COBERTURA DE NUVENS OBSERVADA EM NATAL (RN) E ALCÂNTARA (MA) 1993 a 2005 Flávio Conceição Antonio 1,2

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1 COBERTURA DE NUVENS OBSERVADA EM NATAL (RN) E ALCÂNTARA (MA) 1993 a Flávio Conceição Antonio 1,2 RESUMO - Este trabalho mostra a climatologia da nebulosidade sobre as localidades de Natal (estado do Rio Grande do Norte) e Alcântara (estado do Maranhão), durante o período de 1993 a. Foram analisadas as observações meteorológicas de superfície horárias, das estações do Comando da Aeronáutica situadas nessas localidades. Os dados são registrados nos formulários IEPV-15-13, IEPV-15- e IEPV do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão do Comando da Aeronáutica. ABSTRACT - The cloud cover climatology over Natal (State of Rio Grande do Norte, Brazil) and Alcântara (State of Maranhão, Brazil) is derived by using hourly surface observation data from 1993 to. The surface hourly meteorological observations from the Air Force Command stations in these sites were analyzed. The data are recorded in the IEPV-15-13, IEPV-15- and IEPV forms from the Department of Air Space Control (DECEA) of the Brazilian Air Force. PALAVRAS CHAVE Nebulosidade (Nuvens) Natal Alcântara Lançamento. I Introdução É interessante o estudo da cobertura de nuvens, pois as mesmas desempenham papel importante no controle do balanço de radiação da Terra. Natal e Alcântara são localidades de prioridade em função das operações de lançamento de veículos espaciais que acontecem normalmente. Vale lembrar do papel preponderante que as coberturas de nebulosidades apresentam nas operações de lançamento. Natal está localizada na latitude 5 55 S e longitude W com uma altitude de 49,m em relação ao nível médio do mar, sendo a capital do estado do Rio Grande do Norte. Nesta cidade localiza-se o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), que abriga parte das operações de lançamentos de foguetes. Apresentase como uma linda e tranqüila cidade litorânea na região nordeste do país, caracterizada por suas paisagens naturais, belíssimas praias, hotéis, resorts e temperatura média anual em torno de 27 Celsius. Alcântara é uma cidade situada no estado do Maranhão na latitude 2 22 S e longitude W com uma altitude de 45,m em relação ao nível médio do mar. É nesta histórica cidade, que está localizado o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), o maior e mais importante centro de lançamento de veículos espaciais do Brasil. Sua temperatura média anual está em torno de 26 Celsius. 1 II Objetivo Este estudo de dados de nebulosidade das regiões de Natal (Rio Grande do Norte) e Alcântara (Maranhão) tem o objetivo de mostrar o comportamento em termos de ocorrência e comparação, da cobertura de nuvens que ocorre nessas regiões; haja 1 Instituto de Aeronáutica e Espaço Divisão de Ciências Atmosféricas Pça. Marechal Eduardo Gomes, N Cep: São José dos Campos SP. 2 Autor (Correspondências) 1

2 vista a importância dessas localidades para as operações de lançamento de veículos espaciais. III - Dados Apresentados no Trabalho O trabalho apresenta os seguintes dados: Uma breve introdução sobre as localidades de Natal e Alcântara; Definição de Nuvens; Tabela com o Tipo de Nuvens; Figuras ilustrativas mostrando o comportamento da nebulosidade nas regiões de Natal e Alcântara. IV - Metodologia Utilizada Foram consultados os formulários próprios IEPV ; IEPV-15-; IEPV , para o registro das observações meteorológicas de superfície existentes no arquivo técnico da Divisão de Ciências Atmosféricas (ACA) do Instituto de Aeronáutica e Espaço. Este arquivo contém um acervo da ordem de 45(quarenta e cinco) anos de dados das diversas Estações Meteorológicas de Superfície (EMS). Cada formulário verificado apresenta um total de 24 (vinte e quatro) observações horárias registradas, com início ás h e término às 23h (local). V - Definição de Nuvens Nuvens são agregadas de gotículas de água extremamente pequenas de cristais de gelo ou mistura de ambos, com suas bases acima da superfície terrestre. São formadas, principalmente em razão do movimento vertical de ar úmido, como na convecção ou em ascensão forçada sobre áreas elevadas, ou no movimento vertical em larga escala, associado as frentes e as depressões de ciclones extratropicais (Ayoade, 1991). VI - Tabela com os tipos de nuvens verificadas nos formulários de superfície Tabela 1 Natal Alcântara Janeiro St, Cu, CB, Ac, Ci St, Sc, Cu, CB, As, Ac, Ci Fevereiro St, Cu, CB, Ac, Ci St, Sc, Cu, CB, As, Ac, Ci Março St, Sc, Cu, CB, Ac, Ci St, Sc, Cu, CB, Ac, As, Ci Abril St, Sc, Cu, CB, Ac, Ci St, Cu, CB, Ac, As, Ac, Ci Maio St, Cu, CB, Ac, Ci St, Sc, Cu, CB, Ac, Ci Junho St, Sc, Cu, CB, Ac, As, Ci St, Sc, Cu, CB, Ac, Ci Julho St, Sc, Cu, CB, Ac, As, Ci St, Cu, CB, Ac, Ci Agosto St, Sc, Cu, Ac, As, Ci St, Cu, CB, Ac, Ci Setembro St, Sc, Cu, Ac, As, Ci St, Cu, CB, Ac, Ci Outubro St, Sc, Cu, Ac, As, Ci St, Cu, CB, Ac, Ci Novembro St, Cu, CB, Ac, Ci St, Cu, CB, Ac, Ci Dezembro St, Cu, CB, Ac, Ci St, Sc, Cu, CB, Ac, Ci A tabela acima, mostra a ocorrência de nuvens nos diferentes estágios: baixo, médio e alto, respectivamente, conforme registros efetuados nos formulários apropriados de observações diárias de superfície, no período estudado, utilizados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão do Comando da Aeronáutica. 2

3 Abreviatura utilizada na Tabela 1 para os diferentes tipos de nuvens: St (Stratus); Sc (Stratocumulus); Cu (Cumulus); CB (Cumulonimbus); Ac (Altocumulus); As (Altostratus); Ci (Cirrus). VII - Figuras ilustrativas As figuras a seguir, mostram o comportamento da cobertura de nuvens nas regiões de Natal e Alcântara de acordo com o período considerado em estudo. Gráfico Comparativo Nuvens Altostratus (As) Média Mensal Horária Alcântara x Natal 1 ocorrências As(Natal) As(Alcântara) Horários Figura 1 Gráfico Comparativo Nuvens Stratocumulus (Sc) Alcântara x Natal 1 Média Mensal Horária Ocorrências Sc (Natal) Sc (Alcântara) Horários Figura 2 3

4 Gráfico Comparativo Percentual Nuvens Cumulonimbus (CB) Natal x Alcântara Média Mensal 1 Percentuais CB(Natal) CB(Alcântara) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 3 2 Gráfico Comparativo Número de Ocorrências Média Mensal Nuvens Stratus (St) Natat x Alcântara 1 Ocorrências St (Natal) St (Alcântara) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 4 4

5 Gráfico Comparativo Número de Ocorrências Nuvem Cúmulus (Cu) Natal x Alcântara Média Mensal Ocorrências Cu (Natal) Cu (Alcântara) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 5 Gráfico Comparativo Percentual Nuvem Altocumulus (Ac) Natal x Alcântara Período 1993 a 1 Percentual Ac (Alcântara) Ac (Natal) Jan Fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Figura 6 VIII - Resultados Durante o estudo da nebulosidade de Natal no período de 1993 a foram observados os seguintes aspectos: a) A ocorrência de nuvens baixas, com predominância de Sc (Stratocumulus) e Cu (Cumulus), sendo a cobertura superior a 4/8 no período que vai de fevereiro a julho (período de chuvas na região) e nos horários de 2h as 19h em média; apresentando ocorrência quase constante. Entre os meses de agosto a janeiro (período mais seco) a cobertura dessas nuvens apresenta-se inferior a 3/8. As nuvens do tipo média Ac (Autocumulus) e As (Atostratus) com suas bases variando de 4m a 5

6 6m (nuvens baixas) e 24m a 3m (nuvens médias), respectivamente e cobertura variando de 2/8 a 3/8 na média. As nuvens Stratus (St) classificadas como baixas, aparecem com predomínio no período chuvoso média de 2/8; em menores quantidade nos outros períodos. Suas bases próximas a 18m em relação à superfície. b) As nuvens do tipo TCU e CB surgem normalmente, no período de Janeiro à Julho com suas bases variando entre 7m e 9m, localizações a Oeste e Noroeste, nos horários que variam de 15h às 23h. As nuvens TCU localizam-se nos demais horários, nos setores SW, SE e NW, registradas no formulário na coluna de observações; por este motivo, não aparecem na Tabela 1. c) É possível constatar, a presença da nuvem Ci durante todo o período analisado, a uma altura que varia entre 6m e 9m, sendo suas coberturas em torno de 1/8 a 2/8 em média. d) Observou-se que no período de h as 18h a cobertura de nuvens é normalmente, da ordem de 4/8 ou mais nos meses que vão de fevereiro a julho; enquanto que nos intervalos de 19h as 2h, do mesmo período, a cobertura de nuvens apresenta-se com 3/8 ou menos, com poucas variações. Com relação a Alcântara, verifica-se dentro do mesmo período de estudo da nebulosidade citado anteriormente, os seguintes aspectos: a) Ocorrência freqüente de nuvens baixas com o predomínio do tipo Cu (Cumulus), que apresenta uma freqüência de ocorrência praticamente elevada no período estudado, SC (Stratocumulus) e St (Stratus) com suas bases variando entre 2m e 6m, dependendo do tipo de nuvem, na média de 4/8 a 6/8 de cobertura, nos meses de janeiro a junho (período chuvoso) e na média de 2/8 nos meses de julho a dezembro (período mais seco). No estágio médio, a nebulosidade apresenta-se formada de Ac (Altocumulus) e As (Altostratus), na média de 2/8 a 4/8 de cobertura no céu, com suas bases entre 24m e 3m, nos meses de janeiro a junho e 3/8 de cobertura no período de agosto a dezembro. As nuvens do tipo Ns (Nimbostratus) não aparecem registradas nos formulários de superfície analisados. b) Ocorreram períodos de chuviscos e pancadas de chuvas leves e intermitentes nos meses de setembro a dezembro de diversos anos em horários entre 9h local e 18h local, decorrentes da nebulosidade de St (Stratus) e Cu (Cumulus) presentes na região. c) As nuvens altas do tipo Ci surgem em menor quantidade 1/8 a 2/8 durante todo os anos, com suas bases em torno de 6m. d) Verificou-se também, o surgimento de trovoadas isoladas nos setores Sudeste e Sul, nos meses de outubro a dezembro de diversos anos, nos horários compreendidos entre 5h local e 19h local. Esses registros, na coluna de observação do formulário de superfície. e) As nuvens do tipo TCU formam-se normalmente no setor Sul, mais freqüentes nos meses de setembro a dezembro, nos horários que variam entre 16h e 23h. É comum, nos meses de janeiro a junho, a ocorrência de nuvens CB com trovoadas características, nos horários entre 1h e 9h e 14h e 21h; Além disso, verifica-se um período de chuvas em forma de pancadas, associadas a Cu (Cumulus) e outros com chuvas leves, associadas a SC (Stratocumulus) em horários compreendidos entre 3h e 19h de diversos dias. IX Conclusão Aspectos conclusivos observados durante o desempenho deste trabalho: 1) Em Natal ocorrem nuvens do tipo altostratus (As) estágio médio com grande freqüência entre os horários de 15h e 22h e Alcântara nos horários que variam entre 3h e 9h, dentro de uma média mensal horária; 6

7 2) As nuvens do tipo Stratocumulus (Sc) aparecem com maior freqüência em Natal nos horários de 3h as 9h, e 17h as 23h. Alcântara apresenta uma freqüência de ocorrência baixa desse tipo de nebulosidade; 3) Nuvens baixas, do tipo Cumulonimbus (CB), ocorrem com elevados percentuais entre os meses de janeiro a maio na localidade de Alcântara, enquanto que em Natal, os elevados percentuais acontecem no período de fevereiro a junho; 4) As nuvens do tipo Stratus (St) estágio baixo, aparecem significativamente em Natal durante todo o ano; em Alcântara, sua ocorrência é menos significativa; este tipo de nebulosidade pode restringir à visibilidade horizontal e relacionar-se com a formação de nevoeiros; 5) Nuvens baixas, de desenvolvimento vertical como Cumulus (Cu) e TCU são comuns nas regiões estudadas; ocorre um considerado número de ocorrências, estando estas, também relacionadas com a convecção local; 6) As nuvens do tipo Altocumulus (Ac) estágio médio, aparecem significativas em termos percentuais durante boa parte do período analisado; O levantamento de dados climatológicos de nebulosidade, das localidades de Natal e Alcântara colabora de maneira crescente, no estudo da climatologia. Provavelmente, novos trabalhos serão realizados, objetivando um maior aprimoramento nesta área, com aplicações em missões futuras na parte operacional, relacionadas ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) e ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). X Agradecimentos Ao Pesquisador Roberto Lages Guedes, pela oportunidade em participar deste trabalho, ao Pesquisador Ieso de Miranda, pelo apoio em termos de fornecimento de dados meteorológicos de superfície e ao Capitão Especialista em Meteorologia Eduardo Iorio Pereira, pelo constante incentivo. XI Bibliografia AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos. Ed. Bertrand Brasil S.A. Rio de Janeiro Rj, p. 332, KOUSKY, V.E. Influências da Circulação de escala sinótica na costa N-NE da América do Sul. INPE 73 SP, Consulta ao Arquivo Técnico da Divisão de Ciências Atmosféricas ACA Do Instituto de Aeronáutica e Espaço São José dos Campos SP, com utilização dos formulários das estações meteorológicas de superfície, das localidades de Natal e Alcântara. 7

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