OS DIREITOS HUMANOS E A PENA DE MORTE

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1 OS DIREITOS HUMANOS E A PENA DE MORTE Ana Flavia JOLO 1 Sérgio Tibiriçá AMARAL 2 RESUMO: A Declaração Universal dos Direitos Humanos deu maior abertura a discussão sobre a Pena de Morte. Veremos o posicionamento de autores renomados a respeito do assunto para entendermos melhor o tema e tirar nossa própria conclusão. Palavras-chave: Direitos Humanos. Humanização das Penas. Pena de morte. 1 INTRODUÇÃO O presente artigo tem por objetivo tratar da Pena de Morte no seu relacionamento com os Direitos Humanos. Por ser um tema muito polêmico em nível mundial, pois é praticado até mesmo por democracias, é importante que os cidadãos saibam 1 Discente do 1º ano do curso de Direito das Faculdades Integradas Antonio Eufrásio de Toledo de Presidente Prudente. 2 Docente do curso de Direito das Faculdades Integradas Antonio Eufrásio de Toledo de Presidente Prudente. Doutorando em Sistema Constitucional de Garantias pela Instituição Toledo de Ensino ITE de Bauru. Mestre em Sistema Constitucional de Garantias pela ITE de Bauru e em Direito das Relações Sociais pela UNIMAR. Especialista em interesses difusos pela Escola Superior do Ministério Público-SP. Coordenador da Faculdade de Direito de Presidente Prudente / FDPP da Associação Educacional Toledo e professor titular da disciplina de Teoria Geral do Estado e Direito Internacional e Direitos Humanos da FDPP. Professor dos Cursos de Especialização da Pontífice Universidade Católica do Paraná-Londrina e professor-orientador da Universidade Estadual de Londrina-UEL. Orientador do trabalho.

2 o que é a Pena de Morte. No Brasil há discussão sobre a pena de morte, que é parte do núcleo imodificável. E também como e porque ela está totalmente contra a Declaração Universal dos Direitos do Homem e a visão dos grandes pensadores do direito a respeito do assunto. 2. Declaração Universal dos Direitos Humanos A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pelas Nações Unidas em 1948, foi de importância extraordinária na história da humanidade e continua sendo. Forneceu esperança a todos os oprimidos permitindo-lhes a manifestação de suas reivindicações e declarou que os direitos atingem o gênero humano. Propiciou base legislativa às lutas políticas pela liberdade nos Estados-membros da ONU e inspirou a maioria das Constituições nacionais na positivação dos direitos do homem. Lançou os alicerces de uma nova e rica disciplina jurídica, o Direito Internacional dos Direitos Humanos, descartando o critério da reciprocidade em favor de obrigações erga omnes. Instaurou parâmetros para a aferição da legitimidade de qualquer governo, substituindo a eficácia da força, pela força da ética. Mobilizou consciências para atuações solidárias, esboçando uma sociedade civil transcultural como possível embrião de uma verdadeira comunidade internacional. 3. A Pena de morte A Pena de Morte (ou pena capital) é uma sentença aplicada pelo Poder Judiciário que consiste em retirar legalmente a vida de uma pessoa que cometeu, ou é suspeita de ter cometido, um crime. Esse delito é considerado pelo Poder como suficientemente grave e justo de ser punido com a morte À favor No primeiro grande livro sobre as leis e sobre a Justiça da civilização ocidental: As Leis, de Platão estão as Nómoi, que reconhece que a pena deve ter a finalidade de tornar melhor ; mas aduz que, se se demonstrar que o delinqüente é incurável, a morte será para ele o menor dos males. Percebe-se, portanto, que a pena de morte foi considerada não só perfeitamente legitima, mas até mesmo natural, desde as origens de nossa civilização, bem como do fato de que aceitá-la como pena jamais constituiu um problema. Todavia, havia possibilidade de reabilitação.

3 Dois dos maiores filósofos do século XVIII, Kant e Hegel, defendem uma rigorosa teoria retributiva da pena e chegam à conclusão de que a pena de morte é até mesmo um dever. Para Kant a função da pena não é prevenir os delitos, mas simplesmente fazer justiça, fazer com que haja uma perfeita correspondência entre o crime e o castigo. ( Se ele matou, deve morrer ). Hegel afirma que o delinqüente não só deve ser punido com uma pena correspondente ao crime cometido, mas tem o direito de ser punido com a morte, já que somente a punição o resgata e é somente através dela que ele é reconhecido como ser racional.(aliás, ele é honrado, diz Hegel) 3.2. Contra Cesare Beccaria, autor da obra "Dos Delitos e Das penas", foi um dos maiores revolucionários do direito penal, principalmente no que diz respeito à execução das penas. Sua doutrina, por deter caráter mais humano, fundamentou diversos ordenamentos jurídicos além de estabelecer às penas proporcionalmente aos crimes. Qualquer tipo de abuso seria um afronto ao direito individual além de um retrocesso no campo penal. Esta é a posição de Beccaria: "Uma pena, para ser justa, precisa ter apenas o grau de rigor suficiente para afastar os homens da senda do crime. Ora, não existe homem que hesite entre o crime, apesar das vantagens que este enseje, e o risco de perder para sempre sua liberdade." (BECCARIA, Cesare. Dos Delitos e das Penas. p.54). Beccaria repudia a pena de morte por entender ser uma forma primitiva de punição. As penas possuem o caráter repressivo, preventivo e educacional. Com a pena capital, somente existiria o caráter repressivo. Além disso, não pode um estado, em que detém como o maior bem jurídico a vida, ser legitimo de retirá-las. A execução do criminoso faz com que o estado reflita o jus puniendi com o conseqüente cometimento de um crime. Sob esse entendimento, existe uma contradição nos ordenamentos jurídicos que adotam a pena de morte. Sabendo que a vida é o bem jurídico mais protegido de acordo com os artigos terceiro e quinto da Declaração Universal dos Direitos Humanos que dispõem respectivamente: Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Não haveria lógica adotar a pena capital e repudiar o suicídio. A visão distinta do mesmo bem jurídico ocasiona injustiça e insatisfação. Entretanto, existem alguns casos em que legitimam o estado a utilizar a pena de morte. Externando mais uma vez o pensamento de Beccaria este é o seu entendimento:

4 "A morte de um cidadão apenas pode ser considerada necessária por duas razões: nos instantes confusos em que a nação está na dependência de recuperar ou perder sua liberdade, nos períodos de confusão quando se substituem a lei pela desordem(...)."(beccaria, Cesare. Dos Delitos e Das Penas p. 52). Em sua obra A Era dos Direitos, Norberto Bobbio levanta indagações e tenta dar algumas respostas sobre a questão polêmica da pena de morte : "Porque o indivíduo tem o direito de matar em legítima defesa e a coletividade não o tem? Resposta: "A coletividade não tem esse direito porque a legítima defesa nasce e se justifica somente enquanto resposta imediata numa situação onde seja possível agir de outro modo.em outras palavras, a condenação a morte depois de um processo não é mais um homicídio em legitima defesa, mas um homicídio legal, legalizado, perpetrado a sangue frio, premeditado. Bobbio afirma também que O Estado não pode colocar-se no plano do indivíduo singular.o indivíduo age por raiva, por paixão, por interesse, em defesa própria. O Estado responde de modo mediato, reflexivo, racional. Também ele tem o dever de se defender. Mas é muito mais forte que o indivíduo singular e, por isso não tem necessidade de tirar a vida desse indivíduo para defender-se. Além disso acredita que a abolição da pena de morte será um sinal indiscutível do progresso moral. Também se mostram contrários a pena de morte: Leon Tolstoi afirmando "Quando vi a cabeça separar-se do tronco do condenado, caindo com sinistro ruído no cesto, compreendi, e não apenas com a razão, mas com todo o meu ser, que nenhuma teoria pode justificar tal ato." Marquês de Lafayette quando diz que pedirá a abolição da pena de morte enquanto não lhe provarem a infalibilidade dos juízos humanos. E Mahatma Gandhi ao afirmar que a pena de morte é um símbolo de terror e nesta medida, uma confissão da debilidade do Estado. 4. CONCLUSÃO No Brasil, parte da imprensa se diz favorável à pena de morte. Pessoas da população preocupadas com a violência pedem o dispositivo, que é vedado pela Lei Maior. A conclusão, não apenas para o Brasil, dentro do que preconiza o filósofo italiano Norberto Bobbio na obra A Era dos Direitos há um progresso moral da humanidade, que deixou a barbárie e vai buscar a efetivação dos direitos do homem. Como muitos dos pensadores demonstraram, a pena capital é contra todos os princípios universais do direito e viola a dignidade do ser humano, que é um supra princípio. Não se trata apenas de uma construção cristã, mas de uma luta pelos direitos humanos. Sua violação não combate a

5 violência, ao contrário. O que impede a violência é a certeza da punição, mas dentro de parâmetros preconizados pela sociedade democrática REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Nações Unidas. Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948). BECCARIA, Cesare. Dos Delitos e das Penas. Editora: Martin Claret, 2ª edição. BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. Editora: Campus, 15ª Tiragem. COMPARATO, Fábio Konder. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. São Paulo: Editora Saraiva, 4a. edição, 2005 PLATÃO. As Leis. Editora: Edipro, 1ª edição KANT, Immanuel. HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich.

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