APLICAÇÃO CORRETA: EFICIÊNCIA, PRODUTIVIDADE E BAIXO CUSTO EM CULTURAS AGRÍCOLAS. José Maria Fernandes dos Santos

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1 APLICAÇÃO CORRETA: EFICIÊNCIA, PRODUTIVIDADE E BAIXO CUSTO EM CULTURAS AGRÍCOLAS. José Maria Fernandes dos Santos Instituto Biológico, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal. Av. Cons. Rodrigues Alves, 1252, CEP , São Paulo, SP, Brasil. Fone: (11) , Introdução O uso de produtos agroquímicos e sua efetividade sobre o alvo desejado, principalmente os agrotóxicos, está condicionado a uma série de fatores, os quais deverão ser equilibrados tanto no aspecto do planejamento de uso como operacional. O aspecto de uso se concentra mais nas características do produto a ser empregado como: formulação, modo de ação e toxicologia. Já no aspecto operacional, podemos considerar: manipulação e diluição do mesmo, uso de misturas com outros produtos, tipo e ajuste do equipamento de aplicação, condições da cultura e ambiente para sua utilização, dose a ser usada e monitoramento desde a escolha do produto até sua utilização. Nas culturas de cana de açúcar e milho a competição das plantas invasoras durante a fase de desenvolvimento daquelas culturas, se torna bastante crítica, reduzindo de maneira bastante acentuada a produtividade final. Por este motivo o uso de herbicidas tanto de pré emergência como de pós emergência se apresenta em valores bastante altos, favorecido pela extensão ou dimensões das áreas implantadas com aquelas duas culturas. Por outro lado, o uso dos mais diversos equipamentos como: pulverizadores costais, tratorizados e aeronaves agrícolas se torna imprescindível e realmente necessário. Conceitos, preconceitos e paradigmas, entretanto, na grande maioria dos casos concorrem para que muitos erros e frustrações se tornem freqüentes em algumas regiões, principalmente nos minifúndios ou áreas novas de plantio no que tange principalmente à cultura do milho e em muito menor escala nos plantios ou áreas de cana de açúcar já que nestes, contam com um corpo técnico bastante especializado e atuante. Por outro lado, conceituações e porque não afirmar, paradigmas e comportamentos tradicionais, concorrem para que o produtor ou usuário dos defensivos agrícolas venham a obter cada vez mais insucessos ou maus resultados nos seus intentos e pulverizações, definindo estes resultados como conseqüência da ineficiência ou qualidade do produto aplicado, esquecendo com isto, que a falta de contato ou deposição do produto com o alvo desejado, é função direta do tamanho e densidade das gotas. Acreditando que um aumento cada vez maior no volume aplicado, ou uso de pressões excessivas, facilitam ou favorecem a eficiência dos produtos 41

2 aplicados, esquece ou não quer ver o desperdício resultante pelo escorrimento do excesso de líquido ou evaporação das gotas finas geradas por estes erros. As conceituações ou efeitos acima ocasionam: Escorrimento excessivo do produto a ser aplicado e retido pelas partes vegetais da cultura; Uso de doses do produto cada vez maiores, como compensação das perdas; Aumento do número de pulverizações, com maior deslocamentos de máquinas e pessoas pela lavoura, concorrendo para a maior disseminação dos agentes fitopatológicos; Baixo rendimento dos equipamentos com desgaste maior e prematuro dos componentes dos pulverizadores; Controle dos problemas (insetos, ácaros, doenças e plantas invasoras) ineficientes; Custos de produção mais altos; De todo o exposto acima, podemos assegurar que o fator causal fundamental se resume na falta de conhecimentos básicos e fundamentais da Tecnologia de Aplicação e do funcionamento dos equipamentos de pulverização, por parte dos técnicos, produtores e usuários, associada a uma inércia na exigência pelos consumidores de responsabilidades técnicas e de resultados, por parte das empresas de pulverizadores, em treinamentos e capacitação de operadores em benefício dos usuários. Aspectos físicos da deposição das gotas As gotas de pulverização, são geradas e liberadas pelos bicos de pulverização. Este processo resulta da explosão rápida e violenta de um fluxo líquido sob pressão através de um orifício calibrado, gerando uma grande quantidade gotas de diâmetros variados, pesos diferenciados e trajetórias e velocidades diferentes entre si, sob maior ou menor influência das condições meteorológicos ambientais, refletindo-se em uma maior ou menor coleta das gotas pelo alvo a ser atingido. Por outro lado, a situação, dimensões ou posição deste mesmo alvo, poderá ou não facilitar a deposição das gotas em superfícies imediatamente abaixo do ponto de geração ou serem desviadas a grandes distâncias ou desaparecerem completamente. No processo final é desejado que as gotas se depositem em qualidade e quantidade pré definidas e eficientes. Entretanto, como tem comportamento diferente e sob as condições climáticas e de comportamento aerodinâmicos, se depositarão em camadas principalmente no interior das plantas, como explicaremos a seguir baseados na Figura 1. Correntes de ar circulando por entre os componentes vegetais das plantas, apresentarão direcionamentos e intensidades diferentes do topo até a base das plantas. Saturando-se através da pulverização, estas correntes de vento, com uma quantidade muito grande de gotas de diferentes diâmetros e pesos, poderemos observar que: 42

3 As gotas grossas, com maior peso e inércia, não terão condições de se desviarem das superfícies de impacto (folhas mais externas das plantas) e acompanharem o desvio das correntes de ar, depositando-se por isto, sobre aquelas superfícies ou externamente às plantas. Fig. 1 Representação gráfica do direcionamento e deposição das gotas de pulverização sobre um alvo. De outro modo, as gotas médias e finas, com menor peso e inércia, acompanharão os desvios das correntes de ar, contornando as bordas das superfícies de impacto. À medida que as correntes de ar perdem velocidade e intensidade ao se chocarem e se desviarem das folhas, ramos e frutos das plantas, as gotas arrastadas, apresentam maior dificuldade de arraste, tendendo a se depositarem sobre as novas superfícies de impacto. As gotas mais leves, continuarão o processo até o momento em que seu peso e velocidade sejam maiores que a força de arraste das correntes de ar e se depositem nas superfícies próximas. Todo este processo serve para que se entender que a deposição das gotas sobre as superfícies vegetais é uma conseqüência do processo denominado em Tecnologia de Aplicação de deposição por sedimentação, na qual as gotas maiores e mais pesadas se depositarão no topo e próximo a este. A medida que as gotas tornem-se mais leves, se depositarão sucessivamente nas camadas mais abaixo, podendo atingir o solo. O impacto balístico direto, como tradicionalmente ou conceitualmente é considerado se mostra ineficiente, inadequado e prejudicial à deposição adequada das gotas. Quanto maior é a velocidade de deslocamento das gotas, deposições inadequadas e maiores perdas são obtidas, já que uma gota pesada e com grande velocidade de impacto tende a ricochetear sobre uma superfície, se dividir e se perder parcialmente. No caso de gotas grossas o risco de perdas é maior já que estas se juntarão e causarão escorrimentos sobre as folhas. Efeitos para que a velocidade terminal ou direcionamento das gotas sejam aceleradas, como o uso de fluxos ou correntes de ar, com equipamentos terrestres, ou vôos muito baixos, próximo à cultura ou solo, com aeronaves agrícolas, ao contrario de melhorar a penetração ou deposição das gotas internamente às plantas, produz o efeito inverso, pois estas gotas, chocandose com os obstáculos naturais da cultura (folhas, ramos, flores e frutos) e mesmo o solo, serão fracionadas em gotas menores e direcionadas em diferentes sentidos, prejudicando grandemente a sua uniformidade de deposição homogênea e adequada. O processo acima descrito é contínuo e constante para todo tipo de pulverização ou aplicação de partículas sólidas ou líquidas. Sendo fácil 43

4 através disto, obtermos a deposição de qualquer agroquímico, dentro ou nas partes mais internas de uma planta ou cultura, bem como: determinar quanto tempo poderemos manter as gotas de pulverização em suspensão ou carregadas pelas correntes de ar (deriva); avaliar adequadamente o tipo de bico ou ponta de pulverização, que nos produzirá o tamanho de gota definido em função das dimensões, posições e forma do alvo a ser atingido; local adequado para a deposição e densidade de gotas desejados mais internamente à cultura. Para se obter a melhor deposição e atingir adequadamente um alvo como insetos, ácaros e doenças ou plantas que se localizem internamente à cultura ou plantas invasoras e infestantes de diferentes alturas, é necessário que se produzam através dos bicos do equipamento de pulverização uma quantidade bastante alta de gotas finas e homogêneas, que apresentem uma flutuabilidade (deriva) adequada às condições climáticas locais. NOTA: A denominação aqui referenciada de gotas finas, relaciona-se ao diâmetro da gota obtido sobre o alvo de deposição e não da gota gerada à saída do orifício do bico de pulverização utilizado no pulverizador. No Quadro I, temos os diferentes parâmetros práticos que deverão ser observados para aplicação dos mais diferentes tipos de defensivos. Considerar sempre de maior importância, o número de gotas obtidas uniformemente e adequadas para o controle dos alvos biológicos sobre as superfícies aplicadas. Quadro 1 - Parâmetros práticos recomendados para a aplicação com defensivos. Produto Herbicidas Recomendação Pré-emergência Pós-emergência Plantio direto Aplicação Gotas grossas: for- Gotas finas a mé- Gotas grossas. mar uma espécie dias: produzir uma de filme prote- população muitor sobre o solo to densa de gotas visando o envolvimento da cultura. Diâmetro da DMV µ DMV µ DMV µ gota Número de Mínimo de 20 gotas Ação de contato: 40 Mínimo de 20 gotas gotas/cm 2-70 gotas Ação sistêmica: gotas Bico Jato plano (leque) Bico jato cônico vazio. Jato plano (leque) recomendado com ângulo de 80 Restrições ao uso de com ângulo de 80. Não utilizar bicos bicos rotativos. Não utilizar bicos de de jato cônico. jato cônicos ou ro- Não utilizar bicos rotativos rotativos 44

5 Volume de aplicação (c) terrestres: 150 a 300 L/ha 100 a 200 L/ha 100 a 200 L/ha aeronaves: L/ha L/ha L/ha frutíferas: 150 a 300 L/ha 100 a 200 L/ha 100 a 200 L/ha Pressão de (c, d) trabalho terrestres: 15 a 45 psi 60 a 100 psi 15 a 30 psi (100 a 300 kpa) (a) (400 a 666 kpa) (100/200 kpa) aeronaves: 15 a 30 psi (100 a 200 kpa) frutíferas: 15 a 45 psi 60 a 100 psi (100 a 300 kpa)5 (400 a 666 kpa) Produto Inseticidas Fungicidas (B) Recomendação Contato/Ingestão Sistêmico Protetivo Sistêmico Aplicação Gotas finas a médias. Obter uma Gotas finas a médias. Obter deposição e densidade de gotas a uma deposição e densidade mais uniforme possível nas par- de gotas a mais uniforme tes vegetais ativas das plantas 45 possível nas partes vegetais ativas das plantas Diâmetro da gota DMV µ DMV DMV µ 120 µ Número de gotas gotas gotas gotas /cm 2 Bico recomendado Bicos de jato cônico vazio, com ponta e difusor adequados Bicos rotativos podem ser utilizados desde que o volume aplicado não ocasione saturação do equipamento (b) Não são recomendados o uso de bicos de jato plano (leque) Volume de aplicação (c) terrestre: 60 a 200 L/ha 80 a 200 L/ha aeronaves: L/ha L/ha frutíferas: 400 a 800 L/ha 400 a 800 L/ha Pressão de trabalho terrestre: aeronaves: frutíferas: ( c, d) 80 a 100 psi (533 a 666 kpa) (a) psi ( kpa) 80 a 100 psi (533 a 666 kpa) Autor: Eng.º Agr.º José Maria Fernandes dos Santos a - kpa (quilo Pascal). 100 kpa = 15 psi = 1 bar = 1 kg/cm 2. b - Observar o tipo de translocação ou sistemia do produto a fim de adaptar o modo e local da aplicação, deposição e diâmetro das gotas. Posição e tipo do alvo, densidade da copa e área a ser atingida pelo produto, devem ser consideradas localmente. c - Deverão ser obedecidas as recomendações indicadas de acordo com a ponta de pulverização a ser usada. d - Os valores referidos são funções diretas: do orifício do bico, pressão,

6 volume de aplicação, viscosidade e densidade da formulação, bem como às observações e coletas efetuadas no alvo a ser atingido e não ao diâmetro da gota liberado pelo bico de pulverização. Nota: Os valores aqui referenciados dizem respeito as recomendações gerais, sendo necessário seus ajustes para cada tipo ou formulação de produtos, já que os volumes, densidade e viscosidade dos mesmos não são idênticos para todos os defensivos agrícolas. Sem a correção adequada das gotas, para permanecerem o mínimo possível em suspensão no ar até atingir o alvo desejado e em pulverizações efetuadas sob condições de calmaria total, ocorrerão na pratica perdas totais ou parciais das gotas e da pulverização, insuficiência nos efeitos do produto, implicando reaplicações e aumento do número de pulverizações. Por outro lado, uma população de gotas muito grossas, apesar de caírem imediatamente, com pouca ou nenhuma perda por deriva, irá ocasionar uma deposição de saturação nas superfícies das plantas, causando perdas por escorrimentos baixa ou nenhuma deposição sobre alvos situados internamente às plantas (exceto aplicações de agroquímicos sobre o solo limpo). Quaisquer das condições acima expostas às conseqüências negativas finais serão: perdas de produto, tempo, dinheiro e riscos graves de poluição ambiental ou contaminações de pessoas e animais. Normalmente as gotas mais finas, são conseqüência de aplicações com bicos de orifícios finos e volumes de aplicação reduzidos, sob pressões altas. Inversamente, bicos de orifícios maiores, volumes altos e pressões baixas, têm a tendência de gerarem gotas maiores. Aspectos críticos na aplicação de defensivos agrícolas O desenvolvimento das formulações de defensivos agrícolas mais sofisticados, aliado às recomendações baixas doses por unidade área, exige cada vez mais conhecimentos da Tecnologia de Aplicação, essenciais para que sejam alcançados os efeitos desejados, sem riscos ao meio ambiente. À luz dos conceitos, preconceitos e paradigmas que regem o modo como os defensivos agrícolas são pulverizados e aplicados, resultando em controles insuficientes e até mesmo fracassos, as novas formulações e doses comprovadamente eficientes, são imediatamente interpretadas freqüentemente como ineficientes ou uma tolerância e resistência biológicas dos alvos visados, aos resultados observados destes mesmos produtos, após a pulverização. Em muitas destas situações, efetuando-se calibrações e ajustes adequados dos parâmetros de aplicação, compatíveis às condições climáticas locais da cultura, posição do alvo, volumes de aplicação, pressão de trabalho e tipo de bico, de maneira genérica, temos respostas de eficiência no controle em mais de 95 % das situações de campo. 46

7 O sucesso ou fracasso de uma aplicação de agroquímicos é centrada de modo geral na ponta utilizada no bico de pulverização do equipamento. Tecnicamente, qualquer que seja o bico de pulverização, deverá atender adequadamente a três condições: Definir corretamente o volume a ser aplicado; Gerar as gotas de maneira mais homogênea e uniforme; Distribuir as gotas uniformemente sobre o alvo desejado. Do mesmo modo a Tecnologia de Aplicação faz a distinção entre bico e ponta de pulverização: Bico: conjunto completo composto de corpo, capa, filtro, ponta ou ponta e difusor, fixado ou em uso em qualquer que seja o equipamento de pulverização utilizado ou referenciado. Ponta: componente simples ou composto do bico de pulverização, os quais definirão o volume, padrão e distribuição das gotas de pulverização geradas. Neste trabalho de maneira geral estaremos sempre citando o termo bico de pulverização como o conjunto completo, considerando-se a utilização dos bicos hidráulicos ou aqueles em que a geração e distribuição das gotas são resultantes da pressão hidráulica produzida por uma bomba, impulsionando um fluxo líquido através de um orifício específico e calibrado. Ao referenciarmos o termo ponta, estamos considerando apenas o componente final do bico e responsável direto pela transformação de um volume líquido definido, em um jato ou gotas. Para o estudo e compreensão disto, sob o ponto de vista didático, classificaremos a população de gotas geradas pelos bicos de pulverização em: gotas grossas: possuem maior pêso e inércia, sofrendo menores desvios em sua trajetória. Se depositarão rapidamente na superfície do solo ou nas partes mais externas das plantas. Ideais para as aplicações de herbicidas de préemergência onde a formação de um filme contínuo do produto é necessário ou produtos com alto grau de volatilidade; gotas médias e finas: com menor peso e inércia do que as gotas grossas, têm possibilidades de acompanharem por mais tempo as correntes de ar circundante às partes das plantas, inclusive posteriormente às faces das folhas, ramos, galhos, tronco e frutos. São adequadas para aplicações onde a penetração e envolvimento das plantas é desejado e necessário, como nas aplicações de herbicidas de pós emergência, inseticidas, fungicidas, maturadores, fitorreguladores e nutrientes foliares; gotas extra finas: com pouco peso e inércia podem permanecer mais tempo em suspensão e arrastadas pelas correntes aéreas circundantes às partes das plantas, sendo ideais para as mesmas condições das gotas médias, mas principalmente onde se deseje obter uma penetração mais profunda ou em plantas com maior densidade de folhas ou alvos mais escondidos. De maneira geral e sob o ponto de vista técnico, devemos sempre considerar que uma aplicação é ideal, quando conseguimos obter sobre o alvo de deposição desejado, uma população de gotas finas bastante densa e bem distribuída. 47

8 Considerando-se os alvos sobre os quais deverão ser depositadas as gotas geradas por um pulverizador, a Tecnologia de Aplicação, analisa e classifica o processo de pulverização de duas maneiras: Aplicação em pré-emergência; Aplicação em pós-emergência. Aplicação de pré-emergência: deposição das gotas em uma superfície plana, na qual o objetivo é distribuir a dose de agroquímicos específicos nesta superfície, como uma película uniforme e o mais contínua possível, visando o controle de alvos biológicos indesejados. Ex.: herbicidas em pré emergência e defensivos líquidos ou sólidos em sulcos ou sobre o solo; Aplicação de pós-emergência: distribuição da dose de agroquímicos específicos, em qualidade e quantidade de gotas, visando a sua deposição internamente e sobre as plantas, para o controle de alvos biológicos indesejados. Ex.: herbicidas de pós emergência, inseticidas, fungicidas, fertilizantes líquidos, fitoreguladores e dessecantes. Os parâmetros críticos, responsáveis diretos pelos sucessos ou fracassos na aplicação de agroquímicos são: Tipos/qualidade dos bicos de pulverização; Volume de calda de aplicação; Altura distância das barras/bicos do alvo de deposição; Velocidade de aplicação; Faixa de deposição; Condições climáticas. Tipos e qualidade dos bicos de pulverização Qualquer que seja o pulverizador a ser utilizado, independente deste ser antigo ou moderno, simples ou sofisticados, transportados ou acionados manualmente, ou por animais, trator e aeronaves, o bico de pulverização é a sua parte mais importante e em contrapartida a mais negligenciada e poucas vezes corretamente avaliado em relação à quantidade aplicada por área ou por minuto, distribuição homogênea e adequada das gotas produzidas sobre o alvo desejado e as condições climáticas locais. A grande variedade de bicos e pontas de pulverização, disponíveis no mercado em relação ao tipo e diâmetro dos orifícios, permite a pulverização e a aplicação de diferentes volumes e padrões de gotas. Entretanto, o pouco conhecimento dos fundamentos da Tecnologia de Aplicação moderna e eficiente e a grande influência de conceitos tradicionais e arraigados entre usuários e técnicos, são responsáveis na grande maioria dos casos pelos insucessos, ou baixa eficiência dos defensivos agrícolas, nos mais diferentes tipos de cultivos, regiões agrícolas e do alvo desejado. Classificam-se os bicos para as aplicações de defensivos agrícolas, de acordo com a forma do jato produzido e o padrão das gotas, em: bicos de jato plano (leque); bicos de jato cônico vazio. 48

9 NOTA: Bicos de jato cônico cheio, não serão considerados neste trabalho, pois, as suas características não satisfazem os princípios básicos da geração, distribuição e deposição de gotas, concorrendo para desperdícios, baixa penetração de gotas na folhagem das culturas e custos finais mais elevados, quando comparados aos bicos descritos a seguir. Pontas de jato plano possuem a maior quantidade e variedade de tipos do que pontas de jato cônico vazio. A diversidade das pontas de jato plano baseia-se na amplitude do ângulo e da faixa de deposição do bico, possibilitando que aquelas possam operar mais próximo do solo. Nas pulverizações dos defensivos agrícolas, deverão ser utilizados bicos de pulverização com pontas que produzam gotas as mais homogêneas possíveis e apresentem quando em operação uma distribuição uniforme e precisa do volume escolhido ou desejado. Bicos de pulverização com pontas desgastadas, irregulares ou inadequadas, são responsáveis por perdas de produto e da pulverização em até mais de 50 %, ocasionando gastos em reaplicações, descrédito do produto, falsos conceitos ou conclusões de resistência das plantas ao produto além da poluição e agressões ao meio ambiente. Aplicações em pré emergência Bicos de jato plano (leque) A deposição das gotas sobre uma superfície plana como o solo, de maneira a se distribuir o defensivo formando uma espécie de filme protetor, sem interferência ou bloqueio (efeito guarda chuva ) por partes de plantas, caracteriza as aplicações dos herbicidas de pré-emergência. Para estes tipos de aplicações, são desejáveis a geração de gotas maiores e bicos de pulverização que apresentem uma faixa de deposição mais larga e a projeção das gotas em forma de cortina ou jato plano. Classificam-se neste segmento os bicos ou pontas de pulverização denominados de jato plano, anteriormente conhecidos como jato leque. Esses tipos de bicos, devido a forma do orifício de saída e ter uma ponta mecanicamente simples, produzirão gotas mais grossas e em menor quantidade do que as produzidas pelos bicos de jato cônico vazio. A deposição das gotas sobre uma superfície plana como o solo, de maneira a se distribuir o defensivo formando uma espécie de filme protetor, sem interferência ou bloqueio (efeito guarda chuva ) por partes de plantas, caracteriza as aplicações dos herbicidas de pré-emergência. Para estes tipos de aplicações, são desejáveis a geração de gotas maiores e bicos de pulverização que apresentem uma faixa de deposição mais larga e a projeção das gotas em forma de cortina ou jato plano. Classificam-se neste segmento os bicos ou pontas de pulverização denominados de jato plano, anteriormente conhecidos como jato leque. 49

10 A codificação e conhecimento das características de uma ponta de jato plano poderão ser efetuadas através de código de cores ou associação de números, que podem indicar tanto o ângulo do jato como a vazão do bico, para uma determinada e específica pressão de trabalho. As pontas de jato plano são especialmente recomendadas para as aplicações, que exigem gotas grossas e pesadas. Com estas características, as aplicações com qualquer tipo de bico de jato plano, apresentarão baixa ou nenhuma penetração, deposição ou envolvimento pelas gotas geradas, os componentes essenciais de uma cultura (folhas, ramos, galhos, brotos ou frutos). Bicos de pulverização tipo AI (de indução de ar) que produzem gotas muito grossas não são recomendados nem adequados a pulverizações de pos emergências. Pelas características estas gotas serão depositadas somente na parte externa da copa ou das folhas mais expostas. Aplicações em pós-emergência Bicos de jato cônico vazio Neste segmento situam-se todas as aplicações onde o defensivo agrícola deverá ser direcionado e aplicado internamente ou principalmente dentro de uma massa foliar, envolvendo a planta em seu todo ou parcialmente, mas de maneira que as gotas geradas se depositem mais internamente do que externamente às plantas, reduzindo consideravelmente o efeito guarda chuva. A deposição de gotas sobre e internamente as plantas já germinadas, visando o controle de agentes biológicos nocivos à cultura, é denominada de aplicação de pós-emergência. Para este tipo de aplicação é recomendável e imprescindível a utilização de gotas mais finas e em grande quantidade e que se mantenha em flutuação temporariamente no ar deslocando-se com as correntes aéreas por entre as partes vegetais da cultura até se depositarem como demonstrado através da Figura 1. Diferentemente dos bicos ou pontas de jato plano, os de jato cônico vazio, produzem um jato em forma de cone e suas gotas formam um circulo com menor quantidade de gotas na sua parte central. As gotas geradas são relativamente finas, com um espectro bem mais estreito e homogêneo. Para isto necessitam trabalhar nas pressões recomendadas entre 80 a 150 psi (533 a kpa), nos equipamentos terrestres. São recomendados para todas as aplicações, onde a penetração e deposição de gotas internamente as plantas são desejáveis, como: inseticidas a alto, baixo e ultrabaixo volume; fungicidas de contato, sistêmico ou de translocação; herbicidas em pós-emergência; nutrientes foliares, antecipadores de maturação, reguladores de crescimento e desfolhantes. Bicos de jato cônico vazio são inadequados e não devem ser recomendados para as aplicações de herbicidas ou produtos com ação de pré-emergência. 50

11 Como uma ponta de jato cônico vazio, possui duas peças e por isso denominada de uma ponta de pulverização composta, isto permite que possamos obter uma gama ou faixa de gotas muito ampla, para a mesma ponta. Exemplo: trabalhando-se em condições climáticas favoráveis, principalmente se a umidade relativa do ar for alta, e constante durante todo o período da pulverização, poderemos utilizar difusores de referência baixa que produzirão gotas finas. Se por outro lado, tivermos variação muito grande e rápida da umidade do ar num mesmo dia ou período, necessitaremos gerar gotas grossas, para compensarmos a perdas e acelerar sua queda, reduzindo a deriva, para isto poderemos usar a mesma ponta do primeiro caso, alterandose apenas o difusor para uma referência mais alta e aplicando-se praticamente com os mesmos volumes de pulverização. Genericamente em um bico de jato cônico vazio, podemos dizer que: A ponta de pulverização ou disco define basicamente o volume de aplicação; O difusor core, caracol ou espiral, define basicamente o padrão de gota. Entretanto, isto não quer dizer que cada unidade possa trabalhar sozinha. O conjunto delas é que permitirá a um bico de jato cônico vazio, produzir as características básicas e desejáveis para que possamos aplicar o defensivo e obter o sucesso desejado, a baixo custo e sem perdas ou agressões ao meio ambiente. No comércio, podemos encontrar as seguintes referências de difusores, todos produzindo um jato cônico vazio: 13, 23, 25, 45 e 46 (Spraying Systems), Figura 2. Referência das pontas e difusores (CORE): Spraying Systems: Pontas: D 1; 1.5; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 10; 12; 14 e 16. Difusores: (cone vazio): 13; 23; 25; 45 e 46; (cone cheio): 31; 33; 35 e 56. * * não recomendados. JACTO: Kematal ou cerâmica. D 4 D 3 D 2 D 1 Fig. 2 (A) Conjunto de ponta e difusores (cores) que produzem uma pulverização de jato conico vazio e (B) tipo de difusor que produz um jato cônico cheio Notar que este possui um orifício no centro da peça, diferente dos difusores que produzem um jato cônico vazio em (A). Pressão de trabalho Imprescindível em qualquer que seja o tipo ou modelo de pulverizador, o manômetro deverá estar montado junto ao regulador de pressão e funcionando corretamente. Freqüentemente, negligenciado, tanto no funcionamento como no seu ajuste, em muitos dos pulverizadores, passa a ser um acessório puramente decorativo, já que por mau uso ou acidentes, não é substituído. Nestas situações, a pressão de trabalho é estimada pelo 33 51

12 aplicador, causando distorções altamente prejudiciais à formação e distribuição das gotas. Tradicionalmente e conceitualmente produtores, técnicos e operadores acreditam que o uso de pressões elevadas (acima de 200c psi ou kpa) melhoram e facilitam a condução e penetração das gotas de pulverização para dentro da copa das plantas. Na prática, ocorre justamente o inverso, facilitando sim, o escorrimento e perda da calda de pulverização pelo escorrimento exagerado sobre as folhas, deposição muito pobre ou quase nenhuma nas partes internas das plantas, além da geração elevada de gotas muito finas que se perdem pela evaporação, antes de atingirem o alvo desejado. Os melhores e mais eficientes resultados, principalmente no controle de doenças fúngicas e alvos internos às plantas, são obtidos com a utilização de pontas de jato cônico vazio, vazões baixas e pressão de trabalho entre 80 a 120 psi (533 a 800 kpa). Nas aplicações em pós-emergência é recomendável não utilizar pressões acima de 120 psi e bicos com pontas de jato plano (ex leque). Altura distância das barras/bicos do alvo de deposição As pontas de jato plano, devido ao processo de formação do jato e geração das gotas, podem apresentar diferentes tipos de ângulos do jato, sendo fabricados com ângulos de 65, 80, 95, 110 e 150. Para aplicações em préemergência, recomenda-se utilizar as pontas com ângulo de 110, mantendo a altura das barras de pulverização em toda a sua extensão, paralelas ao solo entre 40 a 50 cm do solo de maneira a se obter um cruzamento de 15 a 30% nas extremidades das faixas de deposição de cada bico e garantindo-se desta forma uma melhor deposição e cobertura do alvo desejado. Nas aplicações de agroquímicos com ação de pós-emergência, as barras de pulverização e bicos deverão estar paralelos ao topo da cultura ou do ponto mais externo à cultura e distanciados no mínimo a 50 cm, para que a formação, turbulência e dispersão das gotas seja a mais uniforme, permitindo uma deposição homogênea e adequada em todas as superfícies das plantas e inclusive internamente à cultura. Velocidade de aplicação Tecnicamente e na pratica não há restrições quanto a velocidade de aplicação de um pulverizador. Entretanto, esta será definida pelas condições do solo, onde superfícies irregulares limitarão a velocidade, de modo a não permitir oscilações acentuadas e inadequadas das barras de pulverização, principalmente suas extremidades, cujas oscilações prejudicarão a formação e deposição adequada das gotas nas plantas. Observar sempre que o procedimento correto de escolha e ajuste dos bicos de pulverização em um equipamento, levará sempre em conta a velocidade de operação obtida sobre a área a ser aplicada. 52

13 Durante toda a aplicação manter a rotação do motor do trator na faixa definida pelo fabricante, de modo a se manter constante as 540 rpm da tomada de força. Faixa de deposição Qualquer que seja o número e tipo de bicos dispostos nas barras de pulverização, considerar e obter sempre uma deposição uniforme na faixa de deposição, sem picos de excesso ou deficiência de deposição. Caso isto ocorra, falhas ou faixas irregulares indicarão o problema e principalmente, pontos ou áreas de reinfestação ou não controle dos alvos biológicos, serão visíveis. Condições climáticas No processo de pulverização e aplicação de defensivos agrícolas, as condições climáticas devido a sua variação contínua durante todo o dia, têm importantes influências, as quais se não forem observadas e ajustados os parâmetros de aplicação, poderão ocasionar prejuízos consideráveis ao meio ambiente ou no controle do alvo biológico desejado. Os fatores meteorológicos mais importantes são: umidade relativa do ar; temperatura ambiente; velocidade de vento. Umidade relativa do ar Ao contrario do que é considerado na pratica o fator climático mais importante para o sucesso ou fracasso na deposição das gotas, é a umidade relativa do ar, principalmente, quando trabalhamos com formulações diluídas em água. A maior ou menor variação de umidade no ar, a velocidade de evaporação de uma gota aquosa, será reduzida ou aumentada respectivamente, sendo o parâmetro de determinará o início ou final de uma aplicação. Uma gota de determinado diâmetro ao ser liberada pelo processo de pulverização, perderá líquido por evaporação resultando em menor peso. Desta maneira, sendo mais leves, serão arrastadas ou desviadas de sua trajetória inicial prevista. Este desvio se acentuará até o ponto em que esta gota secará completamente sem atingir o alvo. Uma correção adequada das gotas às variações climáticas locais, durante uma aplicação, possibilitará a permanência das gotas em suspensão no ar atingindo corretamente o alvo desejado, caso contrario ocorrerão perdas. Gotas muito grossas caem mais rapidamente, com pouca ou nenhuma perda por deriva. Entretanto, a deposição sobre as superfícies das plantas, saturando-a, o excesso escorrerá para fora do alvo desejado (exceto aplicações de herbicidas em pré-emergência ou sobre o solo), perdendo-se neste caso também o produto, tempo e dinheiro. Causando perdas e riscos ao meio ambiente e animais ou pessoas, a pulverização inadequada, concorrerá para uma aplicação mal feita. 53

14 A maior ou menor distância percorrida pelas gotas de uma pulverização, afastando-se do alvo, é denominada de deriva, sendo controlada pela escolha e ajuste do bico adequado e das gotas produzidas ou geradas por este. DERIVA: Trajetórias características específicas e definidas das gotas ou partículas geradas pelo processo de pulverização e responsáveis pelo sucesso ou fracasso dos resultados da aplicação dos agroquímicos líquidos A presença do orvalho nas aplicações com aviões, nos quais são utilizados volumes relativamente baixos e principalmente no caso de herbicidas em pré ou pós-emergência, fungicidas e inseticidas diluídos em água ou ultrabaixo volume, não há restrições de se efetuar as aplicações restrições desde que os bicos e gotas geradas estejam adequadas às condições do alvo e lavoura. Em aplicações terrestres não é recomendável, devido aos volumes muito altos, utilizados, favorecendo deste modo ao escorrimento e perda parcial dos produtos, exceto é claro para as aplicações em pré-emergência. Velocidade e direção dos ventos Este é o maior fator de preocupação, inclusive limitador de parada de uma pulverização pela grande maioria de técnicos e aplicadores ou usuários da aviação agrícola. Pelo exposto no item umidade relativa do ar, a influência negativa dos ventos está diretamente e de maneira secundária relacionada com a velocidade com que uma gota aquosa perde peso ou permanece mais tempo em suspensão no ar, a umidade relativa deverá ser sempre considerada e avaliada com mais precisão ou freqüência. Ventos com velocidades abaixo de 0,5 m/seg., determinam condições para a ocorrência do fenômeno chamado inversão térmica, que causará a flutuação muito longa das gotas sobre as áreas pulverizadas e conseqüente desvios ou deposições em áreas indesejadas e danos a outras lavouras, pessoas, animais e ao meio ambiente. Em uma ocorrência de inversão térmica, nota-se que as partículas de fumaça, poeira e mesmo da pulverização, se mantêm em suspensão durante muito tempo no ar. No caso das pulverizações a perda e prejuízos são consideráveis, pois, as partículas não conseguem se depositar em quantidade e no local escolhido, reduzindo ou tornando ineficiente a ação dos agroquímicos e contribuindo para riscos de danos ao ambiente ou em alvos não desejados. Portanto, aplicações sem vento, são tão prejudiciais como aquelas, efetuadas com velocidades de ventos acima de 10 km/hora. ATENÇÃO: Evitar efetuar pulverizações, em condições de calmaria total dos ventos, ou quando a velocidade dos mesmos for inferior a 2 km/hora (0,5 m/seg). Haverá sérios riscos de perda da aplicação e de contaminação do meio ambiente. 54

15 Temperaturas muito altas associadas a uma evaporação de umidade (das plantas e do solo principalmente) muito rápida, causam a formação de correntes térmicas ascendentes (correntes de convecção), prejudicando também uma deposição adequada das gotas, as quais serão freadas em sua queda e mantidas em suspensão durante muito tempo, ou arrastadas pelos ventos e correntes, antes de atingirem o alvo, devido a formação de bolsões ou almofadas térmicas. Desgaste e substituição das pontas de pulverização Uma ponta de pulverização independente do tipo de material de sua fabricação, não tem durabilidade infinita com referência a desgastes ou trocas. As pontas de pulverização fabricadas por Empresas criteriosas e responsáveis, apresentam um alto grau de precisão, qualidade e confiabilidade. Não trocar as pontas de pulverização por tempo de relógio, mas sim quando estas apresentarem um desvio acima de 10% de sua vazão quando comparada com uma nova. Materiais mais abrasivos e pressões muito elevadas aceleram e influenciam significativamente o desgaste das pontas. Recomenda-se, aferir periodicamente a vazão de todos os bicos da barra de pulverização e não por amostragem. Na ocorrência e observação de variações, substituir imediatamente por outra ponta similar, nova e idêntica as demais. Pontas de pulverização novas, porém, danificadas por uso indevido de ferramentas ou desobstrução por acessórios metálicos, necessitam de sua substituição imediata. Dinâmica de vôo com aviões agrícolas Diferente de qualquer equipamento de aplicação terrestre, um avião agrícola, possui características próprias e específicas, principalmente turbulências aerodinâmicas, geradas pela estrutura e componentes de um avião (asas, fuselagem, hélice e equipamento de aplicação) quando em vôo, que serão de grande utilidade na geração, dispersão e deposição das gotas de pulverização, sobre o alvo desejado. A maior influência sobre as gotas de pulverização é produzida pelas asas. Estas possuem a forma de um plano horizontal, com um perfil denominado de aerofólio (Fig. 3). Os efeitos aerodinâmicos descritos determinam um diferencial bastante grande e característico entre os resultados da pulverização com os equipamentos terrestres e as aeronaves agrícolas. Nos pulverizadores terrestres, podemos utilizar a variação de sua velocidade como pequenas compensações no volume desejado por área, enquanto que nos aviões isto não pode ser efetuado, já que sua velocidade deverá se manter constante e necessária para a sua sustentação em vôo. A elevação e sustentação em vôo de um avião é originada e resultante da velocidade com que o mesmo se desloca. Assim, no momento que o avião 55

16 inicia seu deslocamento, os filetes de ar, passam a ser direcionados, passando por cima e por baixo do aerofólio ou perfil das asas. Devido a forma especial do aerofólio, os filetes que contornam a superfície superior (normalmente mais curva que a parte inferior) desenvolvem uma velocidade maior do que os filetes que contornam a parte inferior. A força resultante obrigará o aerofólio a se elevar. (Fig. 3). Os filetes de ar, após percorrerem as superfícies do aerofólio e perderem a aderência destas, tendem a se encontrarem na parte posterior das asas, produzindo uma turbulência característica. Esta turbulência, sob o peso da camada atmosférica é direcionada para o solo, arrastando consigo as gotas de pulverização, quando o avião estiver em operação de pulverização e voando paralelo ao solo. Devido à diferença de pressões e direcionamento dos filetes, temos um efeito de dobramento da esteira de vento provocada Fig. 3 Representação dos efeitos aerodinâmicos, produzidos pelo perfil das asas (aerofólio) em vôo. Filetes de ar sobre as asas Filetes de ar por baixo das asas _ Fig. 4 - Representação esquemática do direcionamento dos filetes de ar, em uma asa em vôo. pelo avião e denominada de vórtices de pontas de asas, intrínseco ao vôo do avião e que poderá influir grandemente na distribuição, perda e deposição das gotas na faixa de deposição e do alvo desejado (Fig. 4). Este efeito deverá ser aproveitado, para obtermos uma faixa de deposição mais larga, boa uniformidade de distribuição e deposição adequada das gotas sobre o alvo de deposição desejado ou dentro da cultura. Durante o escoamento dos filetes sobre as superfícies do aerofólio e a perda da aderência ao final destas superfícies, formam correntes de turbulência atrás das asas, denominadas de esteira de turbulência que serão as responsáveis pela distribuição e condução das gotas geradas pelos bicos de pulverização até a faixa de deposição ou alvo desejado (Fig. 6). Como os vórtices de pontas de asas, são efeitos produzidos pelo avião em vôo, deveremos sempre evitar que as gotas de uma pulverização sejam sugadas ou arrastadas por este efeito. O fechamento ou redução do número de bicos e da extensão das barras de pulverização, naquela região evitará o arrasto e perdas das gotas de 56

17 pulverização, pelo efeito dos vórtices. Entretanto, como muito gente pensa, esta redução de bicos ou da barra, não influenciará no aumento ou redução da faixa de deposição (exceto para aplicações destinadas ao controle de vetores) do avião, pelo contrario se deixará de perder produto, evitando-se também riscos de poluição ambiental, que se traduzirá em economia, eficiência e segurança. Fig. 6 Representação gráfica da formação e direcionamento dos vórtices gerados pelas pontas das asas de um avião em vôo. Sob o ponto de vista técnico e pratico, é descartada a possibilidade da eliminação dos vórtices gerados nas pontas das asas em um avião agrícola, porém, podemos reduzir sua influência nas perdas das gotas de pulverização, através de artifícios técnicos e operacionais, com o intuito de se evitar a perda ou desvio incontrolável das gotas de pulverização, principalmente com a utilização de produtos diluídos em água. Entretanto, especificamente nas pulverizações denominadas de espaciais, para o controle de vetores e insetos em vôo, o efeito dos vórtices de pontas de asas são favoráveis e usados para a dispersão das gotas. O efeito final das turbulências produzidas pelo vôo, incluindo-se os vórtices de pontas das asas, e comumente denominado de esteira, é que determinará em realidade a amplitude da faixa de deposição para um avião agrícola. Como os vórtices de pontas de asas, são efeitos produzidos pelo avião em vôo, deveremos sempre evitar que as gotas de uma pulverização sejam sugadas ou arrastadas por este efeito. O fechamento ou redução do número de bicos e da extensão das barras de pulverização, naquela região evitará o arrasto e perdas das gotas de pulverização, pelo efeito dos vórtices. Entretanto, como muitos usuários e operadores pensam, esta redução de bicos ou da barra, não influenciará no aumento ou redução da faixa de deposição (exceto para aplicações destinadas ao controle de vetores) do avião, pelo contrario se deixará de perder produto, evitando-se também riscos de poluição ambiental, que se traduzirá em economia, eficiência e segurança. Após a passagem de um avião em vôo agrícola, a esteira de turbulência gerada pelo avião é pressionada e direcionada para o solo. Dependendo da altura do vôo, esta esteira, poderá ter uma dissipação suave, normal e uniforme, sem choques violentos sobre o solo ou a cultura ou bastante turbulenta e com péssima ou irregularmente distribuída, se o vôo for muito próximo ou colado à cultura ou ao solo (Fig. 7). 57

18 Fig. 7 Efeitos sobre a esteira de turbulência e sua dissipação sobre o solo, como consequência de um vôo muito próximo (colado) ao solo ou à cultura. O efeito acima descrito é o responsável pelo arraste e dispersão das gotas de pulverização liberadas pelo equipamento de aplicação montado no avião. Como explicado anteriormente, esta esteira aerodinâmica ao ser empurrada para baixo poderá apresentar dispersões e dissipações variáveis em função da altura de vôo. Normalmente em condições de ventos mais fortes, muitos pilotos, técnicos e principalmente os usuários, acreditam que para a redução ou eliminação dos efeitos negativos da deriva, o avião deverá voar bem mais próximo do solo. Como a distribuição de gotas e a largura da faixa de deposição estão diretamente relacionadas com a altura de vôo, esta atitude resultará sempre danosa e ineficiente aos resultados esperados de um agroquímico. O vôo muito baixo do avião ocasionará sobre as gotas liberadas uma deriva vertical muito violenta causada justamente pela compressão momentânea da camada de ar entre a superfície inferior das asas e o solo ou cultura e a descompressão rápida desta mesma camada após a passagem do avião, resultando no arrasto das gotas para cima. Com isto as gotas permanecem mais tempo no ar e se evaporarão antes de atingir o alvo, reduzindo o efeito do produto e causando faixas com número reduzido, ou mesmo sem quantidade suficiente de gotas. Por outro lado um vôo muito alto sem correção do padrão de tamanho das gotas e volume de aplicação, causará também a perda das gotas por evaporação, devido ao longo percurso rumo ao alvo desejado. O ponto ideal é aquele em que se consegue conciliar uma faixa de deposição a mais aproveitável possível, utilizando-se volumes de aplicação tão reduzidos e tecnicamente efetivos e que resultem em uma deposição sobre o alvo desejado com a quantidade de gotas/cm² recomendada para cada tipo ou modalidade de aplicação mostradas no Quadro I. Para o caso do nosso avião Ipanema, qualquer que seja seu modelo, a altura adequada e recomendada é de 4 a 5 m em relação ao alvo desejado. Para outros modelos ou tipos de aviões, recomenda-se o mínimo de 3 a 4 m, tendo-se sempre como referência o alvo desejado. Lembrar que a altura de vôo agrícola influencia o melhor aproveitamento da deposição dos agroquímicos, sendo uma característica especifica ou parâmetro básico para cada modelo 58

19 ou marca do avião que estamos operando. Este parâmetro deverá ser avaliado préviamente e, uma vez definido, o valor deverá ser mantido em todas as aplicações similares com o mesmo avião. Com a utilização de aviões agrícolas para a pulverização de produtos agroquímicos, teremos de maneira muito simples, duas situações de vôo que podem ocorrer durante a atividade: Avião voando contra ou a favor do vento local; Avião voando de través ou cortando em ângulo o sentido do vento local. Avião voando contra ou a favor do vento local São poucas as ocasiões em que há necessidade de se efetuar pulverizações com o avião voando contra ou favor do vento local. Esta situação é característica, quando a área a ser pulverizada tem seu maior comprimento direcionada no mesmo sentido do vento e por uma questão de melhoria da produtividade do equipamento e ganho de tempo operacional, temos que voar desta maneira. Entretanto, é fundamental lembrar que alguns problemas podem ocorrer e que na prática não há como evitá-los. Os fatores de risco que podem ocorrer na situação acima são: (Fig. 8). Faixa de deposição mais estreita; Irregularidade de vazão por área, para mais ou para menos, dependendo do vôo contra ou a favor do vento; Densidade de gotas/cm² muito grande principalmente sob a àrea correspondente à barriga do avião; Custo maior para o usuário; Rendimento operacional menor; Controle mais fácil da deriva das gotas. Fig. 8 Representação característica gráfica de uma faixa de deposição, produzida por um avião agrícola voando contra ou a favor da direção do vento local. Pelas características citadas, este tipo de aplicação não é recomendada. Entretanto, poderá ocorrer a necessidade de sua utilização em campo, devido as condições existentes como: extensão de tiro mais longa, para maior rendimento e menor custo operacional, porém, considerar sempre que os resultados esperados do produto e da pulverização poderão resultar em fracassos e frustrações. Tecnicamente denominamos este tipo de faixa de deposição, como: faixa de deposição real. Avião em vôo de través ou em ângulo com o sentido do vento local O vôo de través de um avião agrícola nos permitirá ter uma faixa de deposição muito mais ampla, pois, estaremos utilizando a direção e a força dos ventos locais para se obter este resultado (Fig. 9). 59

20 As características mais importantes de uma faixa de deposição resultante desta operação considerando-se que os bicos e altura de vôo do avião estejam corretos, serão: faixa de deposição economicamente e tecnicamente mais larga; melhor distribuição das gotas; densidade de gotas mais uniformes; custo operacional menor para o usuário; menor risco de contaminação para o piloto; execução mais rápida do serviço; Fig. 9 Representação característica gráfica da faixa de deposição e distribuição das gotas, produzidas por um avião agrícola, voando com vento de través (em ângulo com a linha de vôo) melhor rendimento operacional com o equipamento. Qualquer que seja o defensivo ou produto aplicado por um avião agrícola é imprescindível e importante que para o sucesso dos resultados, tenhamos sempre uma faixa de deposição com boa uniformidade de distribuição, densidade (quantidade) de gotas por área tecnicamente adequadas ao controle do alvo problema desejado e requeridas pelo modo de ação do produto em uso. A eficiência de um agroquímico, é obtida através da quantidade de gotas depositadas por unidade de superfície, representada pelo n de gotas/cm², que logicamente carrega uma determinada proporção do ingrediente ativo ou da formulação e que se mostra ativa, permitindo o controle eficiente do alvo desejado. Equipamentos de pulverização de um avião agrícola Sob a ótica da Tecnologia de Aplicação dos agroquímicos, um avião agrícola, é considerado como uma máquina ou plataforma de pulverização para produtos sólidos ou líquidos, com características próprias, específicas e diferenciações profundas se comparado com outras máquinas de aplicação. Um avião agrícola deverá possuir uma estrutura planejada para trabalhar em condições especiais (pistas de pouso e decolagem provisórias em terra ou pastos), vôos a baixa altura e sobre obstáculos (árvores, casas, postes de alta e baixa tensão e telefones). Sua cabine é construída de maneira a deformar-se progressivamente em caso de acidente, sem ocasionar danos mais graves ao piloto. De maneira geral o tanque de agroquímicos, está situado sobre o centro de gravidade do avião e à frente do piloto, diferente de aviões adaptados, onde o tanque de produtos pode ser montado atrás do piloto ou sob a fuselagem ou barriga do avião. 60

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