Av. Sete de Setembro, 1330, Ane>10 ao Palácio da Aclamação, Campo Grande, Salvador, Bahia. CEP:

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1 Av. Sete de Setembro, 330, Ane>0 ao Palácio da Aclamação, Campo Grande, Salvador, Bahia. CEP: / Exmo Sr. Dr. Pedro Dallari DD. Coordenador da Comissão Nacional da Verdade Exmo Coordenador Pelo presente encaminhamos à Comissão Nacional da Verdade alguns resultados do trabalho desta Comissão. Selecionamos dois casos em que acreditamos que a Bahia poderá contribuir para a ampliação do relatório final. J. O caso Theodomiro Romeiro dos Santos Aqui a contribuição específica é mostrar como, no primeiro caso no qual a população brasileira, na República, debateu a aplicação da pena de morte, ela foi rejeitada, levando a Ditadura a recuar da sua aplicação formal. A informação preenche uma lacuna, pois apesar de ter ocupado grande espaço na imprensa baiana e nacional, a polêmica foi omitida nos livros que tratam do assunto. Theodomiro foi escolhido para protagonizar a primeira condenação à morte e a imprensa foi convocada, com esta motivação, para o julgamento. O caso da "F azendinha" Demonstra a amplitude da "Operação Radar" na Bahia, o -uso de instalações do Exército (quartel em constituição) em Alagoinhas, cidade a 08 Km, para torturar presos e a presença dg Delegado Sérgio Fleury e o Capitão Brilhante Ulstra em território baiano.. Confiando de que, após esta pequena.contribuição, cresçam as oontrib.uições da CEV à CNV, encaminhamos-lhe nossas cordiais SAUDAÇÕES DEMOCRÁTICAS Salvador, 6 de maio de 204 ~//~ - o-. ~ Joviniano S. de Carvalho Neto Coordenador

2 GOVERNO DOESTADO DA BAHIA COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE DOCUMENTOS Av. Sete de Setembro, 330, Anexo ao Palácio da Aclamação, Campo Grande, Salvador, Bahia. CEP: 40080,00 OPERAÇÃO RADAR NA BAIIlA. Audiência de Marco Antonio Rocha Medeiros: Depoimento presencial transcrito (Doe.) Local - Sede da CEV -Bahia Hora- 4:30 hs Data-05 de maio de Depoimento escrito: "Um pesadelo Dantesco"... (Doe.2).3. Blog de Homônimo (Doe.3) \ 2. CASO THEODOMIRO 2.. Reconstituição sumária (Doe 2.) 2.2. Auto de prisão em flagrante (Doe 2.2) 2.3. Sentença de condenação (Doc.2.3) 2.4. Acórdão do STM, reformando decisão (Doe. 2.4) 2.5. Referências Bibliográficas CARVALHO NETO, Joviniano Soares de. A polêmica que a (pena de) morte perdeu: os campos sociais e a cobertura do caso Theodomiro pela imprensa de Salvador. Salvador, O f: (Tese). Theodomiro, os limites da mídia e da anistia. A imprensa baiana e o primeiro condenado a morte na República. Salvador, 2000, 502 fls. (Dissertação)

3 e tr s- 0 J /T E ~ 0 v M fl.

4 } Av. Sete de Setembro, 330, Anexo ao Palácio da Aclamação, Campo Grande, Salvador. Bahia. CEP: comissao. CASO THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS Reconstituição Sumária Theodomiro Romeiro dos Santos condenado, em 97, em Salvador, foi o primeiro civil condenado a pena de morte na República. A reação e a polêmica que, a partir da Bahia, se espalhou pelo Brasil e pelo mundo, não apenas levou o STM - Superior Tribunal Militar a reformar a sentença, transformando-a em prisão perpetua como a agir, de modo similar, e, rapidamente, em outras condenações semelhantes. A análise do caso, objeto de dissertações de mestrado e tese de doutorado na Bahia, mas pouco conhecido nacionalmente, amplia o conhecimento da dinâmica da repressão e resistência na Ditadura Militar. Esta contribuição à reconstituição da história brasileira, baseia-se não apenas nos trabalhos citados, mas em depoimento do próprio Theodomiro Romeiro dos Santos em Audiência Pública promovida pela Comissão Estadual da Verdade. Do material recolhido pode-se concluir o seguinte:, Após a promulgação do AI,., 4 que estabelece a pena de morte e banimento, vários setores da chamadª lipha "dura" pressionªvam para que ocorresse a primeira condenação; '.'.t O fato de Theodomiro ter morto, "pelas costas", um sargento da Aeronáutica (esclareça-se que em trajes civis e em operação policial) permitiu a construção, em todos os jornais, da imagem do morto como herói e mártir naçiornd e um enterro com honras militares e acompanhamento de todas as lide:rançªs da sociedade çivil. Theodomiro e Paulo Pontes, seu companheiro do PÇBR, foram presos em flagrante, mas seus nomes não aparecem no noticiário que cobre a morte s~ndo apresentados como "terroristas" 3, Submetido o çaso à Justiça Militar, a Aeronáutica, a arma do morto, montou o inquérito (uma das singularidades do caso é a existência d~ dois inquéritos), indicando, como era de praxe, a maioria dos julgadores (a e;x:çeção será o Juiz Auditor, único formado em direito); 4, A Justiça Militar çonvoca a imprensa, anunciando que, no dia seguinte, seria proferida a primeira condenação à pena de morte. Depoimento do próprio Theodomiro apoiado por testemunhos, afirmª que, dias antes, lhe fora anunciada a pena que lhe seria atribuída (morte) e à Paulo Pontes (prisão perpétua); S, A sessão do julgamento permitiu ª apr~sentação do perigoso "terrorista" que se revelou com a aparência de l,lffi adolesçent~, jovem estudante, enquadrado por soldados da P.E. Esta imagem,

5 Av. Sete de Setembro, 330, Anexo ao Palácio da Aclamação, Campo Grande, Salvador, Bahia. CEP: divlllgadª nacionalmente e int~macionalmente, denuncia da ditadura; se tomou um ícone do movimento de 6, D~pois do julgalllento des~ncadeou~ se a polêmica. Agui ocomm um fato gue é importante reconstruir, Aindª que, à poça, no período, dos mais duros dos anos de chumbo, os jornais e revistas estivessem sob censjrn (por "bilhetinhos" da Polícia Federal), a polêmica não foi censwada. Na Bahia, por exemplo, tese já citada, encontrou entre 20 de março e a entrega do recurso, em 06 de abril, 49 matérias, 37 das quais na primeira página. No período, entre 06 de aoril e a decisão pelo STM em 05 de agosto, mais algumas dezenas de matérias, inclusive a pível nacional. Tanibém nela se faz reforências a matérias publicadas nas principais revistas nacionais da época. A aoertwa pm;a ª polêmica serviu para mostrar: a) As divergências existentes dentro das próprias forças de sustentação da Ditadura, prov~ni~ntes, inçlµsive da adesão a ideologia liberal-conservadora e à concepção do Direito Penal Moderno b) A predominância, dentre os ªtores sociais e na população brasileira, da reação à pena de morte, no único momento em que tiv(?rarn de se posicionar sobre um caso concreto no Brasil. 7, Após a condenação, Theodomiro Romeiro dos Santos cumpriu pena na Penitenciária Lemos de Brito, período no qual gerou iniciativas que, inclusive, levaram a sucessivas reduções da pena. S, Ew. 979, t~ndo preenchido as condições para a liberdade condicional, inclusive parecer favorável do Conselho Penitenciário, teve o seu pedido negado, tendo o Auditor Militar alegado que a sua concessão equivaleria a Anistia, Ampla, Geral e Irrestrita. 9. No dia d(?zessete de agosto de 9/9, às vésperas da anistia que não o beneficiaria ("crime de sangue") fugiu da penitenciaria. O. Da fuga até a sua chegada, em 30 de outubro, pedindo asilo a Nunciatura Apostólica, em Brasília, o caso obteve grande cobertura jornalística.. Em 7 de dezembro, Theodomiro parte para o exílio, permanecendo na França até seu retomo ao Brasil, após o fim da Ditadura em 05 de setembro de Em 203, Tbeodomiro é anistiado e, em 204, presta depoimento a Comissão Estadual de Verdade. Joviniano Neto Coordenador

6 .Ó/., ANEX0-3 MINISTÉRIO DA JUSTIÇA DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL DELEGACIA REGIONAL DA BAIIlA AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE, NA FORMA A- BAIXO; ~/ Aos vinte e oito dias do mês de outubro de mil novecentos e setenta, nesta cidade do Salvador, Capital do Estado da Bahia e na Delegacia Regional do Departamento de Polícia Federal, onde se achava presente o Doutor ALFREDO ÂNGELO DE AQUJNO FJLHO, Inspetor de Polícia Federal, comigo, Escrivão Auxiliar de Policia Federal, ai presente o CONDUTOR TESTEMUNHA, JOSÉ FELIPE FILHO, brasileiro, natural na cidade de Quarenta e Quatro, Estado de Minas Gerais, casado, Agente Auxiliar de Polícia Federal, residente na Rua do Genipapeiro, vinte quatro, nesta Capital, sabendo ler e escrever. Aos costumes, disse nada. Testemunha sem contraditas. Prestado o compromisso legal e inquirida a respeito dos fu.tos objeto dêste flagrante, RESPONDEU: que, ontem, aproximadamente às treze horas, o depoente, juntamente com o Agente AMILTON NONATO BORGES, com o Sargento \V ALDER XAVIER DE LIMA, da Aeronáutica e o Cabo do Exército ODILON OLIVA COSTA, receberam ordem do Sr. Cel., digo, Senhor Coronel Delegado de Polícia Federal para prosseguirem nas observações que vinham sendo realizadas há mais de trinta dias, para levantamento de uma organização clandestina, possivelmente terrorista e ligada a uma das citadas em informações confidenciais dos Órgãos de Segurança interna da Área, tais como VPR VAR-PALMARES, ALN e PCBR; que o Senhor Delegado fajando para o depoente e seus companheiros, determinou que, caso füssem encontrados, a partir daquele momento, nos pontos já conhecidos das investigações anteriores, os elementos já observados e considerados suspeitos pelos Órgãos de Informações componentes do CODI/6, efetuassem a prisão dos mesmos e os. conduzissem à sede desta Delegacia Regional ~ que o depoente e seus três companheiros já conheciam um dos acusados presentes, como sendo JOSÉ FERNANDES DA SILVA baseando-se nas investigações existente nesta Delegacia Regional exibida pelo próprio Senhor Delegado; que, por volta das vinte e uma horas, o depoente e seus companheiros já citados; no interior da viatura viatura desta Delegacia Regional, de placa oficial cincodezenove-sessenta e seis/bahia (5-9-66/BA), marca Jeep Willys, após percorrerem vários "pontos", chegaram nas proximidades d~ Pôs to São Jorge, situado na Avenida Vasco da Gama, margem do Dique do Tororó? quando avistaram três indivíduos dentre os quais reconheceram um dos acusados presentes, JOSÉ FERNANDES DA SILVA; que em vista disse a viatura, que estava senda dirigida pelo agente A._"l\illLTON, foi parada em frente aos três indivíduos r~erentes, digo, referidos, ocasião em que todos saltaram e conseguiram prender os dois acusados presentes, já que o terceiro, certamente percebendo t...-a.nrr-se de polícia, e-vadiuse atravessando o Dique, através de uma pinguela ali existente; que, enquanto o depoente,

7 . ; 5 Agente AMIL TON e o Sargento XAVIER colocam os dois acusados presentes no interior do Jeep, o cabo ODILON OLN A saiu correndo em perseguição do terceiro elemento que fugia; que, após êsse fato, o depoente juntamente com seus companheiros foram ao encontro do Cabo que perseguia o terceiro elemento; que, ao atingirem o local em que o terceiro elemente% conseguiu atravessar o Dique, pararam a viatura, momento em que o Sargento XAVIER saltava da viatura com a intenção de ir ajudar o Cabo ODILON, já que os dois acusados presentes se encontravam no banco trazeiro do Jeep, algemados, braço esquerdo de JOSÉ FERNANDES DA S.IL V A com o braço dfreito do outro acusado presente, e o depoente ao lado do motorista, Agente AMIL TON, nobanco dianteiro; que no momento em que o Sargento XAVIER abria a porta do Jeep e saltava, o depoente ouviu bem próximo às suas costas um estampido de arma de rogo; que imediatamente, e instintivamente, o depoente vira-se para trás e vê que o outro acusado presente, que agora sabe chamar-se TEODO.rvtIRO ROJ'vfEIRO DOS SANTOS, empunhando pela mão esquerda um revólver, do qual o depoente ainda vê e ouve dois disparos; que o depoente percebe que seu companheiro AML TON está ferido e no movimento brusco ajuda o Agente AML TON a tomar a arma que era empunhada pelo acusado TEODO.rvtIRO; que nesse momento o Agente AMILTON mesmo ferido salta do Jeep e verifica, gritando para o depoente, que o Sargento XAVIER estava no chão, morto, e retoma a direção da viatura, conduzindu-a para esta Delegacia Regional com o depoente virado e debruçado sôbre os dois acusados presentes, segurando-os; que durante o percurso o depoente pôde observar que o Agente AML TON se encontrava com a camisa encharcada de sangue e repetindo que estava ferido nas costas; que diante da confusão reinante no interior do Jeep, o depoente não mais tomou conhecimento do destino que o Cabo ODILON OLIVA havia tomado; que tomado; que, ao chegar nesta Delegacia Regional o Agente AM.ILTON parou a viatura defronte à porta da Sala de Permanência, cujo Chefe, Agente CARVALHO e seu Auxiliar, Agente DALMAR, tomaram conhecimento do fato e aos quais o depoente, ainda com o Agente AMIL TON, entregaram os acusados presentes e a arma que foi usada no crime e já constante do auto de apresentação e apreensão lavrado, cuja arma é a mesma que ora lhe é exibida; que, diante do estado do Agente AML TON, o Agente DALMAR correu imediatamente ao Gabinete do Senhor Delegado, onde êste se encontrava e deu conhecimento do que se estava passando; que imediatamente o Senhor Delegado chegou à Sala da Permanência, determinando o transporte do Agente AMILTON para o ATEMDE, a fim de ser socorrido; que o depoente, nesse momento, disse para o Senhor Coronel Delegado da necessidade de voltar ao local para apanhar o corpo do Sargento XAVIER, tendo essa Autoridade determinado que assim procedesse, imediatamente, o que foi feito; que das proximidades do local onde tombara o Sargento XAVIER, o depoente conseguiu telefonar ao Senhor Coronel Delegado informando que o Sargento XAVIER realmente estava morto e já ali se encontrava um Guarda Civil; que o Senhor Coronel Delegado determinou que se conduzisse o corpo do Sargento XAVIER para o Pronto Socorro, fazendo com que o Guarda Civil fôsse na mesma viatura, de onde vieram para esta Delegacia Regional, logo após a chegada das autoridades da Aeronáutica. E mais não disse. Em seguida, passou a autoridade a qualificar o acusado que as perguntas que lhe foram feitas, respondeu chamar-se PAULO PONTES DA SILVA, brasileiro, natural de São Caetano, Estado de Pernambuco, com vinte e cinco anos de idade, nascido em seis, digo, três de setembro de mil novecentos e quarenta e cinco, casado, bancário, de côr branca, filho de José da Silva e de Maria Pontes da Silva, sabendo ler e escrever e residente à rua Vinte e Quatro de Junho, número trinta e sete, no bairro de Cidade Nova, desta Capital. Dada a palavra ao acusado presente que acabou de dá sua qualificação, para reinquirir o condutor que acabou de depor, por êle foi dito que nada ti.

8 ~ 6 tinha a reinquirir. A seguir, passou a autoridade a qualificar o segundo acusado que é de côr branca e às perguntas que lhe foram feitas, respondeu chamar-se THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS, brasileiro, natural do Rio Grande do Norte, com dezoito anos de idade, nascido em vinte e nove de dezembro de mil novecentos e cinqüenta e hum, solteiro, atualmente sem profissão e ocupação profissão e ocupação certa, filho de Modesto Ferreira dos Santos e de Georgina Romeiro dos Santos, sabendo ler e escrever e residente à rua Coronel Cascudo, número trezentos e trinta e seis, Cidade 'Alta, em Natal e também. nesta Capital, à Avenida Vasco da Gama, número setecentos e noventa e hum. Verificando a autoridade que a êste preside ser o acusado menor de vinte e hum anos de idade, foi-lhe nomeado curador, o advogado CARLOS NEVES GALLUF, com escritório na Avenida Sete de Setembro, número trinta e três, Conjunto seiscentos e seis, Edifício Santa Rita Anexo, nesta Capital, o qual aceitou o encargo. Por intermédio do curador, foi dada a palavra ao acusado presente para que contestasse o depoimento do condutor-testemunha, por êle foi dito que nada tinha a contestar. Em seguida, passou a autoridade a ouvir a primeira testemunha AMIL TON NONATO BORGES, brasileiro, natural de Salvador, casado, com trinta e hum anos de idade, Agente Auxiliar de Polícia Federal, sabendo ler e escrever e residente à rua Rafael Uchoa, número cinqüenta e hum, no bairro da Massaranduba, nesta Capital. Testemunha sem contradita. Aos costumes disse nada. Prestado o compromisso legal e inquirido sôbre o fato DISSE: que ontem, por volta das treze horas, o depoente, juntamente com o Sargento W ALDER XAVIER DE LIMA, da Aeronáutica, com o Agente Federal JOSE FILIPE FILHO e o Cabo do Exército ODILON OLIVA COSTA, receberam ordem verbal do Coronel Delegado de Polícia Federal da Bahia para continuarem no serviço de observação que vinha sendo feito há mais de trinta dias, com o objetivo de levantar a Organização de um grupo clandestino, com indícios fortes de seus componentes pertencerem a uma das seguintes Organizações subservas: DPR, V AL-P ALMARES, ALN e PCBR que o Senhor Delegado ao explanar para o depoente e seus companheiros acima citados, determinou que, caso füsse encontrado, a partir daquêle momento, nos pontos já conhecidos através das investigações anteriores, os indivíduos já observados anteriormente e considerados suspeitos pelos Órgãos de Informações que compõe o CODI efetuassem a prisão dos mesmos e os conduzissem à Sede dest.a Delegacia Regional, a fim de processó-los pela Lei de Segurança Nacional; que o depoente e os seus três companheiros já conheciam um dos dois acusados presentes, como sendo JOSE FERNANDES DA SILVA, uma vez que no decorrer dos trinta dias àe observações e pela documentação existente nesta Delegacia Regional, exibida pelo próprio Coronel Delegado, aparecia o nome de JOSE FERNANDES DA SILVA; que o depoente, como morq que o depoente, como motorista da viatura marca Jeep Willis, placa oficial "5966" /BA, desta Delegacia Regional, e seus três companheiros retro mencionados, sairam desta Delegacia, em missão continuada; que após percorrerem vários "pontos", chegaram nas proximidades do Pôsto São Jorge, localizado na Avenida Vasco da Gama, na altura da curva que margeia o Dique do Tororó, avistaram três indivíduos, dentre os quais o depoente e seus companheiros reconheceram imediatamente como um do, digo, como sendo um dos acusados presentes, ou seja JOSE FERNANDES DA SILVA; que, em consequência, o depoente parou a viatura bem em frente aos três indivíduos acima referidos; que nessa ocasião, todos saltaram com rapidez e conseguiram prender os dois acusados presentes, já que o terceiro, evadiu-se em desabadalada, digo, desabalada carreira, atravessando urna estreita e pequena ponte de cimento, ali existente; que enquanto o depoente, o Agente Felipe e o Sargento XA VJER colocavam os dois acusados presentes no interior do Jeep, o Cabo ODILON OLIVA saiu correndo em perseguição do terceiro elemento que fugia; que, logo em seguida, o depoente e

9 seus dois companheiros, digo, logo em seguida, o depoente, juntamente com o Sargento XAVIER e o Agente Felipe, na própria viatura, já com os dois acusados presentes colocados no banco trazeiro, deslocaram-se para uns vinte metros adiante, justamente onde se encontrava o Cabo OLIVA em perseguição ao terceiro elemento; que, justamente nêsse local, o depoente parou a viatura, ocasião em que o Sargento XAVIER tentava saltar da viatura com a intenção de ir ajudar o Cabo ODILON OLIVA, isso porque os dois acusados presentes já se encontravam no banco trazeiro do Jeep, algemados-braço esquerdo de JOSE FERNANDES DA SILVA com o braço direito do outro acusado presente, estando o depoente na direção da viatura e ao seu lado o Agente Felipe, portanto, no banco dianteiro; que nêsse momento e depoente ouviu, vindo do banco trazeiro, um estampido de arma-de-fogo; que, extintivamente, o depoente vira-se para traz e vê que o outro acusado que agora sabe chamar-se THEODOMIRO RO:J\EIRO DOS SANTOS, empunhando na mão esquerda um revólver, do qual o depoente ainda vê e ouve dois disparos; que o depoente foi atingido por êsse disparo, nas costas; que o depoente ainda assim e ajudado por seu companheiro Agente FELIPE consegue tomar o revólver que era empunhado pelo acusado THEODOMIRO; que dominado o acusado, autor do disparo, o depoente, alertado pelo Agente FELIPE, verifica que o Sargento XAVI VERIFICA QUE O Sargento XAVIER se encontra estendido no chão, razão pela qual o depoente se aproxima do corpo do referido militar e verifica que êste já está morto, e assim, o depoente retoma a direção da viatura, nessa altura com sua camisa encharcada de sangue, conduzindo para esta Delegacia Regional, tendo ao lado o Agente FELIPE, de joelho no banco dianteiro e debruçado sôbre os dois acusados que se encontravam no banco trazeiro, algemados da forma por que descreveu linhas atrás; que o depoente, nessa altura dos acontecimentos não pôde mais tomar conhecimento do destino que o Cabo ODILON OLIVA havia tomado; que ao chegar nesta Delegacia Regional, parou a viatura em frente à porta de permanência, dando conhecimento da ocorrência ao Agente CARVALHO e seu Auxiliar Agente DALMAR, aos quais o depoente, juntamente com o Agente FELIPE entregaram os acusados presentes e a arma que foi usada pelo acusado THEODOMIRO, arma essa que é a mesma que ora lhe é exibida; que, na ocasião da entrega dessa arma, o depoente teve a oportunidade de abrir o tambor, mostrando ao Agente DALMAR, e constatar que existiam seis cartuchos, dos quais três totalmente deflagrados, um apenas picotado e dois totalmente intacto; que o depoente, com a camisa totalmente encharcada de sangue, ainda acompanhou o Agente DALMAR até o Gabinete do Coronel Delegado, onde êste se encontrava, tendo esta autoridade determinado, imediatamente, que o depoente fôsse transportado para o ATENDE a fim de ser socorrido, determinando também que o Agente FELIPE voltasse ao local e transportasse imediatamente o corpo do Sargento XA. VIER para o Pronto Socorro; que o depoente, por volta da uma hora da madrugada de hoje, após ser socorrido e medicado, foi liberado pelo médico. E mais não disse. Dada a palavra ao acusado PAULO PONTES DA SILVA para reinquirir a testemunha que acabou de depor, por êle foi dito que nada tinha a contestar. Dada a palavra, ao acusado THEODOl\tIR.O ROJ\EIRO DOS SANTOS, através do seu curador para contestar o depoimento da testemunha, por êle foi dito que nada tinha a reinquirir. Em seguida, passou a autoridade a inquirir a testemunha ODILON OLIVA COSTA, brasileiro, natural de Salvador, com vinte e hum anos de idade, solteiro, militar, sabendo ler e escrever e residente na rua Brigadeiro Freitas Guimarães, número quarenta, no bairro do Barbalho, nesta Capital. Testemunha sem contradita. Aos costumes disse nada. e prestando o compromisso legal e inquirido sôbre os fatos, DISSE: que o depoente é Cabo Infantil da Polícia do Exército sob o número "29", na Sexta Regi- na Sexta Região Militar; que, ontem, cêrca das trêze horas, o depoente, juntamente com o Agente AMILTON NONATO BORGES, 7

10 o Sargento W ALDER XAVIER DE LIMA, da Aeronáutica, e o Agente JOSE FELIPE FILHO, todos na condição de componentes do Setor de Investigação do CODl/Sexta Região, compareceram ao Gabinete do Delegado de Polícia Federal, dêste recebendo determinação no sentido de prosseguirem nas observações que vinham sendo realizadas há um mês e dias, com o objetivo de levantar a estrutura de uma Organização Clandestina, cujos indícios indicavam ser composta de elementos terroristas, possivelmente oriundos ou ligados a uma das seguintes Organizações subversivas VPR, V AL-P ALMARES, ALN, ou PCBR que, o Senhor Coronel Delegado, na sua exposição para o depoente e seus companheiros, determinou que, se por ventura, a partir daquêle momento, füssem encontrados nos "pontos" ou lugares já investigados anteriormente, os elementos ou indivíduos já observados e considerados suspeitos pelo exame de situação realizado pelos Órgãos de Informações participantes do CODI/6, efetuassem a prisão dos mesmos e os conduzissem à Sede desta Delegacia Regiona], para abertura do competente inquérito Policial; que o depoente e seus três colegas de missão já conheciam um dos dois acusa.dos presentes, como sendo JOSE FERNANDES DA SILVA, isto em decorrência das investigações feitas anteriormente e pela documentação e relatórios existentes nesta Delegacia Regional, comentados e explicados pelo próprio Delegado; que, em consequência, o depoente, acompanhando o Agente Federal FELIPE, o Sargento W ALDER XAVIER DE LIMA, da Aeronautica, e o Agente AMI, digo, e o Agente Federal AvILTON NONATO BORGES, êste na condição também de motorista da viatura marca Jeep Willis, de placa oficial "5966" /Ba., desta Delegacia de Polícia Federal, e destinada ao senriço de investigação retro mencionado, sairam para a execução da missão recebida; que após percorrer vários "pontos", chegaram na altura do Pôsto São Jorge, localizado na Avenida Vasco da Gama, por volta das vinte e uma horas de ontem, dia vinte e sete, aproximadamente na altura da curva que margeia o Dique do Tororó, nesta Cidade, quando então avistaram três rapazes, dentre os quais o depoente e seus companheiros reconheceram imediatamente um dos acusados presentes como sendo JOSE FERNANDES DA SILVA; que, em consequência, e com rapidez, saltaram da viatura e conseguiram prender os dois acusados presentes, já que o terceiro evadiu-se em desabalada carreira, atravessando uma estreita e pequena ponte de cimento alí existente; que, enquanto o Agente AMIL TON, o Sargento XAVIER e o A o Sargento XAVIER e o Agente Federal FELIPE conseguiram prender os dois acusados presente, levando-os para o interior do Jeep, o depoente procurou perseguir o terceiro elemento que fugia, faendo alguns disparos da direção do depoente, os quais também foram revidados pelo próprio depoente, que não logrou atingi-lo; que, durante a persiguição que o depoente fazia ao terceiro elemento, teve a oportunidade de ouvir três disparos vindos da direção do local onde se encontrava o jeep; que o depoente teve até a impressão de que os disparos seriam dos outros três companheiros que se achavam no Jeep, como quem estivessem procurando ajudar o depoente na perseguição que fazia ao terceiro elemento já referido; que essa impressão logo se desfez para o depoente em virtude de ter ouvido bem alto a fala do Agente AMILTON que dizia "FELIPE, me socorra que estou ferido"; que o depoente observando que o terceiro elemento que fugia já se distanciara bastante do local, tendo feito inclusive outros disparos na direção do depoente, tomou a direção do local onde se achava estendido no chão uma pessoa, e dela se aproximando, verificou tratar-se do Sargento XAVIER; que o depoente também viu logo após os gritos do Agente AMIL TON, que, a viatura Jeep se afastara do local; que o depoente chegando junto ao corpo do Sargento XAVIER percebeu que êste já estava morto; que ainda nessa ocasião o depoente constatou que continuavam os disparos vindos na sua direção do local justamente onde se encontrava o terceiro elemento que fugira, enquanto o depoente verificava que sua arma não tinha 8

11 possibilidades de atingi-lo, razão pela qual afastou-se bastante do local, a fim de proteger-se; que logo em seguida o depoente conseguiu tomar um taxi que passava nas imediações e rumou para o Quartel General da Sexta Região Militar, onde relatou o fato para o Oficial de Dia, Capitão GIGANTE; que daquele Quartel veio para esta Delegacia Regional, trazido pelo Major ANTONIO BIÃO; que aqui chegando tomou conhecimento através dos comentários dos policiais de que o seu companheiro, Sargento XA VJER realmente havia sido morto em consequência de dispam de arma de fügo feito por um dos acusados presentes, que agora veio a saber chamar-se THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS. E mais não disse. Dada a palavra ao acusado PAlJLO PONTES DA STI.V A para reinquirir a testemunha que acabou de depôr, pelo mesmo nada, digo, pelo mesmo foi dito que nada tinha a reinquirir. Dada a palavra ao Dada a palavta ao acusado THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS, por intermédio do seu curador, para reinquirir a testemunha que acabou de depôr, pelo mesmo foi dito que nada tinha a reinquirir. Em seguida, presente o acusado PAULO PONTES DA SILVA, já qualificado nestes autos, passou a autoridade a interrogá-lo, o qual, RESPONDEU: que o declarante foi prêso no dia de ontem, cêrca das vinte e uma horas, nas proximidades do Pôsto São Jorge, situado na Avenida Vasco da Gama, margem do Dique do Tororó, ocasião em que se fazia acompanhar dos seus amigos e conhecidos THEODOMlRO ROMEIRO DOS SANTOS e ARTHUR, sendo que êste conseguiu evadir-se, em direção ao Dique do Tomró, não sabendo precisar para onde se dirigiu, mas sabe ser o mesmo elemento militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), não sabendo a data do seu ingresso no referido Partido; que o declarante é também militante do mesmo Partido a que pertence o seu amigo ARTHUR, cujo ingresso veio a ocorrer no ano de mil novecentos e sessenta e nove, através do Comitê Secundarista de Recife, que na época funciq nava, digo, funcionava sob a responsabilidade do estudante secundarista de nome "RICARDO'', do qual também fazia parte a estudante secundarista MARIA JOSE e "JOÃO", época em que o declarante cursava o terceiro ano cienttfico do Colégio Estadual de Pernambuco; que a partir do mês de março ou abril do corrente ano, o declarante foi incumbido pela Direção do PCBR de Recife, da qual faziam parte os elementos de codinomes "HEITOK' e "ALMEIDA", cuja incumbência principal era a de organizar o PCBR nesta Capital, para tanto contaria com a colaboração efetiva de DIRCEU REGIS que já aqui se encontrava e já era seu conhecido de Recife, sendo que o primeiro encontro veio a realizar-se lgo, digo, logo após a chegada do declarante a esta Capital; que durante o encontro realizado, deliberaram alugar uma casa, que serviria de residência e do funcionamento do "aparelho", o que realmente veio a ocorrer, vindo a mesma ser alugada à rua Vinte e Quatro de Junho, número trinta e sete, Cidade Nova, nesta Capital, mediante contrato de locação, em que era estabelecida a sua duração em sete meses, cujo contrato figurava em nome de DIRCEU RÉGIS RIBEIRO e como fiador, o declarante, mediante o pagamento de aluguel de trezentos e trinta cruzeiros, sendo que no referido contrato o declarante fêz uso de nome falso, ou seja o que vinha usando habi- usando habitualmente, JOSÉ FERN.At~ES DA SILVA; que o declarante esclarece, não obstante o contrato ter a sua duração de seis meses, e não de sete como falou anteriormente, após o seu término no dia trinta de setembro passado, o declarante veio a conseguir verbalmente a sua prorrogação por mais dois meses, nas mesmas condições estipuladas anteriormente, mas pelo motivo de estarem pressentindo serem observados pela Polícia, resolveram desistir de permanecer nesta Capital, para tanto o seu amigo DIRCEU REGIS RIBEIRO e a sua esposa LUCIAi.~A RIBEIRO DA SILVA, deveriam retomar a Recife, enquanto o declarante ainda deveria permanecer cêrca de dez dias aproximadamente nesta cidade, no "aparelho" que na época funcionava na Avenida Vasco da Gama, no Bairro do Rio Vermelho, sob a 9

12 responsabilidade da militante "MALI", que contava com a colaboração de "ADOLFO" e "ARTHUR", sendo que o declarante passou a reconhecer o referido "aparelho" há cêrca de dez dias passados, quando ali compareceu acompanhado do militante de codinome., "HENRIQUE" no carro de sua propriedade, esclarecendo que HENRIQUE se encontrava de passagem por esta Capital procedente do Estado da Guanabara, não sabendo precisar se o seu ~.. ; retôrho se daria para a mesma cidade, mas permaneceu cêrca de oito dias nesta Capital, sendo q~e a :finalidade do comparecimento de ambos tinha por objetivo fazer a entrega de um mimeógrafo e de uma máquina de escrever, ambos de propriedade do Partido, tendo em vista a mudança do "aparelho" da Cidade Nova; que, tanto a máquina de escrever como o mimeógrafo eram utilizados para confecção de material destinado a propaganda subversiva, bem como para documentos do Partido, tais como panfletos e resoluções políticas, inclusive foram rodados no mimeografo cêrca de cinco mil panfletos, alusivos a data de primeiro de maio, cuja distribuição foi feita não só pelo declarante, como também por DIRCEU e demais pessoas que tinham contato com a Organização, o que veio a ocorrer três dias antes da referida data, nos bairros do IAPI, Pau Miúdo, Liberdade; que as Resoluções Políticas eram de caráter interno; que independentemente da distribuição de panfletos, o declarante, DIRCEU e o estudante secundarista "MARIO", do Colégio Central, realizaram diversos pinchamentos de muros e paredes dos mesmos locia em que foram distribuídos os panfletos, sendo que aquêles locais eram escolhidos por se tratarem de bairros densamente habitados, na sua maioria de trabalhadores; que a Organização era a Organização era subvencionada pela Direção Regional do PCBR do Recife, cujo numerário era enviado pessoalmente, por um elemento, sendo que a última vez a mesma foi feita por intermédio de "ARTIDJR", para tanto o declarante tinha conhecimento através de telegrama que lhe era dirigido, cujo recebimento se efetivava, na parte alta do Elevador Lacerda, ocasião em que se encontrava com a pessoa designada pela Organização, esclarecendo que a importância variava entre oitocentos a hum mil cruzeiros; que, no dia, mês e hora já mencionado pelo declarante, ocasião em que foi prêso juntamente com seu conhecido e amigo THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS e colocados num Jeep, sendo algemados, da seguinte forma: braço esquerdo do declarante com braço direito de THEODOMIRO, no banco trazeiro da referida viatura; que no banco dianteiro do Jeep sentaram o motorista, tendo ao seu lado um elemento alto e escuro e êste, por sua vez tendo ao seu lado um elemento do qual não guardou os traços :fisionômicos, tudo indicando serem os mesmos da polícia; que, em seguida, o motorista ligou a chave da viatura e a colocou em movimento, parando entre vinte e trinta metros mais adiante, ocasião em que o elemento da extremidade do banco dianteiro, abriu a porta na tentativa de saltar, e o declarante viu quase que simultaneamente o seu companheiro THEODOMJR.O disparar com a mão esquerda um revólver que empunhava; que o declarante ouviu em seguida mais dois disparos feitos pelo mesmo THEODOMIRO, após os quais ouviu o motorista gritar que estava ferido, ao mesmo tempo que virava para o banco trazeiro, já nessa altura ajudado pelo seu companheiro, escuro e alto, que também assim procedia, debruçando-se ambos para cima do THEODO.MIRO, conseguindo tomar o revolver; que o declarante, da posição em que se encontrava, nada pôde ver em relação ao elemento da direita do banco dianteiro que havia aberto a porta e saltado a porta do Jeep; que o declarante também ouviu disparos partidos de local pouco mais afastado da viatura; que êsses últimos disparos, o declarante atribui ao fato que estava ocorrendo relacionado com a fuga do seu companheiro "ARTHUR"; que recorda-se o declarante, que logo após os três disparos feito pelo seu companheiro THEODOMIRO, já narrados linhas atrás, e tomada a arma pelos dois policiais, (motorista e o elemento que se encontrava ao seu lado), no banco dianteiro), o motorista conduziu a viatura até o lo- a viatura até o local onde 20

13 foi o declarante e seu companheiro apresenta prêsos, local êsse que o declarante veio logo a saber ser a Delegacia de Polícia Federal da Bahia; que o declarante, no trajeto até esta Delegacia observou que o motorista estava com a sua camisa encharcada de sangue em tôda a parte das costas; que, na ocasião da luta do motorista e seu companheiro para dominar e tomar a arma de THEODOMJRO, o declarante se manteve impassível, isto é, nenhuma atitude tomou para evitar o acontecido, mesmo dispondo de seu braço direito livre; que era gritante a posição desvantajosa do motorista e de seu companheiro, já que o THEODOMIRO disparou sua arma de surprêsa quando os dois policiais estavam totalmente de costas, isto é, sentados normalmente com a frente voltada para a dianteira do carro; que ao chegar nesta Delegacia, já recolhidos ao xadrez, juntamente com THEODOMIRO, escutou perfeitamente os comentários e as lamentações dos funcionários pela morte de um Sargento da Aeronáutica, que tomava parte nas diligências; que, por ocasião da sua apresentação nesta Delegacia, ao erem revistados, foi encontrado com o declarante os documentos cons, digo, foram encontrados com o declarante os documentos e uma carteira contendo a importância de cento e trinta e sete cruzeiros e trinta e cinco centavos, ttido constante do Auto de Apresentação e Apresenta, digo, de Apresentação e Apreensão que ora lhe foi lido e exibido; que entre os documentos encontrados em poder do declarante, acha-se um certificado de isenção do Serviço Militar, cuja existência explica da seguinte maneira: que em meados de mil novecentos e sessenta e nove, aproximadamente, após ter conhecimento de sua condenação pela Justiça Militar de Recife, achou êsse certificado de número "04880", em nome de JOSE FERNANDES DA SILVA, procedeu nêsse documento as seguintes alterações: no lugar destinado ao nome do município, o declarante apagou o original dactilografado e colocou também dactilografado a palavra "RECIFE", não se lembrando o declarante qual o nome original do município que estava datilografado pela repartição competente do registro, colocando vários "XJ\.'XX.. ", e na linha destinada a côr dos olhos, também apagou, colocando no seu lugar "esverdeados", isso para corresponder com as suas características físicas; que ainda procedeu a substituição do retrato verdadeiro por um do declarante, retrato êsse que o declarante retirou do seu verdadeiro certificado de isenção do Serviço Militar obtido também na obtido também na Cidade do Recife; que o declarante, deposse dêsse nôvo certificado de isenção, foi até o município de Bom Jardim/Pernambuco e lá conseguiu, mediante êsse documento, obter uma certidão de nascimento com o nome de JOSE FERNANDES DA SILVA, passada pelo Cartório de Registro Civil do Primeiro Distrito do Município de Bom Jardim, certidão datada de quinze de janeiro de mil novecentos e sessenta e oito; que, assim, o declarante esperava poder tirar outros documentos que possibilitasse ao declarante trabalhar em outro Estado; que o pedaço de papel dactilografado com alguns dizeres, foi feito por sua espôsa LUCIANA; que o papel manuscrito de formato de bilhete enderaçado a "ZELIA", o declarante acha que o mesmo deveria ter sido encontrado dentro de uma revista "VEJA" dada ao declarante poucos minutos antes de sua prisão pelo seu camarada "ARTHUR"; que é possível que êsse bilhete ter caído dentro do Jeep na hora da confusão; que o declarante antes do seu ingresso no PCBR do Recife, militava em movimentos estudantis; que o declarante foi condenado pela Justiça Militar de Recife como incurso na Lei de Segurança Militar, mas não se apresentou na Sessão de Julgamento, nem até a presente data, em virtude de naquela época estar respondendo processo em liberdade. E mais não disse. Presente o segundo acusado THEODOMJRO RO.MEIDO DOS SANTOS, já qualificado nêstes autos, passou a autoridade a interrogá-lo através do seu curador já nomeado, o qual, RESPONDEU: que o declarante foi prêso no dia de ontem, por volta das vinte e uma horas, nas proximidades do Pôsto de São Jorge, situado na Avenida Vasco da Gama, margem do Dique do Toróró, ocasião em que estava acompanhado 2

14 , ~, 22,. do seu amigo PAULO PONTES DA SILVA e ARTHUR, que conseguiu evadir-se; que o declarante como militante do PCBR do Estado do Rio Grande do Norte, onde ingressou no mês de julho do ano de mil novecentos e sessenta e nove, sendo que antes, como aluno do Celógio Santo Antonio da Cidade de Natal, já estava filiado aos movimentos estudantis; que em janeiro de mil novecentos e setenta, o declarante veio para Salvador, por conta própria a fim de prestar vestibular para a escola de Medicina, tanto católica como Federal; que, tendo sido reprovado, no mês de fevereiro, logo depois do carnaval, regressou à Capital do Rio Grande do Norte, onde permaneceu até trêze de agôsto tomando parte nos trabalhos das "basesd do PCBR" que, no dia três de agôsto de mil novecentos e sessenta e nove, ainda em Natal, recebeu uma carta oriunda de Salvador, assinada pelo assinada pelo militante de codinome "ARTHUR" convidando o declarante para vir a esta Capital buscar dinheiro e panfletos, o dinheiro representado, segundo a carta, pela importância DUZENTOS CRUZEIROS e os panfletos em número de mil alusivos à campanha "VOTOS NULOS"; que, precisamente no dia treze de agôsto dêste ano o declarante deixou Natal, via ônibus, passando, porém, quinze dias em RECIFE na casa de THEOD0\.IRO D0\.INGUES POSSAS, primo do declarante que exerce a profissão de Advogado e possui também uma fábrica de ladrilhos; que precisamente nodia vinte e oito de agôsto o declarante deixou a cidade de RECIFE com destino a SALVADOR viajando de caminhão comum de carga, por ser mais barato; que, aqui em SALVADOR chegou no dia primeiro de setembro docorrente ano, saltando antes da entrada da cidade, na altura do depósito da BRASIL GÁS, à margem da estrada BAHIA FEIRA; que, nesse ponta da estrada tomou um ônibus de "Fz.en, diga, Fazenda Sete de Abril" com destino ao terminal da Barroquinha, tendo porém o declarante salta.dono largo das Sete Portas; que, dêsse local tomou um ônibus que passaria pela Avenida V asco da Gama, número setecentos e noventa e um; que, tudo isso já fez em obediência já ±: digo, as instruçõe s contidas na carta de ARTHUR retro mencionada; que, o declarante, por já possuir a chave daquela casa em virtude de nela ter morado em alguns meses no ano de mil novecentos e sessenta e nove; que, essa casa, em mil novecentos e sessenta e nove foi justamente alugada pelo declarante; que'o declarante nessa ocasião ao regressar a NATAL deixou morando na mesma casa uma moça loira de codinome MARIANA, o marido dela, cujo nome não sabe, e um outro rapaz alto de codinome GIL; que êsse pessoal todo recebera a chave, um dos exemplares, das mãos de PAULO PONTES DA SILVA, o qual ficou com a incumbência de entregá-la ao referido pessoal; que, o declarante utiliza da chave que possuía, e já sabendo que ia encontrar a casa vazia, nela entrou e se alojou, passando nela a dormir e fazer duas reuniões, com o pessoal que havia alí morado anteriormente como disse linhas atrás; que, nesta capital procurou e encontrou num "Ponto" já pré-estabelecido por ARTHUR, o próprio ARTHUR; que AR THUR entregou ao declarante os DUZENTOS CRUZEIROS e recomendou que o declarante ficasse aguardando a impressão dos panflêtos; que, as reuniões e as ligações com AR THUR tôdas elas foram pra discutir a conduta determinada pela direção do PCBR, reuniões estas realizadas em número de duas na casa setecentos e noventa e um da Avenida Vasco da Gama; que, o declarante ainda participou de mais três reuniões com os elementos de codinome CLÁUDIO., MARIANA e o marido desta, num pequeno apartamento de subsolo no Edifício CARIMBA.."MBA, a margem da Avenida Otávio Mangabeira, pouco antes da sede do aero clube desta Capital; que, o declarante já conhecia seu companheiro PAULO PONTES DA Sil..,V A, de codinome ANDRÉ, desde da época em que êste estivera alguns dias na cidade de NATAL, em março de mil novecentos e sessenta e nove; que, depois do dia quatro de setembro, nesta Capital, o declarante cobriu um ou dois "pontos" de contactos com PAULO PONTES DA SILVA; que, num dos últimos "pontos" coberto pelo declarante para contacto.... ~

15 , ; 23 com ARTHUR, nesta Capital, êste lhe determinar a que o declarante entrasse em contacto com PAULO PONTES e o próprio ARTHUR, às dezenove e trinta horas do dia de ontem, vinte e sete de outubro, na frente do cemitério CAIVfPO SANTO; que, após reunidos, se dirigiram a pé%, e foram parar nas proximidades do PORTO SÃO JORGE, na curva que marjeia o dique do tororó; que, nesse local o declarante, PAULO PONTES e ARTHUR foram surpreendidos com a chegada de jeep de onde saltaram quatro pessoas, dizendo-se da polícia, e que efetuaram a prisão do declarante e de seu companheiro e de seu e, digo, seu companheiro PAULO PONTES DA SILVA, ocasião esta em que ARTHUR evadiu-se em desabalada carreira, tomando rumo que o declarante ignora; que, o declarante lembra-se bem que um dos quatro elementos autores da prisão correu em perseguição de ARTHUR; que os outros três colocaram o declarante e PAULO PONTES no Banco trazeiro do jeep, algemados da seguinte forma - braço esquerdo de PAULO PONTES com braço direito do declarante, ficando o declarante sentado do lado esquerdo correspondendo na sua frente ao motorista e o PAULO PONTES à sua direita do mesmo banco; que, os três policiais tomaram assento no banc-0dianteiro da viatura jeep, já mencionada; que, o declarante ao ser colocado no interior da viatura continuou de posse de sua pasta de couro plástico marron, no interior da qual se encontrava um revólver taurus, calibre trinta e oito, carga dupla, cano médio reforçado, carregado com seis cartuchos, e mais vinte e seis cartuchos, calibre trinta e oito, carga dupla, quatro cartuchos calibre quarenta e quatro, cargad dupla, três cartuchos calibre trinta e oito seimp, digo, simples e um calibre trinta e dois; que, o motorista ligou a máqui.tj.a e conduziu a viatura na direção do túnel do GARCIA, andando uns vinte ou trinta metros e parando; que, nesse momento o policial que se encontrava do lado da porta direita do jeep abre a mesma e começa a saltar da viatura; que, nesse exato momento o declarante abre cautelosamente a sua a sua pasta marron e dela retira o revólver, com a mão esquerda e dispara-o na direção do policial que tentava saltar da viatura, conforme relatou linhas atrás; que, o policial encontravase de costas já quase fora da viatura, que, o declarante não pode precisar se êsse primeiro disparo feito da maneira descrita atingiu o referido policial; que, em consequência dêsse primeiro disparo os outros dois policiais - o motorista e o que se encontrava ao lado dêste - instintivamente viram-se para trás, ocasião em que o declarante pretendendo atingir o policial que se encontrava no centro do banco dinheiro, digo, dianteiro ao lado do motorista dispara duas vêzes, digo, três vêzes seguida; que, o policial, alto e escuro, que se encontrava do lado direito do motorista, ajudando também a dominar o declarante, consegue tomar a arma e incontinente desfere urna coronhada com a referida arma na testa do declarante, ocasião esta em que o declarante cessou a sua residência por se considerar dominado, digo, a sua resistência por se considerar dominado; que, em seguida o motorista, gritando que estava ferido nas costas, ligou a máquina da viatura e a conduziu para esta Delegacia, onde o declarante e o seu companheiro PAULO PONTES foram apresentados; que o policial alto e escuro, durante o percurso manteve debruçado em cima do declarante e de PAULO PONTES; que, o declarante durante o percurso, realmente notou que a carnisado motorista, na altura das costas, estava bastante ensanguentada; que, o declarante atribue que os ferimentos do motorista tenha sido causado pela intervenção do policial que estava ao lado, intervenção esta que provocou certamente o desvio da mão esquerda do declarante, que empunhava o revólver; que, o declarante embora tenha acionado quatro vêzes o gatilho do revólver, sómente ao chegar à Delegacia, pelo exame que os policiais fizeram na arma, é que soube que apenas três cartuchos foram deflagrados totalmente; que, o declarante recorda-se bem que na hora de sua prisão, juntamente com PAULO PONTES, o companheiro ARTHUR evadiu-se em desabalada carreira, não sabendo o rumo que o mesmo tornara; que, diante da confusão havida no interior

16 24 do jeep, decorrente dos disparos feitos pelo declarante, não pode precisar, nem informar o que ocorreu com o policial que estava na ponta direita do banco dianteiro e tinha aberto a porta para saltar da viatura, mas pode afirmar que o primeiro disparo o declarante o rez na direção dêsse referido policial; que, ao chegar nesta Delegacia já recolhido ao xadrez com o seu companheiro PAULO PONTES ouvir comentários e lamentações dos policiais presentes informando que o que o Sargento XAVIER, da Aeronáutica, estava morto no local onde a viatura jeep parara, isto é, nas proximidades do Posto SÃO JORGE, como já foi referido no jnióo de suas dedarações; que, na hora em que o dedarante usou sua arma fazendo os disparos, o seu companheiro PAlJLO PONTES manteve-se impassível, não tomando qualquer atitude que viesse a contribuir a açãodo declarante, embora seu companheiro PAULO PONTES estivesse com o braço direito totalmente livre; que, o declarante assim se conduziu com a intenção de fugir das mãos dos policiais, em que pese saber das dificuldades que teria na fuga, estando algemado com seu companheiro PAULO PONTES, mas afirma que conseguiria, disparando sua própria arma na~ corrente que ligam as duas braçadeiras da algema; que, o declarante, neste momento, reconhece a arma e a munição que ora lhe é exibida como sendo a que foi utilizada na prática do crime e ser de sua propriedade, bem como todo o material constante do Auto de Apresentação e Apreensão que ora lhe é lido e exibido; que, o declarante informa que o revólver e a munição encontrada e apreendidos em seu poder lhe foram fornecidos pelo companheiro ARTHUR no dia do encontro que com êste teve, precisamente quatro de setembro do corrente ano, para usá-la em sua defesa; que, a Certidão de Nascimento em nome de PAULO CEZAR BARRETO REGIS, tirada na comarca de ITABERABA, lhe fôra entregue pelo camarada ARTHUR, a fim de que o declarante pudesse com ela obter outras documentações de identidade; que, das quinze chaves apreendidas o declarante informa o seguinte: chave grande amarela, da porta da frente do "apartamento aparelho", localizado no edifício CARlMBAMBA, já referido nestas declarações; uma outra chave menos, marca Gold, é da porta lateral da casa setecentos e noventa e um, da Avenida Vasco da Gama, já referida nestas declarações; urna outra chave se destinava ao cadeado da garagem da casa setecentos e noventae e um da Avenida Vasco da Gama, onde por trêsvêzes guardou um carro Volks vermelho, com a placa número mil e cinquenta (050) de Sergipe, placa esta que o declarante sabia ser "fria"; que, o declarante por várias vêzes dirigiu êsse carro para cobrir pontos de contactos e transportar pessoal para as reuniões clandestinas, tendo nessas referidas oportunidades o declarante dirigido o próprio carro; que, o declarante sabia também existir outras placas "frias", que foram usadas no referido carro, lembrando de duas delas /SP3 e 30007/GB; que, o pequeno pedaço de jornal, escrito a letra de fôrma o nome MOACIR ARAÚJO, foi dado ao declarante pelo motorista do caminhão que o conduziu de RECIFE a esta. Capita.l~ que, o segundo pedaço de pedaço de papel branco i...fl.iciado pela palavra almôço, em letra de fôrma é da autoria do declarante e se refere ao material necessário à "casa aparefuo" da avenida Vasco da Gama; que, o terceiro pedaço de papel branco, também de autoria do declarante, encimado pela palavra tópicos, são anotações ditadas pelo camarada ARTHUR, com a finalidade de que o declarante pensasse nosa assuntos alí abordados; que o quarto pedaço de papel, encimado com a frase PREST AÇAO DE CONTAS, refere-se às despesas efetuadas em RECIFE, quando aji passaram; que, a importância de TREZENTOS CRUZEIROS encontrada em seu poder, assim se divide; DUZENTOS CRUZEIROS recebidos de ARTHUR e CEM CRUZEIROS trazidos de NATAL; que, o declarante nunca foi prêso ou processado pela prática de crime ou contravenção penal; que, o declarante pode informar que na SALINA DE MOÇORÓ, digo, MOSSORÓ, Estado do RIO GRA_NDE DO NORTE, existem várias elementos do PCBR executando mjssões do Partjdo,

17 ~ 25 no meio dos operários, mas êsses elementos alí infiltrados estão subordinados diretamente à direção do PCBR em RECJFE; que, o declarante acha que a organização a que pertence defende a tomada do poder pela violência, ponto de vista que também é esposado pelo declarante. E mais não disse. Nada mais havendo a ser lavrado, mandou a autoridade encerrar êste Auto que, depois de lido e achado conforme, assina com o Condutor, testemunhas, acusados e seu Curador. Eu, Jerônimo Dos Santos, Escrivão Auxiliar de Polícia Federal o lavrei e o subscrevi ~ Alfredo Âng~lo de Ag,uino Filho ALFREDO ANGELO DE AQIBNO FILHO, BEL Jose F eliqe Filho JOSE FELIPE FILHO Amilton Nonato Boro-es AMlL TON NONATO BORGES Odilon Oliva Costa ODILON OLIVA COSTA Paulo Pontes da Silva PAULO PONTES DA SILVA Theodomiro Romeiro dos Santos THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS Carlos Neves Galuf CARLOS NEVES GALUF Jerônimo Dos Santos JERÔNIMO DOS SANTOS (A Policial) (Condutor) ( ªTestemunha) (2ª Testemunha) ( Acusado) (2 Acusado) (Curador) (Escrivão) /

18 Av. Sete de Setembro, 330, Anexo ao Palácio da Aclamação, Campo Grande, Salvador, Bahia. CEP: 40080,.()0 ANEXO C - SENTENÇA DE CONDENAÇÃO. O ilustre representante do Ministério Público Militar, Dr. º Substituto de Procurador em exercício nesta Auditoria ofereceu denúncia contra Theodomiro Romeiro dos Santos, brasileiro, solteiro, com 9 anos de idade, sem profissão definida, filho de Modesto Ferreira dos Santos e de D.Georgina Romeiro dos Santos, natural de Rio Grande do Norte e residente à Avenida Vasco da Gama, nº 79 nesta capital e Paulo Pontes da Silva, ou José Fernandes da Silva, brasileiro, casado, com 25 anos de idade bancário, filho de José da Silva e D. Maria Pontes da Silva, natural de São Caetano, Pernambuco, residente à rua 24 de junho nº 37, Cidade Nova-Quintas, nesta capital, ambos presos em flagrante pela prática de crime previsto na Lei de Segurança Nacional e Código Penal Militar, pelos fatos a seguir expostos: 2. ''Na salvaguarda de nosso regime democrático e na intransigente defesa das nossas sagradas instituições livres e cristãs, o Govêrno, através dos seus Órgãos de Segurança, objetivando reprimir as constantes e agressivas ações subversivas de maus brasileiros, que, filiados a organizações de caráter internacional, se dispõem a bolchevisar o nosso País, instituiu e criou o C.O. D. (Centro de Operações de Defesa Interna), de qual participava nesta Região Militar o Sargento da Aeronáutica W alder Xavier de Lima. 3. Assim, em cumprimento à missão recebida, o Sargento W alder Xavier de Lima, em companhia dos agentes federais Amilton Nonato Borges e José Felipe Filho e do Cabo do exército Odilon Oliva Costa, vinha observando há dias os movimentos suspeitos de determinados elementos participantes de uma organização clandestina e subversiva, nesta Capital cujo levantamento efetuado pelo CODl/6, os levou, no dia 27 de outubro do corrente ano às imediações do "Posto São Jorge", localizado na Avenida Vasco da Gama, nas margens do Dique do Tororó por volta das 2 horas, aproximadamente, quando lograram prender Theodomiro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva, mais conhecido como" José Fernandes da Silva", fugindo o terceiro elemento do grupo de cognome "Artur", perseguido pelo Cabo Odilon Oliva Costa. 4. Logo em seguida, o Sargento Walder Xavier de Lima e os agentes Amilton Borges e José Felipe conduziram presos Theodomiro Santos e Paulo Silva, no interior do Jeep-Willys, placa policial nº /BA, sentados no banco trazeiro, algemados, sendo que Paulo com o seu braço esquerdo preso ao banco direito de Theodomiro, enquanto os agentes Amilton, Felipe e o Sgt. Walder Xavier, ocupavam o banco dianteiro da referida viatura, que se deslocava em demanda da pequena ponte que atravessa o "Dique do Tororó", a fim de auxiliarem o Cb Odilon Costa, que naquele momento era alvo de tiros desferidos pelo terceiro elemento do grupo evadido. 5. Nesse interim, ao parar a viatura próxima da ponte, no instante em que o Sgt Walder Xavier de Lima abria a porta para saltar, Theodomiro Romeiro dos Santos, retira cautelosamente da sua pasta o revólver "Taurus", calibre 38, carga dupla (auto da apreensão às fls. 3v.) sob às vistas de Paulo Pontes da Silva, que, impassível e sem qualquer reação, acolhe a atitude de seu comparsa Theodomiro, que, com a mão esquerda, traiçoeiramente, dispara várias vezes a arma assassina, objetivando eliminar os três agentes da Lei e da Segurança executores da sua prisão, atingindo pelas costas, mortalmente, o Sgt. Walder Xavier de Lima (fls ), e, ainda pelas costas, atinge o agente Amilton Nonato Borges (fls.23), que, embora ferido, com o auxílio de José Felipe, conseguiram após tenaz resistência oferecida por Theodomiro Santos, desarmá-lo, ocasião em que o agente Amilton Borges, saltando do jeep verifica que o sargento Walder Xavier de Lima está prostado ao chão, morto, no cumprimento do dever, vitimado pela brutal e covarde ação de um agente do comunismo internacional, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (P.C.B.R.), recém organizado nesta Capital, através de Paulo Pontes da Silva, Theodomiro Romeiro dos Santos e outros, cujas reuniões eram efetuadas nos "aparelhos" localizados na Avenida Vasco da Gama, 79 (fls. 7). Na

19 -. i Av. iet!! de i!!tembro. 330, Anexo ao Pªl~cio da Aclam::i~o. Ǫmpo (?rijng~. SªIV?C9r, Bahi?. CEP: 40080, 00 Avenida Octávio Mangabeira, Edíficio Carimbamba (fls_ 8), e à Rua 24 de junho nº37. Quintas (fls_ 8), onde se utiliza de máquina de datilografia e mimeógrafo para confecção de farto material destinado a propaganda subversiva e resoluções políticas (fls_ 3), bem assim recebiam numerário oriundo da Direção Regional do P_C.B.R, de Recife (fls.4). 6. Todos os fatos acima expostos se acham devidamente apurados no incluso "Auto de Prisão em Flagrante", e comprovam que as atividades criminosas dos ora denunciados, tinham o propósito deliberado e consciente de subverter e mudar, pela fürça, mediante processos violentos e com a substancial ajuda material, apoio e subsídio de organização estrangeira de âmbito internacional, identificada no partido Comunista Brasileiro Revolucionário (P_C.B.R), a ordem político-social do nosso País. 7. Destarte, assim confessadamente agindo, os denunciados Theodomiro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva, infugiram o parágrafo 2 do art-33 do Dec_-Lei nº 898. de 29 de set. 69 (Lei de Segurança Nacional), e c/c os arts. 53 e 79, do Código Penal Militar, razão pela qual é oferecida a presente denúncia, que se encontra formalizada, ordenando V_ Exa_ a citação dos acusados e intimação das testemunhas abaixo arroladas, tudo na forma do art_ 85, do Dec_ Lei nº 898, de 29/09/69". 8_ A denúncia foi recebida pelo Dr_ Auditor Substituto, aos 6 dias do mês de novembro do ano próximo passado por estar revestida das formalidades legais (fls_ 3 ). 9. Citados os réus, (fls.70 usque 72), para se verem processar e julgar, foram qualificados e interrogados, ocasião em que prestaram as declarações consignadas às fls_ 220 usque 222 dos autos, sendo nomeado pelo Sr_ Tem_ Cel. Av_ Presidente do Conselho, o Dr_ Advogado de Oficio, Curador do primeiro acusado e defensor do segundo acusado_ (fls.29 e 225 usque 227 dos autos)_ O. O processo foi chamado à ordem por êste Auditor titular, afim de evitar qualquer possível argüição de nulidade por cerceamento de defesa, sob os fundamentos transcritos em Ata, às fls. 225 usque 227 dos autos_. Defesa escrita prevista no artigo 85, do Dec_ Lei nº 898/69 às fls-23 usque dos autos e exceção de incompetência, às fls-229 usque 230 dos autos_ 2. Decisão rejeitando a exceção de incompetência argüida pela Defesa, às fls. 254 usque 256 dos autos _ 3. Decisão decretando a prisão preventiva do réu Paulo Pontes da Silva ou José F emandes da Silva, às fls 83 usque 84 dos autos_ 4. Durante a formação da culpa foram ouvidos um dos ofendidos e três testemunhas arroladas pela Procuradoria Militar, não tendo a defesa usado da faculdade de arrolar testemunhas (fls-248 usque 253 verso)_ 5. Dada vista às partes, em conformidade com o artigo 427, do Código de Processo Penal Militar, a douta Procuradoria Militar, protestou pela juntada de documentos tempestivamente e a Defesa nada requereu_ 6. Juntada de documentos pelo Dr_ º Substituto de Procurador Militar, às fls_ 26 usque 262 dos autos. 7. Nada mais tendo as partes pleiteado, determinou-se abertura de vista às mesmas para oferecimento de suas respectivas alegações escritas, tendo o Dr_ Procurador Militar oferecido às fls _ 265 usque 270 dos autos e a Defesa, a cargo do ilustre e abnegado Dr_ Advogado-de Oficio, º Substituto em exercício, oferecido às fls _ 272 usque 279 dos autos. 8. Despacho senador, às fls-282 dos autos_ 9. Antecedentes penais dos acusados, às fls_ 46 usque 48, 50 usque5, 59, e 6 dos autos e respectivas fichas individuais dactiloscópicas, às fls_ 49 e 52 dos autos_ 20. Laudo de Exame Cadavérico e Laudo de Lesões Corporais, às fls_98 usque 99 verso e 28 usque 28 verso dos autos_ 2. Laudo de Exame Pericial, às fls_ 03 usque 05 e 9 usque 20 dos autos.

20 i Av. $<?t~ de $etemhr9. 33Q, Anexo ao P?l;icio da Aciama~o. eêmpo Grande. Salvªégr, B9hia. CEP: c-0missao. 22. Guia de recolhimento da importância total de Cr$ 437,35 ao Banco do Brasil S/A-Depósito judicial, às fls. 75 dos autos. 23. Estando o processo em ordem, foi designado o dia 8 de março do ano em curso, às 9,30 horas, atendendo a disponibilidade da pauta, para a Sessão de Julgamento dos acusados (fls.282). 24. Na data e hora aprazada para Julgamento, apregoados os réus, se apresentaram devidamente escoltados, estando presentes o Dr. º Substituto de Procurador Militar em exercício, o Dr º de Advogado-de-Oficio em exercício e todos os senhores Oficiais Juízes membros do Egrégio Conselho. 25. O Ilustre Dr. Curador do réu Theodomiro Romeiro dos Santos, requereu com base no artigo 96, parágrafo, do Decreto-Lei n.º 898, de 29 de setembro de 969 (L.S.N), a dispensa do seu curatelado de assistir ao julgamento. 26. Ouvido o M.P. opinou contrariamente. 27. Em seguida decidiu o Conselho por unanimidade de votos deferir o requerimento do Dr. º Substituto de Advogado-de- Oficio, tendo em vista que o réu publicamente ratificou o requerimento do seu Curador. 28. Prosseguindo a Sessão de Julgamento, depois de lidas as peças essenciais do processo e outra a requerimento do Dr. º Substituto de procurador Militar pelo Sr.Escrivão, o ilustre Representante do Ministério Público sustentou a denúncia e suas alegações escritas com maior desenvoltura, pedindo a condenação dos réus a pena máxima. 29. A Defesa, sustentando, também, suas alegações escritas, sem que, entretanto, discrepasse dos argumentos nela contidos, pediu a desclassificação do crime imputado ao seu curatelado Theodomiro Romeiro dos Santos para homicídio, e a absolvição do seu constituinte Paulo Pontes da Silva, face não restar provada a co-autoria, por ser medida de direito e da mais lídima justiça. 30. Não houve réplica, passando o Conselho a deliberar em Sessão Secreta. 3. É o relatório. ( A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL) Como se observa da denúncia de fls. 2 usque 5 dos autos, Theodomiro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva, são responsabilisados como infratores do artigo 33, parágrafo 2, do Decreto-Lei nº 898, de 29 de setembro de 969 (L.S.N). 33. Diz textualmente do artigo 33 supracitado diploma legal: 34. "exercer violência, por motivo de facciosismo ou inconformismo político, contra quem exerça autoridade: pena de reclusão de 8 a 5 anos; parágrafo º - Se da violência resultar lesões corporais; pena de reclusão de 2 a 30 anos; parágrafo 2 - Se da violência resultar morte; pena de prisão perpétua, em grau mínimo, e morte, em grau máximo". 35. O Poder Constituinte, manifestação mais alta da vontade coletiva, cria o Estado, através da Constituição, lei básica em que lhe determina a estrutura geral, institui a autoridade, delimitando a organização dos poderes públicos, e define os direitos fundamentais do indivíduo. 36. Primeira expressão do direito na ordem cronológica, a lei constitucional limita-se, essencialmente, a constituir o arcabouço da organização política, instituindo os poderes públicos, definindo-lhes a competência e fixando os direitos e obrigações básicas do indivíduo em face do Estado Quando qualquer um, na coletividade, se opõe ao cumprimento da regra jurídica, obstinandose em lhe recusar obdiência, cria, com isso, um embaraço ao regular funcionamento do organismo estatal. O Estado vence essa anormalidade restaurando a ordem legal através de coação, que exerce sobre as vontades ou vontade insubmissas, impondo-lhes obdiências ao cânone legislativo, cuja inteligência fixa definitivamente. 38. Tais situações podem originar-se por diversas maneiras, inclusive pela atitude do indivíduo ou grupos de indivíduos recusando obedecer a lei, quer por motivos particulares, quer por motivo de inconformismo político ou facciosismo, como se constata nestes autos.

21 Av. E!IE! de E!tE!mhr9. 330, Anexo?9 P?lacio da Acl a mª~º ~ íl P.O Ç>rªnd\!. Sª lvªé9r, f?ahia. CEP: 40080:00 c.omissao.verd Em decorrência das diligências que vinham sendo efetuadas pela DR-BASE-da Polícia Federal, devidamente integrada com o CODI/6, objetivando ao levantamento do quadro de militantes e "aparelhos", pertencentes ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCRB), que agiam e desenvolviam comprovadamente as suas atividades subversivas nesta Capital, no dia 27 (vinte e sete) do mês de outubro do ano próximo passado, veio ocorrer a prisão dos terroristas Theodomiro Romeiro dos Santos,de codinome "Marcos" e de Paulo Pontes da Silva, de codinome "André" autores e responsáveis pela morte do º Sargento da Aeronáutica, Walder Xavier de Lima e da prática de lesões corporais no Agente Federal Amilton Borges, cujo relato minucioso se constata na denúncia. 40. Os fatos narrados na denúncia, colhidos do Autos de Prisão em Flagrante, estão perfeitamente de acordo com a prova colhida no processo. 4. Quer na fase indiciaria, quer em Juízo, restou provado os fatos delituosos de exercer violência por motivo de facciosismo ou inconformismo político contra quem exerça autoridade resultando lesões corporais em um Agente Federal e a morte do º Sargento Walder Xavier de Lima, imputados aos réus, pois a prova testemunhal é satisfatória para incriminá-los, ainda mais, sendo Theodomiro Romeiro dos Santos réu confesso. (fls.220 e 220 verso). 42. A materialidade dos delitos e sua autoria estão plenamente comprovados nos autos, quer pelos Laudo de Exames Cadavéricos e de Lesões Corporais, de fls 98/99 verso e 28/28 verso, quer pela confissão do réu Theodomiro Romeiro dos Santos, como pelas demais provas colhidas nos autos. 43. Não obstante a certeza de autoria, inclusive a confissão do réu Theodomiro Romeiro dos Santos na polícia e em Juízo resta, ainda para maior tranqüilidade dos Srs. Juízes, os depoimentos de uma das vítimas e de três testemunhas (fls.248 usque 253 v) que são incisivos, categóricos e indestrutíveis, donde se pode aferir a nota mais repugnante da personalidade dêste réu, retratando-se no tipo cínico, perverso e cruel. 44. O ilustre e culto º Substituto de Advogado-de-Oficio, Curador do réu Theodomiro Romeiro dos Santos, abnegadamente procura cumprir, sem esmorecimento o seu sagrado dever de pugnar pela desclassificação da imputação que é feita ao seu curatelado para homicídio, face a benigdade da punição a fim de seu curatelado, autor de hediondo crime, espere uma réstia de esperança e salvamento. 45. A tese da Defesa da desclassificação para o crime de homicídio, data vênia, frente a lei, a jurisprudência e as provas dos autos, não pode ser acolhida. 46. Os autos revelam, sem a menor dúvida, que o incomformismo político social e o fanatismo ideológico motivaram os crimes praticados resultando a morte do º Sargento Walder Xavier de Lima e lesões corporais no Agente Federal Amilton Borges, cujas vidas pregressas dos acusados são seqüência de atos delituosos contrários às leis vigentes e ao regime democrático, agindo ambos como destacados membros militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (P.C.B.R), dissidência do P.C.B., valendo destacar, como bem acentua em suas alegações finais o Dr. Procurador Militar, a confessada atuação comunizante que Theodoro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva, desenvolviam nesta Capital, através de reuniões em vários "aparelhos", situados a rua Vasco da Gama n.º 79, Rua Vinte e Quatro de junho nº 37, onde tratavam de assuntos ligados à segurança, informação, documentação, contrôle de despesas, distribuição de panfletos, de numerário, etc., sendo ainda, participantes confesses do assalto à Agência do Banco da Bahia S/ A, no Bairro da Liberdade, nesta Capital, fato ocorrido aos 25 dias do mês de maio de 970 (fls. 22 e 22 verso), no qual saiu gravemente ferido um policial da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia. 47. Quanto ao acusado Paulo Pontes da Silva, ou "José Fernandes da Silva", restou devidamente comprovada a coautoria, nos estritos têrmos do artigo 53, do Código Penal Militar. 48. Quem, de qualquer modo, concorrer para o crime incide nas penas a êste cominadas.

22 J Av. St;!tt;! de St;!temhro, 330, Anexo ao Pªlªcio da Aclamaçêo, Cªmpo Grª nde, Sªlvador, B;;iliª. CEP: A tese sustentada pelo Dr. Advogado-de-Oficio, º Subdistrito defensor do réu Paulo Pontes da Silva, apesar de brilhantemente defendida, data vênia, não foi acolhida por maioria ( 4Xl ), pelo Conselho. 50. Restou plenamente provada a contribuição do réu Paulo Pontes da Silva, para a consumação dos delitos contra as pessoas do Sargento Walder Xavier de Lima e Agente Federal Amilton Borges_ 5. Se como sabemos, tudo quanto concorre para o resultado é causa, todos quantos concorreram são causadores. 52. Não há que distinguir entre participação primária e secundária, entre autores e cúmplices, pois aquêles entrariam com as condições e êstes com as causas, umas e outras pertencentes à cadéia casual. Todos quantos causaram aquêle tudo são autores. 53. Todos quantos concorreram, de qualquer modo, para o resultado, são autores e incidem nas penas cominadas ao crime. Concorrer é ser co-autor, como diz Roberto Lira. 54. Não se considera, então, a maior ou menor importância causal da atividade dos concorrentes em relação ao evento (uti universi) ou entre si (uti singuli), porém a maior ou menor periculosidade. 55. O réu Theodomiro Romeiro dos Santos, por ocasião do seu interrogatório em Juízo, às fls. 220 e 220 verso dos autos, declara "que o seu companheiro Paulo Pontes da Silva ou 'José Fernandes da Silva', quando êle interrogado disparava a arma que empunhava, apenas ficou olhando o seu ato em tirar a vida do Sargento Walder e produzir lesões corporais no Agente Federal Amilton Borges, que o seu referido companheiro não se intrometeu na sua atitude de sacar da arma e atirar contra as autoridades que se encontravam no banco dianteiro do jeep em que viajavam". 56. A lª testemunha numerária José Felipe Filho, às fls.250 verso declara o seguinte: "que o acusado Paulo Pontes da Silva presenciou sem procurar desarmar o acusado Theodomiro o ato ilícito praticado pelo acusado Theodomiro; que essa afirmativa deriva do fato do acusado Theodomiro haver empunhado a arma com a mão esquerda e disparado a mesma contra o Sargento Walder Xavier de Lima, que se encontrava do lado direito do jeep; que estando o acusado Paulo Pontes da Silva ao lado direito do acusado Theodomiro, lógicamente que o acusado ao fazer mira no Sargento Xavier a arma, ficou em posição frontal ao acusado Paulo Pontes da Silva, impassível". 57. A participação tanto pode consistir tanto em ação como omissão. 58. No caso dos atos configurados ficou a participação mediante omissão, quer sob vínculo psicológico, do réu Paulo Pontes da Silva. 59. Paulo Pontes da Silva, companheiro de Theodomiro Romeiro dos Santos, de ideias eco-participante da mesma linha de ação subversiva ideológica que sentado ao lado de Theodomiro no banco trazeiro do jeep, impassível e sem esboçar a minima reação, acolheu e dando fôrça moral à covarde atitude de seu companheiro de credo, de eliminação dos agentes da lei, executores de suas prisões. 60. É de se lamentar que jovens como os acusados, procurem propagar e implantar o comunismo no Brasil, praticando uma série de atos criminosos que vêm estarrecendo todos os bons brasileiros. 6. O brasileiro crê em Deus, é cristão, idealista e sonhador. É tão amigo da hoerdade que se insurge contra ideologias que suprimem a mesma. 62. Deu o govêmo brasileiro em épocas passadas, existência legal ao Partido Comunista, mas seus adeptos tantas fizeram que o Congresso Nacional se viu na contingência, na imperiosa necessidade de decretar sua extinção. 63. Voltou a agir na sombra, com a mesma preocupação de construir um túmulo para o sepultamento da democracia. 64. Nesse sentido trabalharam às claras, até a eclosão no Movimento Revolucionário de 3 de março de Todavia, mesmo após a vitória do Movimento Revolucionário de 3 de março de 964, pessoas como os acusados, a tôda hora, a todo momento, continuam com os mesmos propósitos. 66. Já tentaram os comunista a derrocada da democracia brasileira em 935, num movimento armado, no qual perderam a vida, valorosos oficiais e praça da nossa gloriosa Forças Armadas. 67. Os respectivos chefes foram processados e condenados, porém, depois, a mesma democracia contra a qual se sublevaram, resolveu anistiá-los. 68. Postos em iiberdade continuaram no mesmo propósito.

23 Av. ~e t!' ge ~ <;<tem br9. 330, Anexo ªº Pªl?cio da A cl ;i m ª~º C:''ªmpo Grª ntje. S ª l~9f, 'ª3ia. CE E': 40080, 00 comi~sao. verd a d b r 69. Neste processo o que se faz é tão somente a aplicação da lei, com base nas provas dos autos, com serenidade própria de todos aquêles que, investidos de atividades jurisdicional, têm de proferir decisões, respeitando os sagrados princípios do direito e de justiça. 70. A forma legítima de se fazer justiça é absolver, quando não existe prova para convencimento condenatório e condenar, quando existe prova para tal convencimento, como ora ocorre nestes autos. É imposição de qualquer sistema processual. 7. "Como Juiz, nunca exerci as ações humanas; compreendi-as. Nunca me apeguei a entes da razão pura; busquei os justos fins da lei. Em tempo algum me engolfei no liberalismo dos _textos. Procurei ajustar o preceito legal à realidade. Não me afeiçoei às abstrações; fixei no caso concreto, no desejo ardido de por fim as exigências individuais e coletivas, na ardente aspiração de decidir com eqüidade ansiando por trabalhar no ideal da Justiça, eterna e invencível como a morte, grande e majestosa como o universo". (Desembargador Nogueira Itagiba, "pedaços do Cérebro, Pedaços do Coração", pág. 90). 72. Isso, nada mais do que isso, é o que se pretende: o triunfo da Justiça Mulitar, com lastreamento de preceitos legais que em momento algum, após a vitória da Revolução de 3 de março de 964, deixaram de ser respeitados e aceitos. O respeito ao princípio da legalidade. 73. O Processo, com sua instrumentalidade, conjunto de formas, de situações, de normas de procedimento existem para que sejam reduzidas ao mínimo as possibilidades de êrro judiciário, uma condenação penal ao arrepio da prova dos autos e dos preceitos legais. 74. O Egrégio Conselho de Justiça, com insenção, apreciou a prova dos autos contra os acusados Theodomiro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva, estudo lógico dêste processo, decisão calcada na certeza, pois a dúvida existe como juízo certo apenas para os loucos, e êstes são julgados, não julgam. 75. À revolução ao Estado, às Fôrças Armadas e à Justiça Militar da União, não interessa apenas que haja uma sanção, mas acima de tudo, que essa imposição de pena recaia sôbre aquele que praticou infração o que, ante a veredade material emergente dos autos, seja produto de um convencimento extremo de qualquer dúvida 76. O máximo cuidado teve o Conselho para com êste processo, dadas as penas a serem aplicadas, por entender o Conselho que a condenação de quem não praticou nenhum ato criminoso, provocará, sempre, um desequihbrio social, um descrédito no direito, um desânimo com a justiça. 77. As provas nos autos contra os aludidos acusados, são robustas e veementes. 78. Na apreciação das provas, o Juiz está livre de preconceitos legais. Se é certo que o Juiz fica adstrito às provas constantes dos autos, não é menos certo, que não fica subordinado em nenhum critério apriorístico no apurar, através delas, a verdade material. Assim sendo, o Conselho, sem qualquer dúvida, reconhece por unanimidade a culpabilidade do réu Theodomiro Romeiro dos Santos e por maioria (4Xl), a culpabilidade do réu Paulo Pontes da Silva. 79. Todos os réus são primários juridicamente, apesar de estarem respondendo a outros processos por infração à Lei de Segurança Nacional, tendo, inclusive o réu Paulo Pontes da Silva sido condenado pela auditoria da 7 C.J.M à pena de seis meses de detenção que ainda não transitou em julgado (fls.59). 80. Cumpre ao Conselho, com base no artigo 95,do Dec.Lei n º 898, de 29 de setembro de 969, alterar a classificação do crime vez que não inova a acusação. 8. Minuciosamente lida a denúncia e as peças dos autos, de pronto se constata ter ocorrido concurso de crimes (concursus delictorum) real e não aparente. 82. Não ocorreu absolvição em crime único que significa - determinada conduta perde o caracter autônomo de crime, e tomando-se meio para a prática de outro crime,e muito menos crimes complexo e progressivos. 83. Se em favor do acusado Theodomiro Romeiro dos Santos, milita em seu favor a circunstância atenuante prevista no artigo 72, inciso I, do Código penal Militar, (menor de 2 anos de idade), contra o mesmo militam as circunstâncias agravantes previstas no artigo 70, inciso II., letras b e d do Código Penal Militar circunstâncias agravantes que cabem ser reconhecidas, em conformidade com o artigo 72, letra b,da vigente Lei de Segurança Nacional. 84. Quanto ao réu Paulo Pontes da Silva, co-autor, Conselho na aplicação da pena, observará a sanção corresponde à cota personalíssima, tantos as objetivas quanto as subjetivas, pois as diferenças subjetivas ou objetivas das ações convergentes, na co-deliqüência, podem ser levadas em conta, não para atribuir a qualquer delas uma diversa importância causal, mas, apenas para um diagnóstico de maior ou menor periculosidade (Rocco). 85. A prudente consideração das circunstância judicias enumeradas no artigo 69, do C.P.M assim como, as circunstancias agravantes e a atenuante de menoridade, previstas no artigo70, inciso II, letras b e d e artigo 72, do C.P.M. anteriormente tratados recomenda a fixação da pena de morte, para o réu Theodomiro Romeiro dos Santos, e de prisão perpétua, para o réu Paulo Pontes da Silva, que se tornam definitivas.

24 Av. $'!.' t~ de $elemb"9. 33Q, Anexo?º Pi!l?cio da Aclami'~º ~mpo Ç>rª nge. ªl~9r. B<!hill. CEP: 40080, Diante do exposto, e mais de quanto nos autos consta, resolve o Conselho de Justiça para a Aeronáutica, cujos membros foram nomeados pelo Ermo. Sr.Marechal do Ar. Ministro da Aeronáutica nos termos do artigo 84, do Decreto-Lei n.º 898,de 29 de setembro de 969, julgar: 87. Por unanimidade de votos procedente a denúncia oferecida contra Theodomiro Romeiro dos Santos inicialmente qualificado, para fim de condenar o acusado à pena de morte, como infrator do artigo 33, parágrafo e 2 do Decreto-Lei n , de 29 de setembro de 969, combinado com os artigos 79, do Código Penal Militar. 88. Procedente, por maioria, o 4Xl, sendo voto vencido o Dr. Auditor, a denúncia oferecida contra Paulo Pontes da Silva ou "José Fernandes da Silva" inicialmente qualificado, para fim de condenar o acusado à pena de prisão perpétua, como infrator do art. 33, parágrafo e 2, do Decreto-Lei nº 898, de 29 de setembro de 969, combinado com os artigos 53 e 79, do Código Penal.Militar. 89. Lancem-se os nomes dos réus no rol dos culpados recomendando-se os acusados na prisão em que se encontram. 90. Recorro desta para o Egrégio S.T.M. P.RI 9. Sala das sessões dos Conselhos de Justiça da Auditoria da 6 Circunscrição Judiciária Militar, em Salvador, Bahia aos dezoito (8) dias do mês de março do ano de mil novecentos e setenta e um (97). Ten.Cel. Av. Vicente de Magalhães Moraes - Presidente Ten. Cel. Av. Adail Coaraci de Aquino- Juiz Ten.. Cel. Int. Armando Regueiro Taboada- Juiz Maj. Av. Eros Afonso Reimann Franco - Juiz Dr. Amilcar Cardoso de Menezes Filho - Juiz - Auditor VOTO VENCIDO NA CONDENAÇÃO DE PAULO PONTES DA SILVA 92. "Fui voto vencido por ser contrário à procedência da denúncia contra o réu Paulo Pontes da Silva, acolhendo a tese da defesa em suas alegações escritas e ratificadas em plenário durante o julgamento". 93 : Reconheço ser o réu Paulo Pontes Silva, useiro e vezeiro na prática de infrações previstas na Lei de Segurança Nacional. Todavia, no caso dos autos, vênia concesso não restou provada a co-autoria imputada ao réu. 94. A participação, na verdade tanto pode consistir em ação quanto em omissão. 95. Na participação, mediante omissão, basta sob o prisma causal, que não se tenha impedido o crime faltando a um dever juridico, que, data vênia, não é o caso dos autos. Se êste inexistente, a abstenção não é participação, salvo se foi prometida livremente como condição de êxito da ação criminosa Quando o não impedimento do crime não foi ajustado préviamente e infringe um dever moral, o que se dá não é co-autoria 96. Por outro lado, necessário que ficasse comprovado o vínculo psicológico. 97. Frente a lei, a doutrina, a jurisprudência e as provas dos autos, a denúncia contra o supracitado réu, é insubsistente. 98. "Não há participação no crime, relevante para o Direito Penal, sem ato exterior que se inclua na cadeia casual. A manifestação dirigida à perpretação de um delito, só é punível quando provoca a prática de atos materiais que preparam ou realizem a execução de crime. 99. O aplauso íntimo, o propósito interior de participar do crime, o desejo que o delito se realize e consuma não constituem atos de contribuição para reduzir fato delituoso e por isso não podem configurar a participação punível" (Ac.maioria- Sessão crim. T.J S.P RT )" Transcrito do Jornal da Bahiª' 26/03/97, p.6. Retirado da Tese: A Polêmica que (a pena de) morte perdeu(...).

25 ANEXO D - REFORMA DA SENTENÇA Av. Sete de Setembro, 330, Anexo ao Palácio da Aclamação, CafllpO Grande, Salvador, Bahia. CEP: 40080"00 comissao. Apelação nº Estado da Bahia Pena de Morte Reforma da sentença Acórdão do Superior Tribunal Militar PENA DE MORTE - Em se tratando de réu menor, sem antecedentes políticos ou criminais, é de se dar provimento ao apelo da defesa para se reduzir a pena ao "minilnum", ou seja, prisão perpétua. CO-AUTORIA- Não se presume. Consoante o artigo 53 do CPM vigente, a concorrência a que está evidenciada. Caso de absolvição. Relator - Min. Dr. Amarino Lopes Salgado. Revisor- Min. Alm. Esq. Mário Cavalcanti de Albuquerque. Apelantes - Theodomiro Romeiro dos Santos, condenado a pena de morte, como incurso no art. 33, parágrafos º e 2º do DL 898/69, c/c o art. 79 do CPM; e Paulo Pontes da Silva ou José Fernandes da Silva, condenado à prisão perpétua, como incurso no art. 33, parágrafo ºe 2 do DL 898/69, c/c os arts. 53 e 79 do Código Penal Militar. Apelada - a Sentença do Conselho Especial de Justiça da Auditoria da 6ª CJM, de 8 de março de 97. Vistos, relatados e discutidos estes autos de apelação criminal nº Bahia - em que são: apelantes - Theodomiro Romeiro dos Santos, condenado a pena de morte, grau máximo do art. 33, parágrafos e 2º do DL 898/69 c/c o art. 79 do CPM vigente, e Paulo Pontes da Silva, condenado à pena de prisão perpétua, grau mínimo incurso no art. 33, parágrafo º e 2º do DL 898/69, c/c os artigos 53 e 79 do CPM, e apelada - a sentença do Conselho Especial de Justiça da Auditoria da 6ª Circunscrição Judiciária Militar. No da o Delegado de Polícia Federal em Salvador reuniu elementos do CODI da 6ª Região Militar, dois agentes de Polícia, um Sargento da Aeronáutica e um Cabo do Exército e incumbiu a esta patrulha a tarefa de prosseguir nas observações, que já haviam sendo realizadas há mais de trinta dias. sôbre as atividades de uma organização clandestina, possivelmente subversiva, segundo informações dos Órgãos de Segurança interna da área. O Delegado da Polícia Federal deu conhecimento à patrulha de todos os documentos e informações já colhidos em investigações anteriores. Determinou, ainda ao caso da localização dos suspeitos deveriam êstes ser presos. A patrujha iniciou o trabalho usando uma viatura marca de "Jeep Willys". E, após percorrer vários "pontos" avistou cerca das 2 horas 3 indivíduos em palestra. Em virtude dos documentos e informações que antes tinham sido exibidos aos componentes da patrulha, reconheceram êles entre os três rapazes e um dos suspeitos JOSÉ FERNANDES DA SILVA, cujo nome verdadeiro é PAULO PONTES DA SILVA, apontado neste processo como co-autor do crime.

26 Av. :?'!'!\' de S<;>t<;>ml)n;i. 33Q, Anexo?º Pªlácio da Aclamaç io. Ǫmpo Grande, Salvªdor. Bahia. CEP: Em conseqüência deste reconhecimento, a viatura parou no local e os quatro agente da Segurança desceram e conseguiram prender dois dos três suspeitos. O terceiro logrou fugir, sendo perseguido, sem êxito, pelo Cabo do Exército integrante da patrulha. Enquanto ocorria a perseguição ao fugitivo com trocas de tiro entre o perseguido e perseguidor os outros três agentes algemaram os dois prisioneiros, braço direito de um com o braço esquerdo do outro. Colocaram os dois no banco traseiro da viatura, ocupando os três agentes de segurança o banco dianteiro. Um dêstes na direção da viatura. Os presos não foram revistados e um deles permaneceu com uma pasta que transportava. Em seguida, a viatura movimentou-se e, após percorrer curta distância cerca de trinta ou quarenta metros, parou em locais julgado conveniente para auxiliar a perseguição do outro suspeito. Nesta ocasião quando o Sargento da Aeronáutica que estava sentado à direita abriu a porta e descia da viatura, ouviu-se um disparo de arma de fogo. O Agente Amilton, sentado ao lado do motorista instintivamente voltou-se para trás. E então um dos presos, THEODOMIRO, sentado atrás do motorista empenhando na mão esquerda, única livre, um revólver. Imediatamente tenta desarmá-lo no que foi auxiliado pelo outro Agente que estava na direção da viatura. Durante êste episódio, antes de ser dominado THEODOMIRO faz outros dois disparos e fere o motorista. Terminada esta ocorrência verificou-se estar morto o Sargento da Aeronáutica e ferido o motorista. Foi Lavrado o Auto de Prisão em Flagrante. Nas suas declarações, o autor do homicídio confessa o delito. Diz que, cautelosamente, conseguiu com o braço esquerdo, livre a algema, retirar um revólver que estava no interior da pasta que carregava. Com a intenção de fugir, alvejou o Sargento da Aeronáutica que descia da viatura. Pretendia em seguida, dominar os outros agentes e livra-se da algema rompendo-a tiro de revólver. Ao ouvir o primeiro disparo, os dois Agentes, que estavam no interior da viatura, instintivamente voltaram-se para trás e desarmaram o agressor. Como já foi dito o declarante, antes de ser desarmado, f'êz mais dois disparos e feriu o motorista. Esclarece que o alvo era o Agente ao lado do motorista e que êste foi atingido por ter sido a arma desviada pelo Agente que procurava desarmá-lo. Continuando o relato afirma que seu companheiro, Paulo Pontes da Silva, permaneceu impassível, não tomando qualquer atitude para contribuir na ação. No interrogatório em juízo (Fls. 220), confirma estas declarações com as seguintes palavras: "Paulo Pontes da Silva não viu êle, interrogado, apanhar o revólver na pasta, mas somente quando êle, interrogado iniciava a execução do crime que lhe é imputado." Paulo Pontes da Silva, em suas declarações, no curso do processo, afirma que não tinha conhecimento de que Theodomiro portava uma arma, e que, também, não pressentiu os seus movimentos para execução do crime.

27 Estava com a atenção despertada para o lado oposto onde se desenrolava a perseguição, com troca de tiros do seu companheiro. Quando ouviu o disparo e tomou conhecimento da situação, já os policiais estavam agindo para dominar Theodomiro (Fls. 22). Pela narrativa, verifica-se que o atentado ao Sargento da Aeronáutica foi executado em rápido espaço de tempo possivelmente alguns segundos. O Sargento abriu a porta da viatura e não chegou a sair dela. As testemunhas, pela posição em que se encontravam no banco dianteiro da viatura, não observaram o comportamento de Paulo Pontes no momento do crime. Em juízo, Paulo Pontes da Silva reprova o ato do seu companheiro como desnecessário e policiamento errado (Fls. 22 ). Só justificaria tal atitude diz ele, em circunstancias especiais, tal como uma prisão em que a polícia os atacasse a tiros. Acrescentou que não tem o hábito de andar armado. Os acusados confessaram fazer parte da Organização Revolucionária e terem cometido cnmes anteriores capitulados na Lei de Segurança Naciona~ objetos de investigação. A fora o comportamento de Paulo Pontes da Silva, condenado por maioria de votos como co-autor a versão dos fatos, como foi narrada não sofre contestações. Além do auto de Prisão em flagrante delito, está anexado aos autos do Inquérito Policial Militar mandado instaurar pelo Comando da Base Aérea de Salvador. Neste IPM, os indiciados no interrogatório responderam que confirmavam as declarações prestadas no Auto de Prisão em Flagrante com as alterações constantes dos depoimentos também prestados perante o Delegado Regional da Polícia Federal em outro Inquérito Policial instaurado por aquela Delegacia. Êstes último Inquérito Policial não foi junto aos autos do processo não sendo possível desta forma, apreciar as alterações nos depoimentos ali prestados. Finalmente, Theodomiro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva foram denunciados como infratores do artigo 33, parágrafo 2º da Lei 898/69 e/c artigo d 53 e 79 do CPM. Submetidos a julgamento Theodomiro foi condenado à pena de morte e Paulo Pontes da Silva à Prisão perpétua. A defesa pede a desclassificação do delito de Theodomiro para os artigos 77 e 205 do CPM respectivamente resistência a prisão, e homicídio, não conformada com a capitulação do crime na Lei de Segurança. Quanto a Paulo Pontes da Silva, nega co-autoria e pede a absolvição. A procuradoria geral opina pela redução da pena de Theodomiro para prisão perpétua, por ser menor e primário; da pena de Paulo Pontes da Silva. Aqui está um processo evidenciando a celeridade da Justiça Militar, a rapidez, patente de que não há lentidão; é, realmente, um trabalho hercúleo e sobre-humano, pois, em menos de quarenta dias, um crime, dos mais sérios, se não o mais sério que passa pela J.M., dando-nos, mostrando-nos quão

28 Av. Sei\! de ~'?lembr9. 330, Anexo ao Pªl~cio da Aclam::~º ~mpo Qrªnçi<?. ~ªlvaé() r, Bahi?. CEP: 40080~ 00 imperioso quão imprescindível é uma justiça rápida não deixando anos e anos a fio no cárcere um criminoso que deve pagar pelo seu crime. É com sacrifício de todos nós, quer em lª Instância, seja em 2º; que chegamos à honrosa missão, a dificil missão de julgar. Entretanto, sem embargo da abnegação, do desprendimento, alcançamos os objetivos; o julgamento do mais grave processo dos últimos tempos: Pena de Morte aplicada em ª instância pela Auditoria da 6ª CGM. Sobre a "Pena de Morte" muito se tem falado ultimamente. É a imprensa que se manifesta; é a Igreja; são os professores de Direito Canônico. São os juristas. Parlamentares, quer do Senado, quer da Câmara. Uns entendem e a proclamam inútil; outros dizem que "A Nação está de luto", pois nada mais é "que uma lágrima dentro da lei"; outros, ainda, "que é um erro", "que é crueldade inútil"; e mais: "foi a inexistência da pena capital que levou à formação dos esquadrões da morte" mas, a pena de morte está na lei e foi aplicada em primeira instancia. Pergunta-se: A que tipo, a que espécie de crime aplicou-se tão severa pena? A um democrata sincero? Não. Para um adepto da "foice do martelo." Estariam êles, comunistas, sendo julgados la (lá) na Rússia, Cuba ou coisa parecida, com toda essa liberdade que o foram aqui? Teriam eles, - lá - defesa prévia, advogados, assistência familiar, essa assistência livre, inteiramente livre? Teriam - lá - um Superior Tribunal Militar do gabarito deste aqui? Teriam - lá - essa liberdade, tranquilidade, essa tribuna profundamente livre da qual ouvimos com a máxima atenção os ilustres advogados? Evidentemente que a negativa se impõe. Recentemente, coisa de poucos dias, o Senador Danton Jobim, em Brasília, declarava à imprensa como se processavam na Rússia os julgamentos; "para os cidadãos de origem judáica acusados de tentarem sequestrar um avião da "Aeroflet", a violência ficou caracterizada; o julgamento é em segredo; raros familiares dos réus sendo admitidos a assistirem aos trabalhos processuais; a intenção, a simples intenção é considerado punivel como se füra o próprio delito consumado; e, por fim, nulas as possibilidades de defesa". Que diferença! Motivo não há melhor para a prova disso. Aqui há liberdade, justiça, tranquilidade. Pena é que maus brasileiros adeptos da doutrina importada esdrúxula, tenha se desgarrado para o mal. Na hora em que os brasileiros vivem e falam em Brasil uno, seguindo as vibrações de patriotismo do eminentíssimo Sr. Presidente Garrastazu Médici, motivo não há melhor para melhor se conhecer, a Justiça Militar deste grande país. Saibam os extraviados, os desviados, que aqui se pratica diariamente justiça, que êsse augusto Tribunal distribui Justiça todos os dias. Saibam os moços os jovens que aqui nesta sala se luta dia a dia, pelo bem estar de todos eles. Sofremos todos nós Juizes, as agruras dos envolvidos em tóxicos

29 Av. S<?t<? de $etembro, 33Q, Anexo ªº Pªlacio da Aclamªçªº Ǫmgo Grandê. Sªlvªdor. Bªhiª. CEI?: 40080,00 entorpecentes; sofremos nós, Juizes, as amarguras dos pais que aqui vêm para acompanhar o desenrolar dos recursos criminais de seus filhos, jovens, envolvidos em tóxicos e entorpecentes. Qual o criminoso maior? O mísero traficante que usa os moços: esses moços ainda sem vivência, ou o comunista? Por que os moços, os jovens não se unem? Unam-se êsses jovens porque a mocidade é uma grande força moral para a nação. Compete ao nosso jovem cooperar com as autoridades no combate ao tóxico; compete, cabe ao nosso jovem não se deixar seduzir por doutrinas importadas tão avêssas à nossa índole. As palavras de Roberto Lyra, esse grande Professor Catedrático de Direito Penal são uma luva para a espécie: "Quando a primeira geração viciada no bem, houver transmitido, em todo o mundo, as taras benditas, o crime será impossível ou inútil". Pena é que tenhamos à frente de nós um jovem, desses desgarrados, desses desviados, lamentavelmente adepto da "foice e do martelo". Esqueceu-se THEODO:MIRO ROMEIRO DOS SANTOS de que estamos no Brasil, que aqui há uma só e grande família; esqueceu-se THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS - "que de santo só tem o nome" - que aqui há justiça; quis ele, talvez, ter conhecimento, mas truncado, de que vai em certos países que exploram o terrorismo, político esse que não interessa aos brasileiros; ai estão as nossas Forças Armadas - altamente credenciadas para o combate dessas doutrinas extravagantes. THEODOMIRO extraviou-se, com as próprias mãos procurou a sentença inexorável aplicada em ª instância. Autor do tiro, eliminando a vida de um sargento da Aeronáutica na ocasião Agente de Segurança, elemento do CODI da 6ª Região Militar, com tarefa de prosseguir nas diligências contra os subversivos, pois que os Órgãos de Segurança interna estavam informados a respeitos de atividades de una organização clandestina (fls. 26e262). Jamais se pôs em dúvida a autoria. THEODOMIRO teve essa qualidade: sempre confessou, suas declarações se entrosaram realmente com inúmeros elementos de convicção, e não foi infirmada por provas em contrário. Bastaria isso, somente isso, para alicerçar um decreto condenatório. Tudo seria evitado se não houvesse um descuido, descabido, o inexplicado de uma atitude igual a que se viu neste processo; a experiência mais comesinha, o trato mais banal com as coisas humanas aconselharia o revistar alguém. O que vulgarmente acontece quando se prende alguém? O que vulgarmente acontece quando se prende um comunista? Um subversivo? É dar-se busca nesse alguém. Vê-se diariamente, nos aeroportos, nas histórias de quadrinho, na televisão a busca em alguém, a revista no cidadão; é a medida acauteladora. Pois bem: são encontrados três subversivos, um foge, dois são algemados e levados para um "Jeep", são colocados às costas de três autoridades, portando Theodomiro uma pasta e não é revistado. Incrível o descuido dessas autoridades. E, então, dá-se o que se sabe: Theodomiro, com a mão esquerda, rapidamente abre a pasta, tira o revólver e, em seguida, atira no sargento que estava à sua frente.

30 Av. ~ f! l <e de S<etemtm?. 330, Anexo?9 Pal~cio d? Aclamª~º Ǫ m ~o Qr?nde. SªlvªÇ9r, ê<!hia. CEP: Confessou tudo pormenorizadamente. O réu não criou óbices à ação repressora, neste caso nada, absolutamente nada disso houve. Tranquilamente fez as suas declarações, apreendidos em seu poder a arma e os seus objetos - (fls. 8, 2, 220). A confissão de THEODOMIRO é minuciosa, sem objetivo de inocência; jamais foi posta em dúvida a sua confissão; nada obstante, a sua verossimilhança, a precisão dela o acôrdo perfeito do seu conteúdo com as outras peças do processo, apreensão dos objetos, da arma, descrição do fato perfeitamente de acordo com os depoimentos das testemunhas, etc. Tudo isso convence inteiramente de que THEODOMIRO é o responsável pela morte do Sargento, - o que seria desnecessário, pois, é a própria defesa, é o próprio advogado que ressalta. "Desses disparos proferidos pela vontade do acusado - Theodomiro" - fls. 36 ). Porém, THEODOMIRO não é homem feito, de idade adulta; e, se a lei não reconhece, ao menor, - como ensina os tratadistas - "um desenvolvimento capaz de sofrer imputação cabal dos atos praticados dado a ausência de capacidade integral" se os menores de 2 anos, ou melhor, se os menores compreendidos entre 8 e 2 anos, têm por si a presunção absoluta da atenuante geral da menoridade, - que é uma atenuante objetiva -, o periodo de imputabilidade incompleta, imposta a pena atenuada, é a diferenciação no modo de cumprir a pena, é uma culpabilidade minorada ou atenuada, é, enfim, o tratamento especial, máxime, para quando é primário e não tem antecedentes políticos ou criminais. Dessarte não se aceita que a um menor seja lançada a pena máxima que a um menor, com 8 anos de idade que sempre necessita de medidas assistenciais e educativas - seja atirada a pena capital - morte. Sem nenhuma dúvida THEODOMIRO é sériamente responsável; contudo, é menor. Asiste-lhe o direito à pena mínima, prisão perpétua. Nesse sentido é a decisão dos Ministros do Superior Tribunal Militar, que à unanimidade, inclusive o voto do Ministro Presidente, acolhem,em parte, a apelação de THEODOMIRO ROMEIRO DOS SANTOS para reformar a sentença de primeira instância, e por maioria, condena-lo à prisão perpétua, como incurso no artigo 33,&2º, do DL 898/69, à exceção do eminente Ministro General de Exército Jurandy de Bizarria Mamede que, valendo-se do disposto do art. 5 do DL 869/69, substituiu a pena de prisão perpétua pela de reclusão por 30 anos. Quanto a PAULO PONTES DA SILVA, condenado a prisão perpétua, ACORDAM os Juizes dessa egrégia Côrte, à unanimidade de votos, dar provimento ao apêlo da defesa para absolvê-lo, face à inexistência de co-autoria. Realmente, consoante a prova dos autos não se pode atribuir a PAULO PONTES qualquer atividade no crime ora e apreciação. Viveiros de Castro escreveu: " Quando um co-réu não procura atirar exclusivamente sôbre outrem a responsabilidade do fato delituoso, as suas declarações constituem um forte meio de convicção que o Juiz não deve desprezar, muita vez o único que no processo pode surgir." (Viveiros de Castro, Sentenças e Decisões, pags.556). E observa Mitermayer:

31 Av. S'?l'? de ª'?lembro. 330, Anexo ao Pªlacio da Aclamªção, Ǫmgo Grª nç!i:;. SªIV<)dor. ~hi9. J e EI?: 40080,00 "O Juiz despojar-se-ia gratuitamente de um meio, único em mais de um caso de chegar a convencer o verdadeiro culpado, renitente em negar os fatos, se recusasse em absoluto todo o valor ao depoimento do cúmplice"(tratado da Prova, pag. 296). Ora Paulo sempre negou qualquer participação no evento, Theodomiro sempre o inocentou, quer no flagrante, quer no interrogatório feito em juízo. Paulo ainda frisou: Theodomiro errou politicamente, pois não havia necessidade de matar (fls 22lv.) a não ser "que qualquer um membro do Partido inclusive o interrogado fôsse alvo de disparos pela polícia ou Agente de Segurança". Não se atina, não se descobre, não se dá com a condenação de Paulo. Teria Paulo sido condenado porque é socialmente perigoso, porque é comunista? Mas, periculosamente é fundamento da medida de segurança, eminentemente, preventiva, e não da pena que é, principalmente repressiva. O que é imprescindível, é a atividade, uma atividade que acarrete, no mínimo, um começo de execução do crime projetado. Onde, neste processo o acordo, o conluio para eliminar o Sargento? Nada leva o Tribunal nestes autos à condição de que Paulo previu e nada fez. Não previu porque não devia prever. Se nada evitou, foi porque tudo era inevitável, tudo rápido, de surpresa; e surpresa é o inopinado, é o inesperado, nenhuma ensancha se lhe ofereceu para tal fim. Theodomiro é a seu favor; Paulo nega; as testemunhas nada podiam presenciar; estavam à frente dos réus; no banco dianteiro do Jeep. Apenas uma testemunha uma só, é que presume. Presunção, conjetura, suspeitas; "suspeitas não levam ninguém à cadeia", já o disse um eminente Juiz da Guanabara. Mas, não estamos no terreno da ficção. Co-autoria não se presume. No caso em aprêço proclamar a co-autoria é colocar-se contra a evidência. Surpresa causou o Dr. Procurador Militar da º instância, nas suas razões opinando pela confirmação da sentença. Brilhante parecer mas, data-venia, inconvincente, inconvincente arrazoado, pedindo ele seja mantida a co- autoria. Um mata. Pena de morte. O outro que no entender da promotoria é co-autor prisão perpétua? E o art. 53 do CPM vigente? Já se foi o tempo em que a função do MP era uma só. Tem ele, hoje, a faculdade de modificar a sua opinião. O procurador de lº instância juridicamente, tinha e teve oportunidade de esclarecer e convencer a atenção dos Juízes. Não o fez. Nada lhe impedia seguisse a escola moderna. Era-lhe fácil, facílimo seguir a boa doutrina, porque funcionou em todo processo, desde a denúncia até a apelação. Se a instrução criminal não lhe trouxe elementos no regular a questão da co-autoria, não podia êle ser mais realista que o rei. Se não conseguiu provar co-autoria, se não pode assegurar a questão, não cabe a nós juízes, não cabe a Magistratura remediá-la. Ao juiz é que não cabe condenar por conjeturas tanto a assim que o Dr. Auditor foi voto vencido quando a Paulo. Absorveu-o e por que?

32 Av. et\! cje "tembrg. 339, Anexo ªº P<'làcio dª Aclamª~º Ǫm[>o Gr;;md~. Sªlvªdgr, Bahia. CEP: 40080,00 comi~sao. Porque a nossa lei exige, a nossa lei impõe, ordena, com seu critério objetivo, que para existência de co-autoria é necessário que alguém concorra, de qualquer modo para o crime, incidindo, assim, nas penas a este cominadas (art. 53 do CPM). É como nos ensina Von Liszt Tratado de Direito Penal Alemão, tradução de José Higino, vol., & 50, pags. 36, "imprescindível o acordo de vontades, a consciência da atividade coletiva". O acordo não é presumível, depende de prova, como elemento essencial. A co-autoria reclama a consciência da atividade. Onde nesses autos essa prova? "Prova é a alma do processo; é a luz que deve guiar o juiz; é, pois, um ato substancial do juízo", disse-o o saudoso e notável professor Galdino de Siqueira. "Prova são os autos, pelos quais o juiz se faz certo das espécies a decidir". Assim como está negra e certa a prova contra THEODOMIRO incerta e clara a condição de PAULO. Há uma regra de justiça que se aplica como uma luva para a espécie ora à apreciação dessa Colenda Côrte; "Quod non est quod aparet in Júdicio idem sunt". O que não aparece é como o que não existe.é o caso da co-autoria. Não aparece; logo, não existe. THEODOMIRO, sem a preocupação de inocência contou os fatos sem atirar sobre PAULO a responsabilidade. Inexistente cooperação nesse crime. Era o que poderia ter feito a Procuradoria Militar, quer em ª, seja em 2ª instância, porque o caso em foco não é de co-autoria. Demais disso, o Ministério Publico, em nova forma e obediente a um critério de justiça, e, ainda, melhor examinando os autos, chegaria à conclusão diversa - no que tange a Paulo -, Haja vista que o "Ministério Publico não está ligado a suas próprias conclusões. No interesse da verdade e da justiça, sempre se entendeu que o M. P. não fica adstrito a seu próprio pedido"- palavra do notável professor Roux, da Universidade de Strasburgo, na sua excelente obra Curso de Direito Criminal Francês. Vol. II, pags. 43, - ao examinar regras que assinalam os traços característicos da instituição do M.P. No que se refere a pretensão da defesa - arguindo a incompetência de J.M-, sem dúvida que carece de Fundamento, carece de amparo vez que não tem apoio em lei, em nenhum dispositivo da lei. Ao demais, a J.M. é que conhece dos crimes militares e dos crimes contra o Estado e a ordem política - DL Nesse sentido está às fls. 254/25 5 a respeitável decisão do Conselho Especial de Justiça; é uma decisão que honra o seu prolator, o ilustrado Auditor da 6ª CJM. Também não assiste razão ao nobre advogado de Theodomiro quando diz que não lhe aplica "inconformismo político". Apenas para argumentar: aplicar-se-lhe-ia então o art. 28 do mesmo DL 298, cuja pena para o caso de homicídio é, no mínimo, prisão perpétua e morte no máximo. Nos autos está a prova de que o inconformismo político social é a pedra de toque. Ambos os acusados eram e são confessadamente comunistas, militantes do P. C. B R. (fls ) através de

33 Av.!?~ t!' de!?~lembro. 33Q, Anexo ag Pªlªcio dª Aclam;:i~o. ç;ª 'P.º Grande, Sªlv~gr,!}ahia. CE!?: 4008Cb00 reumoes em vanos "aparelhos" onde eram tratados assuntos diversos, tais como, documentação, controle de despesas, distribuições de planfetos, pagamento de aluguel dos "aparelhos" planos de ação, apreensão do mimeógrafo, mánquina de escrever, tudo isso para os panfletos e resolusões políticas ressaltate-se que cerca de panfletos e ressolusões políticas foram rodados no mimeógrafo e distribuídos - fls. 8 - Ainda é Theodomiro que confessa em juizo (fls. 220) que füra preso pela primeira vez em atividade do "partido". Esclareceu, ainda, esses militantes que a organização era subvencionada pela Direção Regional do Recife (P. C.B.R) é que o numerário (dinheiro) era enviado pessoalmente por um elemento de nome "Artur". Finalmente, às fls. 30 a veneranda sentença bem evidencia o inconformismo político-social. Aí está, claro, aquilo que ofende a ordem política; o comunista militante ao ser preso - no caso de Theodomiro não matou apenas para fugir mas, sim, por inconformismo político, por ódio às autoridades quis liquidar uma autoridade que estava em defesa do regime democrático. Como bem acentuou o ilustre Dr. Procurador Militar de º instância, "não há dúvida de que o inconformismo político social e o fanatismo ideológico motivaram o crime". É o caso em aprêço; e porque a considero provada pelo motivos expostos é que essa egrégia Côrte de Justiça Militar assim decide. Superior Tribunal Militar lª de junho de 97. Ass. Min.: Alm. Waldemar de F. Costa, Presidente - Dr. Amarílio Salvado, Relator Brig. Armando Perdigão - Brig. Grun Moss - Dr. Alcides Carneiro - Alb. Sylvio Moutinho - Alm. Mário Cavalcanti - Gen. Jurandir Mamede. Quanto a Theodomiro Romeiro dos Santos, substituia pena de prisão perpétua para três anos de reclusão, nos termos do art. - 5 do mesmo diploma legal (Dec. Lei ) - Dr. Nelson Barbosa Sampaio - Gen. Syseno Sarmento - Gen. Augusto Fragoso -Brig. Carlos A de Sampaio - fui presente, Dr. Ruy de Lima Pessoa Procurador-Geral - CARIMBO: - Declaro, de acordo com decisão do Tribunal tomada em Sessão de 0 de junho de 970 (ata da 35ª Sessão) e de acordo com o art. 56 do RI. que o Sr. Ministro Dr. G.A de Lima Torres foi voto vencedor em 23 de julho de 97 - Ass. Antônio José Gonçalves Agra para Secretário do Tribunal. Retirado da Tese: A Polêmica que (a pena de) morte perdeu(... ).

34 e ts

35 Av. Sete de Setembro, 330, Anexo ao Palácio da Aclamação, ctirnpo Grande, Salvador, Bahia. CEP: 40080: 00 COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE OPERAÇÃO RADAR NA BAHIA AUDIÊNCIA DE MARCO ANTÔNIO ROCHA MEDEIROS DIA: 05 DE MAIO LOCAL: SEDE DA CEV O depoente, ex-dirigente do PCB, na Bahia, entregou, inicialmente documento sobre sua experiência que, assinado, está incluído em anexo. Entregou, também, cópia do blog, onde homônimo, preso e torturado, conta sua história. A seguir, apresentou verbalmente o relatório e respondeu as perguntas feitas pelos membros da CEV, na perspectiva de esclarecer e aprofundar pontos do depoimento entregue. Este é o documento, a seguir, transcrito, e que compõe uma unidade com o entregue. Exposição inicial: Bom eu sou Marcos Antônio Rocha Medeiros. Sou Engenheiro Civil, a época da prisão eu trabalhava como assessor do Prefeito, de então, Jorge Hage, e a prisão ocorreu em 05 de julho de 975. Eu fui preso na realidade um dia depois da grande operação para prender toda a direção estadual do Partido Comunista Brasileiro - PCB. A operação foi montada para que todos fossem presos no próprio no dia 04, que era uma sexta feira, ao cair da tarde. Mas, ocorreu aí um equívoco dos policiais e quem nos delatou não deu meu endereço preciso, deu apenas o nome da rua e mais ou menos onde eu morava. Morava na Rua 08 de dezembro, naquela parte baixa da 08 _5le Dezembro. Os policiais que foram, então, fazer a minha detenção tinham, parece, que s~ essa indicação e chegando lá, à rua, em frente praticamente ao prédio que eu morava, existia um depósito de bebidas e, as pessoas, sexta feira, ali na rua, bebiam cerveja etc. Esses policiais, encaminhados para lá, perguntaram se o don9 lá se conhecia o Engenheiro Marcos Antonio. Ele disse: conheço! Daqui a pouco ele tá aqui. Ocorre que e_u nunca tinha colocado os pés nesse deposito de bebidas. Até por uma questão de segurança taml;>ém, no meu entorno eles mantinham uma certa distâncfa. Mas, os policiais então pediram a ele que assim que o Marcos Antonio chegasse, eles precisavam falar, que tinha uma coisa importante e tal... E, o fato é que ficaram lá, algum tempo e, o Marco Antônio não chegava e eles disseram, então, que precisavam encontrar e tal e alguém que estava bebendo lá disse: ah, ele mora naquele prédio ali, no apartamento tal. E os policiais então foram e prenderam o Marcos Antônio errado. Que por sinal, nesse dia, estava, ele realta isso no Blog, ele estava fazendo uma recepção na casa dele, ficou todo mundo preso. Então, ficou todo mundo preso, os outros permaneceram presos, ele foi levado e o fato é que ele passou essa noite na tortura. Ele era um engenheiro da Petrobrás...

36 Pergunta: ele foi torturado? Av. ~~t~ cje ~lj'temt_> r9. ~~Q, An~xo ~o Pª lªcio dª Aclamªçªº' eamf!o Grande. Salvador. Bahia. eêe: 4o iiao~õ Õ Resposta: Torturado, chegou a ser torturado. Ele relata ali. Sem saber o que estava acontecendo. Aí eu fui preso, sábado, às 6 horas da manhã, quando eles descobriram que tinham errado. O traidor, que tinha nos entregue, estava acompanhando a operação e identificando as pessoas. Quando identificou que não era o Marco Antônio certo, eles então voltaram, agora já com uma precisão maior, até porque a senha para não errar era o nome do meu filho: Pablo. Meu filho, meu segundo filho, estava com um ano e pouco de idade. Inclusive, à época, esse indivíduo estava sendo assistente do Comitê Estadual do PCB aqui na Bahia. E, quando meu filho nasceu, ele, inclusive, foi na minha casa, comemorou comigo, etc. Tanto que, quando os policiais chegaram, no sábado, na minha casa, bateram na minha porta. A empregada abriu, eles disseram que queriam falar comigo, eu estava ainda dormindo, com minha esposa e, a empregada bateu na porta e disse: olha, tem alguém aí querendo falar com o Dr. Marco Antônio. Quando eu saio do quarto vi que tinha caído. Já tinha 6 indivíduos dentro da sala e me disseram, me fizeram duas perguntas: você é o engenheiro Marco Antonio? Eu disse: sou. Você tem um filho chamado Pablo? Que era para não errar dessa vez. Eu disse: tenho. Ele disse: então o senhor tem que me acompanhar_ E, daí, quatro saíram comigo e dois permaneceram no apartamento. Eu tinha sido levado para um local, suponho que tenha sido o 9º BC. Eu já fui encapuzado para o trajeto. Ao sair da Rua 08 de Dezembro eu já fui encapuzado. E, no 9BC, provavelmente tenha sido lá, tiraram minha roupa, me vestiram um macacão, continuei encapuzado, me colocaram no fundo de uma caminhonete, provavelmente, uma "veraneio", ou algo assim. Eu percebi que tinham outras pessoas já também deitadas no fundo, né? E aí a caminhonete saiu numa velocidade bastante grande. Pergunta: No 9BC você não foi torturado? Resposta: Não. Foi só troca de roupa, me colocaram o macacão E, já no início do trajeto, um dos que estavam deitados no fundo da caminhonete reclamou que a venda, esse não estava com capuz, estava com aquele, "oclinhos de borracha" né? Eles usavam também. Aquele capuz de borracha. Ele reclamou, disse: olha, está ardendo. Pela voz eu reconheci quem era, era o professor Roberto Argolo, que também era do Comitê Estadual do PCB. Então eu percebi que Argolo também tinha caído. Eles mandaram calar a boca, que ninguém podia falar. Nesse trajeto eu percebi que, na ação, a caminhonete passou por vários quebra molas. Estava numa estrada, numa velocidade que dava para sentir os quebra-molas. Como, nos dois últimos anos anteriores, eu tinha trabalhado na implantação do Pólo de Camaçari, eu sabia que ali devia ser a 096 (Salvador - Litoral Norte), nós estávamos indo naquela direção. O que me passou pela cabeça é que estão me levando para Recife. Porque, à época, Recife era um grande centro de tortura. Mas, como a viagem não demorou muito, eu percebi então que a gente, claro, não estaria indo à Recife_ E aí chegamos na tal Fazendinha. 2

37 Av. ~'ltf!! ge ~'ll'lm~ r9. 3'._lg, Anexo?Q Pªl?cio 9? Açlamç iq, ÇmP.Q rªnd!'. Sª lvª<;j9r; ~hi?. CEP: 40080, 00 Pergunta: Quantos estavam na caminhonete? Resposta: não tenho idéia, não sei. Além de mim tinham outras pessoas. Mas, um, com certeza, foi Argolo porque confirmei com ele depois. Ficamos espremidos lá, deitados no fundo de uma espécie de uma "veraneio", ou algo assim. Chegando na Fazendinha, nesse local, eu fui conduzido para um determinado ponto, fui conduzido, porque estava encapuzado, me colocaram para sentar em um determinado ponto, e aí veio a primeira iniciativa, no sentido de: olhe, não adianta você negar, a gente sabe quem você é - você é do PCB - tá todo mundo já preso, então não adianta, é só confessar e tal... Mas, você, em uma situação daquela você, obviamente, não acreditava. Sabia, apenas, que Argolo fora preso mas... Então é melhor, você concordar, etc., nós não vamos fazer nada com você... Então eu disse não, eu não sou do PCB, não tenho nada a ver com isso, etc., como tinha que fazer. Aí disseram: ah, é assim? Aí então começaram a sessão de porrada: "telefone", soco, e aí, confessa, não confessa, etc. Aí para, um instante. Vem um camarada e diz: Olha, eu sou o Dr. Luiz Antonio, não tô querendo maltratar você, aí vem todo um negocio... Mas, você é, tal, pá, pá, pá, etc. levando nova sessão de pancadaria: telefone, murro. Chega um determinado instante em que eles param, levantam meu capuz, primeiro momento em que eu vi a cara do Coronel Luiz Antonio, o Coronel Brilhante Ustra (grifo da CEV), na realidade. Eu vi a cara dele, então ele me disse: olha, tem alguém aqui que vai fazer você falar. Aí trouxeram de lá o traidor: Venceslau de Oliveira Moraes, que acompanhava a comitiva, a equipe do DOI-CODI. Ele estava todo bem trajado, de manga comprida, branca. Pergunta: Ele era do Comitê Estadual? Resposta: - ele era do partido - ele tinha passado quase dois anos aqu~ na Bahia, dando assistência ao Comitê Estadual. Tinha sido preso, certamente, lá no Rio. E aí trazem ele de lá. Também uma figura inconfundível, porque ele era e, é, certamente, se tiver vivo, muito parecido com Dorival Caymi. Muito parecido com Dorival Caymi. Aí ele veio de lá, e já veio dizendo, para o "Dr. Luiz Antônio", o Brilhante Ustra: É esse mesmo, Marco Antonio é esse mesmo. Aí começou nova pancadaria, eu cai. Aí veio o choque elétrico, muito choque elétrico. Primeiro prendendo esse dedinho do pé, aí a descarga passa por aqui, se você resiste a isso, aí vem a sessão de botar um terminal na sua orelha e outra no dedinho do pé. Aí o choque é no corpo todo. Eu tentava resistir ao máximo. Eu só pensava nos dois filhos que eu tinha. Pensei: eu tenho que me segurar por causa dos 3

38 Av. 'Êt~ Çe ~'Ê ;mt)r9. 3~9. Anexo 99 P~li:jcio d;i Aclamªçã9, ~meo Qrªng~. ªlvªc!9r, ~ I li?. CEP: 40080~ 00 r meus dois filhos. Eu pensei: se eu sair dessa aqui pelo menos vou poder olhar na cara dos meus filhos, com uma certa dignidade. Mas aí, isso foi praticamente durante o dia, o dia já estava avançado, quando eles levantaram meu capuz, num determinado instante... Agora um detalhe: é que em todas essas sessões, quando você já estava nos estertores, às vezes, você ouvia que alguém dizia: chama o enfermeiro, chame o enfermeiro. Aí ele vinha de lá certamente para ver sua condição, se você agüenta, se não agüenta mais e aí pegava no pulso, e tal... Aí, depois de alguns instantes, ele dizia: "pode continuar". O enfermeiro dizia: pode continuar e a sessão continuava. Lá para as tantas, já, praticamente, acho que quase no final do dia, eles levantaram meu capuz e me trouxeram uma pessoa, encapuzada, e levantaram também o capuz dela. Era, na época, o vereador Sérgio Santana. Que eu acho que também foi convidado para depor hoje aqui para vocês. Então, era Sérgio Santana que, na época, era Vereador da Cidade e que também fazia parte do Comitê Estadual. Aí ele disse: olha Marcos, caímos todos, toda a direção caiu, tá. Não tem como negar. Não há como negar. Nesse instante você, ainda, não acredita. Você ainda não acredita, eu continuei ainda negando um pouco, mais aí o Dr. "Luiz Antônio", levanta meu capuz e diz: venha ver aqui. Aí eu vi que eu estava, na realidade, debaixo de uma certa cobertura, com chão cimentado, mato em volta, uma cobertura, uma instalação aberta, completamente aberta aí eles saem comigo - caminhamos um trecho, um pequeno trecho, aí tinha, bem próximo, uma construção e fora dessa construção sentados, amarrados um no outro tinha uma longa fila de pessoas presas, encapuzadas. Então, ele foi levantando o capuz de cada um e dizendo: olha, esse aqui é o Sr. Luiz Contreiras, você não conhece o Dr. Luiz Contreiras? Esse aqui é o Sebastião, esse aqui é o Marcelo Santana, já viu que está todo mundo preso, então não adianta. E, feito isso, me amarrou também na corda e fiquei também preso, algemado, lá. A partir daí ficamos todos algemados, presos, numa longa corda, e vigiados permanentemente e, a cada instante, cada um de nós era retirados e levados para o local onde se praticava a tortura que era esse galpão. Pelo menos lá foi para onde eu fui. Você apenas ouvia lá os gritos, etc. E daí, você era levado, faziam você escrever, e tal. Conte sua história e a partir daí sua história vai ser mentira, você vai ter que mentir. Inventando como é que você entrou no Partido Comunista, quem foi que te levou para lá etc. Ou seja, só que todos já estavam ali já presos. Eu coloco isso também no nosso relatório de que nós tínhamos uma base, na época, uma base no Partido, do PCB, uma base de engenheiros. Nós éramos nove engenheiros e, desses nove engenheiros, somente eu e Contreiras fomos presos. Por conta de ser membro do Comitê Estadual. Posteriormente, um outro foi preso: o engenheiro Marcos José Alves Rocha que era engenheiro da Petrobrás. Mas, esse porque, sendo engenheiro da Petrobrás, a Petrobrás tinha uma base do PCB e ele pertencia a essa base e o Venceslau de Oliveira Moraes, o traidor, é quem dava assistência a essa base da Petrobrás. E aí o engenheiro Marcos José também foi preso. Mas, todo o restante foi preservado. Deu para a gente segurar e ficar na atuação. Nós atuávamos no 4

39 Av. <?t<? cje $E!tE!ml)r9, 3~Q, Anex9 i.'q Pª lªcio da Açlamªçiio. Ǫmeo Çrªnd\'. <!lv<_l,iqr, f?ªhiª. CEI?: 4 0tl80~ 00 - r Clube de Engenharia. Na época, éramos diretores do Clube de Engenharia_ Fomos presos eu e o Luiz. Deu para contar uma história de que éramos só nós dois, os perigosíssimos agitadores que tinha, na época, naquele Clube de Engenharia. Então, um ponto que eu destaco também é a despedida, a despedida do Dr. Luiz Antônio. Eu posso só fechar aí a questão da Fazendinha. Bom eu só vou fechar aqui, concluindo que em um determinado instante estávamos todos nós amarrados, dentro dessa casinha lá_ Pergunta: Aí, sem venda e sem capuz? Resposta: Não. O tempo todo com venda e com capuz. Todos os dias que permanecemos, na "Fazendinha", só nos foi retirada a venda no momento que em a gente tinha alguma necessidade fisiológica e era levado para o meio do mato. Você gritava e tal e era levado para o meio do mato. Então, nessa hora, levantava o capuz. Mas, o tempo todo foi encapuzado. Pergunta: Pode reconhecer o local da Fazendinha? Resposta: Não. Não porque estávamos vigiados permanentemente. Aliás eles, na realidade, colocaram os meninos do CPOR para fazer essa tarefa, para tomarem conta da gente. Eu digo isso porque, saindo da prisão, eu fui trabalhar na montagem da CET AL, Matérias Primas do Pólo, pela CETAL Engenheiro da CETAL. E, no primeiro dia, eu tinha uma equipe, encontrei lá já uma equipe na montagem e, no primeiro dia,eu tava almoçando, lá na minha mesa, e se dirigiu para mim alguém que usava uma bota do Exército veio e disse: olha eu trouxe essa Coca-Cola para o senhor, o senhor está bem? Quando eu olhei era um menino aí eu reconheci que foi um dos que me levou lá para fazer uma necessidade fisiológica. E me encontrou como engenheiro do Pólo_ Então era uma prova de que eles colocavam o pessoal jovem para fazer este tipo de vigilância permanente. Mas, num certo instante, naquela sala, estávamos todos nós, aí levantaram todos os capuzes e o Dr. "Luiz Antônio" fez uma preleção para nós. Não dizia que estava se despedindo, mas o tom era como se tivesse, felizmente, se despedindo, mas dizendo que nós não tivéssemos ilusão, que todas as nossas penas já estavam estabelecidas. Quanto cada um ia pegar de cadeia - que isso era definido na realidade por ele, pela equipe do DOI-CODI e saiu dizendo: você, Luiz Contreiras, vai pegar dois anos de prisão; você Marco Antônio, 2 Anos; você, Paulino Vieira, 5 anos; você E aí deu as penas de todo mundo. E essas penas foram, absolutamente, as penas que nós tivemos, no dia do julgamento, em 6 de março de 76. Confirmando tudo que ele tinha colocado. Ele fez essa preleção e dizia: olha, vocês são comunistas, vocês são patriotas equivocados, respeito vocês, é meu trabalho Eu fui inclusive 5

40 A_v. $'!!t<? de $'?tem~rç. :j3q, Anexo?Q Pªli'cio ga Ǫmgg Qrªnde. ~ lvª99r, ahi?. CEP: 4008Q, Q0 comi~sao. treinado pela KGB. Com ironia e sarcasmo. Todas as técnicas que utilizei com vocês, eu aprendi na Rússia, com a KGB. Tripudiando da gente. É..., mas eu quero o seguinte: certamente, lá na frente, vocês vão ser soltos, quem sabe a gente vai se encontrar e, se isso acontecer, eu não quero que vocês saiam da calçada e nem se desviem, venham falar comigo. Porque, quem sabe a gente vai tomar uma cerveja junto, um café, junto. Eu tô fazendo meu trabalho, respeito vocês. Eu imagino que foi exatamente isso que aconteceu com ele como adido militar, do governo brasileiro, lá no Uruguai. Na comitiva que o Sarney levou, estava Beth Mendes (deputada na época) e ele se dirigiu, como adido militar, para cumprimentar Beth Mendes que ele tinha torturado e a Beth Mendes então abriu a boca e fez aquele escândalo que, saiu nas revistas e nos jornais e aí então ele saiu complicado. A fotografia dele, o rosto dele (foi divulgado). Todo mundo viu, todos nós vimos: era o Dr., era o Dr. Luiz Antônio. Quer dizer, não há como ter qualquer dúvida que o Dr. Luiz Antônio era o Coronel Brilhante Ustra. Para fechar só meu depoimento, o senhor perguntou, também, sobre possível identificação de torturadores. (dirige-se a fala inicial do Coordenador da CEV). O enfermeiro. Aí tem o episódio do nosso julgamento. O dia do nosso julgamento. Estávamos no corredor, esperando para entrar na sala de julgamento, sentados, quando o Conselho de Sentença passou pela nossa frente, em fila, o juiz auditor e os três militares que vieram julgar. E, o último militar, quando passou, deliberadamente, diminuiu o passo, quando eu olhei, eu reconheci o "enfermeiro". Porque quando a gente foi removido da Fazendinha, nós fomos trazidos para o CIREX, presumimos que tenha sido o CIREX. Pela zuada do mar e pela zuada de praia. Pergunta: Como pode saber que era o CIREX? Resposta: É por causa do ruído da praia, você via que tinha gente na praia... Na medida em que a gente passou essa noite, nesse Quartel aí, nessa dependência. Inclusive, tinham colocado o tal do óculos de borracha que esmagava meu olho, feria meu olho, e eu reclamei e aí, foi trazido o "enfermeiro" e, na hora em que ele veio passar uma pomada, ele tirou e eu vi o rosto dele. Eu vi e gravei (eu tenho boa memória visual) a fisionomia do "enfermeiro". E aí, no dia do julgamento, quando eles vão passando o último era o "enfermeiro", era o "enfermeiro" da tortura. Aí nós conversamos: é o enfermeiro, o enfermeiro que tá fazendo parte do júri. Falamos com os advogados: Ronilda Noblat, Jaime Guimarães, Pedreira Lapa e Inácio Gomes. Na hora, até, a reação de Ronilda foi: vamos denunciar logo, vamos denunciar. E Jaime com aquela experiência dele, aquela sabedoria que ele tinha disse: não. É isso que eles querem. Eles querem que a gente faça esse um carnaval. 6

41 Av. ~et~ ge ~~tem,>r9, EPQ, fylexo?º P?l<!cio 9? A clam ~Q. ~ íll J0 rª nge, Sªlvªc!9r, l?.l!hi?. CE!?: 40080,00 ba. gov.br Porque eles vão provar de que esse individuo, esse militar não é daqui da Bahia, chegou ontem aqui na Bahia e, portanto, é uma denúncia falsa. Eles vão chegar com uma comprovação que vai desmoralizar a denuncia. Deixa comigo! E na hora da defesa de Jaime Guimarães, (me arrepio ainda hoje), ele pediu licença ao juiz auditor, o juiz Alzir Cavalhaes, que era até um menino novo. Foi o primeiro processo que ele pegou como juiz auditor - ele pediu licença ao juiz auditor e aos outros militares para fazer a defesa dele dirigida somente para o Capitão médico Anibal Sidnei Pessoa Reis. Era Capitão Médico e atuou como "enfermeiro" na tortura. Então, ele se dirigiu, o tempo todo, ao capitão médico invocando o condição dele de médico, que ele, tendo feito juramento pela vida na hora que se formou, tinha uma grande responsabilidade pelo Exército, no sentido de não mais permitir, ou trabalhar para que não ocorresse mais torturas como efetivamente ocorreram nossas torturas e, principalmente, na identificação de quem era aquele tal daquele "enfermeiro" da tortura. Isso as famílias já estavam sabendo, já tinham identificado. A reação do capitão médico foi tirar um óculos que tinha, botou um óculos escuro, baixou a cabeça e durante todo o julgamento ele permaneceu de óculos escuros e cabeça baixa. Então, eu acho que é isso de destaque que eu tenho a dizer diante do que o senhor levantou sobre Fazendinha e possíveis torturadores. Pergunta: Como soube que era o CIREX Resposta: Bom. Eu respondo. Porque nós dormimos só uma noite no CIREX. E pela manhã, de manhã, bem cedo, nos colocaram aí com um óculos de borracha por baixo, colocaram um óculos de sol na frente, também o ruído era o ruído do Porto da Barra. E, de lá, nós fomos levados para o Quartel de Amaralina. (Obs. O CIREX, situado no Forte São Diogo, se localiza em uma das extremidades do Porto da Barra). Pergunta. O barulho era diferente? Resposta: Era de praia. Praia. Muita gente na praia. Pergunta: Retiraram as vendas, aí no CIREX? Resposta: Não. Mas aí nós saímos do CIREX e fomos levados para o Quartel de Amaralina. Chegando lá, nos tiraram as vendas e aí vimos que estávamos no Quartel de Amaralina. Então foi um pequeno trajeto por conta da distância. (Obs: Entre o Porto da Barra e o Quartel) Pergunta: O CIREX, é exatamente onde? Resposta: É no Forte São Diogo. Que é um Clube, um clube do Exército. 7

42 Av. ;> M de $~temb r9. 3~Q, Anexoªº P?l;icio çlª ~mgo Grªnde, Sª lv~dgr; llhi?. CEP: Pergunta: Você recebeu algum tratamento cruel ou degradante no Quartel de Amaralina?. Resposta: Repare, tortura fisica obviamente, não. Só a pressão psicológica. Nenhuma agressão fisica, nem no CIREX, nem no Quartel de Amaralina e nem no Forte de Santo Antônio. No Forte e no Quartel de Amaralina, muita ameaça. Principalmente na fase em que eles estavam montando o processo formal. Em que nós tínhamos que dar o depoimento na presença do promotor, que era o Kleber Coelho. E a gente denunciando a tortura, e o major que (não me lembro o nome dele agora) presidia o inquérito, dizia olha: se continuar insistindo nisso, volta para a mão do Dr. "Luiz Antonio". Na :frente do promotor. O promotor assistindo, que o promotor era para agente assinar em baixo, ali, então ele disse: o que está assinado aí é porque eles pegaram duro. O que tinham escrito, na tortura, transformaram aquilo na nossa confissão para o processo. Pergunta: Poderia detalhar as ameaças? Teve ameaça exatamente nesse momento em que a gente estava respondendo. No Forte Santo Antônio, as ameaças eram mandadas por terceiros. Alguns companheiros foram presos quando nos estávamos no Quartel de Amaralina, principalmente Luiz Paulo Filho (Paulinho) - era preso e de lá diziam: olha, vá lá no Quartel e digam a eles que se eles não tirarem as denuncias de tortura, inclusive aqueles que estão respondendo o processo em liberdade, vão ser presos também. Como, de fato, foram. Porque, a gente, inclusive, consultou os companheiros. Tem que tomar uma decisão e a decisão foi de manter a denúncia dizer, realmente, o que aconteceu. Os companheiros que estavam respondendo o processo, eram quatro companheiros: Lúcia Carvalho, Winston Carvalho, Alberico Bouzon e Iêda Santana e, então os quatro disseram: não, a gente vai preso também, mas tem que manter as denúncias. Mas, a pressão foi nesse sentido. Prenderam um companheiro só que ele foi lá e disse: olhe, fui preso para dizer isso aí. Trazer esse recado aqui para vocês. Então era pressão, pressão psicológica, o tempo todo. Pergunta: No texto, do depoimento, você fala da denuncia de tortura para Dom Avelar. Resposta: Dom Avelar, esse momento foi um momento importante porque, num determinado instante, era o segundo ou terceiro dia provavelmente, nós estávamos no Quartel de Amaralina, quando mandaram a gente tomar um banho de sol, tomar um banho. Então alguma coisa aí ia acontecer não é. Tomar banho, cortar cabelo, raspar a barba de quem tinha barba etc. Deixou todo mundo brilhando, a gente não sabia o que ia acontecer. A gente não sabia o que era, mas era a visita do Cardeal. Então o Cardeal chegou, eu digo até no meu depoimento, ele parecia mais um preso, 8

43 Av. ~ t~ de ~t~ m?r9, 33Q, Anexoªº Pªl;jcio dª Aclamªçªº ºªmgq º 'ªndg. S<!IVªºº' ªªhiª. e EP.: 40(}8Q,Q0 e_scoltado pelo General que comandava a Região Militar, Adyr Fiuza de Castro e o seu corpo de Militares. E ele chega na porta da nossa cela, ele foi conduzido à porta da nossa cela, as duas celas grandes e, no momento em que a gente denunciou a tortura a gente disse: Oh, Cardeal, queremos dizer que... e o General Adyr Fiuza de Castro, ensandecido não deixava a gente falar, gritando o tempo todo. Eu trouxe ele aqui para vocês dizerem ao Cardeal que vocês são comunistas. Digam a ele que vocês são comunistas, isso vocês não estão dizendo, digam a ele que vocês são comunistas. Não teve tortura coisa nenhuma vocês são é comunistas. Lá a reação do Cardeal, ele olhava assim para a gente... Ele depois confessou, quando teve nos visitando lá no Forte Santo Antônio, ele disse que foi um dia extremamente de constrangimento para ele e de pressão. Ele disse: olha até eu chegar ali a pressão que eu recebi foi violenta. Mas ele teve, obviamente, um papel extremamente importante na medida em que nós sabíamos das tratativas dele, até junto à própria igreja, no sentido de nos dá apoio e aí, fundamentalmente, Pe. Renzo cumpriu um papel extraordinário junto a nós. E eu sempre dizia ao Pe. Renzo que, para mim, ele era um Cardeal, tal influência que ele tinha na Igreja, tal como ele era respeitado na Igreja. Porque ele tinha que ser um Cardeal, ele devia ser um dos cardeais "in pectore". Porque tem essa história de a Igreja tem que ter uns Cardeais "in pectore". Então Renzo para mim era um Cardeal "in pectore". Aí ele dava ris!idas. Mas, aí o papel do Cardeal foi importante, ele foi nos ver lá no Forte de Santo Antônio, algumas vezes. Pergunta: Você, pelo trajeto, identificou que era Alagoinhas? Resposta. Bom, aí a gente tem que ir por tentativa porque, em nenhum instante desse trajeto, a gente viu nada. Quando nos foi tirado a venda lá, como eu disse antes, no galpão, no meio do mato, não se ouvia ruído de nada, ou seja, se era Alagoinhas, como depois se afirmou, deveria ser Alagoinhas, era algum local em Alagoinhas naquele momento, pelo menos distante de vizinhança. Pergunta: Vocês sabiam que era em Alagoinhas? Resposta: Não. Não sabia. Tempos depois é que vieram nos dizer. Não sei se foi o próprio Pe. Renzo, num determinado instante disse: olha, as informações que se tem é que vocês foram levados para um espaço militar em Alagoinhas. Mas, a única coisa que, pelo menos, me confirma que foi Alagoinhas, como disse a vocês, foi o trajeto, o tempo de viagem. Foi uma estrada que eu conhecia. Porque 2 anos: 74 e 75 eu trabalhei na implantação do Pólo Petroquímico. Então, diariamente eu fazia aquele trajeto. Então eu sabia - contava até os quebra-molas. Porque tinham várias quebra-molas. Porque era 9

44 Av. ;_;.,t., de ~E!\em l:j rç. 3:}Q, A_nexo?9 P?l~cio ºª Açla m!~o. Ç!!nl!?Q rªng.,, ;_>ªlyªçl9r, ~h~. CEP: 40080, 0() co v.ba.gov.br uma estrada, naquele momento, extremamente pengosa, muitos acidentes, então nela foram colocados muitos quebra-molas. E, durante o trajeto eu dizia: olha, nós estamos na BR 096. Daí eu ter pensado que estavam nos levando para o Norte, para Recife. Mas o tempo de viagem deve conferir com uma viagem até Alagoinhas. Pergunta: Quando entrou no PCB? Resposta: Bom eu entrei no PCB em 966. Depois do golpe. Sou menino. Entrei na Universidade. Que antes, 64/65, eu fazia parte, cheguei a fazer parte da JEC - Juventude Estudantil Católica. Sou egresso do Colégio Salesiano. Joviniano: Quanto tempo você passou no Comitê Central? Resposta: No Comitê Central, naquele instante deveria ser uns 3 anos mais ou menos. Aproximadamente. Até o instante da prisão. Interrupção: Passou rápido ao comitê Central... Resposta: Aí não sei explicar se foi rápido. Essa pergunta é para o Dr. Contreiras. Rsrsrs (Obs: Luiz Contreiras era militante mais antigo). Dr. Marco Antônio: Ele disse que entrei no partido em 66, efetivamente. E que devia ter sido em 72, mais ou menos, por aí, que me colocaram no Comitê Estadual, Joviniano está dizendo que eu tive um ascensão muito rápida para entrar no Comitê Estadual. Isso eu não sei explicar porque eu era novo. Quem sabe explicar esse tempo aí é o Dr. Contreiras. E se eu cheguei lá, provavelmente foi indicação do Dr. Contreiras. Pergunta: Alguma vez você participou ou apoiou a luta armada? Resposta: Apoio a luta armada, não. Pergunta: Jorge Hage, na época, era prefeito nomeado de Roberto Santos da ARENA Resposta: Isso, isso. 0

45 Pergunta: Isso não impediu que ele o convidasse. Resposta: Não. E muito mais do que isto. Eu diria. Ele teve uma atitude extremamente corajosa, altiva... Não me demitiu. Eu fui preso e ele me manteve no cargo. E mais, no momento em que ele foi bombardeado pela imprensa, já que queriam a demissão dele como, de fato, conseguiram, teve discurso na Câmara de Vereadores inclusive, o acusando de acobertar comunista, assessor comunista, e o assessor comunista era eu. Chegaram, inclusive, até publicar no jornal que um determinado vereador aqui, não sei se foi Castelo Branco, colocou meu nome, meu salário, num discurso na Câmara, dizendo que o prefeito tinha assessor comunista, tava acobertando e me dando proteção. Jorge Hage não cedeu, no dia em que ele foi demitido da prefeitura, 29 de março de 77, nós tínhamos poucos dias de saída da prisão é que então eu fui demitido da prefeitura. Eu fui desligado. E, mais, eu sou, por conta do prefeito Jorge Hage, a época o primeiro preso político que recebeu auxilio prisão da Previdência Municipal, do IPS - Instituto de Previdência Municipal porque, na época, não havia, nos Estatutos do IPS, essa figura de Auxílio Reclusão. Eu entrei com recurso, e Jorge Hage deu todo apoio no sentido da isonomia, se o INSS tem Auxilio Reclusão o IPS tem que ter também. Então ele teve todas as atitudes favoráveis. Que foram denunciadas pelo vereador ao acusar o Hage. Pergunta: A denúncia contra você saiu no Jornal? Resposta: Saiu no jornal, é fato. Isso. Vejam aí nesse período entre e 29 de março. Deve ter o registro disso. Pergunta: Você afirmou que, até a anistia, houve intervenções dos Órgãos de Segurança, na sua vida profissional. Pode nos dar exemplos? Resposta: Sim. Isso. Depois da prisão passei a trabalhar na SETAL, SETAL Instalações Industriais. É uma grande empresa. Quando terminamos a obra da Central de Matérias Primas, no Pólo, eu fui deslocado para a obra da então COBAF que iria ser iniciada. A Companhia Baiana de Fibras. No Pólo também. Obra do Pólo. COBAF. E quando a SETAL me indicou para essa obra meu nome foi vetado. Foi vetado e eu fui perguntado pela SETAL se eu sabia porque era. Aliás, eu quando fui admitido na SETAL, saindo da cadeia, eu fiz questão de registrar na SET AL de que eu estava na liberdade condicional. Até porque eu atendi um anuncio de jornal que estava selecionando engenheiro e que isso poderia ter alguma

46 Av. ~~te Çe S~temt_J r9. 33Q, A_nexo ;;io P?l;f!ci9 da Aclam!)ç~ o, Ç~ m{!q Çr;mde. Sªlv?<;!9r, f?<lhia. ÇEP; 40080~ 00 gov.b r implicação. Então, na hora da entrevista, eu fiz questão de dizer: olha, eu estou em liberdade condicional. Se isso for impedimento, não sei como é que vocês querem que eu vá trabalhar, mas se for algum impedimento, é bom saber. Então eles me contrataram sabendo disso. Inclusive, na época, eu recebi um redado do dono da empresa, recado do dono da empresa lá de São Paulo. O recado foi o seguinte: eu quero comunista trabalhando para mim e não contra mim. Eu lembro, era uma figura: Geraldo José Ferreira. Mas, na COBAF aí então a SETAL veio e disse: olha seu nome está vetado. Tá vetado no Rio de Janeiro, você já trabalhou no Rio de Janeiro? Eu disse: não, eu nunca trabalhei no Rio de Janeiro. Mas, a direção, alguém lá na direção da COBAF está vetando seu nome. A gente pode botar qualquer engenheiro nessa obra ai, menos o seu nome. E aí eu não sei porque... E, num determinado instante o engenheiro que era suíço, que foi designado pela COBAF para tomar conta da obra soube que era uma questão política. Porque, na obra estava, pela COBAF, o engenheiro Emanuel Coutinho. Sobrinho do Ministro da Guerra. Aquele Coutinho que teve um ataque cardíaco e morreu. Pergunta: Dale Coutinho? Resposta: Isso. Dale Coutinho, ele era sobrinho e era engenheiro pela COBAF. E aí, o serviço de segurança é claro, varria toda a nossa movimentação. Mas o suíço, o engenheiro suíço, ficou indignado e disse não. Eu quero ele na obra. E me botou como assessor direto dele. Durante toda obra na COBAF eu fui assessor direto do engenheiro suíço. E o engenheiro Emanoel Coutinho que veio para a obra, foi demitido por corrupção. Uma empresa fornecedora tinha construído uma casa para ele no Rio de Janeiro. Esses são os fatos. Aí eu segui careira na universidade. Pergunta do membro da CEV que se integrou a arguição: Naquele momento houve uma van, um ônibus, que saia daqui para Recife, levando um grupo de presos, de subversivos... Houve isso? Resposta: Não, não. Uma Van... Não, não. O que eu estava falando foi quando o senhor entrou, foi quando nós fomos conduzidos para a Fazendinha antes, teria sido no 9BC, tiraram nossa roupa e botaram macacão e já tava encapuzado e fui colocado no fundo de uma caminhonete. Não tinha nem van naquela época. Uma caminhonete e, ao ser colocado lá, deitado, vi que tinham outras pessoas também na mesma posição. E, quando esse carro sai e pegar alta velocidade é que eu percebi que nós 2

47 Av. $"'!!' de $"'t~m9 r9. 33Q, Anex9?Q Pªl<ic!o da Aclamª~º ÇQmgo rªn<)e. Sª l"ª~g r, ~h i ª. CEP: 4008Q,06 estávamos numa BR 096. Daí eu imaginei que estaríamos sendo levados para Recife. Eu imaginei. Mas não foi isso porque o tempo de viagem não foi esse, e aí é que fomos levados para a Fazendinha. Pergunta: Você foi preso e foi levado para o 9 BC, teve alguma tortura? Resposta: Não, não, não. 9BC foi só para colocarem macacão, tomarem todos os meus pertences. Era o apoio logístico, a plataforma para mandarem para a Fazendinha, só isso. Pergunta: Quais foram os presos? Resposta: Bom, vamos lá. Eu tenho aqui os nomes: Além do Comitê Estadual e dos suplentes foram: Paulinho Vieira, Luis Contreiras, Heitor Cazaes, Carlos Marighela Filho, Sérgio Santana, Marcelo Santana, Sebastião Couto, Ivan Pugliese, Roberto Argolo, Albérico Buzon, Winston Carvalho, Iêda Santana, Lúcia Carvalho. Agora, esses ficaram presos. Pergunta: Todos em Amaralina? Resposta: Não. Eles foram presos, ficaram em Amaralina e, daí, foram julgados e condenados. Agora, passar por Amaralina muita gente passou. Porque foram presos e depois foram soltos na grande operação que eles fizeram. Eles prenderam, na ordem que se tem, mais de 80 pessoas. O engenheiro que eu citei Marcos José Alves Rocha, que era engenheiro da Petrobrás e que foi denunciado pelo traidor nosso, passou também pelo Quartel de Amaralina. Inclusive ficou num determinado instante numa cela junto comigo. Agora, foram muitas pessoas que foram presas e que passaram pelo quartel de Amaralina. No momento em que ficamos no Quartel de Amaralina, nós tínhamos naquelas duas celas mais de 40 pessoas. Pergunta: E no Quartel de Amaralina, praticavam tortura? Resposta: Não. Não. Eu já disse que não. Lá foi só pressão, pressão, ameaça... quando até o General Adyr Fiuza de Castro foi para porta da cela ameaçar agente... Pergunta: A professora Dulce Aquino (membro da CEV) está querendo saber quantos ficaram em sua casa? 3

48 - Av.!?~ t \'! de!?~ t~m t_j rg. 3.3Q, Anexo ;;ig P!ll;!ci9 d;i A cl a m ;:i~g. Ǫmi?Q Ç rª n<:!e?. SªIV!'<:l9f. Bahiª. CEP: ,00 Resposta: A professora Dulce conhece. Minha mulher dava aula na época. Ficaram 2 policiais. Eles permaneceram guardando a casa. Não deixavam a empregada atender ninguém. Quando alguém batia na porta, a empregada ia e dizia que não tinha ninguém. Até que, segundo Laura, em tomo do meio dia chegou uma equipe do DOI-CODI para fazer uma varredura da casa. Aí jogaram tudo em baixo. Tudo em baixo. Meus livros, etc. Agora, minha mulher teve uma coragem muito grande. Porque eu tinha jornais do partido, do PCB, Voz Operaria, eu tinha documentos do partido e que estavam dentro do guarda-roupa, numa certa gaveta, mas, embora com receio, ela fez bem. O que é que ela fez? Pablo era muito pequeno, um ano e pouco, de braço. Ela foi até o quarto, ia tirando o material, botava embaixo de Pablo e levava pro banheiro para um cesto de roupa suja, de fraldas suja do menino e jogava lá dentro e cobria com fraldas, cobria com fraldas. Ela tirou todo o material. Todo o material. E foi o único local que eles só fizeram destampar a cesta e, assustados com o cheiro, não fizeram varreduras. Então, tal a prova de que eu era perigoso comunista foram dois livros que foram apreendidos e fazem parte do processo. Um de Paulo Freire: Pedagogia do oprimido e o outro o Coronel e o lobisomem de José Candido. Quando foi lido isso no dia do processo todo mundo riu. Porque era uma prova de que eu tinha um livro subversivo contra o Exército. O Coronel e o lobisomem de José Candido. Pergunta: Não descobriram a participação de sua mulher? Resposta: Não, não. Inclusive eu fui depois ameaçado, lá na Fazendinha. No dia seguinte, alguém deles foi lá e fez um discurso na minha frente. Dizendo que eu era realmente bandido, um cara sem ética, desalmado... porque, esse cara, nem a mulher dele sabia que ele era comunista. Aí foi que aliviei. Quando ele disse isso pensei: meu Deus do céu, não sei o que foi que aconteceu com ela. Mas ela negou até morte ou ela, de fato, convenceu que não sabia de nada. Estava indignada e negou o tempo todo. E o cara foi lá me ameaçar dizendo que eu merecia apanhar mais ainda por não compartilhar isso com a minha mulher. Pergunta: Sobre Dr. Brilhante U stra. Resposta: Ele se identificava como "Dr. Luis Antônio". O nome dele era Dr. Luís Antônio. Pergunta: Luís Antônio não era o médico? 4

49 Resposta: Não, o médico era Aníbal Sidnei de Pessoa Reis. Capitão, médico à época do Exército. Aníbal Sidnei de Pessoa Reis. Fez parte do Conselho de Sentença. Era o nome dele. Pergunta: Qual o papel de Brilhante Ulstra? Resposta: Era Dr. Luiz Antônio, se apresentava como Dr. Luis Antonio, era o chefe da operação. Pergunta: O delegado Sergio Fleury participou? Resposta. Se o Fleury teve uma das sessões comigo eu não sei. Contreiras é que o viu... Pergunta: Tem mais alguma coisa a apresentar? Resposta: Emiliano José, no último livro dele resgata os dois depoimentos ( obs: dele e de Luis Contreiras). A CEV agradece e pergunta se pode contar com a sua ajuda para continuar a investigar o caso da F azendinha, com o que o depoente concorda. Salvador, 5 de maio de 204. Marco Antonio Rocha Medeiros Joviniano S. de Carvalho Neto Coordenador 5

50 UM PESADELO DANTESCO Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! (Castro Alves in Navio Negreiro) Sobre os fatos, decorridos 39 anos, muitas são as sensações que me provocam. Tristeza, por terem acontecido no nosso país; indignação, por estarem os (ir)responsáveis impunes até os dias de hoje; 2!egria, pelas redescobertas (de mim mesmo) e pelos renascimentos que em mim provocam; paz de consciência, por ter tido ações que me fizeram deles participar como parte de uma "multidão faminta" de justiça, vítima; humildade, por compreender que diante de outras tantas vítimas, mortas e desaparecidas, devo ter sofrido pouco pelo muito que não fiz; incompetência, pela sensação de não ter lutado o suficiente, a despeito do que a mim aconteceu; vergonha, por ter sobrevivido; gratidão, a todos os que correram risco por mim; compaixão, que ainda sem sucesso, tento incorporar aos meus sentimentos, pelos torturadores; responsabilidade, pela necessária denúncia de tais fatos para as novas gerações. Por tudo isto, vamos aos fatos. /

51 ' I.. O dia 4 de julho de 975 foi uma sexta-feira e, dentro de uma programação que tínhamos, eu e minha mulher à época (Laura Maria Cabral de Medeiros), fomos à noite, a uma sessão de cinema no Clube de Engenharia da Bahia (CEB), do qual eu era Diretor Atividades Culturais. O CEB cedia seu auditório, às sextas-feiras, para a Associação Brasileira de Documentaristas-ABD (dirigida por Guido Araújo, cineasta, professor e coordenador das Jornadas Brasileira e Baiana de Curta Metragem) exibir e discutir filmes raros e premiados em festivais internacionais. Naquele dia foi exibido documentário sobre a América Latina, premiado no Festival de Oberhausen, na Alemanha. Com entrada franca para os seus sócios o CEB incentivava a criação de cineclubes. Após tal sessão saímos, quatro casais, para um restaurante (uma pizzaria, no bairro do Garcia) onde permanecemos até, mais ou menos, duas horas da manhã, já que no sábado poderíamos acordar mais tarde. Porém, às 6 horas da manhã, a empregada doméstica (Geralda) bateu à porta do nosso quarto informando a minha mulher (Laura) que alguém precisava falar comigo com urgência. Instintivamente, embora sonolento ainda, levantei da cama e fui à janela do quarto checar se havia algo de estranho na rua. Residia na rua Oito de Dezembro, no edifício Cidade de Valença num apartamento no primeiro andar. Para nós do PCB, e eu fazia parte do Comitê Estadual, a situação era de alerta redobrada, pois em 3 de janeiro daquele ano haviam "estourado" o "aparelho" no Rio de Janeiro onde funcionava uma bem montada gráfica clandestina do Partido, debaixo de uma caixa d'água num sítio em que funcionava desde 966 (feito a que a ditadura, em fevereiro, deu grande divulgação pelos órgãos de imprensa, televisão inclusive). Nesta operação haviam prendido, dentre outros, o ex-deputado Marco Antonio Coelho (vítima das maiores atrocidades em tortura de que se tem notícia). Como não percebesse nenhuma movimentação, estando, àquela hora, a rua completamente deserta, saí do quarto, ainda de pijama, e tão logo entrei na sala depareime com 6 indivíduos (já haviam invadido o apartamento) e, um deles, de chofre, me fez duas perguntas: "você é o engenheiro Marco Antônio?"; "você tem um filho chamado Pablo?". Ao responder afirmativamente às duas perguntas, sacaram as armas e me disseram que teria de acompanhá-los para prestar alguns esclarecimentos numa delegacia. Ao perguntar do que se tratava (embora já compreendendo que havia "caído") responderam não saber o motivo exigindo que eu trocasse de roupa ali mesmo, na sala. Minha mulher, que havia saído do quarto e assistia a cena, protestando, foi buscar calça e camisa. Depois que troquei a roupa, saíram 4 deles do apartamento me escoltando (2 permaneceram) e me colocaram no banco traseiro (no meio) de um "fusquinha". Tão logo o carro saiu da Rua Oito de Dezembro, me algemaram e, colocando um capuz preto na minha cabeça, me mantiveram abaixado, até chegarmos a um lugar (hoje suspeitamos que fosse o quartel do 9 BC) onde, ainda encapuzado, me fizeram vestir um macacão azul, e recolheram roupa, relógio e carteira. Após certo tempo sentado no chão fui colocado, deitado, junto com outros presos, no fundo de uma caminhonete (?) que partiu em desabalada velocidade. Neste trajeto passamos por diversos quebra-molas o que me fez reconhecer que estávamos na BA-096, pois durante os últimos dois anos havia trabalhado no COPEC, na implantação do Pólo Petroquímica de Camaçari, passando diariamente por aquela rodovia. Imaginei então que estavam nos levando para fora do estado da Bahia. Seria para Pernambuco? Sabia-se que em Recife havia um centro de tortura. Porém, pelo curto tempo que transcorreu a viagem, percebi que aquele não tinha sido o nosso destino. Hoje sabemos que foi um quartel situado nas cercanias da cidade de Alagoinhas. Durante o trajeto, um dos presos, ao meu lado, ;J~. ')

52 tentou falar, reclamando da venda nos olhos, tendo sido calado, aos berros, pelos policiais. Entretanto, a voz do preso, reconheci, era do fisico e professor universitário, Roberto Max Argolo, também integrante do Comitê Estadual do PCB. Ao chegarmos em tal destino, encapuzado, me fizeram sentar em uma cadeira e alguém em tom de aconselhamento disse já saber quem eu era e, portanto, bastava que confirmasse ser do Comitê Estadual do PCB. Ante minha negativa teve início minha descida ao verdadeiro inferno ("navio negreiro"). Resistindo às torturas aplicadas (espancamentos, "telefones", choques elétricos), ou seja, enquanto negava pertencer ao PCB, num determinado instante, levantaram o capuz e pude ver que diante de mim estavam o chefe da tortura (que se apresentava como "dr. Luiz Antonio", posteriormente identificado como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra) e, a certa distância, alguém que reconheci de pronto. Tratava-se de um individuo que (como representante do Comitê Central do PCB) durante certo período, entre , foi o "assistente" do PCB na Bahia. Nunca esqueci aquele rosto que, naquele momento, perguntado pelo "dr. Luiz Antonio" respondeu sem hesitar "o Marco Antonio é este mesmo". Compreendi, de imediato, que ele estava a serviço dos órgãos da repressão, pois estava à vontade, bem trajado (usava uma camisa branca de manga comprida e gola rolê), ou seja, havia traído o Partido, "entregado" toda a direção da Bahia. No período que passou na Bahia, ele esteve no meu apartamento algumas vezes, tendo inclusive comemorado comigo o nascimento do meu filho Pablo, em O seu rosto era inconfundível, pois desde que o corlheci achava-o extremamente parecido com o compositor Dorival Caymmi. Hoje conhecemos sua identidade: trata-se de um advogado carioca (tinha sotaque característico) chamado Wenceslau Oliveira Morais. Como fiquei sabendo depois, através de relato do companheiro engenheiro Luiz Contreiras de Almeida, cuja prisão tinha ocorrido no final da sexta-feira ( ), este indivíduo também havia sido levado para reconhecê-lo. Nesta ocasião o companheiro Contreiras teve uma corajosa atitude de repulsa, cuspindo-lhe no rosto, o que fez ensandecer a füria dos seus torturadores. Mesmo diante do "reconhecimento" feito pelo traidor W enceslau continuei negando ser membro do PCB o que fazia recrudescer as torturas aplicadas. De socos, no rosto e no estômago, pancadas simultâneas nos dois ouvidos ("telefone"), fui derrubado e chutado. Daí passaram aos choques elétricos com os terminais da máquina ("a pimentinha", conforme linguagem dos torturadores) ligados nos dedos mínimos da mão e do pé. A corrente elétrica percorre braço, tronco, perna e pé. Continuar negando significa maiores voltagem e tempo de descarga elétrica além da mudança dos pontos de ligação dos terminais da máquina. Agora prendem no lóbulo da orelha e no dedo mínimo do pé. A cabeça entra também no circuito e a cada descarga todo o seu corpo é atingido. Já acreditava não sair dali vivo. Por vezes, interrompendo a tortura, diziam "tragam o enfermeiro" e sentia alguém tornando o pulso e dizer após algum tempo: "podem continuar...". As seqüelas da tortura, psíquicas e físicas (perda parcial da audição do ouvido direito), carregarei até o fim da minha vida. Já devia ser o final daquele primeiro dia da prisão quando, num certo momento, foi trazido até mim um companheiro visivelmente machucado pela tortura. Levantaram os capuzes (o meu e o dele) e ao ser perguntado se o conhecia respondi: "conheço pelos jornais como o vereador Sérgio Santana". Fizeram Sérgio, que era vereador pelo então MDB, falar me dizendo: "Marco, toda a direção está presa". Não acreditando, ainda persisti na negação, sempre seguida de tortura, até me arrastarem para um local onde me levantaram o capuz e vi uma longa fila formada por dezenas de pessoas sentadas no chão, algemadas, encapuzadas e amarradas entre si por uma longa corda ("presos nos

53 ~ ~. elos de uma só cadeia"). Ali foram levantando o capuz de cada um dos membros da direção estadual e, mostrando o rosto, diziam: "olhe aqui seu companheiro Luiz Contreiras", "veja o Roberto Argolo", "veja o Sebastião", e assim compreendi que não mais adiantava continuar negando ser membro do PCB. Fui, então, também amarrado aos demais companheiros. O meu pensamento, a partir daquele instante passou a ser: mentir, mentir e mentir, "inventando" uma atuação pessoal política tímida e restrita junto àqueles que vi estarem já presos. Creio que assim também pensaram outros companheiros presos, pois nenhum dos nove integrantes da "célula dos engenheiros" foi preso, com exceção de Luiz Contreiras e de mim, pois éramos do Comitê Estadual. Um outro companheiro engenheiro, Marcos José Alves Rocha, embora não fazendo parte da direção do partido, foi posteriormente preso, por atuar na Petrobrás e nesta condição ter mantido contato direto com o traidor Wenceslau. Os interrogatórios e as torturas se seguiram ao longo de 0 dias, e enumerá-las é dificil, pois naquela situação, sofre-se mais por aqueles que devem já estar sofrendo por você, familiares ("o que teria acontecido com a minha mulher?") e amigos, e por aqueles que você tem a responsabilidade de evitar que sejam presos, os companheiros ligados diretamente a você. Em mim, desde o primeiro instante da tortura, buscando encontrar forças, fixava o pensamento nos dois filhos que tinha (Paulo Henrique com 4 anos e 7 meses e Pablo com ano e 8 meses), dizendo a mim mesmo, "se escapar com vida tenho que olhar nos olhos dos meus filhos com dignidade, sem nenhuma culpa ou vergonha". O local da tortura era uma tal "fazendinha", como era chamada pelos torturadores, pois nos raros momentos (para satisfazer necessidades) em que foi retirada a venda dos olhos (capuz ou óculos de borracha) vi um galpão construído no meio de uma área ainda coberta de mato. Permanecemos durante este período, sempre algemados, amarrados uns aos outros ("presos nos elos de uma só cadeia") e vigiados, dentro do galpão donde éramos, de vez em quando, individualmente, retirados para sessões de tortura. Ao final deste período, sem saber ainda que estávamos prestes a ser removidos, num certo momento, foram retiradas as vendas dos olhos de todos os presos e, no meio do galpão, vimos o "dr. Luiz Antonio" (o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra) que fez um longo "discurso de despedida". Após dizer que seriamos julgados e afirmar que nossas penas já estavam definidas por ele (citou a de cada um de nós, o que efetivamente se confirmou mais tarde) em tom entre o deboche, a arrogância dos covardes e a certeza da impunidade pelos crimes que cometia, disse mais ou menos o seguinte: -"Estou apenas cumprindo meu dever e todos os métodos que apliquei aqui aprendi no treinamento que fiz na KGB (polícia russa). Vocês, após cumprirem as penas na prisão, quem sabe, no futuro, possam, casualmente, se encontrar comigo na rua. E se isto vier a ocorrer, não quero que me evitem, mudem de calçada. Considero vocês, comunistas, como "patriotas equivocados" e, portanto, quero que, sem ressentimentos, possamos conversar e até quem sabe, tomar uma cerveja ou um café num bar mais próximo". Lembrei-me deste "discurso" quando, na década de 80, este torturador, ocupando o cargo de adido militar do Brasil no Uruguai, deparou-se com a atriz Bete Mendes que integrava a comitiva do então presidente Samey que visitava o país vizinho. Naquela ocasião, ao se dirigir a ela foi prontamente rechaçado, sendo reconhecido, desmascarado e denunciado publicamente como o responsável pelas torturas que ela sofrera quando foi presa pela ditadura. A cobertura deste fato, constrangedor para o Brasil, com a sua foto publicada nas revistas não nos deu margem a erro, o "dr. Luiz Antonio" era o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. J!\Jl\ flt ~

54 Naquele mesmo dia do "discurso de despedida" fomos levados da "fazendinha" para uma instalação militar que hoje sabemos ter sido o CIREX (Clube do Exército), no Porto da Barra, onde passamos urna noite, na qual fomos atendidos nos ferimentos mais agudos pelo chamado "enfermeiro", a mesma pessoa que no auge da tortura era convocada para avaliar se estávamos no limite da resistência física. Quantas vezes ouvi, certamente deste personagem, o "podem continuar"... Nossa prisão (seqüestro) provocou incontidas manifestações da sociedade, vazadas pela imprensa, junto à Polícia Federal e ao comando da 6 ªRegião Militar. Éramos profissionais liberais, técnicos ocupando cargos de direção em entidades profissionais, órgãos e empresas públicas e privadas, portanto, pessoas reconhecidas na sociedade. Manifestos foram feitos e assinados por entidades profissionais, intelectuais e artistas. A primeira assinatura de um destes manifestos foi a do poeta e diplomata Vinicius de Morais. Foi esta reação da sociedade, talvez inesperada pelos órgãos da repressão, que possibilitou que, já no quartel de Amaralina, recebêssemos a primeira visita do Cardeal A velar Brandão Vilela (que chegou diante das grades da cela cercado por oficiais do exército). Perante o cardeal, que mais parecia um prisioneiro escoltado pelos militares do que um visitante representante do Papa, denunciamos as torturas sofridas sendo interrompidos aos berros pelo então comandante da sexta região militar, o general Adir Fiúza de Castro, que passou a gritar "digam ao cardeal que vocês são comunistas... digam ao cardeal que vocês são comunistas... ". Ainda no quartel de Amaralina, após o cardeal, dias depois, foram sendo permitidas visitas somente de pais, maridos, esposas e filhos. Tais visitas eram realizadas na presença de oficiais, em uma pequena arquibancada de um campo de futebol, para onde éramos levados sob escolta fortemente armada, numa verdadeira "operação de guerra" para "amedrontar" os visitantes e nos humilhar. Mesmo nestas condições minha mulher conseguiu sussurrar algumas notícias sobre o que tinha se passado desde que fui seqüestrado. Dentre elas, que havia conseguido esconder, ainda com os policiais dentro do apartamento, o material "subversivo" que tinha em casa, alguns jornais do PCB (Voz Operária). Com a criança (Pablo) no braço dando cobertura, ela conseguiu remover os jornais do quarto (estavam numa gaveta do guarda-roupa) para o banheiro e colocá-los dentro do baú de roupa suja (fraldas) do meu filho Pablo, único utensílio apenas destampado e não revolvido (por motivo óbvio, fraldas sujas) pela equipe de oficiais do DOI-Codi que ao meio-dia daquele sábado chegou para revistar o apartamento. Graças a esta manobra corajosa e arriscada de Laura os únicos materiais "subversivos" apreendidos como "prova" de que eu era comunista foram: um livro de Paulo Freire, "Pedagogia do Oprimido'', e "O Coronel e o Lobisomem" de José Candido de Carvalho, romance que a "vasta cultura" do DOI-Codi (e do promotor) entendeu, pelo título, ser ofensivo ao Exército. Esta apreensão, registrada nos autos do processo, no dia em fomos julgados, ao ser lida, provocou risadas da platéia. Durante todo o dia em que fui preso, os policiais permaneceram no apartamento, não permitindo ninguém sair ou entrar (sob armas, a empregada informava a quem tocava a campainha não ter ninguém em casa). Ficaram presas, minha mulher Laura, meu filho Pablo, a empregada Geralda e uma irmã dela, Maria, babá de Pablo. Uma outra notícia, me passada por Laura, e que era circulada em "off' no prédio (chegara aos ouvidos da empregada), era de que um homônimo meu, morador de um dos prédios vizinhos, havia sido preso em meu lugar no dia anterior à minha prisão, ou seja, na sexta-feira ( ). Ao longo destes anos sempre pairou a dúvida se isso, de fato, teria ou não acontecido e, somente em 2009, através de um relato postado na internet num blog de uma turma de engenheiros do Ceará, tive a oportunidade de localizar o engenheiro Marcos Antonio Pinheiro Silva que, preso por equívoco, passou /yvv\

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