CPFL ENERGIAS RENOVÁVEIS S.A. CONTRIBUIÇÃO AO PROCESSO DE. CONSULTA PÚBLICA n o 007/2013

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1 CPFL ENERGIAS RENOVÁVEIS S.A. CONTRIBUIÇÃO AO PROCESSO DE CONSULTA PÚBLICA n o 007/2013 OBTER SUBSÍDIOS PARA ESTABELECER CONDIÇÕES E PROCEDIMENTOS PARA EMISSÃO DE OUTORGAS DE AUTORIZAÇÃO PARA IMPLANTAÇÃO E EXPLORAÇÃO DE CENTRAIS GERADORAS FOTOVOLTAICAS, BEM COMO PARA REGISTRO DAQUELAS JÁ IMPLANTADAS COM CAPACIDADE INSTALADA REDUZIDA. 21 de maio de 2013

2 A CPFL Renováveis, na qualidade de empresa produtora independente de energia, com foco exclusivo no mercado brasileiro de geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis, vem, por meio desta, expor suas contribuições acerca da Consulta Pública 007/2013. Assim, são apresentadas abaixo as respostas para as perguntas formuladas pela Nota Técnica que propôs a abertura da Consulta Pública em tela. A) CARACTERIZAÇÃO DA CENTRAL GERADORA FOTOVOLTAICA. A1. Como se pode caracterizar uma unidade geradora em uma central solar fotovoltaica? Poderia ser definido como o arranjo de módulos conectados a um inversor de frequência, ou haveria uma outra alternativa? Usinas solar fotovoltaicas (USF) de maior porte, que são o alvo da outorga pela ANEEL, possuem a seguinte estrutura elétrica interna: Similar a um parque eólico o parque possui uma rede média tensão interna de distribuição que interliga diversas subestações (SEs) unitárias de 0,5 a 2 MW com a subestação de conexão. Cada uma das SE unitárias é composta por: o 1 transformador elevador o 1-2 inversores o 1 arranjo fotovoltaico associado a cada inversor o Um número grande de mesas fotovoltaicas providenciando suporte a dezenas a centenas de módulos fotovoltaicos A área de módulos e espaço físico necessário para certa potência de inversores varia com a tecnologia de módulos e é sujeito a alterações devido ganhos de eficiência tecnológica. O porte das SEs unitárias é definido pela potência dos inversores e o número de inversores. É prática ter a potência dos módulos de uma arranjo cerca de 15% - 20% superior à potencia do inversor para compensar a perda de eficiência do módulos por temperatura e as perdas de conversão do inversor. A potência máxima dos inversores é sujeita ao progresso tecnológico e varia de fabricante para fabricante. Diferente de um parque eólico, uma alteração na dimensão das SE unitárias quase não interfere na disposição física das mesas fotovoltaicas na USF. A definição final da configuração das SE unitárias geralmente é feita na fase do projeto executivo. Devido a essa flexibilidade na escolha do porte do inversor, das mesas fotovoltaicas e potência de módulos, essas variáveis não influenciam significativamente no layout da planta fotovoltaica. Consequentemente não devem ser usados para caracterizar a USF.

3 Recomendamos que a caraterização da USF na Outorga concedida pela ANEEL seja norteada pelas informações abaixo, buscando determinar suas caraterísticas elétricas e físicas: Área total ocupada pela USF Potência máxima elétrica injetada no ponto de conexão Fator de capacidade relacionado à potência máxima injetada Degradação prevista para este fator de capacidade Tipo de montagem dos módulos: fixo, rastreado em 1 ou 2 eixos A2. Como melhor se caracteriza a potência instalada de uma unidade geradora? Seria a potência do inversor, a potência de pico das placas, ou a menor entre as duas? A definição pela potência dos módulos fotovoltaicos (Wp ensaiado nas condições STC) referese às condições de laboratório, quase nunca observadas fielmente em campo. Tipicamente se aplica um fator de redução de 15 20% para a potência real que os módulos FV providenciam em campo. A definição pela potência nominal dos inversores aparenta ser mais apropriada. No entanto há que se observar que os fabricantes definem este valor de modo diferente. Para alguns este valor refere-se à potência máxima do inversor, para outros a uma potência em que o inversor pode operar durante certo tempo. Logo, deve-se estabelecer um padrão para esta definição, De posse destas observações, recomendamos o uso da potência nominal dos inversores. A3. Qual o tempo médio de construção/implantação de uma central geradora solar fotovoltaica? USF são caraterizadas pela sua modularidade. Dessa forma mesmo grandes empreendimentos podem ser construídos em poucos meses. Entretanto no Brasil ainda não há uma indústria madura o suficiente entregar projetos de grande porte em curtos espaços de tempo. Apesar disso a subestação e o sistema de transmissão associado à USF será o grande limitante no prazo de construção. Desta forma consideramos que o prazo para construção de grandes empreendimentos (acima de 100 MWp) é de aproximadamente 18 meses após a emissão de licença de instalação. A4. Além da medição elétrica para fins de contrato de conexão e comercialização de energia, dos sistemas de controle e supervisão e dos sistemas e serviços auxiliares,

4 quais outros fatores não podem ser compartilhados por empreendimentos distintos para garantir que cada uma das usinas opere de forma independente? Não existem outros fatores. Ressaltamos ainda que para fins de otimização de recursos, poderia ser considerado a possibilidade de compartilhamento do sistema SCADA dos sistemas de controle e supervisão de usinas adjacentes. Logo, sugerimos apenas 2 fatores que não poderiam ser compartilhados: medição de faturamento e sistema de serviços auxiliares. B) REQUISITOS PARA AUTORIZAÇÃO PARA EXPLORAÇÃO DE CENTRAIS GERADORAS FOTOVOLTAICAS. B1. Qual o período de medição de dados solarimétricos necessário e suficiente para se estimar com segurança a produção anual de energia elétrica de um empreendimento fotovoltaico, de forma que a incerteza dessa estimativa não comprometa o montante de energia a ser comercializado? Existem as seguintes principais fontes de dados solarimétricos no Brasil cobrindo todo território nacional: Atlas INPE-SWERA publico: resolução espacial 30x30 km, precisão de tipicamente 9% Atlas da NASA-SSE publico: resolução espacial 110x110 km, precisão de cerca 11% Banco de dados da 3 Tier comercial: resolução espacial 3x3 km, precisão de tipicamente 3% Banco de dados SOLARGIS comercial: 250 x 250 metros, precisão de 2 7% Meteonorm 7 software comercial: resolução espacial 30x30 km, precisão de 5% Estima-se a variação do recurso solar (similar à região mediterrânea) em no máximo +/- 4% ao ano. Usando estes dados disponíveis podem-se alcançar valores da geração de P90/P50 de tipicamente 90% e P90/P75 de 95% sendo que a incerteza do valor da irradiância global no plano horizontal (Global Horizontal Irradiance GHI) contribui com 25 a 30% da incerteza total. A redução da incerteza relacionada ao valor de GHI por medição no local não terá um impacto significativo para a redução da incerteza total.

5 B2. Tendo em vista a incipiência das medições de irradiância solar para fins de geração de energia no País, seria viável permitir, temporariamente, que os empreendimentos com apenas um ano de medição sejam outorgados? Esse tipo de permissão incentivaria o crescimento dessa fonte no Brasil? Autorizar empreendimentos com esse tempo reduzido de medição oferece riscos de comprometer os eventuais contratos de comercialização de energia desses agentes pioneiros? Entendemos que outorgar temporariamente empreendimentos com um ano de medição é viável, incentivaria o crescimento da fonte no país não oferece riscos de comprometer contratos de comercialização de energia conforme explicitado no item B1. B3. Quais seriam os principais marcos em um cronograma de implantação de uma central geradora fotovoltaica que precisam ser observados pelo órgão regulador? Por tratar-se de um sistema modular os marcos devem obedecer percentuais de instalação de estruturas, painéis, rede de média, inversores, subestação elevadora, inicio de operação em teste e operação comercial. B4. De uma forma geral, haveria necessidade de alguma adequação nos Procedimentos de Rede e/ou PRODIST para atendimento dos requisitos necessários a conexão à rede elétrica? Sim, principalmente na interface de controle para o fornecimento de potência reativa. B5. Considerando-se os principais tipos de células fotovoltaicas e as tecnologias de rastreamento e concentração, haveria necessidade de algum tratamento especial para os diversos arranjos no âmbito regulatório? Entendemos que os projetos fotovoltaicos e de concentração deveriam ter tratamentos diferenciados. As usinas com uso de tecnologia de rastreamento e concentração podem ter uma regulamentação mais próxima daquela aplicada para UTEs a biomassa.

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