Resíduos sólidos de abatedouro

Documentos relacionados
Cuidados com gases comprimidos em Laboratório

FORMULÁRIO DE CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO

POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Como elaborar um MANUAL DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (7ª PARTE)

Teramb, Empresa Municipal de Gestão e Valorização Ambiental, EEM

- TERMO DE REFERÊNCIA - PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

SÍNTESE DA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (LEI , DE 02 DE AGOSTO DE 2010) NA PERSPECTIVA DAS CENTRAIS DE ABASTECIMENTO BRASILEIRAS

[DESTINAÇÃO FINAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS]

Tratamento Térmico de Resíduos. Uma Opção para a Destinação do Resíduo: Tratamento Térmico

Corretivos Adubos e Adubações. Prof. ELOIR MISSIO

ABATE DE SUÍNOS. Figura 1. Abate suíno no Brasil e em São Paulo (ABIPECS, 2006)

Núcleo Proecco Em parceria com as empresas. Centro de Referências para Triagem e Tratamento de Resíduos Orgânicos e Inorgânicos.

SECRETARIA MUNICIPAL DA AGRICULTURA, DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E MEIO AMBIENTE

Resolução CONAMA 307 de 5 de julho de Dispõe sobre gestão dos resíduos da construção civil.

NORMAS DE MEIO AMBIENTE

GERAÇÃO DE RESÍDUOS. Planejamento e Gestão de Resíduos

PROGRAMA DE DISCIPLINA

ECO PRIMOS COMÉRCIO DE RESÍDUOS LTDA

Hsa GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS. Resíduos Sólidos. PROFa. WANDA R. GÜNTHER Departamento Saúde Ambiental FSP/USP

Plano de aula. ZOOTECNIA I (Suínos) 01/04/2016. Resíduos de origem animal. Produção Animal vs Impacto Ambiental. Dejetos. Problemas.

GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE DE PALMAS DIRETORIA DE CONTROLE AMBIENTAL GERÊNCIA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL

PROGRAMA DE QUALIDADE DA CARNE

PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DE SERVIÇOS

PORTARIA Nº 1395, DE 5 DE FEVEREIRO DE 2014.

Produção e caracterização de resíduos da construção civil

RDC de outubro de Produção Controle de Qualidade Amostragem

A indústria Gráfica e o Meio Ambiente. Rosana González Aléssio

Sistemas de Gestão Ambiental. Gestão de Resíduos. Vídeo. Contextualização. Soluções. Instrumentalização. Aula 5. Prof. Esp.

GESTÃO AMBIENTAL NA INDÚSTRIA. Renato das Chagas e Silva Engenheiro Químico Divisão de Controle da Poluição Industrial FEPAM

Unidade de Medida A0010

PROCEDIMENTOS CO-PROCESSAMENTO DE RESÍDUOS NO ESTADO DO PARANÁ. São Paulo, 04 de novembro de 2004

Impactos do uso de Produtos Veterinários e de Alimentos para Animais na produção de alimentos seguros

Por Gustavo J. M. M. de Lima, engenheiro agrônomo, responsável pela área de Prospecção e Avaliação Tecnológica da Embrapa Suínos e Aves

PROJETO DE IMPLANTAÇÃO INDÚSTRIA MADEIREIRA Desdobro Secundário da Madeira. Tipo de Curso d água Nome Bacia Hidrográfica

Profa. Angélica Pinho Zootecnista. Fones: Profa. Gladis Ferreira Corrêa

16º Relatório de Monitoramento Socioambiental UHE Belo Monte

Plano de Gerenciamento de Resíduos. Jeniffer Guedes

Profa. Angélica Pinho Zootecnista. Fones: Wats: (53)

ESCOLA SENAI CELSO CHARURI UNIDADE SUMARÉ CFP 5.12

Escola SENAI Alfried Krupp CFP 568

FISCALIZAÇÃO SANITÁRIA EM AÇOUGUES E FIAMBRERIAS

Anexo I Especificação de carne completa

Aula 5: Química das Águas Parte 3b

Alvará de Licença para a Realização de Operação de Gestão de Resíduos N.º 00029/2012 emitido pela CCDR-LVT.

MÓDULO 2. Prof. Dr. Valdir Schalch

3.2. COLETA SELETIVA DE RESÍDUOS É a sistemática de segregar os resíduos de acordo com suas classes de risco nas áreas geradoras.

2.3. Projeto de Saneamento do Canteiro de Obras. Revisão 00 NOV/2013. PCH Senhora do Porto Plano de Controle Ambiental - PCA PROGRAMAS AMBIENTAIS

Ficha Técnica IE01 ESTRUTURA: Piso e Cobertura

PRODUÇÃO MAIS LIMPA NO SETOR DE PANORAMA E CONSIDERAÇÕES

Lauralice de C. F. Canale Prof. Associada EESC/USP

RELATÓRIO DE AUDITORIA

COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB) Decisão de Diretoria - 120/2016/C, de (DOE 03/06/2016)

Avaliação do perfil do resíduo gerado numa fábrica de tintas

ESCOLA SENAI CELSO CHARURI CFP 5.12 PROGRAMA DE REDUÇÃO DO VOLUME E DESTINAÇÃO CORRETA DE RESÍDUOS PERIGOSOS GERADOS

PARECER TÉCNICO Nº. 010/2007 (SUPRAM NOR) Nº /2007 Indexado ao(s) Processo(s) Nº: 1877/2003/001/2006

Tratamento e Descarte de Resíduos de Obras

A Energia que vem do campo Linha de Produtos

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA PECUÁRIA E ABASTECIMENTO INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8, DE 2 DE JUNHO DE 2005.

MANUAL DE OPERAÇÃO E INSTALAÇÃO SEPARADOR ÁGUA ÓLEO

Tratamento de resíduos

APRESENTAÇÃO ITAMBÉ. Engº: Mauricio Petenusso 18 de Novembro de 2009

REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE MORTADELA 1. Alcance

RESÍDUOS AGROSILVOPASTORIS

Preservação da madeira

4. REQUISITOS SANITÁRIOS E FITOSSANITÁRIOS PARA PRODUTOS BRASILEIROS EXPORTADOS PARA A ESTADOS UNIDOS

Oportunidades e Soluções em Lodo de ETEs.

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE

ASPECTOS GENÉRICOS DA TECNOLOGIA DE ALIMENTOS

SECRETARIA MUNICIPAL DA AGRICULTURA, DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E MEIO AMBIENTE

PREND Programa de Recebimento de Efluentes Não Domésticos

Modelo de gestão ambiental para a suinocultura. Rodrigo S. Nicoloso Eng. Agrônomo, Dr. Núcleo Temático de Meio Ambiente Embrapa Suínos e Aves

J U L I O C E S A R I N V E R N I Z Z I. Área de Atuação: Química Industrial, Gerencia, Ambiental, Gestão de Produção, Qualidade.

Papel e Celulose. Gerenciamento Integrado de Resíduos da Indústria de Papel e Celulose AGO 2008

CARNE BOVINA SALGADA CURADA DESSECADA OU JERKED BEEF

Como atender às necessidades da produção e do meio ambiente?

FISPQ FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTOS QUÍMICOS SABÃO EM BARRA NUTRILAR

Análise SWOT. Resíduos Sólidos Domiciliares e Comerciais

GERÊNCIA DE INSPEÇÃO PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL NORMAS DE CONSTRUÇÃO CARNE E DERIVADOS

INSTRUÇÃO NORMATIVA MAPA N 22, DE 11 DE JULHO DE 2011

GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA DE ESTADO DO AMBIENTE INSTITUTO ESTADUAL DO AMBIENTE DELIBERAÇÃO INEA Nº 15 DE 27 DE SETEMBRO DE 2010

Certificação ambiental de produtos

1) Conceitos e definições:

Bioética e Biossegurança

8. Gestão de Resíduos Especiais. Roseane Maria Garcia Lopes de Souza. Há riscos no manejo de resíduos de serviços de saúde?

CENTRAL DE COMPOSTAGEM DE LODO DE ESGOTO DA ETE LAVAPÉS

Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE QUEIJO AZUL

Profª. Klícia Regateiro. O lixo

DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS

6º Ciclo de Sustentabilidade. Selo Qualidade Ambiental ABTG Certificadora

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO SECRETARIA DE DEFESA AGROPECUÁRIA INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 18, DE 13 DE MAIO DE 2008

Separação de Resíduos

FICHA DE INFORMAÇÕES SE SEGURANÇA DE PRODUTO QUIMICO (FISPQ)

CERTIFICADO DE MOVIMENTAÇÃO DE RESÍDUOS DE INTERESSE AMBIENTAL Validade até: 24/03/2021

Transcrição:

Resíduos sólidos de abatedouro Alternativas de tratamento e destinação final de resíduos sólidos provenientes de abatedouro de bovinos. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI-RS Centro Nacional de Tecnologias Limpas SENAI Dezembro/2006 Edição atualizada em: 30/01/2015

Resposta Técnica Demanda Assunto Palavras-chave Atualização OLIVEIRA, Joseane Machado de Resíduos sólidos de abatedouro Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI-RS Centro Nacional de Tecnologias Limpas SENAI 28/12/2006 Alternativas de tratamento e destinação final de resíduos sólidos provenientes de abatedouro de bovinos. Quais são as melhores opções de tratamento e destinação final de resíduos sólidos provenientes de abatedouro de bovinos? Frigorífico - abate de bovinos Abatedouro; reciclagem; resíduo sólido; tratamento de resíduo Em: 30/01/2015 Por: Paula Teixeira de Teixeira Salvo indicação contrária, este conteúdo está licenciado sob a proteção da Licença de Atribuição 3.0 da Creative Commons. É permitida a cópia, distribuição e execução desta obra - bem como as obras derivadas criadas a partir dela - desde que criem obras não comerciais e sejam dados os créditos ao autor, com menção ao: Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas - http://www.respostatecnica.org.br Para os termos desta licença, visite: http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/ O Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas SBRT fornece soluções de informação tecnológica sob medida, relacionadas aos processos produtivos das Micro e Pequenas Empresas. Ele é estruturado em rede, sendo operacionalizado por centros de pesquisa, universidades, centros de educação profissional e tecnologias industriais, bem como associações que promovam a interface entre a oferta e a demanda tecnológica. O SBRT é apoiado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE e pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação MCTI e de seus institutos: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq e Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IBICT.

Solução apresentada Muitos resíduos de abatedouros podem causar problemas ambientais graves se não forem gerenciados adequadamente. A maioria é altamente putrescível e, por exemplo, pode causar odores se não processada rapidamente nas graxarias anexas ou removida das fontes geradoras no prazo máximo de um dia, para processamento adequado por terceiros (PACHECO, 2006). Animais mortos e carcaças condenadas devem ser dispostos ou tratados de forma a garantir a destruição de todos os organismos patogênicos. Todos os materiais ou partes dos animais que possam conter ou ter contato com partes condenadas pela inspeção sanitária são consideradas de alto risco e devem ser processadas em graxarias inspecionadas e autorizadas, para garantia dos processos que levam à esterilização destes materiais. O gerenciamento destes resíduos pode ser crítico, principalmente para pequenas empresas, que carecem de recursos e onde o processamento interno dos resíduos, não raro, é inviável (PACHECO, 2006). Alguns resíduos sólidos gerados nas operações auxiliares e de utilidades também precisam ser considerados e adequadamente gerenciados para minimizar seus possíveis impactos ambientais. Podem-se destacar os seguintes resíduos: Resíduos da estação de tratamento de água: lodos; material retido em filtros; eventuais materiais filtrantes e resinas de troca iônica; Resíduos da estação de tratamento de efluentes líquidos: material retido por gradeamento e peneiramento; material flotado (gorduras / escumas); material sedimentado; lodos diversos; Cinzas das caldeiras; Resíduos de manutenção: solventes e óleos lubrificantes usados; resíduos de tintas; metais e sucatas metálicas (limpas e contaminadas com solventes / óleos / graxas / tintas); materiais impregnados com solventes; óleos; graxas; tintas (ex.: estopas, panos, papéis, etc.); Outros: embalagens, insumos e produtos danificados ou rejeitados e pallets das áreas; De almoxarifado e expedição (PACHECO, 2006). No caso de graxarias anexas aos abatedouros ou matadouros, estas praticamente não geram resíduos sólidos em seus processos produtivos, eventuais perdas residuais são reincorporadas no processo (reuso interno); algumas embalagens de produtos da graxaria e de insumos auxiliares podem ser considerados como resíduos sólidos. Quanto aos resíduos de operações auxiliares e de utilidades, citados acima, as graxarias anexas normalmente compartilham destas mesmas operações instaladas para os abatedouros, dando apenas sua parcela de contribuição na geração de resíduos destas unidades (PACHECO, 2006). O manejo, armazenamento e a disposição, inadequados, tanto dos resíduos principais da produção, quanto destes resíduos secundários, como por exemplo, em áreas descobertas e/ou sobre o solo sem proteção e/ou sem dispositivos de contenção de líquidos, podem contaminar o solo e as águas superficiais e subterrâneas; tornando-os impróprios para qualquer uso, bem como gerar problemas de saúde pública (PACHECO, 2006). O Quadro 1 exemplifica as quantidades médias do principais resíduos gerados em abatedouros. 2015 c Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas SBRT http://www.respostatecnica.org.br 1

Quadro 1 - Quantidades médias dos principais resíduos gerados em abatedouros (bovinos e suínos) Fonte: (PACHECO, 2006) Da mesma forma que para a água, os efluentes líquidos e a energia, recomenda-se medir adequadamente os resíduos sólidos gerados na unidade produtiva. Isto envolve fazer a segregação ou separação dos resíduos; seu acondicionamento; sua quantificação; os registros dos dados e sua respectiva avaliação de forma rotineira e adequada. No caso de pesagem dos resíduos, balanças de boa qualidade, adequadas para as quantidades envolvidas, devem ser selecionadas, adquiridas, devidamente instaladas e calibradas periodicamente (PACHECO, 2006). A definição, cálculo e acompanhamento de indicadores relacionados à produção, são importantes, como por exemplo: [kg resíduos de piso área interna/cabeça, ou /t produto]; [kg esterco e conteúdos estomacais e intestinais prensados/cabeça, ou /t produto]; [kg ou litros sangue processado ou retirado da empresa/cabeça, ou /t produto]; [kg embalagens danificadas-descartadas/cabeça, ou /t produto]; [kg produtos danificados-descartados/cabeça, ou /t produto]; Indicador indireto: [kg farinha carne-ossos/cabeça, ou /t produto], desde que a produção desta farinha possa ser relacionada com os resíduos gerados somente no abatedouro ou frigorífico, com a produção local de carne ou de seus derivados e o processo de produção de farinha esteja sob controle, para que se exclua suas eventuais influências (PACHECO, 2006). OBS.: é importante cuidar para que a umidade dos resíduos medidos seja padronizada, ou seja, deve ser conhecida e variar o mínimo possível - faixa estreita de valores; procedimentos de coleta, manuseio e acondicionamento dos resíduos influem na sua umidade e, portanto, devem ser definidos, padronizados (PACHECO, 2006). A orientação básica para o gerenciamento dos resíduos é praticar sempre os 3R s, de forma cíclica ou periódica, nesta ordem: Reduzir a geração de resíduos (nos processos produtivos e operações auxiliares); Reusar os resíduos inevitáveis (aproveitá-los, sem quaisquer tratamentos); Reciclar os resíduos inevitáveis (aproveitá-los após quaisquer tratamentos necessários) (PACHECO, 2006). 2015 c Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas SBRT http://www.respostatecnica.org.br 2

OBS.: para os 2 e 3 passos, procurar esgotar primeiro as possibilidades de aproveitamento interno, nas próprias atividades da unidade produtiva; somente depois, procurar alternativas de aproveitamento externo, em instalações de terceiros. Os resíduos que restarem dos 3R s, devem ser segregados, coletados, acondicionados e destinados adequadamente, de acordo com normas técnicas e com a legislação ambiental (PACHECO, 2006). No caso de abatedouros, reusos, reciclagens e disposição final de resíduos sólidos são as ações mais comuns. Muitos resíduos encontram utilização e aproveitamento, como aqueles processados nas graxarias. Portanto, uma das ações básicas é maximizar o aproveitamento ambientalmente adequado dos resíduos, sempre buscando alternativas para isto. Desta forma, minimizam-se os impactos ambientais destes resíduos e podem-se diminuir o custo de seu gerenciamento (PACHECO, 2006). Seguem algumas medidas que podem ser destacadas com relação ao gerenciamento dos resíduos sólidos: Procurar minimizar alimentação dos animais que gere conteúdos estomacais e intestinais, tanto no manejo para encaminhamento aos abatedouros e frigoríficos como nos seus currais e pocilgas; usar dieta líquida, por exemplo, (prática corrente), e/ou, outra técnica viável, o quanto for possível (trabalho local e em conjunto com os fornecedores dos animais); Minimizar a geração de resíduos do abate e do processamento das carcaças e da carne (aparas de carne e de gordura, por exemplo), dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação do setor e em função dos produtos e subprodutos de interesse da empresa; Coletar e segregar ou separar todos os resíduos por tipos, isolados ou em grupos compatíveis, evitando que se misturem (contaminem-se entre si) e que se juntem aos efluentes líquidos; isto aumenta as possibilidades de seu aproveitamento (reuso ou reciclagem), pode diminuir custos de sua destinação e a torna mais adequada; Segregar correntes de efluentes de alta carga (ex.: linha verde - lavagem de pátios e caminhões, currais e pocilgas, corredor de condução dos animais / seringa, bucharia e triparia) áreas praticamente isentas de sangue; linha vermelha - abate/sangria, esfola, escaldo, evisceração, limpeza e lavagem das carcaças, processamento de vísceras, couro e cabeça, câmaras frias, corte e desossa áreas com presença significativa de sangue e graxaria); esta segregação facilita e melhora parte da coleta separada dos resíduos sólidos; Sangue: coletar a maior quantidade possível e manejá-lo com os cuidados necessários (acondicionamento adequado para preservação, sem derramamentos, etc.) para que todo ele possa ser transformado em subprodutos (farinhas, derivados de sangue plasma, albumina, etc.), seja na própria unidade ou em terceiros; Esterco, conteúdos estomacais e intestinais, materiais retidos em grades e peneiras e os lodos gerados nas estações de tratamento dos efluentes líquidos: coletá-los e acondicionálos adequadamente (áreas cobertas, sobre solo protegido com contenção lateral ou em recipientes sem vazamentos, durante o mínimo tempo possível antes de seu processamento ou destinação) algumas alternativas observadas para estes resíduos são o seu uso como insumos na fabricação de fertilizantes, de compostos orgânicos para adubos (a partir de compostagem) e para a produção de biogás, via digestão anaeróbia (verificar necessidade de autorização dos órgãos competentes); Verificar quais resíduos adicionais poderiam também ser processados em graxarias, além daqueles já em processo por exemplo, alguns resíduos da estação de tratamento de efluentes (materiais de gradeamento e peneiramento, gorduras, lodos, etc.); 2015 c Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas SBRT http://www.respostatecnica.org.br 3

Resíduos das operações auxiliares e de utilidades (tratamento de água, outros resíduos do tratamento de efluentes, caldeiras, manutenção, almoxarifado e expedição, etc.): seguir a mesma orientação básica ( 3R s ) (PACHECO, 2006). Na falta de alternativas que configurem reúso e/ou reciclagem viável e ambientalmente adequada, os resíduos devem ser acondicionados e destinados de forma a eliminar ou minimizar quaisquer impactos ambientais e danos à saúde pública (PACHECO, 2006). As graxarias são unidades de processamento normalmente anexas aos matadouros, frigoríficos ou unidades de industrialização de carnes, mas também podem ser autônomas. Elas utilizam resíduos das operações de abate e de limpeza das carcaças e das vísceras, partes dos animais não comestíveis e aquelas condenadas pela inspeção sanitária, ossos e aparas de gordura e carne da desossa e resíduos de processamento da carne, para produção de farinhas ricas em proteínas, gorduras e minerais (usadas em rações animais e em adubos) e de gorduras ou sebos (usados em sabões e em outros produtos derivados de gorduras). Há graxarias que também produzem sebo e/ou o chamado adubo organo-mineral somente a partir dos ossos, normalmente recolhidos em açougues. As graxarias processam subprodutos e/ou resíduos dos abatedouros ou frigoríficos e de casas de comercialização de carnes (açougues), como sangue; ossos; cascos; chifres; gorduras; aparas de carne; animais ou suas partes condenadas pela inspeção sanitária e vísceras não comestíveis. Seus produtos principais são o sebo ou gordura animal (para a indústria de sabões/sabonetes, de rações animais e para a indústria química) e farinhas de carne e ossos (para rações animais). Há graxarias que também produzem sebo ou gordura e/ou o chamado adubo organo-mineral somente a partir de ossos (PACHECO, 2006). Conclusões e recomendações As atividades produtivas das graxarias são reguladas e fiscalizadas pelas autoridades sanitárias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. Por exemplo, a Instrução Normativa n 15/2003, do MAPA, é dirigida às graxarias e particularmente seu Anexo I, o Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico- Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação (BPF) para Estabelecimentos que Processam Resíduos de Animais Destinados à Alimentação Animal, orienta sobre as boas práticas de projeto, de instalação das graxarias e de sua operação, do ponto de vista de segurança sanitária de suas atividades produtivas, bem como de seus produtos. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/>. Acesso em: 28 dez. 2006. Recomenda-se uma leitura aprofundada nas fontes referenciadas no item fontes consultadas. O Centro Nacional de Tecnologias Limpas do SENAI-RS presta serviço de consultoria para este tipo de demanda. Caso haja interesse, entrar em contato: CENTRO NACIONAL DE TECNOLOGIAS LIMPAS (CNTL) SENAI End.: Av. Loureiro da Silva, 2001 Bairro: Cidade Baixa Tel.: (51) 3286 3433 Porto Alegre - RS E-mail: <cntl.att@senairs.org.br> Site: <http://www.rs.senai.br/cntl> Fontes consultadas PACHECO, José Wagner. Guia técnico ambiental de graxais. São Paulo: CETESB, 76 p. 2006. Disponível em: <http://az545403.vo.msecnd.net/uploads/2012/05/p+l_graxaria.pdf>. Acesso: 24 mar. 2014. 2015 c Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas SBRT http://www.respostatecnica.org.br 4

Identificação do Especialista Joseane Machado de Oliveira Engenheira química 2015 c Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas SBRT http://www.respostatecnica.org.br 5