LOGÍSTICA HOSPITALAR

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Transcrição:

LOGÍSTICA HOSPITALAR Filipe Guimarães Silva Lucena Administrador Residente em Gestão Hospitalar pelo HU/UFJF (2017-2018) Pós-Graduado em Gestão de Pessoas (2014) Tutor presencial pela Universidade do Paraná (2016-2017) E-mail: filipelucena.adm@gmail.com

LOGÍSTICA HOSPITALAR Processo que planeja, implementa e controla o fluxo de produtos e informações associadas, do ponto de origem ao ponto de consumo, a Logística assegura que as necessidades do cliente com relação à coordenação do tempo, de localização de estoque e outros serviços pertinentes sejam atendidos de maneira adequada. (CSCMP, 2010)

LOGÍSTICA HOSPITALAR Hospitais são estabelecimentos de saúde destinados a prestar serviço, em regime ambulatorial e de internação. São sistemas de grande complexidade, cuja gestão deve estar voltada tanto à assistência à saúde quanto ao negócio, otimizando o uso de recursos financeiros a fim de oferecer atendimento de qualidade. Ainda, no ambiente hospitalar ocorrem variabilidades de demanda e tempo de atendimento de forma frequente. Assim, a Logística exerce uma função de relevância na agregação de valor para a organização e seus clientes, vez que a falta de um item de estoque pode ocasionar problemas na qualidade do serviço prestado ao paciente, assim como a aquisição de urgência, acarretará custos não previstos para o hospital. RAMANI (2006) e NAIDU (2009) apud CARETA, BARBOSA, MUSETTI (2011)

SISTEMA DE INFORMAÇÕES INTEGRADO FLUXO DE INFORMAÇÕES - Processo claro Controle / operações Elimina o que não agrega valor Oportunidades de redução de custos

HOSPITAL COMO ORGANIZAÇÃO COMPLEXA LAVANDERIA RESTAURANTE HOTEL FARMÁCIA CLÍNICAS CAPELA ESTACIONAMENTO SETORES ADMINISTRATIVOS SALAS DE AULA AUDITÓRIO LABORATÓRIOS CONSULTÓRIOS ALMOXARIFADO

HOSPITAL COMO ORGANIZAÇÃO COMPLEXA

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LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS E EQUIPAMENTOS - Gestão de Estoque - Almoxarifado Controle de Estoque Mínimo - previsão Controle Entrega dos materiais (almoxarifado) e equipamentos Equipamentos - (Patrimônio e Tombamento) - Sincronia nos pedidos e nas entregas

CLASSIFICAÇÃO ABC DOS MATERIAIS A classificação dos dados é feita em ordem decrescente de montante, acumulando-se os percentuais realizados em relação ao total. ITENS A Um grupo de 10% a 20% dos itens, que representam de 70% a 80% da quantidade total ou valor total. ITENS B Um grupo de 30% a 70% dos itens, que representam apenas 15% a 20% da quantidade total ou valor total. ITENS C Um grupo de 50% a 70% dos itens, que representam apenas 5% a 10% da quantidade total ou valor total.

CLASSIFICAÇÃO ABC DOS MATERIAIS Segundo Barbieri e Machline (2006), o principal objetivo da classificação ABC é apresentar informações para a criação de políticas, objetivos e controles diferenciados para cada item, permitindo que a organização defina um processo de tomada de decisão focada nestes critérios e concentrando esforços nos itens que representam maior valor. Pode ser feita para diferentes análises: Classificação ABC de Estoques; Classificação ABC de Consumo; Classificação ABC de Venda ou Faturamento; Classificação ABC de Fornecedores.

CLASSIFICAÇÃO ABC DOS MATERIAIS

CLASSIFICAÇÃO XYZ Para Barbieri e Machline (2006), a classificação XYZ permite ao gestor a definição de níveis de atendimento diferenciados para os graus de criticidade dos materiais utilizados na unidade hospitalar. Quando um item de criticidade Z falta em uma fábrica, isto pode prejudicar a programação da produção e gerar prejuízos financeiros para a organização. Num hospital, a falta de um item Z pode colocar em risco a vida de pacientes e a reputação da instituição hospitalar, podendo acarretar em demandas judiciais por indenizações. Barbieri e Machline (2006) esclarecem que se pode determinar o grau de criticidade de um material por meio de respostas dadas às seguintes perguntas: - Esse item é essencial para alguma atividade vital da organização? Esse item pode ser adquirido facilmente? Esse item possui equivalente(s) já especificado(s)? Algum item equivalente pode ser adquirido facilmente?

CLASSIFICAÇÃO XYZ

FARMÁCIA - Critérios de Armazenagem Local Estratégico Logística sob o foco da gestão de estoques e práticas de reposição, analisando a distribuição de medicamentos para atacadistas e clínicas. Os autores justificam o estudo com base no impacto que falhas na distribuição de medicamentos podem ocasionar a qualidade percebida do atendimento recebido pelo paciente MUSTAFFA, POTTER (2009) apud CARETA, BARBOSA, MUSETTI (2011)

ALIMENTAÇÃO - SERVIÇO DE NUTRIÇÃO E DIETÉTICA HOSPITALAR - Alimentação dos residentes e de acompanhamentes dos pacientes idosos e crianças. Refeição dos pacientes internados e dos pacientes acompanhados por tratamento de transplante de Medula Óssea e Hemodiálise

ALIMENTAÇÃO - SERVIÇO DE NUTRIÇÃO E DIETÉTICA HOSPITALAR - O serviço de preparo da alimentação hospitalar pode acontecer dentro do próprio hospital ou pode ser contratado de forma terceirizada. - As refeições dos pacientes são baseadas em avaliações clínicas prévias feitas pela equipe do Serviço de Nutrição e Dietética do hospital. - As dietas para os pacientes são distribuídas pelo copeito, que acompanha o mapa de nutrição com as informações de cada paciente com a refeição específica a ser entregue. - Caso o serviço de preparo das refeições e dietas seja terceirizado, é preciso estipular rotinas e regras a serem seguidas pela empresa por emio de acordos contratuais, que devem ser fiscalizados tanto por parte da empresa (contratada) como por parte do hospital (contratante). - Fluxo de Informações corretas de extrema importância.

LAVANDERIA HOSPITALAR - O serviço de Lavanderia hospitalar também pode acontecer dentro do próprio hospital ou pode ser contratado de forma terceirizada. Precisa existir controle de qualidade e fiscalização rigorosos

RESÍDUOS HOSPITALARES

TRANSPORTE DE PACIENTES - Ambulância Própria ou Terceirizada - Transporte de Pacientes para realização de exames em outros serviços de saúde ou pacientes com alta hospitalar - Ambulância Básica ou Ambulância Especial

TRANSPORTE DE DOCUMENTOS E MATERIAIS BIOLÓGICOS

FLUXO DE PACIENTES O fluxo logístico do paciente deve ser sustentado pela gestão da localização e layout das estruturas físicas, gestão da capacidade, uso de tecnologias e sistemas de informação e gestão da estrutura organizacional que apoia o atendimento ao paciente. VILLA, BARBIERI, LEGA (2009), apud CARETA, BARBOSA, MUSETT(2011)

CONTROLE DE LEITOS - INTERNAÇÃO SISTE INTERNO - EBSERH

DADOS CIENTÍFICOS De Little (apud Barbieri, 1991) destaca, com base em um estudo feito nos Estados Unidos, que custos com suprimentos de medicamentos, alimentos e outros materiais, representam 33% dos custos operacionais de um hospital. Barbieri acrescenta que indicadores do Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde (PROAHSA) apresentam uma composição de custos de 49% com recursos humanos, 23% com custos gerais e 28% com consumo de materiais, numa amostra de 30 hospitais em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

DADOS CIENTÍFICOS Wanke (2004) cita uma pesquisa realizada nos Estados Unidos conduzida em 117 hospitais dos Estados da Geórgia, do Alabama e da Flórida, onde foi constatado que, em muitos casos, a gestão de estoques é de responsabilidade de profissionais do corpo clínico, tais como: médicos, farmacêuticos e enfermeiros. Este desvio de função tende a possibilitar gestão sem expertise em processos logísticos. Verificou-se ainda nessa pesquisa, que a gestão de estoques é a função com maior carência de informatização no âmbito das organizações de saúde.

O relatório da California Healthcare Foundation (2001) esclarece que os erros de medicação abrangem tudo o que impede o paciente certo de receber o medicamento certo, na dose certa, no horário certo e pela via de administração certa, podendo ocorrer em qualquer ponto do processo. Segundo Wachter (2010), um grande fator impactante para a prescrição e administração de medicamentos errados é o fato de esta atividade requerer muitos passos, alguns deles bastante vulneráveis a erros. Ilustra esta visão com o exemplo de uma prescrição para um paciente internado em um hospital sem prescrição informatizada ou código de barras para a administração de medicamentos: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Um médico faz prescrição manual na folha de prescrição médica do prontuário; A secretária retira a cópia carbonada da prescrição e a envia por fax à farmácia, enquanto uma enfermeira transcreve outra cópia no registro de administração de medicamentos do prontuário; Um farmacêutico recebe a cópia enviada por fax, a lê e digita a medicação, a dose e a frequência no sistema computadorizado da farmácia, o qual gera rótulos, lançamento na conta e ajuda a controlar o inventário; O farmacêutico transfere manualmente a medicação (se for um comprimido) de um frasco grande para doses unitárias em recipientes menores. Medicamentos intravenosos podem exigir manejo especializado; O medicamento é dispensado para a unidade do paciente; o rótulo inclui o nome do medicamento e do paciente. O fármaco deve ser dispensado em um carrinho para o andar, por transporte manual ou por um sistema de tubo pneumático; A enfermeira vai ao registro de administração de medicamentos, vê o que seu paciente tem de medicamentos a receber, pega o medicamento enviado pela farmácia e vai até o quarto do paciente com o medicamento (juntamente com outros medicamentos de seus outros pacientes); A enfermeira entra no quarto do paciente, confirma a identidade do paciente, checa o medicamento e o administra

OBRIGADO

REFERÊNCIA CARETA C. B; BARBOSA D. H; MUSETTI M. A. Logística Hospitalar: Proposta e Modelagem de Atividades do Processo de Atendimento Ambulatorial. XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO. Belo Horizonte, 2011.