ENFERMEIRO ESTOMATERAPEUTA: CUIDADO AO INDIVÍDUO COM ESTOMIA E SUA FAMÍLIA

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1 ENFERMEIRO ESTOMATERAPEUTA: CUIDADO AO INDIVÍDUO COM ESTOMIA E SUA FAMÍLIA SIMON 1, Bruna Sodré; BUDÓ 2, Maria de Lourdes Denardin; GARCIA 3, Raquel Potter; SCHIMITH 4, Maria Denise; SILVA 5, Marciele Moreira da.; GOMES 6, Taís Falcão RESUMO Este trabalho objetiva relatar a atuação do enfermeiro estomaterapeuta na assistência aos indivíduos com estomia e seus familiares. Trata-se de um relato de experiencia, dos estágios supervisionados I e II, do curso de graduação em enfermagem, da UFSM em que se identificou a importância da atuação do enfermeiro estomaterapeuta nas ações de: educação em saúde às pessoas com estomia e seus familiares, continuidade de assistência e um olhar diferenciado diante da assistência às pessoas que convivem com estomias. A estomaterapia é um campo novo, com poucos profissionais habilitados, porém com ações diferenciadas pode-se ter uma maior resolutividade no cuidado às pessoas com estomias e seus familiares. Descritores: Estomia; Cuidados de Enfermagem; Serviços de Saúde. 1. INTRODUÇÃO O panorama do adoecimento vem sofrendo alterações nas últimas décadas, caracterizando um aumento das doenças crônicas nas demandas dos serviços de saúde. 1 Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (PPGENF/UFSM). Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado, Saúde e Enfermagem da UFSM. 2 Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora associada do Departamento de Enfermagem da UFSM e PPGEnf/UFSM. Vice-líder do Grupo de Pesquisa Cuidado, Saúde e Enfermagem da UFSM. 3 Enfermeira. Mestranda do PPGEnf/UFSM. Bolsista REUNI. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado, Saúde e Enfermagem da UFSM. 4 Enfermeira. Doutoranda do Doutorado Interinstitucional 5 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem do PPGEnf/UFSM. Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões URI, Santiago, RS, Brasil. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado, Saúde e Enfermagem da UFSM. 6 Acadêmica do 5º semestre do curso de graduação da UFSM. Bolsista do Fundo de Incentivo a Pesquisa (FIPE/UFSM). Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado, Saúde e Enfermagem da UFSM. 1

2 Dentre essas doenças, destacam-se as neoplasias, as quais são a principal causa da confecção de uma estomia¹. Os termos estoma, estomia, ostoma e ostomia, são originados no grego, e possuem o significado de boca ou abertura, de alguma víscera oca no corpo que sofre exteriorização¹. Segundo a Associação Brasileira de Ostomizados, em 2007 havia pessoas com estomia no país. Nesse contexto, a região sul encontrava-se com o segundo maior índide da população brasileira com estomia, totalizando indivíduos². Diante do alto índice de pessoas com estomias e a pertinência de cuidados específicos nessa área, salienta-se a necessidade de fortalecer discussões em prol do desenvolvimento da problemática assistencial. A pessoa com estomia sofre diversas alterações biopsicossociais e necessita de uma assistência que envolva esses aspectos. O atendimento a essas pessoas é ofertado por hospitais, ambulatórios especializados, e também por grupos e associações de apoio³. Para a enfermagem, surge o campo da estomaterapia qualificando a atuação do enfermeiro com vistas a desenvolver uma assistência especializada não somente aos indivíduos com estomia, mas também às suas famílias. Assim, objetiva-se relatar a atuação do enfermeiro estomaterapeuta nas suas atividades de assistência aos indivíduos com estomia e seus familiares. Justifica-se a elaboração desse trabalho diantes do crescente número de pessoas com estomias e a necessidade de profissionais capacitados para ofertar um cuidado qualificado. 2. METODOLOGIA Este trabalho é um relato de experiência acerca das vivências realizadas nas disciplinas de Estágio Supervisionado I e II do sétimo e oitavo semestres, do Curso de Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal de Santa Maria; os quais se realizaram na Secretaria Municipal de Saúde do município de Santa Maria, no Setor de Assistência às Pessoas Estomizadas, perfazendo um total de 138 horas/relógio de atividades práticas. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Durante os estágios foi possível identificar que os indivíduos, após a confecção da estomia, apresentaram uma série de dificuldades e alterações físicas, psicológicas e sociais. 2

3 Essas modificações causam prejuízos no convívio social dessas pessoas, pois esses sentem sua imagem corporal diferente dos demais; além de relacionar a confecção da estomia com a morte 4. Desse modo, destaca-se que eles necessitam de uma continuidade da assistência, de modo que sejam realizadas ações de educação em saúde, que se abordem questões quanto aos cuidados com estoma e pele periestoma; hábitos de vida; e orientações pertinentes à qualidade de vida. Esse processo de educação em saúde necessita ter início durante o período de hospitalização, até o pós-alta para proporcionar o autocuidado do sujeito e a capacitação dos cuidadores 5. Durante os estágios essas ações puderam ser melhor visualizadas, uma vez que eram desenvolvidas pela enfermeira estomaterapeuta responsável pelo Serviço de Assistência as Pessoas Estomizadas. Nesses momentos era possível identificar a importância dessa especialização de enfermagem nas ações de cuidado às pessoas envolvidas nesse processo. Os cursos de especialização para Enfermagem em Estomaterapia são ofertados, predominantemente, na região sudeste de nosso país, mas há profissionais especializados em várias regiões. Porém, ainda há uma deficiência da presença desses profissionais na maioria das instituições hospitalares 6. Tal fato também foi identificado, pois a enfermeira estomaterapeuta tinha feito sua especialização em São Paulo e por ser a única com essa complementação profissional em Santa Maria, prestava cuidados assistenciais nos hospitais do município e da região. Suas ações eram, principalmente, quanto à explicação sobre o encaminhamento até o Serviço de Assisistencia às Pessoas Estomizadas para realizarem o cadastro, a fim de receber os dispositivos e ter uma assistência multiprofissional. Este complemento na formação profissional possibilita um olhar diferenciado diante da assistência às pessoas que convivem com estomias, proporcionando um cuidado específico às necessidades que emergem desse novo modo de viver. Esta especialização é privativa do enfermeiro, tornando-o capacitado para desenvolver a demarcação do estoma, prescrever os cuidados ao estoma, dentre outros. Diante da diversidade de produtos ofertados à pessoa com estomia é imprescindível que o enfermeiro tenha conhecimento acerca das características dos equipamentos, tipo de estomia e hábitos de vida do paciente, a fim de indicar o dispositivo adequado 6. 3

4 Esse conhecimento era visível, pois a enfermeira estava em constante atualização, possibilitando que as informações fossem condizentes com a localização e formato da estomia de cada pessoa. Ainda, durante as consultas de enfermagem, eram realizados o exame da estomia e troca da bolsa coletora, auxiliando na escolha do dispositivo. Ressaltase que a pessoa com estomia tinha a autonomia na escolha das bolsas coletoras, pois ela identificava qual possuía melhor aderência e durabilidade, contribuindo na adaptação. Assim, compreende-se que o cuidado às pessoas com estomia, necessita estar fundamentado em ações integrais e individualizadas, para a identificação das necessidades, possibilitando uma ajuda profissional suficiente e adequada para a reabilitação desses indivíduos CONCLUSÃO Por mais que o campo de trabalho em estomaterapia seja novo e com poucos profissionais habilitados, já é possível identificar que o estomaterapeuta tem papel fundamental, pois proporciona melhor qualidade e resolutividade na assistência. Dessa forma, a atuação desses profissionais, torna-se diferenciada por possuírem uma especialização, e vivenciarem a realidade da confecção da estomia, auxiliando no enfrentamento desta nova fase. Além disso, as ações do estomaterapeuta ajudam na adaptação, reabilitação e aceitação da estomia, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida do indivíduo com estomia. REFERÊNCIAS 1 Gemelli LMG, Zago MMF. A interpretação do cuidado com o ostomizado na visão do enfermeiro: um estudo de caso. Revista Latino-americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v.10, n.1, p.34-40, ABRASO. Associação Brasileira de Ostomizados. Disponível em: < Acesso em: 12 set Santos VLCG, Paula CAD, Secoli SR Estomizado adulto no município de São Paulo: um estudo sobre o custo de equipamentos especializados. Revista Escola de Enfermagem USP, São Paulo, v.42, n.2, p , Silva AL, Shimizu HE. O significado da mudança no modo de vida da pessoa com estomia intestinal definitiva. Rev Latino-am Enfermagem. 2006; 14(4):

5 5 Brondani CM. Desafios de cuidadores familiares no contexto da internação familiar. Santa Maria: [s.n.], p. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Santa Maria. 6 Bezerra IM. Assistência de enfermagem ao estomizado intestinal: revisão integrativa de literatura. Ribeirão Preto: [s.n.], p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Enfermagem de Ribeirao Preto/USP. 7 Santos VLCG. Fundamentação teórico-metodológica da assistência aos ostomizados na área da saúde do adulto.rev.esc.enf.usp, v. 34, n. 1, p , mar

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