A Psiquiatria e seu olhar



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Transcrição:

A Psiquiatria e seu olhar Esquizofrenia e Transtorno Delirante Professor: Marcus André Vieira

Esquizofrenia F20 F29 Estamira Gomes de Sousa (Estamira), conhecida por protagonizar documentário homônimo, foi uma senhora que apresentava distúrbios mentais, vivia e trabalhava (à época da produção do filme) no aterro sanitário de Jardim Gramacho, local que recebia os resíduos produzidos na cidade do Rio de Janeiro. O documentário foi premiado no mundo todo, produção de 2005 dirigido por Marcos Prado. Ela faleceu em 2011, com 70 anos em consequência de uma septicemia (infecção generalizada). Capítulo 2 A missão e o trocadilo ; Capítulo 6 Controle remoto. Professor Marcus André Vieira 2

Histórico Esquizofrenia (1887) (1906) (1913) (1945) (1945) Emil Kraepelin, foi o primeiro a descrever a esquizofrenia, ele a chamou de Demência Precoce, seu compêndio foi o grande ordenador da nosologia até surgirem as classificações internacionais 4 A s de Bleuler Eugen Bleuler, cunha o termo Esquizofrenia. Sua principal critica é que ela não era derivada de demência e nem surgia precocemente. Visão psicanalítica e de desenvolvimento com o acirramento das alterações psiquicas. Etimologicamente schizo- cisão e phrene-mente Karl Jasper, o que melhor definiu os fenômenos psicopatológic os do ponto de vista de sua experiência subjetiva Kurt Schneider, é o primeiro a promover uma ordenação hierárquica de sintomas, privilegiando os mais objetivos e não os mais subjetivos (distinção adotada pela CID 10 e DSM IV) Sintomas de primeira e segunda ordem Henry EY, propõe o organidinamismo (a doença é a comnbinação de uma alteração orgânica de base associada ao um desenvolvimento psicológico compreensível de adaptação da personalidade à patologia. Professor Marcus André Vieira 3

Esquizofrenia A Esquizofrenia - Transtorno esquizofrênico; É caracterizada por alterações das funções mais básicas que dão à pessoa senso de individualidade, unicidade e direção de si mesmo. São distorções fundamentais do pensamento (sobretudo o delírio), da percepção (sobretudo as alucinações auditivas),do afeto (inadequação e embotamento) e da volição (negativismo). É ressaltada a impossibilidade de se identificar sintomas patognomônicos para a determinação de seu diagnóstico, ou seja, aqueles que seriam detectados unicamente neste transtorno. Critérios Diagnósticos CID 10 Professor Marcus André Vieira 4

Os 4 A s de Eugen Bleuler Bleuler buscava a compreensão da doença em sua essência, por isso valoriza os sintomas mais profundos. Ele privilegia os sintomas negativos e não os positivos: Positivos (ou produtivos): floridos, mais facilmente observáveis (delírios e alucinações); Negativos: mais do espectro do autismo e do embotamento afetivo. Bleuler, toma os sintomas negativos como fundamentais e originários: era do autismo que decorriam muitos dos sintomas acessórios: alucinações, ideias delirantes, perturbações da linguagem e da escrita. Fonte : (1) Bercherie, Paul, Os Fundamentos da clínica, Rio de Janeiro, JZE, p.30 Assim, ele valoriza como critérios diagnósticos alguns sinais que ficaram conhecidos como os 4 A s de Bleuler: autismo, ambivalência, afrouxamentos dos nexos associativos e afetos embotados. Professor Marcus André Vieira 5

Os sintomas de primeira e de segunda ordem de Kurt Schneider Kurt Schneider é o primeiro a promover uma ordenação dos sintomas, baseada em seu valor prático para o diagnóstico, mais do que para melhor descrever a essência da doença. São de primeira ordem os sintomas mais facilmente reconhecíveis e mais específicos da esquizofrenia (percepção delirante, vozes que comentam a ação, difusão do pensamento e vivências de influência, os de segunda ordem estão mais próximos dos sintomas da séria negativa). Primeira ordem não significa, portanto, primários, como os As de Bleuler, mas sobretudo que se observa em primeiro plano. Esta hierarquia pelo objetivo em detrimento do subjetivo veio a ser o alicerce das classificações atuais (CID e DSM). Seus sintomas de primeira ordem Professor Marcus André Vieira 6

Esquizofrenia Critérios diagnósticos - CID 10 Os sintomas foram agrupados na CID-10 da seguinte maneira: a) eco do pensamento, inserção ou roubo do pensamento, irradiação do pensamento; b) delírios de controle, influência ou passividade claramente referindo-se ao corpo ou movimentos dos membros ou pensamentos específicos, ações ou sensações, percepção delirante; c) vozes alucinatórias comentando o comportamento do paciente ou discutindo entre elas sobre o paciente ou outros tipos de vozes alucinatórias vindo de alguma parte do corpo; d) delírios persistentes de outros tipos que são culturalmente inapropriados e completamente impossíveis, tais como identidade política ou religiosa ou poderes e capacidade sobrehumana; e) alucinações persistentes de qualquer tipo de modalidade, quando acompanhadas por delírios superficiais ou parciais sem claro conteúdo afetivo, ou por idéias sobrevaloradas persitentes ou quando ocorre em todos os dias da semana ou meses continuadamente; f) intercepções ou interpolações no curso do pensamento, resultando em discurso incoerente, irrelevante ou neologismos; g) comportamento catatônico, tal como excitação, postura inadequada ou flexibilidade cérea, mutismo, negativismo e estupor; h) sintomas negativos (apatia marcante, pobreza do discurso, embotamento ou incongruência de respostas emocionais, resultando em retraimento social e diminuição do desempenho social); i) alteração significativa e consistente na qualidade global de alguns aspectos do comportamento pessoal, manifestada por perda de interesse, falta de objetivos, inatividade, atitude ensimesmada e retraimento social. Definição de Esquizofrenia Fonte: CID 10, p.86 Professor Marcus André Vieira 7

Diretrizes diagnósticas As exigências da CID para o estabelecimento de um diagnóstico de esquizofrenia são: que se observe ao menos um sintoma claro pertencente a qualquer um dos grupos listados de (a) até (d) (dois ou mais são se são menos evidentes) ou então, ao menos claramente dois dos grupos de sintomas referidos de (e) até (h) estes sintomas devem estar presentes na maior parte do tempo durante um período de um mês ou mais. (...) eles não podem ser relacionados a nenhuma causa específica (intoxicações ou neoplasias, por exemplo). Fonte: CID 10, p.87 Professor Marcus André Vieira 8

Classificação Transtornos Descrição 08 tipos de Transtornos Psicóticos: Os 04 Principais Transtornos são: F20- Esquizofrenia (e subtipos): F20.0 Esquizofrenia Paranóide F20.1 Esquizofrenia Hebefrênica F20.2 Esquizofrenia Catatônica F20.5 Esquizofrenia Residual F21- Transtorno Esquizotípico F22 -Transtorno Delirante; F23- Transtornos Psicóticos agudos e transitórios Elementos diferenciais entre transtornos: Entre Esquizofrenia e T. Esquizotípico: no segundo não há presença de sintomas positivos. Entre Esquizofrenia e T. Delirante: no segundo não há alterações da personalidade, apenas idéias delirantes bem estruturadas. Entre Esquizofrenia e T. Psicótico agudo e transitório: a duração temporal do segundo é curta. Fonte: CID 10, p.85-102 E p.103-107. Professor Marcus André Vieira 9

F23- E seus sub-tipos: F23.0-Transtorno Polimórfico agudo sem sintomas; F23.1-Transt. Polimórfico Agudo com sintomas; F23.2- Transtorno Psicótico Esquizofreniforme agudo. Os 04 Transtornos menos importantes : F28 - Outros Transtornos Psicóticos não orgânicos; F29 - Psicose não orgânica não especificada; F24 -Transtorno Delirante induzido; F25 Transtorno Esquizoafetivo F23.0 Distúrbio psicótico polimórfico agudo sem sintomas de esquizofrenia A. Os critérios gerais para distúrbios psicóticos transitórios e agudos devem ser preenchidos. B. Dia após dia ou dentro do mesmo dia, a sintomatologia está em mudança rápida tanto em tipo como em intensidade. C. A presença de qualquer tipo de alucinação ou delírios, durante pelo menos algumas horas, em qualquer momento desde o início do distúrbio. D. Sintomas de pelo menos duas das seguintes categorias, ocorrendo ao mesmo tempo: (1) Tumulto emocional caracterizado por sentimentos intensos de felicidade ou êxtase ou ansiedade esmagadora ou irritabilidade marcante; (2) Perplexidade ou identificação errônea de pessoas ou lugares; (3) Aumento ou diminuição de motilidade, em um grau significativo. E. Quaisquer dos sintomas listados em Esquizofrenia F20, G1.l e G2.2 que estão presentes encontram-se presentes apenas por pouco tempo desde o início, ou seja, o critério B de F23.1 não é preenchido. Professor Marcus André Vieira 10

Esquizofrenia Paranóide F20.0 - delírios mais esquematizados; - alucinações auditivas freqüentes; podem ocorrer alucinações de outras esferas sensoriais; - menor comprometimento do pensamento, afetividade e vontade; - início (final do 20, início dos 30). Fonte: CID 10, p.88-89 Professor Marcus André Vieira 11

Esquizofrenia Hebefrênica F20.1 ( ou desorganizada ) - delírios fugazes, pouco sistematizados; - alucinações pouco proeminentes; - comportamento desorganizado, inadequado; - afeto superficial, inadequado; - afrouxamento marcado dos nexos associativos; - maior comprometimento da vontade; - início precoce (entre 15 e 25 anos). Fonte: CID 10, p.89-90 Professor Marcus André Vieira 12

Esquizofrenia Catatônica- F20.2 Esquizofrenia Residual- F20.5 - sintomas catatônicos dominam o quadro - inexistência de sintomas produtivos no momento; - sintomas negativos dominam o quadro: hipobulia, hipopragmatismo, esmaecimento do afeto, pensamento empobrecido, com nexos associativos frouxos. Fonte: CID 10, p.90 Fonte: CID 10, p.92 Professor Marcus André Vieira 13

Transtorno Delirante- F22 CASO: Filme: Bem me quer... mal me quer. Título em Francês: À la folie... pas du tout. Angélique (Audrey Tautou) é uma artista plástica que desenvolve uma paixão desmedida pelo médico Loïc (Samuel Le Bihan). A despeito de tudo o que seus amigos lhe dizem e de diversos acontecimentos que provam o contrário, Angélique persiste na idéia de que Loïc também a ama, transformando o que de início parecia ser um desencontro amoroso em uma perigosa obsessão. Professor Marcus André Vieira 14

Transtorno Delirante- F22 Sintoma central : idéias delirantes e persistentes Tem muitas vezes o delírio como a única alteração. Tipicamente tem conteúdo: Possível; pouco bizarro; bem sistematizado; Interpretativo; auto-referente; monotemático ou um conjunto de idéias delirantes aparentadas. Conteúdos mais comuns: conteúdos de ciúme e persecutórios são os mais comuns. conteúdo erotomaníaco é mais comum em mulheres. outros: de grandeza, hipocondríacos, eróticos... Ausência de sintomas de primeira ordem (K. Schneider) da esquizofrenia. Afeto, pensamento e vontade não estão comprometidos, podem estar presentes, de forma intermitente, sintomas depressivos, a resposta afetiva é preservada e compatível com o conteúdo do delírio. Fonte: CID 10, p.95-97 Professor Marcus André Vieira 15

Transtorno Delirante- F22 Erotomania: Delírio em que predominam idéias amorosas e sexuais Certeza delirante que a pessoa em questão é objeto da paixão de alguém; Clérambault descreve seus elementos fundamentais. Psicose passional, 3 fases: esperança, desrespeito e rancor; mais comum em mulheres; a outra pessoa é tipicamente mais velha ou de classe social mais elevada, as vezes famosa. Para Freud: Na erotomania as afeições começam "por uma percepção externa de ser amado" (Freud, [1911] 1996: 71) 1 2 Eu o amo ->Eu não o amo -> eu a amo, porque ela me ama" (Freud, [1911] 1996: 71). Professor Marcus André Vieira 16

Transtorno Delirante 4- Critérios Diagnósticos Modelo de classificação do DSM-IV: A. Delírios não-bizarros (isto é, envolvendo situações que ocorrem na vida real, tais como ser seguido, envenenado, infectado, amado a distância, traído pelo cônjuge ou parceiro romântico ou ter uma doença) com duração mínima de 1 mês. B. O critério A para Esquizofrenia jamais foi satisfeito. D. Se episódios de humor ocorreram durante os delírios, sua duração total deve ser breve com relação à duração dos períodos delirantes. E. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (p. ex. uma droga de abuso, um medicamento) ou de uma condição médica geral. C. Exceto pelo impacto do(s) delírio(s) ou de seus desdobramentos, o funcionamento não está acentuadamente prejudicado, e o comportamento não é visivelmente esquisito ou bizarro. Professor Marcus André Vieira 17

Esquizofrenia paranóide X Transtorno delirante Diagnóstico diferencial Esquizofrenia paranóide Transtorno delirante Alucinações auditivas (vozes) manifestas e persistentes, sintomas esquizofrênicos tais como idéias delirantes de influência e um embotamento nítido dos afetos; Alucinações tipicamente esquizofrenicas como vozes que comentam o comportamento da pessoa. Não há alterações da personalidade, apenas idéias delirantes bem estruturadas; Pode haver alucinações auditivas mas ocorrendo de modo irregular ou transitório; Exceto pelo impacto do(s) delírios, o comportamento não é visivelmente esquisito ou bizarro. Professor Marcus André Vieira 18

Transtorno delirante induzido- F24 (folie à deux) Uma dessas pessoas possui o transtorno delirante persistente, a outra(s) incorpora(m) a crença/idéia delirante deste; Uma ou mais pessoas ligadas estreitamente entre si no plano emocional; Quando a dupla é separada a pessoa que foi induzida tende a abandonar o delírio. Fonte: CID 10, p.103 Professor Marcus André Vieira 19

O continuum psicótico Pólo Negativo ( - ) Pólo Positivo ( + ) Catatonia Simples Hebefrênica Paranóide Transtorno Delirante Se assumimos, com Bleuler, que a perturbação fundamental seria a invasão de fenômenos desagregadores, os diversos subtipos da esquizofrenia, bem como os transtornos a ela associados podem ser inseridos em um continuum que iria de um pólo positivo, em que se observa que estes elementos anômalos seriam enquistados por meio de um trabalho delirante a um pólo negativo, em que as ideias delirante e as alucinaçções se apresentariam em tamanha intensidade que apenas a inibição progressiva e a rigidificação no contato com o mundo permitiria um mínimo de estabilidade. Professor Marcus André Vieira 20