sobre o assunto ajudam a conquistar diplomas, e grandes nomes são leitores confessos. No Brasil, os quadrinhos sempre tiveram leitores ilustres, como Ruy Barbosa e Carlos Drummond de Andrade sem contar um dos primeiros tradutores de gibis importados, Olavo Bilac e grandes incentivadores, como Roberto Marinho (que criou várias revistas e uma editora) e Leonel Brizola (quando governador do Rio Grande do Sul quis criar um sindicato para distribuir gibis por todo o país). E autores/atores que levaram aos quadrinhos seus trabalhos, como Chico Anísio, Renato Aragão, Beto Carrero, Ziraldo (o pai do Menino Maluquinho), Maurício de Sousa e tantos outros. Muito antes da era internet, os verdadeiros instrumentos de globalização foram os gibis, que, ao serem difundidos em vários cantos do planeta e mostrarem a cultura de um país a outro, deixaram nosso mundo menor e, principalmente, mais humano. Existem gibis para todos os gostos como os infantis da Disney (Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey); os do Maurício de Sousa (Chico Bento, Cebolinha, Mônica); os da TV (Cartoon, heróis japoneses e afins); os juvenis da DC (Batman, Super-Homem, Mulher Maravilha) e da Marvel (Homem-Aranha, X-Men), e há as HQ italianas destinadas ao público juvenil e adulto, que se diferenciam de todas as outras por serem verdadeiros romances com imagens em aventuras que literalmente prendem o leitor na poltrona, com tra- mas inteligentes e com conteúdo. Não é raro ver um leitor, em seu primeiro contato com essas edições, exclamar meio decepcionado algo como ah, que pena, é em preto e branco, mas basta folhear meia dúzia de páginas para se sentir vivendo as mais incríveis aventuras, que nada ficam a dever aos melhores romances ou filmes. É justamente na beleza do preto e do branco que reside um dos segredos dessas edições, pois se observa o profissionalismo, a técnica (e por que não? eventuais defeitos do desenhista, que por vezes poderiam ser mascarados com a colorização). Cada um desses livros em quadrinhos garante uma boa hora, hora e meia, de saudável distração e viagem mental, afastando-nos da dureza do dia-a-dia. Estes heróis têm em comum o fato de não possuírem superpoderes e, sendo seres humanos como qualquer um de nós, nos fazem sentir mais próximos. São heróis porque, graças à sua inteligência, perspicácia e senso de justiça, fazem prevalecer o certo sobre o errado, nos fazendo imaginar como seria bom o nosso mundo se efetivamente vivessem no nosso meio. TEX Tex Willer é um Ranger do Texas, e suas aventuras são ambientadas no Velho Oeste, uma terra selvagem e sem lei. Homem íntegro, justo e decidido, não olha para a cor da pele ou para o tamanho da conta bancária dos vilões: corruptos, assaltantes, ladrões, qualquer que seja a categoria do bandido, todos têm que acertar as contas com Tex. Ao se casar com Lilyth, filha do chefe Flecha Vermelha, Tex torna-se o chefe dos índios navajos, após a morte do velho cacique, e ganha o apelido de Águia da Noite, o sábio chefe branco, e, como agente do governo para a Reserva Navajo, cuida para que nada falte à tribo. Tex vive suas aventuras junto ao velho parceiro Kit Carson, com quem protagoniza bate-bocas memoráveis, ao amigo índio Jack Tigre, e ao filho 7

8 Kit Willer. Quatro parceiros inseparáveis, como os mosqueteiros de D Artagnan. Criado em 1948 pelo romancista Gianluigi Bonelli e pelo desenhista Aurelio Galleppini, o mito surgiu com base nos filmes americanos que invadiram os cinemas italianos após a Segunda Guerra mundial, com as fascinantes histórias de índios e caubóis. Verdadeiro objeto de culto na Velha Bota, seu público se conta na casa do milhão. Ao lado de Mônica e Pato Donald, é um dos personagens mais longevos da editoria brasileira. ZAGOR Patrick Wilding adotou o nome de Za-gor-tenay ( o espírito da machadinha em dialeto algonquino) para proteger os índios, manter a paz e combater injustiças na fronteira americana da primeira metade do Século XIX (por volta de 1830). Seu território de ação é a lendária Darkwood, uma região de florestas, montanhas, rios e pradarias, um verdadeiro paraíso das tribos indígenas, mas onde podem ser encontrados todos os tipos e personagens das histórias, lendas e contos aventurosos. De vez em quando, Zagor também viaja por vários cantos do mundo, sempre acompanhado do amigo Chico Felipe Cayetano Lopez Martinez y Gonzales etc., ou simplesmente Chico, um mexicano baixinho, gorducho, bigodudo e atrapalhado, que é quem garante uma boa dose de comicidade às aventuras. Criado em 1961 por Sergio Bonelli (sob o pseudônimo de Guido Nolitta, para não ser confundido com seu pai Gianluigi Bonelli, o criador de Tex) e pelo desenhista Gallieno Ferri, é fruto da paixão de seu criador pela aventura e por seus heróis preferidos, como Tarzan, Fantasma, Batman. Toda a sua epopéia editorial, com desenhos inéditos e capas de todas as edições, foi contada numa revista especial colorida, em 2003, que comemorou seus 25 anos em nosso país. MISTER NO Jerry Drake ganhou seu apelido durante a Segunda Guerra, por seu gênio rebelde e inconformado que sempre diz não à violência da chamada civilização. Partiu para a Guerra como idealista, ficou marcado pelos acontecimentos bélicos, voltou como inconformado, e decidiu viver num mundo distante da sua Nova York, indo morar em Manaus. Com uma técnica infalível para se envolver em encrencas contra sua vontade, sempre cercado de amigos e belas garotas, ganha o pão de cada dia como piloto de um Piper que quase sempre o deixa na mão levando turistas e as famosas encrencas pelos céus da selvagem Amazônia de Simpático e imprevisível, tenaz e corajoso, Mister No nunca se rende, e na manga de sua camisa sempre se destaca o trevo de quatro folhas, símbolo da sorte e da fortuna que persegue e da liberdade que busca defender a qualquer custo. Foi criado em 1975 por Guido Nolitta e Gallieno Ferri como um herói pé no chão, que vive num lugar feito por pessoas, cenário e culturas reais, a nossa Amazônia. Um dos pontos que impressionam na série é o detalhismo com a História e a Geografia, fruto de muita pesquisa. MARTIN MYSTÈRE Martin Mystère mora em Nova York, é arqueólogo, antropólogo, perito em arte, colecionador de objetos incomuns e incansável viajante. É chamado de Detetive do Impossível porque não investiga casos policiais comuns, mas sim os grandes enigmas que a ciência oficial não explica, como o Triângulo das Bermudas, o monstro do Lago Ness, as pirâmides, os mistérios de Atlântida. Homem 8

9 culto e moderno, um dos primeiros personagens de HQ a usar computador, precursor de Indiana Jones, MM une racionalidade e aventura fantástica, caçando a verdade nos vários mistérios que envolvem a história da humanidade sempre com o parceiro Java, um homem de Neandertal que sobreviveu à extinção. Recentemente inspirou uma série de TV, mas nela o herói foi rebatizado para Martin Mystery e tornou-se um personagem juvenil. Criado em 1982 pelo escritor Alfredo Castelli e pelo desenhista Giancarlo Alessandrini, suas histórias são fruto de pesquisas extremamente minuciosas, que por vezes nos deixam em dúvida se os relatos não são mesmo verdadeiros. Não por acaso, a série conquistou grande parcela de seus leitores entre professores universitários e pessoas que amam a leitura e a cultura geral. DYLAN DOG Dylan Dog tem seu estúdio na Craven Road, em Londres. Sua profissão: investigador do pesadelo! Numa Londres mágica e enevoada, capital do fantástico e do horror, DD investiga nossos medos e desejos, os monstros que existem dentro de nós: fantasmas, magias, estados de alucinação, outras dimensões e esquisitices várias. Dylan investiga os pesadelos de seus clientes com a ajuda de seu assistente Groucho que, com seu bigodão e as piadas que dispara sem parar, é a perfeita imagem de Groucho Marx. E um alerta: se você é uma garota bonita, melhor ainda... Dylan Dog se apaixona por todas as suas clientes! Criado em 1986 por Tiziano Sclavi e pelo desenhista Angelo Stano, revelouse o maior sucesso editorial europeu nos anos seguintes, em histórias cujos elementos típicos do gênero horror são usados para representar os males de nossa sociedade. NICK RAIDER Nick Raider é investigador da Divisão de Homicídios de Manhattan, Nova York, uma cidade violenta onde são cometidos quatro homicídios por hota. Prender os culpados é a missão de Nick. Duro, tenaz, incorruptível e corajoso, ele trabalha com seu parceiro Marvin Brown, investigador negro e piadista, o informante Alfie, o sábio e experiente tenente Art Rayan e todos os homens da Divisão. Foi criado em 1988, pelo roteirista Claudio Nizzi. MÁGICO VENTO Ned Ellis é um soldado da cavalaria americana, único sobrevivente da explosão de um trem sabotado, que lhe custou uma farpa de metal encravada no cérebro. Para os brancos, é um rebelde, um renegado; para os índios sioux, que o acolheram depois da explosão, é um xamã, um guerreiro e um espírito inquieto. A farpa em seu cérebro apagou todas as 9

10 lembranças de seu passado, mas lhe deu uma extraordinária capacidade de intuir o futuro, por meio de perturbadoras visões e premonições. Poderes que o fazem viver extraordinárias aventuras, sempre prensado entre a cultura branca e a indígena. Um personagem imprevisível como o vento, em viagem para além da última fronteira, aquela entre a realidade e o desconhecido. Criado em 1997 por Gianfranco Manfredi (romancista, autor teatral, roteirista de cinema e de séries de TV, além de cantor e compositor), MV vive suas aventuras num Velho Oeste não muito comum, onde temas épicos do faroeste tradicional se encontram com o fantástico, onde são enfocados fatos históricos e outros que poderiam ter feito parte da História. Um dos pontos de destaque é o modo de vida dos índios americanos, que é mostrado de forma real, sem estereótipos, fruto de muitos estudos e pesquisas histórico-geográficas. JÚLIA Júlia Kendall vive em Garden City, próximo de Nova York. É consultora da polícia e professora de criminologia na universidade. E tem uma profissão especial: é uma criminóloga, especializada numa ciência que estuda o crime em todos os seus aspectos, com base na antropologia, psicologia, psiquiatria, psicanálise, sociologia. O objetivo de Júlia, além de ver os culpados responderem na Justiça, é, principalmente, o de entender (entender, não justificar) o que os leva a agir de forma ilícita, atuando como uma investigadora da alma. A sensibilidade feminina com que a heroína se envolve nas mais variadas situações é impressionante, em tramas originais, coerentes e imprevisíveis. Criada em 1998 pelo escritor Giancarlo Berardi, a série logo cativou estudantes e profissionais ligados à área do Direito (promotores, juizes, advogados) pela realidade com que o sistema é retratado nos episódios. Durante a preparação da série, o autor freqüentou o Instituto de Medicina Legal de Gênova, na Itália, como observador, e um curso universitário de criminologia. DAMPYR Harlan Draka é filho de um vampiro e de uma mulher humana, e como conta uma crença popular dos Bálcãs isso faz dele um dampyr, um guardião da humanidade contra os Mestres da Noite, uma raça vampírica que não teme cruzes ou a luz do sol. Harlan descobre sua condição e sua missão somente depois de adulto e, de sua base em Praga, corre o mundo para descobrir a verdade sobre si próprio, sobre seu pai e sobre seus adversários, numa cruzada contínua com seus dois parceiros: Tesla, uma jovem alemã que foi vampirizada por um Mestre da Noite, e Kurjak, um ex-mercenário sérvio que se cansou das barbáries de guerras que não eram suas e decidiu lutar contra os verdadeiros inimigos da humanidade. Criada em 2000 pelos roteiristas Mauro Boselli e Maurizio Colombo, a série aborda um mito clássico do cinema e da literatura, mas de um jeito novo e sem clichês. Dampyr é um verdadeiro horror de ação e aventura, vivido em lugares que existem de verdade e que aborda tradições que realmente fazem parte da cultura de vários povos. Dos velhos bairros de Praga, Moscou, Paris, passando pelos ensolarados desertos africanos e chegando até a América do Sul, todos os lugares são retratados com fidelidade. 10

11 Além de suas séries próprias, alguns destes personagens foram reunidos numa publicação especial recém-lançada no Brasil chamada Tex e os Aventureiros. A série bimestral, com mais de 200 páginas, se mostra uma chance excelente para se conhecer (ou rever) alguns dos heróis de uma das maiores editoras da Europa, a Sergio Bonelli Editore (Bonelli Comics), chamada carinhosamente de Fábrica dos Sonhos de Papel, cujos títulos são publicados no Brasil pela Mythos Editora, de São Paulo. Júlio Schneider é advogado, pai de alunos do Colégio Medianeira, e atua na área editorial como consultor, tradutor e articulista de HQ para revistas e sites da Itália e do Brasil, como o DESVENDANDO OS QUADRINHOS AUTOR: Scott Mccloud EDITORA M. BOOKS O livro Desvendando os quadrinhos, de Scott Mc- Cloud, utilizando a própria linguagem desse tipo de história, examina a sua forma artística e funcionalidade. De maneira leve e divertida, o autor conta como definir os elementos básicos dos quadrinhos e como a mente processa sua linguagem. A obra aborda, também, a influência do tempo nas histórias, o que acontece entre um quadro e outro e a interação entre palavras, figuras e narração. Além disso, o autor teoriza sobre o processo criativo e suas implicações na arte em geral. HISTÓRIA EM QUADRINHOS NA ESCOLA AUTOR: Flávio Kalazans EDITORA PAULUS A obra serve como instrumento fundamental de combate ao preconceito que envolve as histórias em quadrinhos como elemento educativo eficiente. O autor nos mostra que, ao contrário do lugar comum defendido por alguns (de que as chamadas HQs seriam meros meios de entretenimento fácil), é possível utilizar esse recurso como apoio didático, por meio de uma revisão da literatura brasileira ou de apresentação de exemplos concretos o Projeto 500 Anos da Descoberta do Brasil em Banda Desenhada, por exemplo. O livro apresenta uma face importantíssima dos quadrinhos no processo educativo e comprova a eficácia no ensino e a excelente aceitação por parte dos alunos. 11

12 Por Rosiclea Mariano de Camargo e João Carlos de Oliveira A informática, o mundo virtual, a rede de computadores conectada a todo o planeta representam uma ameaça? É necessário proteger-se deles ou dominá-los? A informática entrou sorrateiramente no Brasil e vem hoje se espalhando por amplos segmentos da sociedade, fazendo com que a necessidade de conhecê-la criticamente se torne instrumento da construção de nosso conhecimento. O Brasil, nos quinhentos anos de história após a chegada dos portugueses, sofreu um processo de exploração de suas riquezas. Esse processo começou com o pau-brasil, depois o ouro de Minas Gerais, a cana-de-açúcar, a borracha, o café. Hoje temos a soja, o minério de ferro, além da grande invasão de empresas estrangeiras em nossos nichos de produção. Chamamos de exploração, porque na maioria das vezes as riquezas geradas ou foram direcionadas para o exterior ou foram centralizadas em poucas mãos, não resultando no desenvolvimento industrial de nosso país. No início da colonização portuguesa, esse desenvolvimento foi, inclusive, tolhido pela falta de incentivo em nossas terras para a instalação de teares, engenhos e outros processos manufaturadores. Em fins do século XVI, o Brasil tinha não menos de 120 engenhos, que somavam um capital próximo a 12

13 dois milhões de libras, mas seus donos, que possuíam as melhores terras, não cultivavam alimentos. Importavam-nos, como importavam uma vasta gama de artigos de luxo, que chegavam, do ultramar, junto com os escravos e bolsas de sal., descreve o escritor Eduardo Galeano, em As Veias Abertas da América Latina. Todo produto tinha de ser importado de outros países, principalmente da Inglaterra. Esse processo continua em toda nossa história pós-descobrimento, influindo em todas as atividades nacionais, agricultura, comércio, indústria e principalmente no nosso caminhar político. Isso nos faz recorrer aos nossos sentimentos mais nacionalistas sempre que nos defrontamos com situações em que se torna evidente a influência externa em nossas riquezas. Assim foi com a exploração do petróleo que levou à criação da Petrobrás: não impediu que grandes empresas estrangeiras (Shell, Esso, Atlantic, Fox etc) dominassem quase toda a distribuição de combustíveis dentro de nossas fronteiras. A partir da década de 80, começamos a nos deparar mais intensamente com uma nova ameaça : a informatização. Praticamente tudo o que se refere à tecnologia de ponta relacionada à informática é importado. Mesmo com a criação de uma lei de proteção à informática nacional, que perdurou durante 12 anos, não conseguimos criar uma indústria capaz de competir à altura com as empresas estrangeiras. A nossa primeira reação é a de nos proteger contra essa avalanche estrangeira que está cada vez mais presente em nossas empresas, escolas e lares. Nossa dependência da tecnologia externa nunca foi tão grande quanto hoje. Por outro lado, toda essa tecnologia nos trouxe um novo meio de interconexão, muito mais fácil e barato, pelo menos para aquela classe que consegue manter essa tecnologia. Apesar de não ser acessível a todos, estamos começando a vislumbrar uma nova era, em que as fronteiras não serão mais empecilhos para a circulação de idéias. A maior representante dessa avalanche é a Internet, que nos entope de produtos estrangeiros, nem sempre saudáveis. Isso nos tem preocupado muito, pois cada vez mais temos cada vez menos controle daquilo que nos atinge. No entanto, a humanidade nunca se deparou com um horizonte de possibilidades tão vasto como o que nos é apresentado hoje. Pierre Lévy, em A conexão planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência, nos diz que Pela primeira vez, a idéia de uma Terra sem fronteiras não aparece como uma aplicação de um princípio abstrato ou como um devaneio utópico, mas como o prolongamento realista de uma tendência que cada um pode observar. As novas gerações estão cada vez mais interligadas, comunicando-se com pessoas de diversos cantos do mundo, transferindo arquivos de imagens, de som, entrando em salas virtuais de conversação, em fóruns de discussão, criando páginas pessoais, fazendo compras de diversas empresas, nacionais e internacionais, além de diversos outros serviços que a Internet nos oferece. A escola se defronta com todas as contradições que a informática traz, mesmo assim não podemos nos dar ao luxo de simplesmente descartá-la. Temos que fazer o melhor uso dela e ao mesmo tempo manter e criar em nossos alunos uma consciência crítica a seu respeito. Temos que dar aos nossos alunos acesso a todos os seus recursos educativos e ao mesmo tempo cuidar para que ela não se torne um meio de risco à sua formação. Com todas as mudanças que estão acontecendo na tecnologia, estamos cada vez mais interativos, o professor deve acreditar no novo, refletir, aprender a melhorar a sua postura diante da contemporaneidade. Nós, educadores, devemos assumir a tarefa de estar envolvidos dentro de uma proposta pedagógica séria, para que possamos ajudar no desenvolvimento dos conteúdos de cada disciplina utilizando estas ferramentas. O primeiro passo na utilização destas ferramentas é o aprendizado. É preciso que se tenha um conhecimento mínimo do que é a Informática, do que ela é capaz de fazer e quais são as suas limitações; temos que pensar como vamos educar nossa sociedade diante de toda e qualquer situação. Papert (1994) diz: Para encontrar os princípios correspondentes para a aprendizagem, temos que olhar para dentro de nós mesmos tanto como para dentro dos computadores: princípios como assumir a responsabilidade, identidade intelectual e apaixonar-se. Como educadores, diante das novas tecnologias, temos que nos adaptar a estas ferramentas e fazer uso delas para um conhecimento maior. A Internet é um 13

14 exemplo bem abrangente, pois o educador poderá utilizá-la como suporte eletrônico, enriquecendo o conhecimento do aluno e o seu próprio. Uma analogia para entender a Internet é defini-la como sendo similar a uma malha de rodovias (federais e estaduais) por onde trafegam bytes sob a forma de pacotes TCP/IP. A informação contida em textos, som e imagem, trafega em alta velocidade entre qualquer computador conectado a essa rede. Por esta razão, a internet é também chamada da Super Rodovia da Informação. Os recursos e possibilidades desta ferramenta envolvem, além da pesquisa, criação de debates sobre temas trabalhados em sala, um espaço hipertextual para colaboração dos educadores e alunos; materiais didáticos, projetos interdisciplinares, entre outras coisas. A internet é uma ferramenta preciosa para trabalhos com conteúdos curriculares, mas, é claro, exige que o educador pesquise antes e selecione endereços que abordem a temática trabalhada em sala, pois diante de tantas informações armazenadas no www, algumas nem sempre são verdadeiras. Por isso, o educador deve sempre planejar como irá aplicar a pesquisa na internet sabendo o que os alunos irão fazer e o que devem pesquisar, para não desviar o foco do conteúdo aplicado. A internet, sem dúvida, é um ambiente que possibilita a troca e armazena informações. Cabe novamente a nós, educadores, saber utilizar desta teia os recursos pedagógicos para trabalhar com as disciplinas curriculares. Hoje, não só os alunos, mas todos os que trafegam em uma rede interligada com o mundo inteiro, estão bem mais avançados em conhecimentos tecnológicos. As crianças vivem uma era virtual na qual têm acesso livre a várias informações, e muitas vezes não sabem nem como digerilas. É aí que entra o educador para mostrar as diversidades que esta rede oferece e educá-los para um melhor aprendizado, dentro e fora de sala de aula. Utilizando estes recursos, poderemos estimular os alunos para a construção de uma autonomia e pensamento críticos diante do horizonte de conhecimento que as redes oferecem. Não podemos esquecer que hoje boa parte das crianças vive num mundo fechado, individual, onde suas brincadeiras e conversas são virtuais através da internet, deixando de lado as brincadeiras em grupo, como a bola e a boneca, para jogarem seus joguinhos e se divertirem com outros atrativos no computador e/ou no videogame. Sabemos que não será uma tarefa fácil, mas, diante dos avanços tecnológicos, a solução certamente não é fugir deles, mas, ao contrário, dominá-los, criando possibilidades de envolver mais nossos alunos para que possam criar diante do novo e da realidade virtual, sem perder a sensibilidade e a visão do concreto. Rosiclea Mariano de Camargo é formada em Tecnologia em Processamento de Dados pela FARESC e pós-graduada em Tecnologias Educacionais pela PUCPR. É responsável pela Informática Educativa do Jardim à 4ª série do Ensino Fundamental do Colégio Medianeira. João Carlos de Oliveira é formado em Ciências e em Física pela UFPR, pós-graduado em Currículo e Prática Educativa pela PUC-RIO. É responsável pela Informática Educativa da 5ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio do Colégio Medianeira. 14 DO GIZ À ERA DIGITAL AUTOR: Maria Lúcia Santos EDITORA ZOUK Estudo que se destina a professores e educadores preocupados em se atualizar com as novas tecnologias, principalmente o computador. As tecnologias educacionais vêm se impondo rapidamente, mudando a prática docente e a dinâmica das aulas, o que torna necessário o aperfeiçoamento da formação dos educadores. Este livro é uma importante contribuição para atingir esta meta. INFORMÁTICA EDUCATIVA DOS PLANOS E DISCURSOS À SALA DE AULA AUTOR: Ramon de Oliveira EDITORA PAPIRUS Esse livro descreve a trajetória da política brasileira de informática educativa, desde os momentos de sua formulação até uma experiência concreta de uso de computador no processo de ensinoaprendizagem. Com essa obra, o autor busca contribuir para que as atividades de inserção de computadores no ensino sejam integradas ao cotidiano escolar, como instrumento que propicia a melhoria da qualidade de ensino nas escolas públicas.

15 da anos Por Angela Cristina Raimondi Daqui a poucos anos, praticamente todas as grandes constantes da Física terão sido estimadas, e... a única ocupação que restará aos homens de ciência será aumentar em uma casa decimal a precisão das medidas. James Clerck Maxwell (físico e matemático escocês), em Não se assuste! Vamos falar de Física Quântica. Ao invés de sair correndo, leia atentamente esse artigo e acompanhe as contribuições e os novos desafios da Física e da Química numa época em que se comemora o centenário de Albert Einstein. Aos poucos, você verá que o que parece ser um tema inacessível está, na verdade, bem mais próximo do nosso dia-a-dia do que imaginamos. 15

16 Maurits C. Escher, Relatividade, 1953, litografia Inicialmente, pensei em escrever um artigo que discorresse essencialmente sobre minhas experiências científicas, no sentido amplo do termo, ao longo de minha vida acadêmica no campo da Química, como sugestão de meus pares da área de ciências naturais. Entretanto, escolhi outro pano de fundo, em que minha trajetória acadêmica, sem maiores minúcias, fizesse parte de um tema maior: um olhar sobre a ciência, num momento em que se comemoram cem anos da teoria da relatividade. De início, um receio momentâneo pode ocorrer aos menos afeitos às ciências exatas, diante de uma proposta de se falar de Einstein e do risco de se confinar a discussão no campo da Física. A intenção aqui, porém, é a de tratar o assunto de maneira ampla e apontar alguns reflexos desta tão importante teoria no conhecimento científico do século XX. Não se pretende aprofundar ou detalhar assuntos de física relativística (ufa!), mas fazer um apanhado das idéias principais que nortearam e das que emergiram dos estudos de Einstein (numa linguagem acessível), do contexto em que se situava o conhecimento científico de Física na época de sua divulgação e das influências e aplicações nos dias atuais. Considerado o Homem do Século pela revista norte-americana Time, a mente brilhante do alemão Albert Einstein ( ) veio para contestar, de forma elegante, o pensamento vigente no início do século XX, refletido nas palavras de Maxwell em 1871 (Maxwell, aliás, não era partidário deste pensamento). Em 1905, aos 26 anos, Einstein divulgou suas novas idéias sobre espaço e tempo e lançou sua teoria da relatividade, causando uma verdadeira revolução no mundo científico. Retomando uma questão que era fruto de sua curiosidade desde os dezesseis anos de idade (queria saber qual o aspecto que teria uma onda luminosa para alguém que a observasse viajando com a mesma velocidade que ela!), sua teoria se adequava e respondia a várias interrogações que as teorias da Física clássica não conseguiam explicar. Rompendo com o conceito de simultaneidade que se tinha, Einstein soube expressar, através de uma expressão matemática simples e completa, que espaço e tempo não são mutuamente independentes. Finalizada em 1916, sua teoria revelou-se uma ferramenta poderosíssima com a qual a Física redefiniu conceitos como, por exemplo, as leis da gravitação de Newton. No campo do estudo sobre a estrutura da matéria, as descobertas de Einstein e suas considerações sobre a natureza da luz financiaram importantes avanços na física quântica que passava por um momento de intensas discussões acerca da inesperada estabilidade do átomo e buscava uma nova teoria unificada que permitisse definir sua estrutura e lhe renderam o Prêmio Nobel de Física em A teoria atômica vigente não levava em conta a movimentação de elétrons em órbitas atômicas, e era necessário ser capaz de entender, explicar e prever uma série de fenômenos atômicos sem resposta naquele contexto. Se a grande sacada na teoria da relatividade foi a redefinição de simultaneidade e a consideração de que não existe velocidade maior que a da luz [c] (hoje já se sabe que existem feixes energéticos que se propagam com velocidades maiores que c), para a quântica foi a aceitação da natureza dual da luz, que pode ser considerada tanto ondulatória quanto corpuscular. Aceitar esta idéia rompia com a filosofia clássica da ciência do exato e do absoluto, que não admitia contradições ou duplas interpretações. Emplacar uma nova teoria num contexto tão tradicional e conservador significava mudar drasticamente paradigmas científicos considerados como definitivos por muito tempo, e não era nada fácil. Prova disso, vale a pena mencionar que o físico alemão Max Planck (este mesmo, o da cons- 16

17 tante de Planck), após anos investigando o espectro da radiação do corpo negro, havia chegado a uma conclusão que ele próprio considerou tão absurda que se negou a divulgá-la. Em 1900, entretanto, apresentou ao mundo científico sua equação que descrevia o espectro em questão. A conclusão bombástica de Planck era de que toda absorção ou emissão de energia no átomo não ocorria de maneira contínua, mas apenas em unidades discretas (pacotes de energia), que foram denominadas quanta (plural de quantum). Levando em conta a existência de órbitas eletrônicas nos átomos, um elétron só consegue saltar de uma órbita para outra mais energética se absorver um quantum de energia, que é emitido quando este elétron retornar à órbita de origem. Aí é que está a questão, um elétron não consegue transitar entre as órbitas com múltiplos fracionários de quantum, assim como, ao subir uma escada, não conseguimos subir meio degrau. Para explicar os fenômenos e apresentar os resultados que lhe renderam o Nobel (a explicação do efeito fotoelétrico), Einstein usou a teoria de Planck como pressuposto. Graças a estes estudos, foi possível desenvolver dispositivos como células solares e os sensores de imagens das câmeras digitais. As discussões calorosas que nortearam a elaboração do cerne da teoria quântica perduram por anos, e ainda há postulados a serem comprovados e mesmo aparentes incoerências a serem revisadas e corrigidas. Às custas de embates catedráticos (discussões que só vieram a enriquecer ainda mais a construção do conhecimento), o campo das ciências exatas, especialmente a Física e a Química, experimentou uma revolução conceitual cujos reflexos nos proporcionaram um avanço tecnológico colossal. Não há como pensar na existência de equipamentos como os de ressonância magnética de imagem, leitores de CD ou mesmo microchips de computador sem reverenciar a física quântica. Especificamente no meu campo acadêmico de atuação, minha curiosidade acerca da compreensão dos fenômenos naturais e a descoberta de novos materiais me levou a escolher a Química como área de estudo. Um dos desafios que nos cercam hoje, na área de Química Bioinorgânica, situa-se justamente na busca de sistemas químicos sintéticos que desempenhem funções análogas às de sistemas biológicos, como enzimas, por exemplo. Investigar a natureza em grau microscópico e mimetizar suas atuações em laboratório sempre fascinou os químicos e, se o objetivo final algumas vezes não é a mera demonstração de tal capacidade, muitas vezes se está interessado nos segredos dos processos, na compreensão dos enigmas microscópicos que viabilizam o observável, a busca das causas por trás de instigantes efeitos. E vale enfatizar que o desenvolvimento de ultramicroscópios e equipamentos avançados de análise em nível molecular (frutos das contribuições de Einstein e da mecânica quântica) é que tornaram cada vez mais viáveis estudos neste sentido. E começamos este texto falando de Einstein, justamente por 2005 ser um ano que coroa o centenário de seu ano miraculoso (1905). Mas, nos cem anos que revolucionaram o mundo científico, atuaram muitos outros nomes de peso, físicos, químicos e matemáticos que acreditavam que não há evolução sem rupturas, que a superação exige empenho, debate, utopia (mesmo numa Alemanha em guerra, o berço da física quântica ainda contava com a dedicação incondicional e incansável de seus pensadores). O desafio maior para a física dos dias de hoje, e que já era perseguido pelos pais da quântica, é o de se chegar a uma teoria unificada, em outras palavras, uma teoria do tudo, que abarque todos os fenômenos naturais, permitindo suas descrições e previsões. Sabe-se que uma teoria-mãe como esta seria essencialmente pautada em equações matemáticas e teria que comportar tanto as leis de mecânica gravitacional quanto as leis da mecânica quântica. Esperamos que os avanços científicos derivados destes estudos só venham a trazer benefícios para a humanidade, uma vez que as descobertas que a todo o momento estão sendo feitas e divulgadas no campo da ciência pura, e seus reflexos traduzidos em invenções e inovações da ciência aplicada, ajudam o conhecimento a construir a história do homem. Angela Cristina Raimondi é laboratorista e professora de Química do 2 o. ano do Ensino Médio no Colégio Medianeira. É Licenciada, Mestre e Doutoranda em Química pela UFPR. 17

18 EINSTEIN O REFORMULADOR DO UNIVERSO A PARTE E O TODO AUTOR: Werner Heisenberg CONTRAPONTO EDITORA Autobiografia intelectual de um dos mais importantes cientistas do século XX. Heisenberg relembra os debates - sobre física, filosofia, religião e política - que travou com Einstein, Bohr, Planck, Dirac, Pauli e outros. Narra sua experiência pessoal durante o regime nazista e o esforço alemão para dominar a energia atômica ainda durante a guerra. AUTOR: Marcelo Gleiser EDITORA ODYSSEUS O professor e jornalista Cássio Vieira Leite desvenda, neste livro, as teorias revolucionárias e a personalidade fascinante daquele que é considerado o maior gênio científico da Era Moderna: Albert Einstein. O leitor de Einstein, o reformulador do Universo vai entender, através de uma linguagem clara e acessível, por que o pensamento einsteiniano transformou completamente nossa concepção de tempo e espaço. O LIVRO DO CIENTISTA AUTOR: Marcelo Gleiser EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS O físico Marcelo Gleiser conduz o leitor numa viagem pela história da ciência a partir de sua própria experiência. Gleiser refaz a história do pensamento científico no Brasil e no mundo, apresentando os principais pesquisadores de áreas como a astronomia, a matemática, a química, a biologia e a genética. Essa história começa antes do surgimento da ciência, quando as discussões sobre o Universo e sobre a matéria ainda eram ligadas à filosofia e à religião. Gleiser explica as idéias de cientistas e pensadores como Platão, Aristóteles, Galileu, Newton, Darwin e Einstein, entre outros. O livro da ciência traz fotos de satélite, mapas, pinturas antigas, gráficos e outros elementos que ajudam a entender a fascinante história das descobertas. SOBRE OS OMBROS DE GIGANTES AUTOR: Alexandre Cherman EDITORA JORGE ZAHAR O livro traça um paralelo entre a evolução da física e a nossa própria história social. A física de que esse livro trata não é aquela da escola, repleta de fórmulas e conceitos a decorar, mas uma ciência da natureza, como os antigos gregos a definiram. Alexandre Cherman apresenta ao leitor os primeiros físicos da Grécia antiga, o desenrolar dos conhecimentos físicos durante a Idade Média, as novas propostas de Isaac Newton e daí por diante, chegando até os conceitos e problemas atuais. Procura esboçar assim uma história da disciplina com ênfase nas figuras humanas que realizaram as grandes descobertas. Combatendo a visão comumente deformada que temos do conhecimento científico, esse livro aborda as grandes questões que fundamentam o desenvolvimento da física e mostra que do diálogo entre necessidades práticas e formulações teóricas é que nasce a beleza desse campo de saber, com sua busca de explicações para o universo em que vivemos. 18

19 Por Denilson Schena O homem pode ser vítima da história. Mas pode ser, também, agente responsável pela sua construção. O que divide uma postura da outra? Foi-se o tempo em que aprender História estava limitado ao pseudo-aprendizado de algumas datas e heróis internacionais ou pátrios. Ao perceber que a organização social teve e tem diversos matizes, estabelecemos parâmetros para nos situar como sujeitos marcados historicamente, mas também como sujeitos que pensam e constroem o seu mundo individual e coletivo. 19

20 O que o ensino da História tem a ver hoje com uma grande parcela de jovens adolescentes entre 15 a 17 anos de idade identificados com a chamada geração alunos.com, mac alunos, mac filhos? Jovens vestidos com as mais famosas marcas esportivas da cabeça aos pés, freqüentadores compulsivos de shopping centers, pertencentes a uma das diversas tribos urbanas, consumidores confessos dos fast foods da era da economia e da cultura globalizada? O que a História tem a ver com o atual momento em que a sociedade discute as cotas para negros no ingresso à universidade pública? E o que tem a ver com a violência urbana que nos afeta de alguma forma todos os dias? Afinal de contas, por que estudar História? Muitos de nós em algum momento da vida escolar nos perguntamos: por que motivo estudar o passado se o que importa para grande parte das pessoas, na maioria das vezes, é a compreensão (ou melhor, a simples informação) do presente? É possível concordar com o senso comum que insiste em afirmar que a História consiste simplesmente em estudar o passado? Perguntas como essas são ouvidas com certa freqüência dentro e fora da escola, o que leva certamente à inquietação e reflexão de alunos, pais e professores. Quando essas perguntas partem dos alunos, evidenciam a falta de sentido nos conteúdos que lhes são ensinados na escola. Infelizmente, é muito comum ainda nos dias de hoje o ensino de História ser visto pelas diferentes gerações escolares como tedioso e sem muita ou nenhuma importância. O presente consegue ocupar todas as manchetes, todos os sites, enquanto o passado ainda é visto como algo já superado, artigo de museu. O preconceito contra o passado representa um dos fatores extremamente prejudiciais ao ensino da História. Por outro lado, felizmente, ainda há aqueles que acreditam que a história é um saber escolar fundamental para compreender o homem e a sociedade no presente e a sua relação com o passado. O desafio dos professores de História tem sido, ultimamente, o mesmo de outros tempos, qual seja, o de despertar o interesse dos alunos pelas suas aulas. Há professores que acreditam que os novos recursos e as modernas tecnologias podem tornar as aulas mais dinâmicas. Alguns professores entendem que os vídeos e computadores ampliam o acesso a informações que os alunos procuram e se interessam. Mas a grande questão é: o que exatamente os alunos procuram? Outros professores adotam uma postura mais crítica ao utilizarem debates e discussões de temas polêmicos em sala de aula. Os programas curriculares nos últimos anos vêm se atualizando para que as escolas abordem novos conteúdos, de acordo com o interesse e a motivação dos alunos. Em cumprimento à atual legislação educacional brasileira e de acordo com as modernas tendências pedagógicas, o ensino de história busca enfocar novos temas para estudo, visando à ação dos diferentes agentes sociais. Nesse sentido, os professores têm contemplado a perspectiva do novo conceito de documento histórico, em que as chamadas novas linguagens (oral, gestual, sonora e pictórica) são utilizadas nas aulas de História. O diálogo da História com as demais Ciências Humanas vem favorecendo o desenvolvimento de novas abordagens interdisciplinares. Esta perspectiva permite a utilização dessas diferentes linguagens no ensino de História, representando nos últimos anos um grande avanço metodológico para a concretização do trabalho em sala de aula. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de História destacam a seguinte perspectiva: As pesquisas históricas desenvolvidas a partir da diversidade de documentos e da multiplicidade de linguagens têm aberto portas para o educador explorar diferentes fontes de informação como material didático e desenvolver métodos de ensino, que no tocante ao aluno, favorecem a aprendizagem de procedimentos de pesquisa, análise, confrontação, interpretação e organização de conhecimentos históricos escolares. Essas são experiências e vivências importantes para os estudantes distinguirem o que é realidade e o que é repre- 20

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