PROJETO RECICLAR PARA PRESERVAR FABIA GRAVINA VIEIRA ROCHA Colégio e Faculdade Modelo do Paraná- Curitiba/PR fabiagravina@hotmail.com RESUMO Sensível à necessidade de reflexão sobre as relações dos seres humanos e natureza, o presente trabalho tem por objetivo apresentar subsídios teóricos para o desenvolvimento de um projeto ambiental em uma turma de pré escolar nível I, no Colégio e Faculdade Modelo do Paraná. Considerando-se a importância da temática ambiental para a manutenção da biodiversidade de nosso planeta e melhoria na qualidade de vida das pessoas, este projeto iniciou uma maior sensibilização e conscientização das ações humanas e suas conseqüências, estimulando comportamentos ambientalmente corretos nos alunos, funcionários, professores e comunidade. Palavras-chave: Educação Ambiental, Projetos ambientais, Projetos na Educação Infantil, Ecologia.
Na sociedade contraditória e consumista em que vivemos, faz-se necessária a sensibilização e orientação quanto à conservação e responsabilidade sócio ambiental de todos. Sócio enquanto vivemos em sociedade, visto que cada atitude de um ser humano reflete em outro e consequentemente em toda a sociedade e, ambiental porque remete ao meio ambiente. Ao implementar este projeto, visei estimular o pensamento crítico, a conscientização e sensibilização para educação ambiental, fazendo com que, alunos, professores, funcionários e comunidade se envolvessem e percebessem os problemas existentes e a corresponsabilidade de todos para com o meio ambiente. Nesta perspectiva, segundo Reigota (1998), a educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, mudança de comportamento, desenvolvimento de competências, capacidade de participação e de avaliação dos educandos. A escola é um espaço de construção e produção de conhecimento, sendo assim, a aprendizagem precisa ser interativa, contextualizada e principalmente significativa para que haja a construção de um comportamento socioambiental saudável. A prática educativa deve favorecer a compreensão da realidade e a responsabilidade de todos para a preservação do meio ambiente. Enxergar o ambiente em que vivemos, tomando uma postura mais ética e crítica, conscientizando-se de que os recursos naturais são finitos, buscando alternativas de sustentabilidade, é sem dúvida, garantir maior e melhor qualidade de vida no futuro. Para tanto, é necessário frear o consumismo, o desperdício e o acúmulo de lixo, considerando a reciclagem como um processo de restauração de fundamental importância. Precisamos formar cidadãos conscientes, incentivando a prática de comportamentos ambientalmente adequados desde a mais tenra idade. Partindo deste pressuposto, iniciei meu projeto com os alunos do nível I, desenvolvendo autonomia e compreensão das atitudes corretas para a preservação e conservação do meio ambiente. É possivel perceber que um determinado grupo de pessoas reconhece a importância da preservação ambiental, porém agem de forma contraditória porque é mais comodo ou conveniente. Reavivar os conceitos ambientais, sensibilizar para a percepção do ambiente como um todo é fundamental para a realização humana de sobrevivência. Não basta apenas se ter conhecimento, é necessário se ter consciência de que certas práticas culturais embora pareçam
num primeiro olhar, práticas e convenientes, acabam por aumentar a degradação do meio ambiente. Assim o projeto desenvolvido teve o objetivo de problematizar a realidade e comportamentos, com o intuito de ampliar a visão ecológica e sensibilizar para um processo de construção/reconstrução de práticas socioambientais mais corretas necessárias à sobrevivência humana. Como diz Paulo Freire, conscientizar só faz sentido se for um processo de mútua aprendizagem pelo diálogo, reflexão e ação no mundo. A atual sociedade em que vivemos, nos leva ao exagerado consumismo por necessidades individuais, seja por pressa, comodismo ou modismo. A humanidade se vê como centro, justificando assim uma postura individualista e materialista, permitindo que apenas as suas necessidades sejam supridas sem a preocupação com o outro; priorizando o individual em detrimento ao coletivo. Assim, a educação ambiental pode ajudar as pessoas a tomarem consciência de suas atitudes, instrumentalizando-as a lidar com essa sociedade capitalista de forma equilibrada e consciente. Para haver mudanças significativas, não basta apenas mudanças individuais, mas mudanças na sociedade como um todo. Nessa relação dialética/dialógica entre individuo e a vida social é que se constrói o processo de uma educação política que forma indivíduos como atores (sujeitos), aptos a atuarem coletivamente no processo de transformações sociais, em busca de uma nova sociedade ambiental sustentável. (GUIMARÃES 2007,p.89) A produção excessiva de lixo, advinda do consumismo inconsciente, requer intervenção e planejamento por parte das políticas públicas nacionais, promovendo um processo de discussão sobre o modo de produção e consumo. Enquanto o sonho não se transforma em realidade, vivenciamos uma utópica busca por uma sociedade mellhor, mais justa, mais igualitária e menos consumista. Acredito que a educação ambiental é capaz de contribuir na formação ecológica das novas gerações, antes que estas, sejam engolidas pelo atraente mundo do consumismo, fazendo do ambiente escolar um espaço coletivo aberto para a reflexão e ação, para além dos conteúdos, mas uma iniciativa problematizadora frente a atual realidade socioambiental, construindo
novos conceitos e práticas sociais ambientalmente sustentáveis, de forma a conhecer a realidade para poder intervir de forma consciente. É a manifestação do exercício da cidadania a favor do coletivo. o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania. (LEI nº9.795/99, cap. I, art. 5, IV) É preciso repensar a relação homem e natureza, percebendo que as tomadas de decisões individuais, influenciam o coletivo e o destino para toda a humanidade com o passar dos anos. Para sermos transformadores, necessitamos de uma reflexão crítica que reoriente as formas de ver e viver no mundo, que refaça a história da humanidade confiando na possibilidade de mudanças de visão de mundo. (TRAJBER 2007, p.149) A educação ambiental é práxis educativa e social e segundo Villeneuve (1992, p. 15) para que possamos construir um futuro melhor é necessário assegurar uma gestão responsável dos recursos de forma a preservar os interesses de gerações futuras e, ao mesmo tempo, atender às necessidades atuais. Suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro. Para tal é necessário um intenso movimento de conscientização ambiental, para transformar posturas e alcançar objetivos que atendam não somente as problemáticas ambientais mas sociais também. Afirmando assim, a possibilidade de existência de uma qualidade de vida com consumo sustentável.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, C. Um método para o ensino fundamental: o projeto. Fasc. 7. Petrópolis: Vozes, 2001. EDUCAÇÃO AMBIENTAL: Cadernos Temáticos da Diversidade 1. Curitiba: SEED PR., 2008. GUIMARÃES, M. Educação Ambiental: participação para além dos muros da escola. IN: MELLO, Soraia S. de, org. Vamos cuidar do Brasil: Conceitos e prática em educação ambiental na escola. Brasília: MEC, Coordenação Geral da Educação Ambiental: Ministério do Meio Ambiente, UNESCO: 2007, p.89. LOUREIRO, C. F. B., orgs. Educação Ambiental: repensando o espaço da cidadania. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2005. MORAIS, M. B. Ciências: Ensinar e Aprender. Belo Horizonte: Dimensão, 2009. STONE, M.K., orgs. Alfabetização Ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável. São Paulo: Cultrix, 2006. TRAJBER, R. Cidadania e consumo sustentável: nossas escolhas em ações conjuntas. IN: MELLO, Soraia S. de, org. Vamos cuidar do Brasil: Conceitos e prática em educação ambiental na escola. Brasília: MEC, Coordenação Geral da Educação Ambiental: Ministério do Meio Ambiente, UNESCO: 2007, p.149. VILLENEUVE, C. Uma causa pessoal: todo cidadão pode contribuir para a preservação dos sistemas que sustentam a vida em nosso planeta? IN: O correio da UNESCO, ano 20, n.01, jan. 1992, p.15-22.