ANEXO B TERMO DE REFERÊNCIA. Declaração de trabalho, serviços e especificações

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1 ANEXO B TERMO DE REFERÊNCIA Declaração de trabalho, serviços e especificações A Contratada deverá executar o trabalho e realizar os serviços a seguir, indicados de acordo com as especificações e normas profissionais mencionados neste Apêndice B. NOTA: O Edital irá fornecer uma descrição geral dos serviços a serem prestados à Organização preparada pela Divisão Técnica. Licitantes, então, fornecerão sua própria proposta e metodologia para a realização das obras a serem executadas. A metodologia que ganhar ou proposta será então incorporado no Anexo I do contrato quando for finalizado. TERMO DE REFERÊNCIA Projeto GCP/BRA/080/EC assinado entre a FAO e o MMA PROJETO PACTO MUNICIPAL PARA A REDUÇÃO DO DESMATAMENTO NO MUNICÍPIO DE SÃO FÉLIX DO XINGU PA 1. ANTECEDENTES O Projeto Pacto Municipal para a Redução do Desmatamento foi estabelecido entre o Brasil e a União Europeia com o propósito de apoiar os esforços do Governo brasileiro para reduzir o desmatamento na Floresta Amazônica, em especial no Município de São Félix do Xingu, no Estado do Pará, com grandes áreas de florestas ameaçadas. O Projeto possui como principal marco de referência nacional o Plano de Ação para a Prevenção e o Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), lançado em Iniciado em 2011, o Projeto tem duração prevista de três anos ( ). O Ministério do Meio Ambiente (MMA) é o responsável nacional pela execução do projeto, em parceria com as secretarias de meio ambiente do Estado do Pará e do Município de São Félix do Xingu. A contribuição financeira da União Europeia é administrada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que opera em estreita articulação com o MMA. O objetivo geral do Projeto é contribuir para a redução do desmatamento na região Amazônica e para a diminuição das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. O objetivo específico é prover o Município de São Félix do Xingu (SFX), no Estado do Pará, de instrumentos adequados de gestão ambiental e territorial para controlar e monitorar o desmatamento. Os resultados esperados do Projeto são: 1) Pacto Municipal para a redução do desmatamento negociado e endossado pelos atores públicos, privados e da sociedade civil relevantes do Município; 2) Cadastro Ambiental Rural e mapeamento dos imóveis rurais do Município realizados e integrados ao sistema estadual de monitoramento e licenciamento ambiental; 3) Plano Municipal de Recuperação de Áreas Degradadas elaborado e endossado pelos atores públicos, privados e da sociedade civil relevantes do Município; e

2 4) Fortalecimento das capacidades técnicas e institucionais dos órgãos públicos operando no Município, para assegurarem, de forma mais eficiente e integrada, a gestão ambiental e territorial local. 2. JUSTIFICATIVA O Projeto Pacto Municipal para a Redução do Desmatamento apresenta, no seu componente 3, que compreende as ações voltadas ao Plano de Recuperação de Áreas Degradadas no município de São Félix do Xingu, prevê uma série de atividades de capacitação em práticas de produção sustentável e recuperação de áreas degradadas, como forma de criar um ambiente favorável à implementação do Plano e ampliar o conhecimento dos beneficiários em manejo dos recursos, práticas sustentáveis de produção, bem como de políticas públicas existentes para o fortalecimento da agricultura familiar. Podemos afirmar que nos últimos 10 anos vem sendo implantado um processo de inovação em políticas públicas para o meio rural brasileiro, como por exemplo: o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) que oferece diversas modalidades de financiamento da produção a toda a diversidade de categorias que compõem o público de agricultores familiares; a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER), que privilegia novos enfoques metodológicos e outro modelo tecnológico calcado nos ideais do desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões (social, cultural, econômica e ambiental); os dois programas que trabalham a inserção da agricultura familiar aos mercados institucionais, quais sejam, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) criando canais diretos de comercialização de produtos da agricultura familiar através de compras governamentais e oferecendo oportunidades de organização e qualificação da comercialização; o Plano Nacional de Produção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade e, mais recentemente, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, dentre outros. Em todas estas políticas públicas para a agricultura familiar, há componentes de estímulo à adoção de modelos de produção que buscam a sustentabilidade. Contudo, em debates que ocorrem regularmente na comissão local composta por diversas instituições que acompanham o Projeto em São Félix do Xingu, observa-se que neste momento atual, apesar da disponibilização de políticas públicas para a agricultura familiar, existe uma lacuna no preparo dos profissionais e lideranças sindicais e comunitárias ligadas diretamente ao assessoramento da produção, o que via de regra dificulta o acesso às políticas. Em outras palavras, além do conhecimento e domínio sobre as políticas públicas existentes, a situação exige a participação de técnicos com um novo perfil, ou seja, um perfil que permita a construção de uma visão de respeito e valorização dos diferentes sistemas culturais e ambientais. Para isto, é fundamental que os extensionistas possuam os conhecimentos e habilidades requeridos para a execução de ações compatíveis com esta nova abordagem para as atividades rurais. Esta abordagem deve ser mais abrangente e integradora, conhecedora rol de políticas públicas e que valorize os recursos endógenos, promovendo a integração da economia rural às diferentes redes de conexão com o meio e atividades externos. Estudos e depoimentos realizados por técnicos e dirigentes das instituições locais evidenciam que apesar do município de São Félix do Xingu possuir uma relativa capacidade operacional de assessoria técnica, se levarmos em conta a quantidade de instituições e recursos humanos que atuam na região, estes ainda possuem dificuldades tanto para construírem uma visão crítica ao modelo extensionista convencional, quanto para utilizarem novos enfoques metodológicos

3 e técnicas de assessoramento para a transição agroecológica. Esta formação é de fundamental importância para superar estilos de agriculturas que degradam os recursos naturais e poluem o meio ambiente, mas que ao mesmo tempo sejam atrativas e possam competir com alternativas convencionais de obtenção de renda. 3. OBJETO Capacitar técnicos, lideranças e agricultores familiares em agriculturas de base ecológica e em políticas públicas destinadas ao desenvolvimento sustentável da Agricultura Familiar. - Objetivos Específicos: 3.1. Trabalhar novos conceitos que permitam analisar os sistemas de produção sob uma perspectiva integral dos agroecossistemas e as inter-relações entre seus subsistemas, incluindo elementos da ética socioambiental e de base agroecológica; 3.2. Apresentar ferramentas metodológicas para delinear, avaliar e investigar agroecossistemas, tendo como pressuposto a sua sustentabilidade; 3.3. Entender os mecanismos de aplicação das principais políticas públicas disponíveis para o fortalecimento da agricultura familiar com enfoque agroecológico. 4. PÚBLICO O público prioritário deve ser constituído por: 4.1. Técnicos extensionistas de nível médio e superior das diversas áreas de formação (ciências agrárias, humanas e sociais) que atuem em campo com os agricultores familiares em São Félix do Xingu; 4.2. Lideranças locais, das associações, assentamentos rurais, cooperativas, unidades de conservação e organizações sociais da agricultura familiar da região; 4.3. Agricultores familiares que possuam interesse em participar e que possam ser animadores das atividades dos cursos nas comunidades rurais de onde são oriundos; 4.4. Educandos de escolas técnicas rurais da região e que possuam interesse e disponibilidade de atuarem como multiplicadores nas comunidades rurais da região. 5. METODOLOGIA DE TRABALHO E ATIVIDADES 5.1 As atividades primordiais são: Com base nas orientações deste termo de referência, elaborar plano de trabalho para execução do contrato contendo a descrição técnica metodológica que será desenvolvida,

4 apresentando a estrutura, conteúdo e metodologia do curso, bem como a proposta de monitoramento e acompanhamento técnico da execução das ações, inclusive com a descrição das aulas práticas; Construir os critérios e pré-requisitos que serão utilizados para a seleção dos interessados, de acordo com os objetivos deste termo de referência, metodologia e conteúdo propostos; Realizar a capacitação segundo o plano de aulas aprovado pela coordenação do Projeto; Elaborar e fornecer todo o material didático para os participantes do curso; Apresentar relatórios parciais e final, indicando os conteúdos ministrados, metodologia, resultados, anexando a lista de participantes e controle de presença; Fornecer certificados de conclusão aos participantes. 5.2 Metodologia A instituição interessada deverá descrever de forma detalhada a metodologia a ser adotada, que deverá observar, dentre outros, os seguintes aspectos: Adotar os princípios da alternância pedagógica, onde os períodos formativos podem se repartir entre o curso presencial e o meio sócio-profissional (empresa ou família/comunidade); Apresentar plano de formação interdisciplinar (plano de aulas), que descreva de antemão todos os conhecimentos técnico-científicos, temas, visitas de campo e as atividades necessárias à realização de cada etapa do processo de formação; Estimular processos, trabalhos ou pesquisas participativas, como forma de conectar a realidade onde os técnicos, lideranças, agricultores familiares, trabalham, vivem, moram e de conhecer a realidade socioeconômica e ambiental da região, assim estimulando o processo formativo; Apresentar atividades de vivência prática, tais como intercâmbios, visitas de estudo a experiências de agriculturas de base ecológica relevantes, ou mesmo implantação de projetos de pensados a partir dos conteúdos trabalhados em aula. 6. ESTRUTURA DO CURSO O curso de capacitação deverá totalizar pelo menos 220 horas, podendo durar até 8 (oito) meses) e conter basicamente os seguintes módulos e conteúdo mínimo: Eixo I: Desenvolvimento rural e da agricultura no Brasil e na Região Amazônica. 1. Análise socioeconômica e ambiental do desenvolvimento e da agricultura; 2. Agricultura familiar;

5 3. Estratégia de reprodução social e econômica da Agricultura Familiar na região. Eixo II: Princípios das agriculturas de base ecológica e do desenvolvimento rural sustentável. 1. Bases teóricas do desenvolvimento rural sustentável; 2. Introdução à Agroecologia e à transição agroecológica; 3. Princípios da agrobiodiversidade, recursos genéticos para alimentação e agricultura, sementes crioulas; 4. Dinâmicas biofísicas em agroecossistemas: utilização eficiente dos recursos, regulação e estabilidade biótica, proteção do solo, ciclagem de nutrientes e da água, estabilidade ambiental etc.. Eixo III: Manejo ecológico dos sistemas de produção agropecuários e agroextrativistas: animal e vegetal 1. Integração dos sistemas de produção; 2. Práticas de manejo vegetal e de produtos florestais não madeireiros; 3. Agroextrativismo: caracterização da atividade em nível regional; 4. Práticas de manejo animal; 5. Manejo ecológico de insetos, doenças e plantas espontâneas; Eixo IV: Construção do conhecimento agroecológico com enfoque na extensão rural 1. Abordagem contida na Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER - Lei , 11/01/2010): enfoques pedagógicos da extensão/comunicação; papel dos mediadores na construção do saber; diálogo de saberes; 2. Métodos e técnicas da pesquisa participativa; metodologias participativas na extensão rural; exercício de aplicação prática de ferramentas de diagnóstico rápido participativo (DRP); 3. Diálogo de saberes: apresentação de experiências de agricultores familiares da região e debate com os participantes do curso. Eixo V: Gestão e organização dos empreendimentos sociais 1. Princípios do Associativismo e cooperativismo. Noções de economia solidária;

6 2. Noções de elaboração de projetos produtivos para captação de recursos financeiros: acesso às linhas de financiamento (crédito) para empreendimentos associativos, em especialmente as linhas voltadas para o financiamento da produção agroecológica e produção orgânica, tendo também, como arcabouço de análise a recém lançada Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). Eixo VI: Políticas públicas para a agricultura familiar e legislação ambiental 1. Bases conceituais da política pública e o papel dos diferentes atores na construção das políticas públicas; 2. Assistência Técnica e Extensão Rural: PNATER (estrutura, funcionamento e acesso); 3. Acesso ao crédito: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Pronaf Sustentável, Seguro da Agricultura Familiar, Agroindústria familiar; 4. Acesso aos mercados: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Biodiversidade (PGPM - Bio, Lei /2008); 5. Lei da Agricultura Orgânica (Lei 6323/2003), com ênfase aos mecanismos participativos de garantia da qualidade orgânica para o acesso aos mercados (Organismos de Controle Social - OCS, Sistemas Participativos de Garantia e Certificação por Auditoria); 6. Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica; 7. Plano Nacional de Produção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade - PNPSB (Portaria Interministerial 239/2009); 8. Principais legislações de âmbito federal, estadual e municipal que possuem interface com o desenvolvimento e práticas da agricultura familiar; Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA). 7. PRODUTOS PRODUTO 1: Plano de Formação, que deverá conter: a descrição técnica metodológica e cientifica do curso de formação, plano de aulas com detalhamento do conteúdo dos módulos, duração (horas) dos módulos que deverá totalizar no mínimo 220 horas, das visitas em campo e das demais atividades, bem como a definição do material necessário e cronograma de execução para cada etapa do processo de formação. Prazo: 01 mês após a assinatura do Contrato. PRODUTO 2: Relatório técnico parcial 1, contendo as informações detalhadas sobre as disciplinas ministradas, participantes e os resultados alcançados até o momento. Anexar ao relatório técnico parcial 1 os documentos de apoio utilizados nas disciplinas ministradas. Prazo: 04 meses após a assinatura do Contrato.

7 PRODUTO 3: Relatório técnico parcial 2, contendo as informações detalhadas sobre as disciplinas ministradas, participantes e os resultados alcançados até o momento; Prazo: 07 meses após a assinatura do Contrato. Anexar ao relatório técnico parcial 2 os documentos de apoio utilizados nas disciplinas ministradas. PRODUTO 4: Relatório técnico final, consolidando as informações detalhadas sobre as disciplinas ministradas e os resultados alcançados, uma avaliação participativa do curso e perspectivas de aplicação prática em São Félix do Xingu, relatório sucinto da cerimônia e formatura, cópias dos certificados emitidos e controle de frequência. Juntamente com o relatório final também deve ser apresentado um manual sucinto, em meio digital, que deverá servir de material de apoio para os participantes do curso utilizarem em seu trabalho de extensão ou mesmo replicação. Prazo: 08 meses após a assinatura do Contrato. 8. PRAZOS E CRONOGRAMA DE DESEMBOLSO Produto Desembolso (%) Prazos Produto mês após a assinatura do contrato Produto meses após a assinatura do contrato Produto meses após a assinatura do contrato Produto meses após a assinatura do contrato 9. LOCAL DE TRABALHO Município de São Félix do Xingu no Estado do Pará 10. TEMPO DE DURAÇÃO DO CONTRATO 8 Meses, de Maio a dezembro de INSUMOS A SEREM FORNECIDOS PELO PROJETO - Apoio na identificação de atores e instituições relevantes; - Disponibilização de documentos e estudos de referência do Projeto Pacto Municipal para Redução do Desmatamento, bem como de outros estudos elaborados para a região.

8 12. TIPO DE CONTRATO Solicitação de Proposta (RFP Request for Proposal) 13. MONITORAMENTO DO CONTRATO Caberá à entidade executora nacional do Projeto de Cooperação Técnica UTF/BRA/080/BRA e ao Ministério do Meio Ambiente a responsabilidade pelo acompanhamento de todas as etapas das atividades realizadas pela instituição contratada, bem como a obtenção de quaisquer esclarecimentos julgados necessários relativos à execução dos trabalhos. A FAO fará a supervisão geral dos trabalhos com base na informação da contratada e da Direção do Projeto.

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