ESCOLA SUPERIOR DA MAGISTRATURA DE PERNAMBUCO AULA 2 - PODER CONSTITUINTE QUESTÕES COMENTADAS 1 -Prova: FCC - 2012 - DPE-SP - Defensor Público Emmanuel Joseph Sieyès (1748-1836), um dos inspiradores da Revolução Francesa, foi autor de um texto que teve grande repercussão na teoria do Poder Constituinte. O referido texto é: a) Que é o terceiro Estado? b) O poder do terceiro Estado. c) Que pretende o terceiro Estado? d) Que tem sido o terceiro Estado? e) A importância do terceiro Estado. RESPOSTA: LETRA A Emmanuel Joseph Sieyès foi o teórico do poder constituinte originário (inicial, inaugural ou genuíno), ou seja, aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo por completo com a ordem jurídica precedente. Assim, a Constituição é fruto do poder constituinte originário, que gera e organiza os poderes do Estado. A obra de Sieyès sobre o poder constituinte originário tem o título de O que é o terceiro Estado?. De acordo com Pedro Lenza, o poder constituinte originário tem como características o fato de ser: 1) Inicial: instaura uma nova ordem jurídica; 2) Autônomo: a estruturação da nova constituição será determinada, autonomamente, por quem exerce o pode constituinte originário; 1
3) Ilimitado juridicamente: não tem de respeitar os limites postos pelo direito anterior (com a ressalva da crescente teoria de que o poder constituinte originário estaria limitado aos princípios do Bem Comum, do Direito Natural, da Moral e da Razão); 4) Incondicionado e soberano na tomada de suas decisões: não tem de submeter-se a qualquer forma prefixada de manifestação; 5) Poder de fato e poder político: não é poder jurídico, pois tem natureza pré-jurídica. (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 154 e 155). 2 Prova: FCC - 2011 - DPE-RS - Defensor Público No que se refere ao Poder Constituinte, é INCORRETO afirmar: a) O Poder Constituinte genuíno estabelece a Constituição de um novo Estado, organizando-o e criando os poderes que o regerão. b) Existe Poder Constituinte na elaboração de qualquer Constituição, seja ela a primeira Constituição de um país, seja na elaboração de qualquer Constituição posterior. c) O Poder Constituinte derivado decorre de uma regra jurídica constitucional, é ilimitado, subordinado e condicionado. d) Quando os Estados-Federados, em razão de sua autonomia políticoadministrativa e respeitando as regras estabelecidas na Constituição Federal, autoorganizam- se por meio de suas constituições estaduais estão exercitando o chamado Poder Constituinte derivado decorrente. e) Para parte da doutrina, a titularidade do Poder Constituinte pertence ao povo, que, entretanto, não detém a titularidade do exercício do poder. RESPOSTA: LETRA C a) Correto, conforme já comentado na primeira questão acima; b) Correto. O poder constituinte originário pode ser subdividido em histórico (o constituinte originário que estrutura pela primeira vez o Estado) e revolucionário (todos os constituintes originários posteriores ao histórico, que rompem por completo com a antiga ordem e instaura uma nova). (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 154); c) Errado. O poder constituinte derivado (instituído, secundário ou de segundo grau) é aquele criado pelo poder constituinte originário e tem como características o 2
fato de não ser inicial, de ser limitado, condicionado e subordinado ao poder constituinte originário. O poder constituinte derivado subdivide-se em: 1) Poder constituinte derivado reformador: tem por objetivo evitar o engessamento do texto da constituição e se manifesta através das emendas constitucionais (art. 59, I e 60 da CF/88). Tal poder constituinte derivado reformador tem natureza jurídica, ao contrário do poder constituinte originário, que é um poder de fato, um poder político; 2) Poder constituinte derivado decorrente: é o que permite aos Estados-membros estruturarem suas constituições estaduais, em razão da sua autonomia político-administrativa, a qual se expressa na capacidade de auto-organização (art. 25, caput, da CF/88), autogoverno (arts. 27, 28 e 125 da CF/88) e autoadministração (arts. 18 e 25 a 28 da CF/88). Deve-se respeitar, contudo, os: a) princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII, a-e, da CF/88), b) princípios constitucionais estabelecidos (ou organizatórios, que tratam da repartição de competência, do sistema tributário nacional, da organização dos poderes, dos direitos políticos, da nacionalidade e etc.) e c) os princípios constitucionais extensíveis (relacionados à estrutura da federação brasileira, como a forma de investidura em cargos eletivos, o processo legislativo, os orçamentos e etc.). Note-se que o pode constituinte derivado decorrente não se estende aos Municípios, os quais são regidos por leis orgânicas. Tal poder constituinte derivado decorrente também tem natureza jurídica; 3) poder constituinte derivado revisor: é um poder de natureza jurídica e está previsto no art. 3 do ADCT: Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral. Tal poder deve ser exercido uma única vez e se submete aos limites materiais fixado nas cláusulas pétreas (art. 60, 4 da CF/88). 3
4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. A revisão, no Brasil, ocorreu em 1994, sendo uma norma de eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada; d) Correto, conforme comentado na letra c acima; e) Correto. Há discussão quanto à titularidade do poder constituinte. O próprio Sieyès apontava a nação como titular de tal poder. Entretanto prevalece o entendimento de que é o povo o titular do poder constituinte (MENDES, Gilmar e BRANCO Paulo. Curso de direito constitucional. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 118). O exercício do poder constituinte pertence a ente diverso do povo e pode dar origem a uma Constituição outorgada (quando o exercício do poder constituinte compete a uma única pessoa, ou a um grupo restrito de pessoas, em que não intervém um órgão de representação popular) ou a uma Constituição promulgada (através de uma Assembléia de representantes do povo). As Constituições brasileiras de 1824, 1937 e 1967 foram outorgadas e as de 1891, 1934, 1946 e 1988 foram promulgadas. 3 - Prova: FCC - 2008 - TCE-AL - Procurador A Constituição da República veda que matéria constante de proposta de emenda constitucional rejeitada ou havida por prejudicada seja objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. Considerando a classificação doutrinária das limitações ao poder constituinte reformador, esta vedação constitucional caracteriza-se como limitação de ordem a) material. b) formal. c) circunstancial. d) implícita. e) relativa. 4
RESPOSTA: LETRA B a) Limitações de ordem material são mais conhecidas como cláusulas pétreas, as quais constituem um núcleo intangível, ou seja, não pode haver proposta de emenda constitucional tendente a abolir tais matérias. Note-se que a mera alteração redacional de uma norma componente do rol das cláusulas pétreas não importa, por isso somente, inconstitucionalidade, desde que não afetada a essência do princípio protegido e o sentido da norma (MENDES, Gilmar e BRANCO Paulo. Curso de direito constitucional. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 140). O rol das cláusulas pétreas está expresso no art. 60, 4 da CF/88: 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. Registre-se que: 1) não é cabível que o poder constituinte reformador crie cláusulas pétreas, pois apenas o poder constituinte originário é que o pode (MENDES, Gilmar e BRANCO Paulo. Curso de direito constitucional. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 147), 2) Dentre os direitos e garantias individuais, a jurisprudência do STF entende incluirem-se se como cláusulas pétreas o princípio da anterioridade (art. 150, III, b da CF/88), o princípio da anterioridade nonagenal (art. 195, 6 da CF/88) e o princípio da anterioridade eleitoral (art. 16 da CF/88). As limitações de ordem matérias ao poder de reforma não se resumem ao rol do art. 60, 4 da CF/88, pois há as limitações implícitas, comentadas adiante; b) As Limitações formais ou procedimentais constituem-se nas limitações de iniciativa (art. 60, I, II, III da CF/88), no quorum específico de aprovação (art. 60, 2 da CF/88), na promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com seu respectivo número de ordem (art. 60, 3 da CF/88) e na impossibilidade de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada ser objeto de nova apresentação na mesma sessão legislativa (art. 60, 5 da CF/88); I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; 5
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. ; c) Limitações circunstanciais estão previstas no art. 60, 1, da CF/88, que preceitua que não poderá haver emenda à Constituição na vigência de intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. d) As limitações implícitas são a impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário, a impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte derivado reformador e a impossibilidade de se alterar o procedimento de emenda à constituição. 4 -Prova: FCC - 2010 - TCE-RO - Procurador O Poder Constituinte Reformador, no Brasil, a) é fundamento de validade para que os Estados- Membros da Federação promulguem Constituições próprias com a aprovação das respectivas Assembleias Legislativas. b) permite que a Constituição Federal seja emendada, por meio de revisão constitucional, desde que haja o voto favorável de três quintos de Deputados e Senadores, em sessão unicameral c) está materialmente limitado à forma federativa de Estado, à separação de poderes, à forma republicana, ao sistema presidencialista, bem como aos direitos e garantias fundamentais segundo disposição expressa do texto constitucional. 6
d) pode se manifestar por meio de emendas à Constituição, cujo projeto pode ser proposto por mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. e) é caracterizado como derivado, limitado, circunstanciado e inicial. RESPOSTA: LETRA D a) A alternativa corresponde ao poder constituinte derivado decorrente, conforme já comentado acima; b) O poder constituinte reformador não permite emenda à constituição por meio de revisão, além de que há necessidade de dois turnos de votação; c) Como a alternativa solicita o que está disposto expressamente, verificamos que não consta expresso no rol das cláusulas pétreas a forma republicana e o sistema presidencialista; d) Correto, conforme art. 60, III, da CF/88; III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. e) O poder constituinte derivado reformador não é inicial. Apenas o poder constituinte originário o é. 5 Prova: FCC - 2009 - TJ-GO - Juiz No que se refere à reforma da Constituição, é correto afirmar que a) a revisão constitucional foi realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão conjunta das Casas. b) a proposta de emenda constitucional é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros relativamente ao mesmo texto. 7
c) a Constituição pode ser emendada na vigência de estado de defesa. d) a matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma legislatura. e) a Constituição pode ser emendada mediante proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando- se, cada uma delas, pela maioria de todos os seus membros. RESPOSTA: LETRA B a) Conforme comentário acima, a revisão constitucional foi realizada em 1994 e a votação prevista no art. 3 do ADCT é em sessão unicameral: Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral. b) Correto, conforme o art. 60, 2, da CF/88: Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. c) Errado, conforme art. 60, 1, da CF/88, o qual constitui uma limitação circunstancial ao poder constituinte derivado reformador: 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. d) O erro está na expressão legislatura (art. 44, parágrafo único da CF/88). O correto é sessão legislativa, conforme art. 60, 5, da CF/88. Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos. 8
5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. ; e) O correto é a manifestação pela maioria relativa, conforme art. 60, III da CF/88: Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 6 Prova: FCC - 2010 - TJ-PI - Assessor Jurídico No Brasil, o Poder Constituinte Reformador a) realiza a modificação da Constituição por meio de Emendas Constitucionais, cujo projeto deverá ser aprovado em cada Casa do Congresso Nacional em dois turnos, pelo voto de três quintos dos respectivos Membros e, posteriormente, sancionado pelo Presidente da República. b) legitima as Assembleias Constituintes Estaduais bem como as Câmaras Municipais a produzirem a legislação local das respectivas unidades federativas, desde que respeitada a Constituição Federal. c) determina limites formais para o caso de revisão constitucional, como a exigência de dupla votação e voto da maioria absoluta do Congresso Nacional, em sessão unicameral. d) pode se transformar em Assembleia Constituinte segundo disposição expressa da Constituição Federal mediante aprovação popular por meio de referendo. e) possui limites circunstanciais, como a impossibilidade de a Constituição Federal ser emendada em caso de intervenção federal, estado de sítio e estado de defesa. RESPOSTA: LETRA E a) O erro está em afirmar que é sancionada pelo Presidente da República. A emenda constitucional não necessita de sanção presidencial, pois será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem; 9
b) A alternativa corresponde ao poder constituinte derivado decorrente; c) Quem determina limitações formais é apenas o poder constituinte originário. A impossibilidade de o poder constituinte derivado reformador modificar o procedimento de emenda à Constituição constitui um dos limites implícitos ao poder de reforma; d) Não há tal previsão na CF/88. e) Correto, conforme art. 60, 1, da CF/88: 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. 7 Prova: FCC - 2006 - BACEN - Procurador - Prova 1 O poder constituinte derivado se manifesta, na Constituição brasileira, pela possibilidade de promulgação de emendas constitucionais. Todavia, há limites formais e materiais ao poder de reforma constitucional, sendo correto afirmar que a) o Presidente da República não pode encaminhar proposta de emenda constitucional, razão pela qual a emenda não está sujeita a sanção ou veto. b) a Constituição não poderá ser reformada na vigência de intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. c) não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a separação dos Poderes, a forma unitária e republicana de Estado e os direitos individuais e sociais. d) existem limites implícitos ao poder de reforma constitucional, decorrentes dos princípios de direito internacional, em virtude da adoção da teoria monista pelo Supremo Tribunal Federal. e) a proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada pode ser objeto de nova proposta a qualquer tempo, por conta da supremacia do poder constituinte. 10
RESPOSTA: LETRA B a) Errado. Embora a emenda constitucional não necessite da sanção presidencial nem se sujeite ao veto presidencial, o Presidente da República pode encaminhar proposta de emenda à Constitucional, conforme art. 60, II da CF/88: II - do Presidente da República. b) Correto, conforme art. 60, 1 da CF/88: 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. c) Errado. No rol das cláusulas pétreas constante no art. 60, 4 da CF/88 não consta expressamente a forma unitária e republicana de Estado nem os direitos sociais: 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. Há discussão doutrinária quanto à inclusão dos direitos sociais no rol das cláusulas pétreas, afirmando parte da doutrina que os direitos sociais constituem cláusulas pétreas sob o fundamento da dignidade da pessoa humana; d) Os limites implícitos ao poder constituinte reformador são a impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário, a impossibilidade de se alterar a titularidade do poder constituinte derivado reformador e a impossibilidade de se alterar o procedimento de emenda à constituição. Tais limites implícitos decorrem do próprio sistema e não dos princípios de direito internacional. e) Errado, conforme art. 60, 5, da CF/88: 11
5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. 8 -Prova: FCC - 2009 - PGE-RJ - Técnico Superior de Procuradoria É correto afirmar que a Teoria do Poder Constituinte a) está diretamente associada à idéia de supremacia formal ou hierárquica das normas constitucionais. b) apresenta o mesmo desenvolvimento, no plano doutrinário, quer se trate de Estados dotados de Constituições rígidas ou flexíveis. c) não se compadece com a elaboração de Constituições senão por meio de Assembléias Constituintes, convocadas exclusivamente para esse fim. d) constitui construção ideológica própria do constitucionalismo liberal do século XVIII, apresentando reduzida importância nos Estados constitucionais de perfil intervencionista. e) restou superada pela integração dos Estados em blocos regionais, em decorrência do fenômeno da globalização. RESPOSTA: LETRA A a) Correto. A supremacia hierárquica das normas constitucionais significa que a Constituição se coloca no vértice do sistema jurídico do país; significa que a Constituição ocupa o grau máximo no escalonamento normativo, caracterizando como norma de validade para os demais atos normativos do sistema. (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 195). Impõe que todos os atos do Poder público estejam em conformidade com as normas constitucionais e condiciona o conteúdo das normas infraconstitucionais, fruto do legislador ordinário. b) Constituições rígidas são aquelas que exigem, para a sua alteração, um processo legislativo mais árduo, mais solene, mais dificultoso do que o processo de alteração das normas não constitucionais. (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 81). Há uma hierarquia entre as normas constitucionais e as normas infraconstitucionais, não podendo o legislador ordinário alterar a constituição ao dispor em sentido contrário. 12
Constituições flexíveis são aquelas cujo procedimento de alteração das normas constitucionais é o mesmo para alteração das normas infraconstitucionais, não havendo hierarquia entre normas constitucionais e infraconstitucionais, podendo uma lei infraconstitucional alterar o texto constitucional ao dispor em sentido contrário. c) As constituições têm origem não só nas Assembléias Constituintes, como também nos movimentos revolucionários; d) Mesmo nos Estados intervencionistas há grande importância da Teoria do Poder Constituinte, pois se fundamentam em uma Constituição fruto do poder constituinte originário. e) Embora a tendência seja o fortalecimento dos blocos regionais formados pelos Estados, é ainda presente a ideia de Estados soberanos, de modo que não se pode falar que restou superada a Teoria do poder constituinte. 9 - Prova: FCC - 2010 - Casa Civil-SP - Executivo Público No que diz respeito ao poder constituinte, observa-se que no Brasil predomina a doutrina a) lógica, uma vez que as normas que impliquem a eliminação do Estado, ou a abdicação de sua soberania são limitadoras do poder constituinte originário. b) eclética, tendo em vista que os reflexos internacionais, de direito natural e de ordem lógica são limitadores do poder constituinte originário. c) positivista, segundo a qual não há limites à atuação do poder constituinte originário, pelo menos teoricamente. d) internacional, pela qual a limitação do poder constituinte originário ocorre apenas no âmbito interno, porque no plano externo não pode violar regras de convivência com outros Estados soberanos. e) naturalista, no sentido de que prevalecem os limites à atuação do poder constituinte originário impostos pelo direito natural ou direito suprapositivo de valores éticos superiores. RESPOSTA: LETRA C No Brasil predomina a corrente positivista, segundo a qual o poder constituinte originário é, em tese, ilimitado, não devendo respeitar os limites postos pelo direito anterior, e possui natureza pré-jurídica, ou seja, é poder de fato, pois instaura uma nova ordem jurídica. Diz-se em tese, pois há uma tendência na doutrina moderna, 13
encabeçada por J. J. Gomes Canotilho, em considerar que o poder constituinte originário deva obedecer a padrões e modelos de conduta espirituais, culturais, éticos e sociais radicados na consciência jurídica geral da comunidade, além de que o poder constituinte originário estaria limitado aos princípios do bem comum, do direito natural, da moral e da razão, conforme Meirelles Teixeira. 10 Prova: FCC - 2008 - MPE-CE - Promotor de Justiça O poder constituinte decorrente é próprio das federações. Nesta matéria, no Direito Constitucional brasileiro, e segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a) as normas constantes dos 3 o e 4 o do art. 86 da Constituição da República (imunidade à prisão cautelar e imunidade temporária à persecução penal, ambas em favor do Presidente da República) são suscetíveis de extensão aos Governadores de Estado. b) as regras básicas do processo legislativo federal são de absorção compulsória pelos Estados-membros em tudo aquilo que diga respeito ao princípio fundamental de independência e harmonia dos poderes, como delineado na Constituição da República. c) não se mostra harmônico com a Constituição da República preceito de Constituição estadual que prevê a escolha do Procurador-Geral do Estado apenas entre os integrantes da carreira. d) Governador de Estado, ainda que respaldado pela Constituição estadual, não pode editar medidas provisórias em face da excepcionalidade desta espécie normativa deferida exclusivamente ao Presidente da República em casos de relevância e urgência. e) a norma do 4 o do art. 57 da Constituição da República que, cuidando da eleição das Mesas das Casas Legislativas federais, veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente, é de reprodução obrigatória nas Constituições dos Estados-membros. RESPOSTA: LETRA B a) Os Estados-membros não podem reproduzir em suas próprias Constituições o conteúdo normativo dos preceitos inscritos no art. 86, 3 e 4, da Carta Federal, pois as prerrogativas contempladas nesses preceitos da Lei Fundamental - por serem unicamente compatíveis com a condição institucional de Chefe de Estado - são apenas extensíveis ao Presidente da Republica (ADI 1.028/PE); 14
b) Correto, pois o processo legislativo constitui um dos princípios constitucionais extensíveis (aqueles que integram a estrutura da federação brasileira); c) Errado, conforme art. 128, 3, da CF/88: Art. 128. O Ministério Público abrange: 3º - Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios formarão lista tríplice dentre integrantes da carreira, na forma da lei respectiva, para escolha de seu Procurador-Geral, que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, para mandato de dois anos, permitida uma recondução. d) Podem os Estados-membros editar medidas provisórias em face do princípio da simetria, obedecidas as regras básicas do processo legislativo no âmbito da União (CF, artigo 62). 2. Constitui forma de restrição não prevista no vigente sistema constitucional pátrio (CF, 1º do artigo 25) qualquer limitação imposta às unidades federadas para a edição de medidas provisórias. Legitimidade e facultatividade de sua adoção pelos Estados-membros, a exemplo da União Federal. (ADI 425/TO). Há necessidade, também, que a edição de medida provisória pelo Estado-membro esteja prevista na Constituição Estadual; e) A norma do 4º do art. 57 da CF que, cuidando da eleição das Mesas das Casas Legislativas federais, veda a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente, não é de reprodução obrigatória nas Constituições dos Estados-membros, porque não se constitui num princípio constitucional estabelecido. (ADIN 792/RO). 15