ANÁLISE DAS ATITUDES EM RELAÇÃO À ESTATÍSTICA DE ALUNOS DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, FARMÁCIA E LICENCIATURA EM MATEMÁTICA

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1 ANÁLISE DAS ATITUDES EM RELAÇÃO À ESTATÍSTICA DE ALUNOS DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, FARMÁCIA E LICENCIATURA EM MATEMÁTICA Prof. Dr. Marcos Antonio de Santos de Jesus Unisanta Profa. Ms. Inês Esteves Unisanta RESUMO Este trabalho buscou analisar as atitudes (emocional) em relação à estatística e o desempenho (cognitivo) nesta disciplina de alunos regularmente matriculados em cursos superiores de Administração de Empresas, Farmácia e Licenciatura em Matemática. Para a coleta de dados foi utilizada uma escala de atitude, a qual foi aplicada em 253 alunos de uma universidade localizada em Santos, SP e como desempenho utilizou-se a média obtida pelos alunos na disciplina de Estatística. Para analisar a relação existente entre estas duas variáveis foi feito um estudo do coeficiente de correlação e do coeficiente de explicação da regressão linear. Aplicou-se também um teste para avaliar a significância destes coeficientes. Palavras-chave: atitudes em relação à estatística, desempenho, correlação. Introdução Observa-se em salas de aulas de cursos de graduação um desinteresse por parte dos alunos pelos conteúdos estatísticos ou pela disciplina probabilidade e estatística ministrada em cursos superiores. Em especial a desvalorização desse conteúdo parece ser maior em alunos que pertencem a cursos que não são da área de exatas, como por exemplo, nas áreas de biológicas, humanas e de ciências sociais. Muitos são os fatores que influenciam para que isso ocorra. Mas, talvez um deles seja a as atitudes que os alunos têm em relação à estatística. Sabe-se que as atitudes que são construídas em relação a um determinado objeto, evento ou sujeito, podem aproximar o indivíduo ou distanciá-lo, torná-lo a favor ou contra e ainda ter uma opinião positiva ou negativa sobre tal objeto, evento ou pessoa. Nesse contexto acadêmico, não se pode deixar de considerar a influência de alguns constructos hipotéticos, como é o caso das atitudes, que para a Psicologia é

2 um processo ou entidade que supõe existir, mesmo não sendo possível observar ou inferir de forma direta. Dessa forma atitude é um desses constructos elaborados por psicólogos pesquisadores que se dedicam a estudar fatores que influenciam o comportamento humano. Assim como outros conceitos, o de atitude, também possui atributos definidores. De acordo com Klausmeier e Goodwin (1977) as atitudes apresentam atributos da seguinte forma: a) a aprendibilidade que poder ser sem consciência ou intencional; b) a estabilidade poderá ser temporária ou permanente; c) o significado pode ser alto ou baixo; d) o conteúdo que tende a cognitivo alto ou baixo e a orientação que uma esquiva alta ou uma aproximação alta. Inúmeras são as definições apresentadas sobre atitudes, porém todos os teóricos que procuraram formalizar um conceito de atitude mantiveram com fator comum a possibilidade de ser algo que influencie o comportamento humano. Desta forma, Brito (1996) definiu atitude como: disposição pessoal, idiossincrática, presente em todos os indivíduos e dirigida a objetos, eventos ou pessoas e, assume diferente direção ou intensidade de acordo com as experiências do indivíduo. Além disso, apresenta componentes do domínio afetivo, cognitivo e motor. (Brito, 1996, p. 11). Como salientou Coll (1998), as atitudes, além de conteúdos específicos do ensino, impregnam todo o processo educacional, e ocupa um papel de destaque em todo ato de aprendizagem. As atitudes podem ser modificadas ou deixar de existir devido a vários fatores, tais como: observação, imitação, reflexão, avaliação e outros. Um professor pode ensinar atitudes ou modificá-las, (Klausmeier e Goodwin, 1977). Educadores que pretendem modificar as atitudes de seus alunos devem considerar que há muitos fatores para que isso ocorra. No ambiente escolar, as atitudes de um determinado aluno podem ser diferentes conforme o momento e o espaço físico. Um certo aluno que apresenta atitudes positivas em relação à estatística podem apresentar tendência à atitude negativa em relação à outra disciplina qualquer, ou até mesmo à estatística num outro momento. Porém cabe a cada um dos educadores envolvidos nesse processo de ensino e aprendizagem inferir com técnicas adequadas, visando que seus alunos melhorem as atitudes em relação à disciplina ministrada por ele. 2

3 O ser humano vive num mundo de crenças, atitudes e comportamentos. As crenças e atitudes são na maioria das vezes formadas socialmente e irão influenciar o comportamento de todos. No ambiente escolar não poderia ser diferente. 3 AS ATITUDES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE ESTATÍSTICA. A utilização da estatística na atualidade tem provocado uma grande necessidade de formação básica nesta matéria. Os currículos de formação de ensino médio e superior incluem de forma generalizada, recomendações sobre o ensino de estatística. Porém, na prática poucos alunos chegam no ensino superior com conhecimentos básicos de estatística, poucos têm conhecimentos sobre alguma medida de tendência central e de dispersão. Os cálculos estatísticos estão cada vez mais freqüentes no dia a dia das pessoas, na maioria das vezes pela apresentação de informações na mídia que utilizam gráficos e conceitos estatísticos cada vez mais elaborados. Especificamente no Brasil observam-se nos últimos anos, que em congressos, encontros e eventos de natureza científica, estão sendo apresentadas novas propostas e discussões sobre o ensino de estatística. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 2001), especificamente no de matemática, é dada ênfase à necessidade de se tratar dos conceitos e procedimentos estatísticos em sala de aula. De um modo geral o ensino de probabilidade e estatística nos cursos superiores é desvinculado da realidade, e apresentado aos alunos em formação, sem nenhum vínculo com a realidade local. Há alguns anos vêm s discutindo novas técnicas e procedimentos didáticos para o ensino de estatística nos cursos superiores, no ensino médio e fundamental. Uma das grandes preocupações com o processo de ensino e aprendizagem de qualquer que seja o conteúdo, é se está ocorrendo na forma significativa, que considera além de outros fatores a compreensão do significado do conceito apresentado.

4 4 SUJEITOS, MÉTODOS E MATERIAIS. Sujeitos Para este estudo foram sujeitos da pesquisa 253 alunos de cursos de graduação, destes 110 do curso de Administração de Empresas, 122 do curso de Farmácia e 21 do curso de Licenciatura em Matemática. Todos alunos cursaram esta disciplina, num nível introdutório. Objetivo O objetivo da presente pesquisa foi de verificar qual o grau de correlação existente entre as variáveis desempenho e pontuação na escala de atitude. Instrumentos e procedimentos Para coleta de dados foram utilizados dois instrumentos. O primeiro instrumento foi à escala de atitudes em relação à estatística, adaptada e validada por Cazorla, Silva, Vendramini e Brito (1999), com base na escala de Brito (1998). É uma escala do tipo Likert, com 20 proposições, sendo 10 positivas e 10 negativas, cada uma com quatro possibilidades de respostas: discordo totalmente, discordo, concordo, concordo totalmente, que recebem pontuação de um a quatro respectivamente, para as proposições positivas, invertendo-se os pesos para as negativas. A soma das pontuações nas 20 proposições da escala de atitudes pode variar de 20 a 80. Não foi utilizado o ponto neutro ou indeciso. Esta escala de atitudes foi aplicada durante uma das aulas pelos pesquisadores. O segundo instrumento para avaliar o desempenho em estatística foi à média alcançada pelos alunos na referida disciplina ministrada pelos pesquisadores. Resultados e discussão Para analise dos dados foi utilizado o pacote estatístico SPSS (Statisitical Package for Social Science), e o nível de significância estabelecido foi de 5%. Como resultado geral dos três cursos nas atitudes em relação à estatística a média encontrada foi igual a 54,28 com desvio padrão 9,69. Usando o teste t para variâncias equivalentes para analisar separadamente as médias de pontuação de atitudes, não se obteve diferenças significativas entre os cursos (p>0,05). A média de desempenho na disciplina em relação aos três cursos foi de 5,996 com desvio padrão de 2,028. Analisando as médias de desempenho, separadamente, também não se encontrou diferença significativa entre os curso (p>0,05). De acordo com a correlação de Pearson calculada entre as variáveis desempenho e pontuação na escala de atitude obteve-se coeficiente 0,204 e p = 0,001. Na análise de regressão linear para variável dependente desempenho em função da independente atitude encontrou-se y = 0,0427x + 3,675 e R 2 = 4,16% (p < 0,05). Baseando-se nos resultados encontrados observou-se que ao analisar-se a dependência do desempenho em função das atitudes em relação à estatística, apresentou um coeficiente baixo e que apenas 4,16% do desempenho pode ser explicado em função das atitudes. É importante salientar que além das atitudes existem outros fatores que influenciam o desempenho do aluno, tais como: hábito de estudo, assiduidade às aulas, dentre outros.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 5 BRITO, Márcia R. F. Um estudo sobre as atitudes em relação à matemática em estudantes de 1º e 2º graus. Campinas, São Paulo: Faculdade de Educação da UNICAMP. Livre Docência, BRITO, Márcia R. F. Adaptação e validação de uma escala de atitudes em relação à matemática. Zetetiké.v (9), n (6), pp jan/jun, CARZOLA,I.M., SILVA,C.B., VENDRAMINI C. M. M. & BRITO M.F.R. Adaptação e Validação de uma escala de atitudes em relação à estatística. Anais da Conferência Internacional; experiências e perspectivas do ensino da estatística, Florianópolis, Santa Catarina 45 57, COLL, C. et al. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. Tradução: Beatriz Affonso Neves. Porto Alegre: Artes Médicas, KLAUSMEIER, Hebert J. e GOODWIN, William. Manual de psicologia educacional. Tradução de Maria Célia Teixeira Azevedo de Abreu. São Paulo: Harper & Row do Brasil, MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Secretaria de Educação Fundamentação Brasília: MEC/SEF, v (13), 2001.

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