RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS E BRONQUITES AGUDA E CRÔNICA EM MACEIÓ, AL.

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1 RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS E BRONQUITES AGUDA E CRÔNICA EM MACEIÓ, AL. Deydila Michele Bonfim SANTOS 1 Thalyta Soares dos SANTOS 2, Allan Rodrigues SILVA 3, José Clênio Ferreira de OLIVEIRA 4, Jairo Calado CAVALCANTE 5, Edson Leite RIBEIRO 6 RESUMO Os casos de bronquites crônica e aguda foram correlacionados com variáveis meteorológicas, como precipitação, temperatura do ar e umidade relativa, utilizando método de correlação linear. Foram usados apenas dados do ano 22, devido à dificuldade de se obterem séries longas de dados relativos à saúde. Os resultados sugeriram que os casos de bronquite aguda apresentaram relação inversa com a temperatura e direta, e mais significativa estatisticamente, com a umidade relativa. Nos casos de bronquite crônica, de maneira geral, os coeficientes de correlação foram menores, porém mantiveram a mesma relação. É possível que umidade relativa mais alta e temperatura mais amena favoreçam o aumento da concentração de pólen e esporos na atmosfera, aumentando o número de casos de bronquite nos trópicos. ABSTRACT The cases of chronic and acute bronchitis were correlated with weather variables, such as air temperature, relative humidity and rainfall, using standard statistical method of linear correlation. The study was restricted to the year 22 due to the difficulty of obtaining long time series of health records. The results suggested that the acute bronchitis cases were negatively correlated with air temperature and positively correlated with relative humidity. The cases of chronic bronchitis maintained the same relationship, however with smaller correlation coefficients. It is possible that high relative humidity and mild air temperature enhance the concentration of pollen and spores, increasing the number of bronchitis cases in tropical regions. Palavras Chave: Variáveis Meteorológicas, Saúde Humana. INTRODUÇÃO A literatura da Biometeorologia Humana tem descrito vários fatores que comprovam a ação da atmosfera sobre os casos de Bronquite. Conforme TROMP (198) ocorre picos desta 1 Aluna do curso de Graduação em Meteorologia do Instituto de Ciências Atmosféricas-ICAT, da Universidade Federal de Alagoas-UFAL, e-mai: 2 Aluna do curso de Graduação em Meteorologia do Instituto de Ciências Atmosféricas-ICAT, da Universidade Federal de Alagoas-UFAL, e-mai: 3 Aluno do curso de Graduação em Meteorologia do Instituto de Ciências Atmosféricas-ICAT, da Universidade Federal de Alagoas-UFAL, e-mai: 4 Prof. Ms. do Instituto de Ciências Atmosféricas-ICA, da Universidade Federal de Alagoas-UFAL, 5 Prof.Ms.da Faculdade de Medicina-FAMED da Universidade Federal de Alagoas-UFAL, 6 Prof. Dr. do Depto. de Arquitetura e do PRODEMA da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB,

2 enfermidade durante o inverno, particularmente em áreas com ar poluído e mínimo na primavera e verão. O presente trabalho tem a finalidade de estabelecer a magnitude da correlação estatística entre a precipitação pluviométrica, temperatura e umidade relativa do ar e o número de casos de bronquite aguda e crônica ocorridos em Maceió, AL, registrados pelo Sistema de Informações Ambulatorial-SIA, da Secretaria Municipal de Saúde desta cidade, identificando a variável que possui efeito meteorotrópico mais intenso sobre estas enfermidades. Os resultados obtidos no presente trabalho deverão auxiliar o trabalho dos profissionais da área de saúde, pacientes que contêm estas enfermidades, e população urbana em geral, no sentido da tomada de decisões em prol da mitigação dos efeitos negativos produzidos por variáveis meteorológicas sobre o número de casos de bronquite aguda e crônica em determinadas épocas do ano nesta cidade. METODOLOGIA Estudo das variáveis meteorológicas Os dados das variáveis meteorológicas ocorridos durante o ano de 22 na cidade de Maceió, AL, foram fornecidos pela Estação Climatológica do Aeroporto Zumbi dos Palmares (ECAZP), pertencente ao Ministério da Aeronáutica, os quais constaram de: precipitação atmosférica (total e máxima); umidade relativa do ar (máxima, mínima e média); e temperatura do ar (máxima, mínima e média). A estação supracitada, localiza-se no município de Rio Largo, Alagoas, numa distância de aproximadamente 23 km do centro da cidade de Maceió, cuja posição geográfica é identificada por 9 31 de latitude Sul (S), de longitude Oeste (W) e à 117 metros de altitude, nível que corresponde aproximadamente a parte alta da cidade. Estudo da relação entre variáveis meteorológicas e o número de casos de bronquite aguda e crônica As informações relativas ao presente item foram fornecidas através do Sistema de Informações Ambulatorial-SIA, da Secretaria Municipal de Saúde da cidade de Maceió, AL, coletada por diversos ambulatórios localizados na região urbana da cidade, durante o ano de 22. Conforme a metodologia utilizada em OLIVEIRA (24), na presente pesquisa, tomou-se como variável independente (x), os dados de precipitação pluviométrica (total e máxima), umidade relativa e temperatura do ar (máximas, mínimas, e médias), e como variável dependente (y). Para uma melhor análise, utilizou-se r 2, que é o coeficiente de determinação. Para avaliar e determinar a magnitude da correlação entre variáveis meteorológicas e os dados do SIA, utilizou-se, no quadro 1 abaixo, apresentado por CAVALCANTE (23), apenas a classificação referente a coluna de r 2. n r = xy ( x)( y) n( x ) ( x) n( y ) ( y) 2 (Equação 1)

3 O referido autor define cada elemento desta equação como: r, representa o coeficiente de correlação linear para uma amostra; n, representa o número de pares de dados presentes;, denota a adição dos itens indicados; x, denota a soma de todos os valores de x; x 2, indica que devemos elevar ao quadrado cada valor de x, e somar os resultados; ( x) 2, indica que devemos somar os valores de x, e elevar o total ao quadrado; xy, indica que devemos multiplicar cada valor de x pelo correspondente valor de y, e somar todos esses produtos. Quadro 1 - Classificação dos valores das correlações R R 2 Classificação Nula, ,3, ,9 Fraca, ,6, ,36 Média, ,9, ,81 Forte, ,99, ,99 Fortíssima 1 1 Perfeita Fonte: Cavalcante, J. C., 23 RESULTADOS E DISCUSSÕES Bronquite Aguda: análise dos Gráficos 1,2,3 e Tabela 1 Existe, entre o número de casos desta enfermidade (ocorridos em Maceió,AL durante o ano de 22) e a temperatura do ar, uma relação inversa que pode ser confirmada através do valor negativo do coeficiente de correlação de Pearson (R= -,43). Este valor, atribuído a temperatura máxima, foi o maior valor encontrado entre as temperaturas. Os valores dos coeficientes de determinação indicaram correlações médias com a temperatura do ar (Gráfico 1 e Tabela 1) Há uma relação direta entre a umidade relativa do ar e os casos ocorridos desta doença (mínimos números de casos seguem os meses com percentuais menores de umidades). Esta variável apresenta correlações médias, destacando-se a umidade média com maior valor (r 2 =,21) do coeficiente de determinação (Gráfico 2, e Tabela 1) A precipitação total também apresenta uma relação direta com a bronquite aguda. Isto pode ser confirmado através do (Gráfico 3 e tabela 1), onde percebe-se os mínimos de pluviosidades coincidirem com mínimos números de casos desta enfermidade. O coeficiente de determinação indica correlações médias. Nº de casos de bronquite aguda jan fev mar abr mai jun Bronquite aguda Temperatura Máxima Temperatura Mínima jul ago set out nov dez Gráfico 1 Distribuição anual da Temperatura do ar, máxima, mínima e média (médias mensais), e do número de casos de bronquite aguda ocorridos durante o ano de 22 em Maceió-AL Temperaturas

4 Nº de casos de bronquite aguda Bronquite aguda Umidade Mínima Umidade Máxima Umidade Média jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Umidades reletivas Gráfico 2 Distribuição anual da umidade, máxima, mínima e média (médias mensais), e do número de casos de bronquite aguda, durante o ano de 22 em Maceió-AL Nº de casos de bronquite aguda jan fev Bronquite aguda mar abr mai jun jul ago set Precipitação total out nov dez Precipitação total Gráfico 3 Distribuição anual da precipitação, total, e do número de casos de bronquite aguda, durante o ano de 22 em Maceió-AL Bronquite crônica: análise dos Gráficos 4,5,6, e Tabela 1 Há uma relação inversa entre as temperaturas máxima e média (R=-,16 e -,6, respectivamente) e o número de casos desta enfermidade. Os valores de r 2 encontrados indicam correlação nula com a temperatura média, e fraca com a temperatura máxima e mínima (Gráfico 4 e tabela 1). O número de casos de bronquite crônica apresenta uma relação inversa com a umidade máxima (R=-,14; r 2 =,2) e direta com as umidades mínima (R=,27; r 2 =,7) e média (R=,21; r 2 =,4). Entretanto, os baixos valores dos coeficientes de determinação indicam apenas correlações fracas com esta variável meteorológica (Gráfico 5 e Tabela 1). A precipitação total (gráfico 6) apresenta um coeficiente de determinação com o valor limite entre a correlação fraca e média (r 2 =,9), portanto, entre as variáveis investigadas, esta possui a maior correlação. Vale salientar que a precipitação total possui uma relação direta com o número de casos desta enfermidade. N de casos de bronquite crônica jan fev mar abr mai jun Bronquite crônica temperatura máxima temperatura mínima édi jul ago set out nov dez Temperaturas Gráfico 4 Distribuição anual da Temperatura do ar, máxima, mínima e média (médias mensais), e do número de casos de bronquite crônica ocorridos durante o ano de 22 em Maceió-AL.

5 Nº de casos de bronquite crônica Bronquite crônica Umidade mínima Umidade máxima Umidade média jan mar mai jul set nov Umidades reletivas Gráfico 5 Distribuição anual da umidade, máxima, mínima e média (médias mensais), e do número de casos de bronquite crônica ocorridos durante o ano de 22 em Maceió-AL. Nº de casos de bronquite bronquite cronica jan fev mar abr mai jun Precipitação total jul ago set out nov dez Gráfico 6 Distribuição anual da precipitação total, e do número de casos de bronquite crônica ocorridos durante o ano de 22 em Maceió-AL Tabela 1- Valores dos coeficientes de correlação (R) e determinação (r 2 ), encontrados entre as Temperaturas e Umidades (Máxima, média, e mínima), precipitação total e o número de casos de Bronquite aguda e Bronquite crônica ocorridos em Maceió,AL, durante o ano de 22. VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS BRONQUITE AGUDA BRONQUITE CRÔNICA R r 2 R r 2 Temperatura Máxima -,43,19 -,16,2 Temperatura Mínima -,33,11,8,1 Temperatura Média -,4,16 -,6, Umidade Máxima,22,5 -,14,2 Umidade Mínima,44,2,27,7 Umidade Média,46,21,21,4 Precipitação Total,36,13,31,9 R = Coeficiente de correlação de Pearson; r 2 = Coeficiente de determinação Tabela 2 - Dados mensais de temperatura do ar, umidade Relativa do ar (Máximas, Mínimas e Médias), e Precipitação (Total e Máxima) em 22, Maceió, AL. TEMPERATURA UMIDADE RELATIVA PRECIPITAÇÃO MÊS Máxima Mínima Média Máxima Mínima Média Total Máxima Janeiro 29,9 23,3 26, 97,1 69,8 87,8 188,8 13,4 Fevereiro 31,1 23,6 26,8 97, 64,5 84,4 57, 5,9 Março 3,6 23,6 26,6 97, 67,1 86,4 125,7 11,4 Abril 3, 23,2 26,1 97, 69,2 88,1 11,3 5,5 Maio 28,8 22,7 25,3 97,1 77, 91,1 29,1 2,8 Junho 27,3 21,5 23,9 97,6 78,8 92,4 398,2 22,2 Julho 27,8 21, 24, 97,8 74,9 91,1 94,5 9,5 Agosto 27,5 2,4 23,5 97,4 72,6 9,2 13,9 5,7 Setembro 29,2 2,6 24,5 97,3 66, 87,7 52,8 7,6 Outubro 3,2 22,2 25,8 96,9 6,7 83,5 23,7 3,5 Novembro 31,3 22,9 26,6 96,8 6,9 83,6 22,4 4, Precipitação

6 Dezembro 32,6 23,9 27,7 95,8 57,7 8,9 5,6 4,7 Fonte: Oliveira, 25 CONCLUSÕES Ocorre uma relação inversa entre o número de casos de bronquite aguda e a temperatura do ar (confirmada em Tromp, 198) e uma relação direta com a umidade relativa do ar, especificamente a umidade média que obteve o maior coeficiente de determinação. Esta relação maior com a umidade média é confirmada também para casos de internações hospitalares em Maceió,AL, conforme Oliveira, 25. Embora confirme a relação inversa com a temperatura e direta com a umidade do ar, o número de casos de bronquite crônica apresenta fracas correlações com as variáveis meteorológicas investigadas neste trabalho. Todavia, o maior valor de correlação encontrado foi com a precipitação total, parece sugerir que esta variável é a que mais influencia os estímulos meteorotrópicos em pacientes com bronquite crônica. Isto não pode ser confirmado pela literatura, devido o fato de que não se tem encontrado trabalhos que analisem separadamente a bronquite crônica da aguda. Desta forma, o meteorotropismo (propriedade que os organismos vivos possuem de reagir aos estímulos provocados por mudanças no tempo e no clima) é mais significativo em pacientes acometidos de bronquite aguda que em pacientes com bronquite crônica. O estado crônico desta doença parece inibir os efeitos meteorotrópicos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAVALCANTE, J. C. Mortalidade em menores de um ano: utilização de novos indicadores para avaliação. Dissertação de mestrado em Saúde da criança, Centro de Ciências da Saúde. Departamento de Tocoginecologia. Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 23. OLIVEIRA, J. C. F. de. Efeitos diretos e indiretos de variáveis meteorológicas na saúde e qualidade devida da população urbana da cidade de Maceió, AL. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente-PRODEMA da UniversidadeFederal da Paraíba- UFPB, para obtenção do grau de mestre. João Pessoa, PB, 24. OLIVEIRA, J.C.F., Biometeorologia: estudo de casos em Maceió, Alagoas: efeitos de elementos meteorológicos na qualidade de vida urbana e na saúde humana. Fundação Manoel Lisboa e Secretaria de Planejamento do Estado de Alagoas, 25, 145 p. SOUNIS, E. Epidemiologia aplicada. Livraria Atheneu. Rio de Janeiro TROMP, S. W. Biometeorology - the impact of the weather and climate on Human sand their evironment (animals and plants). Editor L.C. Thomas, Heyden & Son Ltd. 198.

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