MODELOS ESPACIAIS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO COM ÓBITOS



Documentos relacionados
ACIDENTES DE TRÂNSITO: OCORRÊNCIAS E MORTALIDADE

Introdução aos Sistemas de Informação Geográfica

Palavras-chave: Mortalidade Infantil, Análise Multivariada, Redes Neurais.

ESTIMAÇÃO DE ACIDENTES DE TRÂNSITO COM ÓBITO ATRAVÉS DE TÉCNICAS DE ANÁLISE ESPACIAL DE DADOS

1 INTRODUÇÃO. 1.1 Motivação e Justificativa

ANÁLISE DA MORTE VIOLENTA SEGUNDO RAÇA /COR

11.1. INFORMAÇÕES GERAIS

INDICADORES DEMOGRÁFICOS E NORDESTE

CARTILHA DE TRÂNSITO. Dicas para você viver mais e melhor!

Acidentes de transportes passam a ser a principal causa de morte não natural do Estado de São Paulo

DESENVOLVIMENTO DE UM SOFTWARE NA LINGUAGEM R PARA CÁLCULO DE TAMANHOS DE AMOSTRAS NA ÁREA DE SAÚDE

PALAVRAS-CHAVE Indicadores sócio-econômicos. Campos Gerais. Paraná.

SOROCABA - DADOS ESTATÍSTICOS SOBRE ACIDENTES DE TRÂNSITO

RELACÃO CANDIDATOS E VAGAS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO EM AGRONEGÓCIOS DE 2007/1 A 2010/2 - UNEMAT/ CUTS

ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO MÉDICA: UM ESTUDO NA CIDADE DE JOÃO PESSOA/PB.

Potencial Econômico dos Clientes dos Corretores de Seguros Independentes do Estado de São Paulo Francisco Galiza

DESIGUALDADE AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE SALINAS MG

Anexo II.1 Informações sobre a Cidade e seu Serviço de Transporte Coletivo Atual

O uso do gvsig na Identificação de locais estratégicos para instalação de uma loja de confecções

Celso Alves Mariano Diretor de Educação de Trânsito SETRAN Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba

SisDEA Home Windows Versão 1


Aprendendo a Interpretar Dados Financeiros de uma Empresa Usando Estatística de Forma Simples e Prática

Ministério da Saúde. Brasília-DF

1. OUTROS INDICADORES DEMOGRÁFICOS E DE SAÚDE

COMENTÁRIO AFRM/RS 2012 ESTATÍSTICA Prof. Sérgio Altenfelder

Saúde. reprodutiva: gravidez, assistência. pré-natal, parto. e baixo peso. ao nascer

Distribuição dos pacientes vítimas de Acidente de Trânsito, segundo faixa etária na ocasião do acidente 20,0 16,6 19,4 11,3

Criminalidade. Luciano Nakabashi Juliano Condi

Análise Exploratória de Dados

Relatório Metodológico da Tipologia dos Colegiados de Gestão Regional CGR. O presente relatório tem por objetivo apresentar uma tipologia dos CGR

PDR - Critério de classificação de microrregiões

Modelagem do total de passageiros transportados no aeroporto internacional de Belém: Um estudo preliminar

A MULHER EMPREENDEDORA DA REGIÃO METROPOLITANA DE MARINGÁ

XIII Encontro de Iniciação Científica IX Mostra de Pós-graduação 06 a 11 de outubro de 2008 BIODIVERSIDADE TECNOLOGIA DESENVOLVIMENTO

Sistema de Informações da Mobilidade Urbana. Relatório Geral 2011

Projeto de Pesquisa 7/21/2014. Prof. Ricardo Melo. Referências. Conceitos

DETERMINAÇÃO DE EPICENTROS E HIPOCENTROS

A POSIÇÃO DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP) EM RELAÇÃO AO ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH) E AO ÍNDICE DE GINI

ANÁLISE DAS ATITUDES EM RELAÇÃO À ESTATÍSTICA DE ALUNOS DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, FARMÁCIA E LICENCIATURA EM MATEMÁTICA

Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências Diagnóstico do Problema em Santa Catarina

ORGANIZAÇÃO SOCIAL DO TERRITÓRIO E MOBILIDADE URBANA NA REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR, BAHIA

DIAGNÓSTICO DA DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DO TERCEIRO SETOR EM BELO HORIZONTE 2006

EVOLUÇÃO DA FROTA DE AUTOMÓVEIS E MOTOS NO BRASIL (Relatório 2013)

A ATIVIDADE DE RESUMO PARA AVALIAR A COMPREENSÃO DE TEXTOS EM PROVAS DE PROFICIÊNCIA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Santa Catarina. Tabela 1: Indicadores selecionados: mediana, 1º e 3º quartis nos municípios do estado de Santa Catarina (1991, 2000 e 2010)

Universidade Federal de Goiás (CMEC/EEC/UFG), 2 Professor Titular do CMEC/EEC/UFG, epazini@eec.ufg.br

Plano de ações para segurança no corredor ferroviário

XIX CONGRESSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UFLA 27 de setembro a 01 de outubro de 2010

Projeto da Rede Coletora de Esgoto Sanitário. Profª Gersina Nobre

INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

Sistema de Informações da Mobilidade Urbana. Relatório Geral 2012

Rio de Janeiro. Tabela 1: Indicadores selecionados: mediana, 1º e 3º quartis nos municípios do estado do Rio de Janeiro (1991, 2000 e 2010)

4 Conclusões. 4.1 Da Análise Exploratória


Resoluções comentadas das questões de Estatística da prova para. ANALISTA DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS E METAS da PREFEITURA/RJ

Sérgio Rangel Fernandes Figueira (1) Adhemar Sanches (2) Ana Claudia Giannini Borges (1) David Ferreira Lopes Santos (1)

Brasil é 2º em ranking de redução de mortalidade infantil 3

DETERMINANTES DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

AVALIAÇÃO DE CONDUTORES

De janeiro a junho de 2013 as indenizações pagas pelo Seguro DPVAT registraram crescimento de 38% ante mesmo período de 2012.

RELATÓRIO DOS CURSOS DE BACHARELADO E CURSOS SUPERIORES DE TECNOLOGIA EM ADMINISTRAÇÃO. Bahia

REPARTIÇÃO INTERMODAL DO TRÁFEGO

Correlação Canônica. Outubro / Versão preliminar. Fabio Vessoni. fabio@mv2.com.br (011) MV2 Sistemas de Informação

OBSERVATÓRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL BANCO DE DADOS REGIONAL. Eixo temático: Indicadores Sociais 1. Variável: IDESE

Figura 18. Distâncias das estações em relação ao Inmet e Mapa hipsmétrico

Rio Grande do Sul. Tabela 1: Indicadores selecionados: mediana, 1º e 3º quartis nos municípios do estado do Rio Grande do Sul (1991, 2000 e 2010)

Elementos de Estatística (EST001-B)

Estudo da satisfação dos estudantes de graduação da UFPE no campus Caruaru

RESULTADO DEFINITIVO DA SELEÇÃO DE PROPOSTAS Após o julgamento dos recursos administrativos segue a lista final dos projetos.

PROBLEMAS ATUAIS DA LOGÍSTICA URBANA NA ENTREGA DE MATERIAIS HOSPITALARES UM ESTUDO INVESTIGATIVO

É POSSÍVEL ATINGIR A META DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA A DOAÇÃO ESPONTÂNEA?

Estatística Aplicada. Gestão de TI. Evanivaldo Castro Silva Júnior

4 Avaliação Econômica

Faturamento de Restaurantes

MERCADO DE TRABALHO NA PRODUÇÃO DE ALGODÃO E SOJA: UMA ANÁLISE COMPARATIVA

Principais características da inovação na indústria de transformação no Brasil

GASTAR MAIS COM A LOGÍSTICA PODE SIGNIFICAR, TAMBÉM, AUMENTO DE LUCRO

Estatística Aplicada Lista de Exercícios 7

INSTITUTOS SUPERIORES DE ENSINO DO CENSA PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA PROVIC PROGRAMA VOLUNTÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

na região metropolitana do Rio de Janeiro

EQUILÍBRIOS E ASSIMETRIAS NA. distribuição da população e do pib. entre núcleo e periferia. nas 15 principais regiões. metropolitanas brasileiras

Acidentes fatais com motocicleta param de crescer no Estado de São Paulo

AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE AUDITIVA SOB A PERSPECTIVA DO USUÁRIO: PROPOSTA DE INSTRUMENTO

Estatística e Probabilidade

EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO RURAL NOS MUNICÍPIOS DO CENTRO- SUL PARANAENSE NO PERÍODO DE 2000 A 2010

O CENSO 2010: BREVE APRESENTAÇÃO E RELEVÂNCIA PARA A GEOGRAFIA

GERAÇÃO DE VIAGENS. 1.Introdução

Construção de Modelos de Previsão de Risco de Crédito Utilizando Técnicas de Estatística Multivariada

A taxa de motorização nas cidades brasileiras e a questão da mobilidade urbana.

Evolução do número de mortes no trânsito em São Paulo

RESUMO PARA O CONGRESSO AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA 2011

História da Habitação em Florianópolis

Anexo 1. Definição das variáveis de análise

Índice de Gini e IDH. Prof. Antonio Carlos Assumpção

Metrópoles em Números. Crescimento da frota de automóveis e motocicletas nas metrópoles brasileiras 2001/2011. Observatório das Metrópoles

CÂNCER DE MAMA Complementar ao documento já disponibilizado em 2007: NEOPLASIAS 2006

CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS DE IDOSAS. UM OLHAR PARA VIÇOSA, MINAS GERAIS, BRASIL

Transcrição:

MODELOS ESPACIAIS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO COM ÓBITOS Murilo Castanho dos Santos Cira Souza Pitombo

MODELOS ESPACIAIS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO COM ÓBITOS Murilo Castanho dos Santos Cira Souza Pitombo Universidade de São Paulo Escola de Engenharia de São Carlos, Departamento de Engenharia de Transportes RESUMO Neste relatório é apresentado o projeto de pesquisa de mestrado na área de Engenharia de Transportes. É descrito o método do trabalho, que se baseia na comparação de modelagem não espacial confirmatória (Regressão Linear Múltipla) e modelagem espacial (Regressão Geograficamente Ponderada) para previsão de acidentes com vítimas fatais no ano de 2010 no Estado de São Paulo. São apresentados resultados preliminares referentes à abordagem não espacial e mapas que corroboram a hipótese de incrementos de tais modelos a partir da incorporação do fator espacial. 1. INTRODUÇÃO Desde o advento do automóvel, no início do século 20, até o ano de 2012, estima-se que da ordem de 40 milhões de pessoas no mundo tenham morrido em razão dos acidentes de trânsito (Ferraz et al., 2012). De acordo com essa perspectiva, é fundamental tratar com devida atenção a identificação dos locais com maior número de acidentes de trânsito de forma a mitigar os seus efeitos. Silva (2012) avaliou os resultados da aplicação do modelo de previsão de acidentes apresentado no Highway Safety Manual HSM, publicado pela American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO) no ano de 2010, para trechos de rodovias de pista simples, localizados no interior do Estado de São Paulo. Os valores resultantes da aplicação do método do HSM calibrado e do método de Bayes, em todas as análises realizadas, aproximaram-se dos valores observados. Em outras regiões do país esses valores podem ser empregados como primeira aproximação, pois é recomendada a realização de estudos específicos regionais para a aplicação do modelo. Através da distribuição espacial dos locais de ocorrência dos acidentes de trânsito fatais em Campinas (São Paulo), construída mediante análise da densidade de pontos com a técnica de Kernel, Marín-León et al. (2012) observaram, entre os acidentes fatais ocorridos em rodovias, trechos com concentração de seis a dez acidentes fatais por quilômetro quadrado. No caso de acidentes não rodoviários, identificaram duas regiões que registraram densidade mais elevada (6 a 11 óbitos por quilômetro quadrado), sendo uma delas a região central da cidade. Técnicas de análise espacial de dados podem aprimorar pesquisas em que a variável de estudo possui dependência espacial. Em geral, tais análises são sensíveis ao tipo de distribuição, à presença de valores extremos e à ausência de estacionariedade. Na análise espacial é importante também investigar outliers não só no conjunto dos dados, mas também em relação aos vizinhos (Câmara et al., 2004). De forma geral, acidentes de trânsito são fenômenos que possuem uma tendência ou padrão espacial. Tal fenômeno, em tese, poderia ser analisado a partir de técnicas de análise espacial de dados, tal como a Regressão Geograficamente Ponderada (RGP). Rodrigues (2012) explica que a ideia da técnica é realizar um ajuste local para cada ponto da região de estudo com base nas observações mais próximas. 1

2. OBJETIVO O objetivo do presente trabalho é propor modelos espaciais de previsão de acidentes de trânsito com óbitos, considerando variáveis censitárias agregadas, informações relativas a fluxo veicular de viagens intermunicipais e de frota veicular. 3. MÉTODO 3.1 Tratamento do banco de dados O estudo tem como referência dados do ano de 2010 do Estado de São Paulo, agregados por microrregiões, ilustrado na Figura 1. As informações de acidentes com óbitos foram retiradas do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM); a frota foi obtida do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN). Os dados socioeconômicos são provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o IBGE, o Estado de São Paulo é dividido em 63 microrregiões. As demais informações extraídas do IBGE foram: área, população, Produto Interno Bruto (PIB), pessoas ocupadas, pessoas com rendimento e pessoas que realizam deslocamentos intermunicipais para o trabalho. Foram utilizados óbitos por microrregiões do SIM do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Os óbitos de acidentes de transportes foram agregados nas seguintes categorias: pedestre, ciclista, motociclista, triciclo, automóvel, caminhonete, veículo pesado, ônibus, outros acidentes e total de acidentes. Com relação à frota foram extraídos os números de automóvel, caminhão, ônibus, motocicleta, micro ônibus. As microrregiões do Estado de São Paulo com maior número relativo de habitantes são: São Paulo, Campinas, Osasco e Santos conforme o IBGE. A partir dessa informação utilizou-se o software TransCAD para obter a distância de cada microrregião para as mais populosas, através do centroide de cada uma delas. Espera-se observar uma correlação do número de acidentes com a distância até as microrregiões mais populosas. Figura 1: Microrregiões do Estado de São Paulo Barbetta (2012) explica que a distribuição normal com média 0 (zero) e desvio padrão 1 (um) é conhecida como distribuição normal padrão. Para transformar um valor x, de uma distribuição normal com média µ e desvio padrão σ, em um valor z da distribuição normal padrão, basta fazer a seguinte operação: z x (1) em que z: valor da distribuição normal padrão; x: valor observado; μ: média; σ: desvio padrão. 2

O valor z conhecido como valor padronizado é uma medida relativa. Mede o quanto x se afasta da média (µ), em unidade de desvio padrão (σ). Com base nessa informação, todas as variáveis foram padronizadas com a intenção de deixar todos os dados relativos, sobretudo considerando a alta variabilidade das variáveis do banco de dados. 3.2. Aplicação da Regressão Linear Múltipla stepwise: modelos não espaciais Um propósito fundamental da Regressão Linear Múltipla (RLM) é prever a variável dependente a partir de um conjunto de variáveis independentes numéricas. A RLM fornece um meio de avaliar o poder preditivo de um conjunto de variáveis independentes (Hair et al., 2009). O método stepwise avalia as variáveis individualmente quanto à sua contribuição na previsão da variável dependente e acrescenta ao modelo de regressão ou elimina do mesmo com base em sua contribuição relativa. Para a análise de RLM stepwise desse trabalho, todas as variáveis foram padronizadas. O total de acidentes foi utilizado como variável dependente para a primeira análise. As variáveis independentes foram os dados socioeconômicos do IBGE, os dados de frota do DENATRAN e as distâncias para as microrregiões com maior número de habitantes. O modelo não espacial obtido possui muito alto pode preditivo (R 2 = 0,987) sem intercepto. Seus principais resultados são apresentados na Tabela 1. Tabela 1: Resultados da Análise de RLM stepwise Modelo Coeficientes B Erro Padrão R quadrado t Sig. Motocicleta 0,975 0,15 64,345 0,000 Dist_Santos -0,067 0,016 0,987-4,101 0,000 Área 0,050 0,016 3,206 0,002 Motocicleta: valor padronizado da frota de motocicleta da microrregião; Dis_Santos: valor padronizado da distância a Santos baseado no centroide da microrregião; Área: valor padronizado da área da microrregião. Os resultados mostram que os acidentes com óbitos estão diretamente ligados à frota de motocicletas, à distância para Santos e à área de cada microrregião. Verifica-se ainda que a seleção da variável distância para Santos já é um indício de tendência espacial do fenômeno. Observa-se, pelos valores de parâmetro calibrado e estatística t, que o número de acidentes aumenta, conforme proximidade da microrregião de Santos (SP). Vale ressaltar que foi realizada análise de multicolinearidade e demais suposições da técnica de RLM. 3.3. Análise exploratória espacial A relação do número de acidentes de trânsito com óbitos e sua localização espacial é a hipótese principal que justifica esse projeto. O mapa apresentado na Figura 2 representa a distribuição espacial do total de acidentes por microrregião. Observa-se uma tendência do aumento do número de acidentes em direção à Microrregião correspondente a São Paulo. Figura 2: Relação de acidentes com óbitos pela área 3

É previsto que a análise espacial exploratória seja complementada pelos cálculos de índice de Moran e gráfico de espalhamento de Moran, por exemplo. 3.4. Aplicação da Regressão Geograficamente Ponderada (RGP) A ideia básica da RGP é ajustar um modelo de regressão para cada ponto no conjunto de dados, ponderando as observações por uma função de distância a este ponto. Isto corresponde a considerar que pontos mais próximos ao ponto em estudo tenham maior influência nos parâmetros estimados da regressão do que observações obtidas em pontos mais distantes (Ribeiro, 2012). Considerando as variáveis utilizadas na RLM stepwise e as coordenadas dos centroides das microrregiões, a RGP será aplicada a fim de verificar a autocorrelação espacial da variável acidentes do Estado de São Paulo. 3.5. Comparação dos resultados Para comparação das técnicas espaciais e não espaciais, será realizada, com 30% da amostra total, a validação dos modelos. Calculou-se, então, a correlação entre valores observados e estimados, a média dos erros e a variância dos resíduos dos modelos analisados, mostrando a qualidade do ajuste, além de prováveis incrementos através da RGP. A Tabela 2 apresenta a validação já realizada através da RLM stepwise. Tabela 2: Resultados da Regressão Linear Múltipla Correlação Média dos erros Variância dos erros 0,994 0,000 0,013 AGRADECIMENTOS O presente trabalho foi realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Barbetta, P. A. (2012) Estatística aplicada às Ciências Sociais (8 a ed. rev.). Editora da UFSC, Florianópolis. Câmara, G.; Druck, S.; Carvalho, M. S.; Monteiro, A. V. M. (2004) Análise Espacial de Dados Geográficos. EMBRAPA, Brasília. DEPARTAMENTO NACIONAL DE TRÂNSITO. (2010) Frota de veículos. Disponível em: <www.denatran.gov.br>. Acesso em: 29 abr. 2014. Ferraz, A. C. P.; Raia Júnior, A. A.; Bezerra, B. S.; Bastos, J. T.; Silva, K. C. R. (2012) Segurança Viária (1 a ed.). Suprema Gráfica e Editora, São Carlos, SP. Hair Jr., J. F.; Anderson, R. E.; Tatham, R. L.; Black, W. C. (2009) Análise Multivariada de Dados (6 a ed.). Bookman, Porto Alegre. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (2010) Censo Demográfico 2010. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 15 abr. 2014. Marín-León, L.; Belon, A. P.; Barros, M. B. A.; Almeida, S. D. M.; Restitutti, M. C. (2012) Tendência dos acidentes de trânsito em Campinas, São Paulo, Brasil: importância crescente dos motociclistas. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.28, n.1, p. 39-51. Ribeiro, V. C. (2012) Análise de demanda por transportes de passageiros via modelos de regressão georeferenciados. Dissertação, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES. Rodrigues, T. C. V. (2012) Regressão Binomial Negativa Geogracamente Ponderada: Modelando Superdispersão Espacial. Dissertação, Universidade de Brasília, Brasília. Silva, K. C. R. (2012) Aplicação do modelo de previsão de acidentes do HSM em rodovias de pista simples do estado de São Paulo. Dissertação, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos. SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE MORTALIDADE. (2010) Estatísticas Vitais. Disponível em: <tabnet.datasus.gov.br>. Acesso em: 15 abr. 2014. 4