Neurociência da Linguagem: Uma introdução para a Fonoaudiologia e um aviso Aniela Improta França anielaimprota@terra.com.br http://www.letras.ufrj.br/clipsen Departamento de Lingüística da UFRJ 2007-1
A Faculdade de Linguagem! está no Cérebro Forma /me:za/ Conteúdo Qualquer um que queira estudar seriamente o comportamento lingüístico, seja ele um lingüista, psicólogo, filósofo, [fonoaudiólogo] deve logo se interar da enorme dificuldade que é definir uma área de investigação que não seja nem trivial, nem muito além do que se sabe e do que se pode saber através das técnicas do momento. (Chomsky, 1959)
Quais são os elementos básicos (os primitivos, os átomos) e quais são as operações básicas que geram a experiência lingüística? A correspondência cérebro-linguagem não é nada trivial Vista Dorsal: Notem que nenhuma característica macroscópica, no nível anatômico, sugere uma organização especial
Visão lateral: Nenhuma característica macroscópica sugere diferenças de lateralidade
Visão ventral: Nada aqui também onde não há funções corticais tronco cerebral cerebelo
Cortes internos:não falam nada por si só
UNIFICAÇÃO INTERDISCIPLINAR Lingüística Neurociência Elementos Fundamentais de representação Traço distintivo sílaba morfeme NPs oração? dendritos neurônio grupos de células população coluna cortical Operações Fundamentais em primitivos concatenação linearização geração de sintagmas semantica composicional? potenciação de longo termo campo de recepção oscilação sincronização
Então... Até o fim do sec XIX, as tentativas de se entender a organização dos sistemas cognitivos não resultaram em muita coisa Início do sec. XX: Importantes avanços do microscópio ótico e o desenvolvimento do método da coloração por nitrato de prata Camilo Golgi, (1843/1926) Santiago Ramón y Cajal (1854/1934) Prêmio Nobel in 1906
Um acontecimento significativo como pano de fundo: Frenologia péssima idéia / organologia - boa idéia Franz Josef Gall (1758-1828)
O caso Phineas Gage, (1823/1860) Um dia de outono de 1848 em Vermont, USA... Antes Responsável Bem educado Estimado Eficiente Discreto Depois Impulsivo Grosseiro Compulsivo Irresponsável Hipersexual
Anatomia e Cognição relacionadas No verão de 1861, no Hospital Bicetre em Paris... Pierre Broca (1824-1880) Monsieur Leborgne
Área de Broca Cérebro preservado do Mr. Leborgne Terceira circunvolução do lobo frontal esquerdo
Produção Deficiente na Afasia de Broca Depois de Tan, Broca estudou mais oito pacientes que haviam sofrido AVC do lado esquerdo e apresentavam deficiências articulatórias. O exame post-mortem revelou que a área de Broca estava lesionada em todos eles. Apresentavam: Deficiência na produção de palavras de classe fechada. Preservação da prosódia Preservação da compreensão
Resumo dos achados de Broca (i) A faculdade da articulação da linguagem é localizada na terceira circunvolução do giro frontal inferior esquerdo, local que passa a ser conhecido como Área de Broca; (ii) Existe dominância hemisférica esquerda para a linguagem; (iii) Existe distinção entre compreensão e produção, o que põe por terra a visão da Hipótese do Campo Agregado de Flourens, sendo esta, a mais marcante das conclusões de Broca, historicamente falando.
Carl Wernicke (1848-1905) Em 1874, dois pacientes com AVC Falavam muito, mas sem sentido. Não demonstravam entender a linguagem falada.
Afasia de Wernicke Área afetada
1885 - O Modelo Conexionista ou a Casa de Wernicke Lichtheim Begriffe conceitos sobre as coisas do mundo. Área de Broca Articula a fala. Área de Wernicke Processa a fala escutada. Fascículo Arqueado conecta Wernicke com Broca.
Norman Geschwind (1926-1984) 1960 Geschwind resgata o Modelo Conexionista, depois de quase 100 anos Faz os cientistas voltarem o olhar para o prisma anatomo-fisiológico da cognição. Dos anos 60 até a Medicina atual!
Comparando complexidades Sistema Visual Sistema Auditivo
Mais Afasias Tipo Produção Comp Repetition 1. Broca Não-fluente boa ruim C 2. Wernicke 3. Condução 4. Transcortical 5. Transcortical Fluente, parafásico Fluente, parafásico Fluente, parafásico ecolálico ruim boa ruim boa ruim ruim boa boa 5 4 1 2 M A 3 7 8 motora 6. Global ruim ruim ruim 7. Afemia desartria boa limitada 8. Surdez Pura para Palavras Normal Muito ruim! Como surdo profundo Muito ruim
Reexaminando o modelo clássico da Afasias através da Dupla Dissociação Nina Dronkers: 1. Lesão na Área de Broca => Afasia de Broca? Não 2. Lesão na Área de Wernicke => Afasia de Wernicke? Não 3. Afasia de Broca => Lesão na Área de Broca? Não 4. Afasia de Wernicke => Lesão na Área dewernicke? Não Exemplo de Dupla Dissociação bem sucedida: Lesão em uma parte da ínsula se correlaciona com um tipo particular de dificuldade articulatória (apraxia) da produção da fala. E apraxia se correlaciona com lesão em uma parte da ínsula (Dronkers et al. 1996)
Nos últimos 20 anos desenvolveram-se métodos não invasivos de verificação de atividade cortical Métodos não invasivos de acesso cortical Técnicas hemodinâmica Técnicas eletromagnéticas Tomografia por Emissão de pósitrons (PET) Imagem por ressonância magnética funcional (fmri) Electroencefalografia (EEG) Magnetoencefalografia (MEG) Ótima resolução espacial (~1-2mm) Resolução temporal deficiente (~1sec) Excelente resolução temporal (<1msec Resolução espacial deficiente (~1cm)
hemodinâmicos Exames neurofisiológicos não-invasivos eletromagnéticos fmri - imagem por ressonância magnética funcional PET - tomografia por emissão de pósitrons EEG eletroencefalografia MEG magnetoencefalografia 350
Neurociência da Linguagem Objetivos Encontrar correlatos neurofisiológicos para 50 anos de achados oriundos de análises lingüísticas efetuadas em grande número de línguas ciência básica Como fazer isso? Utilizando metodologia de estimulação amplamente testada pela psicolingüística, e também levando em conta efeitos de variáveis clássicas como freqüência vocabular, fonotática, priming, número de letras, etc.
Há localização, mas o que deve ser localizado são os tecidos que executam computações como recursividade (xxx) or linearização (zzz) ou adição (qq. Exemplos: Acesso lexical é feito por x, z, e o Memória verbal por x, p, and s ppppp pppp sss sss xx yy xxx yy zzzz zzz qqqq qqq oojjjoo oooojj ooooojjjj
passado Frenologia Intuitiva presente Organologia Psicológica sintaxe fonologia semântica futuro Organologia Computacional sequenciamento recursividade constituição linearização Localização de subrotinas computacionais