Dosimetria e Proteção Radiológica

Documentos relacionados
INTERAÇÃO DA RADIAÇÃO COM A MATERIA

Efeito Fotoelétrico. Dosimetria e Proteção Radiológica. Efeito Fotoelétrico

Capítulo 7 Interação da Radiação gama e X com a matéria

SEL FUNDAMENTOS FÍSICOS DOS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE IMAGENS MÉDICAS. Prof. Homero Schiabel (Sub-área de Imagens Médicas)

Interação da Radiação Eletromagnética com a Matéria Parte 1. FÍSICA DAS RADIAÇÕES I Paulo R. Costa

Interação da radiação com a matéria

Introdução às interações de partículas carregadas Parte 1. FÍSICA DAS RADIAÇÕES I Paulo R. Costa

CURSO DE RADIOPROTEÇÃO COM ÊNFASE NO USO, PREPARO E MANUSEIO DE FONTES RADIOATIVAS NÃO SELADAS

Capítulo 3 Atenuação Exponencial

Física Experimental C. Coeficiente de Atenuação dos Raios Gama

Instituto de Física USP. Física V - Aula 14. Professora: Mazé Bechara

Dosimetria e Proteção Radiológica

Instituto de Física USP. Física Moderna I. Aula 10. Professora: Mazé Bechara

O Efeito Fotoelétrico

INSTRUMENTAÇÃO NUCLEAR INTERAÇÃO DA RADIAÇÃO COM A MATÉRIA. Claudio C. Conti

Capítulo 9 Produção de Raios X e Qualidade

TÉCNICAS DE MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE VARREDURA PARA CARACTERIZAÇÃO DE MATERIAIS PMT-5858

RAIOS-X (RAIOS RÖNTGEN)

RAIOS-X (RAIOS RÖNTGEN)

FÍSICA MODERNA I AULA 06

CAPÍTULO 38 HALLIDAY, RESNICK. 8ª EDIÇÃO

NOTAS DE AULAS DE FÍSICA MODERNA

NOTAS DE AULAS DE FÍSICA MODERNA

CURSO DE RADIOPROTEÇÃO COM ÊNFASE NO USO, PREPARO E MANUSEIO DE FONTES RADIOATIVAS NÃO SELADAS

Interação de partículas carregadas rápidas com a matéria parte 3. FÍSICA DAS RADIAÇÕES I Paulo R. Costa

PRODUÇÃO DE RAIOS X. Produção de raios X Tubo de raios X. Produção de raio x Tubo de raios X

NOTAS DE AULAS DE FÍSICA MODERNA

LISTA 1 PARA ENTREGAR. Raios ultravioletas

Introd. Física Médica

Espectro Eletromagnético. Professor Leonardo

NOTAS DE AULAS DE FÍSICA MODERNA

UFABC - Física Quântica - Curso Prof. Germán Lugones. Aula 7. Exercícios

Proteção e higiene das Radiações II. Profª: Marina de Carvalho CETEA

Interação de partículas carregadas rápidas com a matéria parte 2. FÍSICA DAS RADIAÇÕES I Paulo R. Costa

Equipamentos geradores de radiação para radioterapia

Capítulo 38 Fótons e Ondas de Matéria Questões Múltipla escolha cap. 38 Fundamentos de Física Halliday Resnick Walker

NOTAS DE AULAS DE FÍSICA MODERNA

Laboratório de Sistemas de Detecção Seminários do LSD. Rio de Janeiro, Brasil 11 de Outubro de Detectores a Gás

Capítulo 1 Radiação Ionizante

Vitor Oguri Departamento de Física Nuclear e Altas Energias Instituto de Física Armando Dias Tavares Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Análise de alimentos II Introdução aos Métodos Espectrométricos

Princípios da Interação da Luz com o tecido: Refração, Absorção e Espalhamento. Prof. Emery Lins Curso Eng. Biomédica

Capítulo 2 Grandezas para a Descrição da Interação da Radiação Ionizante com a Matéria

Uma breve história do mundo dos quanta. Érica Polycarpo Equipe de Física Coordenação: Prof. Marta Barroso

Física Moderna I Aula 09. Marcelo G Munhoz Pelletron, sala 245, ramal 6940

Instituto de Física USP. Física V - Aula 11. Professora: Mazé Bechara

CF373-Mecânica Quântica II (Uma Abordagem Elementar à Teoria Quântica do Espalhamento)

Aula 7 INTERAÇÃO DA RADIAÇÃO COM A MATÉRIA

Física IV - FAP2204 Escola Politécnica GABARITO DA PS 15 de dezembro de 2009

Cap. 38 Fótons e ondas de matéria

Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Física Disciplina: Física IV-A Data: 03/07/2019. (c) I 1 = I 2.

SUGESTÕES DE EXERCÍCIOS PARA A SEGUNDA AVALIAÇÃO

2. Propriedades Corpusculares das Ondas

Capítulo 8 Interação de Partículas Carregadas com a Matéria

ANDRÉ LUIZ PINTO CBPF

Estrutura da Matéria BIK Prof. Fernando Carlos Giacomelli (Turma A)

Cálculo da dose absorvida. FÍSICA DAS RADIAÇÕES I Paulo R. Costa

SEL PRINCÍPIOS FÍSICOS DE FORMAÇÃO DE IMAGENS MÉDICAS. Prof. Homero Schiabel

Técnicas de Caracterização de Materiais

Revisão de Conceitos e Fundamentos de Física das Radiações (B)

Aula 1 Conceitos Básicos sobre Radiação. F 107 Física para Biologia 1º Semestre de 2010 Prof.Dr. Edmilson JT Manganote

Contextualização. O aparecimento da Física Atómica teve o contributo de diversas descobertas. Contam-se: 1) Os espectros de absorção e de emissão.

Solução Comentada da Prova de Física

Física IV Escola Politécnica GABARITO DA P2 16 de outubro de 2012

Física 4. Guia de Estudos P2

Solução Comentada da Prova de Física

INTRODUÇÃO À FÍSICA MÉDICA

Max Planck Pai da Física Quantica

Principais modelos atômicos. Principais modelos atômicos Modelo Atômico de Rutherford (1911)

Radiação Eletromagnética como Partícula

Universidade Federal do Ceará Coordenadoria de Concursos - CCV 2ª ETAPA PROVA ESPECÍFICA DE FÍSICA PROVA ESPECÍFICA DE FÍSICA

Física IV - FAP2204 Escola Politécnica GABARITO DA PR 2 de fevereiro de 2010

Instituto de Física USP. Física V - Aula 21. Professora: Mazé Bechara

Universidade Federal do Pampa UNIPAMPA. Oscilações. Prof. Luis Armas

Desintegração Nuclear. Paulo R. Costa

Produção e qualidade dos raios X - Parte 1. FÍSICA DAS RADIAÇÕES I Paulo R. Costa

Transcrição:

Dosimetria e Proteção Radiológica Prof. Dr. André L. C. Conceição Departamento Acadêmico de Física (DAFIS) Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial (CPGEI) Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Interação da radiação com a matéria N dl N dn N = μdl l N L dn N = μ dl N l= N = N e μl μ = μ 1 + μ + μ 3 + μ n André L. C. Conceição 6.9.13 Slide Exercício Um feixe contendo 1 3 fótons incide sobre um material cuja espessura é 16 cm e tem coeficiente de atenuação linear igual a,1 cm 1. Determine o número de fótons transmitidos André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 3 1

Camada semi-redutora ou HVL HVL: a espessura de um material que atenua o feixe incidente em 5%. N = N e μl HVL = x h =,693 μ André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 4 Exercício Em uma unidade de Co-6 a diferença entre a taxa de exposição a 1 metro da fonte quando está ligada em relação ao momento em que a unidade está desligada é de.4. vezes. Estime a espessura de chumbo que deveria ser utilizada para termos a mesma taxa de exposição em ambas situações (ligada e desligada), dado o coeficiente de atenuação linear do chumbo em 66 m -1. R:,31 m de Pb André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 5 Coeficiente de atenuação de massa O que difere estas substâncias? μ ab = μ ρ Massa específica André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 6

Interação da radiação com a matéria Radiação incide em um sistema biológico na forma de um feixe de raios X Interação Primário com um elétron (A) Fóton é espalhado Elétron absorve energia na forma de energia cinética Radiação de frenagem Ionizações, excitações, quebra de ligações moleculares, calor (B) Repete-se as possibilidade (A) e (B) Alterações químicas Alterações biológicas (C) (D) André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 7 Energia transferida e Absorvida Ex: Se um fóton de 1 MeV interage com um alvo de Carbono, ele transfere 7,3 MeV a um elétron do alvo na forma de energia cinética, porém apenas 7,4 MeV é absorvido. O excedente,6 MeV é liberado na forma de radiação de frenagem. André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 8 Exercício Um feixe colimado de raios X contendo 1 4 fótons de 1 MeV de energia atinge on grande bloco de carbono de cm de espessura. Determine a energia absorvida em uma camada de 1 mm na espessura de 1 cm do bloco. Dado a ρ = 5 kg m 3 1) Calcular o número de fótons que chegam a 1 cm de espessura dentro do bloco:,1 m 5 kg kg = 5, m3 m N = N e μx = 1 4 e,441 = 6434 m kg μx =,196 5 kg m =,441 ) Calcular o número de interações que ocorrem em uma camada de 1 mm: 6434,196 m kg 1 3 m 5 kg m 3 = 8,37 3) Calcular a energia absorvida em uma camada de 1 mm: E ab = 8,37 7, MeV = 199,7 MeV André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 9 3

Interação da Radiação com a matéria Existem 5 tipos de interação da radiação ionizante com a matéria que deve ser considerada na física radiológica: 1. Efeito Fotoelétrico. Efeito Compton (espalhamento inelástico) 3. Produção de pares 4. Espalhamento elástico (espalhamento Rayleigh) 5. Interações fotonucleares 1, e 3 resultam na transferência de energia ao elétron por interação Coulombianas. André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 1 Interação da Radiação com a matéria A importância relativa do efeito Compton, efeito fotoelétrico e produção de pares depende de ambos: a energia do fótons (E = h) e o número atómico Z do meio absorvedor. Modos de Interação da Radiação com a matéria 4

Efeito Compton Efeito Compton A descrição do efeito Compton pode ser convenientemente subdividida em dois aspectos: cinemática e seção de choque A primeira descreve as energias e ângulos das partículas participantes quando o efeito Compton ocorre; a segunda prediz a probabilidade de que a interação por efeito Compton ocorra. Em ambos aspectos assumiremos que o elétron no qual o fóton incide está livre e inicialmente em repouso. Efeito Compton - Cinemática 5

Efeito Compton - Cinemática Após a colisão o elétron é espalhado em um ângulo, com energia cinética T e momento p O fóton é espalhado em um ângulo com uma nova, menor energia h e momento h/c A solução da cinemática desta colisão é baseda na conservação da energia e do momento Da conservação da energia temos: T h h Efeito Compton - Cinemática A conservação do momento na direção do fótons incidente( ) pode ser expressa como: or h h cos p cos c c h h cos pc cos A conservação do momento na direção perpendicular à incidência resulta em: h sin pc sin Efeito Compton - Cinemática pc pode ser escrito em termos det através de: pc onde m é a massa de repouso do elétron Esta equação pode ser derivada das três seguintes relações relativísticas: T T m c m m 1 v / c p mv T mc m c 6

Efeito Compton - Cinemática Como resultado da substituição para pc, nós temos um conjunto de três equações simultâneas relacionando 5 parâmetrons: h, h, T,, and. h 1 T h h h h / m c 1 cos h cot 1 tan mc Efeito Compton - Cinemática Para h <,1 MeV todas as curvas para diferentes valores de convergem para diagonal, indicando que h = h. Consequentemente o elétron não recebe praticamente nada de energia cinética na interação Isto significa que o espalhamento Compton aproxima-se do elástico para fótons de baixa energia. André L. C. Conceição 6.9.13 Slide Efeito Compton - Cinemática A falha na teoria de Thomson para descrever fótons de alta energia propiciou o desenvolvimento da teoria de Compton. Para fótons incidentes com alta energia, o fóton retroespalhado ( = 18 ) tem uma energia h aproximada de,555 MeV, enquanto o espalhado perpendicularmente ( = 9 ) tem h.511 MeV A energia cinética do elétron recolhido é mostrado na figura como uma distância vertical para um determinado abaixo da linha diagonal, em termos da escala de energia h Assim, no exemplo da figura (h = 1 MeV e = 9 ), T = 1.49 = 9,51 MeV. 7

Efeito Compton - Cinemática Quando =, = 9, e quando = 18, =, para todas as energias dos fótons. A dependencia de sobre é uma forte função de h entre os extremos angulares. Para fótons de baixa energia 9 - /; o ângulo do elétron espalhado diminui gradativamente de 9 a conforme o ângulo do fóton aumenta de para 18. André L. C. Conceição 6.9.13 Slide Seção de Choque para efeito Compton Espalhamento Thomson Thomson assume que o elétron está livre para oscilar sob a influência do vetor campo Elétrico de uma onda eletromagnética incidente. O elétron assim, permanece sem energia cinética como um resultado deste evento de espalhamento elástico. Este resultado concorda com as predições da cinemática para o efeito Compton para até cerca de h =,1 MeV, para o qual h =,96 MeV. Seção de Choque para efeito Compton Espalhamento Thomson Thomson deduziu que a seção de choque diferencial por elétron para um fóton espalhado no ângulo, por ângulo sólido, pode ser expressa por: d e r 1 cos d em unidades típicsa de cm sr -1 por elétron r = e /m c =.818 1-13 cm é o raio clássico do elétron. O valor desta equação extra é 7.94 1-6 cm sr -1 e -1 em = and 18, and half of that at = 9 8

Seção de Choque para efeito Compton Espalhamento Thomson A seção de choque para espalhamento Thomson por elétron, e, pode ser dada pela integração em todas as direções de espalhamento Isto pode ser simplificado se assumirmos a simetris cilíndrico e integrar no intervalo de. Note que o elemento anular de ângulo sólido é dado em termos de d = sin d: e d e 8r 3 r 6.651 5 1 cos sin d cm / electron Seção de choque Klein-Nishina para efeito Compton Em 198 Klein e Nishina aplicaram as teorias relativísticas de Dirac do elétron para o Efeito Compton melhorando a descrição das seções de choque. O valor da seção de choque de 6.65 1-5 cm /e, independente de h, foi sabido ser tão grande para h >,1 MeV. O tratamento Klein-Nishina (K-N) teve um marcante sucesso na predição do valor experimental correto, mesmo assumindo que os elétrons estão livre, e inicialmente em repouso. Seção de choque Klein-Nishina para efeito Compton A seção de choque diferencial para um fóton espalhado no ângulo, por unidade de ângulo sólido e por elétron, pode ser escrito como: d e r h h h sin d h h h onde h é dada pela equação de Compton Para baixas energia, como previamente apontado, h h; esta equação torna-se: que é o raio clássico do elétron. r sin 1 d e r cos d 9

Seção de choque Klein-Nishina Seção de choque diferencial Klein-Nishina, d e /d vs. ângulo de espalhamento do fóton, para h =,1;,1; 1,; 1; 1 e 5 MeV André L. C. Conceição 6.9.13 Slide 8 Seção de choque Klein-Nishina A seção de choque total K-N por elétron ( e ) pode ser obtida pela integração sobre todos os ângulos de espalhamento do fótons : d e e sin d d r h h 1 1 r 1 where = h/m c h h sin h h ln1 sin d ln(1 1 3 1 Seção de choque Klein-Nishina A seção de choque Klein-Nishina diminui gradualmente para fótons de alta energia de forma que e (h) -1 e é independente do número atômico Z uma vez que a energia de ligação dos elétrons foi assumida ser zero. Assim, a seção de choque K-N por átomo em para um dado Z é escrita como: Z a e 1

Seção de choque Klein-Nishina A correspondente seção de choque K-N por unidade de massa, /, é chamado de coeficiente de atenuação de massa Compton sendo obtido de: N AZ A (cm /g) e 11