GOVERNO DO RIO DE JANEIRO Secretaria de Estado de Cultura Plano Estadual de Cultura

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1 GOVERNO DO RIO DE JANEIRO Secretaria de Estado de Cultura INTRODUÇÃO A Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro (SEC) está coordenando a elaboração do Plano Estadual de Cultura, a partir do diálogo com gestores públicos dos 92 municípios do estado, agentes culturais, artistas, Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa e o Ministério da Cultura para apontar diretrizes e estratégias de políticas públicas de cultura para os próximos 10 anos, no Estado do Rio de Janeiro. Além dos encontros que estão ocorrendo em todas as regiões do estado para discutir Lei e Plano Estaduais de Cultura, a SEC está promovendo também discussões sobre 11 setores e linguagens artísticas (Artes Visuais, Audiovisual, Circo, Dança, Música de Concerto, Música Popular, Livro e Leitura, Museus, Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial; e Teatro). O texto a seguir foi encomendado pelo Grupo de Planejamento Setorial de Museus, criado pela SEC em 27 de abril de 2012, e tem por objetivo estimular o debate sobre as políticas públicas para esse setor. Além deste, outros textos, também encomendados, estão disponíveis na página do Plano na internet (http://www.cultura.rj.gov.br/projeto/plano-estadual-de-cultura), a partir de agosto de Qualquer pessoa ou entidade pode enviar seus comentários e sugestões através dessa página. Após um período de debates pela internet haverá uma reunião pública para cada setor, cujas datas serão amplamente divulgadas, onde os textos serão apresentados e discutidos também presencialmente. Esperamos que a discussão em torno das ideias trazidas aqui estimule a apresentação de propostas de diretrizes e estratégias a serem incorporadas pelas políticas setoriais do. SOBRE A AUTORA Helena Cunha de Uzeda é doutora em Artes Visuais e Mestre em História e Crítica da Arte - EBA-UFRJ. Professora Adjunto de Museologia - Escola de Museologia, Coordenadora de Cultura - Pró-Reitoria de Extensão e Cultura / PROEXC da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO.

2 CRIAÇÃO DE UM PROGRAMA ESTADUAL DE CAPACITAÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA OS MUSEUS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Helena Cunha de Uzeda Objetivo Criar cursos de especialização lato sensu voltados a profissionais formados em museologia ou que atuem no campo, visando ampliar os conhecimentos teóricos e práticos em áreas específicas de maior demanda nas instituições museológicas do Estado do Rio de Janeiro. Parcerias Esses cursos poderão ser realizados a partir de parcerias estabelecidas entre a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, por intermédio da Superintendência de Museus, os museus no âmbito do território fluminense interessados e as instituições acadêmicas. A ideia é poder contar ainda com a colaboração do Instituto Brasileiro de Museus / IBRAM e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro / FAPERJ. Metodologia Utilizando o levantamento dos perfis e das demandas mais críticas de capacitação profissional identificadas nos museus fluminenses, estabelecer cursos de especialização ou de aperfeiçoamento, considerados como lato sensu, com o objetivo de capacitar ou atualizar, nas áreas específicas identificadas, profissionais já graduados no ensino superior, tecnólogos ou bacharéis. A carga horária mínima desses cursos seria de 360 horas/aula (podendo a parte teórica ser ministrada sob a forma de ensino à distância (EaD) e a parte prática em aulas presenciais, em locais que já detenham experiência no campo a ser ensinado e instalações apropriadas já implantadas. 1

3 Introdução A Política Nacional dos Museus, como uma das primeiras iniciativas do Ministério da Cultura, propôs, em 2003, uma estruturação em sete eixos 1 programáticos norteadores de ações essenciais para o desenvolvimento de ações no campo da museologia brasileira. O terceiro desses eixos Formação e Capacitação de Recursos Humanos relaciona-se diretamente a dois outros eixos fundamentais, que também fazem parte desse conjunto de ações: Democratização e Acesso aos Bens Culturais e Aquisição e Gerenciamento de Acervos Museológicos. O primeiro, conquanto seja uma vocação obrigatória das instituições museais, representa um esforço que demanda grande número de profissionais capacitados para que essas atribuições comunicacionais possam ser concretizadas, criando ou ampliando o interesse do público e respondendo ao crescimento do número de museus e instituições correlatas. O outro eixo Aquisição e Gerenciamento de Acervos Museológicos exige mais diretamente a atuação de profissionais habilitados no manuseio de coleções, exigindo domínio mais profissional dos processos de gestão e competências inerentes ao campo museológico, especificamente, as que dizem respeito ao trato direto com o patrimônio material. O surgimento de novos museus, especificamente no Estado do Rio de Janeiro, confirma o crítico de arquitetura e design do New York Times, Raul Barreneche 2, em sua afirmação de que o século XXI passará a ser conhecido como a Idade de Ouro dos Museus. Na Europa e Estados Unidos, a década de 1990 assistiu com entusiasmo ao grande desenvolvimento de construções de incríveis prédios projetados para novos museus, assim como inúmeras expansões e anexos foram criados em instituições tradicionais. A compra de ingressos com grande antecedência para as exposições e as longas filas para visitação diante dos museus tornou-se uma rotina das capitais culturais ao redor do mundo. Tudo isso é resultado de gestões vigorosas, que seriam impensáveis sem recursos humanos qualificados, essenciais para uma atuação eficiente dentro do diversificado campo museológico. A conclusão é simples: não basta a criação e expansão de novos museus sem que esse esforço se faça acompanhar pela formação de pessoal capacitado para geri-los e para responder às demandas institucionais em todas as suas especificidades Gestão e configuração do campo museológico; 2. Democratização e acesso aos bens culturais; 3. Formação e capacitação de recursos humanos; 4. Informatização de museus; 5. Modernização de infraestruturas museológicas; 6. Financiamento e fomento para museus; 7. Aquisição e gerenciamento de acervos museológicos. MINISTÉRIO DA CULTURA. Política Nacional de Museus - Memória e Cidadania. Brasília, MinC, Disponível em: <http://www.museus.gov.br/sbm/politica_apresentacao.htm> 2 BARRENECHE, R. A. New museums. New York: Phaidon,

4 O Programa de Formação e Capacitação de Recursos Humanos do IBRAM A urgência de se contar com pessoal qualificado para a área museológica fez com que fosse exatamente a Formação e Capacitação de Recursos Humanos o primeiro dos sete eixos a ser considerado pela Política Nacional de Museus. Em texto disponibilizado por mídia eletrônica em 2003, consta como linha programática dessa Política, a ampliação da oferta de cursos de graduação e pós-graduação (estrito e lato sensu) em museologia, destacando uma demanda por cursos de extensão e oficinas nas diferentes áreas de atuação dos museus. Como consequência, pudemos observar um real crescimento dos cursos de graduação em museologia a partir de então, passando das duas mais antigas escolas brasileiras (UNIRIO e UFBA) 3 para os atuais 14 cursos que formam profissionais para a área. Em relação aos cursos de pós-graduação, a Escola de Museologia da UNIRIO já oferece cursos de Mestrado e de Doutorado em seu Programa de Pós- Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-MUS/UNIRIO), sendo que suas linhas de pesquisa voltam-se primordialmente ao campo teórico. Num esforço nacional, o Programa de Formação e Capacitação em Museologia do IBRAM que atende hoje a 27 estados brasileiros, incluindo o Rio de Janeiro realizou, entre 2003 e 2010, conforme dados do Relatório de Gestão do IBRAM ( ), 540 oficinas e quatro fóruns nacionais, alcançando um universo de profissionais. As oficinas oferecidas dividiam-se em 14 tipos: 1) Museu, memória e cidadania; 2) Plano museológico: implantação, gestão e organização dos museus; 3) Elaboração de projetos e fomento para a área museológica; 4) Ação educativa em museus; 5) Conservação de acervos; 6) Gestão e documentação de acervos; 7) Treinamento de equipes administrativas e de apoio; 8) Expografia; 9) Arquitetura em museus; 10) Implantação de sistemas de museus; 11) Museus e turismo; 12) Segurança em museus; 13) Estudos de público; e 14) Museus e novas tecnologias da informação. Cada uma dessas oficinas teve duração de três dias, perfazendo um total de 24 horas-aula, como consta no site oficial da instituição 4. A iniciativa de oferecer oficinas de curta duração representou um primeiro esforço emergencial, mas que não teve maior abrangência e continuidade, necessitando-se agora de uma ampliação e aprofundamento, com o desenvolvimento mais sólido de competências. Esse objetivo poderia ser alcançado por meio de 3 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); Universidade Federal da Bahia- UFBA Programa de Qualificação em Museologia. Disponível em: <http://www.museus.gov.br/programa-de-qualificacao-emmuseologia/> 4 Programa de Qualificação em Museologia. Disponível em: <http://www.museus.gov.br/programa-de-qualificacaoem-museologia/> 3

5 cursos de formação no nível de pós-graduações lato sensu, como já aparece sugerido no próprio Programa de Formação e Capacitação, o que auxiliaria à capacitação dos profissionais das áreas que demandam maior especialização nos museus. Levantamento dos perfis e demandas dos museus fluminenses O trabalho desenvolvido pelo projeto-piloto, realizado na cidade de Salvador, Bahia, em 2003, que deu início ao Programa de Formação e Capacitação em Museologia que orientaria as iniciativas semelhantes nos demais estados do país, incluindo o Rio de Janeiro destacou, como primeiro passo do Programa, a identificação do perfil dos museus do estado. Esse levantamento é de relevância inquestionável como ponto de partida para a análise das reais necessidades técnicas e operacionais de cada instituição. Ainda que as especificidades das coleções sob a guarda de diferentes museus e instituições de memória devam orientar a capacitação dos profissionais, as carências em relação aos processos de registro informatizado e gestão desses acervos e cuidados de conservação preventiva e restauração colocam-se como demandas urgentes e comuns à quase totalidade das instituições que lidam com patrimônio material no Brasil. Programa de Formação e Capacitação para Profissionais de Museus do Estado do Rio de Janeiro Considerando a importância de acompanhar a orientação da Política Nacional de Museus, mas reconhecendo a necessidade de ampliar e adaptar o programa de capacitação para a realidade e as demandas estaduais, entendemos como fundamental o desenvolvimento de um projeto de criação de cursos de especialização voltados ao aperfeiçoamento e qualificação de profissionais de museus e áreas correlatas, assim como de graduados em museologia. Ainda que não tenhamos ainda identificado as demandas mais prementes dos museus do estado, os tipos de oficinas escolhidas pelo Programa de Formação e Capacitação em Museologia do IBRAM podem indicar, num primeiro momento, o que devem ser necessidades comuns a quase todos os museus. Dos tipos de oficinas disponibilizadas pelo IBRAM consideramos dez: 1) Plano museológico: implantação, gestão e organização dos museus; 2) Elaboração de projetos e fomento para a área museológica; 3) Ação educativa em museus; 4

6 4) Conservação de acervos, embalagem e transporte; 5) Gestão e documentação de acervos; 6) Expografia: projeto e montagem de exposições; 7) Arquitetura em museus: as necessidades espaciais e funções; 8) Museus e turismo: fruição do patrimônio cultural; 9) Segurança em museus; 10) Museus e novas tecnologias da informação. Algumas instituições, como os próprios museus e instituições de ensino de várias áreas do conhecimento poderiam incluir cursos de especialização lato sensu. Instituições acadêmicas e museus que possuam laboratórios para conservação e restauração poderiam oferecer cursos de especialização nessas áreas técnicas. Os cursos de cunho teórico com ênfase em gestão seriam ministrados por instituições acadêmicas que se dediquem à área de administração. Dessa forma, diferentes instituições poderiam participar da formação desses profissionais, contribuindo, dentro de seus campos específicos de atividade, para formar polos especializados nas carências funcionais identificadas. Esse projeto poderia ser viabilizado através de uma parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro / FAPERJ, cujo objetivo é exatamente estimular e dar suporte financeiro ao desenvolvimento de projetos que incentivem o ensino e a pesquisa no Estado do Rio de Janeiro. A proposta é que a FAPERJ crie, dentro de sua linha de Programas, o Programa Estadual de Capacitação para Profissionais de Museus, voltado para suprir as necessidades de instituições fluminenses. Já existe um programa de Treinamento e Capacitação Técnica na referida instituição de fomento, cujo objetivo é Incentivar alunos de graduação com vocação para a pesquisa científica e tecnológica, treinandoos em unidades de ensino e pesquisa, sob a supervisão de um orientador qualificado. 5 Esse programa, entretanto, exige ser coordenado por pesquisadores ligados às Instituições de ensino e pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. Se houvesse a possibilidade da criação de um Programa de Capacitação vinculado diretamente ao Sistema Estadual de Museus e/ou à Superintendência de Museus, que organizaria um projeto continuado de Capacitação. A ideia necessita ser levada e discutida com os responsáveis pela instituição de Programas da FAPERJ, que poderiam sugerir algum outro caminho que pudesse viabilizar recursos, sob a forma de bolsas de auxílio, para a capacitação de profissionais de museus. 5 Página oficial da FAPERJ: <http://www.faperj.br/interna.phtml?obj_id=46> 5

7 Importância da criação de Cursos de Especialização em Museologia A possibilidade de transformar unidades acadêmicas e museus em polos para a capacitação especializada de profissionais para que as demandas da área possam ser atendidas responde às diretrizes do Programa do IBRAM. Os cursos de especialização poderiam estar abrigados em diferentes instituições acadêmicas de ensino superior e em instituições museológicas capacitadas, formando, assim, núcleos difusores de qualificação especializada para profissionais de todo os museus do Estado do Rio de Janeiro, com maiores recursos de infraestrutura e de tempo. Os cursos de especialização ou de aperfeiçoamento, considerados como lato sensu, têm como objetivo a atualização de profissionais graduados no nível superior, tecnólogos ou bacharéis, com carga horária mínima de 360 horas de aulas presenciais, abrangendo atividades práticas e teóricas. Os cursos seriam estruturados em 10 horas semanais durante 72 semanas, divididos em 180 horas teóricas, no primeiro semestre, e 180 horas de aprendizado prático no segundo. Pode ser considerado o formato de ensino à distância para a parte teórica o que teria a vantagem de não afastar o profissional de suas atividades junto as suas instituições nos municípios de origem, sendo a parte prática ministrada na instituição acadêmica, com o conteúdo estruturado em 10 horas semanais durante 36 semanas. REFERÊNCIAS BARRENECHE, R. A. New museums. New York: Phaidon, 2005 BRUNO, M. O. Considerações sobre o Profissional de Museu e sua Formação. Anais da II Semana de Museus da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, SÁ, Ivan Coelho de. Oficina de Conservação Preventiva de Acervos. Porto Alegre: SEM Museologia: teoria e prática. Cadernos de Museologia (16) Lisboa: Centro de Estudos de SocioMuseologia. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias MINISTÉRIO DA CULTURA. Política Nacional de Museus - Memória e Cidadania. Brasília, MinC, Disponível em: <http://www.museus.gov.br/sbm/politica_apresentacao.htm MINISTÉRIO DA CULTURA. Programa de Qualificação em Museologia. Disponível em: <http://www.museus.gov.br/programa-de-qualificacao-em-museologia/ 6

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